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embaixada-brasileira Inkspired Brasil Era uma vez... mas nem toda história começa assim. Lá estava ele: o computador, aberto no tear de vidas. E a personagem. Estava tudo certo, mas, então, ela viu o autor. Curiosa, seu dedo quase o alcançou, e a roda do tear girou. Foi assim que as coisas se tornaram tênues: um toque e tudo daria errado, outro diferente e daria muito certo! A Bela Adormecida representa a fragilidade dos elementos construtivos da história. Uma história não vem pronta, ela é construída com enredo, sinopse, capítulos... O tear representa essa construção, enquanto que a agulha é o perigo de tudo desandar com sua Bela Adormecida. Nós queremos, neste blog, mostrar a vocês dicas para que consigam tear histórias cada vez mais harmônicas.

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Criando um personagem

Olá, galerinha! Admito que é bom ver vocês longe das lições sobre gramática: em gramática, eu conto para vocês o que outras pessoas pensam e acreditam a respeito da nossa língua; aqui no Tecendo Histórias, quase tudo que é dito vem das experiências pessoais de quem escreve, então a dinâmica é bem diferente. Bom, hoje venho falar com vocês sobre os personagens. Vamos abordar aspectos importantes da criação e também como desenvolvê-los e cuidar para que não se percam ao longo do texto.


Meu texto vem com base no da Karimy sobre ambientação de histórias, que você encontra aqui. É importante ler o que ela falou sobre isso primeiro, porque saber ambientar uma história é mais do que essencial a quem está criando personagens e eu não vou repetir o que ela já disse.


Bom, os personagens são a alma da história. Mais do que isso: não há história sem personagem. Você pode ter um texto feito apenas a partir do diálogo e/ou sem nenhum cenário, entretanto um texto sem personagem não existe, por isso é tão importante cuidar na hora de desenvolvê-los. Mesmo que você não tenha seres humanos na história, um personagem principal precisa haver, nem que ele seja uma árvore.


O que você jamais pode esquecer é o seguinte: seu personagem está vivo. Grave isso na cabeça, porque se nem você, que é o escritor, que o acompanha desde seu nascimento, acredita que ele existe, como seus leitores acreditarão na sua história? Eu tive um professor de escrita que sempre disse o seguinte: Escritores são os melhores mentirosos que existem. O nosso trabalho é literalmente convencer as pessoas de que falamos a verdade, mesmo que pareça impossível.


Isso ficou gravado em mim por muito tempo, porque a palavra “mentirosos” parece ruim, mas, se você for pensar na definição dela, faz sentido: o mentiroso é quem convence os outros de que algo aconteceu ou não, por mais mirabolante que a história seja. E é isso que a gente precisa fazer: nossos leitores precisam sentir que nossos personagens existem em algum lugar do mundo, que eles estão lá fora, vivos. Mas isso nem sempre é fácil, e vou tentar lhes mostrar a minha visão de personagens bem-desenvolvidos e falar um pouquinho da minha experiência pessoal também.


A quem não sabe, eu cultuo a divindade chamada Stephen King, então meu primeiro exemplo de personagens bem-desenvolvidos virá dele. Acho que todos estão familiarizados, mesmo que de leve, com a história de It: A coisa, certo? Enfim, um grupo de cinco crianças é escolhido por um poder maior para derrotar uma entidade maligna e poderosa. O livro é dividido em dois tempos: 1957-1958 e 1984-1985. A grande sacada aqui, para mim, é que o Stephen trabalha com os mesmos personagens em dois momentos: quando crianças e depois quando adultos. Diversas das atitudes que eles tomam quando adultos (como a Beverly se envolver com um homem extremamente abusivo, por exemplo) são explicadas enquanto eles são crianças (porque o pai da Bev era muito violento com ela também). O mais incrível, para mim, é que você vê a mudança, porque nas partes de 1957 eles agem como crianças e tomam atitudes de criança e pensam como criança, e depois em 1985 é muito diferente, porque, apesar de eles continuarem os mesmos, ele são adultos agora.


Vou tentar explicar da forma mais simples: o Pennywise (vulgo a Coisa) se transforma sempre naquilo que mais dá medo a quem o encara. Quando o Richie era criança, o Pennywise se transformou num lobisomem perto dele, porque o Richie tinha visto um filme de lobisomem há pouco tempo e se assustou. Então o medo de um menino de onze ou doze anos era algo muito físico. O mesmo se reflete nos outros personagens: com o Ben é uma múmia, com o Mike são pássaros e por aí vai. Quando eles reencontram o Pennywise na vida adulta, por outro lado, os medos se modificam. Agora o Pennywise não assume apenas determinada forma para eles, mas os assusta com situações. Ele deixa balões perto dos protagonistas, como que dizendo “estou aqui”. A uma tortura psicológica é muito mais intensa, porque os medos de um adulto são mais abstratos do que os medos de uma criança.


E é por isso que quero começar com isto: você precisa ter consciência da idade mental do seu personagem. E digo idade mental porque ele pode ter dezesseis anos, mas agir como uma criança de doze devido a certos traumas pelos quais tenha passado, ou ter quinze e precisar agir como alguém mais velho por não ter nenhuma figura que assuma esse papel de adulto. Seu personagem está vivo, o que significa que necessariamente ele tem um passado. E é aqui que entra a ambientação: seu personagem não vive num vácuo, ele está dentro de uma sociedade, dentro de um país, dentro de um contexto histórico. E tudo isso influencia na vida dele, em como ele age com o mundo.


Podemos pegar o próprio exemplo da Beverly, que citei antes. Ela é uma mulher muito forte, que ajudou a derrotar um monstro quando nova, mas ainda assim se deixou ser submissa a um relacionamento abusivo. Parece não fazer sentido, certo? Porque, como uma mulher que enfrentou a Coisa de frente, que enfrentou meninos muito mais fortes do que ela e que manteve a cabeça erguida para proteger seus amigos pôde acabar apanhando do marido? É o contexto em que ela foi criada que explica: um pai abusivo, que a assustava mais do que qualquer um e que tentou matá-la antes mesmo de ela chegar à adolescência. Isso, somado a uma mãe distante, que também era abusada dentro de casa, e a diversos pequenos detalhes (como o bullying na escola), torna a Beverly uma pessoa muito frágil emocionalmente. A autoestima dela é baixa, existem momentos na história em que é perceptível o quanto esse passado influenciou suas escolhas do futuro.


Mas tudo isso é relativo, não pensem que alguém que teve um passado abusivo necessariamente se tornará uma Beverly. A maneira como seu personagem vê o mundo influencia muito nisso. Olhe o Naruto do Shippuuden, por exemplo: ele é um menino órfão, que teve um passado terrível, cheio de negligência e dor, mas mesmo assim consegue ver Konoha (o lugar em que foi criado e onde passou por diversos momentos de agressão por parte dos moradores) de forma positiva, até porque a filosofia de vida dele faz com que encare seus traumas de um jeito diferente da Beverly.


O que eu quero dizer com tudo isso? É simples: para começar a desenvolver um personagem, você precisa se lembrar de que ele tem uma história antes do enredo principal do seu texto. Não existe nada mais frustrante do que ler a respeito de um personagem que existe apenas e unicamente para fechar buracos no enredo. Isso normalmente se aplica a vilões: em diversas histórias aparecem aqueles vilões que estão ali apenas para que o herói tenha um antagonista. Eles não têm motivação, não têm história, não têm essência. Os leitores não acreditam no vilão. Não darei exemplos de livros porque não quero ofender ninguém, mas pensem naquela história (todo mundo leu ao menos uma) em que tudo o que você sabe sobre o vilão é que ele quer dominar o mundo.


Por que você quer dominar o mundo, seu vilão? “Porque eu sou mau!” Ok, mas por que você é mau? “Porque sim!” Tudo bem, mas o que você vai fazer quando dominar o mundo? “Matar todos!” Ué, isso não faz sentido, e quem você vai controlar? Quais seus planos? Sua ideologia? No que você acredita para fazer o que faz? O que te motiva? “Ah, eu sou mau e só o personagem xis pode me destruir, por isso eu vou matá-lo!”.


Entende? O personagem não tem essência, ele só está ali para que o enredo do herói aconteça. E é esse tipo de personagem que queremos evitar.


