Caleidoscópio Seguir história

bomma Bomma

Chanyeol e Baekhyun viviam o amor em nuances de cores, toques gentis dos pincéis e beijos roubados. Contudo, aprenderiam que enxergar através de um caleidoscópio de sentimentos é mais difícil do que imaginavam, e que às vezes, o amor não salvava tudo.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#angst #alcoolismo #alcool #lgbt #gay #fanfic #baekyeol #chanbaek #exo
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Olhos brilhantes.

Os poucos raios de sol que entravam por entre as frestas da persiana eram o suficiente para não deixar aquele ambiente fechado em breu total. O corpo quase submerso naquela água já fria apenas ficava mais pesado, e o coração parecia que apenas doía mais. Park Chanyeol não sabia se a vida estava rindo de si, mas talvez tivesse comprado a tinta branca mais vagabunda da loja, porque já havia dado duas mãos de tinta branca naquela maldita parede e o seu rosto continuava ali, sorrindo para si, virando seus órgãos do avesso com aqueles malditos olhos. Mesmo sendo uma pintura, os olhos de Baekhyun sempre carregaram mais verdade das quais o Park era capaz de lidar, e ver que realmente havia lhe perdido foi como levar um tiro.

Doía como o inferno; lhe queimava o peito.

Olhou por quase uma hora para as mãos esbranquiçadas e trêmulas, e agora a ponta dos dedos estavam enrugadas e boa parte dos resquícios da tinta estavam indo embora, mas ainda havia Baekhyun para todo lado. Entre seus lençóis, suas camisetas, entre todos os cômodos. Parecia que aquele maldito cheiro dele havia impregnado em cada canto daquele apartamento, tanto que sua presença continuava palpável. Chanyeol sabia que não estava em um momento lúcido porque continuava vendo-o parado no batente da porta do banheiro, com os braços cruzados no peito lhe encarando como se perguntasse até quando ele ficaria ali. E de todas as pessoas, ter aqueles olhos lhe julgando, era a pior coisa do universo.

As lembranças de quando havia lhe conhecido ainda eram frescas em sua memória, mesmo depois de cinco anos; era uma manhã estranhamente fria, já que o verão estava se aproximando. Os dedos compridos batiam levemente na estrutura de ferro de proteção do metrô, enquanto Anthony embalava sua viagem com Under The Bridge. Os lábios estavam crispados enquanto mexia minimamente a cabeça, se perdendo no instrumental da música. Talvez tentasse tocá-la no violão quando chegasse em casa, foi o que pensou quando o metrô parou em uma estação depois da sua. O vagão ficou um pouco mais apertado e Chanyeol abriu um pouco mais os olhos quando sentiu uma mão tocar a sua, o fazendo olhar um pouco embasbacado. E foi em uma manhã gelada que o Park sentiu seu coração pedalar em um ritmo diferente pela primeira vez. Havia algo brilhando nas íris castanhas que fez seu estômago revirar de uma forma inexplicável.

Foi a primeira vez que sentiu estar em plena primavera apenas ao olhar nos olhos de alguém, foi a primeira vez que sentiu-se pegar fogo de dentro para fora.

Em um movimento rápido, tentando prestar mais atenção a pessoa à sua frente, deixou um fone cair, escorregando seu ombro, fazendo com que a música ficasse mais longe. Não era segredo para ninguém que Park Chanyeol era um romântico incurável, sempre mergulhando de cabeça nos romances dos livros, escrevendo poemas de bolso e poesias para quem fizesse seu coração bater mais rápido. Mas, daquela vez, era diferente; nunca havia colocado seus olhos em semelhantes tão intensos. Seus olhos coruscantes em um deslumbramento sem igual lhe atraiu como um campo magnético. Uma friagem se apoderou da boca de seu estômago quando uma fração de segundos presos nas íris castanhas pareceu ter durado uma eternidade.

Park Chanyeol sempre foi um cara que carregava arte em suas veias. Desde criança, o pequeno observador guardava imagens na sua cabeça, reproduzindo-as em papéis, quadros e paredes. Sua mãe ficava doidinha quando o pequeno resolvia que era uma boa reproduzir paisagens em sua parede com giz de cera, mas nunca brigou consigo. Sabia que o filho estava tentando expressar seu interior, vomitando sua alma em cada traço. No começo parecia apenas uma cidade em caos urbano, várias cores se misturando e criando algumas não tão visualmente legais.

Mas Park Chanyeol era talentoso de uma forma que ninguém sabia explicar. Era apenas uma criança de oito anos quando começou a desenhar retratos quase realistas, sem nunca ter estudado sobre aquilo. A anatomia era um pouco errônea, os traços tremiam um pouco pela coordenação motora ainda infantil e não entendia muito sobre misturar cores. Mas era daquela forma que tirava o que estava dentro de si, então a mãe lhe inscreveu em uma escola infantil de artes, que foi uma base para tudo que sabia hoje em dia.

Chanyeol era movido pela arte, e mesmo tendo uma experiência de anos, sabia que nunca seria capaz de expressar a verdade que brilhava nos olhos daquele rapaz pequeno em uma tela. Parecia utópico; o corpo balançava de forma discreta, mas Chanyeol conseguia ver a agitação que tomava sua aura enquanto Vance Joy tocava no fone no último volume, caído em seu peito. Teve vontade de rir, oferecer os bolsos de sua jaqueta para que ele esquentasse suas mãos geladas que faziam cócegas quando roçavam as suas na barra do metrô, e também, de pedir para ele dividir seu fone consigo. O pai de Chanyeol era um músico que dizia que o som que embala as pessoas diz muito sobre elas e ouvir Riptide naquele volume o fez perguntar se ele também cantava as letras das músicas errado, se tinha medo de dentistas. Parecia um pouco vago tentar definir uma pessoa através de uma simples música, mas o Park acreditava que as pessoas se aproximavam de determinada arte quando via um espelho nela.

Chanyeol se via naquela mistura de cores, pinceladas e rabiscos sem sentidos em seus blocos de nota. Se via em cada cor primária. Sua mente era uma bagunça de paleta de cores e texturas; era sinônimo de arte.

Seu coração dava incontáveis cambalhotas no peito enquanto o rapaz olhava para si e ele sentia que a qualquer momento seu pobre coração fosse saltar por sua boca e pular nele. Por mais que Chanyeol tivesse visto o lance de amor à primeira vista nos livros, era um pouco difícil de acreditar que poderia se tornar realidade em uma vida com acontecimentos tão cotidianos e limitados. Ia sempre de casa para a faculdade, da faculdade para o trabalho, pintava seus quadros durante o tempo livre, em fatias de vida comuns. Nada de muito extraordinário. Não até aquele momento em que um simples problema no motor de seu carro o fez recorrer ao metrô para que pudesse ir até a faculdade.

Acreditava em destino, e talvez esse malditinho estivesse querendo brincar consigo.

“Bom dia”, seu coração parou. A voz mansa foi quase abafada pelo barulho que estava dentro do vagão lotado. Ele sorriu de um jeitinho que deixou suas pernas meio moles.

“Bom dia”, respondeu no mesmo tom baixo, sorrindo tímido. O rapaz à sua frente parecia ser o tipo de pessoa extrovertida que dá bom dia para desconhecidos na rua, sempre com um sorriso doce aquecendo o coração das pessoas. A forma como seus olhos brilhavam de maneira ímpar dizia a Chanyeol que seu coração era enorme. O Park era um bom observador, e sensível. Todo artista está consciente do mundo ao seu redor, para tornar cada arte um pedaço vívido de si, do ambiente, de uma pessoa.

Um silêncio estranhamente confortável caiu entre eles até que o metrô parasse na estação próxima à faculdade, que era no centro. Motivo esse que fazia com que muita gente saísse, para ir para o trabalho. O rapaz lhe encarou uma última vez antes de jogar a mochila pelo ombro e sair do vagão, fazendo Chanyeol suspirar. Em poucos minutos aquela tensão no ar, e toda aquela energia que emanava de si havia virado-lhe de ponta-cabeça como nunca aconteceu antes. Havia muita intensidade naquilo que cresceu em seu peito para dizer que tinha sido uma simples paixão de metrô.

E ele tinha certeza de que se arrependeria para sempre de não ter pedido o número do rapaz que carrega o universo nos olhos.

Foi um dos últimos a conseguir sair do metrô por conta da movimentação daquele horário. Parou um pouquinho em uma cafeteria próxima a faculdade para tomar uma dose de café para que não dormisse entre as aulas. Não havia tido uma noite muito boa de sono, porque seu cérebro estava a mil, e mesmo deitado com o corpo cansado, sua mente parecia não querer descansar. Pediu um café cubano, gostava do sabor adocicado misturado com uma pequena dose de rum. Era o que precisava para acordar seu corpo. O prédio de ciências humanas era um dos primeiros do campus, então pôde andar tranquilo porque sabia que não chegaria atrasado.

E naquele dia, por mais que não tivesse dormido entre as aulas, sequer conseguiu prestar atenção nelas, porque os traços bonitos do garoto do metrô bloqueavam sua mente. E aquela foi a primeira vez que Chanyeol desenhou-o em dos seus blocos de bolso. O primeiro de muitos.

Park Chanyeol tinha o que chamava de memória eidética. Desde pequeno sua mãe havia observado que o filho lembrava de coisas com detalhes que a maioria das pessoas não reparavam. Achou comum no início, afinal, crianças são curiosas e reparam em tudo, mas sua concepção de normalidade mudou depois de Chanyeol desenhar com perfeição o prédio onde seu pai lecionava música. Os detalhes eram perfeitos. Ela acreditava que o filho poderia se tornar o melhor artista do mundo se quisesse, e por mais que o Park tivesse uma precisão fantástica nos seus traços, parecia que nenhum era bom o suficiente para expressar a beleza do garoto do metrô. E não era apenas beleza física. Foi naquele dia que o pintor perguntou-se se era possível retratar a aura de uma pessoa através de um desenho, e se sim, se ele conseguia fazer ela emanar tanto brilho.

Algumas semanas passaram voando. O final do primeiro bimestre já estava dando as caras, e Chanyeol estava despreocupado lendo um livro no refeitório da faculdade quando viu um vulto conhecido passar por si. Piscou algumas vezes ao olhar para frente, para ter certeza de que não estava tendo uma alucinação. O rapaz do metrô estava na sua frente, sorrindo enquanto conversava com uma garota, na fila do restaurante. Ele precisava saber o nome do rapaz, o que fazia, quem ele era, que tipo de músicas refletiam sua personalidade. Mas também sabia que seria estranho aproximar-se e fazer mil questionamentos, contudo, não podia deixar uma segunda chance como aquela passar. Levantou-se de forma tranquila, por mais que tivesse vontade de sair correndo até onde ele estava, e entrou na fila. Estava com fome, de qualquer forma. O rapaz conversava de forma animada, e sua voz era mais bonita do que se recordava.

Ele nem parecia ter notado sua presença, talvez não se lembrasse, e Chanyeol sentiu o estômago afundar assim que aqueles olhos caíram em si novamente. Quando seus olhares se encontravam, ele tinha uma estranha sensação de que seus pés saiam do chão, como se entrasse em um mundo só deles. Tudo ao seu redor se tornava uma porção de cores espelhadas, e no centro, estava ele e aquele sorriso. O Park tinha a sensação de estar olhando-o por um caleidoscópio, porque aquele maldito moleque bonito era tudo o que ele conseguia ver.

“Eu tenho a sensação de que te conheço de algum lugar”, disseram ao mesmo tempo. Chanyeol pensou em mentir, obviamente lembra-se, mas aquela seria uma maneira perfeita de puxar assunto, só não esperava que ele fosse fazer o mesmo. Os dois riram um pouco envergonhados.

“Acho que nos encontramos no metrô há algumas semanas”, sussurrou, olhando para frente, com um pouco de vergonha do garoto, porque ele era o tipo de pessoa que gostava de conversar olhando nos olhos.

“Sim!”, bateu a mão na testa, rindo. “Você é novato? Nunca te vi por aqui antes.”

“Na verdade não, estou no segundo ano. Faço artes.”

“Está explicado o motivo. O prédio de ciências exatas é um pouco longe do de humanas, faço astronomia”, sorriu novamente. “Sou Byun Baekhyun.”

“Park Chanyeol.”

“Bom, é um prazer. Talvez um dia possamos dividir nossos fones no metrô. Acho que Red Hot Chilli Pepers e Vance Joy daria um dueto fantástico”, saber que Baekhyun também tinha reparado em si ao ponto de reparar na música que estava ouvindo fez uma coceirinha gostosa em seu peito. Baekhyun comprou seu lanche antes de virar-se para o Park, e sorriu bonitinho. “Nos vemos por aí, Chanyeol”, Chanyeol assentiu, devolvendo o sorriso. Por mais que soubesse apenas o nome do garoto, já era o suficiente para procurá-lo em uma rede social e quem sabe, puxar assunto. Gostava bastante de estrelas, e sabia que aquele era um ponto positivo.

Naquela noite, Chanyeol desenhou Baekhyun deitado entre as estrelas, e entendeu o motivo de seus olhos serem tão cativantes. Baekhyun carregava uma constelação inteira dentro deles.

Estava sentado bebericando uma cerveja enquanto mexia no celular, rolando o feed do Instagram, pensando se deveria realmente seguir Baekhyun. Não queria parecer desesperado por mais que Sehun tivesse lhe dito que não soaria, que era normal as pessoas se seguirem, e que eles poderiam ter amigos em comum, até. Concluindo que o Oh poderia estar certo, Chanyeol pesquisou o nome dele e logo encontrou. Ele tinha bastante seguidores, parecia ser bem popular. Chanyeol seguiu e seu coração quase parou quando Baekhyun lhe seguiu de volta depois de alguns minutos. Pensou em puxar conversa, mas estava com tanta vergonha. Surpreendeu-se quando o Byun começou a curtir suas publicações, suas fotos dos quadros e desenhos, e várias suas. E pensou que fosse desmaiar quando recebeu uma mensagem.

@baekhyunee: Por mais que eu saiba que você faz artes, estou impressionado com o seu talento. Suas pinturas são incríveis!

@real__pcy: Fiquei completamente sem jeito agora hahaha obrigado, de verdade.

@baekhyunee: Você é muito talentoso, Chanyeol. Não precisa agradecer!

E então, o que está fazendo nessa noite quente beirando o inferno na terra?

