elena524510461588537899 Elena

Emily Hunter acabou de se mudar para Fall’s Heaven, uma pequena e isolada cidade da Grã-Bretanha. Devido ao trabalho dos pais, mudou-se constantemente, e, impossibilitada de permanecer em um local fixo, não criou laços que considerasse importantes. Porém, desta vez é diferente. Emily ficará nesta cidade até concluir o ensino médio, podendo assim levar uma vida normal, estável e, pela primeira vez, fazer amigos. Um único problema se instala nos planos de seguir com uma vida normal. Fall’s Heaven. Será que Emily conseguirá ter uma vida normal vivendo nesta pequena cidade estranha e misteriosa? Seja bem-vindo à Fall’s Heaven. Espero que consiga sobreviver.


Ficção adolescente Para maiores de 18 apenas.

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O começo

Eu estava em um campo aberto coberto por neve. Sentia dentro de mim um desespero cada vez mais crescente. Minhas pernas pesavam a cada passo, meus pulmões ardiam a cada suspiro, estava ficando difícil de respirar.

Quanto mais eu corria, menos eu parecia sair do lugar. É como se eu estivesse em um loop infinito. Meu coração se acelerou mais ainda ao sentir uma presença atrás de mim. Ouvi seus passos seguidos de um rosnado ensurdecedor.

-Emily!

Ӝ Ӝ


Acordei suando frio. Minha cama estava mais bagunçada que o normal, provavelmente resultado de uma noite conturbada. Não é incomum minhas noites virem acompanhadas de pesadelos, mas nunca senti tanto desespero como nesse último.

– Emily, acorde logo antes que se atrase para a escola! – Minha tia gritava da cozinha.

Eu me levantei rapidamente e respondi que já ia. Depois de me espreguiçar demoradamente, me senti acordada.

Faz uma semana que comecei a morar com minha tia em Fall’s Heaven, a cidade natal dos meus pais. Tem sido bem legal passar um tempo com ela. Antigamente eu costumava ficar sozinha em casa, visto que o trabalho dos meus pais lhes cobrava quase todo o tempo deles e acabei me acostumando, confesso que até gosto de ficar um pouco sozinha.

Hoje é meu primeiro dia de aula no Colégio Heaven, o único colégio da cidade e, provavelmente, continuarei nele até me formar. Isso é uma novidade pra mim. Meus pais são detetives e isso requer que viajem praticamente o tempo todo, com isso eu não consegui ficar muito tempo em um lugar. Por isso comecei a estudar em casa por muitos anos e agora, finalmente, serei uma garota normal capaz de estudar normalmente.

Tomei um banho e me troquei rapidamente. Desci para a cozinha e o cheiro maravilhoso de bacon que estava no ar denunciou qual seria meu café da manhã.

-Bom dia! – titia colocava a travessa de bacon na mesa.

-Bom dia! – sorri. – Tia, seu café da manhã é o melhor, mas para quê tudo isso? – fiz uma pequena observação para a travessa gigantesca de bacon que me esperava.

-Pensei que fosse pouco. – ela corou um pouco. – Sabe que nunca cuidei de ninguém, não é? E além do mais, você é a estranha. Na sua idade eu comia isso aqui tranquilamente.

-Hahah certo, certo. – me servi com um pouco de suco e comecei a beliscar um pouco do bacon. – Isso está uma delícia!

-Eu sei, afinal não tem como bacon ser ruim, então coma bastante! – ela me serviu um prato cheio.

-Vou ter que dobrar na corrida. – sorri. – Mas vale à pena. – comecei a comer.

Depois de me encher de bacon percebi que faltavam poucos minutos para a aula começar e somando ao tempo que eu levaria para encontrar minha sala, já estou atrasadíssima.

-Preciso ir. – me levantei apressada.

-Pode deixar que lavo a louça. – sorriu titia.

-Então a janta pode deixar comigo.

Ela levantou os braços numa comemoração.

Peguei minha mochila na sala e depositei um beijo em sua bochecha para me despedir.

-Até mais tarde, tia. – me preparei para ir embora, mas ela me puxou pelo braço e colocou algo metálico na minha mão.

-A chave do carro. – ela sorriu.

-Não precisa. – sorri. – Você ainda tem que ir para o trabalho e sabe que vou com minha moto. – devolvi a chave para ela.

-Não gosto nem um pouco dessa sua moto, viu? – ela fez bico. – Moto é bem mais arriscado e...

-Vou ficar bem. – sorri e me despedi.

Minha moto estava em frente de casa. Subi e fui para Colégio Heaven. O caminho não era complicado, cidades pequenas têm suas vantagens. Era o primeiro dia de aula e o estacionamento já estava lotado, felizmente encontrei uma vaga apertada no final daquele emaranhado de carros.

