cecifrazier Cecília Frazão

Todoroki Shouto se mudou para Nova Iorque com o objetivo de recomeçar a vida. Queria se livrar dos problemas que acumulou em Musutafu e assim, poder se focar no que realmente gostaria de fazer. Morando durante algum tempo na cidade estadunidense, Shouto aprendeu várias coisas apenas observando as pessoas. “Os gestos dizem mais que palavras”. Ele, por muito tempo, teve essa frase em mente. E sempre pensava nela quando observava Midoriya Izuku.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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Prólogo

As ruas movimentadas de Nova Iorque não podiam cessar o frio do inverno. Nem mesmo as lareiras, cachecóis de lã ou o amor dos amantes podiam aquecer a cidade que agora se encontrava na estação mais fria do ano. Os lagos estavam congelados. Não havia mais folhagem nas árvores e se podia encontrar decorações natalinas nas casas. Sem contar os bonecos de neve que as crianças adoravam montar, ou os anjinhos de neve, deixados por pessoas cheias de sonhos e esperanças.

Todoroki Shouto era uma dessas pessoas. Por mais adulto que fosse, quando se tratava do inverno, se sentia uma criança novamente. Na verdade, nem tanto, pois algumas pessoas mais velhas ficavam confusas ao ver um homem deitado na neve, sozinho, fazendo marcas de anjinho. Ele não ligava, afinal, o que fazia era problema exclusivo seu. Desde quando saiu da casa de seu pai, decidiu que não deixaria ninguém o controlar novamente. Enji era um manipulador. Achava que apenas as vontades dele prevaleciam e que todos deveriam fazer o que ele mandasse. Pobre Rei. Sofreu tanto nas mãos daquele ditador que acabou desenvolvendo doenças psicossomáticas, resultado dos abusos físicos e psicológicos.

Shouto amava demais a mãe. Mesmo depois dela ter atirado água fervente em seu rosto quando criança, ele não a culpava. O lado esquerdo de sua face era o qual mais tinha traços do pai. Diferente da cor acinzentada à direita, o olho esquerdo era azul-celeste. A mesma cor de Enji. Além disso, o cabelo partido em duas cores — branco e vermelho — mostrava bem quão divergentes eram as duas pessoas que lhe deram a vida.

Entretanto, Shouto não havia levado na mala, de Musutafu para Nova Iorque, os problemas familiares. Ele estava disposto a deixar tudo de lado para dar início à nova vida ao lado de, quem sabe, alguém. Ou não. Poderia apenas adotar cachorros e gatos e cuidá-los até o fim da vida. A prioridade não era se apaixonar, apenas, viver bem. Caso a paixão entrasse em sua vida, ele a aceitaria.

Todoroki decidiu que já estava na hora de se levantar do chão. Começou a nevar e não queria pegar um resfriado, então voltaria para casa. Ajeitou o cachecol no pescoço, olhando ao redor. As crianças, que antes montavam tão animadamente os bonecos de neve, estavam sendo tiradas do parque pelos pais. Ele abriu um sorriso mínimo, escondido pelo grosso tecido do cachecol, relembrando do inverno em Musutafu.

Como sentia falta.

x x x

O apartamento ligeiramente apertado, localizado no bairro Harlem, era ideal para Todoroki. Ele não podia dizer que a vizinhança toda era pacífica, a julgar pelo histórico de tráfico de drogas, mas até o momento não tivera problema algum. Ele ficava na dele, e os outros não tinham o que reclamar. O bicolor sempre foi calmo e procurava estabelecer um bom relacionamento com todos, coisa que lhe foi muito útil nessa transição da vida, pois seu professor de inglês do ensino médio, que possuía inúmeros contatos, ajudou Shouto a se empregar em uma escola de idiomas. Lá, ele ensinava japonês e podia se sustentar sozinho com o salário, sem pedir um centavo ‘daquele homem’, apesar de sua mãe enviar dinheiro de tempos em tempos.

Shouto pendurou os casaco e cachecol no cabide que ficava na entrada, e também retirou os sapatos e meias, costume que trouxera consigo do Japão. Ele não tinha nada para fazer, além ficar deitado o dia todo enquanto assistia ao jornal. Shouto não gostava muito de redes sociais ou aplicativos de mensagens instantâneas — preferia mil vezes o bom e velho e-mail — mas precisava usar de vez em quando para responder aos alunos e se comunicar com os irmãos. Sem muitas opções, abriu o freezer da geladeira e tirou de lá dois — nada saudáveis — hambúrgueres congelados, cheios de conservantes, prontos para serem postos no micro-ondas. E foi exatamente isso que Shouto fez, dando adeus à rotina baseada em alimentos pouco calóricos e naturais. Ora, era dezembro! Férias, época natalina! Ele, sinceramente, estava morrendo de preguiça de ir ao supermercado fazer compras.

Quando o eletrodoméstico apitou, pegou a comida certamente cancerígena e buscou uma lata de saquê. Em seguida, se esparramou no sofá da sala, ligando a televisão. Pretendia não sair de lá pelo resto da tarde.

x x x

O sono de Todoroki era muito pesado. Nem sequer viu a hora que adormeceu. Ele despertou no dia seguinte, com o controle do televisor numa mão e a lata de saquê noutra. Dormiu assistindo ao jornal da tarde e acordou com o jornal da manhã. Resolveu desligar a televisão e se levantar. Ele estava morrendo de preguiça para fazer qualquer coisa, mas realmente precisava escovar os dentes e tomar banho. Quente, de preferência. E assim o fez. Após se banhar, colocou uma camisa, um casaco de moletom por cima e uma calça de tecido grosso. Calçou os pés com meias de lã e botas. Iria tomar café fora, pois não aguentava mais comer cereal e ovos fritos com queijo.

Haviam vários lugares em seu bairro onde podia tomar café, entretanto, no bairro ao lado tinha um que era seu favorito, tanto pela comida quanto pelo movimento — que não era muito. Precisou andar várias quadras até chegar, mas valeu a pena. Sentiu o cheirinho agradável e sorriu. Foi logo entrando para garantir o melhor lugar. Abriu o cardápio que estava bem posicionado em cima da mesa, e olhou atentamente todas as opções. Findou em pedir o de sempre: uma fatia de torta de mirtilo e um latte macchiato.

Distraído, Shouto observava discretamente as pessoas que adentravam à padaria, que aos poucos ficava cheia. De repente, foi bruscamente tirado de seus pensamentos ao avistar alguém. Um jovem rapaz, que tinha acabado de entrar no local. Ele falava ao telefone e esbanjava o sorriso mais espontâneo que já vira naquela floresta de pedra. O coração do bicolor deu uma batida mais forte. Esse garoto, de cabelos ondulados e olhos verdes, fez Todoroki ser puxado de volta à realidade.

— Senhor, seu pedido. — Uma mulher chegou com a bandeja que carregava seu café da manhã. — Com licença.

— Muito obrigado. — Ele assentiu. Encarou o prato, bonito como sempre. Parecia uma pintura.

Apesar de estar demais satisfeito com a aparência da refeição, outra aparência roubava a atenção de Shouto. Espiou novamente, procurando com o olhar o rapaz. Para seu completo azar, ele tinha se sentado de costas. Todoroki estalou a língua. Nenhuma outra pessoa chamou tanto sua atenção antes. Por um momento, quis conhecê-lo, entretanto, Shouto não achou conveniente. Nem todo mundo gostava de ser abordado dessa forma por um desconhecido. Decidiu deixar para lá e aproveitar seu latte macchiato antes que esfriasse.

20 de Março de 2020 às 15:38 0 Denunciar Insira 0
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