O que muitos autores têm usado nos últimos tempos são as famosas fichas de personagens. Eu sou bastante fã, admito. O engraçado é que muito do que se coloca ali você acaba nunca usando na história, mas é importante para explicar o porquê de os personagens agirem de maneira xis e lembrá-los quem o seu personagem é, o que ele pode e não pode fazer: os limites dele. Talvez você nunca revele a música preferida daquele seu personagem secundário, mas é bom que ele tenha uma até para que se torne mais verídico para você, escritor. Diversos modelos de ficha podem ser encontrados online, alguns mais completos e outros mais superficiais. Nenhum deles está “errado” ou “certo”, mas vou deixar aqui os pontos que considero essenciais para qualquer ficha:

  • Defeitos

  • Ideologia

  • Idiossincrasias

  • Traumas


Parece pouca coisa (e realmente é) e a ficha que eu costumo usar tem MUITO mais do que isso, mas é que esses pontos são os mais importantes. Idiossincrasia é aquela coisa que seu personagem sempre faz, como uma mania. Morder os lábios quando está feliz, por exemplo, é uma idiossincrasia, assim como coçar o nariz quando está confuso ou mesmo beliscar a própria cintura sempre que quer chorar em público. Isso é algo que você precisa criar para que seu personagem seja verídico; todo mundo tem suas manias. Com traumas eu nem me refiro a algo extremo, como um acidente ou um abuso. Ele pode ter sido picado por uma aranha quando criança e desenvolvido aracnofobia a partir disso. Ou talvez nada de ruim tenha acontecido em sua vida, mas precisou servir de apoio para pessoas que passaram por traumas e esse personagem acabou sentindo medo de se apaixonar pelo tanto que já viu os outros sofrendo.


O principal: defeitos. Ninguém é perfeito. Se o seu personagem não tem defeitos, então ninguém conseguirá sentir empatia real por ele ou acreditar nele.


Lembrem-se sempre: seus personagens são vida, logo eles têm histórias, motivações. Vou trazer à tona As crônicas de gelo e fogo agora. A maioria conhece a saga simplesmente por Game of Thrones (ou apenas GOT) devido ao seriado; eu li os livros e preciso dizer que sou apaixonada pelos personagens, em especial pela Cersei. George Martin conseguiu fazer personagens tão reais, mas tão reais, que são pouquíssimos os que você consegue dizer de coração: não, esta pessoa é terrível. Eu só consigo pensar no Joffrey (que sentia prazer com a dor alheia) e no Ramsey (que é uma versão evoluída e mais sádica do Joffrey). Todos os outros personagens têm um motivo por trás de suas ações. Inclusive, uma das melhores críticas que eu ouvi foi quando disseram “é difícil saber para quem torcer”. Claro que eventualmente todos escolhem seus lados na guerra, mas você entende o porquê de cada um fazer o que faz e todos os lados parecem estar certos em algum ponto e errados noutro.


A história é ambientada tão bem (mas tão bem) que você realmente acredita nas religiões, na própria história daquela sociedade e em todo o contexto dela. Os personagens nascem naquela cultura, e suas famílias e mesmo o lugar em que nascem influenciam demais em suas personalidades. Quem começa como vilão depois acaba se redimindo de alguma forma, e quem deveria ser herói acaba morrendo ou então fazendo alguma besteira, porque é humano, e humanos cometem erros. Não há como dizer que você não acredita nos personagens. A Cersei, por exemplo, é muito inteligente, conhece as armas que têm e as usa a seu favor e é muito egoísta. Cersei acredita que ama apenas cinco pessoas: seu irmão, os filhos e ela mesma. Até o carinho que sente pelo pai tem muito mais a ver com o poder que ele exerce e com o quanto ele é astuto do que com amor. E o amor dela pelo irmão é de natureza extremamente obsessiva, logo chamar de “amor” é algo bastante relativo. Há uma cena em que ela conversa com o Tyrion (outro irmão; esse ela definitivamente não ama) e fala sobre o Joffrey (filho dela. Todos odeiam este personagem, ele é horrível). A Cersei é verdadeiramente a única pessoa a amar o Joffrey, e esse amor não é injustificado. Nessa conversa, ela conta sobre como ele sempre corria para ela na infância e como sorria apenas para ela. São esses momentos que só observamos de forma superficial (mas que o George Martin provavelmente desenvolveu bem mais a fundo) que importam para que o personagem pareça real.


Ok, você tem a sua ficha de personagem agora prontinha. Ele tem música favorita, manias, gostos, desgostos, um passado, uma ex-namorada, um sobrinho de que ele gosta muito e uma péssima relação com os pais. Está pronto para ser inserido na história, certo? Com certeza, vá fundo. Aí, lá pelo meio, você percebe que o personagem deve seguir para a esquerda, mas pelo que você desenvolveu na sua ficha, ele deveria seguir para a direita. E agora? E quando o personagem se desenvolveu de um jeito que já não se encaixa mais no seu enredo inicial, porque ele está muito mais profundo do que você imaginava?


Agora você respira e responde à seguinte questão: o personagem tomar essa decisão é essencial para a história? Se a resposta for sim, então é a personalidade dele que precisa mudar. Você vai ter que modificar um traço essencial do personagem, reler o que escreveu até agora e acrescentar cenas e/ou excluir outras para apoiar essa nova decisão. Ou você pode criar novas situações que vão mudar seu personagem (porque as pessoas mudam) até que ele esteja emocionalmente pronto para seguir com o que você precisa para sua história.


Hora do momento da experiência pessoal. Eu quero falar sobre o Sasuke, do anime Naruto. Aí você diz: Ué, Camy, mas o Sasuke é um personagem que já existe, ele não é seu! Temos que fazer ficha para personagens de fanfic também? E eu respondo: depende. Sua história se passa num universo alternativo (UA)? Então sim. É no universo do mangá? Aí depende se vai seguir a linha do Kishimoto de forma fiel ou não.

Eu tenho uma história UA em que o Sasuke é um policial em Massachusetts, Boston. Ele é conhecido como “diabo” por ser extremamente frio e indiferente a todos ao redor dele. O passado do Sasuke que eu criei (vou chamá-lo de “meu Sasuke”) tem base no do Sasuke do Kishimoto, mas mudei um ponto-chave: Não foi o Itachi quem matou os pais do Sasuke; Itachi foi quem criou o Sasuke, os dois têm uma relação muito próxima. Minha ideia era a seguinte: eu queria esse Sasuke frio e indiferente (porque toda escritora de Naruto tem que ter ao menos uma história com uma versão assim dele, haha), queria que ele cuidasse de crianças, queria que ele se apaixonasse pelo Naruto e queria desenvolver uma investigação policial. Ou seja, temos aí todos os elementos para a história mais clichê de todas: aquela em que o par do personagem principal é a “exceção” dele.


Meu problema: o Sasuke do primeiro capítulo nunca se apaixonaria por ninguém. Ele não se abriria o suficiente para isso. Ele tampouco adotaria crianças ou se envolveria com elas por livre e espontânea vontade, eu precisava que ele ficasse emocionalmente mais aberto e que essas crianças fossem colocadas de forma forçada em sua vida. Logo, Itachi morreu no prólogo e a guarda dos filhos do Itachi passou ao Sasuke (porque a mãe das crianças também já tinha morrido). Enfim, eu precisei criar diversas situações para que o Sasuke se tornasse emocionalmente aberto tanto para aceitar as crianças quanto para aceitar o Naruto mais para frente. O beijo veio no capítulo 42, eu pensei que os leitores iam me matar até lá. Mas a questão foi a seguinte: meu personagem não era capaz de sentir nada antes do tempo que eu desenvolvi. Nunca foi tão difícil e tão gratificante trabalhar com um personagem antes, porque o meu Sasuke é a mesma pessoa no primeiro e no último capítulo. Ao menos, é como eu sinto. Ele não subitamente passou a ser carinhoso com os sobrinhos ou se apaixonou pelo Naruto; tudo aconteceu devagar, sem que ele percebesse, a partir de conversas e momentos de confiança.


A meu ver, de todas as minhas histórias, ele é o personagem que desenvolvi melhor. Não sei se quem leu se sente assim, mas é como eu me sinto. E isso é o mais importante, porque sinto orgulho do meu trabalho e do meu personagem e isso é essencial. Um escritor que não se sente bem com o que escreve não consegue melhorar. E durante Obsesso (que é o título da história em questão), sinto que melhorei muito. Não é minha melhor história, a escrevi aos quinze anos, mas é a primeira que parei para, de verdade, desenvolver um personagem e mantê-lo fiel à minha visão dele desde o começo até o fim. E é isso que quero que vocês também sintam: essa sensação de “esse personagem é real, a gente poderia ter se cruzado na rua um dia desses”. Algo interessante sobre este Sasuke: sou tão diferente dele quanto possível. Inclusive, condeno a maior parte das ações dele. Nossas ideologias são muito diversas, nosso modo de ver o mundo é outro. Eu sou pacifista, acho que a violência jamais é justificada, e o Sasuke definitivamente não concorda comigo. Ele inclusive me deixa frustrada em diversos momentos, porque é radical em algumas coisas ao mesmo tempo em que não entende o básico de interações humanas (em especial porque, na maioria das vezes, ele não se importa).

 

Todos os personagens precisam ter ideologias, crenças, certezas e pensamentos próprios. E nem sempre eles vão combinar com a visão de vocês de mundo, e tudo bem, porque mesmo que coloquemos nosso coração nos nossos personagens, nós somos diferentes. A menos que você esteja escrevendo algo um pouco autobiográfico. Não é só porque você escreve sobre um personagem preconceituoso que você também o seja.


