carol-barroso1564165876 A. C.

As rosas brancas, agora manchadas de sangue, completando a bela imagem da morte em sua melhor face. O amor. Uma forma de morte. Uma forma de morrer. Uma forma de matar. Mata-se por tão pouco. Morre-se por tão pouco. Por que não por amor? As rosas apodreceram , o sangue secou. Talvez nada tenha restado ali, talvez não para os olhos superficiais. Talvez aquele amor nem tivesse existido. Uma série de mortes vem acometendo a cidade, mas ninguém sabe quem é o responsável por todas as mortes. A única pista? Uma rosa branca deixada na poça de sangue! Será que em meio a tanta violência e mortes, o amor conseguirá prevalecer? Capa: Décio Gomes Obra registrada Plágio é crime!!


Suspense/Mistério Para maiores de 18 apenas.
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Capítulo 1

Minha mãe veio ao meu quarto, bateu à porta pela décima vez, até que finalmente criei coragem para levantar. Passei quase a noite toda acordada, rolando na cama, olhando para o ventilador rodando no teto e até cheguei a contar carneirinhos, mas não adiantou muito. E hoje é o dia mais importante em meus dezoito anos de vida.
— Melissa! — ouço minha mãe me gritar de novo.

Enfim levanto da cama, arrumo os lençóis e dobro a coberta, nem acredito que esta vai ser a última vez que vou fazer isso, pelo menos por um bom tempo. A partir de hoje, esse quarto deixa de ser meu refúgio. O barulho dos saltos de minha mãe denunciam que ela está vindo novamente em direção ao meu quarto, em seguida ouço mais uma batida na porta.

— Já estou acordada! — respondo e consigo ouvi-la descer para a cozinha.

Quando entro no banheiro, ligo o chuveiro e deixo a água quente escorrer pelo meu corpo, mas logo sinto um calafrio, fico parada esperando que a sensação ruim passe logo, até porque passei quase a minha vida inteira me preparando para o dia de hoje: meu primeiro dia na faculdade.

Usava os fins de semana para estudar, pesquisar e ler, enquanto outras pessoas da minha idade saíam para festas, bebiam e sempre se metiam em confusões. Eu era a garota considerada nerd que passava horas e mais horas estudando no chão do meu quarto, enquanto minha mãe ficava assistindo programas de moda, beleza e culinária.

No dia que chegou a carta informando que eu tinha passado para a faculdade, fiquei muito feliz, não conseguia me conter de tamanha felicidade, eu estava sozinha em casa e mal podia esperar para contar a minha mãe e para Francisco também.

Lembro-me como se fosse ontem, naquele dia convidei Francisco para jantar conosco, pois achei que seria mais fácil dar a notícia. Depois que terminamos de jantar, retirei e lavei toda a louça e fui para sala, onde vi que os dois conversavam, então disse:

— Tenho uma novidade para contar a vocês! — Eu disse, mas mal estava conseguindo controlar minha empolgação.

Todos dois ficaram curiosos, então pedi que esperassem enquanto eu ia até o quarto para buscar a carta. Assim que voltei à sala, finalmente acabei com o suspense e contei, minha mãe inicialmente não acreditou, então lhe mostrei a carta e por um minuto achei que ela fosse desmaiar.

Esperava que minha mãe fosse ficar feliz assim como eu estava, mas ela simplesmente começou a chorar, enquanto Francisco ficou super feliz e pareceu me apoiar. Eu sentia que finalmente todo o meu esforço estava valendo a pena, além de conseguir entrar na faculdade, ainda tinha conseguido uma bolsa por conta da minha baixa renda.

Desligo o chuveiro e enquanto me enxugo, sinto que estou um pouco mais relaxada apesar da sensação de ter milhões de borboletas voando dentro do estômago. Enrolo-me na toalha e vou para o quarto. Sinto minhas mãos ainda trêmulas quando fecho os botões da blusa branca, visto uma calça jeans, que minha mãe fez questão que eu usasse.

Assim que termino de me vestir, me olho no espelho e para meu azar, há um rasgo na blusa, então opto por uma de cor azul escuro, calço as sapatilhas, passo uma escova no cabelo e dou mais uma olhada no espelho e agora está perfeito.

— Melissaaa!

