Back To You Seguir história

noveluas Tata C

Quando a confiança é quebrada, recuperá-la é uma das tarefas mais trabalhosas; dar uma chance a alguém que te machuca dá medo, assusta e talvez só o amor dê coragem o suficiente para se colocar de novo em frente ao que mais te magoou. Luke está disposto a tentar recuperar a confiança da única mulher que amou, dar tempo a ela e mostrar que todo amor que nutre desde que era um garoto, ainda está ali e só aumenta. Ana está em um ponto da vida, que ser orgulhosa já não faz mais sentido, e ter o homem que sempre amou em sua frente depois de tanto tempo, parece ser um sinal da vida, dizendo que algumas coisas precisam ser superadas.


Romance Romance adulto jovem Para maiores de 18 apenas.

#romance
0
944 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo A cada 10 dias
tempo de leitura
AA Compartilhar

One step

A noite já havia caído quando Ana voltava para casa, depois de dois ônibus e uma viagem de metrô, ela chegava até o grande condomínio de apartamentos na periferia de Londres, onde mora há menos de um ano. O local era mal iluminado e quase abandonado pelos administradores, não havia muita manutenção; alguns adolescentes conversavam alto e dividiam um cigarro, provavelmente roubado da mãe de algum deles. A garota subiu os, muitos, degraus que a levariam até o 6º andar; seu apartamento era quase o último do andar e dele ela tinha a vista dos demais prédios do bairro e a pouca paisagem verde em frente ao local.

O corredor que a levaria até em casa não tinha iluminação, mas por ser aberto, ela podia contar com a luz que vinha de fora, como os poucos postes da rua em frente e a luz da lua. Quando foi se aproximando, pôde ver uma figura encolhida em frente a sua porta; ficou há alguns passos da pessoa, com certo receio e ansiedade, sem saber como abordá-la sem que corresse mais risco do que já corria, estando sozinha naquele corredor escuro, se aproximando demasiadamente de alguém desconhecido.

Não demorou até que a pessoa percebesse que havia mais alguém ali; se mexeu minimamente e virou a cabeça para cima, afim de ver quem era. Ana arregalou os olhos quando viu o rosto muito conhecido por si, coberto de ferimentos; seu corpo travou e ela sentiu a garganta secar, não esperava uma surpresa como aquela, há mais de um ano que não o via. Não sabia bem o que sentia ao olhar para ele, mas de certa forma os machucados a assustavam e deixavam o coração pesado, não queria vê-lo daquele jeito, muitos menos reencontrá-lo numa situação tão estranha como aquela.

— Luke — ela disse, com a voz baixa. —, o que tá fazendo aqui? O que aconteceu?

— Nada demais — ele respondeu, com a voz grave que ela tanto conhecia. —, nada que você já não imagine. Me deixa entrar Ana... só hoje?

Ela respirou fundo e o encarou por alguns segundos, talvez se arrependeria mais tarde, mas não conseguiria entrar em casa e deixá-lo naquele estado. A garota abriu a porta, com ele em seu encalço; entraram os dois e ela acendeu a luz, podendo ver melhor o rosto a sua frente. Os lábios estavam cortados, os olhos inchados e arroxeados, e ele parecia sentir dor em todo o corpo, pela forma como se encolhia. Por um momento ela sentiu pena, sabia como ele conseguia tantos machucados, mas de certa forma não conseguia se compadecer completamente, pois também sabia que ele poderia se esforçar mais para mudar a própria situação, mas não o fazia.

Os dois se encaravam sem saber o que dizer, como iniciar uma conversa depois de tantos anos; ela foi até seu quarto, deixou suas coisas sobre a cama e pegou uma caixinha que mantinha na cômoda, com alguns itens para primeiros socorros. Voltou até a sala e viu Luke sentado no pequeno sofá de dois lugares, foi até ele e se sentou ao seu lado, voltando a observar o rosto bonito coberto de marcas. Começou a limpar os ferimentos, vendo a carinha se enrugar de dor, além dos resmungos baixinhos que soltava, ele jamais admitiria, mas era uma bebê quando se tratava de dor. Ela tentava manter a mão leve, para que ele não sentisse muita dor, mas algumas feridas estavam abertas demais e era inevitável que o contato com os produtos não lhe causasse ardência.

Depois que o garoto se acostumou um pouco com a limpeza, automaticamente virou o corpo em direção à Ana, facilitando o seu acesso. Aos poucos e inconscientemente, ele se aproximou mais, os rostos muito perto um do outro; Luke sentia falta do perfume extremamente doce que ela usava, das mãos pequenas e de tudo que podia se lembrar. Ir até o apartamento dela era ao mesmo tempo que sua única opção naquela noite e também sua maior vontade; mesmo que tenha se afastado, nunca deixou de saber por onde ela andava, o que fazia e onde morava. Não por ser um stalker ou obsessivo, mas queria garantir que ela estaria minimamente bem, não suportaria a ideia de vê-la em situações tão ruins como as que ele mesmo passou.

