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embaixada-brasileira Inkspired Brasil Era uma vez... mas nem toda história começa assim. Lá estava ele: o computador, aberto no tear de vidas. E a personagem. Estava tudo certo, mas, então, ela viu o autor. Curiosa, seu dedo quase o alcançou, e a roda do tear girou. Foi assim que as coisas se tornaram tênues: um toque e tudo daria errado, outro diferente e daria muito certo! A Bela Adormecida representa a fragilidade dos elementos construtivos da história. Uma história não vem pronta, ela é construída com enredo, sinopse, capítulos... O tear representa essa construção, enquanto que a agulha é o perigo de tudo desandar com sua Bela Adormecida. Nós queremos, neste blog, mostrar a vocês dicas para que consigam tear histórias cada vez mais harmônicas.

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Estrutura Narrativa

Estrutura Narrativa


Olá, pessoas! Tudo certo!?


Hoje, estou aqui para falar sobre a estrutura de uma história. Talvez você esteja se perguntando qual a necessidade de se saber sobre isso. Bom, chega mais que vou lhe contar!


A estrutura narrativa apresenta os tópicos mais importantes em uma história e, se você sabe quais tópicos são esses, então terá maior chance de sucesso com o desenvolvimento da trama.


Muitas vezes, quando estamos desenvolvendo uma história, podemos nos deparar com um muro à nossa frente, nos impedindo de avançar. Algumas pessoas chamam esse muro de bloqueio criativo, outras de branco e algumas outras de procrastinação. Seja lá qual o nome que você prefere, existem algumas coisas que podem ajudar a impedir que os vilões da escrita cheguem até você. E uma boa estrutura narrativa é um herói e tanto nessas horas!


Mas... e a criatividade?


Algumas pessoas acreditam que a estruturação pode atrapalhar o desenvolvimento da história, limitando a criatividade do autor. Acontece que a estrutura narrativa é só uma base para sua criação e você poderá alterá-la no momento que quiser, quando precisar e quantas vezes for necessário. Só que para alterar uma coisa, primeiro é necessário que a conheça!


Quando falamos sobre um texto narrativo, estamos também falando sobre personagens, mundos e muitas outras coisas. Uma história é viva e ela pode tomar caminhos que não imaginávamos no início. Por esse motivo, devemos tomar cuidado para não frear os acontecimentos e as mudanças naturais, até porque isso é algo bom, significa que o personagem está tomando as rédeas de sua existência. Ouça seus personagens, sinta-os, e faça as modificações de acordo com o que eles acreditam.


Por isso, entenda, o planejamento existe para te servir, não para fazer você se dobrar. Sua criatividade não morrerá com um bom projeto, pelo contrário, ela se avivará e se renovará sempre. Basta você se permitir.


Lembre-se: planejar sua história não é uma obrigatoriedade. Alguns autores preferem deixar tudo para o improviso, elaborando os acontecimentos capítulo por capítulo, sem guias, sem roteiros. Cabe a você, autor, decidir o que é melhor para sua história.


Uma história pequena, por exemplo, pode se sair muito bem sem planejamento, enquanto que uma história com muitos capítulos pode ficar com pontas soltas se não for bem planejada, mas isso só depende de você. Cada um tem um jeito de fazer as coisas, de vê-las. Procure o que é mais divertido.


Então, agora que já sabemos um pouco sobre o que é e para o que serve a estrutura narrativa, apresentarei alguns dos elementos principais de uma história.


1. Narrador


Existem vários tipos de narrador. Temos o narrador observador, o narrador personagem e o narrador onisciente. Mas, Karimy, como farei para encontrar o melhor narrador para minha história?


Ah, meu caro escritor, isso dependerá muito da sua história e do que você quer explorar nela. O interessante é pensar em quais são os pontos fortes e fracos de cada narrador e ver qual se adequará melhor à sua história. Não se preocupe, esse assunto será tratado com mais cuidado no texto sobre “Foco Narrativo”.


2. Enredo


O enredo nada mais é do que a estrutura da sua história; um resumo do que acontecerá em cada capítulo para que você se situe. E você já sabe como criar um roteiro, isso foi mostrado em um texto que a Camy produziu aqui no blog.


3. Tempo


O tempo da narração está ligado a quando os acontecimentos da história se manifestarão. O tempo pode ser um tempo cronológico ou psicológico.


4. Espaço


É onde a história se passa. Pode ser no Rio de Janeiro, por exemplo, ou dentro de uma boate, ou até mesmo dentro da mente de um personagem.


Antes de começarmos a trabalhar em uma história, é bom termos todos esses pontos preestabelecidos. E, como ponto de partida, tomaremos os personagens, lembrando que você também já sabe como criar um, porque isso também já foi mostrado aqui no blog, mas, agora, veremos os arquétipos dos personagens, suas personalidades, e onde eles se encaixam, além de como utilizar esse conhecimento.


Carl Jung, famoso psiquiatra, desenvolveu um estudo sobre arquétipos do inconsciente. Os arquétipos são os padrões de personalidade que podemos observar nos seres humanos. Existem aqueles que são considerados universais, os que representam cada sociedade, e aqueles que são individuais.


Os arquétipos, simplificando, são o conjunto de crenças e valores humanos, religiosos, visão de mundo e comportamento inconsciente. Ou seja, são as informações inconscientes que o leva a dar crédito ou descrédito às coisas que você vê, ouve e sente.


1. Herói


O personagem com arquétipo herói é aquele que tem coragem e força de vontade, o personagem que é capaz de sacrificar a si mesmo pelo bem maior, em favor dos necessitados. Normalmente, esses personagens tendem a ser arrogantes, sempre precisando fazer algo para mostrar seu valor. Também existe o herói trágico, que é aquele cara cheio de defeitos que nos faz sentir dó dele.


Exemplos: Xena, a princesa guerreira ou o Luke Skywalker.


2. Anti-herói


O anti-herói é aquele personagem que está sempre em busca de algo para si, em benefício próprio. Por mais que suas ações tragam o bem geral da humanidade, ele está sempre, na verdade, em busca da sua própria glória, daquilo que apenas o beneficie. Às vezes, eles estão até mesmo contra a sociedade em que vivem, querendo derrubar um rei ou outro por aí!


Exemplos: Mulher-Gato, Han Solo.


Observação: Anti-herói não é um vilão, mas um herói que busca glória, fama e/ou ouro.


3. Sombra


A sombra nada mais é que o vilão da parada! Esse cara aqui estará sempre em busca do poder, sempre desafiando nosso herói ou anti-herói. Ele pode ser um herói que tomou as decisões erradas na vida e se desviou do caminho, Darth Vader, por exemplo. Pode ser aquele que se decepcionou ou foi prejudicado pelo herói no passado e está em busca de uma vingança, como o Érik Killmonger, o vilão de Pantera Negra. Ou pode ser simplesmente a representação do mal.


4. Guardião de Limiar


Esses são aqueles capangas irritantes que atravessam o caminho do nosso herói o tempo inteiro, tentando tirar ele da jogada. Eles podem ser enviados pelo vilão, para dar cabo do personagem ou do que ele busca, podem ser monstros que aparecem no caminho do herói e até mesmo a própria sociedade ou o próprio herói.


5. Arauto


Esse carinha aqui anunciará a chegada da aventura. Ele não precisa ser um personagem, pode ser apenas um acontecimento ou uma descoberta. Exemplo: Rubeus Hagrid da série Harry Potter.


6. Mentor


O mentor conduzirá o nosso herói à sua jornada. Ele dará incentivos, motivação e conselhos ao herói ou anti-herói. Ele também pode ser apenas uma figura na qual o personagem se inspira. O mentor, nada mais é, que um sábio. Como Gandalf, por exemplo.


7. Pícaro


Esse aqui costuma ser o grande queridinho de muitas histórias. Ele é o cara que aliviará muitas tensões com seu jeito brincalhão de encarar as coisas, seja por querer ou sem querer. O pícaro também pode ser o herói; o Bilbo, por exemplo, é um herói bastante divertido.


