wesley-ferreira1587000262 Wesley Ferreira

Definição de família nunca foi somente para pessoas que carregam o mesmo sangue entre si, e sim aos que carregam o mesmo terno amor. Veja como uma viúva solitária com sua filha única descobriram isso.


Histórias da vida Todo o público.

#drama #comédia #família
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Uma casa barata, um caso barato

Uma tarde sombria envolve a cidade de Maquetá. Todas as pessoas muito tristes; um clima de luto; até a cidade parece derramar suas lágrimas.

Cássia - filha o que você está fazendo aí? Vem me ajudar a terminar de levar as coisas pra caminhonete

Julieta levanta de sua cama - mãe já estou triste o bastante e ainda nem posso terminar de escrever no meu diário?

Cássia - Julieta só sei que já está ficando tarde e eu sou capaz de deixar você e seu diário aqui para não sair na escuridão da noite

Ao contrário de sua filha, Cássia está muito animada com a mudança, e enxerga uma tarde linda, com pássaros cantando sob um pôr do sol mágico. É como se as pessoas da vizinhança estivessem prestes a começar uma dança ensaiada em homenagem a partida delas. Porém as duas realmente estão com olhares exagerados sobre a situação; é só uma tarde comum como qualquer outro dia.

Julieta levanta da sua cama e vai ajudar sua mãe terminar de colocar as coisas no caminhão. Desde que Mauro, seu pai, morreu Cássia mantém sua filha e sua casa sozinha e isso ficou mais difícil com o passar dos anos. Com sorte e depois de bastante procura, digo muita, muita procura quase não sendo sorte por causa de sua insistência procura, ela encontrou uma casa com um aluguel bem barato na região de Lago Doce. Perfeito para o seu salário como empregada doméstica.

19 horas. Hora de subir no caminhão e partir para a nova estadia. Amigos de Julieta e a vizinhança, os que gostavam delas, estavam ali para se despedir. 3 pessoas no total: dois amigos e uma mulher para quem Cassia devia.

Cássia entrega o dinheiro para a mulher: se sinta honrada Mariana, você é a última pessoa para quem eu devo alguma coisa

Julieta, um pouco mais afastada, na mesma calçada: Ainda bem que disse pessoa porque agora faltam as lojas e os bancos

Cássia: Cala a boca e entra na caminhonete Julieta

Pedro, amigo de Julieta: Ela não sabe a diferença entre um caminhão e uma caminhonete?

Julieta: Ela não sabe a diferença entre leite integral e desnatado. Gente eu vou sentir muita, muita saudade de vocês. Vocês prometem me visitar?!

Laura: é claro que nós vamos! Eu e Pedro já estávamos conversando sobre isso

Cássia grita: vamos filha! To subindo na caminhonete. Eu vou no meio -Cássia sobe na cabine do caminhão, onde há 3 lugares contando com o do motorista, que é bonito para sua idade e Cássia está naquela fase de procura por um amor.

Julieta para seus amigos: Chegou a hora gente, preciso partir. Só peço que vocês nunca deixem de ser felizes, sigam com a vida de vocês e não deixe uma perda dessa estragá-la

Laura e Pedro sorriem, pouco tristes

Laura: É melhor você subir naquele caminhão logo antes que a bateria arreie

Julieta olha pro caminhão velho e concorda com a cabeça, e os abraça

Pedro com bom humor: Por favor nos avise se o motor daquele caminhão explodir no meio da estrada

Julieta ri porém preocupada com seu comentário, e vai para o caminhão.

Pedro e Laura continuam acenando de longe.

Pedro: nós combinamos de visitar ela algum dia?

Laura: não, mas precisava confortá-la. Você viu o drama dela só para despedir. Parece que estava morrendo.

Pedro: E nós vamos visitar algum dia?

Laura: Claro que não, ela está indo para um município isolado, no interior, para além do fim do mundo.

Pedro: Será que pelo menos é asfaltado a estrada de lá?

Laura: Estrada não deve nem ser de terra, deve ser lava quente

Pedro ri. Eles continuam acenando até o caminhão sumir de vista.

Na viagem o caminhoneiro está ouvindo músicas de seu cantor preferido: Gilberto Gil. Cássia e sua filha tem um gosto musical moderno e elas não conseguem esconder em suas feições o desgosto pela música tocando.

Cássia para o motorista, de maneira bem educada e até um pouco sensual: Escuta, será que não podemos escolher alguma outra música que possa satisfazer o gosto de todos?