Não sei se alguém aqui já leu “E o vento levou…”, da Margaret Mitchell, mas é um dos meus livros preferidos. A primeira metade é cansativa porque as descrições são muito longas, porém depois isso compensa. Ela passou quase dez anos escrevendo esse livro porque toda a parte histórica da guerra está correta, e acho que talvez o erro dela tenha sido colocar informações demais, sem diferenciar “o que o leitor precisa saber” de “o que eu quero contar para ele”. Mas essa também era uma característica da época dela, e todos os livros antigos precisam ser lidos com o contexto em mente. Enfim, a personagem principal é a Scarlett O’Hara e eu ainda tenho dificuldades em pensar numa personagem mais verossímil do que ela. Uma parte de mim ainda acredita que a Scarlett existiu, sim, de tão bem que ela foi desenvolvida.


A Scarlett é essa menina mimada, egoísta, arrogante e insuportável (in-su-por-tá-vel!) que só se preocupava com roupas, bailes e em achar um marido. Ela tinha um carinho muito grande pela família (apesar de estar sempre em conflito com as irmãs), mas isso era bastante mascarado pela superficialidade da Scarlett. Gente, no começo do livro tudo o que o leitor quer fazer é dar um tapa na cara dela para ver se a Scarlett acorda para a vida, porque não é possível. Ah, a característica principal, a cereja do bolo: ela é teimosa. Mas pense numa pessoa teimosa. Agora multiplique. Achou a Scarlett. E, enfim, o início é todo focado nessa atmosfera de festas e de romances (e como ela gostava de flertar e enganar homem, meu Deus, eu ria tanto dos coitados); no meio do livro explode a Guerra Civil Americana e essa menina superficial e egoísta precisa amadurecer. Ela passa fome, perde as mãos delicadas e o corpo sensual, passa pelo inferno e volta. E ainda há toda essa sociedade que acha que mulheres precisam ser como flores suaves e gentis (e ela fazia esse papel muito bem antes), mas agora já não faz mais sentido e todos os homens da vida dela ou estão na guerra, ou incapazes de fazer alguma coisa. É ela quem precisa trabalhar e fazer de tudo para ganhar dinheiro e colocar comida na mesa. É a Scarlett quem cuida da esposa do cara de que ela gostava, sua suposta maior inimiga, e das irmãs e do pai. A gente descobre uma mulher muito forte, mas que ainda é a mesma Scarlett do começo do livro.


Isso foi o mais incrível para mim. De todas as coisas, ela manteve sua essência, mesmo tendo de fazer coisas que seriam impossíveis no começo. Ela ainda é mimada, egoísta, arrogante e teimosa (tão teimosa, meu Deus), ela ainda é superficial em alguns momentos, mas também se mostrou essa pessoa muito cheia de fibra. Tudo de bom que ela faz é justificável de forma egoísta (mesmo que não seja) e é incrível, simplesmente incrível como a autora conseguiu me fazer acreditar e confiar nessa personagem. Se acontecer uma guerra, é a Scarlett que eu quero ao meu lado. E essa é a magia: você se sente lá dentro da história, você sente que conhece as personagens.


É isto que é fazer um personagem bem-desenvolvido; é ver o quanto ele mudou e perceber que, mesmo assim, ainda é o mesmo do primeiro capítulo, só amadurecido.


Bom, vamos encerrando por aqui, porque já falei demais. Espero ter ajudado! Mantenha seus personagens sempre com a mesma essência, porque a pessoa muda as ações ou mesmo o modo de pensar, mas para que seus leitores se convençam da existência dela é preciso que eles vejam a mudança acontecendo, que eles entendam como alguém que era de um jeito no começo mudou tanto depois.


Mantenho o que eu disse antes: fichas de personagens são ótimas para que mantenhamos um controle do que é principal para a história, mesmo em fanfics. Existem diversos tipos diferentes de fichas espalhadas pela internet, pesquise e encontre a que se encaixa melhor com a sua escrita. Elas até são úteis para que você não se confunda com os gostos dos personagens (fazendo alguém que odeia chocolate comer um ovo de páscoa e adorar, por exemplo).


Obrigada pela atenção, um beijo e um queijo a todos!


Texto: Camy

Revisão: Karimy 

24 июля 2018 г. 17:20:09 0 Отчет Добавить 2
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Ambientação

Olá, pessoas! Tudo certo?


Antes de qualquer coisa, você sabe o que é ambientação?


Aí você diz: “Ah, Karimy, essa é fácil! Ambientação é onde a história se passa!”


Estou rindo! Sério! Mas você está bem próximo da resposta, então, pode ficar relaxado! A ambientação não é apenas sobre o lugar físico onde sua história se passa; ambientar uma história envolve mais do que apenas geografia, é também sobre costumes, religião, política, biologia e tudo o que envolve uma sociedade e mundo.

Não se desespere. Não é tão complicado como parece! Mas devo lembrá-lo de que muitos escritores (profissionais inclusive), se prendem tanto ao mundo geográfico de sua história que acabam se esquecendo de que política, religião e outros aspectos também são de extrema importância, além de influenciarem muito os personagens.


Como?


Pense no seguinte: seu personagem é um religioso que evita intrigas, talvez pelo fato de a religião dele ser mais pacífica ou até pela visão dele quanto à sua crença, e, politicamente falando, socialista. Ele nasceu em um lar assim, porém em um país capitalista. Imagine que beleza! Se ele é um religioso pacifista, logo existem coisas que ele não aprova, como atitudes morais, e sempre procurará se afastar dessas tais atitudes; se ele é um socialista, enxerga a divisão capitalista como injusta e tem vários julgamentos com relação a isso, mas, não se esqueça, ele ainda é muito religioso e conservador. Sendo assim, por mais desconfortável que ele se sinta por conta da política governamental capitalista, ele tenta não ser inconveniente em relação ao pensamento de quem não é socialista como ele, porque seu personagem é moral, ele quer ser aceito no reino dos céus, ele quer igualdade. Então, aí está uma pequenina prova do quão importante a ambientação pode ser: ela será o molde principal para o pensamento do seu personagem. Agora, digamos que o seu personagem tenha nascido em uma família socialista e que seja ateu. Acha mesmo que ele pensará da mesma maneira? Óbvio que não!


Então, não se esqueça: a ambientação vai muito além da questão geográfica e ela pode deixar sua história muito mais interessante. Principalmente se seu personagem nasceu em uma seita muito louca, mas cresceu em um mundo com ideias completamente diferentes da religião dele. Imagine que conflito psicológico não sairia daí?!


Perceba: cenário não é ambientação. O cenário está ligado às informações visuais da sua história, enquanto que a ambientação capta elementos além dessa percepção. Se sua história é curta, apenas o cenário poderá ser o suficiente para suprir as necessidades narrativas; se sua história for longa, com mais de três capítulos, uma ambientação bem elaborada fará toda a diferença na experiência do leitor.


A ambientação é capaz de dar credibilidade a histórias que se passam em mundos completamente diferentes do nosso. Veja, como exemplo, “O Hobbit” e “O Senhor dos anéis”. Ao ler esses livros você não vê apenas a geografia, como também toda a cultura que envolve os personagens. Inclusive, o nosso querido Bilbo fica apreensivo na hora de tomar várias atitudes justamente por conta da criação que ele teve, da visão de mundo dele. Como outro exemplo, veja “As crônicas de gelo e fogo”; esse livro também se passa em um mundo muito diferente do nosso, mas toda a ambientação é capaz de nos colocar dentro dele, de nos fazer crer que aquilo tudo realmente aconteceu, que dragões existem, que gigantes não são lendas, que uma pessoa morrerá e se levantará para ir atrás de você. Isso só é possível porque compreendemos o modo de pensar dos personagens, porque a história está muito bem ambientada. O negócio aqui é ter tato para não deixar sua história maçante. Exageros devem ser cortados.


Para quem gosta de escrever ficção científica e/ou histórias medievais, é muito comum o desejo de criar um mundo novo, do zero. É algo complicado de se fazer, posso dizer por experiência própria. Quando resolvi que escreveria “A era dos Talamaurs”, que é uma fanfiction de Naruto, mas que se passa no nosso mundo depois de um cataclismo global que devastou quase toda a humanidade, mudou a geografia do mundo inteiro e ainda varreu a maioria das bases de crenças existentes, além de ter inserido quatro novas espécies pensantes na história, tive um trabalho imenso. Precisei recriar todo o mapa-múndi, literalmente, readaptar as espécies de animais na nova geografia da Terra, modificar as religiões, modo de pensar, política, criar novos passados para os personagens e muitas outras coisas. Isso me rendeu dois meses de intensas pesquisas antes de começar a história, além de mais seis meses de estudo enquanto a desenvolvia. Foi um grande trabalhão! Mas o mais interessante de arregaçar as mangas e ter feito tudo isso, foi perceber que a história se tornou tão possível na mente dos leitores que recebi muitas mensagens de pessoas dizendo que acreditavam em coisas que estavam escritas ali, na história. Por quê? Porque a ambientação permitiu isso, a verossimilhança dos acontecimentos e do novo mundo criado a partir de outro já existente deu base para isso.