8. Camaleão


O Camaleão é um carinha imprevisível. Nos perguntamos o tempo inteiro se podemos ou não confiar nele. Ele pode ser o inimigo que, depois, acaba passando para o lado do herói, como também pode ser o amigo que, depois, se mostra ser o cara que o “esfaqueou pelas costas”! Além disso, esse carinha existe para deixar as situações menos previsíveis. Exemplo: Draco Malfoy da série Harry Potter.


9. Máscaras


Alguns personagens podem possuir mais do que um arquétipo, principalmente se sua história não contar com muitos personagens ativos, e essa belezinha aqui é o que chamamos de personagem multitarefa. Uma máscara justamente por isto: tem o privilégio de se enquadrar em mais de um tipo de arquétipo.


Ufa! Quanta coisa, não é mesmo? Mas você deve estar se perguntando sobre como encaixar todos esses tipos de personagens em uma história, não é? Bom, é aí que entra A Jornada do Herói.


O antropólogo Joseph Campbell criou o conceito de narratologia chamado monomito, mais conhecido como A jornada do Herói. Esse conceito trata sobre situações presentes em mitos e religiões que são aproveitados na estrutura narrativa. E agora que você já conhece os arquétipos dos personagens, vou mostrar como utilizá-los na sua história, lembrando que a estrutura que apresentarei a você não é fixa; pelo contrário, ela existe para servir à sua história, para que você possa adaptá-la como achar melhor (lembrando que, para mudar uma “regra”, primeiro é preciso conhecê-la!).


Podemos dizer que os mitos foram criados para que pudéssemos compreender melhor toda a complexidade do ser humano, e os mitos estão intrinsecamente ligados a eventos religiosos, o que é perceptível em várias narrativas, principalmente quando consideramos o bem e o mal, além de todos os efeitos deles. Em suma, os mitos revelam a origem das coisas, das pessoas e do mundo em que elas estão inseridas, tratando tudo de forma sobrenatural. Segundo Mirceia Eliade, em seu livro O sagrado e o profano (1992, p. 15), “o sagrado e o profano constituem as duas modalidades de ser e existir no Mundo”.


Levando em conta tudo isso, você perceberá que a estrutura narrativa está ligada a eventos fantásticos, mas ela é completamente amoldável e cabe a você, autor, fazer essa adaptação de acordo com o que sua história pede.


Observe:


1. Prólogo:


Nem todas histórias possuem um prólogo, principalmente histórias pequenas, mas se você acha interessante para sua narrativa, acredito que vale lembrar que um prólogo bem-estruturado é aquele que pode ser removido da história sem causar nenhum prejuízo. A função principal de um prólogo não é apenas apresentar a obra, como também criar um laço de identificação com o público que você deseja atingir.


2. Arauto:


Normalmente, é no primeiro capítulo que o Arauto costuma aparecer, apresentando o chamado para a aventura, que no romance pode ser aquela amiga que mostra o gatinho para a personagem principal!


O Arauto, como já dito, não precisa ser um personagem. Ele pode parecer como Rubeus Hagrid, em Harry Potter, com uma carta e assegurar que tudo ficará bem com o possível herói. Pode ser até uma pedra, desde que ela contenha o chamado para a aventura!


3. Recusa:


Alguns heróis ou anti-heróis aceitam o chamado sem dificuldade, mas existem casos em que o herói não quer partir para a aventura e isso pode até levar a tragédia. Isso pode acontecer em histórias de superação, em que o herói recusa o chamado, perde tudo justamente por tê-lo recusado e depois tenta conquistar tudo de volta, mas nem sempre consegue e quando não consegue, o fim costuma não ser muito legal. O tio de Harry Potter faz esse papel e o proíbe de ir para a escola de bruxos.


4. Mentor:


Depois da decisão do herói, o Mentor aparece para orientá-lo. Esse cara aqui é aquele que dá forças ao herói. Ele pode ser um treinador ou até um conselheiro, pode ser uma figura mítica que o inspira, entre outras possibilidades. Pode ser um mago poderoso, como em O Senhor dos Anéis e Harry Potter, por exemplo, ou pode ser um amigo, um familiar ou até mesmo o Grilo de Pinóquio.


5. Primeiro Limiar:


Aqui é quando a aventura começa, ou quando absolutamente tudo dá errado, caso seu herói tenha escolhido não aceitar mesmo o chamado dele. No Primeiro Limiar, o herói iniciará sua jornada, e os Guardiões de Limiar começam a aparecer para tentar atrapalhá-lo a seguir seu caminho. Em um romance, o primeiro limiar pode ser até alguém soprando no ouvido do mocinho que não vale a pena lutar por amor ou algo do tipo, pode ser um medo, os capangas do vilão, pode ser uma dificuldade financeira e muitas outras coisas. Pode ser, por exemplo, quando Harry atravessa a parede do Caldeirão Furado, que dá acesso ao mundo dos bruxos pelo Beco Diagonal. É também quando Harry se depara pela primeira vez com a sua fama e quando os primeiros problemas aparecem.


6. Testes:


Agora que o herói se jogou de vez em sua jornada, ele começará a descobrir quem são seus aliados e inimigos. Ele deve entender que está em um jogo novo e que precisa aprender suas regras. Este é um bom momento para um rival ou um Camaleão aparecer. É quando o personagem se depara com outros personagens, alguns amigos, outros, como já dito, Camaleões.


7. Segundo Limiar:


Depois de estar preparado, com as pessoas certas ao seu lado, o herói se aproxima do covil da Sombra e precisa encontrar um meio de entrar nesse lugar. No romance, o Segundo Limiar pode ser quando o mocinho vai confrontar quem está causando problemas a ele. Podemos nos lembrar, por exemplo, de quando Harry descobre onde a Pedra Filosofal está e resolve ir em busca dela, já que Voldemort a quer tanto. Ele tem de enfrentar vários perigos para conseguir o que quer antes do vilão.


8. Provação:


O herói está cara a cara com a Sombra e os dois entram em confronto. Aqui o herói não se dará muito bem, ficará à beira da morte, este é o momento em que o leitor não sabe se ele viverá ou não — se o romance vai acabar de vez ou não. O herói terá de ir ao fundo do poço para se encontrar. Depois de enfrentar várias provações ao lado de seus amigos (um cão de três cabeças, plantas assassinas, chaves voadoras, um jogo de xadrez de bruxo em tamanho real e uma charada) Harry se encontra com seu maior inimigo e o enfrenta com suas habilidades únicas.


9. Apanhando a espada:


Este é o momento de mostrar a força de superação do herói. Ele não só ressurgirá mais forte como mais motivado, o que incentiva quem o segue também. Aqui, ele faz reconciliações e ganha o respeito de outros personagens. Pode ser aquele momento, no romance, em que o carinha conquista a confiança do futuro sogro! Aqui, podemos nos lembrar de quando Harry Potter encontra a Pedra Filosofal.


10. Terceiro Limiar:


É quando o herói decide continuar sua batalha e voltar ao covil da Sombra para enfrentá-lo. Também é conhecido como “o caminho de volta”, pois pode ser marcado pelo regresso do personagem. Como quando Harry está na ala hospitalar de Hogwarts e conversa com Dumbledore.


11. Iluminação:


A Iluminação é o clímax da história, quando o herói encontrará respostas ou quando o herói trágico morre. Se vivo, o herói mostrará que aprendeu suas lições com as coisas que teve de enfrentar e que se tornou um sábio. É um momento de redenção em que, em algumas vezes, o herói se sacrifica pelo bem maior. No romance, aqui pode ser o momento que o rapaz percebe que sempre esteve atrás da pessoa errada e por razões erradas. Por exemplo, quando Harry e seus amigos somam pontos à Casa Grifinória e vencem a disputa entre as Casas.


12. Retorno com o Elixir:


Este é o fim da aventura. Aqui, o herói conquista o que buscava, mesmo que isso não seja o que ele queria no início.


