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embaixada-brasileira Inkspired Brasil Era uma vez... mas nem toda história começa assim. Lá estava ele: o computador, aberto no tear de vidas. E a personagem. Estava tudo certo, mas, então, ela viu o autor. Curiosa, seu dedo quase o alcançou, e a roda do tear girou. Foi assim que as coisas se tornaram tênues: um toque e tudo daria errado, outro diferente e daria muito certo! A Bela Adormecida representa a fragilidade dos elementos construtivos da história. Uma história não vem pronta, ela é construída com enredo, sinopse, capítulos... O tear representa essa construção, enquanto que a agulha é o perigo de tudo desandar com sua Bela Adormecida. Nós queremos, neste blog, mostrar a vocês dicas para que consigam tear histórias cada vez mais harmônicas.

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Foco Narrativo

Olá, caro leitor!


Tudo bem?


Hoje falaremos sobre alguns dos diferentes tipos de narração que existem e suas características, com o intuito de você poder escolher qual deles se encaixa melhor em seu tipo de narrativa e enredo.


O foco narrativo trata sobre o sentido do texto, a forma na qual ele se apresenta para o leitor, podendo ser em primeira pessoa, terceira pessoa ou ambos.


A narrativa possui uma estrutura já definida: o início da história, o desenrolar dela, os conflitos, o ápice e a finalização. Ela geralmente tem os personagens como base, e eles podem ser antagonistas, protagonistas, secundários, entre outros. De modo geral, os autores tendem a focar a escrita nos atos desses personagens, sendo de grande importância também destacar a época e o lugar em que se passa a história. Isso tudo a gente já viu em ambientação e criação de personagens.


Hoje vamos tratar do foco narrativo, que é o ponto de vista a partir do qual a sua história será contada. Esse recurso é muito importante porque é a partir dele que seus leitores conhecerão o enredo que você bolou.


Existem quatro tipos de narração ou foco narrativo, que se apresentam da seguinte maneira:


● Em primeira pessoa


O narrador é o personagem principal da história, que nos conta tudo o que acontece a partir do seu ponto de vista. É esse personagem que nos transmite os seus sentimentos em relação ao que se sucede ao seu redor, sua visão de mundo, seus ideais e mesmo suas crenças. É importante lembrar que nem sempre narradores em primeira pessoa são confiáveis, porque o que chega ao leitor é a interpretação do fato pelos olhos daquele personagem. Um dos exemplos clássicos de primeira pessoa não confiável é o Bentinho, do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis.


Nesse exemplo, o personagem acredita numa traição e repassa isso aos leitores mesmo sem ter nenhuma prova concreta, apenas interpretando olhares e momentos que, se analisados de modo frio, não nos dizem muita coisa.


Outro exemplo que podemos citar é a saga Crepúsculo, na qual Bella narra todos os acontecimentos da história a partir de seu ponto de vista. Ela passa o sentimento de surpresa e admiração por Edward para quem acompanha a narrativa. Para nós, leitores, uma interpretação possível é a de que ela ficou interessada em Edward por conta do jeito misterioso dele. A relação dos dois se baseava no mistério, na sedução, no proibido.


Trazemos a você um pequeno trecho do livro de Mario Prata, Diário de um Magro, no qual o escritor narra em primeira pessoa sua aventura de quinze dias num spa. A história é divertidíssima, suas aventuras e descobertas no local nos fazem pensar e refletir sobre um mundo à parte do que costumamos viver. A leitura é leve e fluida; o autor consegue prender muito bem a atenção do leitor, como vemos a seguir:


“Sei lá por quê, eu sempre achei que toda velhinha era puritana e beata. Coisa da minha infância, colégio de padres, bisavó caduca, não sei.

Pois aqui eu (ia me esquecendo de dizer que aqui também tem mulheres pacientes. Muito pacientes) comecei a conversar com elas. A gente começa contando piadinha de salão, vai ficando amigo, depois parte para uma mais picantes e, de repente, tá uma pornografia que você jamais poderia imaginar.

Como as velhinhas são sacaninhas, gente! Sacaninhas, não. Sacanas mesmo! No melhor sentido que a palavra possa ter. Que velhinho era sacana, eu já sabia. Não existe nada melhor no mundo do que uma sacanagem bem‑feita, pensei outro dia, roubando um palito de cenoura de um paciente que estava no restaurante, ao meu lado.”