Caminhoneiro: Pelo preço que vocês pagaram no aluguel deste caminhão agradeçam por estar indo sentadas aqui na frente

Cássia engole seco. Julieta continua com a sua cara triste e com raiva.

Cássia ainda tenta paquerar o caminhoneiro puxando assunto, tocando em seus braços: Eu sei que a maioria dos caminhoneiros carregam uma frase na traseira do caminhão, você tem uma?

Caminhoneiro: É claro, eu sou caminhoneiro raiz

Cássia: Acho isso tão sensual. E o que sua frase diz?

Caminhoneiro: O amor é para todos

Cássia se anima: Puxa vida adorei essa frase, tem muita razão, o amor é para todos até para pessoas de nossa idade

Caminhoneiro: Sim ainda mais no meu caso que decidi assumir nessa fase da vida

Cássia: Assumir o quê? Algum filho?

Caminhoneiro: Não, o meu relacionamento com um taxista do bairro onde moro

A feição de Cássia mostra uma mistura de surpresa e desapontamento. Ela se afasta e para de tocar no caminhoneiro. Julieta dá a sua primeira risada do dia.

O caminhão está em uma estrada de terra com muitos buracos. Julieta está tentando dormir mas é acordada quando um balanço faz a sua cabeça bater com muita força no vidro do caminhão.

Caminhoneiro: Ei cabrita cuidado com esse chifre no meu vidro

Julieta fica chocada com seu xingamento. Cássia está nervosa, preocupada, com medo, suando frio

Julieta: Mãe o que foi? Parece que você viu um saci pererê

Cássia: Antes fosse minha filha que aí eu já entrava no tornado dele e saia daqui. Eu tenho pavor de viajar à noite e tá muito escuro.

Caminhoneiro: Interessante porque programamos de sair de lá às 14 horas e me fizeram esperar a tarde inteira.

Cássia: Ai bixa perdoa a gente, não tínhamos noção de que tínhamos tanta coisa

Caminhoneiro: Que isso me chamando de bixa?!

Cássia: Ah relaxa você é meu primeiro amigo gay

Caminhoneira: Não dei intimidade para me chamar de bixa e não sou seu amigo!

Julieta: Você me chamou de cabrita! -inconformada

O Caminhoneiro acena sua cabeça mostrando que concorda com o que ela disse. Em um curto período de tempo há silêncio na cabine. Só se ouve a respiração profunda de Cássia.

Cássia: Filha me dê a garrafinha de água

Julieta: Tem certeza que vai beber água agora? Tá mexendo muito

Cássia: Tá achando que eu não tenho a capacidade de beber água em um caminhão em movimento?

Cássia abre a garrafinha e tenta beber água. Metade do conteúdo da garrafa cai em sua blusa. Ela se estressa

Cássia: Eita boca de sapo você Julieta, olha o que fez eu fazer

Julieta se inconforma mas não tá afim de discutir, então se cala, revirando os olhos. Um tempo depois ela encara o rádio do caminhão e começa a pensar.

Julieta: Esse rádio tá tocando desde a hora que a gente saiu. Isso não pode fazer com que a bateria do caminhão afreie?

Cássia entra em desespero: Ai meu Deus o que é isso que a boca de sapo está falando? Isso vai acontecer? Vamos ficar na estrada? Ai meu Deus nessa estrada escura onde nem nossos pensamentos a gente consegue enxergar

Caminhoneiro: Claro que não menina e não é afreie, é arreie. Mas vou desligar para vocês pararem de encher meu saco

Julieta se mostra agradecida pela sua feição.

A estrada está cada vez pior e até o caminhoneiro se mostra preocupado. Não muito tempo depois um grande estouro se ouve. Os três se assustam e se encaram.

Caminhoneiro: Acho que o pneu estourou

Cássia se desespera novamente e começa a beber o restante da água, sugando o ar dentro a garrafa

Julieta: Tá mas, você com certeza tem o pneu reserva. Tem uns 10 pneus pendurados ao redor do caminhão.

Caminhoneiro: Sim porém eu vim sem o macaco acreditando na sorte de que eu não iria precisar.

Cássia: Nenhuma sorte vence a boca de sapo da minha filha. Por que você não usa essa boca para falar que a gente vai ganhar na loteria amanhã?

Julieta revira os olhos.

Caminhoneiro: É o seguinte, vocês estão a uns 20 km da nova casa, aconselho vocês pegarem Uber enquanto eu espero o seguro me resgatar e amanhã eu levo as coisas para vocês.