Lembre-se: verossimilhança é a verdade possível, é a harmonia entre os fatos que faz com que sua história se torne verídica na mente do leitor.


Observe este trecho tirado da história:


“O bispo Hidan, que era a escolha mais provável para o papado, agora que o titular do cargo estava preso, conversava com seu fiel amigo e padre Kakuzu. O primeiro era alto, forte, com cabelos de comprimento médio, grisalhos e penteados para trás. Era um homem charmoso, possuidor de uma persuasão quase que arrebatadora. Temari costumava a pensar, quando mais nova, que as freiras escolhiam se confessar com ele por puro interesse sexual...”

– A era dos Talamaurs


Descontextualizado, esse parágrafo parece sem nexo. Perceba bem, Hidan é um bispo católico, mas as freiras o escolhiam para confessar seus pecados por puro interesse sexual. Como isso é possível se ele é um religioso que jurou celibato? Aí é que está! Inúmeras coisas mudaram no mundo depois do cataclismo, já estavam, inclusive, passando por mudanças antes mesmo da tragédia que acometeu a Terra. Mas isso não saiu do nada. Antigamente, não existia voto celibatário. O papa São Pedro e outros seis papas foram casados. O celibato só foi imposto em 1073 por Gregório VII, depois de dez séculos de uma vida cristã que admitia união matrimonial.


Você pode fazer tudo na sua história, mas será sua ambientação que tornará aquilo que você fez plausível ou não. Quanto mais complexa sua história for, mais atenção deverá dar ao ambiente dela. Dê motivos ao seu leitor para querer viver no seu mundo, mostre para ele por que um personagem pensa de certa forma, e o motivo do outro que está do lado deste pensar completamente diferente. Não basta apenas pensar que seres humanos são complexos e que cada um tem uma forma de enxergar as situações, mostrar o motivo de seu personagem acreditar ou não em certas coisas é fundamental para que seu leitor entenda mais sobre o mundo que você criou.


Vamos a outro exemplo para que tudo fique mais claro para você. Em Madame Bovary, de Gustave Flaubert, Emma é uma mulher forte, mas também cheia de defeitos. No começo da história você quase não a vê, em vez disso a visão dos acontecimentos é mostrada através do querido Charles, inclusive a conquista, o casamento e o jeito meigo e vergonhoso que retrata Emma como uma mulher tímida, amável, perfeita. Depois disso, começamos a ver o ponto de vista da Emma, primeiro de uma forma mais distante, e descobrimos que ela é uma ávida leitora de romances que vivia a suspirar por causa dos acontecimentos e sempre fantasiava com as inúmeras aventuras dos personagens dos livros que já leu. Quando se casa, porém, ela começa a se sentir… digamos, entediada. Isso porque ela vê que toda aquela forma gloriosa de amor se dissipou depois que a conquista ficou no passado, só que, depois de ir a uma festa com seu marido, todas aquelas esperanças e sonhos voltaram para ela. Veja um trecho e depois voltaremos a falar sobre o assunto:


“Assinou a La Corbeille, revista feminina, e Le Sylphe des Salons. Devorava, sem perder nada, todas as notícias das primeiras representações, das corridas e das recepções, interessando-se pela estreia de uma cantora, pela abertura de uma loja. Conhecia as modas novas, os endereços dos bons costureiros, os dias de Bosque ou de ópera. Estudou, em Eugène Sue, descrições de mobiliário, leu Balzac e George Sand, procurando neles uma maneira de saciar imaginariamente os seus apetites pessoais. Até para a mesa levava o seu livro e ia voltando as páginas enquanto Charles comia e falava com ela. A lembrança do Visconde reaparecia sempre nas suas leituras. Estabelecia comparações entre ele e as personagens inventadas.

Mas o círculo cujo centro era ele foi-se alargando pouco a pouco à sua volta e aquela auréola que ele tinha, afastando-se da sua pessoa, estendeu-se para mais longe, iluminando outros sonhos.”

– Madame Bovary, p. 58-59


Talvez você ainda não tenha conseguido entender como é que a ambientação entra aqui, mas vou lhe mostrar: Emma Bovary foi educada por freiras em um convento. Como uma boa estudante religiosa, ela sabia bem que o adultério era pecado, só que a vontade de viver coisas diferentes, de sentir, de viver amores extraordinários como os mostrados nos livros era tão grande que levou toda a crença dela para um cantinho escuro de si. Afinal, como algo tão lindo e arrebatador como uma paixão pode ser pecado? Mas isso não aconteceu do nada! Você pode observar que Emma tentou afastar esses pensamentos dela: assinou uma revista feminina, leu sobre modas, passeios, óperas, arquitetura, então ela leu Balzac. Acredito, levando a época em conta, que ela deve ter lido “A mulher de trinta anos”, que é uma leitura que retrata uma mulher forte, uma triste heroína com um casamento fracassado (lembra alguém?), tanto que Balzac é considerado o precursor do feminismo. Como se isso já não fosse suficiente, Emma, tentando mandar o tédio para longe, leu romances de George Sand. Para quem não sabe, George Sand era, na verdade, Amandine Aurore Lucile Dupin, uma mulher, baronesa de Dudevant, considerada a maior escritora francesa, mas que tinha de usar nome de homem para poder ser aceita no meio literário. Com tudo isso, Emma, em vez de cumprir seu objetivo de manter a mente ocupada e longe de qualquer pensamento que ofendesse seu marido, começou a embarcar em suas fantasias outra vez, só que agora de um jeito mais forte, misturando realidade com invenção, até porque ela já estava “craque” na arte de inventar histórias para si mesma. Isso tudo pode ser observado em apenas dois parágrafos pequenos, maravilhoso, não é?


Quando seu personagem se apaixona por aquele outro, ele não precisa se apaixonar por esbarrar com ele, deixar os livros caírem e manter um contato visual de dar choque no corpo todo! Seu personagem pode ser apaixonar por aquele outro simplesmente por causa das crenças que tem, por conta de sua visão de mundo. Até mesmo o gosto musical do personagem está atrelado ao ambiente em que ele vive. Às vezes, aquilo que é feio para você pode ser lindo para outra pessoa. E isso pode ser apresentado através de uma ambientação bem-construída.


Esses são casos em que um autor cria o mundo onde sua história se passa, mas e quando o autor quer escrever sobre um mundo que já existe? Precisa de ambientação? Sim. Com certeza!


Mesmo que sua história seja um romance que se passe no nosso mundo, isso não é razão suficiente para que você abra mão da ambientação e apenas descreva o cenário. Lembre-se de que temos culturas muito variadas no nosso mundo e de que, mesmo dentro de um país, a diferença de crença, religião, estilo de vida e até mesmo os animais do lugar podem ser completamente divergentes de um local a outro.


Por exemplo, quem vai a Salvador, capital da nossa linda Bahia, vê um lugar tecnológico, com carros para todos os lados, ruas calçadas (ao menos nos centros principais), casas elegantes, lojas com fachadas lindas, shoppings, enfim... Mas, agora, vamos mudar de cenário. Mas não mudemos tanto! Vamos para Teixeira de Freitas. Conhece? Ao passear por Teixeira de Freitas, interior da Bahia, você notará uma coisa muito importante: as pessoas perceberão que você não mora lá. Por quê? Porque agora você está em uma cidade pequena, onde a maioria dos habitantes conhecem um ao outro ao menos de ouvir falar. Existem, é claro, aquelas pessoas que são menos conhecidas, aquelas que moram ainda mais distantes ou que simplesmente não são tão sociáveis, ainda assim elas não passam despercebidas, principalmente se alguém quiser descobrir mais sobre elas. Aí, meu amigo, existe uma grande possibilidade de Teixeira inteira ficar sabendo sobre coisas que Fulano fez, mesmo que ele não conte a ninguém!


Também existe outra questão: em Salvador, você encontrará pessoas com nomes de todos os tipos, em Teixeira de Freitas também, mas, mesmo Salvador sendo maior, a probabilidade de você esbarrar em uma “Maria” é muito maior em Teixeira de Freitas do que na capital, isso porque você percebe que algumas crenças são mais enraizadas em Teixeira do que em Salvador. Além disso, é muito fácil você encontrar um burro puxando uma carroça nas ruas de Teixeira também.


Então, é muito importante que você conheça o lugar que sua história se passa, porque toda informação vale, tudo é importante. Viu como as coisas mudaram dentro de um mesmo Estado? Imagine, então, a diferença de um país para outro! Na Alemanha, por exemplo, as mulheres começam a ter filhos por volta dos 30 anos de idade, normalmente. É muito difícil ver uma jovem adulta grávida; uma adolescente, então, é mais difícil ainda. Quando isso acontece, as pessoas se aproximam para saber se ela é babá da criança, se ela foi vítima de abuso, ficam olhando torto, enfim… é diferente!


