ichygo-chan ichygo Chan

Embora estivesse cercado por diversas pessoas, Eijiro se sentia solitário, vazio e quebrado. Nem mesmo o dinheiro, respeito e prestígio que conquistara como mafioso era capaz de preencher o vazio que se instalara em si, ou apagar a mágoa e ressentimento que o tornaram um ser apático e frígido, incapaz de enxergar beleza ou esperança em algo. Vivia um dia de cada vez, a espera do dia fatídico em que seus inimigos o emboscariam e dariam fim a sua existência, tendo se conformado com o fato de que sua existência seria efêmera, sem ter algo pelo qual lutar ou mesmo se apegar. Então Aiko entrou em sua vida de maneira inusitada, trazendo luz e calor a seu mundo antes escuro e vazio, resgatando sentimentos há muito perdidos e ressuscitando em si o apego a vida ao mesmo tempo que, indiretamente o reaproxima daquele que foi o primeiro amor de sua vida. A sensação de ter alguém para amar e proteger desperta o Eijiro que estava adormecido dentro do coração do Crinsom Titan que só lamenta não ter tempo suficiente para resgatar o que o rancor lhe roubou.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#lemon #yaoi #bnha #ua #violência #gore #fluffy #angst #mafia #kiribaku
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Em progresso - Novo capítulo Todas as Terças-feiras
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Apresentação

Então, povo, eis-me aqui lançando o livro 2, Senhor, eu devo ser doida mesmo.

****


A música iniciou suave como a mansidão das ondas de um mar calmo, ditando o ritmo da bailarina que começou a se mover lentamente, erguendo graciosamente o tronco e jogando as mãos para o alto em movimentos delicados, movendo-as com precisão, cada dedo alongando e retraindo no momento exato.

Os olhos atentos da plateia acompanharam cada gesto delicado, cada giro habilmente realizado pelas pernas que ora dobravam, oram se estendiam, sustentadas pelos pés que deslizavam pelo palco. Os movimentos fluidos e o olhar concentrado demonstravam a aptidão da dançarina que mova-se suavemente como se fosse o vento, sem peso, etérea.

Logo os acordes aumentaram de intensidade, dando a apresentação o drama que precisava ao chegar ao seu clímax. Na mente de Aiko deveria haver a peça, desenrolando-se ao passo em que executava os movimentos tantas vezes treinados antes, todavia tudo o que passava eram memórias.

Podia-se ver em cima do palco, ainda criança, vestida com o tutu feito sob medida, costurado aos seus sonhos de menina. Os movimentos ainda duros e sem sincronização alguma, apreciados como se fossem a mais bela peça de teatro. Atrás o som da voz de sua primeira professora de Ballet, ditando os passos em francês. Na plateia o par de olhos que a acompanhavam carregados de orgulho e admiração, ostentando um sorriso ladino enquanto levava ao lábios o charuto que tragava lentamente, deixando visível a brasa, tão carmesim quanto seus olhos e cabelos.

Sentiu o coração arder e os olhos lacrimejarem de saudade. Em sua boca havia o gosto amargo do que a vida havia lhe arrancado e a culpa de ter-lhe tratado com indiferença, se afastando e o rejeitando sempre que ele se aproximava.Arrependia-se de não ter-lhe dito mais vezes que o amava.

Desejava todos os dias desde aquele último encontro poder voltar atrás e desfazer seu erro, nunca ter-lhe negado uma palavra ou olhar. Se pudesse tê-lo novamente só por mais alguns minutos, se desculparia por ter sido uma filha tão falha.

Encontrou os olhos do pai na primeira fileira, desejando poder ver seu amado Tio Tubarão ao lado, com o mesmo charuto, charme e olhar orgulhoso. Ele sempre a incentivara a ser melhor, seguir em frente e realizar seus sonhos e Aiko desejou que ele também estivesse ali vendo-a se apresentar no Bolshoi. Desejou ouvir suas palmas e ganhar seus parabéns, poder abraçá-lo e não mais soltar sem dizer o quanto era importante para si e o amava.

Ao menos tinha seu pai, e por Deus, não deixava ele sair de perto de si sem falar o quanto o amava.

Perdida em lembranças ela chorou enquanto se apresentava, sem conseguir controlar as lágrimas que desceram pelas bochechas, sem deixar de executar um único movimento, bela e natural, tão empenhada que o público tomou suas lágrimas como um adicional a peça, a dor que a personagem estava sentindo.

Ele não permitiria que ela deixasse algo pela metade, incompleto, sempre a incentivou a nunca demonstrar suas fraquezas diante dos outros, sempre agir com naturalidade mostrando força mesmo que seu interior estivesse em cangalhos. E ela tinha orgulho de ser como seu amigo, mestre e pai.

Sabia que se ele estivesse ali seu olhar seria de puro orgulho pela profissional que se tornara, emocionado por ela ter conseguido conquistar seus sonhos. Vitória que conseguiu a custo de muito suor e lágrimas, sempre erguendo-se e tentando novamente ao se lembrar das lições. As vezes sentia que ele estava ali, ao seu lado, incentivando sua evolução.

Quase podia sentir o cheiro amadeirado de seu perfume misturado ao tabaco. Fechou os olhos concentrando-se nas memórias, sorrindo junto ao lembrar do sorriso dele. Amava-o tanto que quase era possível invocar sua presença.

