dimizito Dimitri Acibim

Em um mundo secretamente dividido e governado por poucos poderosos que possuem o anonimato como arma mais poderosa, Will terá que decidir como viverá o que lhe resta de vida sem que isso mate seu irmão Miguel de preocupação, juntos, se preparam para as aventuras em mais um ano letivo na Segunda Central. Página: facebook.com/AdAlivro


Ação Para maiores de 18 apenas.

#original #folclore #alma #ADA #AlmaDeAço #poderes #política #luta #brasil #fantasia
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A cidade que parece a rosa dos ventos

26 de janeiro de 2015, segunda-feira, Verão.


É o primeiro dia do ano letivo para aqueles que estudam nas 5 cidades centrais do Brasil, responsáveis pela formação acadêmica de pessoas que possuem alma, naquela nomeada de Segunda Central, localizada ao noroeste do Distrito Federal, um jovem está deitado na calçada em frente à sua casa, onde a luz do sol que começa a nascer reflete no metal cinza que ornamenta toda a sua vestimenta predominantemente preta, da jaqueta até a calça. Este rapaz se chama Gabriel William Estildeuing Fitofrio, possui dezessete anos, é negro de pele clara bem no padrão brasileiro de existir, seus olhos, assim como cabelos, são pretos reluzentes com imenso brilho e ele, preocupado, pega o celular de dentro do bolso direito da calça e pensa sozinho ao olhar as horas:

— Seis e quarenta e oito... Cadê esse doido? Se atrasar é ruim, ainda mais no primeiro dia de aula.

Uma suave brisa matinal passou pela rua e ele, que prefere ser chamado apenas de Will, fechou os olhos enquanto guarda o celular e continuar a pensar, agora serenamente:

— Aiai… Mas olha a minha situação e eu tô aqui sentindo o vento, reclamando dos atrasos do Miguel e se preocupando com as aulas… Ah! Tudo tão calmo pra mim e acho que pra todos. — Tossiu. — Será que conseguirei me formar nesse N5, pelo meu bem e pelo bem de geral?

Ele coloca a mão na frente da boca para abafar a tosse, que agora veio com maior intensidade e pensou em tom de deboche auto depreciativo:

— Ninguém merece perder mais amigos por aqui, ainda mais por doença… Ah quem eu quero enganar? De novembro eu não passo não.

Durante a avaliação acadêmica de conclusão de ano em 2013, ele e mais três estudantes da C2ntral se acidentaram gravemente durante tal exercício, sendo Will o mais machucado neste evento, toda esta situação foi acobertada para evitar um escândalo, o Instrutor responsável pela prova não concordou com isto e se demitiu.

Will sorriu de olhos fechados lembrando da péssima situação em que se encontra, ao abri-los alguns minutos depois percebe dois Metararos, espíriti alado semelhante a uma arara, com pouco mais que setenta e cinco centímetros de altura e que possui penas de metal bastante usadas na criação de armas, pousados no fio do poste logo acima de sua cabeça e diz:

— Que lindos, vou tirar foto.

Ele pegou o celular mais uma vez, se preparou para fotografar de um lindo ângulo e pensou:

— O jeito que passei a enxergar beleza nesses momentos devido minha morte mais do que confirmada é diferente… E que porcaria ruim. Foca direito! — Reclamou com o celular desfocado.

Ele teria tirado uma linda foto dos espíritis, cuja espécie é símbolo da família Estildeuing, se um barulho de portão batendo não tivesse assustado as aves, que saem voando.

— Obrigado Miguel. — Disse frustrado ao perder a foto.

— Ham!?

Miguel acabou de bater o portão e segue batendo pois não consegue fechá-lo. Ele está com uma roupa parecida com a de Will, só que em tons de azul e com um grande casaco branco digno para se usar no inverno do polo sul. Seus olhos e demais traços são iguais aos do fotógrafo frustrado pois eles são irmãos gêmeos idênticos, entretanto, o cabelo do agressor de portão é visivelmente tingido de azul e ele, ao sair, perguntou:

— Uai, tá deitado por quê?

— Você demorou tanto que fui tirar um cochilo — Disse em tom sarcástico.

Miguel olha para o irmão sem o responder, onde segue apanhando para o portão e fala levemente enraivecido:

— Porcaria que não fecha! Pegou minha mochila?! — Perguntou.

Aquele que veste preto aponta para as mochilas que estão apoiadas no muro, uma é branca com desenhos de flocos de neve e a outra é cinza com detalhes em prata, após isso ele se sentou no meio fio e ri enquanto Miguel segue a dizer:

— DESGRAÇA — Bate — PORQUÊ VOCÊ — Bate e bate — NÃO FECHA?

Will se levantou, caminhando até o irmão e o afasta, tocou no portão enquanto sua alma metálica flui pela sua mão direita e delicadamente gira a chave na fechadura, a retira e a entrega para Miguel enquanto diz:

— Difícil? Não achei. Vamos?

— Chato você heim… — Disse isso olhando pro portão, Will pega as duas mochilas e coloca uma em cada ombro. Enquanto isso, uma densa fumaça laranja sai da boca de lobo perto dali, eles a olham e seguem a vida a caminhar em silêncio até o local das aulas, silêncio quebrado quando Miguel perguntou:

— Você usou alma ali né?

— Pra que mano? Qualquer forma de vida consegue muito que bem fechar aquilo sem poderzinho. — Debochou.

— Pra que falar assim?

— Você me atrasou e irei te chatear por todo o caminho.

— Você consegue ser bem babaca quando quer. — Afirmou.

— É do meu dna ser assim, opa, nosso dna. — Brincou.

— Não sei como termos a mesma mistura genética explica traços de personalidade.

— Bom, verdade. Só sei que meus cromossomos sabem fechar as coisas. — Brincou.

— HAHA uma piada biológica! — Ironizou visivelmente chateado.

— Cara, imagina a vergonha... O incrível gerente de segurança da Segunda C2ntral não sabe girar uma chave. Que horror!

— Pode parar, tá?

— Isso é uma desonra! Desonra pra tu, desonra pra tua família/

— Diga mais algo que eu congelo seu rabo! — Ameaçou com certeza e falta de paciência ao interromper o irmão.

— Okei parei, mas quero ver você tentar esse feito. — Duvidou.

Will durante todo este percurso caminhou alguns passos na frente e Miguel diz incrédulo sobre o que ouviu:

— Que?

— Tu num fecha um portão e acha que me derrota? Quero ver tentar, cubin de gelo.

Miguel ri após ser chamado assim, alongou os braços esticando-os para cima enquanto uma névoa surge ao seu redor devido a ativação da sua alma fria e diz:

— Olhaqui minha tentativa então!

Em uma fração de segundo Miguel soca o próprio irmão, que desvia mesmo sem olhar graças à sua boa audição. Will se virou, se afastando um pouco e diz:

— Você tá muito atacado ultimamente, esfria a cabeça mano.

— PARA DE ZOEIRA!

Miguel rapidamente avança contra seu adversário na tentativa de acertá-lo algum soco, mas ele desviou de todos com precisão. O combate segue por alguns segundos e um soco de Miguel acerta a alça da mochila preta, que começa a congelar. Will percebeu a mochila congelada, a solta na rua e se afastou alguns metros. Enquanto isso seu irmão manipula a névoa fria ao seu redor junto com um pequeno pedaço de metal que ele tirou do bolso do casaco para criar um enorme machado branco. Ele ao ver tal cena diz:

— Ou! Vem na mão!

— Não quero! — Disse começando uma sequência de golpes com a arma que moldou, Will desvia com dificuldade e sabe que um corte pode ser fatal.

Miguel com maestria desfere um movimento de cima para baixo com bastante força, chegando a afastar o ar ao redor de sua arma, sua habilidade com armas brancas é reconhecida nacionalmente, Will desvia recuando e o machado acertou o asfalto, ficando preso nele. Miguel tenta em vão puxar sua ferramenta, após isso ele dobra o cabo do machado para se apoiar, gira seu corpo e acerta um chute violento em seu irmão, que é atingido com força um tanto que desnecessária e acabou se chocando contra o poste ao lado. Após analisar o que fez, Miguel pensou:

— Ih doeu…

Will já está ofegante por lutar sem se aquecer, ele está encostado no poste pois ficou atordoado com o impacto e com a dor nas costas. Seu irmão recupera o machado e avança com a lâmina do mesmo na horizontal, ele para em sua frente, ataca rapidamente e no último segundo Will conseguiu se abaixar, como resultado, Miguel cortou o poste ao meio fazendo seu irmão dizer:

— Êh desastrado...

— Ah, acontece né? — Rindo.

Este confronto parece ser altamente perigoso, porém é uma das poucas coisas que Will ainda pode fazer, mesmo contra recomendações médicas. Segue o combate na tentativa de alguém ser derrotado, Will se cansou de tantas esquivas e mais uma vez recuou alguns metros.

— Ótimo. — Disse Miguel ao fincar seu machado no chão e demonstrando grande alegria.

— Que?

— Glaciação! — Disse após se abaixar, colocando as duas mãos no asfalto.

— DROGA! — Preocupou.

E então uma técnica especial daqueles que manipulam o frio é realizada, uma névoa fria e densa fica ao redor de Miguel, todo o calor da região começou a fluir para ele, como consequência, toda a rua congelou, seu irmão tentou se mover, mas ficou grudado no chão devido a técnica realizada, a camada de gelo que surgiu em tudo ao redor avança até ficar na altura da cintura de Will, que diz:

— Ah droga!

Miguel começa a caminhar lentamente enquanto arrasta o machado pelo chão, a névoa ajuda a escondê-lo, gerando uma cena bastante digna de um filme assustador.

— Ôh droga… — Disse Will sentindo que seu fim se aproxima vagarosamente.

— Acabou… — Falou após parar na frente do irmão, preparando-se para desferir o golpe final.

— Não!

Miguel ataca com a lâmina na altura do pescoço de Will, mas não o fere pois o mesmo usou o braço direito, coberto por uma densa camada de chumbo, para evitar o golpe, saindo faíscas devido o atrito.

— Parei seu machado — Disse Will rindo.

— Mas e o outro? — Debochou.

— Hm? — Falou sem entender

Em 3 segundos Miguel pegou outro pedaço de metal de dentro do bolso do casaco, criou mais um machado, menor que o anterior e atacou seu adversário imobilizado na parte do corpo em que está congelado. A arma corta o gelo e a calça de Will bem acima do joelho, não saíram faíscas desta vez. Miguel ri, seu irmão não esboça reação e olha para a própria perna, ele fica confuso e olha logo em seguida, a lâmina começa a ficar vermelha, os dois se olham assustados e o doido do machado o puxa desajeitadamente, o gelo passa a ficar vermelho e logo se desfaz.

Metararos voam assustados após escutarem um grito de dor ecoando pela cidade. Na Avenida dos Ipês Amarelos, que liga a parte norte até a parte sul da cidade pelo lado leste, Will com sua mochila preta e descongelada caminha mancando e com dificuldade enquanto ao fundo aparece seu irmão com o rosto machucado após levar um soco, casaco sujo de terra e segurando a sua mochila branca na mão.

— WIIIIILL! Me desculpa! Me espera! — Gritou devido a distância:

Will se vira após ser chamado enquanto se esforçou com toda a sua energia para não chorar. Seu irmão percebeu a situação e pensa:

— Aaaa tadinho!

O irmão machucado segue caminhando, Miguel corre e em alguns segundos estão lado a lado e evitam contato visual

— Foi mal, achei que você fosse se blindar… — Disse Miguel de forma sincera, mas sendo ignorado pelo irmão. — Ah para, não foi tão grave assim...

Will para, moldou uma faca, cortou o tecido de sua calça e mostrou o rasgo que está em sua perna, o ferimento está roxo, mas sem sangrar.

— Ali é seu osso? ME DESCULPA POR FAVOR! — Implora Miguel começando a chorar de desespero e dó onde é ignorado de novo. — Desculpa Will, sei que errei e exagerei.

Will anda mais devagar, sua calça se recupera do corte feito por ser feita de metafibra, tecido que possui a capacidade de regeneração enquanto quem a veste tiver alma e Miguel percebeu que começou a usar as palavras certas para resolver esta situação, ele continua a dizer fazendo bastante drama:

— Você me ignorar dói mais que esse seu corte ai...

Will para de andar e a mesma fumaça laranja de antes é espalhada pelo vento passando por eles.

— Eu faço suas tarefas de casa por um mês! — Barganhou Miguel.

O irmão machucado escutou a oferta e olha para o irmão culpado por toda essa zona, que continua a dizer:

— Eu lavo sua roupa, limpo a casa e faço o que você quiser! Só me perdoa por favor! — Implorou.

— Tudo o que eu quiser? — Disse rindo de forma maliciosa. — Hm tá bom, perdoado e mantenha sua palavra.

— Irei mantê-la sim, embora eu já sei que irei me ferrar.

— Vai. Agora me abraça. — Disse isso enquanto abria os braços e ria.

— Ham? — Estranhou. — Tá bom…

Will abraça Miguel de forma carinhosa e diz enquanto ambos emitem energia levemente por entrarem em contato.

— Idiota.

— Arrombado. MAS E SUA PERNA? Vamos pro hospital! — Disse desesperado.

— Não precisa, eu me curei roubando sua energia agorinha mesmo durante o abraço. Vamos indo.

Por terem almas extremamente parecidas, eles podem efetuar trocas de energia mesmo quando um dos envolvidos não concordou. Will pegou as duas mochilas, uma em cada mão e seguiram andando. Enquanto isso Miguel fala após checar as horas no celular.

— Vamos indo… Mas só temos um minuto pra chegar na C2ntral. — Referindo-se ao local que terão aulas.

— QUE?! — Assustou.

Will colocou as duas mochilas nas costas, segurou no braço de Miguel e o puxou correndo em modo smoke, um termo usado quando alguém que possui alma a libera enquanto corre para se mover com maior velocidade, liberando energia em forma de fumaça e geralmente indo acima dos 70 quilómetros por hora.

— Você não pode correr assim!!!! — Disse Miguel preocupado com o irmão.

46 segundos depois eles chegam no centro da Segunda Central, onde no meio de uma enorme praça encontra-se a o Edifício C2ntral, um dos 5 edifícios de 440 metros que ficam situados no meio exato das cidades centrais do Brasil, este em específico é pintado em tons de azul e praticamente todas as funções administrativas ocorrem dentro dele. Uma multidão de jovens lota todo o gramado de forma ordeira, todos riem por estarem felizes com o retorno das aulas. Miguel está parado ao lado de um poste e Will se sentou no meio fio devido ao visível cansaço.

— Nem abriram as portas ainda… — Disse Miguel.

— O impor… tante é que é que cheg... chegamos — Falou enquanto respirava fortemente e com dificuldade após correr em modo smoke.

— Falei pra não correr fumaçando… Idiota. — Dando bronca.

— Tínhamos que… chegar cedo pra… ajudar os novatos! — Segue cansado.

— Como se tivesse muitos novatos, aiai — Debochou.

— Gerente tem que ser prestativo. — Lembrou.

— Uai, como a Tétis diz, eu não sou obrigado a nada. — Disse Miguel se empoderando ao citar as palavras de uma amiga de ambos.

— Você só não quer aju/ — Começa a tossir fortemente e Miguel observa apreensivo.

Will coloca as mãos na boca e sente que sangue saiu ao tossir, disfarçadamente ele coloca a mão no corte da calça.

— O que foi? — Perguntou Miguel.

— Essa fumaça… Ai. — Limpando a mão na parte da calça que já estava suja.

— Eu vi. — Disse Miguel notando o que Will fez em vão.

— Que bom que viu. — Ironizou.