@real__pcy: Tem um filme esquecido sobre super-heróis passando na tv enquanto tomo uma cerveja.

Nada de muito interessante, e você?

@baekhyunee: ‘Tô deitado no terraço do prédio. O bom do verão é que normalmente o céu está limpo,

me possibilitando de ver as estrelas. Olha aí pela janela, a lua tá bonita.

Chanyeol manteve um sorriso no rosto enquanto levantava do sofá e aproximava-se do parapeito da janela extensa, olhando para o céu. A lua estava cheia, e milhares de pontinhos de luz brilhavam em volta de si, era realmente bonito.

@real__pcy: Está bonita mesmo. Lua cheia é a minha preferida.

Você estuda astronomia, não é?

@baekhyunee: A minha também!

Estudo! Tem interesse no assunto?

@real__pcy: Um pouco. Posso te fazer uma pergunta boba?

Garanto que nunca ninguém te fez antes.

@baekhyunee: Fiquei curioso. Pode perguntar.

@real__pcy: É verdade que a lua é feita de queijo?E se sim, existem vacas lunares?

@baekhyunee: Será que devo fingir que não li isso?

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK meu deus, Chanyeol.

Você tinha razão, ninguém nunca me perguntou isso antes.

Tem certeza de que não está bêbado?

@real__pcy: Talvez um pouco hahaha

Bom, vou te deixar admirar as estrelas e ir dormir, ou

perco a hora amanhã.

@baekhyunee: Eu já vou indo também. Boa noite, Chanyeol.

Nos esbarramos na faculdade essa semana, e você me fala mais da sua teoria sobre vacas lunares.

Aliás, você é muito fofo.

@real__pcy: Se prepare para ouvir, porque é uma teoria que pode servir de tese para o seu TCC de tão brilhante!

Boa noite, Baekhyun e obrigado. Aliás, você é muito bonito.

Baekhyun visualizou e mensagem, mas não disse nada, então Chanyeol concluiu que ele deveria ter ido dormir, também. Terminou a latinha de cerveja em um gole, sentindo que apenas daquele jeito conseguiria dormir de forma tranquila. Quando sua mente ficava muito turbulenta, Chanyeol bebia uma ou outra latinha de cerveja, que lhe relaxava, o permitindo pegar no sono rápido. E não foi diferente naquela noite, ele sonhou com o sorriso de Baekhyun.

...

O verão havia chegado com força na capital coreana, fazendo com que ficasse quase impossível ficar dentro de casa sem um ventilador ligado. Por mais que o apartamento fosse arejado, um ventilador fazia companhia para o Park em todos os lugares. Oh Sehun havia lhe convidado para a cervejada do prédio de ciências exatas. Normalmente não aceitava convite para esse tipo de festa, não gostava de multidão, mas só em pensar que poderia ver Baekhyun, seu coração já dava cambalhotas no peito, praticamente o obrigando a sair de casa.

Chanyeol estava sentado arrumando os cabelos cacheados em frente a um espelho e o ventilador ligado em sua direção não ajudava muito, mas não era como se ele pudesse desligar. Derreteria facilmente. Chegou um pouco antes do combinado com Sehun, por não estar aguentando a ansiedade em ver Baekhyun. Haviam trocado poucas mensagens durante a semana, e em um esbarrão na faculdade, o Byun havia lhe dito que iria na cervejada, perguntando se ele apareceria também.

Estava uma noite particularmente quente, e o bimestre havia chegado ao fim, motivo para os estudantes organizarem uma festa com bastante bebida, ou para comemorar, ou para afogar as mágoas de ter ido mal em alguma matéria. Chanyeol havia fechado em todas, por mais que uma ou outra tivesse lhe dado uma dorzinha de cabeça.

Havia estudantes para todos os lados em um barzinho movimentado próximo a faculdade. Chanyeol passou os olhos entre os estudantes e logo avistou os amigos de Sehun, que lhe conheciam também, e foi uma surpresa encontrar Baekhyun com aquela garota no meio deles. Seu nome era Kang Seulgi e ela fazia astronomia também. Sentindo o nervosismo lhe consumir a ponto de querer vomitar seu coração, o Park aproximou-se da mesa de pernas bambas, sentando-se em uma cadeira quase de frente para Baekhyun, já que era uma das únicas vagas. Comprimentou todo mundo e seus olhos foram imediatamente atraídos para os do Byun, como um ímã.

“Não esperava que realmente viesse”, Baekhyun inclinou o corpo sobre a mesa para sussurrar pertinho de Chanyeol, que sorriu bobinho em sua direção. “Você parece um gatinho assustado no meio desse povo maluco.”

“Talvez eu seja”, riu baixo. “Sehun havia me chamado antes, e eu nunca aceito seus convites, pensei que talvez, fosse hora de aceitar um.”

“E esse foi o único motivo?”, perguntou de forma perspicaz, deixando o Park com um pouco de vergonha, mas nas poucas vezes que conversaram, pode perceber que Baekhyun era uma pessoa um pouco provocadora e sagaz, e seria mentira dizer que não estava surpreso. Baekhyun era sim tudo aquilo que havia concluído, porém, era muito mais. Era dono de uma personalidade calma e doce, mas ao mesmo tempo, havia certa sensualidade na forma como ele provocava as pessoas, com a língua afiada moldada na sinceridade. Não de maneira rude, mas sim, brincalhona. Park pensou que talvez, além de ser dono de uma beleza celestial, esse fosse o motivo de ser tão popular no campus.

“De longe”, Chanyeol disse tentando deixar a timidez para lá. “Eu queria te ver.”

“Está olhando para mim agora. O que pretende fazer?”

“Talvez discutir sobre vacas lunares. Você me deve uma explicação sobre buracos de minhocas, por que não discutimos isso enquanto bebemos uma cerveja?”

“Só se você aceitar dançar comigo mais tarde.”

“Combinado”, disse sorrindo, sentindo uma camada de gelo se formar na boca do estômago. E então eles entraram naquela conversa maluca sobre lua, queijo, vacas lunares e buracos de minhoca. Por mais tivesse sido uma pergunta boba, resultou em vários questionamentos bons de sua parte, e respostas inteligentes da do Byun. Mal reparou quando Sehun se perdeu no bar com algum estudante de dança. Ouvir Baekhyun falar por horas sobre astronomia não era o que Chanyeol planejava inicialmente, mas havia sido a melhor coisa que tinha acontecido consigo em tempos. Ele carregava tanta verdade nas coisas que fazia, dizia, e até nos olhos que sempre brilhavam enquanto falava sobre suas coisas prediletas. A existência de vida alienígena e universos paralelos.

Baekhyun não parecia ser uma pessoa que bebia muito, bastou três latas de cerveja para que seu rosto ganhasse uma coloração rubra e sua fala ficasse um pouquinho mole. Já o Park era mais resistente ao álcool, e perdeu as contas de quantas latinhas havia bebido. Já estava tão alto quanto Baekhyun. Ambos estavam com os rostos encostados na mesa de madeira do bar, sorrindo de frente para o outro. Sentia o hálito quente de Baekhyun chocar contra o seu rosto, e vendo-o de pertinho daquela maneira estava fazendo um estrago gigante em seu coração apaixonado.

Existia uma pequena constelação quase que invisível adornando suas bochechas e nariz. Sardas quase imperceptíveis, que só eram notadas quando as pessoas observam com atenção, e Chanyeol ficou com vontade de passar o polegar na pele bonita.

“Quer ir em um lugar legal?”, questionou baixinho, com o nariz esbarrando no de Chanyeol.

“Quero”, sussurrou, e viu-o sorrir, sentindo seu coração maltratar suas costelas quando Baekhyun levantou-se e lhe puxou pelas mãos até que estivessem fora do bar. Deveria ser uma ou duas da manhã de sábado já. Haviam perdido a noção da hora enquanto conversavam; estar com a mão de Baekhyun entrelaçada a sua foi como fundir duas almas. Por mais simples que fosse o contato, Chanyeol sentiu a alma de Baekhyun encaixar na sua de uma maneira que não soube explicar. Como se fosse um molde perfeito. “Onde estamos indo?”

“Tem um pequeno observatório atrás do prédio de exatas. É fechado ao público e usado apenas para pesquisa. Tenho certeza que vai gostar de lá.”

“E como entraremos?”, Baekhyun parou de andar e começou a buscar algo nos bolsos da calça, tirando um molho de chaves de dentro, sorrindo.

“Eu estava fazendo um trabalho sobre uma constelação, então o professor me cedeu a chave. Tenho certeza que ele não se importaria de irmos dar uma olhada lá. Você precisa observar as estrelas em um telescópio de longo alcance. São bebezinhos lindos, Chanyeol”, disse puxando o Park para mais perto, que levou ambas mãos até sua cintura em um aperto firme, ficando a poucos centímetros do rosto de Baekhyun.

“Assim como você?”, sussurrou, roçando o nariz no dele, o fazendo rir.

“Quase”, respondeu sorrindo, lambendo o lábio inferior do Park como uma clara provocação, se afastando depois. “Vamos!”, disse animado, voltando a puxar-lhe pela mão. Como o bar era na esquina da faculdade, não demorava para chegar. O segurança já estava habituado com as idas e vindas de Baekhyun no observatório tarde da noite, que era o melhor horário para pesquisar, então o deixou passar sem questionamentos. Eles chegaram em um prédio um pouco menor que os que tinham aula e Baekhyun abriu a porta, ambos subindo as escadas até chegar em uma sala com vários telescópios e um, um pouco maior no centro.

Chanyeol observou Baekhyun aproximar-se do aparelho e ajustá-lo, olhando para si sorridente depois de alguns minutos.

“Veja, Chanyeol”, Chanyeol abaixou um pouquinho para que pudesse olhar no telescópio, já que Baekhyun havia ajustado para sua altura. Logo ele reconheceu a constelação que Baekhyun havia colocado para si, sorrindo. “Você já deve saber, mas essa é a ursa maior. A terceira maior constelação. Ela é linda, não é?”

“Sim. Esplêndida.”

“Você já ouviu a lenda da ursa maior, Chanyeol?”, o Park negou, curioso. “Não é surpresa para ninguém que Zeus não conseguia manter o pau dentro das calças. Ele se apaixonou por uma jovem ninfa, de beleza imensurável chamada Calisto. Zeus e Calisto tiveram um filho, Arkas e bem, digamos que sua esposa não ficou nada feliz com a traição, e acabou transformando Calisto em uma grande ursa, que fugiu para a floresta. Calisto sempre andava ao redor de sua casa na esperança de ver o filho, já que não podia mais conviver no meio deles. Hera tirou sua voz, e ela vivia com medo das feras dos caçadores. E um dia, acabou encontrando o filho, que havia se tornado um caçador. Ursa aproximou-se para lhe abraçar, e ele, não reconhecendo a mãe, tentou matá-la, e ela apenas conseguia rugir. Foi quando Zeus se compadeceu-se ao amor de mãe e filho e transformou ambos em constelações. Ela, na ursa maior, e ele, na menor. Você reparou que são umas das únicas constelações que não ficam paradas à linha do horizonte, sempre se movendo no céu?”

“Existe algum motivo em especial para isso acontecer?”, perguntou entretido com a história.

“Hera não ficou contente com a interferência de Zeus, e empurrou os dois para perto do Pólo Norte onde as estrelas seriam sempre visíveis, mas mãe e filho nunca teriam descanso. Hera ainda pediu a Tétis que jamais permitisse que as duas constelações mergulhassem nas águas do oceano. Por essa razão, as duas constelações movem-se sempre em círculos no céu. É uma história triste, não?”

“Não concordando a traição, mas se Zeus usasse camisinha, metade do caos da mitologia grega não teria acontecido”, disse pensativo, fazendo Baekhyun pensar em como ele ficava bonitinho sério daquela maneira. A atenção de Chanyeol foi desviada quando ouviu uma risada gostosa vindo de Baekhyun, consequentemente o fazendo rir também.

“O que te inspira, Chanyeol?”, questionou sentando-se na mesa ao lado do Park.

“O cotidiano costumava, gostava de desenhar coisas comuns. Prédios sendo banhados pelos raios do pôr-do-sol, crianças sorrindo para os pais, os gatos da vizinha que estão sempre brigando entre si, mas no final da noite, todos dormem emaranhados nos pés dela. É uma senhorinha simpática que tem mais gatos do que netos ”

“Por que disse no passado? Não te inspiram mais?”

“Ainda inspiram, mas de alguma forma, eu só consigo pensar em você”, confessou sentindo o rosto quente por ter sido tão direto. “Todo artista tem uma pessoa que o inspira, como um muso inspirador. Há pessoas que acreditam que eles dão poderes mágicos aos artistas, nunca lhes deixando sem inspiração. Eu sempre achei que isso fosse mais uma baboseira poética, até conhecer você, Baekhyun. Você está presente em quase todos os meus traços, até quando eu não desenho você, mentalmente esboço um traço seu. Há mais de você nos meus desenhos do que de mim mesmo”, Chanyeol enfiou a mão no bolso e tirou um bloco de notas pequeno, que era uma bagunça de esboços e desenhos acabados, e entregou a Baekhyun, que com um pequeno sorriso no rosto, pegou e começou a folhear, vendo que havia um esboço de uma senhora com um gato em seu ombro, de crianças, de alguns cactos e muitos esboços incompletos seus. Parecia que Chanyeol nunca conseguia completar um desenho porque logo partia para outro.

“Eu posso ficar com isso?”, Chanyeol assentiu. “Eu queria ter um terço do seu talento. Queria desenhar a forma como vejo seus olhos. Toda vez que eles param em mim, eles me dizem “eu te quero” com tanta intensidade que deixam minhas pernas bambas. Nunca ninguém me olhou assim antes, Chanyeol, com paixão no olhar. A forma como seu olhos se entregavam para mim, fez eu me atrair por você, como um ímã.”

Chanyeol quis muito dizer a Baekhyun que se sentia exatamente daquela mesma forma, que seus olhos eram como um campo magnético que o atraía de uma maneira que era impossível a repulsão. Sua fala se perdeu no meio do caminho quando foi empurrado para sentar-se na mesa, tendo os dedos finos e compridos enroscando em seus cabelos com cerca brutalidade, ganhando espaço entre suas pernas enquanto atacava seus lábios intensamente, o fazendo perder o rumo por alguns segundos. Suas mãos agarraram o corpo forte de Baekhyun, beirando ao desespero. Seu corpo queimou quando suas coxas foram acariciadas pela mão do Byun, que parecia incendiar todo lugar que tocava.