O final também pode ficar em aberto, dando vazão ao início de uma nova aventura. O Elixir pode ser o ouro, o reconhecimento, a garota dos sonhos ou até mesmo o aprendizado apenas. Essa também será sua última chance, autor, de amarrar sua trama, de colocar todas as coisas em seus devidos lugares. Aqui, como exemplo, podemos citar o momento em que Harry tem de voltar para a casa dos tios por conta do fim do ano letivo; ele sabe que a vida dele será diferente de antes, aprendeu muito e isso traz mudanças, mas, ainda assim, volta para o “início” de tudo.


Sei que pode parecer muito no primeiro momento, mas, se prestar bastante atenção, verá que as tramas mais conhecidas dos livros e cinemas são embasadas a partir dessa estrutura. As modificações que ficam por conta do autor são o que permitem a diferenciação entre uma obra e outra, e tenho certeza de que isso ajudará muito naquele momentinho que você estiver indeciso sobre como prosseguir com sua história.


Então, já caracterizou seus personagens, criou uma vida para eles? Já sabe como é o físico dos seus personagens? O que eles desejam? O que eles não suportam? O que eles mais gostam de fazer? Se sim, agora é o momento de preparar o seu enredo.


Se você já sabe o que quer para sua história, o ideal é fazer um pequeno resumo sobre ela. Pode ser até mesmo uma sinopse mais detalhada, porque isso vai lhe ajudar a se recordar dos objetivos principais que você planejou, ao menos os objetivos iniciais, já que, como já disse, a história pode tomar rumos diferentes.


Depois disso feito, entraremos no mundo dos roteiros! Aqui, iremos detalhar o que acontecerá em cada capítulo da sua história. O enredo será o seu guia e não permitirá que você se perca ou deixe furos passarem desapercebidos.


Caso aconteça de alguma ideia mudar durante o momento em que você estiver escrevendo um capítulo, e um personagem deixar de fazer o que deveria ou fazer uma outra coisa no lugar, você pode simplesmente comparar o que você havia planejado com o que aconteceu e decidir qual será o melhor caminho a se seguir. Se a modificação deu mais valor ao seu capítulo e à sua história no geral, você pode modificar o enredo e seguir escrevendo normalmente. Fazendo isso, você terá um documento com todos os detalhes da sua história. Poderá movimentá-la como quiser, sabendo em que pode ou não mexer, sem precisar ficar com medo de sair completamente do planejamento principal.


É isso aí, gente! Agora, a única coisa que está faltando é você pegar papel e caneta, abrir seu editor e começar sua história! Lembre-se: inspiração é só uma desculpa criada para a falta de planejamento!


Texto: Karimy

Revisão: Camy


Referências


CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. 6. ed São Paulo: Cultrix, 2000.

CIECELSKI, Luana Daniela. Uma leitura dos arquétipos nas personagens da narrativa literária Harry Potter de J.K. Rowling. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUL. 18. 2017. Caxias do Sul. Anais… Disponível em: <http://portalintercom.org.br/anais/sul2017/resumos/R55-0993-1.pdf>. Acesso em: 20 set. 2018.

ELIADE, M. O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

GOLDEN, Carl. Os 12 arquétipos comuns. A Luz é Invencível, ago. 2014. Disponível em: <https://portal2013br.wordpress.com/2014/08/31/os-12-arquetipos-comuns/>. Acesso em: 20 set. 2018.

OS DOZE arquétipos. O Arquétipo, [2013?]. Disponível em: <https://oarquetipo.wordpress.com/os-doze-arquetipos/>. Acesso em: 20 set. 2018.

27 марта 2019 г. 0:00:54 0 Отчет Добавить 1
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Extra: Dicas rápidas para Roteiros!

Como escrever um roteiro


Há momentos em que desejamos levar nossas histórias para as telas. É assim que roteiros para filmes nascem. Mas escrever uma história de terror não é o mesmo que escrever o roteiro de um filme de terror. Roteiros precisam ser escritos com uma metodologia diferente e pensando em como dar suporte aos diretores, técnicos e atores, mais do que ser uma bela peça literária.


Cada roteirista pode ter seu próprio método para criar um roteiro, mas aqui daremos dicas básicas e gerais que poderão te guiar se essa é a sua primeira vez:


1) A ideia central e a linha da história


A primeira coisa que você precisa para escrever um roteiro é identificar qual é a ideia central. Pode ser um tópico que você ache interessante e/ou queira aprofundar. Pode vir de um personagem, lugar, mundo ficcional, experiência pessoal etc.


Vamos tomar como exemplo a grande saga O Senhor dos Anéis. A ideia central pode estar ligada a: “como salvar a Terra Média de ser destruída”. Porém, a linha da história é que irá definir isso.


A linha da história é um texto curto que descreve a ideia central. Essa é a base de um roteiro e aquilo que será mantido até o fim. A linha da história deve sempre apresentar o protagonista e o conflito e deve ser escrita em uma ou duas sentenças, no máximo. O gênero do roteiro também deve ser especificado neste momento.


Exemplo: um hobbit com um grupo de elfos, hobbits, anões e humanos, chamados a Sociedade do Anel, tentam cruzar a Terra Média para destruir O Anel forjado por Sauron.


2) A sinopse e os personagens


A sinopse é o próximo passo para criar um roteiro, é quando a história é resumida e os fatos importantes são especificados, bem como o protagonista, os outros personagens e o cenário em que os eventos se situam. A sinopse deve ser escrita em ordem cronológica, mas não de maneira literal. Deve ser informativa e funcional. Assim sendo, é escrita no ponto de vista da terceira pessoa e no tempo presente.


Embora uma sinopse deva incluir introdução, o conflito e a resolução de maneira resumida, as descrições e diálogos não são detalhados. Nesta seção, não é necessário focar na narrativa.


Os personagens principais devem ser descritos brevemente de acordo com que o acontece na história (de acordo com isso daremos a eles certas habilidades ou defeitos).


Você pode detalhar como seu personagem é fisicamente, mas de maneira concisa e precisa, as coisas mais importantes e que não deve esquecer, as características que mais tarde serão relevantes para a história. Por exemplo, se seu personagem é cego, deficiente físico, tem esquizofrenia, entre outros detalhes.


3) O passo a passo


Uma vez que a sinopse tenha sido criada, agora é o momento de organizar a história em sequência e dividi-la em cenas. Este é o Passo a passo, o esqueleto da história e o jeito mais prático de visualizar o que acontecerá a seguir na tela. Nesta seção você deve contar todos os fatos, mas não explicar porque eles ocorrem. É escrito no tempo presente e deve ser lido de maneira clara e prática para que os técnicos possam entender e executar, pois esse será o guia deles.


O passo a passo não necessariamente deve ter uma ordem cronológica. Isso depende da história, pois há histórias que começam pelo fim e prosseguem com o começo. Há outras que brincam com o tempo: mostram cenas do passado, então vão para o futuro e continuam com o presente. No passo a passo as cenas devem aparecer na ordem em que você quer que elas aconteçam no filme.


4) O roteiro em si


Este é o momento de se tornar literário e desenvolver toda a escala, mas sem nenhuma indicação técnica. Num roteiro literário a história é contada com todos os detalhes, mas de maneira audiovisual, o que significa que tudo que é escrito deve ser visualizado. Aqui os diálogos são introduzidos e tudo é escrito no tempo presente.


O formato de um roteiro literário foi padronizado da seguinte maneira:


- um cabeçalho, onde é informado onde e quando a cena acontece;

- o texto que conta o que acontece na cena - aqui você também pode descrever o cenário;

- os diálogos, que sempre terão o nome do personagem primeiro e depois o texto que cada um fala.


Por exemplo:


INT. DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO/SALA DE DOENÇAS CRÔNICAS - DIA


Danielle entra na sala fria e observa com olhos arregalados os 3 pacientes ali dentro. Um está olhando para o jardim do hospital através da única janela da sala, enquanto os outros estão amarrados a suas próprias camas com os olhos bem abertos. Todos os olhos estão em Danielle, incluindo os das duas enfermeiras que também estão ali. Ela começa a tremer.


ENFERMEIRA

Bom dia, Danielle, bem-vinda.


DANIELLE

Eu acho... Acho... Eu acho que entrei na sala errada.


