tempestade Nathaly Oliveira

Rafael, um cara amado por todos, vive no mundo do crime para ganhar seu ganha pão. Após acontecimentos trágicos com seus pais, ele e sua irmã vick, tentam dar a volta por cima de tudo apenas com um sorriso no rosto. Galanteador e um cara que não se apega muito fácil a nada. Um cara protetor que sempre vai querer ajudar as pessoas, embora muita delas não mereça. Vick, uma menina doce que ama dançar. Entrou no mundo do crime muito nova e tem a maior sorte do mundo de ter um irmão como o Rafael. Doce, meiga, porém pavio curto. Quando dança hipnotiza as pessoas. Juntos, vivem em sociedades diferentes, mundos diferentes e com pessoas diferentes. Será que isso vai dar certo?


Ficção adolescente Para maiores de 18 apenas.

#vidas-perdidas #amor #sequestro #conflitos #mortes #facção #morro
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Rafael

A alguns anos atrás meus pais sumiram, nesse mundo e deixaram eu e a vick sozinhos. Ver minha irmã mais nova cheia de medo chorando me deixava perplexo. Eu pensava sempre que tinha que fazer alguma coisa para tirar a gente dessa, nem que fosse um bico em qualquer lugar, mas eu queria fazer isso. Minha irmã perdeu parte da infância dela tentando me ajudar depois que os nossos pais morreram. Eu tive que sustentar ela sozinho, acordando antes do galo para procurar emprego. Já fui pedreiro, atendente de padaria, já estoquista de supermercado, mas fiz tudo isso para ajudar minha irmã a se formar e se dedicar aos estudos dela, porque nunca quis que ela tivesse uma vida igual a minha.

Um dia, eu acabei conhecendo o Henrique, filho do antigo dono do morro. Conheci ele na padaria. Todos os dias ele descia para tomar um café, e eu sempre fazia o café tradicional para ele. Acabou que nos tornamos amigos, saíamos juntos, íamos a vários bailes juntos, até que um dia ele me fez uma proposta: trabalhar com ele no morro do alemão. Sinceramente eu não toparia, porque ver pessoas morrendo sempre não é o que ninguém quer, mas eu tinha uma irmã para cuidar, tinha que por comida na mesa e a padaria não estava dando lucros, e foi aí que eu topei.

Quatro anos depois o Henrique e o pai morreram na invasão. A esposa do antigo dono do morro e mãe do Henrique, a dona Raquel, ela me chamou pra ser dono do morro. Era uma baita de uma responsabilidade. Ela queria que eu ficasse no posto por amor ao filho dela, e já que ele era meu parça eu fiz esse sacrifício. A Dona Raquel foi uma mãe que eu não tive.

03/07/17 - Segunda-feira

Victória: Acorda! Já está na hora já.- Ela disse pulando em cima de mim.

Rafael: porra garota, me deixa dormir! - falo ainda com voz de sono. Por impulso pego um travesseiro e taco em Victória.

Victória: Mano, hoje é meu primeiro dia de aula no centro de dança.- Ela disse animada.- Aquele que eu te falei ontem...- Disse mexendo no cabelo, com um olhar profundo.

Rafael: Hum... Continua - Falo cobrindo minha cabeça com a coberta.

Victória: Tem como vc parar de ser preguiçoso e me escutar? - Ela diz puxando minha coberta. - Você sabe mais como ninguém o quanto eu amo dançar. Eu quero fazer essa aula!

Rafael: Você não vai parar até eu te levar, não vai?

Victória me olhou com olhos de choro, como se soubesse que iria conseguir alguma coisa com isso.

Rafael: Ok!- Respirei fundo. - Me espera lá em baixo, já vou! - falo me levantando e calçando meus chinelos - Que saco em. - Falo e vejo Victória solta um sorrisinho, como se comemorasse a vitória.

Me levantei, tomei meu banho lento. Eu estava cansado por ter que transportar cargas durante a noite passada. Victória não sabe que eu passei a noite fora e nem vai saber ainda. Aquelas cargas eram roubadas, fazemos isso sempre que algum caminhão cai na pista, nós pegamos e vendemos no morro, o dinheiro que ganhamos vai pra munição. Mesmo que seja para uns fins nossos, parece que é uma baita de uma merda, mas pensa que é assim que conseguimos sobreviver. Não é tão cruel quando se vê de perto, as vezes damos algumas cargas para moradores, como comidas, produtos de limpeza, essas coisas. Tem muita gente que precisa e damos as vezes, tem vezes que vendemos e assim nós vamos vivendo.

Depois do banho eu escovei meus dentes. Caminhei até meu quarto com uma toalha enrolada na cintura. Peguei um short Tactel e esperei pela Victória no quintal de casa.

Victória: Eu estou pronta! - Ela fala saindo da cozinha, onde estava tomando café.

Rafael: Até que enfim.- Comemoro. - Nunca vi se emperequetar toda para ir ali. - zombei.

Victória: Eu vou dançar Rafa, eu preciso estar linda.

Rafael: E por falar em dançar, porque o seu Lucas não te leva? Vocês estão juntos e estão quase se casando.

Victória: Não sou casada com o Lucas, e nem moro com ele, eu moro com você, Rafael.

Rafael: Tu fica arrumando desculpas para ele não te levar.

Victória: Me poupe, Rafael, me poupe!

Fomos entre pequenas discussões até o carro.
Meu carro não era um dos melhores, não era um carro 0 mas era um carrinho confortável. Eu tinha até um certo local para levar a Victória, não queria ser pego assim na cara dura, ao ponto de ser pego. Esse foi um dos motivos pelo qual ela colocou as aulas dela para a Pavuna. Ela acha que lá estamos mais seguros da polícia e talvez ela esteja certa.

Passamos o caminho inteiro conversando sobre o Lucas. Victória jogou na minha cara mais uma vez que eu estava longe dele e que estava dando mais atenção para o Gusttavo. Eu não a culpo. Eu conheci o Lucas logo depois que eu me tornei o dono e cara, o Lucas me ajudou bastante. Já vivemos várias coisas aqui e só ele sabe as coisas que eu passei, as pessoas que eu perdi, as dores que eu senti. O Gusttavo apareceu um pouco depois. Foi um cara que precisou de ajuda e eu criei como se fosse meu filho, obviamente eu iria me apegar a ele. Uma vez o Gusttavo foi pego pela polícia e eu tive que mandar o Lucas para ir lá soltar ele. Imagina a rivalidade dos dois no caminho de volta para casa.

O fato é que, eu tento ser próximo de ambos, tento ser amigo dos dois, mas não consigo ser 100% igual com todos. É uma parada diferente, porque mesmo conhecendo o Gusttavo a menos tempo que o Lucas, eu sinto como se ele me entendesse melhor. Vai saber.

[...]

Já haviam se passado quase uma hora quando finalmente chegamos. Victória estava com um sorriso perfeitamente harmonioso no rosto. Ela cantarolava um pagode enquanto saia do carro. Algumas pessoas olhavam torto para ela mas o que deixava ela alegre era a aula. Eu não sai do carro, apenas me despedi dela através da janela e a fechei logo em seguida. Quando ela chegou na porta fez questão de acenar para se despedir de mim, e eu a desejei uma boa aula.

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12 de Abril de 2020 às 14:20 0 Denunciar Insira Seguir história
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