— Já falei pra não correr… Você tem que se cui/

— Eu sei, Miguel. Eu sei! — Interrompeu. — Abriram as portas… Vamos.

Enquanto andam Will colocou a mão no bolso e se preparou para conferir um número que o assusta sempre, sua saúde se agrava a cada dia, então seu celular monitora sua condição física a cada segundo e gera uma estimativa de tempo restante para ele, ao desbloquear a tela e conferir o app que diz quanto tempo ele pode viver, ele vê que a contagem perdeu 27 dias, indicando que do último dia do mês de outubro ele não passa. Ele respirou fundo sem esboçar reação alguma e segue junto com a multidão que entra na C2ntral, seu irmão vai passos atrás dele e pensa:

— Ele segue bom em luta, mas tá tão desgastado mentalmente e fisicamente, se eu falar algo ele ficará com raiva...

Os dois chegaram no meio do imenso gramado e os olhares de algumas pessoas mudam em relação a eles.

— Hmmm que sentimento bom vindo de uns aqui. — Ironizou Miguel.

— Espera, vai piorar. — Afirmou Will.

Ambos pararam nas escadarias que levam ao prédio devido ao imenso fluxo de pessoas.

— Apenas sorria e asce/ — O celular de Will tocou, já que recebeu uma mensagem. Rapidamente Miguel pergunta:

— Problemas?

— Não, mas quase foram. O Count disse que o estoque da feira não dura até a hora do almoço.

— Haha se lascou! — Disse zoando.

— Então, eu achei que isso poderia ocorrer e pedi para os fornecedores adiantarem as entregas da semana para hoje às nove horas. Eu sei, sou um ótimo gerente de comércio.

— Ótimo arrogante isso sim! Hm.

— Tá tá, oficialmente voltamos pra nossa rotina.

— Só quero bater meu ponto e adeus.

Eles entraram no edifício C2ntral, o movimento já é forte e a organização é visível. Todo o interior possui tons de azul e verde, com o piso ornamentado em branco, os decoradores queriam se basear nas cores da bandeira do Brasil para a ornamentação, mas uma petição online cancelou isso. O prédio possui uma entrada em direção de cada ponto cardeal, no meio existem 12 elevadores dispostos em um quadrado com um forte sistema de segurança ao seu redor, de forma espalhada existem pontos de informações para assuntos específicos. Will e Miguel caminharam para o ponto de informação cujo acima dele está escrito o nome "Gerências". Tal ponto possui uma parede interativa separada em 7 partes de cores diferentes. Will se aproxima da parte azul e Miguel da vermelha.

— Graças ao meu treino sensorial de férias, sinto que quem passa perto da gente sente medo, raiva ou ódio. — Comentou Miguel para Will.

— Mas isso tá bem visível, mano, só olhar nas caras deles.

Miguel encarou todos os que olham feio para ele, os dois passaram por um escaneamento físico e em seguida colocaram seus celulares em um compartimento específico.

— Atualização. Atualização. Atualizado. Informações de nível E:4 inseridas. Tenham um bom dia, gerente de Comércio e gerente de Segurança. — Informou uma voz robótica.

— Obrigado Sistema I, bom dia. — Miguel disse isso fazendo carinho na parede.

Will pegou uma pasta que lhe foi entregue pela parede enquanto julga Miguel com o olhar. Os dois seguem para os elevadores.

— É 2015… Temos a melhor tecnologia do continente e ainda usamos papel… Sustentabilidade pra que? — Reclamou Will.

— Para de ser chato. — Ordenou Miguel.

Os dois entraram no elevador acompanhados por algumas pessoas, nenhuma conversa ocorre durante o trajeto. Todos saem juntos e os demais rapidamente seguiram suas vidas.

— Ninguém xingou a gente. — Comentou Will para seu irmão.

— São N1s e N2s… Não possuem tanta coragem ou estupidez… Depende como você quer chamar.

Na Central existem 5 turmas, nomeadas de N1 até o N5.

— Nossa carga de ofensas aumentou. — Informou Will.

— Como se já não fosse enorme…. Pra onde vamos?

— Sala 86 neste andar aqui… Recepção dos novatos.

— Pelas barbas de Odin, nããão! — Reclamou.

Os irmãos caminharam pelo corredor e chegaram na sala do seu destino final. Ao pararem bem em frente da porta, Miguel a abriu e ao entrar, tropeçou nele mesmo ao andar chateado e sem ver onde pisa, ele caiu com a cara no chão com bastante força, seu irmão o observou com imensa decepção e tal cena assustou o único novato que se encontra na sala, que está sentado na cadeira mais próxima da janela. O garoto manipulava as plantas e a vida, era branco e aparentava ser calmo, tinha o cabelo marrom levemente rosa, seus olhos eram verdes, ele vestia um short marrom comum com uma camisa social verde e estava de all stars pretos, ele estava bastante atento ao que ocorreu e sentiu pena do ocorrido com Miguel, que se levantou sozinho pois Will se recusou a ajudá-lo e disse:

— Eer bom bom dia.

— Bom dia! — Respondeu o garoto.

Miguel aponta para si mesmo, depois para Will, dizendo:

— Gerente Miguel e Gerente William. Prazer.

Will sorriu e acenou para o novato enquanto colocou uma braçadeira azul no braço esquerdo, que fica em silêncio por um bom tempo até que Will diz:

— Seu nome… Diga seu nome. — Rindo.

— Ah! Desculpa! — Disse o garoto. — Me chamo Pedro, oi! — Se apresentou com bastante nervosismo.

Miguel riu discretamente e se aproximou de Pedro, o encarando como se olhasse pro fundo da alma dele e perguntou intrigado:

— Eu te conheço de algum lugar?

— N-não! — Respondeu Pedro apreensivo. — Nunca estive aqui!

Will se aproximou para afastar Miguel de perto do novato, nisso ele entregou uma braçadeira vermelha para o irmão e diz:

— Ignora esse chato, Pedro. É sua ficha? — Apontou para a pasta que Pedro segura acima da mesa. Miguel colocou a braçadeira no braço esquerdo também.

— É sim. — Respondeu concordando com a cabeça.

Will pegou a pasta da mesa e a juntou com a que ele recebeu mais cedo da parede dos gerentes, ele ativou sua alma, liberando energia e as pastas se unem em uma só. Enquanto isso Miguel já caminhou até a porta e acenando para o garoto diz:

— Vem, segue a gente!

Pedro pegou sua mochila lateral e igualmente marrom como seu short e acompanhou os dois gerentes rumo ao elevador, enquanto estão no corredor, Miguel diz para Pedro:

— Diga oi para a cidade que parece a rosa dos ventos, que você consiga sobreviver nesta aglomeração de tragédia, inveja e promiscuidade. Que Odin ou seja lá qual for a divindade em que tu acredita abençoe sua trajetória e tenha pena da sua vida.

Pedro ficou assustado com o que ouviu e Will lhe diz:

— Ele está brincando, ignore essa porcaria de ser humano.

— Se eu sou um porcaria, você também é, clone. — Respondeu Miguel.

— Haha — Pedro riu de nervosismo puro e genuíno.

Pararam na frente do elevador aguardando sua chegada e mentalmente Pedro analisou a situação:

— Eu acho que eles são irmãos gêmeos, mas minha única certeza é que eles são doidos.

O elevador chegou, entraram, Miguel apertou no painel para irem pro térreo e Will diz:

— Vou checar suas informações. — Abrindo a pasta.

— Ok. — Responde Pedro.

— Iremos te mostrar o básico para que você não se perca no prédio, ah! Tem que pegar sua vida na secretaria acadêmica o quanto antes! — Disse Miguel.

— Minha vida? — Perguntou Pedro sem entender a referência.

— Sua vida é seu celular, tudo o que você precisa estará nele, absolutamente tudo. — Responde Miguel. — Outra coisa! Não espere boa recepção lá no N1.

— N1? — Perguntou Pedro com estranhamento.

Will após verificar algumas informações enquanto o diálogo ocorre está visivelmente surpreso e em silêncio. Miguel segue a falar:

— Sistema de Ns, você sabe o que é né? Toda a hierarquia das turmas, de anos letivos, bimestres e blá blá blá.

Will afastou a pasta do rosto e gritou chamando a atenção dos outros dois:

— COMASSIM N5? — Assustado ao ler.

— Mano que que foi? — Perguntou Miguel.

— Ele ele el e rl — Will está atordoado para explicar e gagueja.

— O que tem na pasta? Deixa eu ver! — Miguel diz isso tomando a pasta das mãos de Will.

Pedro confuso com tudo e questionando aonde veio parar seguiu em silêncio e Miguel também grita:

— N5? NÃO! TÁ ERRADO ISSO AQUI OU! NÃO TEM CABIMENTO UM NEGÓCIO DESSES!

— Me devolve isso aqui. — Will retoma a pasta e lê freneticamente todas as páginas que estão ali.

— Isso deve ser erro, ele é novo pro N1, imagina pro N5. — Disse Miguel — Você tem o que? 15 anos? — Perguntou Miguel para Pedro.

— Tenho 14. — Respondeu.

Miguel está bastante surpreso com isso e diz olhando para o irmão:

— Ele é novo pro N1 sim!

Pedro ficou mais confuso. Will começou a sorrir fechando a pasta e falando:

— Agora eu entendi, aiai — Disse aliviado.

— Entendeu o que? Fala caralho! — Perguntou Miguel.

— Devia ter dito seu sobrenome desde o começo, ô moço Riobell. — Disse Will olhando para Pedro.

— Deveria? Desculpe. Sério mesmo! — Respondeu Pedro se sentindo culpado.

— Riobell? Hmmm Riobell é familiar… Riobell Riobell. AH SIM RIOBELL! LEMBREI DO RIOBELL! — Diz Miguel falando devagar e gritando ao fim.

— Acho que conhecem minha família… — Pedro diz isso sem esboçar alegria alguma.

— E como conhecemos. — Falou Will tendo péssimas lembranças.

— Desculpa eu ter desejado a morte do seu pai algumas… Muitas vezes… — Miguel diz isso envergonhado.

—Tudo bem. — Disse Pedro.

— Ele é um bom pai igual como ele é um bom instrutor? — Questionou Will para Pedro.

— Nem queira saber, mas agora tá melhorando… — Respondeu.

— Você é cria do capeta das folhas, mas ainda é muito novo pro N5. — Afirmou Miguel se referindo a forma como os alunos chamavam o pai de Pedro.

— Bom, o sistema N se baseia em habilidade para organizar os alunos nas turmas, não idade, se preocuparam com este fator, mas vocês não são tão mais velho que eu né. — Disse Pedro para Miguel.

— Fala igualzinho o Pai — Disse Will rindo.

— NÃO! Não era minha intenção ofender. — Pedro diz isso preocupado.

O elevador chegou ao seu destino, os três saem e Miguel diz:

— Não ofendeu, mas ainda é novo. Agora vamos conhecer a cidade, companheiro de turma.

Os três caminhavam rapidamente rumo a saída norte e Pedro perguntou:

— Companheiro de turma?

— Estamos no N5 assim como você — Respondeu Will.

— Ah que legal — Pedro diz isso sorrindo.

— Legal kkkkkkkkjjk — Debochou Miguel.

— Ignora o idiota de cabelo azul — Disse Will.

— Tá bom. — Pedro concorda.

Caminharam e já estão além das escadarias do edifício C2ntral, Pedro diz:

— Achei que iriam me mostrar o prédio…

— Primeiros iremos na secretaria acadêmica — Disse Will.

— Mas ela não fica aqui? — Questionou Pedro.

— Fica sim, mas foi movida praquele prédio ali por motivos de congelamento após um gerente surtar dentro dela… — Will diz isso olhando friamente para Miguel e aponta para o prédio do outro lado da rua, seu irmão ri olhando para o céu.

— Vocês possuem alma fria? — Perguntou Pedro.

— Sim sim e alma metálica também. — Respondeu Will.

— Ah, híbridos, isso é muito legal. — Disse Pedro esbanjando alegria.

— Você é um planta puro, Pedro? — Perguntou Miguel.

— Não, também tenho alma da vida... — Respondeu.

Os três já saíram da praça central, pessoas correm para o prédio C2ntral e Will segue a conversa:

— É uma combinação boa, bastante útil.

— É sim, apesar dos pesares. — Disse Pedro.

— Só atravessar a rua e chegamos. Daqui vamos onde, Mano? — Disse Miguel.

— Hm, acho melhor irmos no andar de registros. — Respondeu Will.

Enquanto atravessam a rua, Pedro tosse e pergunta:

— Essa fumaça laranja é normal?

— Sabe que eu também não sei? — Miguel disse isso preocupado.

— Tá assim desde cedo, acho que deu problema nos trilhos lá embaixo. — Sugeriu Will se referindo aos trens que transportam mercadorias e espíritis pelo subterrâneo.

— Ah tá — Falou Pedro.

Os três chegaram na frente da secretaria, Will parou no asfalto antes de subir a calçada, impedindo que Miguel e Pedro subissem também e diz com seriedade:

— Esperem.

— O que foi? — Miguel perguntou.

— O campo magnético tremeu aqui… — Will se abaixou, aproximando a cabeça do chão e segue dizendo — Tem coisa errada.

— Quando que não tem? — Ironizou Miguel.

— Tá tudo bem? — Questionou Pedro.

— Eu acho que tá si/ — Will se assustou, rapidamente olha para seu irmão, que entende a situação apenas com o contato visual ocorrido entre eles, Miguel fica na frente de Pedro para receber um empurrão magnético feito por Will para afastá-los de lá. Enquanto Will tenta se mover, o chão abaixo dele foi violentamente explodido, arremessando pedras a uma grande altura seguido de uma imensa liberação de fumaça laranja e poeira.

Miguel caiu por cima de Pedro para o proteger da explosão, bloqueando com o próprio corpo as pedras que foram arremessadas, ambos estão empoeirados e Miguel pergunta a Pedro:

— Tudo bem carinha?

— Si-sim… E seu irmão!? E você?? — Respondeu atordoado.

A poeira acima do buraco recém aberto é rapidamente dispersada pelo vento, no fundo é possível ver Will empurrando algumas pedras de cima dele mesmo, ele se levantou, alongou os braços bem calmamente, deu dois tapinhas na calça para tirar a terra vermelha que a sujou, pegou as mochilas e saltou pra fora do buraco no melhor estilo ninja de ser.

— Tô de boa e meu irmão tá bem, ele sempre tá. — Disse Miguel.

— Mas que porra foi isso? — Questionou Will enquanto caminha para perto dos dois.

Eles conversaram, várias pessoas seguem a correr em direção ao edifício C2ntral e ao fundo é possível escutar as inúmeras explosões ocorrendo como em um cenário de guerra. Miguel sinalizou para Will que isso ocorria em toda a central ao fazer um círculo no ar com o dedo e seu irmão concordou com a cabeça. Pedro não entendeu a comunicação entre os dois e Will diz:

— Pedro, vá pra C2ntral e aguarde por ordens, certo?

— Certo! — Disse Pedro e também concordou acenando com a cabeça.

Os irmãos se despediram com um aperto de mão e em seguida saíram correndo em uma velocidade assustadora, Will, que largou as mochilas ao lado de um poste, foi para o Leste e Miguel para o oeste.

— Os dois são incríveis. — Pensou Pedro ao ver os dois partindo, ele se abaixou para pegar a própria mochila e notou a quantidade de fumaça no ar. — Fumaça estranha…

Após isso Pedro correu de volta para o edifício C2ntral junto de várias pessoas, chegando lá ele ficou surpreso com a quantia de alunos reunidos ali e pensa:

— Estão todos tão calmos, uau — Olhando para a entrada do prédio e percebeu que ela está fechada — Fechou? Tá, tenho que seguir ordens, só isso.