Por incrível que pareça o colégio era enorme. Chegava até a ser desproporcional ao tamanho da cidade. Eram dois prédios enormes, uma ala médica próxima ao estacionamento e o campus era gigantesco.

Enquanto ia para a entrada uma cena me chamou a atenção. Um garoto de skate estava caído no chão e uma garota loira olhava para ele bem irritada.

-Presta atenção, seu idiota! Para sua sorte não arranhou meu carro! – ela berrou e saiu pisando a passos fortes com seu salto agulha.

Me aproximei do garoto e estendi a mão. Era um garoto loiro com olhos claros. Possuía algumas sardas no rosto o deixando com a aparência bem jovem.

-Está tudo bem? – perguntei preocupada.

Ele pegou minha mão e se levantou. Ao ficar de pé, notei que ele era da minha altura.

-Sim, foi só a vaca da Audrey que... – ele olhou para mim. – Você é nova aqui? – perguntou surpreso.

-Sim, hoje é meu primeiro dia.

-Obrigado por me ajudar. E seja bem vinda! – ele sorriu. – Prazer, meu nome é Michael, mas pode me chamar de Mike.

-O prazer é meu. - sorri. - Me chamo Emily.

Começamos a andar lado a lado. Ele parecia bem curioso a meu respeito.

-Então, você é de onde?

-Nasci na Carolina do Norte, mas venho de toda parte. – sorri um pouco sem jeito.

-Oh, que interessante! Eu nunca saí daqui, então não vejo a hora de me formar e sumir desse lugar.

-Sério? Aqui não me parece ruim de viver.

-Certamente você não sabe do que está falando. – ele riu. – É uma cidade pequena, mas não se engane, muita coisa rola por aqui que não deveria.

-Certo, está tentando me mandar embora? – brinquei.

-Não. – ele sorriu gentilmente. – É só que Fall’s Heaven é meio que uma prisão para mim. Eu quero conhecer outros lugares então minha opinião sobre isso aqui é bem apelativa.

-Bom, estou aqui só há uma semana então ainda não tenho uma opinião formada, mas meus pais viveram bons anos aqui e se me mandaram para cá significa que não é de todo ruim. Eles são bem rígidos quanto aos locais que moramos.

O sinal do Colégio ressoou por todo o lugar. Era bem alto e acabou me pegando de surpresa. Mike fez um sinal com a cabeça para que eu o seguisse. Fomos para o prédio principal.

-Emily, você é de que turma?

-Aqui diz que sou da turma dois A e hoje é dia de álgebra I. – eu olhei no celular para o email que me mandaram. – Que confuso...

-Você se acostuma! Eu também sou da turma dois, só que B, hoje é dia de línguas estrangeiras então não ficaremos na mesma sala. Amanhã devemos ficar juntos, ou até mesmo hoje, dependendo dos horários finais. – ele disse como se fosse a coisa mais simples do mundo. Essa divisão de turmas e temas de estudo não fazia sentido algum para mim.

-Certo...

-Enfim, nossas salas são uma do lado da outra, posso te mostrar onde fica. – ele piscou para mim.

-Por favor! – quase supliquei.

Ele riu um pouco da minha cara e começamos a andar. Apesar do sinal ter tocado os corredores ainda estavam cheios e os alunos não pareciam ter pressa, até mesmo alguns professores conversavam tranquilamente entre si. Conforme eu ia seguindo o Mike, percebi como a planta do colégio não era muito simples. Parecia um labirinto de corredores infinitos e possuía duas escadas principais, uma à direita e outra à esquerda. Nós pegamos a escada que estava à direita.

No andar superior, a complexidade dos corredores era a mesma. Mike me guiava através daqueles labirintos sem dificuldade alguma. Enquanto eu o seguia, ouvi alguns murmúrios à medida que passava por alguns estudantes. Eles pareciam me observar atentamente. É este o tipo de atenção que detesto receber.

-Não se preocupe com isso, você é carne nova no pedaço. – Mike se virou para mim.

-Bem, espero que isso não dure por muito tempo. – eu me foquei nele. Preferi ignorar os outros que estavam espalhados pelos corredores.

-O pessoal daqui é bem curioso, mas não esquenta. É incomum recebermos pessoas novas então a atenção que você está recebendo é justificável.

Eu assenti em silêncio.

-Aqui está sua sala. – ele apontou com a cabeça para a porta, era a primeira do corredor.

-Muito obrigada, Mike! Não encontraria isso aqui de jeito nenhum. – suspirei aliviada.

-Não há de quê. E garanto que não é tão difícil se guiar por aqui quanto parece.

