u15772523511577252351 João Vitor Prates

Sonhos recorrentes com uma figura tenebrosa assombram o dia-a-dia de um jovem que gostaria apenas de ter uma boa noite de sono.


Horror Histórias de fantasmas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Capítulo Único


Acordo, são 07h30min da manhã, me arrumo para ir à escola. Noto a ausência de minha mãe na cozinha e na sala. Preocupado, chamo por ela.

-Tudo bem, filho, estou aqui em cima no meu quarto. -ela responde, com uma voz muito rouca, soava estranha. Ela deve estar doente, com certeza.

Não me dou ao trabalho de subir as escadas, apenas falo à ela que estou indo para a escola. Ela responde que está tudo bem, novamente, e fala para eu ter um bom dia.

Saio de casa.

Ao chegar na escola, vejo que meus amigos estão me esperando na entrada, como de costume. Nathan e Joey estão com a mesma roupa de sempre. Joey usava uma camiseta do Metallica, do álbum Ride the Lightning. E Nathan, do Iron Maiden, não lembrava de qual álbum era, pois a estampa estava quase desaparecendo, de tanto que ele usou.

-E aí, mano. Tudo certo? -Nathan fala, entusiasmado e me cumprimentando.

-Depende. -estava relutante para falar sobre aquilo de novo, mas eu precisava. -Aconteceu. De novo.

-Porra, nem fodendo.

Nathan parecia preocupado comigo, o que era bom, ele era um amigo verdadeiro.

-Pois é. Não sei o por que, mas essa semana está acontecendo mais seguidamente.

-Como foi dessa vez? -Joey pergunta, também preocupado.

-Eu não consigo explicar. -ao mesmo tempo que era preciso eu falar sobre o sonho, também era muito difícil. -Nas outras vezes, ele estava longe de mim e não me olhava. Dessa vez, ele estava mais perto, continuava não me olhando, mas só a presença dele já me dava um mal-estar. O lugar onde eu estava era uma floresta escura, cheia de neblina, por isso não deu muito bem para ver ele. Mas dava pra notar que ele estava mais perto.

-Você só estava lá? Parado no meio da neblina?

-Não, dessa vez, eu tentava fugir dele. Mas parecia que não funcionava. -dei uma pausa. -Eu não conseguia vê-lo direito, mas sentia que ele estava sempre por perto.

-Meu deus. -Nathan fala, com a mão na cabeça. -Você precisa falar com um psiquiatra sobre esses sonhos, senão eu vou começar a pensar que é a porra do Freddy Krueger que está te perseguindo.

Eu dou uma risada.

-Enfim, acho que está tudo bem, deve ser só coisa da minha cabeça. -apesar de ter certeza de que não era, falo isso para não preocupar mais os meus amigos. Então, entramos na sala de aula.

Ao chegar em casa, notei que não tinha jantar preparado na mesa, nem nada. Fico preocupado, pois minha mãe sempre faz o jantar, até quando está doente. Ela deve estar realmente muito mal.

Subo as escadas e vou até o quarto dela.

Abro a porta lentamente, está tudo escuro. Posso ver que seu corpo está quase totalmente coberto pelo cobertor, ela deve estar com febre. Fecho a porta do quarto e deixo-a descansar.

Cansado do dia na escola, dirijo-me para meu quarto, para tentar dormir.

Não tinha certeza se ia ter um pesadelo com aquela coisa de novo, esperava que não, já que eu tive duas vezes essa semana já, nunca ocorreu tão seguido. Deito na cama e desmaio, de tanto cansaço.

Após um tempo, acordo.

Acordo desconfortável, deitado no chão. O lugar em que estou, não parece meu quarto, é mais para um cubículo, sem nada ao redor. Por causa da escuridão, não dá pra enxergar muito bem, mas tinha paredes e teto. Porém, nenhuma janela ou algum objeto.

Me levanto, tremendo de medo.

Caminho um pouco, sem conseguir enxergar nada. É aí que o vejo.

Ele estava lá, bem na minha frente. A coisa que incomodava os meus sonhos por dias. Eu tive certeza, estava sonhando novamente. Mas, estava diferente, esta coisa estava muito perto, na minha frente.

Eu não conseguia me mexer, estava completamente paralisado. Não conseguia nem desviar o meu olhar daquilo. A coisa estava encapuzada, com uma manto todo preto, segurando uma vela para iluminá-lo, mas a vela estava abaixo de seu rosto, por isso não dava pra ver o que realmente era.

Meu coração estava disparado, meus olhos lacrimejavam, eu só estava torcendo para aquilo acabar logo.

A coisa se aproximou mais de mim, lentamente, ainda segurando a vela.

Colocou a sua mão em meu ombro. Uma mão envelhecida, com unhas que mais pareciam garras. Não posso descrever o que senti no momento que ele botou a mão em mim, era terrível, uma sensação que eu não desejaria ao meu pior inimigo.

Acordo na minha cama, finalmente, aquilo acabou.

Porém, noto uma coisa. Não estou conseguindo me mexer.

Eu já tinha lido algo sobre isso, se chamava paralisia de sono, era um fenômeno extremamente normal. Mas, será que tinha que acontecer justo agora?

Consigo controlar apenas meus olhos, o que já é alguma coisa, mas não consigo chamar ajuda pra ninguém.

Posso ver que, de repente a luz do meu quarto se acendeu, do nada. Não sabia como havia acontecido isso, mas agradeço, pois assim me sentia mais seguro. Eis que a luz do quarto começa a piscar, numa velocidade muito alta. Aquilo gera um desconforto enorme em mim, um frio horrível em minha espinha.

Entre os intervalos da luz piscando, eu conseguia ver algo no canto do quarto.

Óh, meu deus, era aquela maldita coisa. Ela estava parada, me observando.

Consegui ver seus dentes dessa vez, apesar de não conseguir ver seu rosto por completo. Ela estava sorrindo para mim, um sorriso podre e malicioso.

Fecho meus olhos, assim eu não preciso ver aquela coisa. Mas, por Deus, eu escuto os seus passos, cada vez mais próximos de mim. Sinto sua mão velha por cima de meu ombro, novamente, igual no sonho.

Tento gritar, mas não consigo.

Após alguns segundos, que mais tinham parecido horas, consigo recuperar o movimento de meu corpo. Me levanto da cama, repleto de adrenalina. A luz estava apagada, não piscando como antes, eu acendo-a. Me pergunto se o que eu acabei de passar foi real ou apenas uma alucinação. Eu não tenho certeza do que foi.

Ainda com medo, saio de meu quarto e vou até o quarto de minha mãe. Me sentia como uma criança de 9 anos, que pedia para dormir com sua mãe após ter um pesadelo. Mas, tudo que eu precisava era de um abraço dela.

Ao abrir a porta do quarto, vi que ela ainda estava dormindo.

Me dirigi ao lado da cama dela e puxei levemente o cobertor.

Assustado com o que vi, caio no chão e me rastejo para longe daquilo. Não era a minha mãe, mas sim o que sobrou dela. Choro e grito desesperado, mas sentado no chão.

Então, de repente, sinto aquela mão novamente em meu ombro.

-Agora é a sua vez. -a mesma voz rouca que ouvi de manhã cedo, pensando ser de minha mãe, sussurra em meu ouvido.


29 de Fevereiro de 2020 às 02:15 0 Denunciar Insira 0
Fim

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