Julieta já quase descendo do caminhão: concordo plenamente.

Cássia: O que?! Não! Claro que não! Isso pode ser golpe! Você vai ficar com todas as nossas coisas!

Caminhoneiro: Ainda sou obrigado a ouvir essas coisas -ele desce do caminhão e a chama para descer também. Ela desce e ele lhe mostra o pneu furado: Isso parece um golpe para você?

Julieta: Mãe, é verdade, o pneu furou e não tem o que fazer. Já achei grande coisa o caminhão ter chegado até aqui na verdade

Caminhoneiro: E outra, você ainda não terminou de pagar o meu aluguel. E o que eu estou para receber vale mais do que todas as suas coisas na traseira desse caminhão.

Cássia fica ofendida. Ela pensa e se desespera novamente.

Julieta: Calma mãe a gente vai chegar em casa e descansar do mesmo jeito que a gente teria feito se a gente tivesse chegado com o caminhão

Caminhoneiro: Claro que não! Antes de descansarem vocês iriam tirar suas coisas do caminhão

Julieta: Gay coroa não me atrapalha não. O que eu quero dizer é que não iríamos descansar numa cama montada do mesmo jeito

Cássia: Mas teríamos um colchão! Já sei, vamos levar só um colchão então.

Julieta: Mãe nós vamos de Uber

Cássia: E daí? Nós vamos pagar pelo Uber, podemos levar o quê nós quisermos

Julieta revira os olhos e pede um Uber. Ela deixa claro que elas irão levar um colchão. Todos cancelam as viagens

Julieta: Mãe, não vai rolar. Nenhum Uber está aceitando levar um colchão. E acho incrível como tem bastante Uber nessa região

Cássia: que absurdo!

Caminhoneiro para Cássia: Moça, relaxa, amanhã eu já vou levar as coisas pra casa de vocês

Cássia tenta acalmar sua respiração aos poucos. Ela pensa e dá um sorriso para o caminhoneiro, levando o cabelo atrás da orelha, como uma adolescente apaixonada: obrigada pelo moça

Julieta: mãe pelo amor de deus já esqueceu que a marcha preferida dele é a ré?!

Caminhoneiro: ei cabrita me respeite!

Ela revira os olhos.

Cássia para Julieta: vamos pegar só nossas mochilas com as coisas essenciais então

O caminhoneiro abre a traseira da caminhão e elas pegam as mochilas que está bem na frente

Um tempo depois o Uber chega. Cássia entra no carro rapidamente. Julieta pensa um pouco e vira para o caminhoneiro: Você disse amanhã, mas você sabe que é hoje né porque já são quase 5 horas da manhã

Caminhoneiro: Não, será amanhã mesmo. Levará quase um dia para o seguro chegar aqui e trocar o meu pneu. Isso eu digo com sorte porque nessa região há poucos serviços de seguro. E até um chegar aqui nesse fim de mundo..

Julieta também se desespera mas não conta para sua mãe que já estava dentro do carro. Elas seguem caminho.

O carro está parando, Cássia olha ao redor, e se preocupa. Pergunta ao motorista: o que você tá fazendo? Por que ta parando nesse lugar?!

Julieta, no banco de trás, acorda de seu cochilo e também fica com medo.

Motorista: aqui é o destino do endereço que me deram

Cássia olha melhor, e enxerga o portão da casa nova: ah. Realmente, acredito que é aqui mesmo -ela tenta esconder certo desapontamento em sua feição

Julieta olha também e sua feição mostra desprezo pelo lugar. As duas descem e vão em direção ao portão, que está do outro lado da rua onde estão paradas. A estrada é de paralelepípedo. Elas atravessam de mãos dadas, bem juntas uma a outra. Julieta olha para os pés de sua mãe, que anda com dificuldades por causa de seu salto alto: eu dormi bastante no carro ou você realmente não cantou esse motorista?

Cássia: eu agora só estou preocupada em sobreviver

Julieta ri.

O portão é grande, sem vista para dentro, todo azul.

Julieta: achei que o portão era azul quando vimos online

Cássia: eu tenho certeza que era preto

Depois de um tempo procurando, Cássia encontra a chave e abre o portão de entrada. Elas já estavam aterrorizadas com barulhos de animais desconhecidos ao redor, dentro de todo o mato que cerca a casa. O quintal é grande, com bastante grama. Elas finalmente chegam no interior da casa.