“Acho que deveríamos sair daqui”, Baekhyun sussurrou quebrando o beijo, rindo. “Creio que o segurança não deve estar nada feliz de nos ver aqui, desse jeito pela câmera”, Chanyeol arregalou os olhos, com as bochechas coradas, e fez Baekhyun lhe roubar outro beijo por ter achado sua expressão fofa. “Vem”, colocou o bloquinho em seu bolso e entrelaçou sua mão na do Park, o puxando para fora do observatório. Desceram rapidamente as escadas depois de trancar a porta, e entre risos, correram para fora da faculdade. Quando chegaram na parte de fora, Chanyeol teve seu corpo prensado no muro e Baekhyun juntou suas bocas novamente, e céus, Chanyeol estava sentindo seu corpo mole feito uma gelatina, e havia um comichão gostoso na sua barriga enquanto a língua de Baekhyun o fazia ver mais estrelas que o telescópio.

“Se Calisto fosse dona de uma beleza imensurável igual você é, eu não julgo Zeus de ter se apaixonado por ela, porque toda vez que coloco meus olhos em você, o meu coração quase sai pela boca”, confessou segurando o queixo de Baekhyun com delicadeza, temendo que ele pudesse desaparecer a qualquer momento.

“Eu juro que se não tivesse um acampamento marcado para amanhã, ficaria a noite inteira te beijando.”

“Vai para onde?”, questionou levando as mãos grandes até a bunda de Baekhyun, que sorriu antes de puxar seu lábio inferior com os dentes.

“Vamos acampar em Busan, para observar as estrelas. Vai ter uma chuva de meteoros na madrugada de domingo, e nossa sala vai tentar registrar pela primeira vez. Estou animado”, sorriu.

“Então eu vou te ver apenas na segunda?”, questionou brincalhão, vendo Baekhyun sorrir e asquiecer. “Acho que consigo aguentar a saudade.”

“Não brinca com o meu coração, Chanyeol. Ele não é tão forte quanto aparenta, e você faz ele tremer inteirinho desse jeito”, tirou uma mão de Chanyeol de sua bunda e levou até seu peito, o fazendo sentir a forma como seu coração parecia um animalzinho enjaulado dentro do peito.

“Acho que estão ambos em um parque de diversões”, respondeu sorrindo, fazendo o mesmo que Baekhyun fez consigo para que ele também sentisse seu órgão cardíaco batendo rapidamente. Antes que Baekhyun pudesse beijar Chanyeol novamente, o viu sobressaltar quando um gato de pelagem amarelada se esfregou em sua perna, miando enquanto passava entre elas. Baekhyun rapidamente sorriu, abaixando para acariciar o bichano.

“Oi, amiguinha”, fez carinho na cabeça da gata, que miou fraquinho. “Faz um tempinho que não te vejo”, Chanyeol agachou-se para poder fazer carinho na gata também, sorrindo ao ver como Baekhyun falava com o animal. “Ela aparece de vez em quando no observatório. Tenho comigo que ela gosta de ver as estrelas também.”

“Será que é de alguém?”, riu ao ver a gatinha se esfregar em seu all star, pedindo por atenção.

“Acho que não… Se meu irmão não fosse alérgico a pêlos, eu a levava comigo. Logo vou encontrar um lar para você, tá bom, Mia Feio?”, disse a gata e sorriu depois.

“É sério que você chama a gata de Mia Feio?”

“Digamos que ela não tem o miado mais bonito do mundo. É meio esganiçado”, riu.

“Gema.”

“O que?”, olhou confuso para Chanyeol.

“O nome dela é Gema…Vou levar ela pra casa”, Chanyeol viu o rosto de Baekhyun se aquecer na hora, ele pegou a gata e abraçou um pouco antes de colocá-la no colo de Chanyeol. Ela resmungou um pouquinho por ter sido tirada do chão, mas se aconchegou bem no colo do Park, ficando quietinha. Parecia não ter um ano ainda pelo seu tamanho. “Parece que encontrei um dono para você, ex Mia Feio, e diz pro seu pai que o nome que ele deu não combina nada com você”, riu, fazendo Chanyeol rir também.

“É um nome perfeito para ela. Muito melhor que o seu.”

“Meus nomes são ótimos. Por exemplo, eu tenho um hamster que se chama Ronca igual trator, porque aquele bichinho quando dorme, parece que vai derrubar a casa com o ronco”, aquela foi a vez de Chanyeol gargalhar. “Apelidado carinhosamente de Ronquinho pelo meu irmão.”

“Ronquinho é menos pior do que esses nomes estranhos. Tenho dó do seus filhos se você usar sua criatividade esquisita para nomear eles. Capaz de ser Byun Uleum”, fez uma brincadeira com o significado de “Byun Chorão”.

“E seria um nome totalmente original”, Baekhyun desamarrou a jaqueta jeans que usava na cintura e jogou nos ombros do Park, que fez uma careta engraçada, sem entender. “Você vai embora como?”

“Provavelmente de Uber. Moramos quase na mesma direção, podemos ir juntos”, Baekhyun assentiu.

“Use a jaqueta para esconder a gata dentro. Talvez o motorista não fique muito feliz em carregar um animal dentro do carro, e torça para que ela fique quietinha”, riu, vendo o Park pegar o celular para que pudesse chamar o Uber, entregou para Baekhyun colocar a localização de parada enquanto vestia a jaqueta jeans, colocando a gatinha dentro e abotoando de forma que ficasse sua cabeça para fora. Ela não pareceu se incomodar com aquilo. Baekhyun devolveu seu celular e fez um carinho na gata, sorrindo. “Vai ter uma festinha na casa da Seulgi no sábado. Aniversário dela. Provavelmente o prédio todo de exatas vai estar lá. Você quer ir comigo?”, Chanyeol ponderou por alguns segundos. Não era uma pessoa que gostava de festas, mas Baekhyun estaria lá, então ele não se importava tanto. Assentiu, vendo Baekhyun abraçar seu corpo de forma que a gata ficasse entre os dois, miando como reclamação. “Parece que ela não gosta de ficar de vela”.

“Que pena”, segurou o queixo dele para deixar um beijo rápido, vendo-o sorrir em seguida. Não demorou muito para que o Uber chegasse, e logo os dois estavam dentro do carro, e Baekhyun agradeceu pelo motorista estar ouvindo uma música que não lembrava o nome, apenas sabia que era da banda Blur, porque o som alto acabou abafando os miados fraquinhos de Gema. Quando chegaram em frente a casa de Baekhyun, ele se aproximou do Park e deixou um beijo carinhoso em seus lábios.

“Nos vemos na segunda. Me avise quando chegar em casa”, Chanyeol assentiu, sorrindo feito um bobo apaixonado, vendo Baekhyun sair do carro e entrar em casa. Sua casa não era tão longe, em menos de dez minutos ele chegou, descendo do veículo e entrando dentro do apartamento espaçoso demais para apenas uma pessoa.

Chanyeol trancou a porta e tirou Gema da jaqueta, colocando-a no chão. Ela demorou um pouquinho para sair de perto de si e ir explorar o novo lar, e Chanyeol concluiu que ela deveria estar com fome. Compraria ração e coisinhas de gato para ela no dia seguinte. Foi até a cozinha para procurar algo que ela pudesse comer ou beber, e pensou em dar leite, mas não sabia desde quando aquela caixa estava na geladeira, então descartou a ideia. Porém, tinha uma latinha de sardinha no armário, e bom, dar uma vez não faria tão mal. Abriu e tirou a sardinha de lá, colocando em uma vasilha com medo que ela pudesse se machucar na lata, e foi até a sala, onde Gema estava explorando os cantos do sofá. Ela miou quando viu o Park, e ele colocou a vasilha no chão, fazendo com que ela se aproximasse curiosa e logo começasse a comer. Sorriu, pensando que sua vida tinha saído do ritmo naqueles últimos dias. Parecia que Baekhyun tinha o poder de virá-lo de ponta-cabeça com facilidade.

Deixou a jaqueta pendurada em um cabide enquanto mandava uma mensagem para Baekhyun dizendo que já havia chegado em casa, e mandou uma foto da gata comendo, abrindo a última latinha de cerveja em sua geladeira para beber enquanto sentava na sacada, sem sono. Estava agitado demais para deitar e dormir, e ficou conversando com Baekhyun até ele pegar no sono, dizendo que ficaria até domingo sem celular, já que o local onde iria acampar, o celular não pegava muito bem.

Parecia que segunda-feira tinha demorado um século para passar. Chanyeol estava ansioso para ver Baekhyun, para segurar sua mão, beijar seus lábios, lhe abraçar ou somente ficar perto de si. Ficar perto de si também seria o suficiente. Chanyeol estava parado em frente a faculdade com Sehun, em um grupinho com algumas pessoas de todos os prédios. Oh Sehun havia assumido um relacionamento com Kim Jongin naquele final de semana, e os dois estavam grudadinhos enquanto conversavam com os amigos. Chanyeol se pegou pensando se Baekhyun também iria querer assumir um relacionamento consigo. Era claro que estava completamente apaixonado por ele; tanto para si quanto para o Byun, que também não tinha a intenção de esconder que estava caidinho por si, e Chanyeol teve a certeza disso quando o rapaz chegou e lhe deu um beijinho na frente de todo mundo depois de desejar bom dia, chocando quase todos. Baekhyun era o cara que ninguém conseguia conquistar o coração, mas estava ali, com os olhos transbordando paixão pelo Park.

Seus amigos lhe zoaram um pouco, desejando felicidade para ambos, e Sehun quase teve um surto ao vê-los juntinhos pela primeira vez. Não demorou muito para começarem a chamar Chanyeol de “garoto do Byun”, e ele particularmente amou o apelido. A semana passou rápido, com Chanyeol e Baekhyun almoçando juntos todos os dias. Com Baekhyun fugindo entre as aulas para ir até o prédio de humanas roubar uns beijinhos do seu garoto. A festa de aniversário já estava batendo na porta, e a faculdade parecia não falar de outra coisa. Sua família tinha dinheiro, e uma banda famosa tocaria em seu aniversário. Seria uma festa grande. Chanyeol sabia que a garota colecionava discos de vinil, e conhecia uma loja onde vendia alguns raros. Custou uma grana, mas ela adorou o presente, até chorou, dizendo que o melhor amigo havia arrumado o melhor namorado do mundo.

Namorado; Chanyeol sentia um frio na barriga sempre que alguém lhe chamava de namorado do Byun. Não havia rolado um pedido oficial, mas não era como se precisassem daquilo. Estava subentendido na forma como se tratavam, como se um fosse o universo do outro. Baekhyun nunca pensou que um sentimento pudesse crescer naquela magnitude em tão pouco tempo, mas ele era louquinho pelo Park.

“Acho que alguém está me devendo uma dança desde semana passada”, disse ao Park enquanto eles bebiam um ponche batizado, vendo-o sorrir.

“Eu vou te fazer passar vergonha, e pisar no seu pé incontáveis vezes. Tem certeza que quer dançar comigo?”

“Só se você estiver disposto a aceitar o nome estranho dos nossos filhos”, disse brincando, fazendo Chanyeol rir.

“Justo”, Baekhyun puxou Chanyeol pela mão e foram até a pista de dança. A banda estava tocando um cover bom de Lemon Tree, da banda Fool’s Garden. Era uma música com uma melodia gostosinha, Baekhyun começou a dançar de um jeito esquisito e Chanyeol percebeu que eles passariam vergonha juntos, que era um péssimo dançarino igual a si. E também concluiu que estava certo quando pensou que Baekhyun cantava errado as letras das músicas, em um inglês muito ruim, que provocou risada nos dois enquanto dançavam juntos, se beijando entre as músicas.

Já era de madrugada quando eles começaram a se beijar no carro do Park. Chanyeol sentia-se deitado em um fogaréu enquanto a boca de Baekhyun passava por seu pescoço no banco de trás. Não tinha certeza como eles foram parar ali, mas não era como se importasse, não enquanto Baekhyun estava entre suas pernas e Radiohead tocava no rádio. Era uma playlist engraçada que havia montado com suas músicas preferidas, e Creep pareceu ser perfeita para aquele momento.

Chanyeol não era virgem, e Baekhyun não era seu primeiro namorado. Mas era a primeira vez que sentia aquela agitação no seu interior, como se quisesse estar com as mãos de Baekhyun em seu corpo o tempo todo; um gemido gutural saiu de sua garganta quando Baekhyun arrancou sua camisa, jogando-a no banco de qualquer jeito, descendo os lábios quentes pela pele, causando arrepios em todo seu corpo. Chanyeol apertou a mão em seus fios loiros quando sua língua deslizou por seu mamilo, sentindo seu pau endurecer com o contato. Baekhyun riu sacana ao perceber que ele era sensível naquele lugar, se dedicando a lamber e chupar o local enquanto acariciava o interior de suas coxas ainda vestidas.

“Você é tão gostoso, Chanyeol”, confessou mordendo o pescoço dele enquanto invadia sua cueca com a mão, apertando seu pênis, sentindo-o tremer embaixo de si. Chanyeol buscou sua boca com urgência, se agarrando em seu corpo como podia, tentando de alguma forma descontar o prazer que sentia ao ter o polegar de Baekhyun rodeando a cabecinha inchada e molhada do seu pau. Fazer sexo em um carro sempre lhe pareceu desconfortável, mas Chanyeol mudou de ideia ao ter o corpo de Baekhyun tão colado ao seu naquele espaço minúsculo. Sua barriga revirou em ansiedade quando Baekhyun abaixou-se até ficar com o rosto rente ao seu membro duro, tirando sua calça com um pouco de dificuldade pelo aperto do local, e Baekhyun salivou ao vê-lo ser liberado, começando a chupar a glande devagarinho, deliciando-se com os gemidos manhosos que vinham do Park.

Sentia seu corpo sofrer espasmos enquanto a boca de Baekhyun lhe chupava tão bem, fazendo com que quase seu pau tocasse em sua garganta. Chanyeol arqueou a coluna quando gozou jatos grossos em sua boca, vendo Baekhyun sorrir depois e lhe puxar para um beijo lento, fazendo-o sentar em seu colo.