— Já estou descendo, mãe! — digo e em seguida olho o relógio em cima da mesinha de cabeceira e ainda são sete horas, nem sei por que minha mãe está me gritando a todo o momento.

Quando entro na cozinha, me deparo com Francisco sentado à mesa e conversando com minha mãe. Reparo que ele está vestindo uma calça preta e uma blusa verde, seu cabelo ruivo está penteado para trás de forma impecável.

— O que está fazendo aqui?

— Oi minha universitária! — Ele diz e abre um sorriso perfeito ao se levantar e vir em minha direção.

— Melissa, isso lá é jeito de falar com seu namorado. — Minha mãe me repreende.

— O namorado é meu e eu falo do jeito que eu quiser.

— Tem alguém de mau humor hoje. — Ela comenta.

— Claro! De 5 em 5 minutos você fica me gritando.

— Realmente essa garota não me puxou! Você vai sentir falta de me ouvir te gritando.

Reviro os olhos e Francisco ri, em seguida deposita um beijo em minha testa e volta a sentar-se na cadeira. Conheço-o desde a infância, crescemos praticamente juntos, frequentávamos a mesma escola, apesar dele ser um ano mais velho, a mesma igreja, nossos pais eram amigos e acho que tudo isso favoreceu a gente ficar juntos.

Francisco era a única pessoa que estava comigo quando eu recebi a notícia de que meu pai estava desaparecido na guerra e que já o haviam dado como morto. Receber tal notícia foi como se tivessem tirado meu chão. Minha mãe pareceu enfrentar a notícia muito bem, uma vez que o casamento deles já não andava muito bem.

— O que está fazendo aqui? — torno a perguntar enquanto sento-me de frente para ele.

— Pensei que iria gostar que eu lhe acompanhasse até a faculdade em seu primeiro dia.

— Ah sim, vai ser ótimo!

Posso notar que minha mãe desvia os olhos de seus ovos mexidos com bacon e passa a olhar em nossa direção, para tentar disfarçar, ela pergunta se vamos querer um pouco dos ovos, mas Francisco educadamente recusa, alegando já ter tomado o café da manhã e eu estou ansiosa demais para conseguir comer. Vou até a cafeteira e encho uma caneca, o gosto forte e amargo me conforta e desperta.

— Vou colocar as suas malas no carro. — Ele diz e com um beijo apressado, ele sai e me deixa sozinha com minha mãe.

— Você tem certeza que vai com essa roupa? — Ela me olha da cabeça aos pés. — E não vai arrumar esse cabelo?

— Eu vou para a faculdade e não para uma festa.

— Mas pelo menos arruma esse cabelo para não chegar lá parecendo uma mendiga.

Levanto e vou até o espelho da sala, quando olho meu reflexo, imediatamente concordo com minha mãe, meu cabelo está um horror. Rapidamente volto ao meu quarto, ligo o babyliss na tomada e começo a fazer alguns cachos largos nas pontas.

Assim que volto ao andar inferior, Francisco está sentado no sofá da sala, parece estar perdido em pensamentos, mas assim que me vê parada aos pés da escada, rapidamente se levanta e vem ao meu encontro.

— Está bem melhor. Não acha, Francisco? — Minha mãe pergunta.

— Para mim, ela fica bonita de qualquer jeito.

— Obrigada, Fran.

— Pronta?

— Não sei se estou preparada. — digo um pouco envergonhada, inclino a cabeça, mas ele apoia meu queixo com dois dedos, me fazendo olhá-lo.

— Não fica assim, sei que você vai se sair muito bem lá, afinal você se preparou tanto. — Ele tenta me incentivar.

Sei que é verdade o que ele está me dizendo, realmente me preparei muito para esse dia e não posso me deixar abalar agora, mas é muito difícil controlar os pensamentos que me causam medo e um aperto no coração. Será que Francisco irá suportar a distância que nos separa e não vai me abandonar? Ou pior ainda, me trocar por outra garota? Rapidamente trato de afastar tais pensamentos. Não posso duvidar do meu namorado, ele sempre foi compreensivo e aceitava todas as vezes que trocamos os planos de sair para ficarmos em casa, sempre me respeitou e me ama muito.

— Não sei se vou conseguir ficar longe de você por muito tempo!

— Prometo que vou lá te visitar, nem que seja só nos finais de semana, para te fazer companhia. — Ele diz e me abraça.