Ele seguiu para a concentração de pessoas na escadaria antes da entrada quando uma enorme explosão aconteceu no meio do gramado da praça central, atingindo inúmeras pessoas, o novato sem pensar correu para prestar socorro, ao chegar, ele ajudou um rapaz que segue caído dentro do buraco recém aberto. O rapaz manipulava o fogo e as plantas, tinha 17 anos, marrom quase branco levemente bronzeado, alto e com corpo bastante forte, possuía o cabelo verde e penteado para trás, olhos vermelhos como brasa, vestia camisa vermelha de manga longa, short laranja floral e tênis comum preto com branco. Pedro ajudou ele a se levantar e disse:

— Tudo bem, tudo bem, levanta.

— Ai ai — Disse o rapaz reclamando de dor quando Pedro puxou o braço dele.

— Ah, ferido! — Os olhos de Pedro brilharam em rosa claro, sua alma fumaça ao seu redor e com isso pode enxergar em uma escala de raio-x, após isso ele diz:

— Você deslocou o braço e quebrou duas costelas. — Tocando tais locais do corpo do rapaz — Vai arder um pouco, desculpa — As mãos brilharam em rosa e uma fumaça verde cintila junto.

— Pronto. Agora vamos sair desse buraco. — Disse Pedro ajudando o ferido a andar.

— Ah, obrigado carinha — Agradeceu o rapaz.

Saem do buraco e sentam-se no banco mais próximo deles.

— Mas logo nesse banco? — Reclamou o acidentado.

— Era o mais próximo, tudo bem contigo? — Respondeu Pedro.

— Agora sim, mas ainda estou meio tonto, obrigado de novo, carinha, te devo quanto? — Pergunta o rapaz enquanto esfregou os olhos.

— Ué, essa é minha função social, não me deve nada não. — Afirmou Pedro.

— Um vida que não cobra pelo serviço prestado? Que? — Estranhou.

— Sou diferente dos demais, me chamo Pedro Riobell, prazer. — Disse sorrindo.

— Prazer novato, me chamo Blaze Grinnsmoque. — Se apresentou.

— Como sabe que sou novato? — Questionou Pedro.

— Sua cara não me é familiar e conheço todos os plantas e fogos daqui.

— Ah haha, você é híbrido de planta e fogo então?

— Infelizmente sim haha. — Respondeu não tão feliz.

— Muitos híbridos aqui, gostei… Aaaaa isso não é hora de conversa, por quê estamos aqui enquanto a C2ntral se explode? — Questionou Pedro bastante preocupado.

— O sistema S caiu tem uns 5 minutos, por isso todos vieram para cá receber ordens. — Informou Blaze.

— Ah, então cadê as ordens? Quero ajudar!

— Haha espera um pouco carinha.

Enquanto isso no Setor 03, aquele mais ao leste da C2ntral, Will extremamente cansado está apoiado em um poste e falou pausadamente e com dificuldade.

— Eu n-não p-posso co-correr —

Ele deu um tapa no peito se preparando para correr e reduzir seu tempo de vida de novo quando o asfalto perto dele foi explodido como havia ocorrido anteriormente, onde ele foi jogado para trás com o impacto, mas seguiu em pé fazendo pose de power ranger e pensou:

— Orra! Mais uma e eu peço música!

Will respirou fundo e voltou a correr, alguns metros depois ocorreu outra explosão, maior que a anterior, exatamente abaixo dele, ele voou alguns metros acima devido a força e caiu deitado de bruços no asfalto, ele então se virou, encarou o céu e perguntou:

— Universo… Por que?

Ele seguiu deitado quando uma moça apareceu perto dele fazendo sombra no seu rosto. Ela tem 18 anos, manipulava a terra e é da família Stone, marrom de corpo e com traços latinos, olhos marrons e brilhantes, cabelo azul igual o seu nome e preso com pedras preciosas, veste camisa branca, calça jeans marrom quase que preta, ambas sujas de terra, veste botas laranja visivelmente resistentes e está com um cachecol laranja escuro amarrado na cintura. Will notou a moça olhando pra ele e perguntou surpreso e envergonhado.

— Safira?

— A única. Isso aqui é lugar pra descansar? — Ironizou.

— Eu caí aqui… Eu tava te procurando! Temos um protocolo pra seguir! A cidade tá/

— Eu sei. Eu vi e senti as explosões — Disse isso apontando pra sujeira na roupa dando a entender que também foi explodida. — Eu vim em casa pegar minha roupa para a ação.

— Mas tá tudo explodindo! — Afirmou.

— Está e eu vou me trocar, espera ai.

Dito isso, Safira foi andando para sua residência, que fica a cinco casas de distância de onde eles estão e Will disse:

— Não demore!

— Tá meu anjo, tá.

E no Edifício C2ntral, as portas se abriram e delas sairam 3 homens que emitem poder apenas por estarem ali, fazendo todos focarem a visão neles e Blaze disse caminhando até a concentração de pessoas:

— E vamos as ordens.

— Quem são? — Questionou Pedro o acompanhando.

— Da esquerda para a direita, Hiro, Shovel e Wind. 3 dos nossos 10 instrutores.

Hiro Tashiro, o instrutor de Concentração e Estratégia, que manipulava o metal, tem 28 anos, amarelo, veio do Japão semestre passado como instrutor de intercâmbio, ele tinha olhos pretos, cabelo preto metálico por causa da sua alma e apresentava um corte simples, estava de terno e sapato social, todo de preto e demonstrava extrema formalidade.

Shovel Fissur, o instrutor de Construção e Selamento que manipulava a terra, completou 40 anos no começo do mês, marrom, com olhos marrons como o barro e sérios, cabelo curto, marrom e todo bagunçado, mas não por desleixo, vestia camisa branca bem básica, calça preta e botas marrons, estava segurando uma pá grande e pesada.

Wind Winter, o instrutor de Manipulação e Transformação, que manipulava o frio, tinha 29 anos, branco, olhos laranjas quase brancos, eram claros e serenos, cabelo tingido de laranja neon estilo hipster, estava todo de moletom branco pois acabou de acordar, além de botas preta e um paninho vermelho nas costas que lembrava uma capa.

Inúmeros alunos reunidos aguardavam as ordens e Pedro comentou:

— Eles parecem poderosos…

— Parecem e são. — Respondeu Blaze, que está um pouco ofegante.

Shovel moveu as mãos para cima e o chão embaixo dos instrutores começou a se elevar, ele segurou seu celular próximo ao rosto e começou a falar:

— Atenção todos! O que ocorre agora não é treino ou ataque! — Tudo o que o instrutor falava no celular era transmitido e emitido nos demais aparelhos ao redor, todos estavam lhe escutando e ele continuou:

— Sabemos que são espíritis os responsáveis por esta péssima situação, foquem em fazer apenas aquilo que eu pedir! — Dizendo isso como um genuíno militar falando aos soldados, ele prosseguiu:

— Evitem o Edifício C2ntral! Verde e Branco devem evacuar civis da cidade e após isso saiam dela também! Marrom e Preto, evitem destruição de patrimônio e reparem os serviços básico! Amarelos, façam o de sempre e os demais ajudem no que for possível. AGORA VÃO! — Ordenou.

A grande multidão sumiu em segundos após o recebimento das ordens. Pedro perguntou para Blaze:

— Verde é planta?

— Exato! Tenho que ir. — Disse se virando.

— Vou com você! Espera!

Os dois saíram andando bem devagar em relação aos demais. Shovel e Hiro entraram no prédio e sumiram por lá. Wind caminhou calmamente rumo à Avenida dos Ipês Roxos, que liga a parte leste até a oeste da cidade pelo sul, o ar ao redor dele começou a esfriar enquanto explosões são ouvidas ao fundo, ele se aproximou de Pedro e de Blaze, que disse:

— Bronca não… Bronca não…

— Licença. — Disse o instrutor Wind.

Pedro e Blaze abriram caminho para Wind, que caminhou por eles, mas parou, olhou para Pedro e perguntou:

— Oh… Você! Como Victor vai? — Referindo-se ao ex-companheiro instrutor.

— Vai bem e muito ocupado. — Respondeu Pedro rapidamente.

— Diga a ele que mandei um oi, agora sigam as ordens. — Wind falou de forma suave.

— Sim senhor! — Exclamou Blaze puxando Pedro e os dois saíram correndo.

Wind ri, apontou um braço para a entrada do edifício C2ntral e disparou um raio de energia, todo o ar local se esfriou e uma grossa camada de gelo começou a surgir até o quarto andar ao redor de todo o prédio, deixando-o selado. Pedro e Blaze observaram Wind agindo, que continuou a manipular o frio ao erguer os dois braços para cima, a pressão atmosférica mudou e ele pensa:

— Isso vai deixar a fumaça no chão.

Então um vórtice fino começou acima de Wind e ganhou altitude até as nuvens, uma explosão de névoa ocorreu ao redor dele, todo o gramado congelou como consequência disso e em seguida começou a nevar de forma bem simples numa região do cerrado brasileiro. O responsável por esse esfriamento sumiu em meio ao cenário de inverno que surgiu. Da calçada Blaze comentou para Pedro:

— Véi que exagero!

— Ele fez nevar! Isso é dificílimo!

— Instrutores aiai… Agora vamos!

Enquanto isso, Will aguardou encostado no portão da bela casa de Safira e observou atentamente a fumaça laranja que seguiu saindo dos buracos. Safira saiu preparada para o combate, enquanto ela fechava o portão Will pensou:

— Porra, arrasou.

— Vamos? — Perguntou Safira.

— Cachecol? Numa hora dessas? — Questionou Will apontando para o cachecol preto envolto no pescoço de Safira.

— Uai sim, vai que esfri/

A neve feita por Wind começou a cair, dispersando a fumaça laranja e Will diz estranhando:

— Mas o que?

— Num falei?

São quase sete e meia, fora da área urbana, Miguel chegou em uma mata ciliar que contorna todo o lago da barragem que fornece energia ao Distrito Federal, ele notou que a fumaça saída das explosões é densa e estava fluindo para o lago, se alojando acima da superfície e disse:

— Isso não é nada bom…

Ele sentiu a mudança de temperatura no ar, olhou para cima para entender o que acontece, vê a neve feita por Wind cair, sorri e disse:

— Ah, então ele fez isso… Instrutor exibido aiai.

Ele caminhou até a margem do lago, se abaixou, levantou as mangas do casaco e colocou a mão dentro da água, em seguida ele disse enquanto fumaça branca e fria saia de sua boca:

— Glaciação.

A alma de Miguel reage com a água, causando um congelamento instantâneo de toda a superfície, barrando com gelo a entrada de fumaça laranja e gerando uma neblina úmida por uma grande área. Em seguida ele retornou para a mata rumo a C2ntral, começou a correr e diz cantando:

— Você quer brincar na neve?

Passados alguns minutos após o informe dos instrutores, a cidade já foi totalmente evacuada graças àqueles que possuem alma elétrica no nível necessário para utilizarem o teletransporte, famoso tp, uma técnica especial comum que consiste em fazer o usuário se mover na velocidade de um raio atmosférico, para maior agilidade na retirada dos civis. Pedro e Blaze estavam apagando um princípio de incêndio próximo ao parque Final Florido causado por uma explosão que derrubou um poste ali, a quantidade de fumaça proveniente do buraco recém surgido é enorme. Blaze estava manipulado chamas quando cambaleou de tontura e falou com Pedro:

— Ou carinha…

— Sim?

— Tá faltando ar aqui… — Disse enquanto respirava ofegante.

— Ei Blaze!? — Pedro o chama pelo nome pois estranhou a situação.

Blaze caiu no chão e começou a ter uma enorme dificuldade em respirar, Pedro rapidamente o socorreu e diz:

— Ei, ei, ei! O que fo/ — Pedro percebeu três pessoas que também estavam manipulando fogo próximos dali caírem também. — Mas que porr…Blaze?

Blaze começou a ter uma parada respiratória, Pedro estava com seus olhos brilhando em rosa para poder visualizar os problemas e disse:

— Ele tá com intoxicação pulmonar???! Como?? — Disse apreensivo.

Pedro começou a curar Blaze ali mesmo e notou que todos aqueles que desmaiaram estão na mesma situação. Ele começou a pensar no que poderia resultar tamanha situação estranha e enquanto seguia a curar olhou para a fumaça laranja:

— A única coisa anormal é…

Ele fechou os olhos, respirou bem fundo, inspirando o máximo de fumaça possível e analisou os efeitos nele mesmo, ao reabrir os olhos ele demonstrou extrema preocupação, nesse mesmo tempo, uma moça de alma elétrica surgiu em tp para prestar ajuda, ela é marrom, seu cabelo é preto, longo até a bunda e liso, seus olhos são amarelos e ela está toda vestida de preto, apresenta muita tranquilidade. Pedro concentrou o máximo de sua alma na garganta e gritou para todos ali:

— A FUMAÇA É TÓXICA PARA FOGO! TIREM ELES DAQUI!

A moça que recém apareceu se abaixou, tocou nos dois fazendo faíscas elétricas os envolverem, sumiram dali e apareceram na emergência do hospital ao norte do edifício C2ntral, em seguida, todos os caídos foram levados ao hospital da mesma forma que Blaze. Médicos começaram seus serviços, Pedro ficou atordoado por uns segundos com o processo de teletransporte e agradeceu a moça:

— Obrigado por ajudar.

— De nada, novato. — Respondeu a moça.

— Como que todos sabem que sou nova/ Ah! Isso não vem ao caso, temos que informar sobre a fumaça! — Falou apreensivo.

— Temos, mas relaxe. Somos treinados para combater essas situações. — Disse sorrindo.

— Eu me preocupo muito, obrigado pelas palavras, moça.

— Honey Tanderfan, meu nome.

— Pedro, Pedro Riobell…

Falaram isso ao se cumprimentarem e Pedro continuou:

— Tenho que seguir as ordens dos verdes, até!

Pedro disse isso e rapidamente correu para fora do hospital, Honey seguiu na emergência e disse:

— Filho do ex-instrutor Victor… Interessante.

Após alguns minutos desse salvamento, na Avenida dos Ipês Brancos, que liga a parte norte da cidade até a sul pelo lado esquerdo, dentro do Setor 05, Will e Safira consertavam o pavimento quando seus celulares tocaram um som que os dois já sabem o significado. Safira lê a mensagem recebida e disse para Will:

— Me deve um sorvete.

— Infelizmente sim. — Disse lendo a mesma mensagem. — NÃO! Infelizmente por causa do motivo, não por causa de perder a aposta.

— Eu sei, bom, ao trabalho! — Disse isso tranquilizando Will.

— Ok! Até.

Will acenou para Safira e saiu correndo para o sul, após uns metros de distância ela gritou:

— Will! Fique bem!

Will respondeu gritando devido a distância:

— Eu sempre fico! — Continuou a correr enquanto sorria.

Safira guardou o celular e pensou:

— Ir para o ponto de apoio 3 mesmo depois que o sistema S caiu? Estranho isso, mas ordens são ordens.

Miguel retornou para a cidade e já está próximo do edifício C2ntral, seu celular tocou, ele leu a mensagem enquanto corria e pensou:

— Ponto de apoio 7? Pra que isso meu caralho?

Em outra parte da cidade, Safira para de correr após sentir um tremor, ela se abaixou e tocou o chão. Enquanto sentia as vibrações vindas das profundezas, seu celular tocou outra vez com um som de alerta, ela pegou o celular e disse:

— Não me libera isso não! Não, libera não, ah não, não libe/ liberou. — Safira esboçou extrema insatisfação.

