Louca Paixão Seguir história

angelitsa Angelitsa

O destino é algo engraçado, as vezes é preciso morrer para sentir-se vivo. Foi isso que sentiu quando o carro capotou, quando o vidro se partiu, quando o sangue transbordou. Mas existia uma luz no fim do túnel, e sua luz tinha olhos verdes... -Eu sou médica! Não! Ela era um anjo! Foi nos braços dela que encontrou socorro, que encontrou alento, que encontrou luxúria, que encontrou os monstros! Somos todos deuses e demônios, depende de pra onde estiver olhando. Pois ali, naquela casa, na neve de fim ano, ele sentiria e viveria a mais tórrida, inefável, alucinante e sádica história de amor. Sua Louca Paixão! ___________________________ História inspirada no livro "Misery" de Stephen King. Os acontecimentos narrados na obra original se divergem desta obra em questão.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#adulto #novela #tortura #romance #hentai #drama #tragédia #suspense #terror #sasuke #sakura
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Ressurreição

O ser humano tem muitas faces, nem sempre todas elas vão aparecer durante o curto espaço de tempo que temos de vida.

Podemos ser Montros

Podemos ser Deuses

Podemos ser Anjos

Todos habitando a mesma carne.

E foi exatamente isso que ela foi, quando me tirou de dentro daquele carro.

Ela era um anjo, mesmo com a neve densa caindo sobre nós e o frio tão cortante quanto os pedaços de vidro grosso que perfuravam minha pele.

Os olhos verdes, os cabelos rosados...não existiam muitas mulheres de cabelos cor de rosa no mundo, e se a dor alucinante não estivesse levando meus sentidos, me perguntaria o que levava uma mulher, pequena demais para um homem como eu, fazer de tudo para me arrancar pela janela quebrada daquele carro devido a violência do impacto que sofreu.

Ali ela foi uma deusa, pois somente com uma força fora do normal para retirar uma pessoa semi inconsciente de forma tão impávida do veículo capotado.

-Está tudo bem...

Pude ouvir os finos lábios dizerem

-Vai ficar tudo bem.

Quando a brisa da noite soprou sobre mim e os flocos finalmente atingiram minha pele que seu rosto se tornou uma luz em meio as trevas.

-Eu sou médica.

Foi a última coisa que ouvi antes de apagar por completo.

Não, ela era um anjo.

Eu tinha certeza!

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Você conhece o sabor da morte?

Nunca refletimos sobre isso porque aprendemos que é errado pensar na perda.

Mesmo sabendo que morrer é a única certeza que teremos na vida.

Morrer é errado.

Não devemos morrer!

Essa é uma das principais leis sociais que quebramos, pois morremos, todos os dias, das mais diversas formas, seja por doenças, guerras, no trânsito...

Eu sabia que ia morrer quando senti o impacto, quando o carro derrapou sobre a pista escorregadia.

Meu coração acelerou e minha primeira reação foi xingar, muito, as porras das correntes não haviam funcionado!

Depois veio o desespero, e por fim a dor. Quando o vidro perfurou minha carne eu soube.

Eu tinha a certeza!

Morreria ali, sozinho na neve, de tanto sangrar, ou congelado.

O gosto da morte...era aterrador.

Afogando-me em meu próprio sangue, com o sabor ferroso do liquido vermelho ao inundar minhas vias aéreas.

Meu corpo seria meu próprio carrasco, meu executor.

Não sei se era porque estava sobre a neve, mas ela também era fria e solitária.

E a solidão é o maior frio que se pode sentir.

Pensei em minha mãe em como ela ficaria em saber de minha morte, o filho mais novo, tão moço...com toda a vida pela frente.

Talvez eu devesse ter feito como nos outros anos e simplesmente ignorado os insistentes pedidos dela em ir passar o final de ano naquele fim de mundo.

"-Todos vão estar aqui, seu pai sente sua falta, seu irmão, precisa conhecer seus sobrinhos!"

Eu nunca conheceria meus sobrinhos, gêmeos...filhos de Itachi.

A morte é silenciosa, mas sincera, não te dá esperanças vazias.

"-Você vive sozinho porque quer, tem uma família..."

Depois de tantos anos ignorando suas súplicas, as lamúrias, finalmente me dei por vencido e resignado parti em viagem.

Talvez o fato de meu amigo loiro ter sossegado e construído uma família tivesse feito repensar minhas prioridades.

O tempo estava passando, para todos.

"-Sua vida anda desregrada demais, nos deixe cuidar de você."

Em outro momento veria isso como uma cobrança dela, uma forma de criticar minha forma de viver com liberdade e fora dos padrões que consideravam o certo.

Sempre trabalhei como um louco desde antes de formar na faculdade, tinha um grande negócio para gerir e o mínimo que devia fazer é viver a vida como bem entendesse!

Mas depois de desligar o telefone me peguei reflexivo

Eu queria ser cuidado.

Então sem pensar muito apanhei as chaves sobre o criado e decidi lhes fazer uma surpresa de fim de ano.

Pela primeira vez, em anos, passaríamos o natal juntos, como uma família.

Me lembro de ter colocado as correntes nos pneus, a previsão do tempo não cansava de repetir sobre a possibilidade de neve, mesmo o céu noturno estando claro.

Se saísse naquele momento logo pela manhã já estaria em Konoha.

E veria minha família outra vez.