Não estou dizendo que você deve parar de ambientar suas história, sei lá, nos Estados Unidos ou na Inglaterra, o que quero te mostrar é que quanto melhor você conhecer o local onde sua história se passará, mais verídico o seu personagem se tornará, mais verdadeira a sua história será.


Ah, Karimy, mas as pessoas gostam de histórias que se passam em países estrangeiros!


Será mesmo?


Vamos analisar um caso para ver se isso é realmente verdade. Um caso apenas, porque eu, sinceramente, não acredito que precisemos de mais para contextualizar o que foi dito.


Você conhece os livros da trilogia “Os filhos do Éden” e o livro “A batalha do Apocalipse”? Não? Precisa conhecer! São fantásticos! Esses livros foram escritos por um autor brasileiro chamado Eduardo Spohr e em apenas três semanas do lançamento de “A batalha do apocalipse”, ele já era considerado o oitavo livro de ficção mais vendido, de acordo com “Prosa e Verso” d’O Globo do dia 24/07/2010, e continua fazendo sucesso ainda hoje!


No livro “Filhos do Éden — Herdeiros de Atlântida”, o prólogo já começa gloriosamente assim:


“Interior do Brasil, dias atuais”

Filhos do Éden — Herdeiros de Atlântida, p. 16


Talvez você esteja aí pensando: Cara, li essa trilogia, mas a ambientação não é feita apenas no Brasil.


Você tem razão, mas já ouviu o que o autor do livro fala sobre isso? Ao tratar sobre “Os três níveis de pesquisa Literária”, Eduardo Spohr diz fazer uma pesquisa na internet, depois passar para um nível mais profundo, assistindo documentários, lendo livros sobre aquele ambiente sobre o qual quer escrever e, depois, pesquisar In Loco. In Loco é uma expressão em Latim que significa local, ou seja, no terceiro nível de pesquisa, ele diz ir aos locais, mas também deixa claro que isso nem sempre pode ser feito, mas quando realizado faz muita diferença. Inclusive, ele conta que, quando estava escrevendo “Filhos do Éden — Anjos da morte”, viajou pela Europa e foi em uma espécie de bunker. Ele diz ter ficado surpreso ao descobrir que o lugar era frio, mesmo estando calor do lado de fora.


Entende agora como conhecer o local onde sua história se passa é importante para sua ambientação? Se você sabe sobre o local que está escrevendo, como é, a cultura, as crenças, como as pessoas falam e costumam agir, é muito mais fácil passar para seu leitor o que seu personagem pensa sobre tudo aquilo, por que ele toma atitude A em vez de B.


Talvez você seja um escritor que conta histórias que só se passam em países estrangeiros, mas você conhece esses países? Você já esteve lá? Conhece a cultura? As diferenças de sotaque, de crenças e outras coisas mais? Se sim, parabéns, tenho certeza de que você é capaz de passar toda aquela atmosfera para o seu leitor, mas, se não, o que torna sua história melhor do que a daquele carinha ali que conhece aquele país estrangeiro? O que torna a sua história verossímil como a dele?


Ah, então você quer dizer que não posso escrever uma história que se passa em Zanzibar?


Não. Não é isso que quero dizer, o que gostaria que percebesse é que você tem um material fantástico para escrever algo que realmente possa surpreender: o seu país, o seu Estado, seu conhecimento de mundo que está aí, enraizado em seu ser, em sua mente. Sabe o que é mais incrível quando você conta uma história em um local que você conhece e que, muito provavelmente, ao menos um leitor seu também conhecerá? Haverá identificação. O seu leitor vai compreender com clareza o seu personagem.


Quem conhece o sertão nordestino, por exemplo, se identifica com muita facilidade com o livro Vidas secas, de Graciliano Ramos. Na história, a família está tentando fugir da seca e acaba encontrando um lugar abandonado, até que o dono do lugar aparece e os contrata logo após a chuva ter aparecido enfim. A história mostra aspectos simples da vida cotidiana deles, coisas que a maioria dos brasileiros se identificaria ao ler. Existe a maravilhosa interação com a cachorra Baleia, figurinha cheia de personalidade, e a obra mostra também a exploração sofrida pela família pelo contratante deles. Então, a seca vem e tudo recomeça. O livro também é cheio de expressões regionais, o que acaba nos aproximando ainda mais da obra. Apesar de ter sido escrito em 1938, continua sendo um livro atual, pois ainda existe exploração, ainda existe seca, e ainda existe essa tentativa constante de migração, não só dentro do próprio nordeste como para outras cidades no nosso país mesmo. São Paulo, nessa época, recebeu muitos nordestinos, por exemplo.


Agora, não adianta muita coisa você criar uma atmosfera perfeita, posicionar seus personagens em um ponto estratégico do país, dar crédito a tudo o que compõe a ambientação e colocar um título assim: “The waters of the Tietê”. Está de brincadeira comigo, não é mesmo, colega?! Poxa, você fez tudo direitinho, colocou um ambiente que será um grande ponto de identificação de muitos brasileiros, fez a jogada de mestre de pôr o rio Tietê como cenário principal da história e me coloca um título em inglês?! O que o título em inglês tem a ver com sua história? Se você me disser que o título está em inglês porque, enquanto os mocinhos se beijavam, um gringo chegou perto deles e disse: “Look! The waters of the Tietê!”, quebrando completamente o clima de romance, tudo bem, vou entender a comédia que vem com o título, mas, fora isso, qual seria o motivo?


Certo, vamos para outra situação: você está escrevendo uma fanfiction de “Digimon”, ambientado no mundo original do anime, que seria Tókio e o Digimundo. Agora, o mais interessante desse anime é que o cenário onde a maioria dos acontecimentos se concretizam são lugares que realmente existem em Tóquio. Bacana, não é mesmo?! Acontece que você nunca foi a Tóquio e sequer tem grana para ir, então, qual a sua saída? Bom, você pode pesquisar, pesquisar e pesquisar. Vai ter de pesquisar muito e muitas coisa para conseguir fazer o ambiente da história se tornar verídico para seu leitor, para que, quando ele estiver lendo, se sinta dentro da história. Beleza, você já pesquisou, já conhece os costumes da região que pretende usar como cenário, crenças, culinária, estilo de roupa e música, clima, vegetação e outras coisas, além de conhecer muito bem o anime e saber como tudo funciona e de conhecer bastante o Digimundo, mundo digital onde os Digimons vivem, e já tem o roteiro preparado. Sua história falará sobre a paixão entre Angemon e Angewomon, então, você coloca o título: “Winged Consciousness”. Agora, coisa mais preciosa desse mundo, eu te pergunto: por que o título da sua história está em inglês? A história está sendo escrita em português, então por que o título não está de acordo com a língua que está sendo usada na narração? No máximo daria para colocar um título em japonês aí, considerando o fato de que a história se passa em Tóquio. Está entendendo onde quero chegar? Você construiu tudo de forma minuciosa e harmônica para aproximar seu leitor ao máximo da sua narrativa, não pode deixar o título te desfavorecer. O pior de tudo, o que pode realmente destruir sua história, é o seguinte: muitas vezes, aquele autor que escreveu o título em outra língua sequer a conhece. Não sabe como a gramática dela funciona, como posicionar certos elementos. Temos o Google Tradutor? Sim! Mas, muitas vezes, ele erra também, o que lhe deixa a um passo de pôr um título errado na sua história. E sabe aquele seu leitor? Aquele que sabe, realmente, falar aquela língua que você usou no título? Ele vai saber que você errou. Além de isso poder se tornar um empecilho para ele ler sua história, ele pode influenciar outros amigos dele a também passarem longe dela!


Entenda, isso não significa que o título da sua história, por estar em outra língua, está feio ou incorreto. O que quero mostrar aqui é o seguinte: você trabalhou suas ideias para encontrar um título harmônico, perfeito para sua história, mas o coloca em uma língua que seu leitor, brasileiro, pode não conhecer. Toda a magia que te levou à escolha do seu título perfeito foi quebrada só porque o seu leitor não sabe o que aquelas palavras significam!


Agora que você já sabe o que significa a ambientação de uma história e qual a implicação dela para todo o contexto, imagino que você tenha muito a trabalhar para tirar aquele roteiro da cabeça e passar para o papel, não é mesmo?


A melhor parte de uma leitura é se sentir dentro do texto, tomando as decisões junto dos personagens, sentindo os mesmos cheiros que eles sentem, a mesma euforia, tristeza, amor e toda a atmosfera do lugar que eles estão. Ler também é se transformar em outro alguém e você, autor, é quem proporciona essa experiência maravilhosa para os leitores. Deixe que eles sintam tudo! Por isso, crie uma boa ambientação para sua história!


Texto: Karimy

Revisão: Camy


Referências

SPOHR, Eduardo. Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida. Verus: São Paulo, 2011.

FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. 2. ed. Mem Martins: Publicações Europa-América, 2000. 

23 июля 2018 г. 11:50:11 0 Отчет Добавить 4
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Classificando e agrupando suas histórias


Olá! Estamos de volta!

Abordaremos hoje outro assunto de muita importância para histórias e fanfics: a classificação etária. Ela possui o intuito de ajudar você a classificar suas histórias de forma correta. A sinalização da faixa etária à qual um conteúdo se destina é algo regulamentado por lei e, por mais que para muitos a escrita e autopublicação sejam apenas hobbies, é importante que tudo fique clara e corretamente sinalizado.

Neste texto iremos nos focar na classificação etária do site Inkspired, que é a seguinte:


>> Todo o público: Esta classificação deverá ser usada para histórias que tenham um conteúdo leve, sem violência, cenas ou insinuações sexuais (no máximo beijos) ou assuntos delicados. Ou seja, você deve usar essa classificação se sua a história for apropriada para todas as idades, sem restrições.


>> Não para crianças com menos de 13 anos: Neste aviso salienta-se a proibição da história em questão para crianças com idades inferiores à sugerida na recomendação. Aqui se classificam narrativas que possuem pouca violência, insinuação leve de conteúdo sexual, linguagem imprópria leve (com palavrões básicos como “merda”) e menções breves a uso de drogas e álcool. Vemos isso no exemplo hipotético a seguir:

“Riany era uma moça alegre, que vivia conversando com as pessoas que encontrava pela rua. O seu jeito de ser mudou do dia para noite quando conheceu, no seu primeiro emprego, um rapaz por quem logo se apaixonou. Ele era totalmente o oposto dela: Luiz beirava os 22 anos de idade, tinha o mau hábito de fumar uma carteira de cigarros por dia e a má fama de não ser fiel. Ignorando o conselho de todos, Riany começou a namorar o rapaz.

Foi numa noite chuvosa que Riany pôde comprovar da pior forma possível que seu namorado não era o santo que tanto pensava. Naquele dia, ela saiu mais cedo do trabalho e quis fazer uma surpresa para Luiz, já que tinha a chave do apartamento dele. Ao entrar no local, logo ouviu gemidos vindos do quarto. Seu coração apertou; ela já imaginava o que viria pela frente. Então, sem hesitar, apressou-se e abriu a porta do dormitório, onde flagrou Luiz cheio de suor e nu em cima de uma loira, que, ao vê-la, cobriu-se com o lençol.”

– Exemplo hipotético


No modelo de texto logo acima, vimos que a narrativa só fez uma menção rápida ao hábito do personagem de fumar bastante. Há também a insinuação de uma cena sexual, que é descrita de forma leve, sem detalhes.


>> Para maiores de 18 anos: Nesta classificação entram histórias com sexo explícito, sadomasoquismo, bondage, erotismo, tortura leve e moderada, morte violenta, uso abusivo de drogas (sem apologia), uso de linguagem imprópria pesada etc.


>> Para maiores de 21 anos apenas: Nesta categoria é posto todo o texto que contiver assuntos como suicídio, estupro, abuso sexual, mutilação, tortura em excesso, cenas de horror, descrições detalhadas de violência ou que possam gerar desconforto a quem ler pelo seu conteúdo ser mais delicado. É para as histórias que exigem certo amadurecimento psicológico para serem lidas, um senso crítico, por isso são recomendadas apenas para pessoas mais velhas. Normalmente, histórias com os ditos “gatilhos” requerem esta classificação.


E então, ficou mais claro como funciona a classificação etária? É muito importante que você saiba identificar qual seu público alvo, por isso preste atenção também aos detalhes de seu enredo, assim você perceberá à qual faixa etária sua história pertence.

Além da classificação etária, há outro assunto essencial sobre o qual precisamos conversar: as tags. Elas são disponibilizadas para você colocar os detalhes principais de sua história, como o nome dos personagens e casais que se envolvem na trama (em caso de fanfic), o tipo de relacionamento que eles têm (de amizade, amoroso...), os temas principais da sua história (drama, comédia...), entre outros. Os avisos principais também devem estar aqui. É importante lembrar que histórias com suicídio, estupro, depressão e qualquer outro assunto que possa ser gatilho precisam ser sinalizadas. Você não sabe quem é seu leitor e a saúde mental de todos deve sempre ser prioridade.

Mas não se empolgue muito! Além de acabar dando spoilers, tags em excesso podem confundir o leitor e dificultam as buscas no site.

Nós temos algumas observações sobre o uso das Tags que esperamos que possam ser úteis. Lembramos que o Inkspired coloca a cerquilha (#) de forma automática.


-> No caso de Fanfics, é obrigatório colocar uma tag com o nome da obra/fandom em que você se inspirou, já que no Inkspired a divisão é feita por subcategorias (animes/mangás, bandas/cantores etc.). Exemplo: #Naruto, #BTS, #JogosVorazes, #HarryPotter. Também não deixe de sinalizar #UniversoAlternativo quando sua história utilizar os personagens em uma realidade diferente da original.


-> Evite colocar mais do que 10 Tags na sua história, para não ficar confuso. Não é muito complicado passar as informações principais com esse número. Foque em colocar os gêneros principais (evite passar de quatro), os avisos e, em caso de fanfictions, casais e personagens (apenas os essenciais, não todos!).


-> É importante definir o gênero principal da sua história (comédia, romance, drama… Temos um post aqui no blog que fala apenas sobre as possíveis categorias a serem escolhidas). Em histórias originais, o gênero principal é decidido na criação (em fanfictions, o gênero principal deve ser Fanfiction); logo, aqui nas tags deve-se colocar os secundários. Numa história com foco em ficção científica, drama, romance e aventura podem vir nas tags, por exemplo.


-> A fim de padronizar, nós aconselhamos que deixem os nomes dos casais por extenso e em ordem alfabética, para evitar que haja diversas hashtags que querem dizer a mesma coisa. Por exemplo, no caso do fandom de Naruto, em vez de colocar SasuNaru, NaruSasu, SNS, NSN, o melhor seria padronizar com #Naruto/Sasuke. O mesmo vale para outros casais: em vez de sinalizar como NaruHina, HinaNaru, NH, o mais prático a se fazer é padronizar tudo com #Hinata/Naruto. Assim os leitores conseguem achar as histórias com mais facilidade também.


-> Com o intuito de separar relações de amizade e relações românticas, também sugerimos que barra (/) seja usado para romance e ampersand (&) para relacionamentos não-românticos (amizade, amor fraterno etc). No caso do fandom de Harry Potter, por exemplo, teríamos #Harry/Hermione para relacionamento românticos e #Harry&Hermione para relacionamento de amizade. Isso facilitaria muito a busca de todos os usuários.


-> Você pode utilizar as tags para adicionar mais subcategorias à sua história. Por exemplo: se o enredo foi inspirado por uma música, você pode utilizar #songfic.


-> Elas também podem servir para que você encontre determinado grupo de histórias, como fazemos nos desafios lançados na plataforma, sugerindo uma tag (como #amordefrases) para agrupá-las. Nada impede que você faça o mesmo para identificar histórias de um grupo de amigos, por exemplo.


-> Todas as histórias eróticas de um único capítulo devem conter a tag #pwp.


-> Não se esqueça de colocar os avisos adequados na sua história!


Lembramos que histórias com a classificação etária incorreta ou sem os devidos avisos estão em desacordo com as regras do site, por isso é importante tomar cuidado na hora de preencher esses campos.

Por hoje é isso! Como você pôde ver, a correta classificação etária e um bom uso das tags são complementares e essenciais para que sua história alcance o público certo. Esperamos que esse artigo tenha sido útil para ajudar você a classificar e agrupar suas histórias nas categorias e tags da melhor maneira. Como sempre, qualquer dúvida, estamos à disposição. Até o próximo!


Texto: Megawinsone, XixisssUchiha e Camy

Revisão: XixisssUchiha



Referências:

BRASIL. Ministério da Justiça. Classificação Indicativa: informação e liberdade de escolha. Brasília, DF, 2009. Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-direitos/classificacao/cartilh_informacaoliberdadeescolha.pdf>. Acesso em: 6 jun. 2018.

CLASSIFICAÇÃO Indicativa. Fanfiction obsession, [S.I.], [entre 2009 e 2017]. Disponível em: <http://fanficobsession.com.br/entenda-o-ffobs/classificacao-indicativa/>. Acesso em: 6 jun. 2018.

25 июня 2018 г. 18:14:54 0 Отчет Добавить 5
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Categorias e Gêneros


Hoje abordarei um assunto de suma importância para histórias e fanfics: a classificação por meio de categorias e gêneros. Isso existe para nos ajudar a diferenciar, por exemplo, uma narrativa focada em romance de uma direcionada ao terror. Algumas pessoas se perdem na hora de classificar sua história, pois não conseguem determinar a qual categoria ela pertence.