O mesmo alerta ocorreu no celular de Will, que se mantém sério após ler a mensagem, mas agora ele retorna para o edifício C2ntral, e no celular de Miguel, que já está na quadra para onde seu irmão deve ir e diz ao ler a mensagem:

— Carta branca pros gerentes, bacana. MUITO ÓTIMO ISSO! — Ironizou.

Miguel analisou a situação que os gerentes se encontravam e ao longe ele avistou Pedro correndo, então gritou por ele:

— CARINHA!?

Pedro percebeu o chamado, correu no rumo de Miguel, ao se aproximarem, ele perguntou:

— Oi! Viu algum fogo?

— Não, motivo?

— A fumaça das explosões é extremamente tóxica para a alma deles. Eu estava no hospital e voltei para ajudar, consegui resgatar 8 pessoas.

— Bom trabalh/

Miguel não concluiu sua fala devido a um forte tremor que ocorreu.

— Isso é normal? — Perguntou Pedro.

— Até onde lembro, construíram a C2ntral aqui devido a estabilidade… Hm?

O tremor se intensificou, aumentando de magnitude gradativamente a cada segundo, janelas de vários prédios estouraram e Miguel assustado disse:

— Puta merda, corre Pedro! CORRE!

Miguel e Pedro fumaçaram suas almas e correram com o máximo de velocidade que possuíam, uma montanha de terra se elevou, destruindo uma parte da Avenida dos Ipês Roxos, na frente do edifício C2ntral e em seguida ocorreu uma explosão violentamente grande, detritos foram arremessados longe e tudo resultou em um buraco de 40 metros de diâmetro expelindo fumaça laranja suficiente para se parecer com um vulcão. Miguel protegeu Pedro mais uma vez e perguntou:

— Fumaça tóxica só para fogo?

— Mas nessa quantidade é perigoso para qualquer um!

— Que dro.. Hm? Tá escutando? — Disse surpreso.

O fluxo de fumaça se elevou, cobrindo o local com uma névoa de poluição e o típico barulho de cigarra ecoou por toda a cidade. Pedro começou a brilhar ao usar sua alma da vida para proteção em área, olhou para Miguel e disse:

— É uma cigarra bastante poderosa pra fazer tanto barulho.

— Concordo, vamos para a c2ntral.

— Ok, ah, o Instrutor Shovel falou que tudo isso é culpa de espíritis e acho que temos 15 minutos de resistência contra essa fumaça, após isso qualquer um/

— Entendido carinha. Entendido, agora ande sem falar, tá engolindo fumaça.

Miguel e Pedro correram para a entrada sul do edifício C2ntral quando em meio a tanta fumaça Laranja encontram Will indo para o mesmo local que eles e Miguel disse com bastante energia ao avistar o irmão:

— Fala o plano!

— Hm Miguel? Que? Ah! Barreira! — Disse Will.

— Barreira? — Perguntou Pedro.

— Sim, se não isso tudo vai se espalhar para a área humana.

O barulho de cigarra se intensificou, ecoando por toda a central, assustando todos ali e Miguel diz:

— Que barulho… Ei olha! Tem coisas se movimentando na fumaça!

Will e Pedro olharam para a mesma direção que Miguel, o vento diminuiu a densidade da fumaça e revelou inúmeras criaturas que parecem com cigarras se originando do maior buraco ali recém aberto. Ao ver qual espíriti é, Pedro disse aos outros dois:

— São Êforcigos.

— Agora sabemos quem fe/ — Disse Miguel, parando de falar repentinamente pois o barulho de cigarra rapidamente fica ensurdecedor e Will disse o óbvio:

— Não são essas coisas pequenas fazendo isso!

— QUE? NÃO DEU PRA OUVIR! — Gritou Miguel.

Os 3 colocaram as mãos nos ouvidos, o barulho sumiu, deixando-os sem entendimento. Miguel olhou para Will, ambos estão sem entender quando uma ventania afastou toda a fumaça dali e revelou a imensidão do buraco, Pedro se segurou nos outros dois, emitindo cura e disse:

— Marca da cura pra ajudar contra a fuma/

— Xiu. — Disse Miguel ao tapar a boca de Pedro com a mão.

Will fica a frente dos dois enquanto passos ritmados romperam o silêncio local. Do buraco a frente deles saiu uma cigarra monstruosamente grande, com uns 50 metros de comprimento, ela emergiu com dificuldades, os Efôrcigos começaram a voar ao redor dela enquanto Miguel e Will ficaram horrorizados com tal cena, ambos não se sentem bem próximos de insetos, consequentemente, Pedro também se assustou e disse:

— E agora?

— Levanta a porra da barreira logo! — Exclamou Miguel e sua voz chama a atenção da cigarra.

Will correu em direção ao prédio C2ntral e Pedro disse para Miguel:

— I-isso ai-ai é um Êcraiforcigo!

— Beleza. — Respondeu Miguel enquanto tirava seu casaco branco, ficando agora com a blusa azul de manga longa que estava por baixo. O Êcraiforcigo levantou suas asas, o movimento delas causaram uma forte ventania e Miguel pergunta para Pedro:

— Sabe lutar?

— Não. — Respondeu apreensivo.

— Sabe curar né?

— Sim e com maestria! — Esbravou!

— Ótimo. Não sei o tanto de whey que esse bicho tomou, mas ele tem que ficar no solo. — Disse Miguel enquanto molda dois machados.

Will chegou na entrada do prédio C2ntral, percebeu que ele está congelado e pensa:

— Wind selou… Os bichinhos odeiam frio. Terei que entrar por outro canto.

Ele olhou para cima, fumaçou sua alma e esta se concentrou em suas mãos. Se aproximou da parede do prédio e começou a escalá-la ao usar magnetismo, em segundos, ele subiu 5 andares e em seguida se jogou contra uma janela, quebrando-a e entrando dentro do edifício C2ntral. Ele correu até o computador mais próximo enquanto discava o número de alguém no celular, ao se sentar, a ligação completou e ele falou:

— Alô Bianca? Pega quem você puder e vem pra C2ntral! Ponto de referência? NÃO TÁ VENDO O ÊCRAIFORCIGO GIGANTE NÃO?

Will guardou o celular, começou a digitar freneticamente e exibia nervosismo. Em outro lugar, Safira estava evitando que um enorme enxame de Êforcigos destruíssem tudo por onde passavam e voavam. Will na frente do computador disse:

— Anda logo, porra! Libera a barreira!

Enquanto ele tentava em vão completar essa missão auto-imposta, raios roxos trovejaram por toda a sala e em seguida apareceram três pessoas por meio desse tp, Bianca Tanderxoc, a moça que realizou o tp, que manipulava raios, era branca, a menor entre todos na sala, possuía olhos roxos que brilhavam em mistério, tinha longos cabelos pretos, estava com calça legging preta, blusinha do anime Hellsing e botas também pretas, afinal ela era a rockeira otaka do grupo. Ao seu lado direito estava Tétis Mermaid, que manipulava a água, branca, vestia pouquíssima roupa, que consistia em um micro short jeans azul, camisa branca decotada e rasteirinha preta, tinha olhos azuis como o mar e um cabelo rosa, bastante ondulado, tingido e hidratado. E ao lado esquerdo de Bianca estava Kiyoteru Ando, que manipulava o metal e o vento, ele preferia ser chamado de Kill, marrom, alto, estava com os olhos fechados, possuía cabelo preto metálico cortado em moicano, vestia camisa e calça pretas, além de botas estilo militar pretas também, claramente um emo gótico suave. Os três que acabaram de chegar possuem 18 anos e vieram por quê são gerentes como Will.

— Bom dia! — Falou Tétis.

— Onde ajudo? — Perguntou Kill.

— Que Êcraiforcigo gigante? Eu nem sei o que é isso!— Questionou Bianca.

Tétis e Bianca se aproximaram da janela após escutarem barulhos de explosões ao fundo e Kill acenou para Will, que disse:

— Precisamos levantar a barreira!

— Faço isso em 2 minutos. — Afirmou Kill, que expulsou Will da cadeira e tomou seu lugar ao computador.

Bianca e Tétis assistem o caos na C2ntral e Bianca disse:

— Santo Zeus! Olha o tamanho daquilo! Tétis miga, você é boa em espíriti, o que é?

— Bianca miga, aquele espíriti ali, geralmente, tem uns 10 centímetros de comprimento. — Respondeu Tétis.

— Mais um caso de crescim/ Ali é o Miguel?! Vamos ajudar! — Exclamou Bianca.

— Vamo/ — Dizia Will ao ser interrompido por Kill.

— COMO QUE NÃO TEM MATÉRIA? Eu enchi isso ontem! — Disse indignado.

Tétis esticou os braços e disse olhando para Bianca:

— Eu resolvo isso, me leva pra cima!

— Certo. — Respondeu Bianca e em seguida as duas somem em tp.

Kill continua a digitar freneticamente, na cobertura da C2ntral, as moças aparecem e Tétis diz:

— Melhor se abrigar, miga.

Tétis elevou seus braços aos céus, automaticamente as nuvens, que já estavam carregadas após o instrutor Wind gerar neve, se estremecem e começaram a se mover uma vez que ela manipula a água.

— Zeus, ela é tão poderosa! — Disse Bianca ao observar a maestria da amiga.

Tétis fumaçou toda sua alma a ponto de gerar luz enquanto trovões ali ecoavam, as nuvens ficam carregadas, a chuva tempestuosa começou e ela com maestria conduz toda a água, que caiu para um círculo místico na frente dela. Ao mesmo tempo, na Avenida dos Ipês Roxos, Miguel com seus machados avançou rapidamente contra o Êcraiforcigo e o golpeiou no tórax, mas o inseto não foi sequer arranhado. A cigarra então abriu suas asas, a força do vento gerado arremessou Miguel alguns metros longe, ele caiu próximo a Pedro e disse perguntando enquanto se levantou:

— Esse bicho tá blindado?!

— Dada a densidade do exoesqueleto dele e seu tamanho atual… Creio que sim, cuidado que ele é forte! — Disse Pedro explicando.

Miguel fumaçou sua alma causando uma névoa fria, feita exclusivamente de nitrogênio, na região e em seguida disse:

— Ah! Eu sou mais!

Miguel puxou seus machados até suas mãos, correu contra a cigarra congelando o chão por onde passava, ao chegar na frente do inseto, o golpeou com suas armas bem entre os olhos do bicho, faíscas saem e Miguel conseguiu riscar a carapaça, mas sem causar ferimento algum na criatura. Após isso a cigarra prendeu Miguel com suas patas dianteiras, lentamente ela abriu a boca e surpreendentemente disparou fogo dela com a força de uma fornalha de forja industrial, Miguel foi acertado em cheio e acabou sendo jogado para trás com a potência das chamas. A cigarra se afastou, Pedro correu para prestar ajuda e percebeu que Miguel estava com a pele azul e todo chamuscado. Enquanto isso no edifício C2ntral, o celular de Will tocou quando ele, em outro computador, analisava a quantia de explosões ocorridas nesse dia, ele pegou o celular do bolso e disse:

— Eu. Fala!

No outro lado da linha estava Safira, que combatendo um enxame de Êforcigos disse:

— Eles estão devorando tudo! É muito inseto!

— Eles estão por toda a central, o que quer que eu faça, Safira? — Respondeu Will.

Ao escutar essa conversação, Kill disse:

— Pera um momento, criar comunicação em grupo, selecionar todos os gerentes, modo crise. — Falou enquanto digitou e efetuou a programação.

Kill, Bianca, Tétis, Safira, Will e Miguel agora estão conversando em uma chamada de grupo por meio dos celulares em auto-falante. Na cobertura quase nas nuvens, Tétis bastante cansada parou de manipular a água e sinalizou um ok com a mão para Bianca, que ao ver isso disse no celular:

— Tudo pronto aqui, Kill!

— Beleza! — Respondeu Kill, que em seguida digitou o código de segurança para iniciar a construção da barreira.

Bianca e Tétis retornam para a sala onde Kill e Will estão enquanto uma torre começou a surgir na cobertura do edifício C2ntral, possuindo em sua extremidade um mecanismo feito em pedras brilhantes e metal fosco bastante resistente, em seguida a água foi bombeada para a torre e dela começou a surgir uma barreira física e invisível que abrangeu toda a Segunda Central, ficando abaixo do manto de camuflagem, que distorce a imagem da cidade, a escondendo dos olhos humanos, mas animais a visualizam normalmente.

Na sala onde se encontram os gerentes, Will está próximo a janela e Bianca pergunta:

— E agora?

— Temos que ajudar a Safira a capturar aqueles inse/ — Will para de falar ao perceber de longe que Miguel está caído e recebendo ajuda de Pedro. O Êcraiforcigo está se movendo e começou a bater suas asas preparando-se para voar. Pedro, enquanto cura Miguel, disse:

— Ei Miguel, levanta logo!

Miguel abriu os olhos e pediu:

— Se afasta Pedro.

Pedro seguiu o pedido de Miguel, que começou a fumaçar o que sobrou de sua alma e toda a área ao seu redor congelou pois o calor existente foi absorvido por ele, após isso, Miguel pergunta:

— Quanto tempo para essa fumaça começar a nos afetar?

— 6 minu/

Dizia Pedro quando foi interrompido por Miguel enraivecido correndo contra o inseto alado gigante, ele pulou com impulso suficiente para superar a altura do bicho, no ar, ele criou um machado e acertou um forte golpe na criatura, por estar desgastado, ele sentiu o impacto do ataque nos braços e reclamou:

— Isso comeu diamante, porra?

Miguel agora está em pé em cima do Êcraiforcigo, ele se equilibrou graças a sua alma metálica que o prendeu com magnetismo, ele respirou fundo erguendo seu machado, em seguida começou a fumaçar em cinza transformando sua arma em um imensa marreta, ele usou tudo o que sobrou da sua força e golpeou a cigarra acima da cabeça, com o impacto ela caiu no chão e Miguel sofreu com dores nos braços, caindo também. A cigarra percebeu Miguel e o atirou longe com uma das patas, Pedro rapidamente corre para onde Miguel foi jogado e mais uma vez o cura.

No edifício C2ntral...

— Barreira erguida! — Informou Kill.

— Will diz o plano que eu sei que você criou. — Falou Tétis olhando para Will.

— Kill e Tétis vão pro setor cinco resolver tudo por lá, Bianca ajuda a Safira e eu vou ajudar meu irmão! — Respondeu Will se jogando da janela que ele quebrou anteriormente.

Bianca usa seu tp em Kill e em Tétis, em seguida eles aparecem em uma área bastante destruída… Bianca diz:

— Entendo, o hospital fica ao norte, por isso aqui ficou sem cuidado. Fuis.

Bianca usou seu tp mais uma vez e os deixou ali.

— Que desordem. — Afirmou Kill.

— E tu por um acaso está vendo algo? Vai apagar aquele incêndio ali — Ordenou Tétis.

Longe dali, Bianca por meio do tp chegou até onde Safira estava, que ao perceber que a amiga chegou, gritou repentinamente:

— Bianca cuidado!

— Que? — Disse Bianca, que ao olhar para trás percebeu um enxame de Êforcigos voando contra ela e contínua. — Ah, os bichinhos fofos....DEATH THUNDER!

Ela disparou um poderoso raio roxo que eletrocutou todas as cigarras, que caíram no chão atordoadas e vivas. Safira ao ver isso disse:

— Que injusto! Você acabou com elas rapidinho!

— Claro né miga, é mais fácil imobilizá-las dando choque né?

— Percebo.

Nos arredores do prédio C2ntral, Will chegou até onde Pedro está curando Miguel e pergunta:

— Como ele tá?

— Will? Ah! Ele está vivo e precisa de cuidados rápido!

