Estúpido Cupido Seguir história

senhorasolo Elane Santiago

Rose Tico sempre se sentiu uma azarada quando se trata de relacionamentos. Todos os namoros que engatou deram errado e parece que sua sina é ser chutada por algum cara antes do dia dos namorados. Após perder completamente a esperança, Rose vê sua irmã se tornar noiva justamente no jantar de um outro noivado. Ela acaba fugindo para o jardim por não aguentar todo o clima de romance que a cerca, e acaba tendo um encontro nada comum com o Cupido em pessoa.


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Um

Rose Tico abriu as portas duplas do salão e fugiu para a noite. Segurava o vestido longo para não tropeçar na barra enquanto descia as escadas correndo em disparada e continuou assim pelo jardim.

Depois do jardim havia um labirinto de cercas vivas para o qual ela entrou sabendo exatamente como se guiar ali dentro, mesmo na noite escura e com apenas a lua cheia iluminando o caminho conhecido por ela. Quando criança costumava brincar ali com sua melhor amiga.

No centro do labirinto existia um pequeno pátio com um jardim e uma grande fonte bem no meio, bancos de pedra e estátuas de divindades gregas circundavam a fonte. Rose se apoiou na borda de pedra da fonte. Viu seu reflexo na água antes de surgirem ondulações nela causadas por suas lágrimas.

Sabia que a maquiagem de seus olhos estava borrada e não se atreveu a passar as mãos ali, pois só pioraria a situação. Sentou-se na borda da fonte e ficou ali, sozinha e triste.

Fitou as próprias mãos sobre o colo, elas tremiam levemente. Rose abraçou-se. Nunca se sentiu tão mal e tão desapontada consigo mesmo. Tentava convencer a si mesma que não era inveja o que sentiu quando sua irmã foi pedida em casamento diante de todos os convidados do jantar de noivado de Rey Palpatine e Ben Solo. Tentava expulsar aquele sentimento ruim do seu coração, que embora não conseguisse definir muito bem, no fundo entendia os motivos de sua tristeza.

Estava feliz por sua irmã, de verdade. Paige merecia toda a felicidade do mundo e Beaumont era um bom homem. Sabia que ele e sua irmã seriam muito felizes. Porém, ela não conseguia tirar da boca o sabor amargo da inveja e da tristeza lhe corroendo, e isso só a fazia se sentir cada vez mais péssima. Odiava-se por isso.

E o pior de tudo nem era isso. Pois sabia que sua irmã e seu futuro cunhado nada tinham culpa, nem tampouco os anfitriões do jantar. Era o dia.

Rose odeia o dia dos namorados. Todo esse clima romântico, as declarações, as flores, os casais apaixonados, as lojas empenhadas em fazerem todo mundo gastar nesse dia, os filmes românticos na televisão, tudo a deixava tão deprimida e com raiva. Por quê? Digamos que Rose seja uma azarada com relacionamentos.

Entre decepções, traições e falta de reciprocidade, ela acumulava uma pilha de relacionamentos ruins. Sua sina era que os namorados a largassem antes do dia dos namorados. O mais recente lhe deu um pé na bunda por mensagem de texto depois de dizer na maior cara de pau que tinha tido uma recaída com a ex-namorada e estava voltando com ela. Não bastava a falta de respeito e responsabilidade afetiva, tinha que fazer isso dois dias antes do dia dos namorados, quando ela já tinha planejado todo um programa para o dia.

Resultado: todos os anos ela passava esse dia sozinha, trancada no seu quarto, de pijama, comendo porcarias e chorando enquanto assistia filmes românticos dos anos 1980. Sentia-se meio masoquista nesse momento, porque enquanto assistia a felicidade dos outros, estava afundada numa bad terrível, contudo, por um lado era bom ver que tudo aquilo não passava de ficção e que relacionamentos só tinham final feliz mesmo nos filmes.

Na vida real, você só chora comendo sorvete e morrendo de dor de cabeça porque um novo chifre nasceu na sua testa.

Ela nem queria estar ali, no entanto, foi a data que Rey escolheu para fazer sua festa de noivado e ela não podia deixar de ir. Ela era a única amiga que Rey tinha, desde a infância. Rose era a única pessoa que o avô abusivo dela deixava que se aproximasse da neta, e apenas porque tinha negócios com a família Tico. Ninguém sentiu saudade quando o velho Sheev morreu. Paige era adolescente na época em que Rose e Rey se aproximaram, e como elas tinham quase a mesma idade, acabaram fazendo amizade.

Agora sua melhor amiga e sua irmã estavam se casando e ela chorando sozinha num jardim secreto no meio de um labirinto de cercas vivas e estátuas de deuses gregos. Conhecia a maioria deles, sabia por Rey que era uma apaixonada por mitologia grega.

Ali à direita estava Ártemis, Apolo e Baco, além de outros dois que ela não sabia o nome, à esquerda, Atena, Hades com Perséfone, e Poseidon, atrás estavam Ares, Afrodite, Hefesto e Deméter, e à frente, Zeus e Hera, Selene e por fim Eros.

