fanny_odadmayan Fanny Odadmayan

Sarah viva com os pais e irmãos numa fazenda do Texas, misteriosamente acordou nua numa cama de um estranho, mas o estranho era que estava vários anos no futuro. Assustada pediu para ele trazê-la de volta, entretanto este diz que viagens assim somente ricos podem fazer e ele não tinha dinheiro. Agora a mulher estava presa num mundo cheio de tecnologias estranhas para ela, ao mesmo tempo que fica encantada pelo futuro almeja ir embora para casa. Teria que confiar em Jonathan, um homem amargurado no qual vive seus dias bebendo escondido no trabalho ou vendo revistas com conteúdos eróticos. Juntos precisariam construir uma relação de confiança diante do desconhecido, e trazer alegria uma a vida do outro.


Ficção científica Para maiores de 18 apenas.

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A mulher estranha

23 de dezembro de 2999

Ele colocou sua digital no leitor da máquina, graças à inteligência artificial que operava em Calípolis, era possível ter acesso às contas dos habitantes para assim verem o saldo monetário de cada um. Caso não tivesse o dinheiro necessário instantaneamente a compra não seria efetuada. Suspirando naquele frio congelante, observou as luzes no céu dos tubos transparentes aéreos, nos quais os carros percorriam por meio de jatos em velocidades assombrosas. Viu o copo de café rolar até onde pegava a bebida, deu dois goles depois digitou no seu aparelho de comunicação, uma placa fina onde projetava num holograma as notícias cotidianas. Caminhou assistindo até chegar na pequena porta verde decorada com guirlandas de natal.

Entrou cumprimentando o ruivo que mexia nas lentes grossas, mesmo com avanços científicos algumas pessoas insistiam em usar objetos retrógrados. Tirou sua jaqueta indo para o caixa no qual operava na pequena loja de conveniência. Enquanto não havia grande movimento separava os sentimentos nos arquivos do computador. O sistema comercial funcionava quando alguém pedia tal produto por um código, na sociedade as pessoas eram severamente observadas por meio dos batimentos cardíacos. Quando chegava a um grande nível de estresse algumas barras roxas no pulso apareciam, e o indivíduo deveria adquirir sentimentos alegres ou passar pelos Anjos de Controle.

Essa medida rigorosa foi tomada após o mundo enfrentar as dores da Quarta Guerra Mundial, muitos governantes ficaram horrorizados, ainda mais com que a tecnologia poderia provocar, então figuras influentes do globo se reuniram e concordaram em monitorar os comportamentos da população através do imenso corpo artificial chamando ATLANTIS no intuito que ninguém mais causasse mal. Logo a comercialização de sentimentos iniciou, o controle do governo juntamente com a ascensão da grande empresa CORPUS, vendia ideias de ser desnecessário sentir. Por que se preocupar e deixar os instintos te controlar? Foram fraquezas humanas ligados a soberba, orgulho, maldade, inveja, ganância causas da guerra.

Jonathan arrumou as plaquinhas de linguagem virtual, numa tela fixada em frente aos dois funcionários uma mulher vestida de branco, cor da empresa, dizia vantagens do consumo de seus produtos. Entretido nem percebeu a senhora aproximar dele, esta carregava um cachorro branco peludo, ela olhava para o homem irritada.

- Código 121 e 139 - disse depois sorriu maliciosa.

Ele sentiu um arrepio quando lembrou daquele último se tratar da libido.

- Passe sua digital no lugar indicado.

- Jony a srta. Pedonton está te chamando.

- Ah ótimo - resmungou - Agora vou ter que me desculpar por algo que nem fiz.

Terminou de atender a cliente e foi para um escritório praticamente escondido no corredor, entrou observando a mulher com o capacete em cima da cabeça, usavam para os sentimentos estimularem as regiões cerebrais produzindo um efeito desejado.

- Queria falar comigo?

Ela não respondeu, dava risadas altas com certeza via alguma coisa boa, apesar disso apontou para o aparelho metálico onde recebiam mensagens, se aproximou vendo um holograma ser projetado então leu as palavras ali. Achou estranho de início, aparentemente falavam de uma prima que nunca conheceu e agora queria encontrá-lo.

- Ah obrigada – disse saindo dali.