— Só nos finais de semana? Vai demorar muito!

— Podemos nos falar por telefone e chamada de vídeo também.

— É uma boa ideia, mas não sei se vai ser suficiente.

— Depois de alguns dias você vai estar tão ocupada que até vai esquecer de mim.

— Isso é uma calúnia, sabia?

— Estou brincando com você! — Ele diz e me dá um beijo

Quando passamos pela porta de casa, ao ver o carro com minhas malas, volto a sentir as borboletas no estômago, mas dessa vez sinto que é pior. Dou uma última olhada na casa e sou tomada por uma náusea e algumas lágrimas escapam e escorrem pelo rosto. Não tenho a menor ideia de como vai ser a faculdade, e de repente meus pensamentos são tomados por angústia, dúvida e medo.

Francisco liga o rádio do carro e durante todo o caminho, o carro é preenchido com as músicas de nossa banda preferida, Coldplay, o que me faz sentir um pouco melhor. Gostaria de dizer que a paisagem familiar me acalmou durante a viagem. À medida que chegávamos cada vez mais próximos da universidade, mais a minha ansiedade aumentava.

Durante todo o caminho, fiquei com a cabeça apoiada no vidro, olhando a paisagem passar correndo. De vez em quando sentia um carinho de Francisco, ele diz alguma coisa que eu não compreendo por conta do sono, apenas confirmo com a cabeça.

Quando o sono começa a ganhar a batalha, decido me render e enfim fecho os olhos. Logo minha mãe se arruma no banco traseiro e anuncia que chegamos, abro os olhos e dou uma olhada para o enorme portão à nossa frente. Assim que o cruzamos e entramos no estacionamento, vejo que há muitos carros e também famílias se despedindo de seus filhos, uma cena de cortar o coração de qualquer pessoa sentimentalista.

O lugar é tão bonito pessoalmente quanto nas fotos da internet, há elegantes construções, a grama está cortada, as árvores estão podadas e os canteiros floridos. O tamanho do campus é intimidador, mas com sorte em poucas semanas já estarei me sentindo em "casa" e com a localização de cada prédio memorizada.

Minha mãe fez questão de me acompanhar na recepção e Francisco não teve outra opção a não ser ir conosco. À medida que andávamos em direção ao alojamento, passávamos por todos os tipos de pessoas, calouros vestidos com roupas da universidade, alguns estavam completamente perdidos e velhos amigos se reencontrando. Quando, enfim, paramos em frente ao edifício, minha mãe examinou a fachada e seu olhar demonstrou total desaprovação.

Assim que entramos, passamos por um vigia que estava parado à porta e minha mãe lhe perguntou sobre os quartos femininos e ele educadamente respondeu que eram no terceiro andar. A expressão de quem não gostou da informação era nítida no rosto dela, mas mesmo assim ela o agradeceu e saiu de perto.

— Ninguém merece subir 3 andares de salto alto. — Ela diz enquanto terminava de subir o primeiro lance de escada. — Podia ter pelo menos um elevador.

— Quem mandou vir de salto alto. — digo e logo começo a rir, seguida de Francisco.

— Mel tem razão, dona Antônia.

— Você ainda pode desistir subir, mãe.

— Negativo! Quero ver como é o quarto e quero me certificar de que sua colega vai ser uma menina decente.

Quando chegamos ao terceiro andar, olho para a chave em minha mão e nela tem o número 33, começo a andar pelo longo corredor a procura da porta correspondente a minha chave. Assim que a encontro, paro em frente, coloco a chave na fechadura de uma velha porta de madeira e giro para abrir, rezando para que não tenha ninguém do lado de dentro.

A porta se abre com um rangido, minha mãe termina de empurrá-la, abrindo passagem e entra, quando vejo que está vazio, solto a respiração que eu nem percebi que estava prendendo. Eu e Francisco vamos entrando no quarto também, peço a ele para deixar as malas em cima de uma das camas, enquanto minha mãe vasculhava cada canto do quarto, passando o dedo pelos móveis para verificar se estavam bem limpos.

— Este quarto é muito pequeno. — Ela comenta.

— Todos são iguais, exatamente desse jeito.

— Poderia ser um pouco maior.