“Você quer ir até o fim?”, Baekhyun perguntou. “Se achar que ainda é cedo demais, podemos ficar apenas nas preliminares”, respondeu, gemendo em seguida ao ter Chanyeol rebolando em si, de forma que encaixasse seu membro em sua bunda desnuda. Baekhyun jogou a cabeça para trás, ouvindo No Surprises começar a tocar. Levou as duas mãos até a bunda de Chanyeol e apertou com força as bandas, sentindo-as escapar entre seus dedos, o fazendo gemer enquanto beijava seu pescoço.

“Eu quero tudo. Quero sentir você indo bem fundo dentro de mim, até gozar”. Baekhyun sentiu-se endurecer ainda mais ao ouvir aquilo, separando as bandas de Chanyeol e chocando seu membro ainda vestido, contra sua entrada, fazendo o Park gemer arrastado enquanto procurava seus lábios. Baekhyun levou a mão até o bolso da calça, arrancando a carteira de lá, e Chanyeol ajudou-o a abaixar a calça jeans, rindo ao ver que Baekhyun não usava cueca. O astrônomo pegou a carteira e tirou um sachê de lubrificante gel, rasgando-o e despejando um pouco na entrada do Park, que tremeu com o líquido gelado, fazendo-o rir. Gemeu um pouco dolorido quando o namorado penetrou um dedo, fazendo um vaivém gostoso tentando lubrificá-lo bem. Chanyeol encostou a cabeça em seu ombro, gemendo em seu ouvido quando entrou com o segundo dedo, e sentiu o corpo em cima do seu estremecer ao mesmo tempo em que o Park mordia seu ombro vestido, lhe dizendo que havia encontrado sua próstata. Seu corpo começou a tremer compulsivamente enquanto sua próstata era estimulada, e quando percebeu que estava relaxado o suficiente, Baekhyun colocou uma camisinha e masturbou-se espalhando o lubrificante pelo pau.

“Senta”, pediu, e Chanyeol levantou o corpo, pegando o membro melado e levando até o ânus apertado, sentando devagar, sentindo cada centímetro de Baekhyun expandir sua entrada para acolher o pênis. Baekhyun gemeu jogando a cabeça para trás, sentindo uma pressão deliciosamente insuportável enquanto Chanyeol sentava até o final, gemendo rouco. Começou a rebolar lentamente, em círculos, tentando se livrar do desconforto inicial, e Baekhyun levou as mãos grandes até seu rabo, apertando-o quando começou a rebolar com mais intensidade. Abriu a bunda de Chanyeol e começou a meter com intensidade, ouvindo-o gemer cada vez mais alto. Estavam em uma rua deserta perto da casa de Baekhyun, então Chanyeol poderia gemer no tom que quisesse que não incomodaria ninguém. Haviam parado ali para poder dar uns amassos no banco de trás, e estava sendo muito melhor do que Chanyeol esperava.

Baekhyun chocalhava seu corpo enquanto lhe fodia, deixando Chanyeol em uma bagunça de gemidos e suor. Riram quando Chanyeol bateu a cabeça no teto do carro por ser alto demais, e Baekhyun puxou-lhe pela nuca para beijar-lhe lentamente, deixando as línguas se encontrarem de forma erótica. O corpo de Chanyeol tremeu de uma forma como nunca havia acontecido quando Baekhyun começou a chupar seus mamilos, masturbar seu pau e meter em si ao mesmo tempo; eram estímulos demais para que Chanyeol conseguisse lidar, fazendo-o gozar abundantemente entre os corpos, tremendo de uma forma que teve que fazer com que Baekhyun lhe agarrasse para não cair para o lado, e Baekhyun veio logo atrás, gozando dentro da camisinha.

Deitou o corpo grande do Park no banco de trás, beijando seus ombros com um sorriso no rosto, vendo o corpo ainda com espasmos por conta do orgasmo intenso. Chanyeol sorriu olhando para si, vendo-o afastar um cachinho que estava grudado em sua testa, segurando seu queixo e beijando-lhe docemente.

“Talvez seja muito cedo, mas eu sinto que preciso falar antes que eu sufoque isso dentro de mim, mas eu te amo”, disse entrecortado pela respiração ofegante, vendo Baekhyun sorrir. “Amo pra um caralho, Baekhyun”.

“Eu também, Chanyeol”, sussurrou, deitando sobre o peito do Park, ouvindo seu coração bater rápido. “Para um caralho”, Chanyeol levou a mão até seus fios bagunçados, começando a fazer um cafuné gostoso, que fez com que Baekhyun ficasse com sono. “Não podemos dormir aqui”, riu, sonolento. “Vamos para a minha casa. Meu irmão deve estar no décimo sono, e vai viajar amanhã cedo com a namorada. Pode passar o final de semana comigo. O que acha?”

“Acho que vai ser perfeito”, sorriu, vendo Baekhyun levantar-se depois de beijá-lo demoradamente, vestindo a calça depois de se livrar da camisinha e limpar-se com um lenço que Chanyeol tinha no carro. Baekhyun sentou-se no banco da frente do Mustang enquanto o Park se vestia no banco de trás, dando partida no veículo começando a cantar Smells Like Teen Spirit que tocava no rádio. E ver Baekhyun todo bagunçado dirigindo seu carro, cantando uma das suas músicas preferidas se tornou umas das imagens mentais prediletas de Chanyeol; ele com certeza pintaria aquilo.

Chanyeol e Baekhyun estavam deitados no sofá da casa de Baekhyun depois de terem almoçado no sábado. O maior estava quase dormindo com o carinho que recebia do namorado, sentindo o corpo ficar molinho. Baekhyun havia apresentado Chanyeol como namorado para o irmão pela manhã, que o olhou torto ao saber que o Park havia passado a noite ali, criando mil teorias da cabeça. Mas Baekhyun era um adulto, então ele não tinha o direito de se meter, apenas se preocupava. E da mesma forma, recebeu Chanyeol muito bem, preparando o café da manhã deles antes de sair, dizendo para que o Park cuidasse do dissimulado do irmão mais novo, e Chanyeol apenas conseguiu rir, dizendo que faria o seu melhor.

“Baekbeom me criou”, Baekhyun sussurrou inesperadamente enquanto eles assistiam uma série. “Meu pai morreu quando eu tinha quinze anos”

“Eu sinto muito, Baekhyun”, Chanyeol lhe encarou, vendo-o assentir de forma triste.

“Ainda dói um pouco às vezes, mesmo que faça dez anos. Acho que é uma dor que nunca vai passar, não é?”, Chanyeol assentiu, lembrando-se do próprio pai.

“Às vezes você acorda cedo, e esquece completamente da vida. E tem uma pontinha de esperança de que vai encontrá-lo na mesa do café, rindo lendo o jornal. E quando percebe que aquilo nunca mais vai acontecer, bate um desespero. Não bate?”, Baekhyun assentiu, sentindo os olhos marejarem. “Quando vou para casa, sempre olho para a varanda, esperando encontrar meu pai ali, tocando seu violão velho para as crianças da rua. Dói, porque faz tempo que ninguém senta naquela cadeira de balanço. Ele costumava ouvir rádio de madrugada. Sintonizava em uma estação de músicas antigas, e cantava com minha mãe até eles adormecerem. Eles pareciam tão felizes, Baekhyun, mas então, encontramos ele morto na garagem. Ele se enforcou. Um tempo depois descobrimos que ele foi diagnosticado com distonia, perdendo os movimentos da mão. Ele nunca mais poderia tocar, e acho que acabou o matando por dentro.”

“Eu imagino o quanto deve ter sido difícil. Meu pai já estava bem doente quando morreu, não foi uma surpresa. Mas não doeu menos. Eu não me lembro muito bem da minha mãe, ela foi embora quando eu era pequeno ainda. Só sei que ela era uma mulher linda, e não a culpo por ter ido embora naquela época. Existem situações difíceis, das quais as pessoas às vezes não são capazes de lidar”, Chanyeol assentiu, decidindo não questionar. Baekhyun lhe contaria quando estivesse pronto. “O importante, é que agora tenho você para cuidar de mim”, sorriu, beijando a ponta do nariz de Chanyeol. “Afinal, você prometeu para o dissimulado do meu irmão”, o Park riu, tentando quebrar aquele clima triste que havia de instalado.

“E eu, você para cuidar de mim, porque tenho certeza que a dissimulada da minha irmã irá pedir a mesma coisa. Odeio o fato dela ainda me tratar como criança.”

“Ela apenas se preocupa. Aprendi isso convivendo com Baekbeom. Ele é um pouco protetor demais, porque ele só tem a mim. Sempre foi assim, e eu até gosto da forma como ele se preocupa comigo”.

Eles ficaram trocando carinhos durante a tarde enquanto assistiam Fiends, e Chanyeol adormeceu em seus braços, fazendo moradia em seu coração, trocando promessas de que cuidariam um do outro, e acabaram fazendo sexo ali mesmo no sofá, com Chanyeol entre suas pernas lhe amando da melhor forma possível.

Park Chanyeol desconfiava que estava viciado em Baekhyun. Fazia um pouco mais de oito meses que estavam juntos, que haviam assumido um relacionamento sério para a família. Ele tinha total certeza de que Baekhyun era o amor de sua vida, e Baekhyun pensava da mesma forma. Estavam os dois se enchendo de docinhos do casamento de Baekbeom, vestidos em ternos bonitos. Baekhyun sentia seu coração acelerar toda vez que olhava para o Park e via seu cabelo penteado para trás, mostrando seu rosto de uma maneira sensual.

“Chanyeol”, chamou, fazendo com o namorado lhe encarasse com a bochecha cheia, comendo um bem-casado. “Eu mal consigo olhar para você gostoso desse jeito e não querer te beijar todinho”, passou a língua entre os lábios, reparando que aquele terno deixava o namorado ainda mais troncudo, alargando os ombros.

“Ah, é?”, perguntou em tom de malícia. “E você vai tirar minha roupa?”

“Você realmente está tentando me deixar duro no casamento do meu irmão?”, Chanyeol deu de ombros, abrindo propositalmente um botão da sua camisa social, e olhando para Baekhyun de forma que o fez pegar fogo. “Eu vou tirar apenas sua calça, porque está extremamente gostoso vestido assim”, Chanyeol agradecia por estarem em um lugar mais isolado do salão, porque pôde levantar o pé discretamente, já sem o sapato, e esfregar no pau de Baekhyun, que já estava duro. Estavam sentados de frente um para o outro, e Baekhyun teve que morder o lábio inferior para não deixar um gemido escapar quando o pé do Park tocou suas bolas, afagando ali deliciosamente. Merda, ele não podia gozar na calça. “Você é um demônio, Chanyeol. Te espero na cabine em cinco minutos, e se prepare, porque vou foder sua boca”, Baekhyun agradecia por estar vestindo um terno um pouco comprido, porque não deixava sua ereção marcada. O namorado não demorou muito para aparecer no banheiro, e chupou-o tão bem que ele gozou em poucos minutos.

Ainda estavam no banheiro dando uns amassos quando Baekhyun percebeu Chanyeol ficar sério. Ele acariciava seu rosto, e sua atenção estava em seu rosto.

“Eu quero manter a promessa que fiz ao Beom”, Chanyeol iniciou a conversa, sentindo as pernas ficarem bambas. “Agora que ele casou, vai ser um pouco difícil ele conseguir cuidar de você de longe”, Baekhyun pensou um pouco e assentiu, tentando entender onde ele estava querendo chegar. “Quer morar comigo, Baekhyun? Pode parecer cedo, visto que não estamos juntos há um ano ainda, mas cada dia que passa, eu sinto que não posso ficar muito longe de você. Como se suas mãos e meu corpo fossem ímãs de pólos opostos… Eu te amo tanto, quero cuidar de você de pertinho”, quando Baekhyun sorriu com olhos úmidos e lhe beijou com todo o seu coração, Chanyeol soube sua resposta.

Ele se mudou uma semana depois.

Baekhyun e Chanyeol tinham uma boa sintonia. Apesar de brigarem às vezes como todo casal normal, eles passavam a maior parte do tempo com as bocas coladas, mãos bobas e já tinham feito sexo em todos cômodos da casa. Havia se passado quase dois anos que estavam juntos, e Chanyeol estava começando a pensar em formas de pedi-lo em casamento. Queria algo simples, mas especial o suficiente para emocionar Baekhyun. Estava tocando Ode To My Family no violão, ou tentando, quando Baekhyun chegou do trabalho, vendo Chanyeol sorrir para si. Adorava encontrar o namorado tocando violão daquele jeito, com os cabelos bagunçados e sem camisa, cantando com a voz roquinha que tanto amava. Mas naquele dia, Chanyeol parecia um pouco bêbado, e tinha várias latinhas de cerveja espalhadas na mesa de centro da sala. Baekhyun concluiu que Sehun deveria ter passado ali com Jongin.

“Sehun e Jongin passaram aqui?”, perguntou a Chanyeol, sentando-se em seu colo com o violão no meio deles. Chanyeol negou, vendo Baekhyun assentir. “Você bebeu tudo isso sozinho?”

“Sim?”, estranhou a pergunta.

“Você não acha que está bebendo demais, Chanyeol?”

“Não… Eu estava de folga, e amanhã é sábado. Não vi problemas em comprar algumas cervejas.”

“Mas você bebeu o fardo todo, sozinho.”

“Não se preocupe, meu amor. Talvez eu tenha extrapolado um pouquinho, mas estou bem”, Baekhyun assentiu, enfiando a mão no cabelo castanho em um carinho que fez o Park deitar a cabeça em seus ombros. “Como foi seu dia?”

“Foi produtivo”, sorriu. “Estamos observando um grupo de estrelas bem distantes, e o pesquisador crê que pode ser uma constelação. As estrelas são lindas.”

“Não tanto como você”, Baekhyun riu, se aproximando para beijar o Park.

“Eu não quero ser chato, ou parecer que estou te privando disso, mas eu não gosto quando você extrapola na bebida, Chanyeol. É um assunto um pouco delicado para mim, sei que nunca entrei em detalhes sobre como meu pai morreu, mas foi cirrose. Ele começou a beber muito, e depois que a minha mãe foi embora, só piorou o estado dele. Tinha dias que eu não reconhecia meu pai. Ele se tornava agressivo e quebrava tudo. Era difícil, eu ficava assustado. Baekbeom tentou ajudá-lo, mas era tarde. Ele teve insuficiência hepática e renal. Não tinha o que fazer mais.”