-Com o meu senso de direção... Duvido muito que eu me acostume.

-Haha o jeito é arranjar um GPS então. – ele piscou para mim. – Que tal trocarmos nossos números? Aí se você estiver perdida, te encontro rapidinho.

-Não quero te dar tanto trabalho assim!

-Não se preocupe com isso. Quero que você não acabe em má companhia como aquela loirinha metida que você viu no estacionamento.

-Te garanto que vou passar longe.

-Aqui. – ele pegou meu celular e digitou rapidamente alguns números. – Esse é meu número, se precisar de alguma coisa é só me mandar uma mensagem.

-Obrigada, Mike! Você é muito gentil. – sorri.

-Não precisa agradecer. – ele sorriu e seguiu para a sala ao lado.

Quando entrei na sala, percebi como ela era mais espaçosa do que aparentava por fora. Ainda não havia muitos estudantes, mas os que estavam na sala tinham os olhos curiosos sob mim. O dia será longo pelo jeito.

"Paciência, Emily. Paciência.", mantive em pensamento enquanto ia para a fileira ao lado da janela. Me sentei atrás de uma garota que olhava distraidamente para a janela. Fiquei impressionada com a cor âmbar dos seus cabelos, era muito bonita, assim como a garota. Sem muita demora, o professor entrou na sala seguido do restante dos alunos.

-Bom dia! – ele me parecia bem enérgico. –Vejo que temos alguns rostos novos por aqui. – Seus olhos se direcionavam para menina a minha frente e a mim. – Meu nome é Arthur, sou o professor de álgebra I, por favor, me interrompam se tiverem alguma dúvida, ok? – ele ainda olhava para nós. Fizemos que sim com a cabeça e ele iniciou sua aula.

A forma de lecionar desse professor era tão hipnotizante que acabei me esquecendo dos comentários e encaradas que recebia sem parar. Eu já estudei um pouco dessa matéria com um dos professores particulares que tive e o modo como ele explica é centenas de vezes mais esclarecedor. Sem dizer que esse é o professor mais bonito que já vi.

"Talvez seja isso que o torna tão hipnotizante?", mantive esse pensamento nada discreto para mim.

-Ele é ótimo, não é? – a garota da frente se virou para mim me arrancando das observações desnecessárias. Reparei em seus olhos castanhos amendoados e eles pareciam bem alegres.

-Sim. – sorri. – Acho que é a melhor aula sobre essa matéria que já tive.

-Né? – ela emanava animação. – Nunca fui boa em matérias de cálculos então estou realmente aliviada por estar entendendo.

Eu assenti e sorri.

-Sabe, estou feliz que não sou a única novata. Não aguentava mais todo mundo me encarando. – ela suspirou.

– Concordo plenamente. Que sorte estarmos na mesma turma e sala.

-Sim! Me diz, você também levou uma década para encontrar o caminho até aqui?

-Felizmente eu tive sorte. Encontrei uma boa alma que me ajudou a chegar aqui. – sorri. – Mas se eu não tivesse tido um guia, provavelmente estaria vagando pelos corredores até agora.

Ela soltou alguns risinhos baixos e voltou sua atenção para mim novamente.

-Eu me chamo Ramsey e você?

-Emily. - sorri.

-Muito prazer, Emily!

-O prazer é meu.

-Hu-rum. - o professor olhou para nós. - Está fácil de acompanhar?

-Sim. - respondemos e ele voltou a dar sua aula. Ficamos em silêncio durante o resto do horário.

-Primeiro dia de aula e já chamaram minha atenção. - Ramsey suspirou se sentando de lado assim que a aula terminou.

-Chamaram nossa atenção.

-Verdade, estamos no mesmo barco. – ela piscou para mim.

-Então, de onde você veio?

-Eu vim de Nova Orleans. Minha mãe precisava de novos ares depois da separação então viemos para cá, um lugar aparentemente tranquilo.

-Oh, sinto muito.

-Não se preocupe, fico até aliviada que se separaram. E você, vem de onde?

-O último lugar que morei foi em Ohio, mas nasci na Carolina do Norte.

-Oh, que legal! Parece que viajou bastante.

-Sim... Me mudei constantemente, mas parece que agora vou me aquietar aqui até me formar.

-Somos duas!

Enquanto conversávamos, nem notamos o tempo passar. A aula seguinte ia começar em alguns minutos.

-Oh, merda! – Ramsey se apressou e pegou sua mochila. – Esqueci que os horários são estranhos. Tenho álgebra I e laboratório de química. E você?

-Aqui diz que meu próximo horário é fotografia, nesta sala mesmo. - suspirei aliviada ao ver que não teria que me aventurar em busca da minha próxima sala.