ENFERMEIRA

Não, você não cometeu nenhum erro, você está na sala certa pra você.


As duas enfermeiras se aproximam de Danielle, pegam-na pelos dois braços e a carregam para a cama. Danielle quer fugir, mas não ousa, ela só ousa andar em silêncio e obedecer.


E é assim que você terminaria de criar seu roteiro. Porém, esses são apenas pontos gerais que advém, principalmente, de compilações de diferentes escritores e/ou professores especializados no assunto.


Enquanto a criação de um roteiro requer muito trabalho, pesquisa e detalhes, a prática é a chave para conquistar um bom trabalho.


Texto: Jacky Vargas

Tradução: Xixisss Uchiha

19 марта 2019 г. 3:56:04 0 Отчет Добавить 1
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Qual o melhor tempo verbal para a minha história?


Olá de novo! Todo mundo bem?


Ansioso para escrever? Ótimo, esse é o espírito! Até agora falamos sobre tudo o que precede a escrita em si: criação dos personagens, ambientação, enredo… Agora falta o principal, que é realmente sentar e colocar essas ideias e esse planejamento em prática.


Uma das primeiras decisões a se tomar é sobre o tempo da história. Você planeja escrevê-la no presente ou no pretérito? Qual a diferença? Isso realmente importa? São essas as questões que abordaremos no texto de hoje.


Comecemos pelo básico: a diferença entre um e outro. Tive aulas por dois anos com o escritor gaúcho Alcy Cheuiche, e ele é um grande fã do tempo presente. Além dele, também temos Suzanne Collins, com Jogos Vorazes, e mesmo Stephen King, que já se aventurou pelo tempo presente em alguns momentos (apesar de, majoritariamente, seus livros serem escritos no tempo pretérito). Há diversos outros exemplos.


Esse tempo tende a aproximar o leitor do que está acontecendo. No momento em que você diz “ele está triste”, essa emoção é trazida para perto do leitor. “Ele estava triste” pode ser interpretado como algo distante, porque parece que a tristeza já passou e que os problemas já foram resolvidos. Além disso, as palavras tendem a ser mais curtas, o que pode não parecer muito, porém em cenas de luta ou ação isso pode ser importante. Nesses momentos, é essencial deixar a escrita dinâmica, para que o leitor entenda a adrenalina pela qual seus personagens passam. Encher tais capítulos com adjetivos ou advérbios pode deixar a leitura lenta, e isso é o que menos se deseja quando há dois personagens caindo no soco.


O problema principal: alguns verbos ficam muito estranhos no presente. Vamos ver com rir, que é muito comum em qualquer narrativa.


“Eu rio alto.” / “Eu ri alto.”

“Eles riem da piada da Joana.” / “Eles riram da piada da Joana.”


Caso o autor concorde que o verbo conjugado dessa maneira não ficou legal, ele precisa ter jogo de cintura para evitar certas construções. Eu não estou dizendo que “eu rio alto” está errado, porque a gramática apoia esse tipo de construção, porém um texto gramaticalmente correto não é necessariamente um texto bom. O mais importante na hora de ler um livro é sentir que seus olhos deslizam pelas palavras; elas precisam estar em harmonia uma com a outra, gostosas de serem lidas. Vale lembrar que, quando eu digo que alguns verbos ficam estranhos no presente, essa é a minha opinião. Se você acha lindo e quer usar dessa forma, vai fundo porque a história é sua.


Então, apesar de escrever no presente ter suas vantagens, como trazer o leitor para dentro da narrativa com mais facilidade, porque ele lê enquanto as coisas acontecem e isso parece deixar tudo mais vívido, também há seus contras. O verbo pintar, na primeira pessoa, é “pinto”. Dependendo do contexto, isso pode deixar uma cena que deveria ser triste, cômica, ou estragar a intensidade de algum momento sério.


O tempo pretérito parece mais simples de ser usado, em especial porque estamos mais acostumados a ele. Entretanto, porém, contudo, todavia, a parte gramatical aqui é que pega mais pesado. Já vi diversas vezes o pessoal conjugando verbo no pretérito incorreto. Nós temos três pretéritos, e cada um precisa ser usado de acordo com suas regras.


Por exemplo, digamos que você escolha escrever sua história no pretérito. Tudo bem, você estabeleceu um tempo para seu texto e é essencial que o siga até o fim.


O pretérito perfeito indica uma ação concluída. Eu fiz, tu foste, ele viu, nós corremos, vós amardes, eles beijaram. É o que aconteceu e ponto. É nesse tempo que a sua história se passa; é o que você usa enquanto desenvolve seus capítulos. Quando quiser contar sobre algo que se passou antes do que está narrando, você deve usar o pretérito mais-que-perfeito, que indica ações anteriores às acontecidas no pretérito perfeito.


“Na semana anterior, vira um moleque quase igual ao seu irmão. Coçou a barba, intrigado, relembrando a cena”.


Em negrito está marcado o tempo comum da história, usado para descrever as cenas de acordo com o planejamento do autor. Como quero me referir a algo acontecido antes do momento em que o personagem coça a barba, eu uso o pretérito mais-que-perfeito. Não é tão difícil, certo? Ainda assim, quando estamos escrevendo empolgados, podemos nos confundir com os tempos e deixar errinhos bobos passarem. Por isso que eu aconselho todos a conseguirem um beta-reader. Mas isso é assunto para outra hora; estamos falando de tempos verbais aqui.


Agora que já sabemos a diferença entre escrever no presente e no pretérito, cabe a você, escritor, analisar os prós e contras de cada um. Muitas vezes a própria história já define o tempo: se o seu personagem já tiver mais idade e estiver narrando algo que aconteceu há anos, por exemplo, o tempo verbal já se decidiu sozinho; você precisa usar o pretérito (e, caso tenha alguns trechos que se passem com o personagem em seu tempo normal, pode usar o presente também). É o caso de “À espera de um milagre”, do Stephen King.


Muito do tempo verbal vai dos gostos do autor. Por exemplo, eu prefiro usar pretérito para fanfictions e presente para originais, mas mudo de vez em quando, e não há um motivo específico para isso. Algumas histórias nos permitem essa liberdade porque o tempo não influencia muito no enredo.


Outras, por outro lado, podem depender muito dele. Tudo vai de acordo com o enredo do autor e com o quanto ele se importa com isso.


Uma coisa é certa, apenas: mantenha-se ao tempo que decidiu ao criar a história. Ficar mudando pode confundir muito o leitor, além de desestruturar o texto, tirando sua coerência. Utilizar mais de um tempo dentro de um mesmo capítulo (sem que haja uma razão muito boa para isso) deixa os leitores mais atentos desconfortáveis.


“A menina caminha pela praça. De repente, viu um pássaro e correu para mostrá-lo à sua mãe”.


Você percebe que fica desarmônico? A primeira frase está no presente, a próxima, que acontece simultânea a ela (a menina ainda está caminhando quando vê o pássaro), está no pretérito. Quando isso se repete durante toda a história, dá a impressão de que o autor não revisou ou de que não se importa com isso. É escolha de cada um como vai utilizar os verbos em seu texto, porém manter a coerência é essencial.


Mais alguns exemplos do uso incorreto dos tempos verbais:


“Mês passado, foi a esse mesmo restaurante. Lembrou-se disso enquanto abria a porta, dando passagem para a amiga.”


(Ok, aqui nós temos uma história que é escrita no pretérito, porque a frase “Lembrou-se disso enquanto…” é a principal. O “foi” deve ser fora, porque é uma ação que aconteceu antes do tempo da história; logo, utilizamos o pretérito mais-que-perfeito).


“Peter estava parado ali perto das cortinas. Ele olhava para mim enquanto eu me abaixei.”


(Na segunda frase, duas ações ocorrem ao mesmo tempo, “olhar” e “abaixar-se”. Então, a não ser que o segundo personagem seja muito veloz e consiga terminar de fazer a parte dele enquanto o outro o olha, é preciso usar o pretérito imperfeito aqui, “me abaixava”, porque a ação ainda não terminou.)