O Inkspired, em particular, é um site mais voltado para Originais, apesar de também disponibilizar espaço para Fanfictions. Se você quiser postar uma Original, é preciso definir a categoria principal à qual ela pertence. Histórias longas normalmente são romances. Aqui explicarei cada uma das classificações para que você saiba o que marcar na hora de postar sua história.

Como só é possível escolher uma categoria ou gênero, os outros devem ser colocados nas hashtags; por isso é importante definir uma categoria principal para o seu texto.

No caso das fanfics, a categoria precisa ser Fanfiction. Depois de selecioná-la, você poderá escolher uma sub-categoria (animes, mangás, filmes, quadrinhos…). Os gêneros devem ser colocados nas hashtags. É de extrema importância selecionar os gêneros principais da sua história para que os leitores consigam encontrá-la com facilidade. Em caso de Fanfiction, é necessário colocar a obra original (Naruto, Harry Potter, Percy Jackson…).

De um modo simples, trarei a você algumas diversidades que existem na hora de rotular a sua história, que pode ser classificada das seguintes maneiras:


  • Ação: Geralmente envolve uma história com conflitos entre dois personagens que usam da força física e outros artifícios para lidarem com suas diferenças. Exemplo: em narrativas policiais cujo foco é a perseguição de algum mafioso ou bandido que comete crimes contra a população. Essa é uma área bem abrangente; existem diversas maneiras de se escrever ação.

  • Angst: História focada na tristeza profunda e no sofrimento psicológico do personagem principal.

  • Animes/Mangás/Quadrinhos: Nessa categoria se classificam narrativas que falam a respeito de desenhos japoneses e desenhos em quadrinhos (Marvel/DC/Turma da Mônica).

  • Aventura: Nesse gênero, os personagens são constantemente colocados em situações perigosas e que exigem o uso de suas habilidades para saírem de circunstâncias difíceis. Também costumam explorar lugares e situações diferentes dos quais o protagonista está acostumado a lidar.

  • Autoajuda: Textos motivadores que auxiliam pessoas durante dificuldades da vida, sendo essas psicológicas ou não.

  • Bishoujo: Histórias com garotas descritas como muito bonitas.

  • Bishounen: Narrações que contêm homens muito belos, chegando a ser andrógenos. Exemplo: Cavaleiros do Zodíaco.

  • Bondage: Esse termo pode ser usado quando existem cenas de imobilização de um dos personagens para satisfação sexual.

  • Cânon: Usado geralmente quando nos referimos a casais oficiais e aspectos psicológicos de personagens que não são modificados durante a escrita de uma fanfic. Exemplo: Vegeta/Bulma; Chichi/Goku; Inuyasha/ Kagome; Saori/Seiya; Hinata/Naruto. Em alguns casos, não se refere ao casal, mas aos acontecimentos da obra. Exemplo: Uma fanfic de Naruto que se passe no pós-guerra seguindo todos os acontecimentos do mangá, ou uma história de Harry Potter que se passe em Hogwarts e siga os livros.

  • Celebridades: Histórias que envolvem músicos, atores, atrizes, blogers, youtubers... Qualquer pessoa que esteja no foco da mídia, sendo que essa categoria também deve ser classificada como fanfiction.

  • Citrus: Romance adulto, no qual não é obrigatório que haja sexo.

  • Comédia/Humor: Gênero que se foca no que é engraçado, podendo conter paródias ou sátiras com situações engraçadas ou divertidas, que fazem rir sem nenhum esforço.

  • Conto: Contos são histórias curtas e com apenas um capítulo, com início, meio e final já definidos.

  • Crackfic: Possui uma temática um tanto bizarra, que às vezes não tem sentido nenhum, mas que geralmente contém um pouco de comédia. Um bom exemplo seria uma história de Vingadores em que todos eles resolvem que não querem mais ser heróis e observam o mundo entrar em colapso ao seu redor.

  • Crackship: Casal sem ligação alguma com o cânon oficial, sendo considerado peculiar e até bizarro, pois não faz sentido estarem juntos. Exemplos: Pan/Zarbon; Saga/Hilda; Lucius Malfoy/Hermione Granger; Thor/Batman.

  • Crime: Geralmente essa categoria engloba um enredo com foco policial ou jurídico.

  • Crossover: Essa classificação ocorre quando misturamos dois universos diferentes em uma narrativa só. Por exemplo: Harry Potter com O Senhor dos Anéis e Inuyasha com Yu Yu Hakusho.

  • Crossdress: Histórias nas quais um personagem masculino ou feminino se veste com roupas do sexo oposto. Exemplo: um homem usando roupa de mulher.

  • Darkfic: Narrativa que possui muitas cenas depressivas, ambientes ameaçadores e sombrios, circunstâncias que causam medo e aflição.

  • Dark Lemon/Orange: Histórias com cenas de sexo homossexual que possuem brutalidade excessiva, na maioria das vezes estupro.

  • Deathfic: Gênero no qual um dos personagens principais morre ou o foco da narrativa é sobre a morte de alguém. Essa classificação também pode ser usada para histórias que contenham suicídio em seu enredo.

  • Double Drabble: Fanfic com no máximo 200 palavras.

  • Drama: São histórias focadas no sofrimento ou na tragédia, porém não possuem a obrigatoriedade de ter um final triste ou melancólico.

  • Drabble: Pequena narrativa que contém 100 palavras.

  • Ecchi: Histórias com insinuações de sexo sem, no entanto, oferecer muitos detalhes.

  • Erótico: Gênero que usa o erotismo em sua escrita, tendo cenas explícitas de sexo, porém relacionado ao sexo amoroso e não ao pornográfico.

  • Fanfiction: São histórias feitas por fãs que se baseiam em animes, séries, mangás, games, entre outros. Deve ser a categoria prioritária de uma história que segue essa linha.

  • Fanon: Narrativas que possuem idéias vindas de outras fanfics. Também podem ser baseadas em teorias de fãs ou surgirem de discussões em fóruns.

  • Fantasia: Gênero que geralmente se utiliza de fenômenos sobrenaturais, mágicos e outros itens do tipo como um elemento primário do enredo, tema ou configuração.

  • Femslash: Indica um relacionamento amoroso entre personagens do sexo feminino.

  • Fetichismo: É quando um personagem da narração demonstra atração por objetos, situações ou por certas partes do corpo de outra pessoa. Por exemplo: José sente atração por pernas bem torneadas ou por sapatos de salto alto vermelhos.

  • Ficção: História imaginária, que não tem nada a ver com a realidade. Ainda que possa ser baseada em algo não-ficcional, contará sempre com elementos de teor fantasioso.

  • Ficção adolescente: Narrativa baseada em fatos imaginários que geralmente são direcionados para adolescentes, que pode conter romance, drama e terror no mesmo texto. Exemplo: Crepúsculo.

  • Ficção científica: É um gênero que aborda assuntos relacionados com a ciência ou a tecnologia, podendo ser verdadeira ou não. Exemplo: De Volta para o Futuro, O Exterminador do Futuro, Star Wars, Avatar.

  • Filmes: Histórias baseadas em curtas e longas metragens, que também devem ser classificadas como fanfiction.

  • Fluffy: Categoria muito açucarada, com cenas de romance exagerado, nas quais os personagens demonstram carinho em excesso.

  • Furry: Histórias em que o personagem principal é um animal ou com algumas características animais, como orelhas felinas, olhos de águia ou rabo de raposa.

  • Genderbend/Genderflip/Genderswap: Ato de criar um personagem do sexo oposto a partir de um já existente. Podemos ver isso, por exemplo, no anime Sailor moon. Quando as Sailors Star não estão transformadas para lutar, vivem como homens.

  • G!P: História nas quais um personagem feminino possui o órgão genital masculino.

  • Harém: Essa classificação é utilizada quando um personagem principal é rodeado por vários pretendentes. Exemplo hipotético: Goku mora numa mansão com suas supostas amigas coloridas e elas fazem de tudo para chamar sua atenção e conquistá-lo.

  • Hentai: São histórias baseadas em animes e com uma temática focada em relacionamentos heterossexuais adultos, podendo ter uma descrição picante, erótica e cheia de detalhes ou não.

  • Histórias da vida: São biografias de vida baseadas nas memórias e experiências de uma pessoa ou grupo de pessoas.

  • Incesto: Histórias de relacionamentos entre parentes.

  • Infantil: Todo conto e narrativa direcionado a crianças.

  • Lemon: Texto que possui cenas de sexo explícito entre dois homens.

  • LGBT: Narração e enredo que focam em personagens homossexuais, bissexuais e transexuais.

  • Lime: Histórias com romance adulto que podem conter cenas sugestivas de sexo; evita-se cenas descritivas ao extremo.

  • Lolicon: História que possui romance entre uma criança ou adolescente com um adulto.

  • Longfic: Geralmente esse termo se refere a histórias longas, seja por ter vários capítulos ou capítulos longos.