Cássia respira fundo: finalmente chegamos, que alívio. Que noite conturbada, vai ser difícil dormirmos essa noite

Quando olha para sua filha, vê ela deitada no chão, dormindo, usando sua mochila como travesseiro. Ela decide ir tentar dormir também.

Amanhece. Julieta acorda e vai para o quintal tentar se animar, tomando um pouco de sol: puxa o portão realmente é azul -ela repara. Ela entra para organizar as coisas de sua mochila, para se ocupar, sem muita opção. Nesse meio tempo entram na casa 5 pessoas juntas: uma corretora de imóveis e uma família de 4 membros.

Um tempo depois Cássia acorda, com dor no corpo por dormir no chão. Ela acredita que xingar faz a dor diminuir. Faz isso todo o tempo no caminho para o banheiro, que fica no corredor do andar de cima. Enquanto ela está lá dentro, uma adolescente passa andando pelo corredor, fazendo vídeos de si mesma para seu canal no youtube: deixe nos comentários se vocês acham que será uma boa idéia eu e minha família nos mudarmos para cá ou se seria melhor um papelão no acostamento da rodovia. Não quero influenciar na opinião de vocês mas acredito que na rodovia não seremos comidos por algum animal.

Ela desce. Cássia sai do banheiro, estranhando a voz que ouviu. Ela começa a procurar por alguém. Nesse tempo, Julieta olha no quintal um menino brincando com um taco de beisebol: garoto o que você ta fazendo aqui?!

Do quarto ao lado do banheiro, lado para onde Cássia está indo, sai um homem. Ela se assusta fortemente, dando um forte grito. O homem também se assusta, revelando trejeitos femininos.

Julieta ouve os gritos, pega o taco do menino e sobe

Cássia: quem é você?!

Homem: sou Romeu! E você quem é?!

Cássia: Romeu? Isso é uma piada? O que você ta fazendo aqui?!

Julieta chega com o taco de beisebol: mãe você ta bem?!

Romeu: to conhecendo a casa

A mulher de Romeu sobe, da outra escada, junto com a corretora. Ela é forte, tem cabelo raspado, loira e voz grossa: o que ta acontecendo aqui?!

Cássia: o que a Pink ta fazendo aqui?!

Corretora: gente calma! Eu..eu acho que elas são uma das moradoras daqui

Cássia concorda: exatamente, somos as moradoras daqui

Julieta: não, espera, como assim uma das moradoras daqui? -ela pergunta apontando o taco de beisebol para a corretora

Corretora, assustada: eu..eu vou explicar, só por favor abaixe esse taco. -Para a família visitando: Algo que eu já estava prestes a explicar a vocês -para Cássia e Julieta: e também tenho certeza que a corretora de vocês deixou bem claro -para todos: que o imóvel seria dividido

Cássia: dividido?

Corretora: sim. Vocês e mais alguma família

Julieta: mãe, só você falou com a corretora. Ela disse isso?

Cássia: claro que não! Ela só me informou sobre o valor e me mostrou as fotos!

Corretora: me perdoem, mas eu tenho certeza que ela passou essa informação. É a informação mais importante que temos que passar

A feição de Cássia fica algo entre séria e preocupada: mas eu tenho certeza que ela não disse

Julieta: mãe, e seu déficit?

Cássia foi diagnosticada com déficit de atenção na adolescência, e hoje ela lida bem com isso.

Cássia se revolta: isso não tem nada haver com o que está acontecendo agora Julieta!!

Quase sempre lida bem.

Romeu: não! Tem haver sim! Se tu tem déficit de atenção, você não prestou atenção quando a corretora disse que iria dividir a casa com a gente

Sua mulher se anima: então nós vamos ficar com a casa?

Romeu sorrindo: por mim sim amor!

Julieta para si mesma, pensando alto: amor?!

Cássia: o que?! Não! Não vão!! Eu pago por ela!!

Corretora: você nem parou pra pensar que o valor que você está pagando é extremamente barato para a casa inteira?!

Cássia: você não acredita em sorte?!

A mulher olha ao redor e pensa. Ela se pronuncia: aliás, se você mora aqui, cadê suas coisas?! Como vamos saber que você não simplesmente invadiu?

Cássia se revolta e tenta avançar na mulher, sendo segurada por sua filha.

Julieta: gente, nós tivemos uma noite difícil, nós chegamos hoje, e é uma longa história

Corretora: eu aconselho você falar com sua corretora caso não queira mais permanecer aqui, mas essa família gostou da casa e pretende morar na parte deles

Romeu: e outra, podemos ser uma grande família todos nós juntos! -Tentando melhorar o clima

Cássia está muito brava, com vontade de chorar: quer saber, vou para meu quarto, preciso respirar. Não aguento mais receber notícia ruim de homossexuais

O casal não entende o que ela quis dizer. Cássia os deixa lá e vai para seu quarto. Julieta a acompanha.

