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Muito tempo atrás, um anjo ensinou a Izuku a colocar flores na janela.


Conto Todo o público.

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— Mãe! Mãe! — o menino corria pela casa, animado — Mãe!

— Izuku! O que houve? — Inko logo veio da cozinha secando as mãos no avental.

— Eu fiz um desenho para você na escola! — mostrou os rabiscos infantis e coloridos — Você gostou?

— Eu amei, filho. — abraçou seu pequeno pingo de gente com tanto amor que mal cabia em seu coração.


Shouto lhe ajudou a ajustar a gravata. Ele estava mais velho, mas ainda continuava o mesmo desastrado de sempre. O homem de olhos verdes estava um tanto pálido, o contraste da pele branca com o terno preto. Izuku lhe encarou, o sorriso não chegou aos olhos, mas ainda assim, era um sorriso bonito.


— Vamos, Shouto — disse em voz baixa — não posso me atrasar.

— Não se preocupe, amor. — seu esposo lhe abraçou — Estou aqui com você.


— Mãe, esse é meu namorado, Shouto! — as bochechas vermelhas denunciavam todo seu constrangimento.

Inko sorriu, estendendo as mãos para segurar as do filho.

— Tudo bem, Izu-chan — tranquilizou-o — estou feliz em conhecê-lo — disse ao genro. — Bem-vindo à família Midoriya!


Entrou no salão onde havia pessoas sentadas, todos olharam para o casal em solidariedade ao momento. Izuku cumprimentou Ochako, Iida e Asui.


— Mãe, amanhã é aniversário da Ochako. O que devo dar de presente? — perguntou o adolescente.

— Hmm, você deu roupa a ela ano passado, certo? — vendo-o assentir, continuou — Que tal fazer um bolo para ela? Comida sempre agrada.

— Mãe, eu sou um fracasso na cozinha! — exclamou descontente — Você me ajuda?

— E quando foi que não ajudei você, Izuku? — riu, a mulher mais doce da face da Terra.


Parado próximo ao púlpito, pigarreou para limpar a garganta. Os olhos estavam secos, mas não tardariam a marejar. Ao seu lado direito, o caixão mogno lustroso destacava-se. Aquele era o momento que ele nunca se preparou para passar e, doía mais do que poderia imaginar.


— Obrigado a todos que vieram. — Izuku saudou — Obrigado pelo apoio em um momento tão delicado. — sua mãe se orgulharia por ele manter a voz estável. — Sabe, minha mãe, Inko, me ensinou muitas coisas. Me ensinou a diferença entre o que eu poderia brincar no quintal e o que eu não poderia. — suspirou — Me ensinou que nem sempre as pessoas ficariam felizes em me ter por perto e, que haveriam pessoas que me amariam. Me ensinou sobre amor, moral, ética. — a voz alterou-se levemente. — Minha mãe, tentou me proteger de tudo que havia de ruim no mundo. Às vezes eu me queixava de sua imensa proteção — sorriu, tristemente — mas, agora, que tenho filhos, posso entender perfeitamente.


Olhou para suas crianças sentadas na primeira fileira de bancos. Seu esposo, ao lado delas, segurando a mão da menina mais nova, que encarava o pai em certa confusão; enquanto o menino mais velho tinha os olhos vermelhos.


— Izuku, traga o vaso da mesa para mim. — pediu enquanto ajustava as flores que comprou mais cedo — Você consegue trazê-lo com água? — indagou.

— Claro, mãe! Eu já sou grande! — estufou o peito em bravura, enquanto a mãe ria.

— Claro, meu grande garoto, tome cuidado. — permaneceu sorrindo encarando seu anjinho que ia seguindo suas orientações.


— Amamos tanto nossos filhos que só queremos que eles sejam felizes. Queremos que eles se alimentem bem, que façam amigos, que conheçam amores. Minha mãe viu tudo isso acontecer, sempre me apoiando. — fungou, continuando. — Ela me viu chorar quando disse que gostava do meu melhor amigo; ela me abraçou quando eu lhe disse que era uma aberração; e ela me repreendeu por minha forma de pensar, porque amor é amor, e amar nunca é errado. — sorriu, olhando diretamente para Shouto — Me apoiou como ninguém fez, sempre torcendo e vibrando por cada pequena conquista.


Seus olhos embaçaram conforme lembranças lhe atacavam. Respirou fundo algumas vezes para tentar prosseguir. Escutava seus amigos e familiares soluçando, ele não estava em melhor situação.


— Minha mãe, Inko, me amou da maneira mais pura e sublime. Me gerou, me cuidou com tanto esmero, que eu espero ter 1% da capacidade de prover aos meus filhos. Ela nunca reclamou de não ter mais tanto tempo para si, nunca reclamou de assistir comigo os mesmos filmes, ou de me embalar depois de um pesadelo. — segurou com força o púlpito para se manter de pé — Ela tinha a melhor comida, sabia deixar as roupas sempre cheirosas e macias — riu, recordando-se — E brigava comigo quando as deixava espalhada pelo quarto.


— Mãe, você acha que existem vampiros? — questionou em curiosidade. Haviam assistido um filme de animação naquela tarde e, Izuku sempre ficava matutando muitas ideias depois de ver algo interessante.

— Acho que não, Izu-chan. Mas sei que fadas existem.

— Como você sabe disso, mãe?

— Porque eu deixo as flores na janela, então elas vêm cheirar. Sabe por quê? — o brilho nos olhos do garotinho fez com que a mãe sorrisse — Porque elas nos protegem das coisas ruins, como heróis. Entende?

Então se existir vampiros, as fadas os expulsam?

— Expulsam sim, Izu-chan.


Seus ombros tremeram quando ousou a olhar para o lado vendo uma parte do corpo da pequena mulher, repousando no caixão. Tão delicada, pacifica, com um brilho gentil sobre si. Um anjo em forma de gente.


— Ela costumava me dizer: "Izuku, sempre vão haver pessoas que irão querer te derrubar, entretanto, vão haver pessoas para te segurar". — sorriu, de forma carinhosa — Minha mãe, me ensinou tantas coisas que eu poderia ficar horas aqui falando... ela era a pessoa mais maravilhosa que tive o prazer de conhecer e,... — fechou os olhos por alguns segundos , até abri-los, onde deu um verdadeiro sorriso. — Me ensinou a enfrentar todas as dores de cabeça erguida. Agradeço a vocês por estarem aqui e, agradeço minha mãe, por ter sido um anjo literal em minha vida. Contudo, até mesmo os anjos precisam voltar para casa.


Finalizou seu discurso, orgulhoso de si mesmo. Shouto logo veio em seu encontro, onde o abraçou, lhe dando suporte. Seu filho mais velho, o procurou amuado em busca de aconchego, chorando, porque já tinha idade suficiente para entender. A mais nova abraçou-lhe, ainda confusa, por ser nova demais para compreender.


— Não chora, papai. A vovó gosta de te ver rindo. — Aime passou as mãozinhas pelo rosto do homem de cabelos verdes, que a pegou no colo.

— Sim, Aime-chan, você está certa.


Ainda com a filha no colo, com seu esposo e Ryume, seu garotinho, partiram em direção ao cemitério. Sua mãe, Inko, se fora, mas deixou muito amor e ensinamentos em seu coração.

10 de Maio de 2020 às 03:50 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Machadorisos . Cadelinha de AsaNoya Casada com o fluffy ft amante do angst Pode vir, mas vem na maciota

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