Ao final da apresentação, enquanto o público ovacionava-a de pé, ela sentiu-se conectada com seu passado, recordando do tempo em que haviam apenas três pessoas a lhe aplaudir dentro do anfiteatro da mansão do Tio Tubarão. Ela era a rainha daquele lugar, a única a colocar dois dos homens mais teimosos do mundo literalmente no chinelo, amansando-os como se fossem coelhinhos fofinhos.

Não conseguia lembrar o que havia acontecido para se afastar de seu amado Tio Tubarão, mas se lembrava de seus olhos carregados de tristeza e culpa toda vez que o afastava de si. Sentia que era algo importante, possivelmente traumático pois seu estômago revirava quando tentava forçar a memória, por isso sempre desistia.

Engoliu a emoção, respirando fundo e sorrindo enquanto jogava um beijo demorado para o pai na primeira fileira, contemplada pelo sorriso orgulhoso que ele ostentava como se dissesse com o olhar "essa é a minha filha, merda!". Seus lábios tremularam ao vê-lo se erguer com os demais enquanto batia palmas e precisou de toda seu autocontrole para não se jogar daquele palco e o abraçar.

Os jornalistas vieram eufóricos assim que saiu do camarim, ansiosos para entrevistar a mais nova dançarina no ballet Bolshoi, premiada e ovacionada por ser um talento nato. Havia aprendido a falar em francês, ainda que sua pronúncia não fosse tão boa, nem ela tão eloquente quanto Eijiro.

— Mademoiselle, que pensez-vous de jouer dans l'un des théâtres les plus prestigieux du monde? (Senhorita, como se sente ao se apresentar em um dos teatros mais prestigiados do mundo? )

— Impossible de décrire, je me sens épanoui!(Impossível descrever, me sinto realizada!) — respondeu ostentando um enorme sorriso vitorioso — Je me suis entraîné et je me suis consacré à être ici (Eu treinei e me dediquei muito para estar aqui)

Aiko seguiu respondendo algumas perguntas com o coração carregado de felicidade até que um jornalista de cabelos negros se meteu no meio, exigindo sua atenção de maneira esbaforida.

— C'est vraiment un accomplissement de voir une fille qui a vécu tant de choses, y compris un enlèvement, se produire en tant que danseuse (Realmente é uma realização ver uma garota que passou por tantas coisas, dentre elas um sequestro, se realizar como bailarina).

O sorriso dela esmoreceu no mesmo instante, perdendo o brilho enquanto seu semblante fitava o sujeito, fechando-se descontente. Toda vez era a mesma coisa, eles ressuscitavam o assunto dizendo que ela sofria síndrome de Estocolmo por ver no Titã a figura que ninguém mais via, e isso a irritava.

— Ça ne m'a pas affecté( Isso não me afetou) — respondeu tentando ignorar a pungente raiva dentro de si.

— Une raison de plus pour célébrer, après tout, vous avez réussi à revenir en vie alors que vous étiez en prison avec Crimson Titan.(Mais um motivo para comemorar, afinal você conseguiu retornar viva mesmo sendo mantida em cárcere pelo Titã Carmesim.)

Antes que pudesse perceber, Aiko fechou o rosto em desagrado, mantendo o olhar desgostoso no infeliz enquanto segurava seu microfone, tencionando empurrá-lo. Haviam lágrimas em seus olhos que deixaram a todos incomodados.

— Tu ne sais rien, tu ... (Você não sabe de nada, seu...)

Sentiu uma mão cobrir a sua, antes que o braço protetor de seu pai repousasse em suas costas. Delicadamente soltou-lhe os dedos, segurando ele mesmo o microfone com a mão espalmada.

— A entrevista acabou, cambada de urubus. — anunciou liberando minimamente a peculiaridade de fazendo o microfone fumegar antes de empurrá-lo para o lado, conduzindo a filha para longe dos entrevistadores que foram impedidos pelos seguranças de segui-los.

— Obrigada por me salvar, papa — agradeceu enquanto ele a colocava no carro, no banco dos passageiros, contornando-o e entrando do outro lado.

— Você puxou muito de mim, sinto que tenha sido assim — suspirou recostando brevemente ao banco, antes de ligar o carro — Não pode deixar que esses carniceiros te incomodem a ponto de sentir-se frustrada, se estiver se sentindo mal basta encerrar a entrevista, ok?

— Eu sei, mas não consigo me conter quando eles começam a falar do Tio Tubarão daquele jeito, eles não o conhecem, vivem dizendo coisas horríveis sobre ele e...

— Aiko — Katsuki chamou-lhe a atenção ao perceber que ela estava começando a ficar raivosa e emotiva, enxugando as lágrimas que escorriam por seus olhos — Passou, se acalme, não tem porque se irritar por isso.

Ela acenou positivamente, e Katsuki a liberou do toque, concentrando-se em dar partida no carro e dirigir.

Internamente, Aiko lutava contra os sentimentos que queriam derrubá-la, mantendo-se o mais consciente possível.

— Você acha que ele vai voltar? — indagou hesitante depois de ter passado alguns minutos em silêncio, em um mudo silêncio contemplativo enquanto fitava a cidade de Moscou pela janela do carro.

— Ele sempre cumpre suas promessas, não é mesmo? — Katsuki respondeu com um sorriso, embora parecesse um tanto descrente.

Felizmente Aiko não estava olhando o pai, sendo assim não reparou nesse detalhe.

— É, ele sempre cumpre. — Aiko concordou quase num sussurro.

A ideia de que ele retornaria a reconfortava.

*****

Bem vindos a segunda parte da história, meus amores. Prometo aquecer vossos corações com o capítulo seguinte.

16 de Março de 2020 às 20:00 0 Denunciar Insira Seguir história
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