“Eu… Sinto muito, mesmo. Sinto muito pelo seu pai, e por ter te feito lembrar disso. Prometo que não vou mais extrapolar assim, tudo bem?”, Baekhyun sorriu e assentiu, beijando sua testa antes de levantar e dizer que ia tomar um banho para que pudessem jantar. Compraram uma pizza, e assistiram uma série com Gema deitada entre os dois, dormindo.

Foi em uma tarde de outubro que Baekhyun chegou em casa e encontrou Chanyeol todo sujo de tinta, da cabeça aos pés. Riu ao ver o namorado todo sujo abrindo a porta, já que tinha esquecido suas chaves. Ele vestia uma calça de moletom cinza apenas, e o cabelo estava preso em um rabinho. Agora estava liso, e um pouco acima dos ombros. Fazia meses que não cortava, e Baekhyun havia gostado dele daquela forma.

“Parece que tem alguém aprontando”, riu, beijando o namorado antes de entrar pela porta.

“Fecha os olhos”, Baekhyun estranhou, mas fechou os olhos e sentiu as mãos de Chanyeol os taparem, com medo que ele espiasse. Eles andaram até chegar na casa e quando Baekhyun abriu os olhos, sentiu-os encher de água, levando a mão até a boca em surpresa. Chanyeol havia afastado todos os móveis, e havia jornais no chão para todos os lugares, com uma bagunça de tinta para todos os lados.

Chanyeol havia pintado seu rosto na parede da sala. Estava sorrindo, com uma coroa de flores na cabeça. Parecia que era um quadro feito com aquarela, as cores se encontravam de uma forma tão bonita, e os traços. Céus! Os detalhes eram perfeitos. Baekhyun perguntou-se se Chanyeol o via bonito daquela maneira quando começou a chorar. Havia passado a madrugada toda no observatório, e o tempo foi o suficiente para que Chanyeol fizesse aquilo. Não era uma pintura comum, com cores comuns. Havia azul, rosa, vermelho, verde e amarelo nos traços do seu rosto, e os olhos brilhavam em um tom rosa incrível; era a coisa mais bonita que já havia visto na vida.

“Eu vou te matar por estar me fazendo chorar, Chanyeol”, resmungou aproximando-se da parede, passando a mão na pintura e rindo ao ouvir Chanyeol o repreender por a tinta ainda estar molhada. Os dedos ficaram um pouco rosa; Baekhyun deixou as lágrimas caírem livremente enquanto puxava Chanyeol para um abraço, beijando seu rosto todo sujo de tinta antes de beijá-lo intensamente na boca. “Você me vê bonito dessa maneira?”

“Não.. Eu acho que nunca vou ser capaz de expressar o quão bonito você é, mesmo que eu me torne o melhor pintor do universo. A sua beleza é incapaz de ser retrata, Baekhyun. Mas eu te desenhei assim porque quero te ver desse jeito no nosso casamento”, Chanyeol ajoelhou-se em sua frente, pegando a caixinha de veludo no bolso e abrindo, mostrando duas alianças iguais, finas, de ouro. Baekhyun se debulhou em lágrimas no momento em que o namorado se ajoelhou no chão. “Você quer casar comigo?”

“Eu juro por deus que vou fazer picadinho de você, seu maldito. É claro que eu quero!”, Chanyeol gargalhou, pegando a aliança dourada e colocando no dedo do menor, e quando levantou, Baekhyun fez o mesmo que si. Encarou a aliança no dedo; haviam pedrinhas em formato de estrelas por ela toda, cores de rosa. A cor preferida de Baekhyun.

“Agora você se tornou o meu planeta, Baekhyun. Eu mandei eles fazerem esse anel. O nome dele é anel de Saturno”, Chanyeol riu. “Porque você é o meu planeta”, Baekhyun riu com a cantada boba, tentando controlar as lágrimas que insistiam em lavar seu rosto.

“Você é tudo pra mim, Chanyeol”, e quando Baekhyun foi beijar Chanyeol, ouviu um miado saindo de sua bolsa, e largou o namorado para sair correndo até a mochila esquecida perto da porta, abrindo e tirando uma gata branca de lá. “Eu encontrei ela na estação, estava assustada e com fome, e bom, temos a Gema, essa é a Clara”, Baekhyun se aproximou com a gata branca de olhos azuis, vendo Chanyeol olhar transbordando amor para os dois, assim como havia sido com Gema há quase três anos. Gema assistia a cena um pouco desconfiada, com a cabeça torta olhando para a Clara. No começo foi difícil para ela aceitar Clara, porque era um pouco territorialista, mas depois de algumas semanas, começaram a dormir juntas.

E na noite do pedido, eles se amaram na cama, na sacada, com Chanyeol pouco ligando para que os vizinhos dissessem quando o visse de quatro, de madrugada, com o vento da cidade grande bagunçando os fios compridos.

Jongin e Sehun se casaram e Chanyeol e Baekhyun foram padrinhos; foi um casamento lindo. Alugaram um hotel na beira da praia e realizaram o casamento na areia, com Jongin vestido uma roupa leve branca. Ele estava tão bonito, e parecia estar tão feliz, assim como Oh Sehun. Foi uma festa grande, com bastante fartura e bebida. Eles passariam o final de semana naquele hotel, indo embora na segunda de manhã. Naquele dia, tomado pela emoção do melhor amigo estar se casando, Chanyeol disse a Baekhyun que eles poderiam se casar no próximo ano, na primavera. Queria um casamento com bastante flores, e Baekhyun estava de acordo. Eles se formariam na faculdade naquele ano, já haviam apresentado o TCC e o Park havia entrado com uma papelada para abrir um ateliê de arte, onde daria aula e criaria uma galeria com seus quadros.

Baekhyun havia recebido uma oferta para trabalhar em um observatório grande na Coreia do Sul, o maior de Seul. Parecia que tudo estava dando certo e entrando nos eixos como eles planejaram há dois anos. Baekhyun tinha decidido caminhar na praia com Seulgi depois do casamento, já que Chanyeol parecia estar cansado. Disse que ficaria no quarto e tentaria desenhar algo.

“Baekhyun”, Seulgi chamou, fazendo Baekhyun olhar para ela. Parecia séria. “Eu sei que isso definitivamente não é da minha conta, mas como uma amiga, eu também me preocupo. Jongin e Sehun também estão preocupados. Você não acha que o Chanyeol tem bebido demais?”, Baekhyun não disse nada no momento, apenas continuou andando e olhando para o chão, tentando responder àquela pergunta.

“Eu já não sei mais”, confessou, sentindo um bolo se formar na garganta. “Porque ele sempre bebeu esse tanto, desde que o conheci. Tivemos uma conversa sobre isso ano passado, abri meu coração para ele em um dia que ele havia bebido muito, e ele prometeu não extrapolar mais. Mas ele continua bebendo a mesma quantidade.”

“Você deveria conversar com ele de novo, amigo. É preocupante uma pessoa beber essa quantidade no dia-a-dia.”

“Eu não quero ser chato. Sinto que estou pegando no pé dele. Ele é um adulto também.”

“Sim, Baekhyun. Mas pode ser que ele esteja precisando de ajuda e não sabe como pedir também”, Baekhyun assentiu, e logo eles mudaram de assunto, parando em um quiosque na beira da praia para tomar um suco. E voltou quase duas horas depois para o hotel. Logo na porta do quarto, encontrou várias bolinhas de papel amassadas, e era comum para si encontrar bolinhas amassadas. Chanyeol jogava para todos os lados quando estava desenhando. Baekhyun sentiu o coração parar quando encontrou o noivo caído no chão, ao lado da mesinha, em cima de milhares de bolinhas. Havia duas garrafas de vinho vazias no chão. Um desespero apossou-se de si e ele correu até o Park, segurando sua cabeça em seu colo enquanto tentava acordá-lo.

“Chanyeol?!”, falou alto, sentindo o cheiro forte de álcool vindo dele. “Por favor, acorda, Chanyeol!”, Baekhyun soube que ele não estava bem quando reparou no vômito em sua camisa. Chanyeol havia entrado em coma alcoólico. Baekhyun abriu a porta desesperado e começou a gritar por ajuda. Seulgi que estava no quarto ao lado do seu, saiu imediatamente, assustada, tentando entender o que estava acontecendo. E ficou ainda mais assustada quando viu o estado de Chanyeol. Eles chamaram ambulância e foram acompanhando Chanyeol até o hospital.

Baekhyun percebeu que Seulgi estava certa quando disse que Chanyeol estava bebendo muito; e foi naquele dia que o mundo de Baekhyun começou a cair.

Baekhyun preencheu a ficha de Chanyeol quando eles chegaram no hospital e ele foi levado até um quarto para ser tratado. Quando Baekhyun entrou no quarto, ele estava vestindo as roupas do hospital e limpo, e recebendo soro na veia com algumas vitaminas e glicose, para eliminar o álcool do organismo. A única coisa que Baekhyun conseguiu fazer no momento, foi sentar no corredor do hospital e chorar; chorar pela situação, por ter chegado naquele ponto. Chorar por tudo o que viveu com o pai. Chorar por ter tido medo de perder a pessoa que mais amava na vida; mais uma.

Kang Seulgi não disse nada, apenas sentou-se ao seu lado e lhe abraçou de lado, lhe puxando para chorar em seu colo. A amiga afagava suas costas enquanto derramava algumas lágrimas também. Se para ela, que era uma amiga próxima, já doía daquela maneira ver o Park naquela situação, ela nem conseguia imaginar o quanto doía para Byun Baekhyun. Não sabia como Byun Baekhyun aguentaria aquela dor.

Estava quase amanhecendo quando Chanyeol acordou, sentindo o corpo todo dolorido e uma ânsia horrível. Olhou ao redor, tentando acostumar com a claridade que deixava o ambiente ainda mais branco. Percebeu que havia uma agulha presa em seu braço enquanto o soro era administrado. Tentou lembrar-se do que havia acontecido, mas sua mente estava em branco. Baekhyun dormia em uma cadeira ao lado de sua cama, e ele esticou a mão para lhe fazer carinho no cabelo, acordando-o. O Byun abriu os olhos lentamente, olhando para Chanyeol e despertando rápido ao vê-lo acordado.

“Bom dia?”, questionou-se um pouco perdido no tempo. “O que aconteceu?”

“Você realmente não se lembra?”, Chanyeol negou, ficando um pouco preocupado. Tinha certeza de que havia ficado no quarto, desenhando, e que seus desenhos estavam horríveis naquele dia, então resolveu abrir uma garrafa de vinho. Era apenas o que lembrava, e disse isso a Baekhyun, que suspirou e começou a chorar baixinho, deixando Chanyeol preocupado.

“Quando eu cheguei no quarto, você estava desmaiado, Chanyeol!”, exclamou, assustando o noivo. “Você prometeu, Chanyeol! Você disse que não ia extrapolar! Se isso não é extrapolar, é o quê?”, Chanyeol não soube o que responder. Não tinha nada a ser dito porque sabia que Baekhyun estava com a razão, mas ele tinha bebido só um pouquinho, não pensava que fosse algo alarmante. “Você precisa de ajuda, Chanyeol.”

“Não preciso”, disse firme, fazendo Baekhyun lhe encarar. “Eu estou bem, Baekhyun. Apenas bebo porque gosto, não sou um viciado.”

“Meu pai dizia a mesma coisa”, sussurrou. “Eu posso te ajudar, Chanyeol. Nós podemos superar isso juntos, então, por favor, Chanyeol.. Aceita que precisa de ajuda.”

“Merda, Baekhyun! Eu não sou alcoólatra!”, gritou, assustando Baekhyun. Ele nunca havia levantado a voz para si. “Me desculpa, não quis gritar”, disse ao vê-lo recuar. “Eu não preciso de ajuda, eu apenas bebo normalmente, como qualquer um. Vai ficar tudo bem, okay? Isso não vai acontecer novamente.”

E Baekhyun cedeu, acreditando que ficaria tudo bem, mesmo que seu coração estivesse começando e desmoronar. Depois daquele episódio, onde ambos combinaram fingir que nada havia acontecido, as coisas pareciam ter voltado aos eixos. Haviam apresentado seus TCCs e se formado. Baekhyun e Chanyeol resolveram pegar o dinheiro que gastariam na formatura para fazerem uma viagem longa de lua de mel. Estavam planejando tudo para o casamento. Fazia quase seis meses que Chanyeol não bebia e aquilo havia tranquilizado o coração de Baekhyun. Talvez as coisas realmente ficassem bem.

Foi em uma manhãzinha de segunda que Baekhyun recebeu a notícia que seria tio. Baekbeom e sua esposa estavam esperando o primeiro filho do casal, e Baekhyun ficou extremamente feliz por Baekbeom ter encontrado uma família que gostasse tanto de si, e também, por ele estar formando sua família agora. Ele e o Park havia entrado no assunto adoção há alguns meses atrás, e planejavam adotar uma criança um ano depois de se casarem.

Toda vez que Baekhyun olhava para aquela pintura na parede da sala, ele sorria. Havia sido um dos melhores dias de sua vida. Sentia que amava Park Chanyeol a cada dia que passava; um amor intenso que lhe sugava a alma, que fazia tremer da cabeça aos pés com a boca. Tudo em Park Chanyeol era intenso. A forma como suas mãos grandes apertavam seu corpo, como seus lábios faziam caminhos coloridos em sua pele; Chanyeol estava no centro de seu caleidoscópio.

Fazia dois meses que Chanyeol havia aberto seu ateliê e já tinha muitos alunos e pessoas interessadas em suas obras. Muitos dos seus professores de faculdade o chamavam de impressora humana, pelo fato de conseguir fazer um retrato com detalhes perfeitos, como se estivesse impresso. O apelido rodava entre os artistas da região, e Chanyeol estava trabalhando em um enorme quadro para uma atriz, que iria pendurá-lo na sala de sua casa. Sabia que era cansativo, e que demorava horas pra que fizesse apenas o esboço. Muitas vezes, Chanyeol dormia no ateliê quando pegava um trabalho grande, assim como Baekhyun que às vezes virava o noite no observatório. Era comum que eles ficassem dois ou mais dias sem se ver, mas sempre se falavam por ligação ou mensagem de texto. Tinham vidas agitadas.