Olhou para a estátua de Eros, com seu arco, flecha e aljava, apontando para a frente, para Rose. Ela fungou e riu pelo nariz. Parecia piada. Ela se levantou e contornou a fonte e caminhou até a estátua do deus, que assim como as outras, estava em tamanho real e era somente um pouco mais alta do que ela.

Rose, que estava um pouco alcoolizada por causa das várias taças de vinho e champanhe que tomou na festa, deu dois tapas na cara da estátua.

— Estúpido cupido! — ela disse. — Você só fode com a minha vida, sabia? Então vê se me deixa em paz! Não quero mais me apaixonar!

Deu alguns passos para trás e então começou a rir. Estava falando com uma estátua. Não deveria ter bebido, não deveria estar ali, tinha que estar na festa, prestigiando sua amiga e sua irmã com seus respectivos noivos, ao invés de ficar sofrendo de autocomiseração longe de todos e falando com estátuas.

Mas que se dane! Não ia mudar nada em sua vida. Continuaria sendo uma azarada e provavelmente ficaria para titia, morando sozinha numa casa com dez a doze gatos que a comeriam quando ela morresse de infarto já bem velhinha.

— Olha Cupido, eu prefiro você retratado como um garotinho fofo. Você assim grande me lembra que é um homem e odeio homens. Vocês são todos iguais, uns escrotos! Você também, só põe macho escroto na minha vida! Eu só queria que uma vez você acertasse essa flecha direito para mim. — A estátua de Eros, como é óbvio, nada podia responder. Rose parou ao seu lado. — O maior castigo da vida de uma mulher é ser hétero. É por isso que não se diz “opção sexual”, porque ninguém em sã consciência optaria por gostar de homem.

Ela caminhou até Selene ao lado e passou o braço em volta dos ombros da deusa da lua. Mexeu na lua deitada que adornava a cabeça da deusa. — Você não concorda, Selene?... Quando eu era criança amava Sailor Moon, sei que não tem nada a ver com a conversa, mas eu queria dizer isso. Acho que estou bêbada.

Afastou-se da estátua da deusa, tencionando voltar para a casa. Ela entraria pelos fundos e usaria algum banheiro do andar de baixo antes de voltar para a festa. Não podia aparecer com aquela cara na frente dos outros.

De repente uma luz rosada brilhou atrás dela. Rose se virou e protegeu sua visão da claridade forte. Ela chegou a pensar que aquela luz vinha de algum disco voador. Tremeu com essa hipótese e quando tentou correr de costas, tropeçou e caiu de bunda no chão. Antes que ela pudesse se levantar e correr, a luz sumiu e no lugar em que antes estava uma estátua de Eros, surgiu talvez o homem mais lindo que Rose já tinha visto na vida dela, e o pior de tudo, parecia-se com a estátua do deus, com direito a arco e flecha nas mãos.

Rose estava em choque e paralisada. Foi em pânico que ela viu o homem se aproximar e oferecer a mão para ela.

— Deixe-me ajudá-la, por favor.

Quando ele falou, Rose ficou tão pasmada que teve certeza de que fora realmente abduzida e aquilo não passava de uma alucinação criada pelos aliens que estavam fazendo experiências inomináveis consigo. Desmaiou logo em seguida.

[...]

Rose acordou com uma cefaleia terrível. Com algum esforço sentou-se e olhou ao redor. Ainda estava no jardim e suspirou aliviada. Fora um sonho, graças a Deus. Não tinha sido abduzida e com certeza veria novamente a estátua de Eros no mesmo lugar.

Levantou-se, limpando o melhor que podia sua roupa. Precisava se trocar. Falaria com Rey para lhe emprestar alguma coisa. Ela se deu conta da falta da estátua de Eros no mesmo momento que ouviu a ladainha de alguém.

Virou-se lentamente e viu, para seu completo desespero, o mesmo homem que viu antes, sentado aos pés da estátua de Afrodite, falando com ela, mas a deusa que era sua mãe continuava petrificada. Ela deu um grito, o que chamou atenção dele.

— Até que enfim você acordou! — Ele se levantou rapidamente e correu até ela. Quanto mais se aproximava, mais Rose se afastava dele. — Ei, não precisa ter medo de mim.

— Q-quem é você?

— Eu não me apresentei? Oh, peço-lhe perdão. Eu sou Eros, deus do amor e da paixão, filho de Afrodite. E você é...?

— É brincadeira, né? É piada?

— Como?

— Já sei, é uma pegadinha. Tem câmeras por toda parte, tenho certeza. Muito bem, pessoal, podem sair — ela gritou, olhando para os lados. — Foi muito engraçado, tenho certeza que o acervo de memes de vocês vai estar atualizado depois da minha péssima performasse.

— O que são memes? — ele perguntou inocentemente.

