ichygo-chan ichygo Chan

Após várias reflexões, Eijirou finalmente admite que o que sobrou de seu relacionamento com Katsuki foi apenas o amargor, consumido pelo tempo, o companheirismo engolido pelo stress da vida adulta. Contudo, ele acredita que talvez ainda haja uma oportunidade de tornar novamente brilhante o que foi consumido pela ferrugem do tempo. Porquê se há um alguém que desperta seu lado mais entregue e irracional, esse alguém é Katsuki.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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Minha maior fraqueza

Hello boys and girls, esse é um pequeno spin-off em homenagem a Daijoubu e a minha bela esposamachadorisosque autorizou essa brincadeira. Tentei seguir o mesmo estilo dela, só que escrevendo a visão do Eijiro e usei a música Diamonds and Rust do Judas Priest para plotar, cuja versão mais soft está aí em cima. Colocarei nas notas finais a versão mais agitada para verem a diferença.


É isto, espero que se divirtam tanto lendo quanto eu me diverti escrevendo.

📷

Há quanto tempo você está preso nessa fase? Esse aparentemente eterno e debilitante ciclo, sem conseguir evoluir ou seguir em frente, remoendo o que foi e o que poderia ter sido, lutando para desvendar os motivos por detrás da queda?

Mesmo ciente de que tomou a decisão certa, você sente que, de alguma maneira, deixou algo incompleto, algum fio solto na trama, uma pista que não conseguiu decifrar a tempo.

Isso deveria importar agora que tudo acabou? Existe realmente alguma lucidez em manter-se apegado a uma culpa que não existe?

"Nós poderíamos dar certo" você pensa enquanto mira a primeira foto sobre a cômoda. A primeira que tiraram juntos, oficialmente como namorados. Tudo parece ter acontecido há tanto tempo atrás, em uma outra vida.

Ele era diferente. Os dois eram.

Jovens e felizes sonhadores, cúmplices de um sentimento que no fim revelou-se unilateral. Então você lembra de todas as brigas e lágrimas que vinham se tornando mais e mais frequentes com o tempo, o amor que parecia cada dia mais pálido e desbotado, esvaecendo e escapando por entre seus dedos por mais que tentasse mantê-lo ali, presente e sólido. Relembra de todo o amargor dos últimos meses, o peso insuportável do cansaço e mais uma vez conclui que nunca houve um nós, apenas eu, e tudo parece desabar de novo.

Quantas foram as vezes que lutou para unir o que ele havia desfeito? Que suportou os ataques e constantes crises de arrogância egoísta? Tantas que feriu sua resiliência, destruiu sua aparente tranquilidade, corroeu seu otimismo porque as pessoas tem um limite e você chegou ao seu. Levou anos para entender que também podia se dar ao luxo de explodir e ser a parte desestruturada e estúpida da relação. Os papéis se inverteram e, antes que desse conta, era você a bradar a plenos pulmões, agindo sem pensar, deixando a pressão finalmente escapar ruidosa.

O olhar dele quando o fez e o silêncio estupefato ao qual se entregou ao presenciar sua reação não poderiam ser descritos. O semblante atônito e o lento mover de lábios enquanto o via arrancar a aliança e se livrar dela como se queimasse ainda o atormentavam. Fora a primeira vez a ser você o que grita e poderia ser cômico se não fosse trágico.

Os balbucios ininteligíveis foram os últimos sons que escutara dele quando saiu de casa carregando não mais que a roupa do corpo. Felizmente sua sogra fora empática o suficiente para buscar o restante de suas coisas. Não queria ver Katsuki, sequer tinha estado mental para lembrar dele nos dias que se seguiram sem explodir em gritos ou lágrimas.

Você estava cansado e deixou que tudo desmoronasse de vez. Então você pensou que podia lidar sozinho, um dia de cada vez. As ligações e mensagens de texto não respondidas foram diminuindo de frequência. Lê-las estava fora de cogitação. Ouvir sua voz seria retroceder e não podia se dar ao luxo de perder toda a evolução que conseguira.