Baekhyun estava voltando do trabalho naquela madrugada quando estranhou ao ter encontrado a porta destrancada. Não era comum Chanyeol deixá-lo aberta, já que as gatas conseguiam abrir, mas tranquilizou-se ao ver Gema e Clara rolando no chão quando chegou, sorriu quando as gatas começaram a enroscar em sua perna, fazendo um carinho nas duas antes e tirar a jaqueta que usava e se dirigir ao quarto, onde pensou que encontraria o noivo. Mas estava vazio. Deu de ombros e tirou a roupa, colocando a calça de pijama e indo até a cozinha, ouvindo barulhos vindo de lá. Chanyeol tinha o costume de fazer lanchinhos de madrugada, então deveria estar comendo. Baekhyun entrou na cozinha com um sorriso no rosto, vendo as costas nua do namorado enquanto ele comia um pedaço de bolo apoiando na bancada. Aproximou-se do corpo quentinho e abraçou por trás, deixando alguns beijos nos ombros.

“Estava com saudades”, sussurrou, ouvindo a risada gostosa do noivo. Chanyeol virou para si e lhe puxou para ficar no meio de seus pernas, olhando em seus olhos. Por mais que não estivesse bêbado, Baekhyun conseguia sentir o cheiro de álcool vindo de si, mesmo que sutilmente. “Você bebeu?”

“Um pouquinho. Terminei o quadro hoje, e Seohyun me convidou para tomar um drink. Foi coisa rápida, já que ela precisava gravar”, Baekhyun assentiu. “E então, como foi seu dia?”, entraram em uma conversa sobre o cotidiano a partir dali.

Chanyeol ouviu Baekhyun falar sobre uma estrela que havia aparecido, pequena, mas brilhosa, enquanto Chanyeol lhe contava sobre seus novos alunos. Dormiram abraçadinhos naquele dia, e fizeram um amor gostoso pela manhã antes de irem trabalhar. Os meses seguiram tranquilos desde então. E foi em janeiro que Baekhyun sentiu outra parte do seu coração despedaçar quando Chanyeol chegou tão bêbado em casa que mal conseguia parar em pé. Baekhyun não reconhecia aquele homem que havia gritado consigo no meio de uma crise, quebrando alguns pratos que estavam em cima da bancada, enquanto gritava a plenos pulmões que não precisava de ajuda alguma. Aquele não era o Park Chanyeol por quem Baekhyun havia se apaixonado há alguns anos. Não existia mais aquele brilho ímpar em seu olhar quando olhava para si, e por mais que soubesse que Chanyeol o amava com toda intensidade do mundo, aquilo lhe machucava em um nível estratosférico. Sentia que estavam apenas brincando de casinha no meio das ruínas do que havia sobrado do relacionamento deles com o passar do tempo.

Chanyeol implorou perdão no dia seguinte, chorando dizendo que aquilo nunca mais iria acontecer, e Baekhyun estava cansado. Cansado de oferecer ajuda. Cansado de brigar e repreender; apenas abraçou Chanyeol e disse que estaria ali, e que lhe amava.

Baekhyun queria acreditar que Seulgi não tinha razão quando disse que Chanyeol era alcoólatra; mas ele sabia. Mesmo que negasse para si mesmo, não querendo ver um espelho do próprio pai no noivo. Seu coração doía há meses. Há meses ele sentia-se mentalmente cansado, vendo Chanyeol acabar com a própria saúde sem conseguir fazer absolutamente nada. Todos estavam preocupados e Baekhyun se sentia exausto e pressionado a fazer algo que nem ele próprio sabia. Não queria pensar em nada, porque não encontrava uma solução. Como poderia ajudar uma pessoa que negava sua ajuda?

Encarou o teto branco, com um sentimento de déjà vu. Chanyeol estava mais uma vez desacordado em uma cama de hospital, recebendo soro na veia depois de desmaiar de tanto beber em uma festa do ateliê. Baekhyun queria chorar. Queria sentar no chão e chorar todo o líquido do seu corpo como fez da primeira vez que aquilo aconteceu. Talvez parte de sua dor fosse embora se fizesse aquilo, mas nenhuma lágrima caía. Já havia chorado todas elas durantes aqueles meses. Fazia quatro anos que eles estavam juntos, e um que oferecia ajuda ao noivo alcoólatra.

Sentia-se desgastado. A família de Chanyeol não parecia estar ciente sobre a situação, já que moravam um pouco longe e quase não se falavam, e Baekhyun pensou em ligar, pensou em pedir ajuda. Suspirou olhando para o contato de Park Yoora no telefone, saindo do quarto quando ligou para cunhada. Talvez Chanyeol a ouvisse, ouvisse a mãe. Depois de alguns segundos, Yoora atendeu e parecia estar animada por falar consigo.

“Baekhyun? Quanto tempo”, exclamou animada. “Faz um tempo que você não liga.”

“Yoora... “, disse com a voz quebrada.

“O que aconteceu? Você está chorando?”

“Eu não consigo mais, Yoora. Eu não posso suportar isso… Eu juro que tentei, mas eu não posso”, desabou em lágrimas, assustando a garota do outro lado da linha.

“Baekhyun, respira e me fala o que aconteceu. O Chanyeol fez algo?”

“Ele está internado”, ouviu a cunhada gritar um “O que? O que aconteceu?” do outro lado. “Ele é alcoólatra. Chanyeol é um alcoólatra que precisa de ajuda. Ele entrou em coma alcoólico ontem, estou no hospital esperando ele acordar….”, Baekhyun sussurrou choroso. “Eu tentei ajudá-lo, mas ele não dá o braço a torcer. Eu estou exausto, Yoora. Não consigo seguir com isso. Ele precisa de uma ajuda que eu sou incapaz de dar.”

“Me manda a localização que estou indo para aí”, ela desligou a ligação, e Baekhyun lhe mandou a localização, ficando sentado em um banco no corredor do hospital. Ele encarava sua aliança quando Yoora chegou, mal o reconhecendo naquele estado. O rosto estava inchado, haviam olheiras profundas que entregavam que ele não dormia há dias. Ela sentou-se ao seu lado em silêncio e segurou sua mão, olhando para o irmão do outro lado do corredor em um leito.

“Quando isso começou a acontecer?”, questionou tão quebrada quando Baekhyun.

“Eu não sei. Acho que muito antes de começarmos a namorar. Quando eu conheci Chanyeol, ele já bebia bastante. Eu não queria aceitar que ele não bebia como uma pessoa normal, e acho que isso me deixou cego. E ele foi apenas aumentando a quantidade que bebia, até entrar em coma alcoólico pela primeira vez. Eu tentei entender, tentei ajudar, tentei tudo. Mas ele está irredutível quanto a isso, e eu simplesmente não aguento mais. Meu pai era alcoólatra, Yoora, e eu vi a bebida matar eles aos poucos, fazê-lo perder tudo que tinha na vida, e eu não posso ficar aqui e assistir isso acontecer com o Chanyeol. Doí”, Yoora apertou sua mão e assentiu, consolando-o com um abraço. “Eu apenas preciso saber que ele terá quem cuidar dele, que não ficará desamparado.”

“Você tem certeza que essa é sua escolha?”, Baekhyun negou, deixando algumas lágrimas rolarem pelo resto.

“Eu tenho certeza apenas que ele é tudo pra mim, e por amá-lo tanto, eu preciso fazer isso.”

“Eu não te julgo. Entendo seu ponto, e talvez tomasse a mesma decisão”, a mulher deixou-se chorar também. “Não se preocupe quanto a isso, nós cuidaremos dele. Tentaremos de tudo.”

“Obrigado. De verdade”, Baekhyun fungou. “Eu vou conversar com ele antes de ir embora”, Yoora assentiu, e eles ficaram ali até que Chanyeol acordasse. Baekhyun não disse nada naquele instante, apenas ajudou Chanyeol a comer em silêncio, e Chanyeol sentia-se quebrar em mil pedaços por ver Baekhyun lhe olhar de forma tão triste, como se aquele brilho que tinha em seus olhos estivesse desaparecendo. Eles não tocaram no assunto sobre o que havia acontecido na noite anterior, mas ver sua irmã ali dizia que as coisas estavam péssimas. Chanyeol recebeu alta pela noite, e Yoora deixou ambos em casa e trocou um olhar carinhoso com Baekhyun, como se dissesse que cuidaria de tudo, mesmo que fosse insuportavelmente difícil.

Yoora teve total certeza de que a morte repentina do pai havia mexido com o psicológico do irmão mais do eles imaginavam; não houve um dia que o Park não desejasse encontrar o pai sentado naquela cadeira de balanço, cantando para os pirralhos do bairro, e Chanyeol achava que, talvez, a bebida fizesse um pouco daquela dor se dissipar. Pensou que talvez, pudesse esquecer, mesmo sabendo que sua maldita memória o faria lembrar de cada detalhe.

Baekhyun abriu a porta de casa, que nem parecia mais a casa deles pelo clima pesado que havia se instalado. As gatas deveriam estar famintas porque Baekhyun saiu correndo tão desesperado de sua casa que sequer lembrou de alimentá-las, e aquilo o fez chorar um pouco enquanto enchia o potinho de ração das duas, sentindo os olhos de Chanyeol em suas costas.

“Eu te perdi”, Chanyeol constatou quando eles entraram no quarto, parando no batente da porta do banheiro enquanto Baekhyun tirava a roupa para tomar um banho. Sentia cada extremidade do seu corpo dolorida e cansada. Mal tinha forças para responder Chanyeol naquele momento. “Eu sei que é um pedido egoísta, e que não tenho o direito de fazê-lo, mas eu não vou conseguir dormir se não tentar. Você pode não ir embora?”, quando Chanyeol viu os ombros de Baekhyun balançarem enquanto a água caía sobre si, percebeu que estava chorando. Ele não se importou de entrar de roupa e tudo no chuveiro, abraçando o corpo trêmulo por trás e beijando sua nuca. Nunca havia visto Baekhyun frágil daquela maneira, e saber que ele havia causado aquilo, era como levar um soco no estômago. “Não vai embora, Baekhyun. Por favor. Eu prometo mudar, parar de beber, eu faço o que você quiser. Só não vai embora”, implorou com a voz quebrada, fazendo com que Baekhyun chorasse ainda mais. “Eu posso me ajoelhar, implorar por horas, só por favor, não me deixa.”

“Nós estamos prestes a morrer, Chanyeol”, sussurrou. “Nossa relacionamento está em ruínas, e andar entre os escombros dói, machuca cada vez mais.”

“Mas eu te amo, Baekhyun. Isso não mudou, e nunca vai.”

“Eu sei. Eu te amo tanto, mas tanto, que não posso ficar e assistir nosso amor morrer. Os sentimentos que temos é bonito demais para eu deixar isso acontecer. Eu sinto que se eu fechar os olhos mais uma vez, e tentar empurrar com a barriga, vou acabar matando você. Eu, e tudo que vivemos. Temos memórias bonitas, e quero deixá-las intactas quando eu me lembrar de você, porque eu tenho a sensação de que, se eu ficar, daqui uns meses, todas as nossas recordações serão manchadas pelo sofrimento. Você entende, Chanyeol? Entende o porquê eu não posso continuar com isso?”, Chanyeol encostou a testa no topo de sua cabeça, fungando enquanto chorava.

“Mas nós nos amamos.”

“Às vezes, Chanyeol, o amor não é o suficiente. Não é o suficiente para salvar alguém, e eu me sinto incapaz de poder salvar sua vida. De salvar a nossa relação. Não implore, por favor. Isso apenas nos machucará mais e mais.”

“Então você realmente vai embora?”

“Sim, e a partir de amanhã, Yoora virá morar com você”, Chanyeol não contestou, apenas chorou em silêncio sentindo a água quente do chuveiro caindo sobre os dois. Nenhum deles soube quanto tempo eles ficaram naquela posição, mas Baekhyun foi quem tomou a iniciativa de sair do chuveiro e puxar Chanyeol para fora, ajudou-o a se vestir, porque Park Chanyeol parecia estar vivendo em outro mundo naquele momento, e aquilo preocupou Baekhyun ainda mais.

Depois de algumas horas, a campainha do apartamento tocou. Era Oh Sehun. Ele olhou para Baekhyun de forma triste antes de avisar que estaria esperando Chanyeol no carro.

“Eu não acho que eu consiga assistir você ir embora. Seria demais para mim”, Baekhyun assentiu, sentindo-se prestes a desmoronar. “Eu acho que nem tenho o direito de te pedir perdão, Baekhyun.”

“Se desculpe comigo cuidado de você mesmo. Será a melhor maneira”, Baekhyun sorriu triste, e foi ali que Chanyeol terminou de quebrar-se. Conseguia ver-se em mil pedacinhos espalhados pelo tapete da casa, por cada quadro que pintou do Baekhyun, por cada vez que eles se amaram naquele sofá; cada apertão, cada suspiro, cada beijo trocado, cada entrelaçar de dedo. A maneira como conversaram sobre vacas lunares ainda era vivida em sua memória, mesmo que aquele Baekhyun em caos não fosse o mesmo que havia conhecido há quatro anos. Chanyeol aproximou-se do ainda noivo e o puxou para um abraço, beijando seus cabelos e sussurrando milhares de pedidos de desculpas.

“Eu espero, Baekhyun, que você encontre uma pessoa que consiga te amar da forma que eu deveria ter feito, que acenda o brilho dos seus olhos ao invés de apagar. Você merece alguém que brilhe junto com você”, Chanyeol beijou sua testa.

“Eu odeio ter que fazer isso, Chanyeol. Você não tem ideia de como eu me odeio por estar indo embora. Por estar desistindo da gente essa maneira. Eu queria que entendesse isso… E também me odeio por estar levando a Clara comigo…”, Chanyeol tinha até mesmo esquecido das gatas que dormiam no sofá.

“Ah…”, ele não sabia o que dizer. “A Gema também foi você quem encontrou, vai ser difícil, mas se quiser…”.

“Ela é apegada demais a você para viver comigo”, Chanyeol assentiu, crispando os lábios para não chorar novamente. “Até um dia, Chanyeol”. Baekhyun sorriu.

Chanyeol soltou-lhe do abraço e ficou alguns segundos olhando para si antes de sair pela porta, e Baekhyun deixou o corpo escorregar até sentar-se no chão, chorando sentido pelo fim do relacionamento. Havia passado tantos anos ao lado do Park que simplesmente não conseguia imaginar-se em uma rotina sem o agora, ex-noivo.