“Quando eu era criança, tinha um cachorro chamado Bobby. Ele sempre veio assim que eu o chamei.”


(O pretérito perfeito é utilizado apenas em ações concluídas. Quando você se refere a algo passado que não foi finalizado, ou que foi constante por certo período de tempo, você utiliza o pretérito imperfeito. O correto nessa frase é “Ele sempre vinha assim que eu o chamava”, porque essa ação se repetia todas as vezes em que a personagem chamava o cachorro.)


Um bom enredo encanta mais as pessoas quando a história flui sem que o leitor perceba o quanto ele já leu. São o uso dos verbos, a construção das frases, a correção (isso é essencial, sempre corrija seus textos antes de publicá-los!) e sua escolha de palavras que guiam o leitor pelo que foi escrito. Não há muito segredo na hora de decidir se seu texto deve estar no presente ou no pretérito; o mais importante (e talvez mais difícil) é manter essa decisão até o final.


É isso, galerinha linda! Espero que tenham gostado. Um beijo e um queijo para todos vocês :*


Texto: Camy

Revisão: Anne Liberton

21 августа 2018 г. 22:58:27 0 Отчет Добавить 4
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Enredos: o que são? Como fazê-los?

Olá de novo, gente bonita! Todo mundo em paz? Ótimo! Nas últimas semanas, conversamos sobre como criar personagens, como ambientar as histórias, fazer sinopses… Enfim, passamos por diversos assuntos importantíssimos e acabamos não falando sobre a essência da história em si: o enredo. Alguns escritores o desenvolvem bem, outros não; alguns escolhem por não pensar muito nele antes de escrever, outros acabam se perdendo em suas próprias ideias e criam histórias cheias de contradições. É sobre tudo isso que falaremos hoje.

Pronto para começar? Ótimo! Pegue seu chocolate quente, a pipoca, acompanhe meu raciocínio e veja se o que eu digo faz sentido para você.


Não existe história incrível sem enredo. Eu não disse que não existem histórias boas, não disse que não existem histórias que mexam com o leitor, estou dizendo que não existem histórias incríveis. Sabe aquele livro que você leu aos dez anos e que ainda aparece na sua cabeça de vez em quando? Aquele outro que te fez chorar e que te marcou tanto que você chama de favorito? Pois então, esses todos têm enredo.


Isso porque por mais maravilhosa que seja uma cena de romance, por mais impactante a forma que um assassinato seja descrito, por mais excitante que o sexo entre certos personagens seja… No fim, é da história que você lembra. Do que os levou àquele ponto, do que aconteceu de verdade entre essas cenas.


Ok, ok, vamos por partes. O que é enredo, afinal? O enredo é a trama, é o que compõe a história em si. A maior parte das histórias têm um enredo, mesmo que o autor não o desenvolva com antecedência. Ele é a essência, não consigo definir melhor do que isso. É tudo o que acontece no decorrer dos capítulos, é o desenrolar dos porquês, dos comos e dos quandos. De forma simples: o enredo é o caminho que a história segue.


Alguns escritores gostam de sentar, escrever a história sem pensar muito nela e só depois analisar o enredo em si e ver o que surgiu. Outros (como eu) preferem esquematizar seus enredos e construí-los com calma antes de colocá-los no texto.


Mas afinal, como se constrói um enredo?


Bom, essa é uma pergunta bastante pessoal, mas existem alguns “padrões”, as formas mais comuns de desenvolvê-lo. Você pode organizar um esquema do seu enredo a partir da linha do tempo (sou muito fã disso), a partir de cenas (também gosto), de personagens, de capítulos ou do que você quiser. Esse esquema é muito importante, porque ajuda o escritor a não se esquecer do que se passou até o momento e também a não se perder em meio a diversas informações diferentes.


Eu vou trabalhar com dois termos hoje: enredo e plot. Enredo você já sabe o que é, e Plot é enredo em inglês, mas aqui no Brasil nós adaptamos esse termo para algo como “planejamento do enredo” ou mesmo “enredo pré-escrito”. O plot nada mais é do que a forma como você se organiza para desenvolver um esqueleto, uma linha temporal… Enfim, algo que anteceda a escrita em si e que te ajude a desenvolver o enredo depois. Se procurar no google “como desenvolver um plot”, você encontrará diversos artigos com “guias” de como fazer isso. Minha proposta é um pouco diferente, porque não acredito que haja uma forma correta de se construir um plot.


Tudo entendido? Beleza! É importante saber a diferença entre os termos, porque às vezes usamos “enredo” como sinônimo desse planejamento que se faz antes de escrever um texto longo, mas na verdade enredo não é isso. O enredo é tudo o que aconteceu na história quando ela já está pronta; o caminho, como eu disse antes.


Mas, Camy, se o enredo é o caminho que a história vai seguir, como podem existir histórias sem enredo?


É bem simples, na verdade (inclusive, tenho várias e adoro). Uma história sem enredo normalmente vem com pouca ambientação também, já que os dois andam de mãos dadas (afinal, é a partir do enredo que você ambienta a sua história). De forma geral, são histórias curtas, de um capítulo ou pouco mais do que isso, e tratam de uma cena particular. A grande maioria, na verdade, é de sexo. Inclusive existe um termo para isso, PWP (porn without plot = pornô sem enredo, ou plot, what plot? = enredo, que enredo?). Sabe aquela história em que os personagens não têm passado, você mal sabe em que lugar ela se passa e de forma geral tudo o que acontece é uma cena? Pode ser uma briga, pode ser um assassinato, algo violento ou só sexo. Essas são as histórias sem enredo. Podem ser muito boas, causar arrepios nos leitores, mas certamente não são as que ficam na memória deles para sempre.


A meu ver, essas histórias são mais uma descarga de emoções. Quem escreve sabe que, de vez em quando, nós precisamos nos livrar de certos sentimentos. Estamos escrevendo algo muito feliz ou muito triste e só precisamos de uma cena em que dois personagens se olhem e se apaixonem, ou de um momento em que eles se beijem de um jeito intenso, e assim surgem as histórias sem enredo. Também é por isso que elas costumam ser curtas; se você começa a atribuir motivos para a briga, se começa a desenvolver um passado para os personagens e a criar um porquê para tudo ter acontecido daquele jeito, o enredo já começa a surgir. Inclusive, é devido a essa necessidade que temos de escrever algo diferente que é comum as pessoas escreverem mais de uma história ao mesmo tempo.


Há certa discordância aqui. Algumas pessoas acreditam que simplesmente por haver algo escrito, mesmo que só uma cena de sexo com personagens que o leitor nem conhece direito, já há um enredo e que histórias sem enredo não existem. Eu, particularmente, discordo. Não vejo como uma trama aquela história em que nada além de um momento específico sem contexto acontece. Mas aí cabe a você se posicionar em relação a isso. Como na maior parte das vezes no que se diz respeito à escrita: não há certo ou errado, apenas opiniões.


Ok, fechamos o assunto “histórias sem enredo”, certo? Já deu para entender que elas costumam vir de momentos inesperados e podem ser ótimas, mas jamais serão sua obra de arte.


Planejar um enredo nem sempre é fácil. Pode ser que uma ideia simplesmente surja na sua cabeça e a partir dela você crie um contexto, uma conversa, um passado; talvez você veja uma imagem e aquele click aconteça: surge um porquê para os personagens estarem naquela situação, um passado para eles, uma história em si. Ou talvez você pense numa cena, como dois personagens se beijando num elevador, e desenvolva todo o enredo a partir daquele pedacinho que surgiu; talvez várias cenas apareçam na sua mente e seu trabalho seja criar um contexto para que todas elas aconteçam na mesma história.


Enfim, a inspiração vem de forma diferente para cada um. Histórias curtas tendem a não ter enredo pré-escrito, o autor apenas se senta em frente ao computador, escreve aquilo que não sai da sua cabeça há dias e pronto, tem um texto com início, meio e fim. Algumas histórias curtas, em especial aquelas que tratam de temas que não dominamos (como sexualidade, por exemplo), podem ter um pequeno esquema com as informações mais importantes que desejamos repassar aos leitores. É comum que a própria ambientação crie um enredo nesses casos. Você pensa numa cena, aí passa para como isso aconteceu e por que e já começa a desenvolver o cenário, a sociedade e o contexto em que esses personagens estão envolvidos. É comum a história inteira se desenrolar a partir disso.