Estar tão perto dela novamente era bom e o fazia ter um pouco de esperança, que tudo ainda tivesse um jeito de acabar bem, que pudesse desejar de novo uma vida mais tranquila e quem sabe, com ela ao seu lado. Rodeado por todos os sentimentos, ele levou uma de suas mãos até a mão que ela usava em seu rosto e a segurou; olhou nos seus olhos e esperou uma reação. Não houve nenhuma e então ele continuou, diminuiu a distância entre os rostos e estava prestes a selar seus lábios nos dela.

— Luke — ela disse, se afastando um pouco. —, calma... — Respirou fundo, como se estivesse inebriada pela presença dele.

— Desculpa, Ana... eu não devia...

— É que isso é tudo muito estranho... faz muito tempo, não sei como reagir a você.

— Olha pra mim — pediu. —, eu não tinha pra onde ir hoje, por isso eu vim até aqui, mas eu queria te ver há muito tempo...

— Quem te bateu dessa vez? — ela perguntou, desviando um pouco do assunto.

— Você não precisa e nem deve saber — respondeu, fitando a tv desligada a sua frente.

— Por que queria me ver?

— Você sabe muito bem... — ele voltou a encará-la. — Eu nunca deixei de te amar e não teve um dia em que eu não pensasse em como pedir perdão, mais uma vez.

Ouvir que ele a amava pela primeira vez em um ano tinha um efeito absurdo sobre ela; não havia passado um dia sem amá-lo e sem culpar Deus e o mundo pela forma como tivera que terminar com ele. Ela sempre foi orgulhosa e teimosa, não queria dar margem para que fosse acusada de algo que não fez, mais uma vez; não queria a desconfiança dele, ter que provar que é fiel é cansativo, tira o encanto de um relacionamento. Mas aquele ano sem ele, foi doloroso demais. Eles se conheciam mais do que a si mesmos, sempre estiveram juntos, mesmo quando não eram um casal, eram a pessoa um do outro.

— Então peça, peça perdão mais uma vez, Luke... mas só se você tiver certeza que pode me provar em atitudes, em comportamento. Acho que é muito óbvio, desde que eu terminei com você, que eu nunca deixei de te amar, essa nunca foi a questão — ela falou, se recostando no sofá, com o ar cansado, estava exausta e tê-lo ali, sugaria ainda mais de suas energias.

— Ana, eu tô falando sério pô! — ele disse, com cara de decepcionado.

— Ué, eu também!

Ele a olhou um tanto desconfiado... jamais imaginaria chegar até ela depois de tanto tempo e ouvir isso, assim tão fácil. Talvez ela quisesse testá-lo ou até se vingar. Mas ele sabia que Ana não era alguém assim, naquele tempo todo ela jamais fez nada que pudesse machucá-lo, não de propósito, já que quando ela falava a verdade e contava a ele o quanto sofreu pelo que ele fez, era quando ele se sentia mais ferido.

— Você tá mesmo disposta a me dar uma chance? Tipo, de verdade?

— Olha, a minha vida anda uma grande merda... eu sinto sua falta, você veio até mim e talvez a vida esteja me dizendo alguma coisa. Eu não tô dizendo que vamos pra cama hoje e acordar namorando de novo... mas eu quero te ajudar, eu só posso saber se você tá sincero sobre isso, se estiver perto de você — ela disse calma, o olhando com sinceridade.

— Eu sei que errei muito, errei tipo, demais mesmo... eu fui burro, ingênuo e inseguro. Você sabe que eu sempre tive um medo enorme de te perder... era tudo tão real, e eu acreditei — Ele fitava o chão, não conseguiria falar sobre aquilo olhando nos olhos dela. —, mas eu tinha que ter acreditado em você, e não tem nada que eu possa dizer, a não ser que eu me arrependo demais, que eu senti sua falta como um inferno, e que eu te amo pra caralho.

Ela não sabia bem o que estava fazendo, nem por qual razão. Mas queria acreditar nele, e talvez a vida realmente tivesse guiado os dois até aquele momento, para que pudessem se entender. Talvez eles nunca mais voltassem a ser um casal, mas ainda assim eram importantes na vida um do outro e queriam estar juntos no que tivessem que enfrentar. A vida não fora carinhosa com nenhum deles e o pouco de afeto que conheciam, vinham um do outro.

Não soube o que responder, apenas confirmou com a cabeça, como quem diz “tudo bem, tudo bem”. Ficaram em silêncio, lado a lado no pequeno sofá; a noite seria longa e talvez eles conversassem sobre todo aquele tempo de mágoa e saudade. Talvez se abraçassem e só se soltariam na manhã seguinte, nenhum dos dois sabia o que queriam fazer, o que queriam falar. Começaram aquele dia como outro qualquer e terminaram ali, juntos de novo, conversando sem gritos, sem choro, sem acusações, sem súplicas de perdão. Era novo, causava ansiedade e ao mesmo tempo era bom, era como o fio de esperança que é achado em meio a uma escuridão.

6 de Fevereiro de 2020 às 16:25 0 Denunciar Insira 1
Leia o próximo capítulo Two steps

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 2 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!