— Cara, pode parar de atuar. Não tem mais graça. Meus amigos contrataram você para tirar sarro de mim, não é? Pois já foi suficiente, chega. — A cara de confuso dele fez Rose ter certeza de que aquilo não era uma brincadeira. — Ai meu Deus, você é mesmo Eros, não é?

— É claro que sim! Ofende-me uma mortal como você não me reconhecer.

— Escuta aqui, você não está na Grécia e desde o nascimento da filosofia que o mito deixou de ser usado para explicar as coisas, ou pelo menos é assim que eu me lembro das aulas de Filosofia. Ou seja, não tenta vim para cima de mim com a sua “ira dos deuses” que não vai rolar.

— Ninguém nunca falou assim comigo...

— Eu não sinto muito. E olha, eu não sei o que está acontecendo, eu devo estar sonhando. Então já que isso é um sonho, me explica porque você está aqui e porque não é mais uma estátua como as outras.

— Foi você que disse que queria que eu acertasse uma flecha para você e Selene me trouxe para cá.

— Espera... O que? — Olhou para a estátua da deusa da lua, que permanecia bem parada como as demais. — Como a Selene...

— Não a estátua — disse ele. Apontou para cima e Rose olhou para o céu, onde a lua pairava majestosamente bem acima deles.

— Sim, isso com certeza é um sonho — Rose sentenciou.

— Bom, estou aqui para fazer o meu trabalho e ir embora o mais rápido possível de volta para o monte Olimpo.

— Espera aí, o que?

— Do que você gosta? Homem, mulher, tanto faz...?

— Eh-eh... Homem, mas...

— Você não me disse seu nome — ele interrompeu.

— Meu nome é Rose, Rose Tico.

— Muito bem Rose, Rose Tico, vamos atrás de um homem para você. Que tipo quer? Particularmente eu gosto de ruivos, mas você tem alguma outra preferência? Você tem cara de que gosta de caras altos, se bem que com essa altura qualquer um é mais alto que você...

— Ei, ei, ei! Você fala muito rápido! E eu nem disse que queria que você me arrumasse homem, eu só...

Rose foi interrompida quando viu alguém chegando. Ela se calou no mesmo instante e ficou mais nervosa do que já estava. Já bastava a loucura toda que estava sendo aquilo, alguém lhe pegar falando com um cara seminu segurando arco e flecha seria terrível.

Logo um topete ruivo apareceu e logo reconheceu que se tratava de Armitage Hux. Não o conhecia direito, só sabia que era convidado de Ben Solo. Durante o jantar ela o viu o tempo todo com a cara emburrada, como se estivesse irritado com todo aquele romance e felicidade. Pessoalmente, ela sentiu um pouco de apatia por ele, também estava irritada com todo aquele clima de noivado.

Ele a viu e parou. — Oh, perdão, eu estava procurando um lugar tranquilo para fumar. Não quero atrapalhar nada. Com licença — disse, já se virando.

— Não, espera, não é o que está pensando...

— Ele é ruivo! — gritou Eros. Tanto Hux como Tico olharam de volta para ele. — Eu gosto de ruivos.

Pegou uma flecha com a ponta de ouro da aljava e Rose entrou em pânico.

— Cupido, não! — gritou.

Mas era tarde demais. No instante seguinte, Hux estava caído no chão com uma flecha cravada no coração. Desesperada, Rose correu até ele, e se admirou quando a flecha se dissipou no ar em uma nuvem cor-de-rosa.

— Vai ser divertido quando ele acordar — disse o Cupido.

— Seu filho da mãe! O que foi que você fez?!

— O que você queria, ué! Quando ele acordar e te ver, estará perdida e completamente apaixonado por ti. Isso não é lindo?

— Não! Eu nem sequer o conheço. Você é mesmo um estúpido!

— Você é uma mal-agradecida, Rose, Rose Tico. Eu vou embora, nunca fui tão desrespeitado.

— Espera aí, você tem que reverter isso! Ele não pode ficar apaixonado por mim!

— E quem disse que isso é problema, meu? — Então ele começou a rir.

— Do que é que está rindo? — perguntou indignada.

— É que eu já vi algo parecido antes, com Apolo e Dafne. Quer dizer, não totalmente. — Riu mais um pouco e voltou à posição anterior ao lado de Selene.

— Não pode fazer isso, volte aqui agora e desfaça a merda que fez!

— Adeus, Rose, Rose Tico!

E como um passe de mágica, Eros voltou a ser uma estátua, deixando-a sozinha com Hux, que estava acordando.

— O que...? O que houve? Onde estou? — perguntou Hux.

Rose se levantou e começou então a estapear-se, tentando acordar daquele sonho ultrarrealista. Mas então Hux olhou para ela e logo se levantou.

— Meu Deus do céu... — ele disse. Rose se recusou a olhar para ele. Se olhasse, descobriria que o Cupido não tinha brincado quando falou que ele acordaria apaixonado por ela. — Você é a mulher mais linda e perfeita que eu já vi em toda a minha vida.

15 de Fevereiro de 2020 às 16:38 0 Denunciar Insira 0
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