E agora a realidade batia na porta, dizendo a Baekhyun que ele precisava superar Park Chanyeol e toda sua essência artística que lhe virava do avesso; mesmo que parecesse ser impossível. A cada peça de roupa que Baekhyun colocava em sua mala, era uma dor diferente que tomava seu peito, e antes de ir embora, encarou seu rosto pintado na parede, tentando imaginar se Chanyeol deixaria aquilo ali por muito tempo. Aproximou-se da parede e passou a mão, igual fez há alguns anos, sentindo que ela falava consigo de alguma maneira. Dizia-lhe que ele havia feito o seu melhor, mas ele também sabia que era apenas a vivacidade dos traços de Chanyeol querendo lhe confortar. Deixou a aliança de estrelas em cima da cama, na mesma caixinha de veludo de onde havia saído.

E Gema não entendeu por que Baekhyun estava saindo com Clara e lhe deixando para trás, e ouvir seu miado feio atrás da porta foi o que terminou de desmontar Baekhyun; talvez ele nunca mais conseguisse ser inteiro novamente.

Park Chanyeol já havia terminado relacionamento antes; sempre enxergou a sigla “ex” como sinônimo de dor, porque dói quando uma pessoa vai embora de sua vida, seja ela um parceiro romântico ou não. Ele sabia que iria doer, sabia que seria insuportável tentar viver sem Baekhyun. Mas ele não imaginava que seria tanto. Fazia longos dois meses que Baekhyun tinha terminado consigo e ido embora, e Chanyeol não lhe julgava. Não sentia raiva de si. Sentia apenas um vazio, um abismo sugar tudo dentro de si. Havia dias que ele não saía do quarto, ficando deitado na cama o dia inteiro, e por mais que Yoora tivesse lhe dito que ele precisava de um acompanhamento médico, de um psiquiatra, Chanyeol não conseguia mover uma palha para procurar ajuda. Sentia que sua vida estava pausada em uma cena triste. Talvez fosse um daqueles filmes com finais abertos onde todos ficam confusos e não entendem nada.

Daquela manhã de quinta, Chanyeol não sentia vontade de sair do quarto, e com muito custo, levantou-se para escovar os dentes e tirar o pijama. Os fios estavam tão compridos e embaraçados que sequer lembrava qual havia sido a última vez que havia cortado o cabelo. Deu de ombros em um suspiro, pegando um elástico e prendendo de qualquer jeito. Resolveu que tentaria pintar, mas suas tintas haviam acabado, então vestiu um moletom por cima do pijama e decidiu ir até a loja de tinta mais próxima. Sorriu pequeno quando o dono da loja veio falar animado consigo, dizendo que fazia um tempo que não lhe via por ali. Jogaram um pouco de uma conversa banal fora e Chanyeol voltou ao carro, e por mais que não quisesse ter feito aquilo, parou em uma lojinha de conveniência perto de sua casa e comprou um fardo de cerveja, e bebeu tudo enquanto a irmã trabalhava.

Chanyeol sentia as mãos tremerem enquanto olhava para aquela tela em branco, e sua mente parecia não querer criar nada naquele momento, sequer seus traços eram precisos. Parecia que havia regredido anos e anos, igual no prézinho quando fazia rabiscos sem sentidos e misturava cores erradas. Chanyeol tentou pintar parte da cidade que havia visto enquanto dirigia, mas novamente, pareceu uma cidade em ruínas com caos urbano, e ele entendeu que aquilo era um retrato do seu interior. Quando Yoora chegou, encontrou Chanyeol no meio das latinhas amassadas, dormindo, e várias telas destruídas espalhadas por seu quarto. E o rosto de Baekhyun continuava na parede. Ela não sentia-se no direito de pedir para Chanyeol apagar aquilo, porque sabia que apagar aquela pintura significava muito mais do que ela era capaz de imaginar.

Tomou iniciativa de ligar para um consultório psiquiátrico e marcar uma consulta para o irmão, e também, procuraria a comunidade AA, dos alcoólicos anônimos.

Um dia, voltando para o apartamento do consultório, Chanyeol viu um vulto branco passando por si no corredor, reconhecendo ser Clara. Aquilo significava que ela havia fugido de Baekhyun. Chanyeol encarou o celular com o contato dele por longos minutos, cogitando se deveria ligar e avisar que estava com Clara. Pelo que conhecia do ex-noivo, ele deveria estar desesperado procurando pela gata dentro de casa. Olhou para Clara e Gema brincando no chão e um aperto tomou seu peito ao pensar que teria que separá-las novamente. Tomando um pouco de coragem, ligou para Baekhyun, mas antes que pudesse chamar, ouviu a campainha tocar, o fazendo cancelar a ligação e correr para atender a porta, e quase caiu para trás quando viu Baekhyun.

Ele havia pintado o cabelo de rosa, e apesar de parecer que havia perdido peso, estava tão bonito quanto se lembrava. Chanyeol continuava com o mesmo cabelo comprido, preso em um coque mal feito.

“Me diz que a Clara está aqui, Chanyeol”, perguntou choroso, olhando para o ex-noivo.

“Está”, Chanyeol deu passagem para Baekhyun entrar, e logo as duas gatas pularam em cima de si, e ele chorou um pouquinho enquanto abraçava as duas.

“Eu deveria fazer picadinho de você, sua fedelha!”, disse para a Clara, que miou para si. “E não discute comigo, você vai ficar sem assistir desenho por uma semana, hein”, repreendeu a gata, e Chanyeol só conseguiu rir da situação. Por mais que doesse ver Baekhyun, estava feliz. Era uma sensação agridoce. “Ela fugiu enquanto eu atendia o carteiro”, explicou, olhando para Chanyeol. “E não foi a primeira vez que quis fugir. Acho que ela sente falta da Gema… Deveríamos deixá-las passar um tempo juntas?”.

“Podemos tentar”, Chanyeol respondeu, não sabendo muito bem como agir. Fazia um pouco mais de três meses que não falava com Baekhyun, mas sabia que sua irmã sempre lhe deixava informado sobre tudo. “Como você está?”.

“Tentando”, e com uma palavra, Chanyeol entendeu. “E você?”, deu de ombros, vendo Baekhyun assentir. “Bom, eu acho que nada acontece por um acaso. Cedo ou tarde você saberia por alguém… Eu estou indo embora da Coreia”, aquilo pegou Chanyeol de surpresa, e aquele sentiu-se tonto pelo baque. “Recebi uma proposta de trabalho em Toronto. Estou me mudando para lá em alguns meses”.

“Uau”, foi com o que Chanyeol conseguiu se expressar no momento, fazendo Baekhyun rir. “Digo, isso é incrível. Finalmente está conseguindo realizar seu sonho de trabalhar em um observatório no Canadá. Parabéns”, Chanyeol disse com um sorriso no rosto, verdadeiramente feliz por ele. Baekhyun sentia seu corpo ser puxado pelo ímã de Chanyeol, e merda, ele queria ter conseguido resistir aquilo, mas quando o ex-noivo lhe abraçou para parabenizá-lo, seu corpo entrou em combustão, sentiu seu peito queimar de dentro para fora igual acontecia quando Chanyeol lhe pressionava na parede, e apenas naquele momento conseguiu perceber o quanto seu corpo sentia falta das mãos fortes do Park, da pegada bruta que ele tinha. Em um momento, eles acabaram se perdendo naquele contato que era para ser um simples abraço, que acabou evoluindo para um beijo tenso e molhado, que deixou Chanyeol de pernas bambas quando o Byun lhe pegou no colo, o pressionando na parede da cozinha enquanto Chanyeol lhe abraçava com as pernas, perdido naquela sensação gostossa e excitante. Baekhyun sabia que eles não deveriam. Chanyeol sabia que não conseguiria resistir. Baekhyun ondulou seu corpo contra o do maior, sentindo seu membro duro roçar no seu, gemendo dentro da bocca de Chanyeol.

“A gente não deveria..”, Baekhyun sussurrou.

“Não, mas eu não consigo manter meu corpo longe das suas mãos… Só dessa vez, por favor”, Chanyeol não ouviu uma resposta de Baekhyun, apenas gemeu quando Baekhyun arrancou todas as suas roupas na cama e arrastou os lábios pelo seu corpo, como um animal faminto; sugou seus mamilos ouvindo-o gemer manhoso do jeitinho que gostava, e beijou sua boca de forma erótica enquanto Chanyeol rebolava em seu pau, sentindo-o ir bem fundo dentro de si, acertando sua próstata tantas vezes que Chanyeol revirou os olhos com o prazer, e gozou com o corpo trêmulo, sujando tudo de porra. O corpo cansado e satisfeito acomodou o seu em um abraço, e naquele momento, parecia que nada seria capaz de atingi-los. Até Chanyeol lembrar que Baekhyun iria embora.

“Eu me sinto um filho da puta egoísta por transar com você depois de dizer que estou indo embora”, Baekhyun confessou.

“Eu quis tanto quanto você… Posso ser um filho da puta egoísta e te pedir para ficar?”.

“Chanyeol…”, a voz de Baekhyun adotou aquele mesmo tom quebrado que da última vez e Chanyeol teve vontade de chorar.

“Eu acho que não sou capaz de viver sem você, Baekhyun”, sua voz baixa e trêmula entregava que ele realmente estava prestes a chorar, e Baekhyun se sentiu péssimo por ter o colocado naquela situação novamente. “Dói quando eu acordo de madrugada e não encontro você na cama. Eu ainda tateio o colchão procurando seu corpo, de forma automática, quando eu acordo. Eu ainda te chamo quando esqueço de levar a toalha para o banheiro. E de madrugada, eu preparo dois copos de café esquecendo que você foi embora. A minha vida se resume a você, então me deixa ser um filho da puta egoísta e te pedir para ficar”, Baekhyun não conseguiu dizer nada, apenas abraçou Chanyeol e embalou seu corpo até que ele se acalmasse e dormisse. Baekhyun vestiu sua roupa entre lágrimas, e mais uma vez, foi embora com Clara.

Aquela seria a última vez.

E Chanyeol bebeu de novo quando acordou no outro dia e não encontrou o corpo de Baekhyun, e parecia que aquele retrato na parede estava ali apenas para assistir sua queda, e pensando nisso, e com um pouco de raiva, Chanyeol parou em loja de tintas e pediu por tintas brancas e quando chegou em casa, jogou vários jornais no chão e começou a pintar o rosto de Baekhyun, ficando em uma bagunça de tinta e lágrimas, e merda, já havia dado duas mãos de tinta e nada, seu rosto ainda continuava ali. Seus olhos ainda continuavam lhe olhando, mas Chanyeol não tinha mais força física para continuar, então apenas deixou seu corpo trêmulo, sujo e bêbado afundar na água quente da banheira, chorando ali por horas, sentindo aquela sensação de estar apagando Baekhyun de sua vida lhe rasgar o peito. Yoora chegou e encontrou o irmão com o corpo gelado na banheira, e se desesperou, tirando-o dali e enfiando o corpo embaixo de um cobertor, para esquentá-lo. Chanyeol nada disse, mas ela sabia que Baekhyun tinha passado por ali, ele mesmo havia dito, e olhando Chanyeol frágil daquela maneira, pela primeira vez, ela temeu que Chanyeol fizesse igual seu pai. Temeu que ele não aguentasse a dor.

….

Chanyeol achava engraçado como o tempo parecia andar devagar quando ele estava sozinho. Parecia que aquele maldito relógio de parede estava parado. Anotou mentalmente que deveria comprar pilhas depois; constatou mais tarde que o relógio estava funcionando normalmente, sua vida que parecia estar estacionada em um lugar que não o levava para lugar algum. Sem saída, sem rumo. Havia se passado três anos desde que Baekhyun havia ido embora, e aquele vazio em seu peito continuava sugando tudo, como aqueles buracos negros que Baekhyun tanto gostava.

Por falar em Baekhyun, Chanyeol descobriu por um acaso que ele havia se casado com um canadense há um ano. Foi como levar um tiro saber sobre, mas ele sentia que não merecia sofrer por aquilo, afinal, ele havia perdido Baekhyun; havia quebrado seu coração e tirado o brilho de seus olhos. Havia apagado a luz brilhante que irradiava de sua aura. Torcia para que o marido dele conseguisse fazer tudo aquilo que ele não conseguiu.

Chanyeol havia desistido de encontrar alguém. Sentia que nunca iria amar alguém da forma que amou aquele astrônomo enfezado viciado em café; sentia que todo amor que existia dentro de si já havia sido destinado a uma pessoa. Mas ele continuava tentando seguir sua vida. Estava sóbrio há dois meses, e por mais que ainda tivesse crises de abstinência, estava aprendendo a lidar com aquilo da melhor forma possível. Yoora não estava mais morando consigo, porque havia se casado, e Chanyeol já se sentia pronto para morar sozinho de novo, o que lhe fez comprar uma casa com um quintal amplo para que Gema pudesse brincar. Planejava adotar uma gata para fazer companhia para aquela gata rabugenta. E adotou uma gatinha preta alguns meses depois, colocando o nome de Omelete, para dar continuidade a saga.

Estava saindo do ateliê naquele dia quando sentiu braços curtinhos agarrarem suas pernas compridas, sendo acompanhado de uma risada infantil. Olhou para baixo e viu os olhões de Oh Yerim fixos em si, um sorriso banguelo muito do sapeca.

“Peguei você, tio”, a menininha disse rindo, e Chanyeol, com todo cuidado do mundo, começou a andar com aquela coala agarrada a si, que ria a cada passo que davam.

“Hmmmm, o que será que vou ter que dar de fiança para você me soltar, hm?”, questionou olhando para Yerim, que pareceu pensativa por alguns minutos.

“Uma Barbie nova seria uma ótima ideia!”, exclamou.

“Não acha que essa fiança tá muito cara, não?”, brincou, vendo a garota rir.

“Eu aceito um sorvete de morango também.”

“Agora estamos falando a minha língua”, disse pegando Yerim e colocando-a sentada em seu ombros. Ela amava quando Chanyeol fazia aquilo, sentia-se dona do mundo. “Onde seus papais estão?”

“Foram ali no correio resolver umas coisas. Disseram que eu poderia te prender e pedir por uma fiança não cara depois, então não conta sobre a Barbie, tá?”

“Se você se comportar na escola e tirar notas boas, compro a Barbie que você quiser”.

“Você jura?”, esticou o dedinho para Chanyeol, que entrelaçou, selando a promessa. “Juradinho, então”, Chanyeol riu, indo até a praça em frente do ateliê para comprar sorvete em um carrinho que havia ali. Sehun e Jongin haviam adotado Yerim com quase um ano, ela estava prestes a fazer sete. Era esperta demais para uma criança de sete anos. Com certeza havia aprendido a ser petulante com Oh Sehun. Eles se sentaram em um banco da praça e começaram a chupar um picolé de morango enquanto esperavam pelos Oh. Havia algumas crianças brincando por ali nos brinquedos e aquilo fez Chanyeol lembrar de sua vontade de ser pai. Ficou em silêncio vendo Yerim brincar depois de terminar o sorvete, e logo os Oh voltaram e sentaram ao seu lado.