Fechou a porta pensativo, normalmente para enviar alguma localização o indivíduo mandava sua localização por coordenadas que chegavam no aparelho celular. Notou a morena vir sorrindo sarcasticamente, adoraria presenciar coisas ruins acontecendo a ele, tudo por causa de um rápido romance deles no qual acabou mau.

- Então foi despedido? – indagou Louise.

- Infelizmente não terá esse prazer.

- Quem sabe um dia né.

O homem voltou para seu posto de trabalho pensando em quem seria a parente estranha. Ficava horas ali dizendo as mesmas coisas, era impressionante como a sociedade evoluiu mas ainda continuava com costume de ir até uma loja para comprar coisas. Mordeu a maçã enquanto assistia alguém comunicar no grande telão sobre um concurso de natal onde o vencedor passaria as férias numa ilha paradisíaca. Até seria legal eu ganhar assim saíria desse buraco, pensou ele.

- Animado? - indagou Terry - As vendas de natal irá movimentar esse lugar.

- Nem se Jesus voltasse esse fim de mundo ficaria animado.

- Pessimismo hein. Cadê o espírito natalino?

- Lembra do ano passado? Me diverti muito.

- Ficou em casa bebendo.

- Exatamente.

- Ah vamos lá. Bianca dará uma festa na casa dela na noite de véspera, vai ser legal irmos. Tem muitas garotas, já viu Stacy depois da viagem?

Alguém entrou na loja e diz o código do sentimento, ele faz aquele atendimento que se repetia ao decorrer do dia. Achava incrível inventarem máquinas, inteligências artificiais, mas nada que não substituísse o trabalho monótono de caixa. Na verdade não poderia reclamar pois precisava disso, mesmo se ficando entediado naquela função.

- Com fome?

- São ainda três horas, não temos intervalo agora.

- A Louise cobre para nós.

O homem arqueou uma sobrancelha, era mais fácil ela dar motivos para expulsá-los por saírem em horário indevido do que ajudar.

Foram mais quatro horas lidando com clientes, distribuía esse tempo bebendo escondido no quarto onde guardavam produtos de limpeza, ou trazia seu capacete o transportando para algum lugar no qual tinha paisagens impressionantes e várias mulheres.

Quando encerraram o expediente caminharam pelas ruas escuras, aquele bairro era um mero ponto esquecido perto do centro de Calípolis, nessa zona não tinha preocupação em monitorar ou oferecer segurança. Ele riu amargo toda vez que recordava disso, pois o nome da cidade foi tirado do livro de Platão, onde há vários séculos descreveu como seria o lugar perfeito para morar.

Pessoas abastadas viviam em prédios luxuosos flutuando no céu, aos pobres mortais como Jonathan restavam apenas ambientes estranhos, onde os próprios policiais vinham fazer negócios escusos. Despediu do amigo e depois foi para casa sendo a única sombra naquela rua. Ao chegar na sua moradia, diz o comando para Helga preparar algo a fim dele jantar.

- Sr. Hendrickson o que gostaria de comer?

- Faça qualquer coisa.

- Defina qualquer coisa.

- Ah a primeira coisa que pensar.

- Desculpe mas eu apenas recebo ordens não sou programada para tal tarefa.

Respira fundo passando as mãos nos cabelos, iria acender um cigarro quando ouve algo caindo no quarto.

- Helga cozinhe arroz e fritas.

- Sim senhor.

- Tem mais alguém aqui?

- Minhas câmeras registraram movimentos na cama do seu aposento.

- Minha cama? Consegue ver a identidade? - questiona indo para o quarto.

- Não está no banco de dados.

- Como assim?!

Ele abre a porta esperando qualquer coisa mas é surpreendido, ali olhando para o homem havia uma mulher enrolada no lençol, observando suas curvas rapidamente nota que esta não estava vestida. A desconhecida era bonita, tinha longos cabelos castanhos com alguns cachos nas pontas, pele lisa e cheirosa dava para sentir naquela curta distância entre os dois, seios bem redondos e fartos.

- Não se aproxime - disse ela.

- Está brincando né? Você está na minha casa.

- E-eu…… por um instante estava no celeiro dando comida para os animais depois…… depois….