— Hospital pra lá. — Informa Will.

— Não dá, a fumaça vai nos afetar em menos de 2 minutos!

— Tá, deixa ele ali e me acompanha. — Disse Will enquanto tocou Miguel e transmitiu a própria energia para ele, auxiliando no processo de recuperação. Em seguida os dois se aproximaram da cigarra maior, que no momento está em solo.

— A fumaça afeta almas em intensidades diferentes? — Perguntou Will.

— Sim, creio que quanto mais sólida e fria for a alma, mais tolerância ela tem. — Respondeu Pedro.

— Ok. Estou em plena vantagem. — Disse Will quando moldou uma barra de ferro pontuda e continuou a falar. — Fique de guarda aqui.

Will avançou rapidamente contra a cigarra, ele desviou das patas do bicho com maestria e de surpresa conseguiu enfiar a barra de ferro abaixo do olho do inseto, em seguida disse enquanto recuava para o lado de Pedro.

— Desculpa por isso! Não afetará a visão ouviu insetão? — Moldou outra barra de metal e falou. — Mais umas dessa e ele para.

Will dava um passo quando começou um violento tremor por uma imensa área.

— Isso não é nada bom né? — Pergunta Pedro assustado.

— Nada bom. — Afirma Will.

O fluxo de fumaça proveniente dos buracos dobra de intensidade e o ar ali muda totalmente para o laranja. Will molda máscaras de metal para ele e para Miguel, em seguida, diz para Pedro.

— Você é um vida, vai aguentar, pega o Miguel e saíam da central, saída leste é a mais próxima!

— Mas e você?

— Infelizmente eu virei o líder aqui, tenho que aguentar, vai!

Pedro começou a carregar Miguel enquanto Will avançou contra a cigarra moldando espadas, em seguida tocou em seu celular dentro do bolso da calça e disse informando os demais gerentes no grupo:

— Com esse tanto de fumaça vocês irão morrer. Fujam!

Will começou a tentar domar a cigarra.

Safira, Bianca, Kill e Tétis terminaram suas funções, Tétis pegou seu celular e disse:

— Will está com problemas, ele nos mandou fugir.

— Mas ele deve tá apanhando pro Êcraiforcigo grandão. — Completou Kill.

Safira estava sentada no chão pois se encontrava cansada, ela capta as vibrações na terra a todo momento, se assustou com o que iria ocorrer e gritou para sua amiga:

— TP BIANCA!

— PRA ONDE? — Perguntou.

Safira percebeu que não dará tempo de Bianca realizar algo, ela criou uma esfera de pedras ao redor das duas e 2 segundos depois ocorreu a maior explosão do dia no local onde elas estavam, a destruição resultou em buraco de 70 metros de diâmetro, com fumaça laranja, agora fluorescente, fluindo dele. O cenário do caos é semelhante a um vulcão surgindo em ambiente urbano. Todos que estavam fora da barreira escutaram o barulho da explosão, mas não sabem o que fazer. Em meio aos escombros, Bianca surgiu em tp com Safira desacordada nos braços e pensou:

— Aquele domo de Pedra realmente aguentou o impacto, nem foi arranhado depois disso tudo! Arrasou miga… Agora tenho que ir buscar todos os outros!

Bianca com Safira ainda nos braços sumiu em tp!

Nos arredores do edifício C2ntral, Will estava agarrado na cigarra enquanto ela voava pela central e na cobertura de um prédio próximo apareceram Bianca, Safira desmaiada, Kill e Tétis em tp. Bianca caiu no chão por estar fraca logo após realizar o deslocamento de todos e Tétis começou a curá-la apenas com água.

— O Will tá ali agarrado na cigarra e pro leste tem uma alma que não conheço próxima da do Miguel, que está bem fraca! — Informou Kill analisando o cenário por meio das suas habilidades visuais mesmo estando de olhos fechados.

— Eu amo o fato de você enxergar almas a vários quilômetros de distância. — Disse Tétis.

— Alguns problemas dão soluções. — Disse Kill.

Bianca se levantou um tanto que tonta e disse:

— Vou buscar o Miguel, juntem energia para mim que eu estou no fim da carga.

Após isso, Bianca sumiu em tp, apareceu na frente de Miguel com Pedro e levou os dois até os demais, ao chegar, Pedro disse:

— Temos que sair daqui!

— Sabemos, novato. — Disse Kill!

Com a intensidade de fumaça, todo o ar dentro da barreira já está laranja neon. Bianca começou a tossir muito e Tétis a ajuda.

— Não adianta! Ai ai. Purificação em área! — Disse Pedro, que acelerou o crescimento em uma planta a partir de uma semente que ele tirou do bolso, as folhas surgidas se desprenderam e começaram a girar ao redor dele, criando uma esfera onde toda a fumaça era afastada. Após isso ele começou a curar Bianca.

— Isso foi incrível. — Disse Tétis!

— Poderoso você heim. — Falou Kill.

— Kill vai buscar o Will! — Ordenou Tétis.

— Ele que venha aqui! — Respondeu Kill.

Miguel escutou a conversa, começou a se mover e disse:

— Vou tentar ajudar.

Ele tirou a máscara que seu irmão lhe colocou, saltou para fora da barreira de cura criada por Pedro e começou a correr como antes mesmo estando em péssima condição física.

Enquanto isso, Will conseguiu ficar acima da cigarra graças a sua alma magnética, que o deixa preso ao inseto voador e disse otimista:

— Espíriti é Espíriti! Vou domá-lo!

Ele reuniu toda a energia que possuía em pontos nos seus dedos e que por estarem tocando na cigarra, permitiram que o fluxo de alma entre ambos ocorresse. Ele fechou os olhos e a cigarra começou a pairar no ar, demonstrado que o plano pensando anteriormente funciona.

Miguel correu até onde o irmão estava e ao avistá-lo, gritou:

— EI WIILL?

Will escutou o chamado de Miguel e ao se distrair por esse breve momento, perdeu o controle da dominação de espíriti, como consequência disso, uma explosão de energia, resultante do rompimento da ligação entre os envolvidos, ocorreu exatamente onde ele estava, jogando-o alguns metros acima, a cigarra abaixou sua altura de vôo, percebeu a existência dele ali no ar e o atingiu com o mesmo lança-chamas que usou contra Miguel. Will foi acertado em cheio, voando vários metros com o impacto e caindo sem suporte algum na área da cidade conhecida como Parque das flores orientais. Miguel testemunhou toda a cena e disse com grande raiva:

— Ninguém machuca meu irmãozinho, caralho!

Miguel começou, tomado pelo ódio contra o bicho que espancou ele e seu irmão, a ficar branco devido a natureza de sua alma fria, que está roubando todo o calor existente ali e o convertendo em energia gelada, nesse processo, ele acabou congelando a fumaça laranja do local e criando, a partir dele mesmo, uma névoa de nitrogênio, densa e bastante fria. Após isso, ele apontou para a cigarra com o braço esquerdo e disse:

— Apesar dos pesares, desculpa ae!

Miguel concentrou toda a sua alma fria na ponta do dedo indicador direito e disparou um poderoso raio de energia fria contra o Êcraiforcigo, que acabou congelando instantaneamente e caindo no asfalto, que já estava muito destruído. Ele observou a cigarra caída quando começou a sentir os efeitos da fumaça laranja em seu corpo, 6 segundos se passaram e Miguel caiu no chão sem conseguir respirar. Todos os que estavam dentro da barreira gerada por Pedro puderam observar a luta ocorrida, Tétis disse para o novato:

— Eu mantenho a proteção aqui, corre lá e ajuda ele!

— Certo! — Respondeu.

Sem pensar muito, Pedro se jogou do prédio e rapidamente correu em modo alma na direção de Miguel, ao se aproximar dele, também começou a passar mal.

Tétis usava a água para manter a proteção criada por Pedro, mas ela também já não possuía energia suficiente para tal ação, Kill percebeu tudo e disse rindo ao tocar no celular:

— Tenho uma idéia!

— Diga lá, Kill. — Falou Tétis.

— Aquele plano lá para situações como essa. — Explicou Kill com bastante alegria ao falar.

— Ah sim, ouviu Will? — Perguntou Tétis.

— Sim. — Respondeu Will, que estava todo chamuscado e semi enterrado na terra, enquanto se levantava, metal foi caindo de seu corpo, já que ele conseguiu se proteger do fogo ao se blindar por completo e absorver boa parte do calor naturalmente com sua alma fria. Ele caminhava quando percebeu que a fumaça estava corroendo as folhas das plantas e que um Pokico, espíriti que parece um pequeno macaco, comum por ali, estava sem saber o que fazer ao ver sua casa ser corroída. Will se aproximou do bichinho e disse com voz carinhosa:

— Ei, a fumaça estranha tá matando as plantinhas?

O pequeno macaquinho olhou para Will e acenou um sim ao balançar a cabeça, Will ficou com o coração partido e disse:

— Eu já irei resolver isso tudo, tá bom? Encontre um abrigo e fique lá.

Will terminou de falar e fez um carinho no macaco, em seguida ele começou a correr em modo smoke, indo ao encontro dos seus amigos. O macaquinho observou Will partir enquanto seus olhos passaram de um marrom claro e puro, para um vermelho brilhante que amedrontariam quem visse tal cena, de sua energia surgiram névoas densas que remetem a imagem de um homem, que apagou o princípio de incêndio e desapareceu da mesma forma que surgiu, após isso o pequeno primata se escondeu nos galhos de uma árvore.

Pedro já não conseguia mais curar Miguel e se concentrava apenas em afastar a fumaça com sua alma. A cigarra se mantinha congelada e Will chegou ao local, ele percebeu a situação caótica em que todos ali estavam, ao avistar Pedro e Miguel, Will correu até eles e sem falar nada, disparou um sinalizador de energia cintilante na fumaça e ao mesmo tempo Kill enviou uma mensagem de emergência protocolo 5q para todos os celulares em um raio de 10 quilômetros dele.

— Pra que isso? — Pergunta Pedro para Will.

— Pra salvar a gente, para de curar. — Responde Will intercalando palavras com tossidas.

— Não paro! — Afirmou Pedro, que se mantinha firme mantendo a barreira de cura para aqueles ao seu redor, mas após tal conversa, todos exceto ele, desmaiaram devido às toxinas no ar. Segundos se passam, Pedro estavam perdendo a consciência, quando antes de desmaiar, ele percebeu um homem aparecendo em tp em sua frente e que então os levou dali.

15 minutos depois, Will acordou hospitalizado no acampamento de crise fora da Cidade C2ntral, ao seu lado estava Pedro levemente cansado.

— Está bem? — Perguntou Pedro.

— Sempre estou e ti? — Disse ao retirar a máscara que levava oxigênio a ele.

— Cansado, mas estou bem também.

— Bom, bom. Sabe o que aconteceu?

— Depois que você disparou o sinalizador, eu mantive a cura, mas não aguentei muito, antes que eu desmaiasse vi alguém aparecer e ele que nos trouxe em tp até aqui, acho que foi o Instrutor Vut? Vlat? Vôôoo… — Informou Pedro tentando e não lembrando o nome de quem o salvou.

— Volt. — Falou Will.

— Isso! Volt!

— Viu meu irmão?

— Ele está ali na UTI, eu acho.

Will se levantou da maca improvisada em que está e Pedro lhe advertiu:

— Não se esforce, você se machucou bastante!

— Tá bom, médico.

Will se manteve sentado na maca quando Bianca, Safira e Kill apareceram por ali, já que estavam hospitalizados próximos, a todo momento todos os três tossem.

— Falei que estavam aqui. — Informou Kill.

— Que dia explosivo, né não? — Disse Will rindo.

— Você não vai achar engraçado quando chegar na sua feira. — Disse Safira olhando para Will.

— Não serei eu que irei reconstruí-la… — Respondeu Will com deboche para Safira.

— Mas você está bem mesmo? Você caiu bons metros naquela hora heim… — Perguntou Bianca?

— Sempre estou, galera. Eu só… Pedro, o que eu machuquei? — Perguntou Will.

— Ah, quebrou cinco costelas, trincou sete vértebras, deslocou o ombro esquerdo, está com diversas queimaduras leves no corpo e tem um corte profundo na perna direita. — Respondeu Pedro ao ler o prontuário de Will.

Apesar dos ferimentos do amigo, Safira, Bianca e Kill dizem juntos:

— Mas quem é você, novato?

— Ele se chama Pedro, é nosso novo companheiro de turma.

— Oooi — Disse Pedro rindo sem jeito.

— Realmente novo. — Disse Safira, ao perceber que Pedro aparenta pouca idade.

— Mas fez um ótimo trabalho. — Disse Kill cumprimentando Pedro com um aperto de mão.

— Obrigado. — Respondeu Pedro.

Aos fundos se escutou uma discussão onde Miguel gritou:

— Me solta Tétis!

— Você vai voltar pro soro! — Ordenou Tétis.

— Irei ver meu irmão!

— Ele que virá aqui, senta esse cu ae! — Ordenou Tétis mais uma vez.

Um minuto de discussão depois, Tétis e Miguel, que estava segurado o próprio soro, chegaram ao encontro dos demais, Miguel, ao ver Will ferido, disse:

— Mano! Tá bem? Tá melhor? Machucou muito?

— Calma Miguel, tu tá pior que ele. — Disse Bianca ao perceber que Miguel estava todo enfaixado em decorrência de seus machucados.

— Eu curei ele três vezes durante a luta, ninguém mais pode ajudar. — Falou Pedro.

— Estou ok, Will, me toca! — Disse Miguel.

— Sei muito bem que você quer furtar minha alma! — Disse Will rindo.

— Exatamente! — Falou Miguel.

— Beleza, mas não me drene! — Disse Will erguendo a mão para um cumprimento simples. Bianca caminhou em direção á saída do local e ao olhar para o horizonte disse:

— Olha, isso foi emoção demais para um primeiro dia de aula.

— Amiga nem me fala… — Safira concordou.

— Só quero ir pra minha casa e dorm/ — Bianca parou de falar ao perceber que um certo homem chegou e caminhava até sua direção, ela retornou os passos que deu e enquanto tal homem entrava no recinto ela disse:

— Bo—bom dia diretor!

O homem que entrou é o diretor da C2ntral, Dimas Sint'esse, líder máximo da cidade e responsável por tudo e por todos ali. Ele é branco, tem 45 anos, seu cabelo e seus olhos são verdes de forma simples, ele está vestido formalmente com um terno elegantemente branco, estava com a raiva estampada no rosto e perguntou:

— Mas que porra aconteceu aqui?

— Explosões. — Respondeu Safira.

— Fumaça. — Respondeu Kill.

— Espíritis. — Respondeu Will.

O diretor sem compreender o ocorrido, ficou com mais raiva e consequentemente assustou os demais ali, após um curto silêncio, ele perguntou:

— Cadê os imprestáveis dos instrutores?

— Volt nos deixou aqui e depois sumiu. — Respondeu Safira.

— Como sempre todos somem. Comecem a ajudar nessa desgraça toda enquanto eu tenho alguma paciência! — Ordenou o diretor.

— Ei, estamos ferid/ — Disse Tétis ao ser interrompida pelo diretor, que disse quase gritando:

— Vão ajudar!

Pedro não se sentiu bem com essa situação autoritária e falou:

— Está falando alto com a gente por qual motivo? Ninguém aqui tem culpa de nada não!

— Como é que é, Pedro? — Perguntou o diretor ao perceber Pedro ali junto dos gerentes.

— Não teve ajuda nisso, nem era para ser tarefa para aluno resolver! Centenas poderiam ter morrido hoje! Os instrutores nem deram ordens coerentes e sumiram, eles fizeram um bom trabalho nessa zona toda, o senhor deveria agradecer a eles por evitarem pior!