Grande piada, Eijiro. Bem sabe que não houve evolução alguma. Katsuki o assombra em vida, está em todos os lugares, mesmo que não fisicamente. Para onde quer que olhe, independente do que escuta, você o vê, sente e se angustia com a saudade que te corrói por dentro, o sentimento de incompletude que queima sob a pele.

Dói fingir que não quer mais quando a alma clama pela presença do outro, ignorar esse chamado é como levar uma facada no coração. Está cada dia mais difícil e sufocante e você se vê a um passo de desistir quando recebe uma ligação.

Justamente quando encarava a lua cheia, observando-a em todo o seu esplendor, debruçado sobre o parapeito da janela. A lua te lembra Katsuki, assim como o sol, as estrelas, o ar. Tudo te lembra, porque por mais estúpido, egocêntrico e ignorante que seja, ele é sua outra metade e você não suporta mais estar longe, mesmo reconhecendo que ele não o merece, e pensa que talvez nasceu para padecer de amor.

A primeira ligação é fácil de ignorar, mas você não resiste a segunda e atende, juntando o celular contra o ouvido como se isso fosse suficiente para deixá-los mais unidos, os dedos firmemente travados.

— Eiji...? — ele o chama de modo hesitante, apenas para se certificar de que há alguém do outro lado da linha — Me desculpe.

A fala o surpreende, não somente pelo tom submisso e tristonho com o qual foi proferida, como também pela escolha de palavras que lhe roubam a capacidade de responder.

— Eu sinto saudades de você, Eiji — prossegue, a voz embargada e você sente os olhos marejarem com a dor que reverbera em você — Achei que poderia superar, seguir em frente, deixar você em paz, mas não posso, não consigo. Não sou ninguém sem você.

Você não sabe o que responder, ainda sem reação pela atitude inesperada dele. Katsuki é um homem de personalidade difícil e comportamento rude na maioria dos casos, percebê-lo assim, em cacos, é antinatural, desnorteia. Sua boca simplesmente se abre algumas vezes e se fecha sem que você possa vocalizar uma resposta decente.

— Por favor, Eiji... Porra, eu... Ficar sozinho dói muito...

A vontade de vencer tudo e ir ao seu encontro para o acalentar é visceral. Contudo você ainda não se sente pronto, em algum canto da sua mente a sua consciência ainda grita para que tenha bom senso, que não caia na armadilha.

— Você pode ir na sua mãe, sair... — sua primeira ideia é estúpida, você sabe. Nunca foi preciso lidar com esse Katsuki quebrado e deprimido e isso te confunde.

— A única presença que eu quero é a sua, Eiji... por favor, eu só quero você.

Você pensa em ceder, agarrando-se ao fio de consciência em si com tanta força que sente o véu rasgar. Não tem como continuar a viver única e exclusivamente para agradar e ajudar Katsuki. Se voltar agora nada vai mudar. Por mais que doa é melhor e mais racional deixá-lo partir, exorcizar sua presença de uma vez.

Ele não é o centro do universo, a estrela máxima ao redor do qual os demais astros orbitam.

— Me desculpe, Suki, não dá.

Quase é possível ouvi-lo se partir do outro lado do telefone, suas mãos se apegam ao aparelho com força, desejando poder ajudá-lo a lidar com tudo, desmanchar aquela dor que ecoa em suas entranhas.

— Eu sinto sua falta todo dia. — dessa vez o tom é choroso e angustiado. Pobre Eijirou, você é empático demais, a dor dos outros flui para dentro de si com tanta facilidade que é como se fosse um rio de correnteza única.

— Eu também — você se permite ser sincero, suspirando enquanto segura o bolo em sua garganta, o choro preso, o sufocando de modo incômodo e doloroso — Não tem um dia em que eu não pense em você, Suki, foi bom enquanto durou, mas acabou e temos que aceitar que terminou — seu coração rechaça em mil partes. Ouvi-lo chorar definitivamente dói — Acho que é melhor desligar, isso não está sendo bom pra nenhum de nós.

— Não, por favor! — ele implora de um jeito que você nunca ouviu — Me deixe ouvir sua voz mais um pouco, tem dias que não consigo dormir por causa dessa saudade de ouvir você.