Corretora para o casal: então vamos fechar negócio? Romeu, Vivian?

O casal se olha, e concordam com a cabeça, dando as mãos um para o outro.

A filha adolescente do casal estava filmando tudo de longe: se vocês curtiram essa cena dramática e querem ver mais delas curtam e se inscrevam no meu canal! Garanto que teremos cenas como essa toda semana.. ou todo dia! Beijos!

Vivian para sua filha: Larissa desliga isso!

No quarto, vazio, Cássia esta sentada no chão, chorando bastante

Julieta: calma mãe, vai dar tudo certo

Cássia: eu sou muito burra, desatenta. Como não prestei atenção nesse maldito detalhe?!

Julieta: mas mãe, realmente está muito barato o preço que estamos pagando. Era de se imaginar que teria algo errado. Era isso ou a casa não teria chão, ou mal assombrada ou infestada por pragas. Mas a casa é boa!

Cássia engole um pouco o choro: tem razão. Será que essas pessoas são gente boa?

Julieta: mais que a gente, duvido. Mas eles vão se esforçar

Cássia ri: Engraçado, achei que seria eu que estaria te consolando hoje

Elas riem emocionadas e se abraçam.

Julieta: vai ter esse dia ainda, você sabe como sou problemática. Mas sempre vamos estar lá uma pra outra. Vai dar tudo certo

Cássia sente um grande alívio, nos braços de sua filha. Depois de algum tempo, Cássia: você viu que aquele homem se chama Romeu?

Julieta ri: irônico ne?

Cássia ri de volta. Depois de um tempo ela se levanta: ah preciso tomar banho. Você tem sabonete pra emprestar?

Julieta: não ta na sua mochila o seu?

Cássia: não, nessa não.

Julieta pega o sabonete em sua mochila e lhe entrega.

Cássia sai e da meia volta: ah! Talvez eu precise de shampoo também

Julieta lhe entrega, revirando os olhos: toma

Cássia: e.. talvez.. uma toalha?

Julieta: toalha também? Você não pegou a mochila de coisas essenciais?!

Cássia: claro que sim! Só mais uma coisinha.. nós usamos o mesmo número de calcinha né?

Julieta abre a boca, chocada: eu não acredito! O que você trouxe na sua mochila?!

Cássia: trouxe minha blusa de frio

Julieta: mas ela ta cheia! O que mais?!

Cássia reluta um pouco para falar, mas diz: banco imobiliário ué

Julieta: você colocou um jogo de tabuleiro na sua mochila de coisas essencias?!

Cássia: aposto que ia fazer falta se eu não tivesse colocado!

Julieta: ta, certo. Colocou pelo menos a sua escova de dente?!

Cássia: é claro! Só preciso que.. você empreste sua pasta

Julieta revira os olhos novamente, e lhe entrega a pasta: eu sabia

O resto do dia elas se viram na casa sem os móveis, comem marmita no chão, jogam banco imobiliário,conhecem a casa inteira e se divertem bastante com poucas coisas. A relação entre as duas é otima desde o falecimento de Mauro.

Já está dando 17 horas. Cássia pensa e pergunta: filha, já não era pro caminhoneiro ter chegado?

Julieta se preocupa, lembrando que ainda precisava passar esse recado pra sua mãe: então mãe, é o seguinte.. quando ele disse que viria amanhã, é amanhã mesmo!

Cássia já está respirando mais fundo: não, mas ele disse ontem que viria amanhã! O amanhã de ontem é hoje, tenho déficit mas não sou burra

Julieta: o detalhe é que quando ele disse amanhã não era ontem, era hoje, quase 5 horas da manhã

Cássia já está em desespero: ai meu deus eu não acredito

Julieta: calma mãe, respira, a gente pode dormir mais um dia no chão

Cássia: ah tem essa ainda! -se desespera ainda mais -não tinha pensando nisso ainda! Ah minhas coisas, meu deus! Ele já deve ta vendendo, ou dormindo no meu colchão! -ela vai para o quarto novamente chorar

Julieta: meu deus mãe, o papel de ser dramática é meu! -ela vai atrás dela novamente para consolar

16 de Abril de 2020 às 01:50 0 Denunciar Insira Seguir história
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