“Você deu sorvete pra ela, não deu, Chanyeol?”, Jongin perguntou com um bico nos lábios.

“E tem como negar?”

“Eu já disse que não pode dar doce pra ela antes do almoço, porque aí, ela simplesmente não almoça… Tsc, você está estragando a nossa filha”

“Que nada, eu sou o tio legal. Temos que deixar ela ser criança”, e eles jogaram conversa fora durante bons minutos antes de decidirem em qual restaurante iriam almoçar. Como Jongin havia dito, Yerim não quis almoçar e ele ficou com vontade de jogar um prato na cabeça de Chanyeol. Chanyeol sentia que estava conseguindo domar sua vida agora. Naquela mesma semana, havia conversado com os Oh sobre sua vontade de sair pai, pensou em adotar ou até mesmo, em uma barriga de aluguel. Sabia que seria um pouco difícil, visando que não era casado e ainda estava em tratamento contra o alcoolismo. Mas resolveu tentar da mesma maneira. Poderia levar o tempo que fosse, Chanyeol não iria desistir daquilo. Demorou cerca de mais dois anos para que ele recebesse alta, e estava feliz por ter conseguido superar o álcool. Acabou descobrindo que o que lhe impulsionou para o álcool havia sido a suicídio do pai e a falta que ele fazia nos seus dias, transformando a bebida em uma válvula de escape. Ainda estava se tratando com psiquiatra contra a depressão, e por mais que não tivesse uma crise há muito tempo, sentia-se bem fazendo terapia. Havia voltado a pintar como antes; mas seu coração ainda pertencia a somente uma pessoa.

Chanyeol pirou quando soube que sua banda predileta estaria passando pela cidade no próximo mês, e rapidamente comprou o ingresso para o show da banda Radiohead. Todas as músicas deles faziam-no lembrar de Baekhyun. Da primeira vez que fizeram sexo no carro, com aquela playlist de músicas antigas que ainda ouvia. Ainda era um pouco desconfortável para Chanyeol frequentar lugares onde as pessoas bebiam, porque a sensação que tinha ao ver uma garrafa de bebida, era que havia perdido tudo, e esse tudo tinha nome e sobrenome, e estava lhe encarando na plateia do show do Radiohead, parecendo que havia visto um fantasma. Chanyeol ficou completamente sem reação por ter encontrado Baekhyun ali, bem na hora que Creep começava a ser tocada; era a última música, e Chanyeol assistiu Baekhyun balançar o corpo de forma esquisita no meio da plateia, passando vergonha sozinho daquela vez. A nostalgia lhe atingiu como um soco e lhe fez rir da cena daquele pigmeu de cabelo azul dançando desengonçadamente enquanto cantava a letra errado. Parecia que ele continuava a ser aquele garoto com medo de dentista que havia conhecido há nove anos.

Quando o show acabou, Chanyeol se dirigiu até a saída do local, não sabendo se deveria ficar e encontrar Baekhyun para dar um oi, ou se deveria seguir sua vida e ir embora, mas sua linha de raciocínio foi cortada quando sentiu uma mão grande envolver seu braço, o puxando para trás e lá estava ele. Com aqueles malditos olhos bonitos; lhe olhando exatamente como da primeira vez que se viram no metrô.

“Chanyeol?”, sussurrou, piscando os olhos algumas vezes. Chanyeol havia mudado bastante durante aqueles anos. Havia cortado o cabelo quando alcançou suas costas, e trajava roupas sociais bonitas, abandonando o estilo juvenil que gostava tanto. “Eu pensei que não te veria nunca mais".

“Eu também, Baekhyun”, Chanyeol riu baixo, olhando para o homem à sua frente. “Como você está? Está de passagem pela Coreia?”.

“Na verdade, não. Resolvi voltar a morar aqui. Foi bom trabalhar em outro país, foi uma experiência incrível, mas eu sentia muita falta da minha família aqui. Baekbeom tem três filhos agora”, sorriu ao se lembrar dos sobrinhos. “Ele e a esposa com certeza não têm televisão em casa”, Chanyeol gargalhou ao ouvir aquilo, e acabou reparando que o Byun não estava usando aliança; Chanyeol se sentiu egoísta por ter desejado que ele estivesse solteiro naquele momento. “Você me parece bem, Chanyeol. Em uma paz que eu só vi quando te conheci… É bom olhar para você assim”, confessou baixinho, e o coração de Chanyeol era um trouxa por bater tão rápido de novo por Baekhyun.

“Te perder e quase perder a arte me fez abrir os olhos e ver que eu realmente precisava de ajuda. Eu consegui me curar, Baekhyun, mesmo estando longe, você foi o começo, o meio e o fim disso.”

“E por que?”

“Porque eu queria ser perdoado”, foi então que Baekhyun voltou sua memória há anos, lembrando-se do que havia dito para o ex-noivo.

“Eu me casei, Chanyeol”, Baekhyun soltou, desviando os olhos dos de Chanyeol e olhando para o céu, tentando não demonstrar o quão nervoso estava por estar tendo aquela conversa com o Park. “Eu tentei de todas as formas esquecer você. Casar com alguém me pareceu uma válvula de escape. Me senti um merda por estar confessando que casei com alguém para esquecer você…”

“E deu certo?”, Chanyeol sentiu suas pernas bambearem levemente enquanto esperava por aquela resposta.

“Foi um fracasso”, suspirou. “Fiquei dois anos casado, e a única coisa que eu pensava, era que queria você ali... E você?”

“Quando você foi embora, Baekhyun, você levou meu coração junto. Eu sabia que não seria capaz de amar uma pessoa igual eu amei você…”

“Não teve um dia que eu não senti sua falta. E eu não era o único… Clara continuava te procurando pelos cantos da casa, continuava tentando fugir para ir atrás de vocês… Ela só parou de tentar fugir quando adoeceu… Infelizmente ela não resistiu e veio a falecer há cerca de dois anos… E sabe o pior, Chanyeol? Foi que eu senti duas partes de mim morrerem junto. A parte da Clara, e a sua, porque ela era a única lembrança vívida que eu ainda tinha de você. Às vezes eu acho que ela tentava expressar o meu desejo de vir atrás de você.”

“E por que nunca veio?”

“Porque nós dois precisávamos amadurecer e curar nossas feridas sozinhos.”

“Eu ainda amo você como há dez anos. Isso não mudou e nunca vai”, Chanyeol repetiu as mesmas palavras de anos atrás, fazendo Baekhyun ter vontade de chorar. “Se um dia estiver pronto e disposto, podemos tentar novamente. Eu sempre vou estar esperando por você, mesmo que seja daqui vinte anos. Vou continuar te amando a cada dia que passar”, Chanyeol aproximou-se e beijou seus cabelos vermelhos, sorrindo pequeno antes de se afastar e ir em direção ao carro, e Baekhyun sentiu saudades das vezes que deram uns amassos no banco de trás do Mustang.

Baekhyun assistiu Chanyeol ir, e embora tivesse passado anos, ainda não se sentia inteiro para amar Chanyeol da maneira que gostaria; queria juntar todos os seus caquinhos antes. Passou-se quase um ano desde que eles haviam se encontrado naquele show, e Chanyeol tomou coragem para mandar uma mensagem para Baekhyun avisando que Gema não estava mais entre eles. A gatinha havia sido forte por bastante tempo, e doía como o inferno perdê-la. Baekhyun apareceu no endereço dado por Chanyeol naquela quarta-feira, o encontrando com os olhos inchados por ter chorado pela perda.

“Eu sinto muito, Chanyeol”, disse com a voz embargada, sentindo o peito doer também enquanto o abraçava. Gema esteve presente em todos os momentos importantes de sua vida. Era o mesmo sentimento avassalador de quando se perde um parente; Baekhyun ajudou Chanyeol a fazer um pequeno memorial para a gata, chorando horrores depois que eles a enterraram. Parecia que uma parte do seu coração havia ido junto, e entendeu o que Baekhyun quis dizer quando falou da Clara. Estava sentado no chão brincando com Omelete, e aquela cena causou certa nostalgia no peito do Park, o fazendo se lembrar da primeira semana em que Baekhyun tinha ido morar com ele. Eles passaram horas sentados juntinhos no chão brincando com a gata amarela, era quase uma rotina.

“Eu vou adotar uma criança, Baekhyun”, Chanyeol segredou naquele mesmo dia enquanto almoçavam. O sorriso que Baekhyun deu fez seu coração tremer.

“É sério? Meu Deus, Chanyeol! Que notícia maravilhosa! Qual o nome dela?”

“Jongdae. É um garotinho de cinco anos, agitado como uma pulguinha, fica pulando de um lado pro outro. Ele é a coisinha mais adorável desse mundo” sorriu, pegando o celular pra mostrar uma foto de Jongdae. “É essa pulguinha aqui do canto”, mostrou a foto que havia tirado das crianças. Chanyeol visitava o orfanato regularmente, ajudando com doações e ações sociais. Dava aula de desenho para as crianças uma vez por semana.

“Ele é tão lindo, Chanyeol”, o Park surpreendeu-se ao notar o tom choroso presente na voz de Baekhyun. “Desculpa, acho que a nostalgia me deu um soco”, riu, enxugando o canto dos olhos. “Eu lembrei dos milhares de planos que fizemos juntos, e pensar que não realizamos mais da metade deles, me entristece”, Chanyeol não esperava que ele fosse começar a chorar baixinho e sentido, e com um suspiro triste por também recordar de tudo, nos mínimos detalhes, puxou o corpo um pouco trêmulo contra si, afagando suas costas até que ele parasse de chorar.

“Nós estamos aqui. Estamos vivos e livres. Ainda podemos realizar tudo que planejamos há alguns anos, basta você querer.”

“Me dói dizer isso, mas eu não confio em você. Você quebrou muitas promessas que fez para mim…”

“Então deixa eu te fazer confiar, Baekhyun”, Chanyeol segurou seu queixo, fazendo com que o astrônomo olhasse em seus olhos. “Você sempre me disse que meus olhos nunca conseguiram esconder nada de você, então olha dentro deles”, Baekhyun olhou, caindo naquela imensidão que fez seu estômago revirar em ansiedade. “Eu amo você, e sempre estarei disposto a te fazer o homem mais feliz do universo. Basta você dizer sim”, e Baekhyun viu. Viu cada palavra carregando uma sinceridade intensa que lhe deixou atordoado. Havia esquecido como era fascinante conversar com o Park pelo olhar.

“E se nos machucamos novamente?”

“Iremos nos curar”, Chanyeol sussurrou rente aos seus lábios, e Baekhyun apenas fechou os olhos e entreabriu os lábios para receber sua língua, segurando-o pela nuca enquanto enroscava os dedos nos fios castanhos escuros, os puxando com certa força, fazendo Chanyeol gemer baixinho durante o beijo. E eles sabiam que naquele ritmo que estavam, logo parariam na cama, sem roupa alguma. “Deixa eu te fazer de tela hoje, Baekhyun”, Chanyeol pediu, expressando um desejo há muito tempo reprimido. Baekhyun se deixou guiar pelas mãos ásperas e com toques delicados, até sua cama. A boca de Chanyeol deixava rastros quentes por onde passava, fazendo-o gemer em deleite. Baekhyun sentiu uma cócega gostosa no corpo quando Chanyeol começou a desenhar em si. Começou a pintar pétalas de cerejeira em suas costas, descendo até a parte das coxas e beijando todo o local, aproveitando que Baekhyun estava nu e que seu pau expelia pré-gozo, Chanyeol puxou seu quadril pra cima, lhe deixando de quatro na cama antes de afundar o rosto em sua bunda, mordendo as bandas e lambendo a entrada apertada, sentindo o corpo de Baekhyun entrar em combustão em sua boca; era incrível como Chanyeol parecia saber exatamente onde tocar para deixá-lo febril e trêmulo.

Arrastou a língua pela entrada, lambendo lentamente antes de penetrar, ouvindo Baekhyun soltar um gemido rouco. Segurou seu pau babado pela cabecinha enquanto lhe chupava por trás, afagando a glande com a ponta do polegar, provocando espasmos característicos de um orgasmo e vendo Baekhyun gozar em seu lençol logo após.

Não demorou muito para Chanyeol estar entre suas pernas, lhe fodendo com força, balançando seu corpo sem muita delicadeza, como Baekhyun gostava. Havia virado uma bagunça de gemidos baixos, suor e súplicas para que o Park fosse mais forte e mais rápido. Baekhyun sentia que iria quebrar toda vez que dava para Chanyeol, porque ele tomava-lhe de uma forma que fazia com que ele viajasse para outro universo, esquecendo tudo ao seu redor. Suas mãos eram rudes, com toques grotescos que lhe faziam perder completamente a sanidade.

Baekhyun sentia-se destruído e satisfeito depois de Chanyeol ter lhe feito gozar três vezes naquela noite. Para Chanyeol havia sido incrível amar Baekhyun daquela forma novamente, mas o melhor foi acordar na manhã seguinte e achar o corpo quentinho do menor ao tatear o colchão; sentiu que finalmente poderia dormir sem o medo de acordar sem o corpo de Baekhyun novamente, porque aquilo foi algo que lhe assombrou durante anos.

Que naquele vasto universo, um era o centro do caleidoscópio do outro; e como uma coincidência do destino, estava tocando Radiohead numa estação quando Chanyeol ligou o rádio de madrugada, e ele e Baekhyun cantaram juntos antes de adormecerem. Chanyeol e Baekhyun resolveram ir com um pouco de calma naquele relacionamento. Demorou cerca de sete meses para que Baekhyun aceitasse morar consigo, foi assim que Chanyeol conseguiu a guarda de Jongdae. Baekhyun também havia se apaixonado completamente por aquele sorrisinho banguelo de gato. Adotaram uma gatinha preta chamada Come-estranho – que nem será preciso dizer quem colocou o nome – e se casaram na primavera do ano seguinte.

E eles aprenderam que, às vezes, o amor não pode salvar tudo.

18 de Fevereiro de 2020 às 23:50 0 Denunciar Insira 0
Fim

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