De qualquer forma, esse tipo de esquema todos sabemos fazer. Quero abordar, agora, a criação de enredos longos, de histórias com mais de trinta capítulos, cheias de reviravoltas que fazem o coração dos leitores parar antes de voltar a bater. Infelizmente, não tenho como dar uma fórmula pré-estabelecida para você porque não é assim que funciona; cada autor é diferente. A verdade sobre enredos longos é a seguinte: cada um precisa descobrir o que funciona para si, porque nenhum autor é igual ao outro.


Mas, Camy, com certeza tem algo sobre os enredos que todos precisam saber! Como fazemos histórias longas sem nos perdermos no meio do caminho sem algum tipo de enredo pré-escrito?


Olha, eu diria que é impossível fazer algo bom sem muito preparo antes, mas Alice Álamo fez o plot para Jogo de Máscaras (fanfic de Naruto com mais de 180 mil palavras) em post-its aleatórios que ela deixava por aí. Ou seja: cada autor sabe o que funciona para si. Particularmente, se eu tentasse algo assim, a história seria cheia de furos e terrível, mas há pessoas que precisam se sentir livres para escrever, deixando o pensamento apenas fluir de forma natural. De novo, vale a pena testar cada método até você achar aquele em que se enquadra melhor.


Como não tenho como ajudar esses autores que simplesmente sabem o que vai acontecer, vou me dirigir de forma específica a quem precisa de mais preparo antes de começar a escrever a história. Para mim, é mais simples ter todos os acontecimentos principais à mão na hora de escrever. Uma boa ideia é fazer um esqueleto da maior parte dos capítulos, porque quando se escreve por muito tempo a mesma história, é fácil esquecer nossas primeiras ideias para ela. Tendo isso escrito, manter a personalidade dos personagens e a própria essência da história é mais fácil. Mas, como eu disse, não é regra. Algumas pessoas conseguem sentar na mesa, escrever uma história com um enredo muito complexo e não ter nada anotado por perto.


Então, a primeira coisa que você precisa fazer é pensar no que você, como escritor, necessita. Há quem goste de fazer uma linha do tempo elencando os principais elementos da história, assim não há riscos de se confundir com os dias mais para frente. Outros fazem resumos dos capítulos, com textos de uma página ou mais resumindo o que acontecerá em cada um (oi, eu mesma). Numa história que possui um narrador diferente a cada capítulo, por exemplo, o plot também pode ser feito com foco no personagem, deixando explícito o que acontecerá com ele.


Quem precisa fazer histórias policiais ou que envolvam um grande segredo também pode fazer um esquema com flechas indicando quem obedece a quem e como a hierarquia de certas organizações funciona. Isso vale para qualquer história que tenha relações de poder como algo importante.


Particularmente, eu prefiro fazer meus plots em itens, mas tudo depende do que você deseja criar. Minha dica é que o autor decida, para aquela história, o que é mais importante. Algumas histórias eu separei por capítulos, porque eu não teria uma linha do tempo significativa; também já separei por dias do ano, porque ali era essencial saber a data de certos acontecimentos. Uma das minhas histórias foi separada por momentos, também: eu tinha sete cenas desconexas e precisava fazer com que elas se juntassem, então escrevi um resumo de cada uma em papel e as organizei de acordo com o que faria mais sentido.


É difícil dar exemplos de outros autores, porque ler o produto final de um livro é diferente de pensar em como essa ideia surgiu. Mas temos Stephen King como exemplo, porque ele fala bastante sobre seu processo criativo. Numa entrevista, ele disse que tinha essa ideia de fazer um livro que se passaria no período de uma viagem de avião.


Ok, então já sabemos que ele não poderia fazer um plot baseado em dias. Por outro lado, poderia separar em horas, já que cada hora dentro daquele enredo seria importante.


Voltamos à entrevista: Nessa viagem de avião, as mulheres iriam para o banheiro e desapareceriam. Isso aconteceria aos poucos, até que sobrassem apenas os homens. Ele queria desenvolver uma história contando a respeito de como essa situação seria resolvida. O grande problema, de acordo com o próprio Stephen, é que ele nunca conseguiu descobrir o que aconteceu às mulheres, por isso desistiu do livro.


Na hora de escrever o plot, você pode acabar percebendo que também não sabe como resolver certos problemas e que talvez não valha a pena escrever aquela história. Isso é uma maneira também de se impedir de entrar em hiatus mais tarde por não saber como a história continua. Quando chegam nesse ponto, muitos autores decidem fazer uma história sem enredo, apenas narrando a cena que lhes deu a ideia. No caso do Stephen isso não funcionaria, porque escrever uma história em que as mulheres desaparecem no banheiro e nunca resolvê-la extrapola os limites de “final aberto”.


Minha dica é que você sempre tenha pelo menos 5 ou 6 capítulos prontos antes de começar a postar. Pode ser dolorido, eu sei, mas normalmente nesse ponto da história já sabemos se será possível finalizá-la ou não. Mas não se desespere se você não souber o que acontece em toda a história, porque às vezes elas são muito longas e a finalização em si só descobrimos quando já temos algo escrito. Eu, por exemplo, separei minha maior história em 5 arcos. Eu tenho uma noção geral do que acontece em cada um, mas só escrevi o plot do arco 2 quando o arco 1 estava pronto, e não tenho mais que duas frases no plot do arco 3, porque realmente não tenho como planejar os capítulos até que essa segunda parte esteja escrita.


É muito comum que sua história não saia exatamente como você tinha planejado, ainda mais quando consegue desenvolver bem os personagens e eles começam a agir de um jeito que você não esperava antes. Por isso os plots estão sempre se modificando de acordo com a história e isso não é um problema; faz parte do processo de escrita. Até porque, pequenos conflitos surgem no meio do caminho, como promessas ou passeios, e tudo isso precisa ser acrescentado para que você não se esqueça quando estiver escrevendo a continuação.


O que eu quis dizer com tudo isso e com todos esses exemplos é que o enredo e o plot são muito particulares. O que funciona para mim pode não funcionar para mais ninguém, porém é sempre útil ter um roteiro a seguir ou mesmo um conjunto de ideias pelo qual se guiar. Acho muito importante mesmo anotar aquelas ideias que aparecem de repente, porque é fácil demais esquecê-las.


Eu, por exemplo, tenho um caderno só com plots em itens (porque é mais confortável, para mim, escrevê-los à mão). É extremamente útil e me ajuda a não me perder. Há quem não precise disso, porque consegue guardar as informações e seguir a história a partir do primeiro capítulo sem nenhum problema.


Também existem aquelas histórias sem plot que vão se formando a partir dos capítulos. Sabe aquela sensação de só se sentar e escrever o que vier à cabeça? Pois é, isso também pode acontecer. No fim, você pode ter uma ótima história, com um enredo incrível, sem nem mesmo se preocupar com ela antes de escrevê-la. Nesses casos eu não posso ajudar muito, então voltemos às histórias que precisam, sim, de desenvolvimento prévio.


Seu plot pode ser feito por imagens, como memes. Por exemplo: você estipula que deseja escrever uma história, escolhe os memes e decide que cada capítulo será baseado num deles. Não é exatamente criar um plot, mas (se você seguir uma ordem lógica em todos os capítulos) você terá uma história com início, meio e fim. O enredo estará ali, mesmo que você não o tenha planejado antes.


Em alguns artigos da Internet, você encontrará “receitas” de como fazer um plot. Dica de quem já escreve há um tempão: é uma fria. A maior parte desses sites trata de textos acadêmicos e, sim, existe um passo a passo perfeito para se montar ensaios ou mesmo dissertações, mas textos literários são muito diferentes disso. Não existe uma regra, o seu texto vai seguir o ritmo que você quiser que ele siga! Algumas histórias nem mesmo têm uma ordem cronológica, o narrador fica pulando de um tempo para outro e o leitor vai acompanhando essa mudança da melhor forma que pode. As parceiras, livro da Lia Luft, tem muito disso; a narradora fica viajando entre suas memórias de acordo com sua vontade, seguindo uma ordem emocional, não cronológica.