- Celeiro? Seres humanos pararam de fazer essas tarefas há muito tempo, nunca ouviu falar das máquinas?

- Bom, temos algumas tecnologias para plantio mas ainda precisamos fazer várias coisas manualmente.

- Escuta da onde você é hein? Porque está aqui?

- E-eu não entendi o que houve.

- Por qual motivos não tem registros?

Ela fez outra feição de desentendida, estava cada vez mais se enrolando nos tecidos. Visivelmente corada queria sair dali mas tudo parecia tão estranho, até mesmo as roupas do sujeito tinha alguns adornos diferentes. Estava sentindo tão vulnerável, afinal poderia ser vítima de algum abuso. Talvez tenha sido aquele cara que a trouxe aqui, queria se aproveitar dela, precisava pensar em como iria escapar.

Jonathan tentava manter sua calma, deu passos cautelosos na direção da outra, deveria ser alguma pegadinha sem graça. Terry mandou aquela imagem perfeita em 3D para assustá-lo. Pulou na cama para tentar averiguar mas apenas encontrou a pele macia. Ficaram abraçados por uns segundos, então ela gritou dando tapas nele que se afastou resmungando de dor.

- Seu pervertido! Era isso que queria né? Veio com essa história de ''quem é você?'' para disfarçar!

- O que? Não!

- Olha só minha avó ensinou uns golpes, não mexa comigo!

- Eu vou fazer nenhum mal, realmente não sei o que houve aqui.

- Ah é, então me diga porquê estou nua?

- E-eu não sei!

- Explique o motivo de ter pulado em mim?

- A-achei que fosse algum ciborgue ou talvez uma imagem em 3D.

Ela franziu as sobrancelhas não compreendendo o que era dito, incomodada por estar numa situação assim resolveu levantar e correr na direção da porta. Jonathan vai atrás, para alguém enrolada no lençol a mulher ia muito rápida. Parou trombando nela que havia ficado imóvel ao observar o telão na parede. A jornalista mostrava alguns acontecimentos, ela caminhou lentamente depois tocou nos números miúdos. Parecia ter visto um fantasma, virou para o outro chocada.

- 2999?! I-sso não pode ser real.

- Porque?

- Ainda estamos em 2020.

O homem pensou se não estaria talvez bêbada, cansado daquilo tudo pediu para achar as roupas dela mas esta permaneceu estática ainda perplexa. Suspirando fundo ele tocou no ombro da morena, algumas viagens do tempo davam errado quando feitas com poucos recursos então podiam bagunçar o espaço-tempo, deslocando pessoas de épocas diferentes. Já ouviu casos assim, porém nunca pensou presenciar um.

Jonathan mandou Helga trazer trajes femininos, uma entrada quadrangular abriu na parede mostrando as roupas.

- Não vou usar isso!

- Prefere ficar pelada então?

- Você está tentando me enganar! Com certeza inventou uma história qualquer.

- Olha na verdade a suspeita aqui é você. Surgiu do nada, sua identidade não consta no sistema e ainda está assustada por estarmos em 2199.

- Por que vim de 2020. Quer saber eu vou embora daqui, se você tentar algo irei gritar e todos vizinhos vão ouvir.

- Curioso para onde vai nua assim.

Ela parecia ter esquecido que estava nessa situação, o sujeito respira fundo e tenta explicar como funciona as viagens. Conforme falava a mulher ficava mais descrente, então uma sirene ecoou por todo lugar, assustado correu para janela. Luzes vermelhas piscavam no céu, a força de Argos Panoptes vigiavam cada beco escuro.

- O que aconteceu para ter tantos policiais?

- Talvez porque esteja me aprisionando - resmungou a outra vestindo os trajes trazidos por Helga - Não ouse olhar!

- Até parece. São agentes do governo não perderiam tempo assim.

- Está querendo insinuar algo?

- Acho melhor não chamarmos atenção - disse saindo da janela depois se virou.

- Então vim para cá por causa de um erro? E como voltarei para casa?

- Na verdade não sei, coisas assim precisam de muita grana.

- As autoridades fazem nada?! Qualquer um pode desaparecer!

- Caramba você é muito barulhenta - falou ligeiramente irritado - Nem perguntei o seu nome.

