beatrizpmax Beatriz Pongeluppe

Alados e Humanos vivem um eterno confronto velado no Império de Karminae. Alados, aqueles que foram abençoados pelos Deuses e receberam asas para dominar os céus. Afirmam serem os protetores do grande continente, sendo assim velam pelos humanos na grande capital flutuante Dan y Dynion. Humanos, aqueles que herdaram a vasta terra do continente. Hoje vivem em províncias do grande Império de Karminae, sofrendo com impostos e tributos que são cada vez mais absurdos causando fagulhas entre os dois povos. O regicídio cometido contra o rei Tyros Cindrion deixou marcas profundas na história dos Alados e dos Humanos. Uma heroína de outrora fora condenada a morte por alta traição. Certo de que os revolucionários ainda estavam ativos o príncipe Jowel Cindrion instaura a Caçada, afim de por um ponto final nessa barbárie. Nesta nova ditadura, Krafilin é uma jovem faz-tudo que tenta apenas fazer seu trabalho sem se envolver em conflitos de guerra. *** Esta história também está sendo publicada na plataforma Wattpad.


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#revolução #341 #32816 #385
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Prólogo

O som do aço pesado das botas dos soldados contra o cascalho é alto. O silêncio de tantos olhos de civis que custavam a acreditar na marcha era sepulcral.

Uma cidade inteira agora observava atentamente a mulher que um dia fora sua heroína, sua salvadora, sua mais poderosa protetora, agora vestindo nada além do que o uniforme dos pecadores, trapos e pés descalços contra as pedras das ruas da cidade acima dos homens. Dan y Dynion, a capital do império, parou ao ver Terna Espada, ser condenada a caminhada.

Mesmo diante do desdém e do ódio ela manteve sua postura ereta, seu queixo erguido e suas asas não ousaram cair nem se quer por um instante, nem mesmo quando um dos soldados que a escoltava, este que um dia foi salvo por sua espada em um campo de batalha, saiu do ritmo da marcha apenas para cuspir palavras como facas que atravessariam seu peito:


— Preferia ter morrido a ter sido salvo por você.Seu olhar tinha o fogo do ódio dos cavaleiros. – Maldita herege.


Ao se aproximar ainda mais da praça de execução os cidadãos começaram a quebrar o silêncio com seu ódio e ingratidão. Traidora! Ela se mantinha fria. Herege! Olhou discretamente para o alto dos telhados e viu seus pombinhos, crianças do porto, abandonados, aprumados com suas asas baixas e manchadas, ela via seus olhos cheios de lágrimas.


REGICIDA! DESGRAÇADA! TRAIDORA! MALDITA!


Bradavam em sons rasgados pela raiva, pela vontade de ver a assassina do rei ter suas asas arrancadas. Praguejavam contra a mulher que traiu todos. Clamavam pelo eterno pesadelo, que ele a possuísse pela eternidade em queda. Mas uma voz se omitia na multidão, alguém que não ousou ver a caminhada de sua filha amada, este silêncio em forma de dor vinha de um homem que preferiu queimar os próprios olhos com ferro quente ao ver um mundo onde sua menina era uma pecadora, assassina, traidora, herege, maldita.

A marcha finalmente parou ao chegar no centro da praça de execução, os soldados a frente abrem caminho para a condenada andar até a beirada da cidade. Ela respira fundo e caminha, seu coração descompassado, ela para diante da beirada e olha para baixo, havia apenas nuvens que cobriam a terra-abaixo, nuvens que já foram seu refúgio e agora são seu túmulo.

Um forte golpe do carrasco em suas pernas a faz cair de joelhos, um terror absoluto toma, enfim, o rosto pálido, um terror de saber que a liberdade e os céus serão retirados dela. Uma liberdade que apenas um alado conhece… Fechou seus olhos e sentiu cada pena, cada articulação, aquelas que lhe deram o título de coruja, as mais silenciosas de todo o império...


Um dos guardas agarra sua asa direita e a puxa.


Um grito de dor ecoa silenciando todos da praça. Todos que bradavam com ferocidade se calaram diante da extrema dor que se fez audível em cada beco da capital.


Então, a asa esquerda.


Mães tapam com rapidez os olhos dos filhos, homens gordos da burguesia com suas asas pomposas as recolhem em um instinto de medo. Há lágrimas e sangue sob o cascalho do chão…

Caída ela chora ao ver o creme de suas penas se misturarem ao seu sangue, a dor, a dor não pode ser comparada com a de nenhum humano sem a dádiva dos alados. Mas existia uma dor ainda maior… Ela olhou do chão e podia ver, ainda enxergava a torre mais alta do palácio.



— Não desejo que se torne soldado. – O jovem príncipe de asas brancas, na época com seus breves 10 anos, dizia com o rosto emburrado, enquanto jogava pedras na fonte do palácio.

— Mas eu quero seguir os passos do meu pai! Quero ser forte! - Dizia animada a garotinha de asas de coruja, ela praticava esgrima com um graveto quando finalmente parou e olhou nos olhos tristes do menino. - Quero te proteger.

— Você não precisa sair do meu lado para me proteger. E se morrer na guerra?

— Nenhum homem-urso seria páreo para mim!

— Eu não quero te perder, Terna! É uma ordem!

— Não entendi bem sua ordem. - Disse tampando os ouvidos.

— Terna! - ele pegou nas mãos da menina a forçando ouvir, segurou-as fortemente a fazendo corar. - Não saia do meu lado, nunca.

— Nunca sairei, meu senhor.



O arauto surgiu no palanque, enquanto ela ainda estava no solo. Finalmente ele se pronunciou:


— Diante de vós, eu, Regis deVoulo, juiz superior de Dan y Dynion, venho representar a vossa majestade Príncipe Jowel Cindrion, na sentença da ex-capitã da guarda imperial, Terna Espada. Acusada de alta traição contra a coroa e os Deuses. Acusada de conspiração com os inimigos do rei. Acusada de assassinato ao nosso rei, sua majestade, ao qual realizou juramento solene de dar sua própria vida. Rei Tyros Cindrion.


Alguns gritos da multidão, mais insultos e ódio.


— Terna Espada, você foi condenada a realizar A Caminhada, no que consiste te apresentar como pecadora e criminosa que é. Ao fim de sua caminhada o seu privilégio como uma alada, dado pelos Deuses, foi revogado ao retirarmos suas asas. Com o poder em mim investido, eu também a condeno A Queda, onde, pela benevolência e misericórdia de vossa majestade, lhe permite garantir a honra de sua família ao caminhar de livre e espontânea vontade até a beirada da cidade acima dos homens e se jogar. Se não o fizer de vontade própria, os soldados têm permissão de assim forçá-la, e sua família pagará por seus pecados.


Munida do resto de seu orgulho de soldado, ela ignorou a dor dos dois rasgos em suas costas, era como se houvessem colocado sal em suas feridas. Se ergueu e se voltou para beirada, sentiu o cheiro do vento misturado ao seu sangue e lágrimas, ergueu os braços e saudou os céus com a breve oração em um sussurro.


— Céus, tu que foste meu irmão e amigo, meu abrigo e meu leito, hoje lhe tomarei como descanso eterno, aceite-me como um último favor para sua fiel.


Com um último olhar ela se volta para o povo que sempre protegeu:


— Fiz o que fiz por amor, apenas os Deuses podem me julgar.


O céu.


O céu um dia fora seu.



Ele está se afastando cada vez mais.

14 de Abril de 2020 às 21:45 0 Denunciar Insira 2
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