steallmylarry Same Eyes

Era manhã e Harry catava pedras pelo caminho enquanto ia em direção ao mar. O frio cortante agredia a pele de seu rosto. Uma pedra. [...] Quatro pedras. Uma dor insuportável. Um sentimento de invalidez, inutilidade. Cinco pedras. A saudade o abraçava com força. Seis pedras. O sentimento de necessidade preenchendo-o. Necessidade da morte, da tranquilidade e do vazio da morte. A doce e gélida morte. Sete pedras. Um grito. Espera, um grito?


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#songfic #adore-you #reconstrução #amor #depressão #drama #eroda #harry-styles #romance
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Prólogo

Era manhã e Harry catava pedras pelo caminho enquanto ia em direção ao mar.

O frio cortante agredia a pele de seu rosto.

Uma pedra.

As ondas do mar, mais fortes que nunca, quebravam o silêncio ao fundo.

Duas pedras.

Os pensamentos tão nublados quanto o céu de Eroda.

Três pedras.

E o frio cortante.

Quatro pedras.

Uma dor insuportável.

Um sentimento de invalidez, inutilidade.

Cinco pedras.

A saudade o abraçava com força.

Seis pedras.

O sentimento de necessidade preenchendo-o. Necessidade da morte, da tranquilidade e do vazio da morte.

A doce e gélida morte.

Sete pedras.

Um grito.

Espera, um grito?

De onde vinha? Pensava ser de sua própria mente atordoada.

Continuou a andar.

Oito pedras.

Outro grito.

O tempo nublado, a ferocidade das ondas e os olhos apertados não contribuíam muito para que ele pudesse enxergar a fonte dos gritos.

Forçou a visão na direção do som que ficava mais alto e mais agudo a cada instante.

Bastaram alguns segundos para que ele pudesse visualizar um corpo sendo jogado contra as ondas a poucos metros de onde ele se encontrava.

Não hesitou um só segundo. Lançando-se contra correnteza do mar, nadou o mais rápido possível para tentar salvar aquela pessoa. Não sabia exatamente o porquê de estar fazendo aquilo se ele mesmo não tinha pretensão de continuar vivo. Mas havia algo no desespero daquele ser que ele conhecia muito bem: o medo. O medo da morte, o desespero de um coração aflito, a necessidade que os pulmões sentiam de continuar inalando ar puro. Era o ser humano em sua total e plena fragilidade.

Havia algo poético na luta que aquele corpo travava para manter-se vivo, ele não podia negar. Além de tudo, era um ser humano que precisava de ajuda, tão humano quanto ele. Tão necessitado quanto ele. Pôs-se a nadar cada vez mais rápido. Era bom nadador. Em Eroda os professores de natação ensinavam seus alunos a nadar com pedras nos bolsos. E, bem... as pedras ele já tinha.

Meio perdido e sem força, tentou agarrar a pessoa de alguma forma e acabou puxando-a pelo braço, nadando em seguida contra a correnteza. A força da água contra seus corpos, somada ao fato dele estar nadando com apenas um braço, mais as pedras em seus bolsos que o puxavam para baixo, contribuíam para que ele começasse a se afogar também.

Com dificuldade, nadou até a margem e arrastou o corpo que vinha agarrado ao seu tirando-o completamente da água.

Ali deitada, a garota parecia um pequeno anjo que repousava sobre a maciez das nuvens. Os cabelos negros, agora molhados, ainda continham traços dos cachos que o compunham. A pele negra, mesmo que estivesse opaca e gelada naquele momento, guardava traços inerentes de uma melanina viva e cintilante. Havia algo que o instigava a se aproximar cada vez mais dela. Talvez fossem as roupas molhadas que acentuavam severamente suas curvas. Mas Harry achou desrespeitoso ficar observando esses detalhes sem o conhecimento da menina, que ele ao menos sabia o nome.

Demorou um pouco para que ele tomasse consciência do que estava acontecendo bem embaixo do seu nariz. A garota estava desacordada, seus pulmões deveriam estar cheios de água, ela precisava de ajuda. Oh não!

- Droga, Harry.

Apressou-se em direção à garota procurando pulso em seu pescoço. Não encontrou.

Droga. Droga. Droga.

Sabia que não podia fazer respiração boca a boca, por mais que quisesse. Verificou se a garota estava deitada corretamente na areia e começou a massagem cardíaca procurando manter um ritmo acelerado e frenético. Alguns minutos se passaram e a moça não respondia à seus estímulos. Seus braços doíam, sua respiração vacilava, seu coração parecia querer saltar por sua boca a qualquer momento.

- Vamos lá, você tem que reagir!

Tentou por mais algum tempo até dar-se por vencido atirando-se no chão ao lado da garota. Lágrimas começaram a escorrer por seus olhos e uma dor imensa o invadiu. Sentia um misto de frustração e culpa.

Frustração por não ter salvo a garota.

Culpa por ter tentado tirar de si aquilo que ela tanto lutou para conseguir.

Sentia-se egoísta. Queria dar a ela a pouca vida que sobrara com ele.

Ele poderia ter ficado na praia afogado em sua melancolia se não fosse pela tosse rouca e o forte jato de água que o acertou em cheio.

Harry levantou de súbito indo ajudar a garota que havia encurvado seu corpo e cuspia todo o líquido presente em seus pulmões.

- Hey, tudo bem? Olha pra mim! - Harry dizia tentando mantê-la acordada. - Você está bem agora!

- Você sabe quem você é?

20 de Fevereiro de 2020 às 20:00 0 Denunciar Insira 0
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