Ninguém ali esperava que tais palavras fossem ditas pelo novato e em pensamento todos se manifestaram:

— Adeus Pedro. — Pensou Miguel.

— Ao vivo! — Pensou Kill segurando o riso.

— Ele é louco. — Pensou Safira julgando a atitude do novato.

— Fala mais! — Pensou Tétis pois ela tinha a mesma opinião.

— Que coragem, amei! — Pensou Bianca concordando também.

Will se levantou, ficando ao lado de Pedro e disse olhando para o diretor:

— Antes de expulsá-lo eu digo que ele ajudou mui/

— Will. — Interrompeu o diretor.

— Sim? — Respondeu Will apreensivo.

— Calado. — Diretor disse isso encarando o fundo da alma de Will, que sentiu vontade de sumir do mundo após receber tal bronca rude. Em seguida, o diretor olhou para Pedro e disse de forma calma:

— Você tem razão, Pedro. Fizeram um trabalho ok dado o momento. Se virem um instrutor, me avisem. — Após isso sai do acampamento de emergência.

Todos ali ficaram surpresos com a reação do diretor, compreensão era algo que nunca fora vista vindo dele e Kill disse bem alto para Pedro:

— Você discutiu com o diretor?!

— Você não teme a morte?! — Perguntou Tétis também para Pedro.

— Achei que o diretor ia bater no novato. — Falou Miguel.

— Ele só é estressado, nunca que levantaria a mão para bater em alguém, ainda mais em mim. — Disse Pedro despertando a curiosidade dos demais.

— O que você tem de tão especial? Nunca vi o diretor falar tão na paz com um aluno. — Questionou Bianca.

— Bom, para vocês ele é o diretor disso tudo, para mim é só o meu tio. — Disse Pedro respondendo, mas gerando mais dúvidas.

— Tio? O CAPETA DAS FOLHAS É IRMÃO DO DIRETOR? — Gritou Miguel bastante surpreso.

— Capeta das folhas num é o ex-instrutor Victor? Não entendi a referência. — Disse Safira bem confusa.

— Alguém me explica tudo? Tô bem perdida. — Disse Bianca tentando entender.

— Eu sou filho do instrutor Victor e minha mãe, Leandra, é irmã do diretor. — Explicou Pedro.

— Que família poderosa. — Disse Safira.

— Toma vergonha nessa sua cara… — Disse Will olhando para Safira, pois a família dela é igualmente poderosa.

— Calado Will. — Ordenou Safira rindo.

A conversa seguiu dentro do acampamento militar improvisado até que todos saíram para fora dele, pois o Diretor começou a agir, roubando a atenção para si ao iniciar uma forte ventania.

— E lá vai ele. — Diz Safira ao já saber o que ocorre.

— É, vai se exibir. — Tétis completa.

O Diretor é um híbrido, que manipula vento e plantas em seu nível máximo, a ventania do momento era causada por ele no processo de expandir sua alma, em seguida ele alçou vôo rumo ao prédio C2ntral, todos admiraram tanta habilidade enquanto ele, por meio do seu celular, desativou a barreira. A fumaça laranja foi liberada, mas ninguém se assustou, afinal ele sabe o que faz, todo o ar em um raio de 5 quilômetros estava sobre seu governo, ele emitiu tanta energia que chegou a brilhar, em seguida todo o ar que estava preso dentro da barreira começou a girar enquanto ganhava altitude, em segundos um furacão lento e laranja se instaurou na cidade e por fim, o Diretor com toda a sua maestria, dissipou a fumaça pela atmosfera.

— É, se exibiu. — Disse Kill aos amigos após ver isso tudo.

— E cadê ele na hora da briga? — Perguntou Bianca.

— Diretor sumindo e aparecendo do nada só me lembra o dia da lama. — Disse Tétis se referindo a uma situação ocorrida dois anos atrás.

— Esse foi um dia bem vivido, mas fiquei com pena do Instrutor Cold. — Disse Safira complementando a história.

— E aquele dia do crescimento das plantas? Me senti o próprio Tarzan na mata. — Disse Kill brincando ao lembrar de outro momento de confusão.

Pedro estava um pouco afastado do grupo e pensou sozinho:

— Eles são bons amigos pelo visto, é tão legal.

Os celulares de todos emitiram um alerta sonoro, eles sabem que tal som significa que já é possível voltar para a cidade e Bianca falou:

— Bom, agora que o caos passou e não tem mais explosões, insetos e fumaça irei para casa, isso se ela estiver inteira, para depois tomar no rabo com tanta coisa pra resolver.

— Safira pode te fazer uns tijolos depois, dá carona? — Disse Kill brincando.

— Eu também quero carona! — Pediu Tétis se aproximando de Bianca.

Enquanto conversavam, mais uma vez os celulares emitiram um alerta, Will pegou o dele e leu a mensagem que recebeu:

— Éeer, "Sem aulas hoje e amanhã, o P.ES.SO.AL cuidará de tudo.". GLÓRIA!

A sigla “pessoal” é a abreviação de Protetores Especiais da Sociedade de Alma, o exército, basicamente, responsáveis de ocultar tudo e todos dos humanos normais, além de ajudarem na preservação de espiritis.

— O pessoal tá aqui? — Pensou Pedro sozinho.

— Muito que ótimo! Vou dormir o sono das bonitas. — Falou Tétis.

— Cheguei das férias antes de ontem, me matei de trabalhar já e nem abri a mala ainda. Vou ter mais um tempo de descanso. — Disse Kill praticamente abraçando Bianca.

— Tá bom, levo vocês… — Bianca emitiu algumas faíscas e antes de sumir se despediu: — Tchau gente.

Todos se despedem e os três somem em eletricidade.

— Irei encontrar a minha equipe de construção… Me desejem sorte, tchau cabelo de metal e cabelo de metal tingido. — Disse Safira olhando para Will e em seguida para Miguel, ela também olhou para Pedro e continuou a dizer: — Hm? Tchau cabelo… Tchau cabelo de madeira.

Pedro riu e Safira desapareceu ao afundar na terra. Em seguida, Will e Miguel começaram a andar com dificuldade, deixando Pedro para trás, que pensou:

— Poxa, nem me deram tchau.

Will percebeu que Pedro não se mexeu, virou a cabeça e ordenou:

— Anda Pedro, não terminamos o tour!

— Tá! — Disse Pedro bastante feliz ao correr na direção de quem o chamou.

Após certo tempo, Will, Miguel e Pedro chegaram até a secretaria acadêmica, que estava um pouco destruída e entraram no prédio.

— Vocês deveriam repousar. — Advertiu Pedro.

— Bom, já estamos curados — Disse Will, pois no geral, o corpo daqueles que possuem alma se regenera extremamente rápido, tal condição não permite que cirurgias complexas sejam realizadas.

Pelo celular, Miguel acessou o sistema de segurança do lugar para obter acesso, em seguida, ele entrou no depósito e voltou com uma pequena caixa prata e falou:

— Prontinho, vamos indo?

— Vamos? — Perguntou Pedro.

Os três saíram da secretaria e Will perguntou:

— Você já recebeu o endereço da sua casa, Pedro?

— Já sim, eu guardei aqui junto das chaves…. — Colocou a mão no bolso da calça, retirou um pedaço de papel, que entregou perguntando para Will:

— Pra que lado é isso?

Will pegou o pedaço de papel e o leu em voz alta:

— Setor 05, quadra 05 e casa 03. — Rindo.

— O destino nos quer próximos. — Disse Miguel rindo também.

— Ham? — Disse Pedro sem compreender o que aconteceu.

— Nós somos vizinhos, Pedro. — Disse Will.

— Espero que você não seja barulhento heim. — Disse Miguel elevando a voz.

— Não sou não! — Disse Pedro rapidamente.

— Calma, estou brincando. — Afirmou Miguel rindo.

— Ignora ele, Pedro. Miguel, abre o pacote logo. — Disse e ordenou Will.

Os três seguiram para suas casas, enquanto caminham, Miguel resfriou o lacre do pacote que pegou mais cedo e o abriu, após isso ele disse:

— Abrir embalagens é algo muito bom.

— É só uma caixa, mano. — Disse Will debochando levemente.

Miguel encarou Will enquanto Pedro riu da cena, em seguida ele retirou 3 cartões e os entregou para Pedro dizendo:

— Seu Cadastro de Alma Físico junto com sua ID. Seu passe de segurança para a barreira e sua carteirinha estudantil da C2ntral, toma, segura. Aqui é o seu celular, para ativar basta emitir alma e seguir os tutoriais.

— Vou guardar na mochi… EI! — Exclamou Pedro, que continuou: — Cadê suas mochilas?

— Ih, acho que pendurei em algum lugar durante as explosões. — Sugeriu Will sem se lembrar do que fez.

— Se for isso, daqui a pouco devem entregar em um departamento. — Explicou Miguel.

— Departamento? — Questionou Pedro.

— Sim uai. Espera, você é novato… — Disse Miguel

— Lembra que dissemos que somos gerentes? — Perguntou Will para Pedro.

— Lembro sim. — Respondeu.

— Sou o gerente de segurança. Delegado da guarda estudantil da C2ntral. — Disse Miguel apontando para a braçadeira vermelha que estava no seu braço esquerdo, presa ao casaco e que representava o cargo que possuía.

— Eu sou o gerente de comércio e líder da associação dos feirantes da C2ntral. — Disse Will apontando para a braçadeira azul que está em seu braço esquerdo, amarrada por cima da blusa pois possuía a mesma função que a do seu irmão.

— Cada gerente comanda um departamento, por isso eu disse que devem entregar nossas mochilas em um deles — Explicou Miguel.

— Vocês são incríveis! Estão abaixo apenas dos instrutores! — Afirmou Pedro com bastante alegria.

— Isso nem sempre é legal, sinceramente? É um horror isso sim. — Disse Miguel quase que fazendo um desabafo sobre seu emprego.

— Mas as vezes é bem legal. — Disse Will.

— Apesar de vocês serem irmãos e terem a mesma alma, cada um trabalha em algo bem específico né? — Perguntou Pedro ao notar tal situação.

— É, acontece que gerentes são nomeados por suas conquistas dentro de uma central, pode ocorrer de alguém ter que trabalhar em algo totalmente diferente daquilo que é perito, como um fogo na gerência de meio ambiente. — Explicou Miguel para Pedro.

— Que didático, merece um bolo. — Disse Will para Miguel e em seguida todos riram.

Os três caminhavam pela C2ntral enquanto conversavam amistosamente, alguns minutos depois chegaram na quadra 5 do setor 5 e Miguel falou:

— Chegamos!

— Que tranquilo por aqui — Disse Pedro ao notar que a rua estava deserta.

— A vizinhança é boa, ali, casa 3, portão verde. Sua nova moradia. — Disse Will aprontando para o local enquanto todos seguiram andando.

— E essa aqui é nossa casa. — Disse Miguel se dirigindo para o portão que ele quase quebrou mais cedo. A casa deles era um pouco encoberta por causa dos dois ipês na frente dela. Um rosa e um amarelo.

— Tudo por aqui segue o mesmo padrão, muito fácil de confundir né? — Perguntou Pedro após reparar que, na arquitetura das casas da rua existe extrema semelhança. As casas ficavam ao fundo do terreno, que é bem vasto e na frente de cada uma tem um enorme portão bastante forte e seguro.

— É sim, mas o celular vai te ajudar, ele marca sua localização e afins… — Respondeu Will.

Miguel conseguiu abrir o portão e entrou, por trás das grades ele falou:

— Ei Pedro, se precisar de algo, só chamar, te devo uma… Uma não, várias depois de hoje.

— Sim, chamo e de nada. — Respondeu Pedro contente por saber que tem a quem recorrer em caso de ajuda.

— Bom, por hoje é só, tchau Pedro, té depois e obrigado por tudo! — Disse Will acenando um tchau para Pedro.

— Tchau, obrigado também — Agradeceu Pedro, que caminhou até o portão de sua nova casa, ele pegou suas chaves do bolso esquerdo de sua calça e abriu o portão, ao entrar, pensou:

— Poxa nenhuma planta… Não, espera. Não tem nada pois posso escolher o que quero, entendi.

Pedro abriu a porta de entrada da casa e enquanto isso pensou:

— A casa é toda amarela por fora, será que posso pintar depois?

Ele finalmente entrou em casa e percebeu que a cozinha é o cômodo de entrada do lugar, também notou que toda a mobília e eletrodomésticos possuem certo luxo, ao caminhar um pouco, viu um bilhete grudado na geladeira, que parecia um Transformer de tão tecnológica, com uma ímã em formato de flor. Ele pegou o bilhete e o leu mentalmente:

— Hmm.. "Querido, fiz tudo do jeito que você pediu… Mentira, não me culpe por te querer confortável. Eu mesma decorei tudo. Não comprei nenhum alimento, acho que você pode fazer isso, você pode fazer muitas coisas. Apesar da situação da nossa família, saiba que sua mãe sempre estará com você, se cuide, meu pequeno garoto. Te amo." PS: Cuidado com os desconhecidos e acho bom você me ligar assim que chegar!

Pedro colocou o bilhete de volta na geladeira enquanto limpou as lágrimas e continuou a conhecer a própria residência.

O tempo seguiu, são duas horas da tarde, Miguel e Will estavam em casa aproveitando o tempo livre que possuíam da forma que cada um quis, Miguel estava deitado no sofá da sala rindo enquanto olhava o Almabook e Will se alongava na frente da porta de entrada pois iria iniciar um treinamento, de fora, Will gritou para o irmão:

— Não vá esquecer que você tem ronda hoje heim!

— Sim senhor. — Respondeu Miguel.

Will caminhou até o meio dos ipês e moldou um bastão de ferro por meio da sua alma metálica, ele executou alguns golpes e enquanto treinava, o Pokico, o pequeno macaco espíriti ajudado por ele anteriormente no parque após ter sido jogado pela grande cigarra, apareceu em cima do poste em frente sua casa. O pequeno pokico saltou do poste, começando a se mover pelo muro indo em direção às árvores do quintal. Will seguia seu treinamento sem reparar em nada. O macaquinho chegou até o ipê rosa, que fica mais próximo da casa, ficou sentado em um dos galhos e começou a liberar uma alma que visivelmente não era dele, o fluxo de energia fluiu para a árvore, que tremeu com o ocorrido e chamou a atenção de Will, que olhou diretamente para o pokico e perguntou:

— Ei? O que você tá fazendo aqui?

O espíriti seguiu enviando energia para a árvore, que mudou de coloração, deixando o marrom amadeirado para um vermelho vivo metalizado e incandescente.

— Ôh pokico, que porra tu tá fazendo heim? — Perguntou Wll com bastante medo após uma planta ganhar um aspecto assombroso.

O espiriti parou de enviar energia, Will olhava para o macaco até que repentinamente um galho da árvore se envolveu em seu pescoço com uma velocidade quase não visível aos olhos humanos.

— Ah pronto! — Pensou o jovem imobilizado.

Ele tentou, em vão, se libertar, porém o metal não obedeceu sua vontade e então ele seguiu pensando no que deveria fazer:

— E agora meu Hefesto?

— Escutar. — Uma voz grave fala diretamente na mente de Will, que não compreendeu o ocorrido e pensou:

— Que?

— Escutar. — Respondeu a voz.

— Eu sabia que aquela fumaça causava alucinações, eu tô muito chapado!

— Receber! — A voz vinda do além se eleva e disse isso com bastante sentimento, quase que implorando.

— Ok, explique. — Pediu Will meio receoso, mas curioso.

— Guiar para Manter.