Tenho que concordar com minha mãe, o quarto é mesmo pequeno, mas não vou admitir na frente dela. Este quarto consegue ser ainda menor do que o meu antigo. Há duas camas de solteiro, uma escrivaninha e dois guarda-roupas pequenos e duas mesinhas de cabeceira.

— Nem acredito que você está na faculdade. Minha única filha, agora é uma universitária, morando sozinha. Simplesmente não consigo acreditar. — Ela diz entre lágrimas.

Vou até a cama onde ela está sentada e lhe dou um abraço, tenho que segurar as lágrimas e não deixar parecer que sou fraca, ou a garotinha da mamãe. Eu agora sou dona da minha vida e poderei fazer minhas próprias escolhas.

— Será que você vai ficar sozinha no quarto? — Francisco pergunta com a intenção de desfazer o clima ruim.

— Provavelmente não! — respondo.

— Seria maravilhoso. — Minha mãe não perde a oportunidade de falar.

— A garota só não deve ter chegado ainda.

— Espero que ela chegue logo, quero conhecê-la antes de ir embora.

— Você está de carona com Francisco e ele tem aula hoje ainda. — lembro-a.

— E eu não poderei ficar mais tempo aqui, porque tenho aulas a tarde.

— Mãe, será que poderia nos deixar a sós por um instante?

Vejo minha mãe revirar os olhos, mas logo sai do quarto, fechando a porta atrás de si. Assim que conseguimos ficar sozinhos, Francisco me abraça de modo que eu fique frente a frente com ele e então apoio a cabeça em seu peito e sinto seu perfume. O cheiro está fraco e me dou conta de que vou sentir saudades daquele aroma e da sensação de segurança que ele me traz.

— Vou sentir falta de ficar com você todos os dias. — Ele diz baixinho.

— Também vou.

Francisco aproxima seus lábios dos meus, mas no exato momento somos interrompidos por batidas na porta e já sabendo que era minha mãe, acabamos rindo da situação. Ela entra no quarto dizendo que cansou de ficar do lado de fora e que quer ir embora.

Vou acompanhando eles de volta até o estacionamento e quase me arrependo de ter ido quando fico quase uns cinco minutos ouvindo todas as recomendações de minha mãe, até que ela finalmente se despede com um beijo e um abraço rápido.

Me encontro parada no meio do estacionamento, vendo o carro se afastar cada vez mais, até que atravessa o portão e desaparece do meu campo de visão. Sinto um aperto no coração e decido voltar para o quarto. Quando chego em frente a porta de madeira, percebo que ela já está aberta, a princípio penso que posso ter esquecido de fechá-la, mas então ouço vozes dentro do quarto.

Assim que empurro a porta e entro, fico perplexa com a cena que vejo, uma garota loira está agarrada no pescoço de um garoto, suas pernas envolviam o quadril dele, o vestido rosa estava suspenso até a altura de sua cintura, eles se beijavam como se o mundo fosse acabar. Eu queria sair correndo dali, mas minhas pernas pareciam não obedecer as ordens do meu cérebro e quando fui sair, acabei chutando a porta e o barulho fez com que o casalzinho parasse e olhasse em minha direção. Pensei que fosse morrer naquela hora.

— O-oi. Sou Melissa. — digo quase engasgando.

Eles se soltam, a garota arruma o vestido e vem em minha direção. Já fico esperando ela ser grosseira comigo, mas o que acontece é justamente ao contrário, ela se aproxima e me envolve em um abraço, com seus braços finos e eu, um tanto quanto confusa retribuo o gesto.

— Oi! — Ela diz abrindo um sorriso que achei até cativante. — Bem-vinda à universidade.

— Obrigada!

Não consigo parar de remexer os pés, o que mostra que estou completamente envergonhada. Como ela está muito perto, posso perceber que ela está usando muita maquiagem e um perfume fortíssimo.

— Eu me chamo Valentina, mas pode me chamar de Tina. Esse é meu namorado Pedro.

— Prazer! — O garoto diz e abre um sorriso.

Esses dois realmente parecem terem sido feitos um para o outro. Ela é a típica patricinha, que tem o quer e ele com estilo de roqueiro, rebelde, tatuado, mas que no fundo é uma boa pessoa. Eles realmente parecem se entender muito bem, mas espero nunca ser como eles.

4 de Março de 2020 às 01:49 0 Denunciar Insira 0
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