-Nossa, que sorte. Vou seguir seu exemplo e procurar uma alma boa para me mostrar o laboratório. – ela sorriu. – Podemos passar o intervalo juntas, o que acha?

-Com certeza!

-Aqui meu número. – ela anotou no meu celular. – Nos encontramos nessa sala?

-Pode ser.

-Certo, então até mais! – ela saiu apressada.

Depois que ela se foi, fiquei observando diversos alunos entrarem um atrás do outro, em seguida uma mulher bem elegante de cabelos vermelhos entra na sala. Seus passos ecoavam pela sala e a pequena conversa que se concentrava no fundo cessou rapidamente.

Ela começou a falar sobre um projeto de fotografia que nos ocuparia por alguns meses. Os pontos que valem o projeto são sedutoramente absurdos. A nota será distribuída para o trimestre inteiro.

Suas explicações sobre o que ela queria que fizéssemos ficaram um pouco vagas e isso ocupou todo o horário. Quando o sinal para o intervalo tocou ela deu um aviso rápido.

-Eu os dividirei em duplas no próximo horário, após o intervalo e informarei quem serão os respectivos parceiros para o projeto. Lembrando que vou juntá-los com a turma da aula de fotografia anterior, dessa forma, terei uma escolha mais heterogênea. – ela abriu um sorriso largo. – Resumindo, nada de duplas com conhecidos.

Muitos começaram a protestar, mas a professora não deu atenção. Eu não tenho nada a reclamar visto que o número de pessoas que conheço aqui não passa de dois. Esperei pela Ramsey na porta da sala e recebi algumas notificações. Era o Mike.

“Ei, Em. Que tal vir passar o intervalo comigo e minhas amigas? Vou te esperar na entrada principal, xoxo!”

“Tudo bem! Levarei minha companheira novata, ok?”

Respondi e em seguida ele me respondeu.

“Tudo certo!”

-Demorei muito? – Ramsey chegou ao meu lado.

-Não. – sorri. – E então, foi difícil encontrar o laboratório?

-Nem tanto, perguntei pra um cara que me disse onde era. Então, para onde vamos?

-Se lembra da boa alma que eu encontrei e me mostrou a sala?

-Sim.

-Ele nos convidou para ficarmos com ele e suas amigas. – sorri. – Vamos?

-Sim, claro.

Começamos a andar e fiquei impressionada com o senso de direção da Ramsey. Ela fez o caminho até a entrada principal impecavelmente. Eu teria me confundido já no segundo corredor.

De longe avistei um cabelo loiro familiar.

-Em! - pude ouvir o Mike acenando para mim, ele estava junto de duas garotas.

Fomos até eles.

-Mike. - sorri. – Esta é a Ramsey.

-Olá, Ramsey! – ele abriu um sorriso largo. – Uma novata já é raro, agora duas... Acho que podemos esperar o fim dos tempos.

-Hahaha. Deve ser bem raro novatos por aqui. – Ramsey riu.

-Você não imagina o quanto! – ele se voltou para as meninas sorridentes ao seu lado. -Esta aqui é Shay. - ele apontou para a garota loira baixinha. - E esta é a Ray. - outra baixinha, esta tinha o cabelo preto.

-Olá. - elas disseram juntas. Notei a incrível semelhança entre elas. -Somos gêmeas. - disseram. - Pintei o cabelo. – disse Ray, a morena.

-Bem que eu notei que eram idênticas. - disse Ramsey.

-Agora que estamos todos aqui vamos para o campus. - disse Mike. - De preferência perto do time de futebol.

-Discreto... - disseram as gêmeas.

-E das líderes de torcida. - Ramsey piscou para Mike.

-Essa é das minhas. - ele sorriu.

O campus era bem maior do que pude notar do estacionamento. Atrás do colégio ele se estendia até as quadras. Enquanto caminhava com o pessoal, notei que muita gente ficava por aqui. Grupos bem distintos. O pessoal que adora o preto à direita e as líderes de torcida completamente de rosa à esquerda.

Nos sentamos na grama, bem no meio desses grupos distintos. Notei, depois que escolhemos nosso lugar, que atrás de nós ainda tinha um grupo de atletas jogando uma bola pontiaguda entre eles. Estavam sem camisa, exibindo todo o corpo estrutural e suado. Só então percebi a insinuação que o Mike tinha feito mais cedo.

-Ah – sorri. - Agora entendi o porquê de ficarmos aqui.

Os demais olharam para mim e começaram a rir.

-Ela é muito inocente. - disse Shay.

3 de Maio de 2020 às 23:09 0 Denunciar Insira Seguir história
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