— Quem? O que? De onde, pra onde e por que? Bora sua entidade mística!

— Aceitar.

— Ah meu santo Hefesto da forja! Tô aqui tendo meu momento de possessão e o fantasma não fala português direito. — Will sentiu sua paciência se acabando rapidamente enquanto seu medo aumentava e continuou. — Aceito! — Will cede pela curiosidade, pois naturalmente não tem muito o que perder.

— Aceitar? — Questionou a voz.

— Sim meu caralho, aceito sem saber lá o que você é, óh entidade psíquica vinda de um pokico e que me enforca com um galho!

Dito isso, Will foi libertado, caiu no chão e ao notar que a energia do local estava instável, pensou:

— Agora que o bicho se mostra e eu tomo susto né?

Ao redor de Will surgiu um círculo místico metálico proveniente das profundezas da terra, as folhas dos ipês se tornaram losangos metálicos pretos e vermelhos, que se desprenderam da árvore e que ao flutuarem liberam fumaça proveniente de alma, tudo o que foi alterado ficou girando e ganhando velocidade.

— Ah que lindo, liberei satanás do inferno! — Afirmou Will pensando.

A fumaça liberada fluiu para Will rapidamente conforme o círculo abaixo dele girava mais rápido. Os losangos se multiplicaram, indo em direção ao coração de Will e sendo absorvidos por ele, segundos se passaram e uma explosão silenciosa ocorreu ali. Ele agora estava em pé, com um losango preto e outro vermelho girando ao redor de sua cabeça e disse tossindo enquanto novas folhas nasceram e cresceram rapidamente no ipê:

— Ai que... — Tossiu — … onda forte, bateu com tudo véi! — Rapaz! Ai!

O Pokico assistiu tudo de cima da árvore, após o evento ocorrer, ele foi embora enquanto Will tentou caminhar, mas percebeu sua visão embaçada e falou rindo:

— Tá tudo girando ôh porra! Segura!

Os losangos desapareceram e na mente de Will a mesma voz de antes susurrou:

— Eu. Nós. Explicar.

— Own que meigo da sua parte, mas adianta teu nome ai por favor que eu não tenho muito tempo não. — Perguntou Will em pensamento usando o deboche para esconder seu medo.

— Ubiratã. — Respondeu a voz na mente de Will.

Após ouvir tal nome, Will se arrepiou e sentiu que a comunicação mental não irá continuar por um tempo, sua visão melhorou conforme anda, porém ao cruzar a porta de entrada de casa, ele tropeçou no tapete e caiu por cima do sofá,

— Opa, já vai? — Perguntou Miguel após presenciar tal cena enquanto acha que o comportamento do irmão é por causa do esforço de hoje mais cedo.

— Já, fui, ai! — Respondeu Will

— Cuidado ae.

Will se levantou, olha para Miguel rindo, caminhou até a cozinha, onde de um armário ele pegou um pacote de biscoitos enriquecidos com ferro e caminhou até o computador na sala de estudos, onde se sentou e pensou:

— Ubiratã, um Pokico e o ritual antigo de selamento de alma. Onde CARALHOS eu acabei de me meter?

É final de tarde do mesmo dia, Will ficou horas pesquisando tudo o que podia sobre o que ocorreu com ele. Miguel, de casaco branco, toalha branca em volta da cintura e visivelmente molhado pós banho, entrou na sala de estudos e perguntou para o Irmão:

— Você congelou ai? Tem horas que tu tá digitando sei lá o que véi.

— Bom, eu passei a papelada virtual da feira pra cá e planejei todas as entradas e saídas de mercadorias de hoje até junho. Will realmente fez isso quando terminou de baixar e ler documentos sigilosos sobre o ritual que a entidade que agora habita seu corpo realizou.

— Que trabalhador… Você viu minha calça vermelha? — Perguntou.

— Tá no seu guarda-roupa, na parte esquerda.

— Não tá não… Acabei de olhar.

— Tá sim.

— Não tá!

— Ah não tá? Veremos.

Will se levantou, seguiu até o quarto, abriu o guarda-roupa na parte que indicou anteriormente e jogou a calça vermelha para Miguel, que o acompanhou até o quarto.

— Obrigado, agora sai. — Ordenou Miguel.

— Isso é sério? Ainda nisso Miguel? — Perguntou Will sem entender.

— Anda que eu tô atrasado para minha ronda.

— Vou ficar, cê tem que superar isso, mano. — Will disse se referindo ao fato de que Miguel não gosta que os outros o vejam sem roupa.

— Eu superei!

— Então por que não posso ficar aqui?

— Não vou ficar pelado na sua frente uai! — Argumentou.

— Mas somos gêmeos idênticos, tudo o que tem aí, tem aqui! — Disse Will elevando a voz.

— Sai! — Ordenou.

Will caminhou para fora com Miguel logo atrás para fechar a porta, mas antes dela fechar, ele como um ninja puxou a toalha do irmão, que gritou ao bater a porta:

— Idiota!

— Chato!

Miguel sai do quarto 12 segundos depois já de calça e meias, vestindo o que ele considerava ser seu uniforme de gerente.

— Pra trabalhar tu se arruma rápido né? — Ironicamente perguntou Will.

— É, é. — Miguel falou isso enquanto se move bastante agitado pois estava atrasado, já na área de serviço, que fica no lado de fora e na frente da casa, Miguel pegou suas botas de combate e Will, que estava o seguindo, falou:

— Ah olha como isso aí tá sujo, Miguel!

— Sim, mas vai assim mesmo.

— Nem!

Will fumaçou sua alma metálica e criou um par de botas para Miguel, que rapidamente as calça e pergunta:

— Confortável! Pode limpar pra mim?

— Tá, tá.

— Melhor mano! Te amo! Tchau!

— Tá tchau, se cuida!

Miguel correu pegando impulso, se aproximou do muro frontal de sua residência e o pulou apenas para não ter que abrir o portão. Will viu o irmão indo trabalhar, olhou para a árvore lembrando de tudo o que ocorreu mais cedo e pensou:

— Qual o seu plano, Ubiratã? Infelizmente você selou um poder em um hóspede que tá pra morrer.

Alguns minutos se passaram, Miguel chegou na Avenida dos Ipês Brancos dentro do setor 05 e encontrou 3 pessoas brigando, ele soube os motivos de tal confronto apenas pela destruição ao redor conter fogo e gelo, ele também soube quem é cada arruaceiro. Aquele com roupa anti chama laranja, short branco e tênis laranja chama-se Wares Fairospino, o pior aluno da turma N5 da C2ntral, que manipula o fogo e o vento, 18 anos, marrom, bastante forte fisicamente, tinha o cabelo todo bagunçado em mechas vermelhas, seus olhos laranjas não possuem brilho algum. Ao seu lado estava Caio Fairrepanch, o conhecidíssimo briguento que briga bem, que manipula o fogo, 17 anos, branco, forte nos braços, já que era perito em socos com alma, estava vestindo a calça vermelha metalizada do seu uniforme da siderúrgica, camisa preta estampada com um código de barras e tênis branco, seu cabelo era avermelhado, cortado no estilo pidgeot, última moda no país e seus olhos vinhos intimidam qualquer um. Sozinho apanhando do outro lado estava Dimitri Aicebim, o intercambista N5 russo, que manipula o frio e a água, 17 anos, branco e forte, seu cabelo tinha inúmeros tons de anil, seus olhos eram azuis e brilhavam como gelo reluzente, estava com camisa regata lilás, calça branca e tênis de combate roxo.

Miguel se aproximou dos 3 e gritou:

— QUE PUTARIA É ESSA AQUI?

— É nada não, senhor. — Respondeu Caio apagando a esfera de fogo que controlava com as mãos.

— Nada não? — Questionou Dimitri, que estava caído com a roupa toda chamuscada, ele se levantou e fumaçou suas almas.

Miguel percebeu a raiva de Dimitri e aconselhou ele:

— Ei, sem confusão.

— Ele que começou!— Afirmou Dimitri quando parou de fumaçar suas almas e ao apontar o dedo para Wares.

— Eu? Ah vai mentir lá de onde tu veio, seu... — Disse Wares elevando o tom de voz, porém cortou a própria frase repentinamente.

— Seu o que? — Questionou Miguel, continuando — Vai adicionar xenofobia na sua lista heim Wares?

— Ele não vai não, senhor. — Respondeu Caio antes que Wares pudesse dizer algo.

— Para de chamar esse bosta de senhor, Caio! — Ordenou Wares emputecido.

— Como é que é? — Perguntou Miguel incrédulo com o que ouviu.

— Que foi? Tá surdo? A porcaria da tua alma congelou seus ouvidos? — Disse Wares gastando toda a ironia que tinha.

— Mermão minha paciência tá no fim. — Advertiu Miguel fechando os olhos por um segundo para se manter calmo.

Wares caminhou até ficar frente a frente com Miguel, por terem a mesma altura, seus olhos estavam na mesma linha e Wares perguntou provocando:

— Vai fazer o que? Vai me fazer tomar um sorvete com esse merda ai? — Apontando para Dimitri, que movido pela raiva, falou:

— Não aguento mais você!

Dimitri saltou contra Wares, o derrubou e com as mãos em cima dele gritou:

— Glaciação!

Rapidamente toda a região se congelou, Wares acabou ficando preso ao chão com gelo. Caio avançou contra Dimitri e o empurrou com força, o fazendo recuar uns metros com o impacto, Dimitri fumaçou alma para outro golpe, mas antes que pudesse atacar, Miguel esbravejou impondo ordem:

— Chega! Os três vão pra detenção!

— O que? — Questionou Dimitri.

— Primeiro dia de aula e lá me vou… — Disse Caio abaixando a cabeça.

— Valeu, quebrei meu recorde, depois eu quebro você. — Disse Wares apontando o dedo na cara de Miguel, que não reagiu.

— De que lado você está, Miguel? — Questionou Dimitri.

— Do lado da ordem, agora vocês torçam pro Kuro pegar leve.

— Ih entregou a gente pro instrutor, não aguenta resolver sozinho não? — Wares sabe irritar como ninguém.

— Macho cala a boca. — Miguel disse isso, em seguida pegou seu celular, ligou para o departamento de segurança e continuou a falar — Alô, eu. Venha buscar três.

Em seguida uma policial de alma elétrica surgiu em tp e as medidas cabíveis foram tomadas.

Acabou de dar 11 horas da noite, em uma sala de recuperação de alma do hospital central, o Diretor Dimas estava reunido com cinco dos dez instrutores, Hiro e Wind se encontravam chamuscado por toda a roupa e corpo. Parada com os braços cruzados ao lado da porta estava Ember Heatiwave, a Instrutora de Destruição e Execução, que manipulava o fogo, marrom, tinha 34 anos, cabelo longo e vermelho, olhos vivos em escarlate, vestia shortinho jeans azul, blusinha verde e um par de saltos com 15 centímetros de altura. Ela se mantinha muito impaciente com toda a situação e lixava as unhas para relaxar.

Sentado em uma maca estava Kuro Darquisou, o instrutor de Feitiçaria e Comunicação, que manipulava a morte, preto, alto, tinha 37 anos, seus olhos eram roxos em mistério, seu cabelo era elegantemente ondulado e preto, vestia camisa social branca, calça e sapatos pretos, nos braços segurava seu sobretudo lilás, a todo momento ele recebia mensagens no celular pois coordenava a delegacia e a biblioteca.

E apoiada na beira da janela estava Saori Kido, a Instrutora de Cura e Dominação, que manipulava a alma da vida, branca, 30 anos, possuía olhos e cabelos rosas por causa dos seus poderes, vestia um belo vestido branco, salto plataforma vermelho e o crachá de diretora geral do hospital.

— E então? — Perguntou o Diretor aos instrutores.

— Num tá óbvio que foi sabotagem, meu amor? — Respondeu Ember enquanto lixava as unhas tão rápido que soltava fagulhas no ar.

— Mas quem faria isso? Poucos poderiam causar todo esse caos sem que nós não soubéssemos de nada. — Falou Kuro.

— Quem não, mas pra que? — Disse Shovel que se levantou de sua cama, ficando sentado na mesma.

— Quala a necessidade de fazer isso, nam. — Falou Wind levando a mão á cabeça devido a dor que sentia.

— Vamos do início… Depois a gente reclama. — Advertiu Saori.

— Exatamente. — Concordou o Diretor.

— E onde é que tu tava até agora heim? — Questionou Ember encarando o próprio chefe.

— Eu estava costurando uma boa desculpa com linhas de pura mentira para dar uma volta no pessoal que tava para arrancar nossas almas do nossos corpos depois de hoje! — Respondeu o Diretor com certa ironia.

— Pois muito que bem! — Ember disse querendo rir, ela amava quando o responsável pela C2ntral se metia em confusão.

— E isso tudo depois de limpar toda a fumaça tóxica que vazou para a superfície! — Continuou o Diretor.

— Tá bom, sei que você agiu e coisa tal, mas quem, em nome de Prometeus, abriu um buraco no selamento sagrado que segura a alma antiga do fogo láááá embaixo? — Ember sem paciência foi direto ao assunto que todos queriam saber.

Nas profundezas da Segunda Central estava contida a forma física da alma antiga do fogo, selada por não se sabe quem a pelo menos quatrocentos anos, recentemente estava instável, causando mutações nos espíritis que se aproximaram e problemas aos responsáveis por ela.

— Pode ter sido um acidente. — Sugeriu Wind com a melhor das intenções.

— Nunca no inferno! Eu e Shovel estudamos aquele selamento tem 4 anos! Só um desgraçado muito poderoso consegue romper aquilo! Foi sabotagem! — Ember falou exaltando a voz.

— Calma. Ok. Certo. Vamos lá. Quem poderia ser o responsável? — Falou Saori puxando a razão para o recinto gesticulando bastante com as mãos.

— Os únicos que sabem sobre essa alma antiga são os quatro membros fundadores, os cinco diretores das centrais, os três generais do pessoal e todos os atuais e ex's instrutores que deram aulas aqui. — Explicou o Diretor, informando o seleto grupo que sabia de uma informação tão importante.

— Apenas o alto escalão dos mais poderosos. — Comentou Kuro.

— Não consigo ver um traidor entre os citados. — Falou Shovel tendo fé nos seus companheiros.

— Olha, foi-se o tempo em que a honra era um pilar da nossa sociedade. — Pontuou Saori levemente triste.

— Eis um fato. — Concordou Ember.

— Ôh minha gente, não tinha uma câmera de segurança naquele lugar não? — Perguntou Wind, pois ele nunca adentrou no espaço do selamento.

— Tinham, foram derretidas, o Hiro falou que o vazamento de fumaça começou ontem, o sistema S de segurança foi corrompido e não nos informou do problema. — Explicou o Diretor com chateação.

— Fazendo vazar mais energia e fumaça, causando a mutação de mais espíritis. — Completou Ember.

— Então, não vai valer a pena gastar nossa paciência tentando saber quem fez essa zona juntamente com suas razões. Foco nos problemas urgentes. — Advertiu o Diretor.

— Como os 37 Êcraiforcigos que infelizmente tivemos que abater. — Disse Kuro lamentando.

— Que Gaia os tenham! — Disse Shovel com grande tristeza pois espíritis, como um todo, estavam praticamente extintos.

— Lá embaixo só um ficou vivo graças ao Volt, que não teve forças para matá-lo. — Pontuou Saori, que trouxe mais animação para a sala.

— E o Volt sempre com pena de tudo e todos, onde a Amanda foi arrumar esse irmão dela heim? — Comentou Ember rindo pois os dois citados são parentes, mas praticamente opostos.

— Não comecem a zoar nosso aprendiz de coração mole. — Advertiu o Diretor se referindo ao Volt.