— Pensei que detestasse a minha tagarelice — brincou no intuito de quebrar o clima. Algumas breves fungadas e o som baixo e abafado de uma risada fraca aquece o coração.

— Eu também. — ele concorda, a voz ainda baixa, quebrando-se — Não tem mais jeito mesmo, Eiji?

— Não, Suki, eu sinto muito. Me perdoe, mas eu vou desligar, não tenho estrutura mental para lhe oferecer um suporte decente.

— Tudo bem, eu entendo.

Desligar é difícil, toma mais tempo e coragem do que você supôs precisar. Para a sua surpresa, segundos antes de desligar você escuta a declaração que há muito não ouvia, carregada de culpa e pesar.

— Eu sempre vou te amar.

Seus olhos agora caem sobre a tela, observando o ícone de chamada encerrada, marejados e inchados, o coração pesado e o gosto amargo do desalento. A casa tornou-se silenciosa mais uma vez, combinando com o seu interior.

Memórias de todos os momentos felizes o assolam sem nenhuma piedade, trazendo a tona o sentimento que esteve abafado em seu peito. Você sabe que nunca será capaz de matar esse amor por mais que tente, é inútil, um trabalho em vão, doloroso e desnecessário.

Não há motivos para lutar contra todos parecem mesquinhos e pequenos diante do que sente por ele, esse amor que te consome.

Então, sem pensar duas vezes você desiste de lutar e se agita, caminhando a passos ligeiros para o corredor, pegando o casaco e as chaves do carro e destrancando a porta antes de sair. Mal percebe que está correndo pois, em sua mente, reina apenas a necessidade pungente de estar de volta, abraçá-lo, permitir que tenham uma nova chance, porque você é um fraco quando o assunto é amor, Eijiro Kirishima e não vai mais tentar controlar o que é incontrolável, afinal, não importa o que aconteceu, seu coração sempre se dobrará para Katsuki, e por todos os infernos, não importa mais. Nada importa, apenas a vontade de estar lá para o confortar, beijar e abraçar sem pensar, apenas deixando o corpo agir por instinto.

Você já pegou todos os diamantes e ferrugem que Katsuki lhe ofereceu porque sabe que, no fundo, é você quem o lapida e deixa enferrujar, e será você a torná-lo belo uma vez mais.

******

Em questão de minutos você está de volta a casa que compartilhavam, ofegante em frente a porta e não hesita um minuto sequer antes de apertar repetidamente a campainha, contendo o desejo de arromba-la de vez. Você sabe que não pode se dar ao luxo de pensar no que está fazendo ou vai desistir. Não há lugar para racionalidade, apenas impulso e é isso que fará, mesmo que o faça se arrepender depois.

Os segundos escoam como séculos e você sente a adrenalina ainda em descontrole, o sangue quente pulsando em suas veias e o coração apertado. Então sua paciência acaba e você esmurra a porta com força suficiente para fazer as dobradiças rangerem de modo estrépito, incapaz de silenciar ou mesmo abafar as vozes que gritam dentro de si.

Cada nervo trepida com o som do ferrolho sendo destrancado e o coração arde quando a porta finalmente se abre liberando uma fresta de passagem, os olhos confusos vislumbrando-o antes que ele aumente o vã . Katsuki está ali, a poucos passos, os olhos fundos e vermelhos e pele ainda mais pálida, descuidado e aparentemente perdido e surpreso.

Seus olhos se encontram naqueles segundos eternos antes que você o puxe para um abraço, o apertando enquanto sente os dedos dele cravarem como garras em suas costas, mantendo-o perto enquanto se desfaz em lágrimas e pedidos de desculpa engasgados. Ele é apenas o rascunho da dor, mas não importa, você irá consertá-lo com seu amor. Você sempre o faz e não vai deixar de fazer nunca porque seu amor por ele é transcendental, ultrapassa qualquer raciocínio lógico, consome sua sanidade e o coloca em estado primal, como um piloto automático.

Vocês se consertarão juntos não importa quantas vezes sejam necessárias porque um coração não pode bater pela metade.

******

Eu não sei se ficou legal, mas me esforcei.

16 de Março de 2020 às 19:15 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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