É claro que você pode procurar guias de como criar plots em outros blogs e talvez você se identifique com a forma que outra pessoa se organiza, e isso é ótimo! Tomara mesmo que consiga achar algo que facilite o processo. O ponto aqui é que você não precisa se sentir mal por não ter feito um trabalho em cartolina planejando sua história; ela pode ficar ainda melhor do que a daquele escritor que anota cada pensamento que tem. Criar um enredo é algo quase natural, depende muito da inspiração do autor. Desenvolvê-lo em papel vai muito da personalidade e das manias de escrita de cada um; não existe regra. Você não está errado por ter anotado somente duas frases antes de começar sua história, nem é menos habilidoso do que aquele seu amigo que tem até a árvore familiar dos personagens principais.


Mas não há como negar que, ao desenvolver uma história bastante longa e com diversos acontecimentos em sequência, é bom ter por escrito alguns esquemas, esqueletos ou mesmo ideias do que já aconteceu e do que ainda vai acontecer para que você não se esqueça de fechar todas as pontas soltas no final.


A fim de exemplificar o que eu quis dizer com tudo isso, algumas embaixadoras concordaram em deixar seus relatos pessoais sobre como desenvolvem os enredos. Eu deixei o meu ali também e espero, do fundo do coração, que você consiga se identificar com uma de nós.

 

Megawinsone: Eu geralmente desenvolvo o meu enredo após definir o tema, que seria o assunto que será abordado na história. Depois disso, no caso dos animes, eu escolho meu casal preferido e desenvolvo a história focando neles como protagonistas, e outro personagem será o antagonista (o vilão), que fará de tudo para prejudicar os protagonistas. Isso pode ser sentimentalmente ou materialmente, ou ambos, porém esse vilão sempre terá um motivo para querer o mal do tal personagem, nunca será algo que não tenha fundamento. O conflito entre os mocinhos e o vilão não acontece logo de cara, demora a acontecer, geralmente deixo no ar um mistério, que aos poucos vai se desvendando, enquanto isso o protagonista vai sofrendo com os obstáculos e perdas que o antagonista traz para a vida dele e precisa dar a volta por cima. Já me aconteceu uma vez de mudar o final do que eu tinha planejado anteriormente, pois não fazia mais sentido determinado fechamento de história. Sim, pode acontecer de você ler e reler o seu roteiro e querer mudá-lo, porém não aconselho, pode dar dor cabeça depois. Ultimamente as idéias para as histórias estão vindo de reportagens que leio, de coisas que vivi, sonhos e reflexões. Por exemplo, essa semana que passou me veio a idéia de escrever uma história usando o tema “barriga de aluguel” e fiquei pesquisando material na Internet sobre isso e pensando quais personagens encaixar nessa narrativa, além de como seriam os problemas enfrentados pelos personagens. Uma dica valiosa que gostaria de dar a você é: anote sempre em algum lugar as idéias de enredo que surgirem para não esquecê-las quando você estiver ocupado com outras histórias.


XixisssUchiha: Bom, eu não escrevo há tanto tempo assim e costumo fazer mais histórias curtas do que longas, mas tenho duas experiências distintas para compartilhar sobre criação de enredo. Em uma história de vinte e um capítulos, recém-terminada, criei o enredo através de uma música. A partir da ideia inicial do que eu queria contar, tendo a música como plano de fundo, eu dividi os capítulos com trechos dessa música e esquematizei cada um deles. No geral, esse esquema era um parágrafo resumindo o que eu queria contar no determinado capítulo, em concordância com o trecho que lhe dava nome. Ainda assim, eu fiz adaptações no caminho, inclui novos elementos e precisei, inclusive, de um capítulo a mais do que o planejado. Isso porque, pra mim, o enredo funciona como um esqueleto a ser preenchido, então tudo bem adaptá-lo no decorrer do processo criativo. A outra experiência é, basicamente, o oposto disso. Essa história ainda está em andamento e de início era pra ser algo curto e direto, focado apenas em dois personagens. Mas aí mais ideias foram surgindo, fiquei com vontade de trabalhar mais personagens e eu estou literalmente criando o enredo enquanto escrevo — socorro, me ajudem! Eu brinco que essa é minha história mais inesperada — que condiz perfeitamente com o título dela — e que os personagens estão se escrevendo sozinhos. Mas, mesmo não tendo toda a organização que a outra teve, ainda sei onde quero chegar com ela, e é isso que direciona o que vou construindo. Pra mim, o ponto principal da construção do enredo, seja ele como for, é evitar que haja contradições ou lacunas. Isso é algo em que tento prestar bastante atenção durante a escrita e eu gosto de utilizar situações-chave que são retomadas uma ou mais vezes para demonstrar a coesão da história.


Karimy: Olá, pessoas! Tudo certo? Então, aproveitando que estou invadindo o artigo da Camy, junto às minhas outras colegas, acredito que seja importante lembrar a você que “enredo”, literariamente falando, significa “trama”, “entrecho”, então, para mim, enredo não é apenas aquele resuminho que você faz sobre a sua história, enredo é tudo aquilo que acontece na história, os desdobramentos dela. Tomando um conto como exemplo, que é uma história pequena com apenas um conflito, podemos observar que existe, sim, um enredo por detrás de um conto ou crônica, porque o enredo tem a ver com aquilo que está sendo desenvolvido ali na história. Agora, tratando plot como “os caminhos da história”, acredito que fazê-lo ou não é muito pessoal e relativo. Existem autores que defendem a criação do plot, enquanto existem autores que o repudiam, que acreditam que a escrita deve ser espontânea. Isso dito, falarei um pouco sobre meu processo de criação. Primeiro e mais importante: só crio um plot depois que toda a história, personagens e todos os demais itens já estiverem bem-estabelecidos. Para todas as histórias que escrevo, todas elas possuem o desenvolvimento do passado dos personagens, por mais curto que ele seja (em se tratando de fanfictions que seguem uma linha de acontecimento original, baseando-me em como o personagem deve se portar para que aquilo que desenvolvi aconteça). Depois disso, o que pesa para que eu faça ou não o enredo é como os acontecimentos se darão, como o tempo da história será desenvolvido, seja ele psicológico ou/e cronológico. Em “A era dos Talamaurs” e “Mansolar”, que são histórias grandes, desenvolvi um resumo detalhado para cada capítulo, isso porque alguns capítulos se passavam depois de meses do capítulo anterior e, para não me perder, esse método foi e é de muita valia. Dentro desses resumos coloco tudo, absolutamente tudo o que o capítulo precisa, seja o que os personagens mostram do seu passado e pensamento, aos acontecimentos gerais que tem influência real na trama. Quando o capítulo é escrito, marco ele com uma cor diferente, já que o plot, diferente das construções básicas da história, costumo escrever no Word e separar com uma lista numerada. Já em “Missfanfic” fiz o plot só até o capítulo dez, pois depois disso a trama seguia uma lógica muito próxima do exposto no décimo capítulo, além de mostrar algo um pouco mais linear que anteriormente. Algumas outras histórias, inclusive uma em que tenho trabalhado e que não está disponível em nenhuma plataforma, não faço plot. Faço essa escolha baseando-me na necessidade da história; no caso da história em que tenho trabalhado, por exemplo, escolhi não fazer um plot porque a história está bem-amarrada e os acontecimentos são muito próximos aos dos capítulos antecedentes, um capítulo em particular que escrevi acontece concomitantemente ao final do capítulo anterior, por exemplo. E, como disse, escrevo toda a base da história e dos personagens antes, inclusive os pontos cruciais da trama, que é conhecido como “estrutura narrativa”, dessa forma embaso os capítulos a partir disso sem medo de me perder. O importante é que você saiba aquilo que funciona para você, existem pessoas que sequer conseguem se lembrar do que escreveram em um capítulo que fizeram há um dia, então o legal para essa pessoa seria apostar em um plot para não ficar perdida e precisar voltar o tempo todo para ver o que escreveu. Além do mais, o plot não foi feito para prender ninguém, se você precisou modificar alguma coisa enquanto escrevia um capítulo, pode muito bem ir lá no seu plot fazer a modificação, ver o que aquilo traz à sua história e fazer o julgamento de se aquela alteração foi o melhor para ela ou não; caso a modificação não traga o impacto esperado você pode simplesmente reescrever o capítulo usando o pensamento original. Agora, caso você já tenha toda a sua história esquematizada em sua mente e não tenha dificuldades em se recordar do que foi escrito anteriormente ou do que ainda está por vir, você pode simplesmente escrever de acordo com o que vem à sua cabeça, usando a escrita criativa a seu favor. Faça um teste e veja o que funciona melhor para você!