Ledo engano.

Tudo que vi foi minha vida voar pelos ares após o impacto.

O sangue, a falta de ar, a ardência, a dor pungente...

Nada te prepara para a morte

Você só quer viver

E se agarra a isso com todas as suas forças, mesmo eu sabendo que uma hora aquele sangue, o meu sangue, me faria apagar para sempre.

A morte traz consigo o medo pois é misteriosa, vazia, oca!

Ninguém chega e lhe diz: -Ei, venha, morrer é legal, não tenha receio!

No fim das contas não adianta tudo que viveu, o que teve ou quem esteve com você.

Naquele momento, era somente eu. E encontrar consigo mesmo meu amigo, mesmo que no fim é inacreditavelmente assustador.

Pois o julgamento viria, e eu sabia que pagaria por todos os meus pecados.

Minha punição estava prestes a começar!

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Dor

Agonia

Desespero

Foi isso que pensei que encontraria ao abrir meus olhos novamente.

Mas para a minha surpresa, meu total choque, se estava morto, definitivamente me encontrava no céu.

Era como estar sobre plumas.

Nuvens

Ou seja lá o que for.

A dor não existia e o estado de relaxamento em que estava só podia denotar que eu já não fazia parte mais do grupo de seres encarnados.

Ao me mover levemente percebi que havia algo em meu braço, era um tubo, ergui o suficiente apenas para constatar que era uma punção intravenosa, e que a mesma estava ligada a bolsa de soro dependurada ao pedestal ao lado da enorme cama ao qual me encontrava.

Provavelmente era ali que se encontrava o efeito mágico que estava tendo. As gotas de soro pingavam magicamente até o cano, escorrendo por todo tubo até o cateter preso a dobra de meu braço esquerdo.

Não sentia nada, absolutamente nada.

Minha primeira reação, algo feito totalmente sem pensar foi levantar a grossa colcha que me envolvia e olhar para baixo.

Eu estava vestido com roupas claras e folgadas, tentei levar a mão do outro braço até lá, exatamente para onde está pensando, mas o efeito letárgico a qual me encontrava deixava meus movimentos lentos e insignificantes.

Eu parecia uma múmia, até mesmo pelas faixas que me envolviam.

Então foquei minha visão no ambiente, o quarto era...magnânimo!

Diante de mim havia uma grande janela envolvida por cortinas grossas de cores terrosas que impediam a luz do sol de adentrar diretamente. Ao lado da janela uma mesa de madeira escura com a cadeira encostada na mesma, o assento aveludado demonstrava a finura do acabamento.

Outra cadeira, idêntica àquela estava próxima a cama, do lado oposto ao do pedestal onde a bolsa de soro se encontrava.

Do teto, um grande lustre pendia com diversas lâmpadas em forma de gota viradas para cima. Só havia visto algo como isto antes em alguns hotéis de luxo que cheguei a frequentar.

Era dia naquele momento, por isso estavam apagadas.

Respirei fundo e me remexi. Um gosto estranho veio até sua minha boca, meio amargo, por fim tentei me arrastar até conseguir sentar na cama.

Foi algo difícil e lento, meu corpo estava lerdo demais e não respondia como deveria, desisti quando notei a punção no meu braço começar a sangrar.

Suspirei frustrado

Onde eu estava afinal de contas?!

Que lugar era aquele?

Onde estavam minhas roupas!

E mais ainda, quem era aquela mulher?

Foi um sonho? Uma visão? Uma miragem?

Não, eu me recordava bem das palavras dela

Era a última coisa da qual me lembrava

Médica.

Sim, ela era médica, isso explicava todo aquele aparato e o soro com a provável medicação que me entorpecia.

Era tranquilizador em certo ponto

Quantas pessoas sofrem um acidente e são resgatados logo de cara por uma médica?

Foi sorte minha talvez.

Mas o restante, era um branco, um mistério.

Seja lá quem fosse aquela mulher, de alguma forma, eu lhe devia a vida!

Pois aqueles cacos de vidro enterrados na minha carne seriam o meu fim se ela não estivesse lá, senti meus olhos pesando mais uma vez ao reviver essas cenas na memória, cochilei por um instante até me entregar num sono profundo.

Abri os olhos novamente quando senti a movimentação no quarto.

Senti-me alarmado, não podia fazer nada, estava imobilizado naquela cama.

Minha vista turva não me deixava perceber muita coisa, foi somente quando a luz do grande lustre foi acesa que finalmente apertei os olhos e consegui focar em algo.

E lá estava ela, a mulher de cabelos rosados.

A médica.

O anjo que me salvou!

Percebi ela se aproximar calmamente, parecia distraída, os cabelos curtos estavam presos por uma faixa vermelha na cabeça, vestia roupas grossas de frio, casaco e calça, apesar de ali a temperatura, pelo menos ao meu ver, estar agradável.

Tocou na bolsa de soro e a retirou do pedestal, naquele momento vi que a mesma estava vazia, ela parecia concentrada naquilo, então segurando o soro entre as mãos finalmente olhou pra mim.

E vi aqueles olhos verdes, tão próximos e sem a neve sobre nós, sem vidros me perfurando, sem a dor e a agonia da morte me rondando.

Eu a vi, pela primeira vez.



CONTINUA...

18 de Fevereiro de 2020 às 16:02 0 Denunciar Insira 0
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