— Falando em Amanda, por onde a bonita anda heim? Ainda tá lá nos… — Perguntou Ember sobre a Instrutora que não está dando aula pois saiu em licença, dando a vaga para o irmão.

— Esta sim, deve voltar depois das férias do meio do ano. — Respondeu o Diretor.

— Mas então, os gerentes conseguiram conter o único Êcraiforcigo que subiu para a cidade. — Informou Kuro, que voltou ao assunto que importava.

— Os pirralhos evitaram MUITA tragédia! — Afirmou Ember.

— Realmente, quem deu carta branca para eles? — O Diretor concordou sem querer e perguntou.

— Eu, enquanto todos nós lutavamos lá embaixo, recebi a informação de um médico dizendo que a fumaça era tóxica para aqueles de alma flamejante, então liberei para que os gerentes tomassem conta disso no nosso lugar. — Explicou Saori com bastante calma.

— Eles agiram bem, já que demos péssimas ordens por causa da correria e da queda do Sistema S. — Elogiou Shovel fazendo uma autocrítica.

— Mas então, tá tudo bem com nossos alunos? — Perguntou Wind.

— Está, todos ótimos, principalmente os gerentes. — Respondeu o Diretor.

— Bom, nossa prioridade, agora, deve ser a mutação de espíritis. A fumaça e a energia gerada pela alma antiga está saindo de controle. — Falou Shovel.

— O selamento está mais fraco a cada dia. — Completou Ember.

— Essa contenção deveria ficar lá na Antártida. — Sugeriu Wind se levantando de sua cama.

— E como levaríamos ela das profundezas do Planalto central do Brasil até o polo sul? — Perguntou Saori.

— Eu sei ter idéias, agora concretizar não é comigo não. — Respondeu Wind rindo.

— Aí Wind…. E o que ocorre com as cigarras gigantes? — Perguntou Saori rindo após o amigo se manter tão positivo mesmo nessas horas.

— Verei o que posso fazer fazer sobre os bichinhos que cresceram e cuspiram fogo. Os dois que seguem vivos continuarão aqui, em uma área apropriada mesmo com o pessoal dizendo que tem interesse em nos ajudar nisso. — Informou o Diretor.

— Que o pessoal fique esperto! — Afirmou Ember.

— Mas tu não gosta deles né? — Perguntou Kuro.

— Gosto, odeio o sistema que nos distancia a cada dia. — Explicou Ember falando sobre a divisão política entre as centrais, responsáveis pelo ensino, do Pessoal, responsáveis pela segurança.

— Críticas políticas podem ficar para depois, igual essa conversa… Vamos descansar. — Sugeriu o Diretor.

— Concordo, temos um ano letivo pela frente. — Falou Saori.

— Que só começa depois de amanhã… — Falou Kuro chateado pela situação que ocorreu.

— Aí, será um longo ano. — Afirmou Ember.

— Forças minha gente! — Disse Wind animando a todos.

Os seis se despediram, saíram da sala do hospital e seguiram suas vidas.

Ao mesmo tempo, no departamento de segurança da C2ntral, Miguel conversou com aqueles que prendeu anteriormente:

— Vocês saem quando o Kuro aparecer, deve ser pela manhã, então relaxem.

Miguel tomou o cuidado de separar os presos por alma.

— Como relaxar se um dos nossos não nos ajuda. — Afirmou Dimitri de sua cela, ele se referiu à intriga existente entre alguns alunos de alma quente contra os de alma fria.

— Dimitri pare de achar que não estou do seu lado, na verdade nem existem lados! — Disse Miguel.

— Existem! Eles deixam claro que existem todo dia! Só querem o mundo em chamas! — Disse Dimitri elevando a voz falando sobre os moços da cela ao lado.

— Você está vendo coisas onde não existe nada. — Disse Miguel crente de que estava certo em sua afirmação.

— Pelo menos vejo algo, e tu? — Perguntou Dimitri disfarçando uma crítica sobre a atuação de Miguel como gerente.

— Minha vista vai bem, pois eu sei o que eu tô fazendo. — Respondeu o gerente de segurança.

— Sabe porra nenhuma! — Gritou Wares de sua sela.

— Sem barulho, ô! — Advertiu Miguel sem se deixar levar pela ofensa.

— É muito fácil viver sendo você né Miguel? — Perguntou Caio enquanto se levantou e encostou a cabeça nas barras da grade que o prendeu.

— O que tu quer dizer com isso? — Perguntou Miguel.

— Bom, tu tem família boa e RICA que eu sei, casa, namorada, é o representante dos frios e gerente de segurança, já nós, temos e somos o que? — Caio disse isso pois conheceu Miguel a muito tempo e na visão dele, o moço que o prendeu levava uma vida perfeita.

— Só sei que vocês são vândalos e não tem nada de juízo, que que custa ir nas aulas e ficar em paz? — Respondeu Miguel se virando e continuou: — Tchau babacas e Dimi.

Miguel chegou em casa às 23:47 após voltar por todo o caminho lamentando o emprego que tem, não tem como agradar aqueles que ele prendeu.

— Mano!! Cheguei! — Disse ao abrir a porta de entrada elevando a voz para informar o irmão.

— Tô aqui! — Respondeu Will do banheiro pois estava tomando banho.

Miguel escutou a resposta, trancou a porta sem problemas e tirou seu casaco, o jogando no sofá.

— Comida na mesa!! — Gritou Will do banheiro.

— Obrigado! — Agradeceu.

Miguel caminhou até a cozinha ainda sem tirar as botas de metal e sujando o chão, ele pegou o único prato que estava acima da mesa e comeu em segundos a refeição que estava ali, quem possuía alma comia bastante, mas ele sempre comeia rápido demais.

Ele foi até o quarto e pegou sua roupa para ir dormir, que consistia em ser um pijama azul com floquinhos de neve. Ao se sentar na beira da cama, ele não conseguiu tirar as botas de metal que Will fez anteriormente e nisso reparou que sujou o chão, ele trocou a roupa que pode, vestiu a parte de cima e o casaco, mas seguiu de botas e agora está mostrando sua cueca também de flocos de neve. Ele decidiu limpar o chão plantando bananeira para evitar mais sujeira e rapidamente realiza essa tarefa, no fim, mais uma vez tentou retirar as botas e não conseguiu, fazendo tanta zona que acabou com a cabeça no chão e com as pernas na cama, aceitando a derrota e decidindo pegar seu celular para usá-lo.

Will molhado e de toalha chegou no quarto e disse confuso com a cena:

— Mas... Ham?

— Não sai! — Disse Miguel ao erguer as pernas, se desequilibrou após isso e caiu de forma engraçada no chão.

— Ah, isso. Bom… — Will moveu as mãos e as botas de metal se torna duas moedas de prata e continua. — Ah, você sabe que pode manipular metal além de criar machados né?

— Nem me toquei… Obrigado. — Agradeceu Miguel perdido nos pensamentos e focado no celular.

Miguel se sentou no chão distraído e ao se virar dá de cara com seu irmão pelado.

— Cobre isso! — Ordenou Miguel!

— Não, tô no meu quarto ué! — Responder Will secando o próprio cabelo.

— Pelo menos vire pra lá! — Pediu Miguel.

— Me obriga. — Desafiou.

— Se é assim… — Miguel ainda sentado e com o celular na mão começou a tirar várias fotos do irmão e continuou. — Belos nudes, já sei pra quem enviar…

— Você não ousaria… — Disse Will apreensivo.

— Então se vista. — Miguel realmente enviaria e Will sabia disso, então se vestiu rapidamente.

— Pronto. — Falou Will de cueca branca e vestindo a calça preta para ir dormir.

— Mas irei enviar mesmo assim. — Falou Miguel.

Will avançou contra Miguel e tomou o celular dele com a destreza de um ninja.

— Não! — Exclamou Miguel.

— Apagado. — Disse Will após excluir os próprios nudes.

— Chato… — Miguel seguiu sentado no chão, agora com as pernas esticadas e olhando para o próprio irmão.

— Que foi? — Perguntou.

— Nada, chato. — Respondeu o emburrado.

Will pegou uma camisa branca no guarda-roupa e começou a vestir, seu irmão seguiu o encarando, como se procurasse por algo.

— Mas o que foi! Nunca me viu não? — Perguntou Will.

— Hmmm. — Miguel se levantou, pegou o celular e tirou uma selfie com o irmão, que não entendeu nada, ao olhar para a foto, Miguel disse:

— Somos diferentes. — Afirmou.

— De novo isso? — Questionou Will.

— Eu sou bonito…. De rosto.— Falou Miguel dando zoom no próprio rosto.

— É sim, mas somos iguais, Miguel. Iguais! — Afirmou Will.

— Não somos, tem umas diferenças. — Disse olhando para o irmão.

— Qual parte do gêmeos idênticos você não entende? — Perguntou Will.

— Tem que ter algo! — Afirmou Miguel.

— Não tem! — Esbravejou.

— Altura?

— Temos 1,73!

— Calço 42!

— Eu também!

— Peso?

— Sério? 61 quilos pra cada lado, mas estou com 58 devido… Bom.. Você sabe! — Respondeu Will se referindo ao fato de que estava perdendo peso por causa de sua péssima saúde.

— Tem que ter algo significante!!

— Miguel.... Mesmo Dna! Aceita véi! — Will levou Miguel até o espelho do banheiro e continuou: — I-dên-ti-cos!

— Tá… — Disse Miguel aceitando que não havia diferenças.

— Por que voltou a procurar diferenças?

— Acho que foi coisa da minha mente… — Disse querendo desconversar sobre o assunto, mas na verdade Miguel fez isso pois pensava que se ele e o irmão são iguais, porque são tão diferentes no trabalho? Ele buscava divergências físicas para justificar a auto-comparação com o irmão.

— Tá e lembre-se… Iguais. — Falou Will com calma.

— Tá....

— Só tem uma coisa que nunca conferimos… — Falou Will rindo de forma sugestiva.

— O QUE É? — Miguel esbravejou animação.

Will se levantou e sem rodeios apontou para o conteúdo que estava dentro da própria calça.

— Ham? Nem morto! Não com o meu irmão! — Afirmou Miguel meio confuso com a sugestão que recebeu.

— Eu falo do tamanho, seu doido! — Explicou Will.

— Ah tá.

— 17 e meio? — Pergunta Will.

— Tudo igual mesmo. — Disse Miguel rindo.


27 de janeiro de 2015; terça-feira. Verão.


Miguel estava deitado e mandando mensagem para sua namorada Iara, que ainda não voltou para a segunda Central, ao seu lado Will dormiu tranquilamente enquanto ao fundo se escutava um funk bem pesado vindo da casa de algum vizinho, ele ativou 5 alarmes no celular, o colocou no chão e foi dormir, porém percebeu que graças a música alta não iria conseguir.

— Uma foquinha, duas foquinhas, três foquinhas… — Contou Miguel em pensamento tentando adormecer enquanto o baile seguia animado.

02:58 da mesma madrugada

— 389 foquinhas. 390 foquinhas. Trezentos e noventa CHEGA! — Miguel se levantou bem puto, pegou o celular e disse ainda com raiva — Vou ligar pra polícia!

Miguel com sono ficava lerdo, com quase nada de raciocínio e disposição.

— Eu sou a polícia! — Disse o gerente de segurança.

A música aumentou assim que o relógio chegou às 3 da manhã, Miguel olhou para Will dormindo tranquilamente e pensou ao se questionar:

— Como ele consegue ficar em paz?

Ele se levantou da cama e foi tomar água para ficar mais calmo, ele chegou até a cozinha e enquanto estava engolindo água, várias pedras caíram no telhado do cômodo em que ele se encontrava, fazendo duas telhas racharem, ele fumaçou ao liberar sua alma em descontrole e a água congelou dentro do copo que segurava. Ele então voltou pra cama e encarou o teto para focar a raiva que sentiu dos festeiros. Uma outra pedra, maior que as anteriores, atingiu o quarto e abriu um buraco em uma das telhas, fazendo os destroços acertarem Miguel, que muito puto explodiu o que sobrou das telhas com toda a alma. Ele saltou da cama, se pendurou na parede, subiu até o telhado e dele olhou para a origem da música. Ali do lado, na casa do Winston, estava rolando o maior frevo que jovens poderiam fazer, com geral bebendo e dançando.

— Winston seu desgraçado! Vai fazer festa na casa do caralho, porra! Eu quero dormir! Desliga isso! Carai! — Gritou Miguel para seu vizinho dos fundos.

Wiston Madishot era um belo babaca, que manipulava a terra, tem 18, branco meio bronzeado, fisicamente normal, com olhos e cabelos marrons como a terra que sabe controlar. Vestia camisa regata vermelha, short preto e tênis de mesa cor, tudo formalmente casual. Ele olhou para Miguel e sorriu de forma cínica enquanto caminhava até as caixas de som que estavam no seu quintal e começou a aumentar o volume delas enquanto disse:

— Que?! Não deu para te ouvir!

Miguel sem paciência alguma respondeu a provocação ao disparar uma esfera de metal gelado nas caixas de som, destruindo elas de forma bem agressiva.

— Agora dá! — Afirmou Miguel.

Winston fumaçou sua alma, tocou o chão e dele e ergueu duas grandes rochas ornamentadas com rubis. Ele grudou os cabos de energia nas rochas e o som da música voltou a ser produzido, agora com o dobro de volume.

Miguel violentamente disparou uma esfera maior e mais pesada contra as rochas, as destruindo e fazendo o local esfriar, causando medo naqueles que festejavam.

— Chega de festa! — Ordenou enquanto congelou local em que estava.

Winston desfez os cristais assustado com o que ocorreu e disse:

— Você ganhou.

Ele não satisfeito com a situação olhou para sua amiga Charllote Uorrisid e sorriu. Charllote é pesquisadora, que manipula as plantas, branca, tinha 17 anos, olhos verdes, mas estavam avermelhados, cabelo longo, liso e verde, que estava preso, ela se vestia formalmente toda de branco por ter acabado de sair do laboratório em que trabalhava para poder curtir um pouco. Ela entendeu a razão de Winston rir para ela, Charllote era conhecida por manipular plantas tóxicas, ela criou esporos de uma espécie em particular, que são levados pelo vento até Miguel. A festa se encerrou com as pessoas indo embora e Miguel espirrou 3 vezes após respirar os esporos de Charllote quando voltou para cama. O gerente de segurança agora possuía uma vista para as estrelas já que perdeu seu telhado, ele tentou dormir, porém não conseguia fechar os olhos, sem saber que ficaria com uma forte insônia por causa da planta que entrou em seu organismo.

A noite acabou, amanheceu. Will acordou por causa dos alarmes de Miguel tocando e olhou para a situação que estava o quarto.

— Que que aconteceu aqui véi? — Perguntou Will.

— Bom dia. — Respondeu Miguel quando se virou e falou como um zumbi.

— Péssimo dia pelo visto? O que foi?

— Não ouviu nada da zona?

— Bloqueio magnético sempre na hora de dormir. — Informando sobre uma técnica que usou para poder dormir, onde todo o som era magneticamente desviado dele.

— Ah. Winston e sua festa. Não dormi nada. — Explicou quase sem forças.

— Que pena mano.

— Agora vamos, estamos atrasados pra central. — Falou enquanto se levantou.

— Mano...

— O que?

— Hoje não tem aula, lembra?

Miguel olhou para Will e começou a chorar de tristeza, ele foi consolado pelo irmão que se arrumava enquanto ria ao saber dos detalhes do ocorrido na madrugada.

31 de Março de 2020 às 01:43 1 Denunciar Insira Seguir história
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Karimy Lubarino Karimy Lubarino
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April 14, 2020, 14:48
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