mikaelagaelzer Mikaela Gaelzer

Nataniel, um jovem de Porto Alegre, realiza o sonho de estudar na renomada Universidade de Paris, contrariando a vontade do pai que sonhava em vê-lo no ramo da contabilidade, jogando-se de cabeça na aventura de viver em outro país. Tudo vai bem até a chegada de Clarisse. Nataniel sente-se atraído pela moça, sem saber que há muito tempo ela enfrentou os tão temidos Arcanjos e desistiu de sua vida celeste por ele. Pouco a pouco ele se vê rodeado por Anjos e Demônios que clamam seu sangue e acha em Clarisse a proteção e ajuda que tanto precisa. Uma história fantástica, onde nada e ninguém é o que parece.


Fantasia Épico Todo o público.

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PRÓLOGO - DEGUSTAÇÃO

Existem muitas teorias de como o paraíso realmente é. Alguns descrevem como um extenso jardim verdejante com flores e árvores frutíferas para todos os lados, onde os anjos passeiam e os humanos que para lá vão se tornam seres de luz radiante e sempre estão felizes.

Outros o descrevem como um lugar muito claro com nuvens até perder de vista e uma constante neblina que cobre até os tornozelos. Quando morrem, os homens e mulheres ganham asas parecidas com as dos anjos e ficam a vagar pela enorme vastidão que é o céu.

O real é que nunca teremos uma visão correta. Cada um imagina seu próprio paraíso, assim como cada um escreve sua própria história. É uma questão de visão, imaginação e escolha, o chamado livre arbítrio.

Uma coisa ao menos é possível afirmar: O nascer do sol no paraíso é diferente do contemplado na terra. Aqui não o sentimos esquentar a pele e ele não vem mansinho para então alcançar toda sua glória. Ele já vem forte, um feixe de luz que faz apertar as pálpebras por alguns instantes.

Com sua chegada, o paraíso ganha cor e também vida. A névoa dá espaço para os pátios e gramados. É possível ver palácios grandiosos e edificações gigantescas, abarrotadas de anjos para todos os lados.

Convivendo há tantos milênios com o amanhecer no que os homens chamam "paraíso" ou "céu", o anjo de asas negras e expressão cansada observava sereno de uma colina o início da nova manhã. Em posição de flor de lótus, ele parecia meditar e sua expressão demonstrava paz, o que contrastava ferozmente com sua natureza selvagem. Ele era um anjo da morte, seres que são encarregados de "limpar a sujeira" sempre que os supremos príncipes do mundo, os Arcanjos, ordenam.

Tantos milênios após a criação do universo e dos homens, o anjo começava a sentir o peso de tantas vidas ceifadas a troco de nada. Todos no paraíso sabiam o quanto os Arcanjos desprezavam a vida dos homens e suas possibilidades de escolhas, mesmo que eles negassem veementemente.

Eles não aceitavam que os seres terrenos cultuassem um Deus que não fosse o pai dos celestes — que permanece em repouso desde a criação no sétimo dia — por isso, na primeira tentativa de dizimar a raça humana, eles mandaram um cataclismo de gelo, certos de que os humanos sucumbiriam ao frio e aos recursos escassos. Isso funcionou bem por algum tempo, e a terra viveu "em paz" e parecia "desinfetada", mas logo em seguida as pequenas civilizações que sobreviveram voltaram a se reproduzir e povoar, o que deixou os senhores do universo irados e sem opções de escolha, a não ser esperar pacientemente a próxima oportunidade.

Vendo o gelo como um aviso vindo dos céus, os homens voltaram a cultuar o Pai dos Celestes e por muitos anos as coisas fluíram em paz. Esta que acabaria algumas gerações depois.

Conforme os anos passaram, homens que viveram na época do gelo vieram a falecer, seus descendentes aos poucos esqueceram-se do cataclismo e também das leis divinas.

Começaram a viver em pecado, cultuar novos deuses e propagar a violência. Tornaram-se ambiciosos, avarentos, sempre querendo mais poder, mais dinheiro, mais de tudo. Nada parecia bom, nada nunca estava completo, nunca estavam felizes ou satisfeitos.

Vendo o que ocorria com o mundo, os Arcanjos entraram em reunião para decidir o que fazer diante daquela situação, qual seria o castigo mais adequado para os homens.

Pacientemente, os anjos aguardavam a reunião acabar, mas o anjo da morte já sabia qual seria a decisão de seus superiores: violência.

Antes de amanhecer por completo, o anjo de asas negras abriu os olhos e soltou um longo suspiro; saiu da posição de lótus e levantou-se quase no mesmo momento em que outro anjo, com asas cor de areia o encontrou na colina.

— A decisão foi tomada. — O recém-chegado anunciou sem animação na voz. — Os senhores desejam lhe ver.

Maneando a cabeça de acordo, o anjo de asas negras acompanhou o anunciante pelas colinas até chegar ao palácio alvo que ficava ao sopé da montanha mais alta existente no paraíso. Era ali que os Arcanjos se reuniam.

Na sala principal, branca como a neve e com as enormes pilastras adornadas com detalhes em ouro, os cinco Arcanjos repousavam gigantes em seus tronos dourados.

Os tronos estavam dispostos em diferentes níveis, semelhante a uma pirâmide. No terceiro degrau, extremos um ao outro, encontravam-se os tronos de Rafael e Gabriel, um degrau acima estavam os Tronos de Uriel e Lúcifer e, soberano no primeiro degrau, encontrava-se Miguel.

O anjo se aproximou, curvou-se diante de seus senhores e aguardou pacientemente as ordens.

— Chegamos à conclusão de que se não intervirmos, os homens acabarão com eles mesmos. — A voz de Miguel ecoou pela sala, alta e clara. — Não podemos deixar que façam isso, aplicaremos uma punição que servirá de exemplo, sem afetar a todos. — O anjo continuava ouvindo pacientemente. — Podemos lhe confiar essa missão?

O anjo recuou e ergueu os olhos, mirando os celestes.

— Dê-me a ordem e considere-a cumprida. — Sempre obediente, o anjo falava tudo que sabia que os Arcanjos gostariam de ouvir, mas em seu interior estava exausto.

— Ótimo! — exclamou Miguel. — Então prepare-se, pois dessa vez não quero apenas mortes. Quero um verdadeiro espetáculo! — Os olhos do celeste faiscavam. — Um cujo homens e anjos jamais esquecerão.



25 de Março de 2020 às 01:12 0 Denunciar Insira 0
Fim

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Mikaela Gaelzer Alguém que acredita na magia das palavras.

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