- É Sarah - murmurou ainda desconfiada.

- Eu sou Jonathan, não sei porque exatamente foi parar justamente aqui mas vai ter que esperar até arrumar um jeito.

- M-moço eu não posso ficar aqui, preciso imediatamente ir para casa.

- Preciso ter dinheiro antes, já disse que essas coisas não são baratas e além disso devia me agradecer por estar querendo ajudá-la porque tenho obrigação nenhuma de fazer isso.

- Então leve-me até alguém que faça tal viagem no tempo.

- Você é lerda para entender ou as pessoas em 2020 são surdas?

- E-eu estou assustada e vários séculos no futuro, só quero ir para casa.

- Entendo mas precisa ser paciente.

O homem sentindo compaixão, pediu para ela acompanhá-lo ao quarto, iria dormir pois teria que trabalhar no dia seguinte. Antes disso mandou Helga trazer outra cama, um colchão sai por uma abertura no chão.

- Pode se deitar ali.

Jonathan deitou na sua cama bocejando, iria ler algumas coisas depois dormiria como sempre fazia.

Sarah ficou pensativa se devia acreditar nele, esperou o outro ficar quieto então saiu do quarto indo para a porta. Tentou abrir de várias maneiras contudo não conseguiu, virou-se para trás e caminhou na direção da janela. Surpresa encarou o mundo do futuro, no meio das nuvens viam relances de prédios flutuantes.

Ainda perplexa sentou numa poltrona, pensando em como iria embora dali.

- Insônia? - questionou a voz eletrônica.

- Q-quem é você?

- Sou o comando de voz dessa casa, me chamo Helga.

- A-ah… na verdade apenas queria retornar a 2020.

- Entendo, isso não será possível sem uma viagem.

- Você pode fazer tal coisa?

- Desculpe mas não sou programada para realizar essa função.

A outra suspirou frustrada então volta ao quarto, vendo ele pendurado na cama e babando no colchão.

- Boa noite - murmurou.

O dia amanheceu com Sarah se levantando, não conseguiu adormecer por causa dos pesadelos, desceu para cozinha com seu estômago roncando, devido ao tumulto de ter ido para o futuro até esqueceu das necessidades básicas. Olhou para os eletrodomésticos, nem mudaram muito, apesar disso tudo era cheios de botões e pareciam ser complicados.

Chamou pela assistente digital, a mulher responde tocando sons de pássaros depois mudou todo ambiente para um lugar totalmente diferente. Impressionada viu pessoas correndo no parque e carros voarem no céu, então enxergou um tubo enorme avermelhado onde pessoas entravam e sumiam entre as nuvens.

- Que lugar é esse?

- O Central Park.

- Incrível! Hum…. pode preparar um sanduíche para mim?

- Com Texas burguer certo?

- Sim! Como adivinhou?

- Disse que veio desse estado então estudei a probabilidade das pessoas do seu ano gostarem de carne.

- Wow, calculou tudo isso num curto espaço de tempo, impressionante.

Ela escuta alguém se aproximar, Jonathan vem sonolento tropeçando nas mobílias da casa, passa reto pela mulher e pediu café para Helga.

- Ah… bom dia.

O homem só emitiu um murmúrio ainda lutando para manter-se acordado.

- Devo preparar seu banho? - perguntou a voz robótica.

- Sim - resmungou ele deitando a cabeça na mesa - Coloca ambientação praia de Bahamas.

- É aquilo que você faz nos levando para outro lugar? Achei demais.

- Hum…. certo o que farei com você? Te deixo aqui ou levo para meu trabalho?

- Adoraria ver como é a cidade do futuro.

- Gostaria mesmo se eu não morasse nesse buraco, muito bem nós vamos depois do meu banho - disse sumindo no corredor.

- Ele é sempre mal humorado assim?

- Essa é ainda é versão alegre dele.

Sarah acreditava cada vez mais que aquilo não era um sonho.


19 de Fevereiro de 2020 às 18:49 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fanny Odadmayan Olá!! É uma grande satisfação escrever para mim, então criar todo um universo e desenvolver personagens é algo muito bom. Tem alguns fandom que acompanho mais, contudo sempre procuro ler diversos tipos de histórias :)

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