— Diário de um magro


● Em segunda pessoa


Neste tipo de narrativa, o narrador é você. N. K. Jemisin fez isso em seu livro A Quinta Estação e venceu alguns prêmios com ele, como o Hugo Awards. Não é tão comum vermos livros escritos assim, porém essa forma de escrever é muitíssimo interessante; pode servir de desafio para quem nunca tentou.


● Em terceira pessoa, com o narrador onisciente


É mais conhecido como narrador-observador. Ele nos descreve os acontecimentos da história, pois possui conhecimento de toda a narrativa, mesmo não participando dela. É comum em histórias que envolvam muitos personagens.


Muitos autores gostam de trabalhar mais de um núcleo nessa narrativa, desenvolvendo ao mesmo tempo os protagonistas e os antagonistas, por exemplo. De forma geral, o narrador sabe o que todos pensam e o que todos sentem, apesar de não se prender à visão de nenhum deles.


● Em terceira pessoa, com narrador focado em um personagem específico


O narrador tem conhecimento sobre todo o desenvolvimento da história, mas foca em um único personagem e explicita os sentimentos dele, sem necessariamente deturpar a realidade a partir dos olhos desse personagem. É muito comum que autores separem os capítulos por personagem a fim de abordar vários pontos de vista em terceira pessoa, ainda que naquele capítulo exprimam os pensamentos de apenas um deles. Um exemplo é As Crônicas de Gelo e Fogo, que usa a terceira pessoa com foco num único personagem a cada capítulo.


Essa narrativa possui alguns elementos básicos que geralmente fazem parte dela: trama (enredo), conflitos, ações, personagens (antagonista, protagonista, coadjuvantes), sentimentos, cidade, região ou país onde se desenvolveu a história, como também a época e o tempo.


Em Harry Potter, por outro lado, o narrador onisciente é focado num único personagem quase a série inteira (com raras exceções), passando apenas a sua visão de mundo e pensamentos.


Quando se escreve um texto ou história, é de extrema importância pré-definir o tipo de foco narrativo que vai ser utilizado, porque é o tom da história que vai guiar o leitor.


Memórias Póstumas de Brás Cubas, por exemplo, tem um narrador em primeira pessoa que conta sua vida inteira. O importante desse narrador é que ele já está morto, então o tom que ele dá à história já pré-define o tipo de texto que será.


E o Vento Levou, por outro lado, tem um narrador onisciente que foca na personagem Scarlett O’Hara na maior parte do tempo, mas existem aquelas informações às quais a própria Scarlett jamais teria acesso, justamente porque só vieram a ser descobertas anos depois. O livro trata sobre uma guerra, apesar de o romance também ser parte essencial da narrativa. É por isso que foi importante a escolha de um narrador em terceira pessoa: porque existem fatos que o leitor precisa conhecer e que a personagem não sabe.


Não recomendamos que o autor misture narrativas ou mesmo intercale primeira pessoa com diferentes personagens. Há quem tenha feito, mas de forma geral isso deixa o texto confuso porque o leitor se acostuma a um ritmo (porque a voz da narrativa sempre impõe um ritmo) e de repente a história muda de tom. É como se outra história surgisse, e isso origina uma quebra que não costuma ser agradável para quem lê (a menos que isso seja seu objetivo, como uma coletânea com 4 personagens relatando o mesmo acontecimento, cada qual em seu ponto de vista, por exemplo). Mas, sem ser em situações específicas, é extremamente incomum que isso aconteça em livros com visibilidade.


Recapitulando o mais importante: histórias em primeira pessoa focam num único personagem, que vai narrar a história a partir seu ponto de vista e experiência; ele não vai saber como os outros personagens se sentem ou o que pretendem fazer. Em segunda pessoa, o leitor é o personagem. Em terceira pessoa, o narrador tem mais liberdade para abordar outros personagens e situações, em especial aquilo que o protagonista não tem como saber.


É importante que o foco narrativo seja definido antes de você começar a escrever sua história, pois por meio dele você dará um sentido ao seu enredo, mostrando ao leitor que tipo de narrativa ele tem em mãos.


Acreditamos que isso seja o mais importante sobre esse assunto. Esperamos ter ajudado e, quaisquer dúvidas, podem deixar nos comentários!


Um abraços a todos e até os próximos!


Texto: Camy e Megawinsone

Revisão: Anne Liberton

22 мая 2019 г. 0:00:50 0 Отчет Добавить 0

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