Alice Alamo: Eu sou a fuga de regra desse texto, creio, o que é bom porque vocês poderão ver que, na escrita, cada um tem seu jeito de desenvolver enredo e trabalhar com seu processo criativo. Eu não planejo. Muitas vezes a ideia para uma história me vem como um flash, apenas um trecho, uma cena e, então, quando paro para pensar nela, me empolgo em escrever. Abro o Word, o docs, pego um caderno, o que for!, e começo. A história que Camy citou acima é Jogo de Máscaras, uma história de 180 mil palavras que escrevi durante um ano. A ideia inicial era escrever sobre uma noite de diversão de um dos personagens em um lugar diferente do usual e apenas isso. Contudo, quando comecei a escrever o ambiente, mostrar meu personagem principal, percebi que podia abordar muito mais. Então, foi ali, escrevendo o primeiro capítulo (que antes seria o único da história) que eu decidi que seria uma história com vários capítulos. E não, eu não parei para rascunhar o enredo depois de perceber isso, eu só segui escrevendo. Para mim, era como se eu seguisse uma linha na minha cabeça, algo como: apresentei o primeiro personagem, agora apresento o outro, mostro as relações dele com amigos, família, depois posso introduzir a temática da fic e fim, um fato puxa o outro até que eu chegasse na conclusão da história. Mas como não se perder? Eu lia. Antes de escrever um novo capítulo, eu dava uma olhada no capítulo anterior e me lembrava do que estava acontecendo no enredo, mantendo, assim, a linha de raciocínio. O que me ajudou muito também foi anotar em uma página de bloco de notas os fatos marcantes da história, aqueles que eu não poderia esquecer de resolver ou de citar ou de mostrar suas consequências no final. Eu funciono bem assim; infelizmente, quando tento me organizar anotando cada capítulo, planejando o que aconteceria em cada um deles, desanimo e me sinto presa, como se então eu tivesse que seguir uma receita de bolo, sem poder adicionar nada fora do que tinha planejado anteriormente. É frustrante e, por isso, prefiro deixar minha mente solta. Sinto que, quanto mais liberdade tenho, mais escrevo e com mais facilidade e, para mim, esse é o natural, mesmo que depois eu releia a história para conferir se não há pontas soltas, detalhes a adicionar, trechos que eu possa querer trocar, etc.


Camy: Bom, eu sou bem neurótica e faço esquemas e resumos de TUDO, até mesmo de one-shots. Costumo separar meus plots por dias da semana ou por capítulos. Uma das minhas histórias na verdade foi feita a partir do compilado de memórias de um personagem, e foi bacana desenvolver o plot a partir de momentos. Era uma one-shot e terminou com quase trinta momentos, e eu gostei muito de juntá-los numa ordem lógica. Eu gosto da sensação de tarefa cumprida, então tenho a mania de passar o marca-texto sobre aqueles capítulos que já escrevi. Um dos meus plots fiz no Word, então acabei marcando em negrito sempre que escrevia a cena (esse separei por acontecimentos, sem divisão por capítulos justamente por não saber quantas palavras eu levaria para descrever tudo aquilo). Já cheguei a fazer esquemas em cartolina junto a datas e acontecimentos principais, mas essa fase da minha vida acabou; hoje não tenho mais tempo/paciência. Uma das minhas histórias atuais é feita a partir de conversas fake no whats ou no facebook, então eu tenho uma pasta com todas as imagens que utilizarei como base e, para alguém tão perfeccionista quanto eu, escrever sem nenhum enredo, apenas com imagens aleatórias, tem se mostrado um desafio constante (mas admito que está sendo muito divertido). Também gosto de desenvolver enredos a partir da letra de certas músicas. Quando fiz um curso de escrita, meu professor nos passava um tema por semana (imagens, poemas, frases, qualquer coisa valia) e nossa tarefa era desenvolver um capítulo de até uma página (sim, eu sofri) a partir disso. Era complicado porque você tinha que encaixar o tema no seu capítulo curto e ainda continuar a história a partir do ponto em que havia parado na semana anterior, mantendo sempre o mesmo personagem principal. Foi desafiador, mas interessante; eu não tive nenhum plot, mas ainda assim o resultado foi uma história que me agradou bastante, e o enredo dela não ficou tão superficial quanto eu pensei que ficaria.


Anne: O meu nível de planejamento depende do gênero da história, se é fanfic ou original, etc. Algo que faço em todos esses casos é anotar toda e qualquer ideia que eu tenha para a história, seja um acontecimento aleatório, uma palavra que eu queira usar ou diálogos soltos que me vêm à cabeça. Sempre consigo encontrar um lugar para essas coisas e às vezes elas até ajudam no desenvolvimento de uma cena ou tapam um buraco que eu nem sabia que existia. De um modo geral, me ajuda muito pesquisar sobre o local onde a história vai ocorrer (sendo que, com fanfics, essa pesquisa pode ser tão simples quanto ler uma HQ ou assistir a um filme), o que engloba o ambiente físico, a economia, os hábitos culturais, entre outros detalhes. Não acho que seja possível pesquisar “demais”; para mim, até as informações que não coloquei na história de certo modo ajudam a montar o todo e a deixar tudo certo e costuradinho. Quanto à parte de personagens, costumo listar os traços de personalidade mais marcantes, às vezes fazendo inclusive alguns testes, como o MBTI, para que cada um fique bem definido. Isso facilita a vida quando você precisa decidir se tal acontecimento faz sentido no plot, se tal personagem faria isso ou aquilo, ou não. Para cada história, crio por volta de cinco arquivos: ficha/descrição dos personagens, plot geral, trechos removidos do texto que ainda podem vir a ser úteis, lista de nomes (personagens, locais, outros) e a história em si. Mas mesmo todo esse planejamento não me impede de deixar buracos e inconsistências no enredo, portanto uso post-its, a ferramenta de comentários ou qualquer outra que me possibilite discorrer sobre um problema na história quando ele ocorre. Nenhum texto fica pronto logo depois de ser escrito, e esses comentários ajudam bastante durante a primeira revisão, momento em que eu reescrevo tudo do começo ao fim. Nem sempre consigo terminar a história inteira antes disso (e é o que eu recomendo que seja feito, porque evita muitas dores de cabeça e angústia), mas também passo por esse processo ao final de um capítulo solto ou de uma one-shot. Apesar de tentar ao máximo me ater às anotações que fiz antes de começar a história, procuro não me desesperar se o enredo ou um personagem desviar muito do que eu tinha previsto. Escrever é reescrever, e nenhum planejamento pode te livrar disso.


E é isso, pessoal! Acredito que tenha falado o suficiente sobre o assunto, considerando o quanto ele é amplo. Lembrem-se: não é só porque seu amigo faz de um jeito que o seu está errado. É o autor que sabe a melhor forma de desenvolver seus textos, ninguém mais. Quaisquer dúvidas (ou mesmo se quiserem apenas compartilhar experiências), deixem seus comentários aqui que responderemos!


Um beijo e um queijo a todos vocês e até a próxima!


Texto: Camy

Revisão: Karimy

1 августа 2018 г. 12:29:06 0 Отчет Добавить 4
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