  • Maintext: Situações ou romances que aparecem de maneira implícita na obra original e são utilizados na história. Exemplo: Vegeta/Bulma; Elena Gilbert / Damon Salvatore.

  • Mary Sue: Conto ou romance apelativo na qual a protagonista é perfeita em todos os aspectos. Ou seja: ela nunca comete erros, não possui defeitos e sempre consegue reagir da melhor forma possível independentemente da situação.

  • Mistério: Geralmente esse gênero é estruturado de forma a criar expectativa e suspense no texto, com o intuito de despertar a curiosidade do leitor para que ele tente descobrir as motivações por detrás de um assassinato incompreensível, por exemplo. As narrativas de mistério costumam ter um ritmo mais lento conforme o personagem principal tenta solucionar o problema instigante da história.

  • Mpreg: Sigla que avisa a respeito de gravidez masculina no texto.

  • Não-Ficção: Contos ou narrativas que falam apenas a respeito da realidade, como biografias e relatos da vida real.

  • NCS: Relação sexual sem consentimento de um dos parceiros. Sigla que avisa que haverá estupro no texto.

  • OC: Usa-se essa referência quando a narrativa tem um personagem original, que foi inventado pelo autor.

  • Oneshot: História que possui apenas um capítulo, que pode ser tanto curto como longo.

  • OOC: Essa sigla alerta a respeito da modificação da personalidade ou do comportamento de um personagem já existente. Por exemplo, Mark é sério e reservado na história original, mas no conto o fazem sorridente e comunicativo, isso seria modificar o seu jeito de ser.

  • Orange: História com cenas de sexo explícito entre duas mulheres.

  • Poesia: Esse gênero se define como um texto poético que combina palavras e significados, sendo dividido em estrofes.

  • Pós-apocalíptico: Essa classificação pode ser utilizada em histórias que focam na sobrevivência de um grupo de indivíduos após uma catástrofe natural ou uma guerra, ou epidemia, na qual poucas pessoas sobreviveram em escala mundial. Temos como exemplo disso os seriados The Walking Dead e The 100, que retratam essa situação de formas diferentes.

  • PWP: Esse tipo de narrativa não tem enredo, pois dá prioridade apenas ao sexo. Toda história de um capítulo que possuir sexo explícito precisa estar com essa tag.

  • Romance: Toda história longa que envolva diversos personagens é um romance, independente de ter ou não algum casal ou foco romântico. Além disso, as histórias com foco amoroso também se enquadram nessa categoria. Por exemplo: um romance entre um casal de universitários que se apaixona aos poucos e vive uma linda história de amor. Na maioria das vezes, o romance pode ser misturado com outros gêneros, como comédia ou drama. Exemplos: A Coisa (terror), Percy Jackson (aventura), As Crônicas de Gelo e Fogo (ação, fantasia).

  • RA (Realidade Alternativa): São histórias de realidade alternativa que se diferem da original em algum detalhe importante. Exemplos hipotéticos: Snape finge estar do lado de Dumbledore para assumir o lugar de Voldemort; após derrotá-lo torna-se líder dos Comensais da Morte. Percy Jackson não é filho de Poseidon, mas de Hades. Capitu diz para Bentinho que o traiu e pede o divórcio.

  • Saga: Geralmente nesse gênero as histórias possuem mais do que 27 capítulos, acontecendo de ter mais de duas temporadas ou sequências. Exemplos literários: As Crônicas do Gelo e Fogo, Harry Potter, O Senhor dos Anéis.

  • SAP: Conto ou narrativa um tanto açucarada, porém sem exagero.

  • Self Inserction: Acontece quando o escritor participa de sua própria história e interage com os personagens. Exemplos: o escritor Stan Lee, que aparece no filme Homem Aranha e em outras de suas obras. Em “A Torre Negra”, Stephen King se insere como personagem-chave na história.

  • Seriados/doramas/novelas: Categoria nas quais são inseridas as fanfics de seriados, doramas e novelas. Exemplos: Supernatural, The Blacklist, Chicago Fire, O Cravo e a Rosa, A Usurpadora.

  • Shortfic: Histórias de poucos capítulos, geralmente curtos.

  • Shounen-ai: Narrativas com cenas leves de relacionamento entre dois personagens masculinos, contendo, no máximo, beijos.

  • Shoujo-ai: Histórias que mostram cenas leves de um relacionamento entre personagens do sexo feminino que se limitam apenas a beijos.

  • Slash: Relacionamento amoroso entre dois homens.

  • SM: Histórias que possuem cenas de sadomasoquismo.

  • Sobrenatural/Paranormal: Narrativas que contêm ambientes sombrios, mortes misteriosas, acontecimentos fora da realidade. Geralmente essas histórias envolvem seres sobrenaturais como fantasmas, vampiros, lobisomens, curupira, boto, sereia, fadas, anjos, demônios, entre outros.

  • Songfic: Histórias que seguem acompanhadas de uma letra de música que foi meticulosamente escolhida pelo autor. É essencial dar os créditos ao compositor nas notas iniciais da história

  • Subtext: Romances ou acontecimentos que são subentendidos na narração original e desenvolvidos em uma fanfic. Eles não estão explícitos na história, e muitas vezes nem todos os leitores os interpretam da mesma maneira.

  • Suspense: Geralmente histórias de suspense envolvem uma sensação de perplexidade diante do desdobramento de certos eventos. Esse gênero costuma abordar o medo e a tragédia; tem como objetivo prender a atenção do leitor porque os acontecimentos apenas fazem sentido no final da narrativa.

  • Terror/Horror: Histórias que contenham cenas que causam medo no leitor e o aterrorizam de alguma forma.

  • Threesome ou Ménage à trois: Contos ou narrativas que possuem cenas de sexo entre três pessoas.

  • Thriller: É o mesmo que suspense.

  • TWT (Time? What time?): São histórias que não possuem uma linha de tempo definida, sendo que o texto pode ser ambientado numa época futura e depois voltar para o passado e vice-versa.

  • UA ou AU (Universo Alternativo): Essa classificação se dá a narrativas que utilizam os personagens de certa obra num mundo diferente do criado pelo autor original. Exemplo: Os personagens de Naruto em Hogwarts, como bruxos. Os personagens de A Usurpadora no mundo d’O Senhor dos Anéis. Cersei e Jaime Lannister como políticos brasileiros.

  • Voyeurism: Histórias que mostrem um dos personagens observando o outro às escondidas, com o intuito de ter alguma satisfação sexual, pois se excita apenas de olhar o outro personagem praticando um ato de seu interesse. Exemplo: Três pessoas estão num quarto envolvidos em atos sexuais, mas apenas duas interagem enquanto o outro observa. Também pode ser tratado como um estranho observando certo personagem e se excitando a partir disso.

  • What If: Essa expressão é usada quando a história toma uma direção diferente da original. Exemplo hipotético: Bella decide esquecer Edward e opta por ficar com Jacob no final.

  • Yaoi: Fanfic com romance entre dois homens. Podem acontecer cenas de sexo, porém nada explícito demais.

  • Yuri: Narrativa que mostra um romance entre duas personagens femininas, na qual podem aparecer cenas de sexo, porém não explícitas demais.


Então, essas são as categorias que servirão de guia para você. Espero que elas ajudem no momento de classificar sua história, pois isso é importante na hora de chamar a atenção do seu público-alvo. Outro conselho bem importante: quando for classificar a história, perceba o ponto forte dela, qual categoria é mais evidenciada em seu enredo.

Lembrando que não é bom colocar muitas classificações, porque isso pode afastar seus leitores em potencial. Foque sempre nas principais. Uma boa forma é se limitar a 10 hashtags e apenas ultrapassar isso se for extremamente necessário. Uma história focada no drama e que contenha momentos de riso, por exemplo, não precisa ser marcada como comédia.



Texto: Megawinsone

Revisoras: Karimy e Camy



Referências:

AILE, Papillon de. Fanfics e suas classificações. Arrisor, jan. 2010. Disponível em: <https://arrisor.livejournal.com/7718.html>. Acesso em: 25 maio 2018.


FANFIC. Wikipédia, a Enciclopédia livre, jun. 2016. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Fanfic>. Acesso em: 25 maio 2018.


F., Carol. Diferença entre Hentai, Lemon e Orange. Liga dos betas, jun. 2014. Disponível em: <http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2014/06/diferenca-entre-hentai-lemon-e-orange.html>. Acesso em: 25 maio 2018.


PETUSK, Gabriela. Dicionário de termos e siglas no mundo das fanfics. Liga dos Betas, ago. 2013. Disponível em: <http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2013/08/dicionario-de-termos-e-siglas-do-mundo.html>. Acesso em: 25 maio 2018.


SIMÕES, Aione. Gêneros Literários. Minha vida literária. Disponível em: <https://www.minhavidaliteraria.com.br/generos-literarios/>. Acesso em: 25 maio 2018.

7 июня 2018 г. 6:15:59 2 Отчет Добавить 4
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