O Sótão Seguir história

u15772523511577252351 João Vitor Prates

Pais sempre ausentes e sem amigos para brincar, a vida da pequena Linda não é fácil, até que, em um dia, escuta barulhos estranhos vindo do sótão depois de anoitecer.


Horror Literatura monstro Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#conto #227 #vampiros #402 #monstros #295 #terror #crianças #medo #Assustador
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Capítulo Único

A pequena Linda brincava no jardim de sua casa, acompanhada apenas de sua boneca de pano velho, a quem chamava de Senhora Jenkins. Seus cabelos loiros e lisos balançavam enquanto ela corria pela grama macia e bem cortada. Senhora Jenkins estava no chão, pois Linda brincava de pega-pega com ela e como era de se esperar, Linda sempre acabava ganhando. Ela era uma criança solitária, que sempre tinha ao seu lado a sua boneca. Todos os dias ficava sozinha em casa, sem babá nem nada, enquanto os pais iam trabalhar.

Ela olha em seu relógio da Hello Kitty, são exatas 17h00min. Com um sorriso enorme em seu rosto, vai em direção a porta da casa para receber os seus pais, pois sabia que este era o horário em que eles voltavam do trabalho.

Passam-se mais 9 minutos, e é quando o pai e a mãe de Linda abrem a porta e entram em casa. Ela os está esperando, sentada no chão mesmo, agarrada na Senhora Jenkins.

-Papai! Mamãe! -ela fala, com um sorriso ainda estampado no rosto e corre para abraçar os seus pais. Ela os abraça com toda a saudade do mundo, era assim todos os dias. -Vocês estão atrasados, eu estava esperando vocês desde as 17 em ponto, como sempre.

-Que bom, mas não precisava, querida. -o seu pai fala, sem expressão no rosto e não retribui o abraço da filha, apenas a empurra levemente para o lado e vai em direção ao seu quarto. A sua mãe tem a mesma reação, apenas a ignora e vai em direção ao quarto, junto de seu marido.

Era assim todos os dias, apesar de nunca ter abalado Linda psicologicamente, ela sempre estava feliz. Foi correndo para o quarto de seus pais, acompanhando-os. Ao entrar no quarto, eles estavam tirando a roupa de trabalho e se preparando para deitar.

-O que vai ter hoje de comida, mamãe? -pergunta, com sua voz suave e doce.

-Não irei cozinhar hoje. -sua mãe fala, curta e grossa. -Vá e coma alguns biscoitos, sei lá.

-T-tá bom. -Linda se retira do quarto, e vai buscar alguns biscoitos na cozinha. Ela leva os biscoitos para o seu quarto e nele ela permanece, assistindo televisão, deitada na cama.

São 21h17min, ela ainda está deitada vendo televisão, e é quando o sono começa a chegar. Ela desliga a tv com o controle, porém, não consegue dormir. Consegue ouvir barulhos vindos do quarto de seus pais, que é logo do lado do seu. Eram gemidos, e barulho da cama balançando. Ela se levanta de sua cama e vai para o quarto de seus pais, segurando sua boneca, porém a porta está trancada.

-Papai, mamãe, está tudo bem? -ela pergunta, encostada na porta.

Os gemidos param.

-Sim, querida, está -a sua mãe fala. -Eu e o seu pai estamos apenas brincando.

-Ok, então.

Ao ir pro seu quarto, a garota nota que o sótão estava aberto, e que a escada que levava para o mesmo estava para baixo. Um som de madeira sendo arranhada vinha lá de cima, Linda conseguia escutar até alguns assobios em ritmo, parecia uma música. Como era uma garota muito curiosa, ela sobe para checar. Tudo estava escuro.

No canto do sótão, entretanto, havia algo se movimentando, não dava para ver exatamente o que era, pois estava escuro. Corajosa, Linda se aproxima mais para ver o que era, achando que era algum animal que entrou pela janela.

-Olá? -ela fala, baixo, quase que como um sussurro.

-Olá, minha querida. -uma voz suave e calma sai da escuridão. -Qual é o seu nome?

Ela se surpreende e dá um passo para trás.

-Qual é o problema, querida? -a voz se aproxima, e Linda pode ouvir os passos se aproximando também. -Venha cá.

Linda sente aquela coisa passando a mão em seu rosto, suavemente, como um carinho. Porém, nota também que há unhas enormes naquela mão, quase como garras, ela podia sentir.

-Quem é você? -ela pergunta, com a voz trêmula.

-Eu sou Frank, prazer em conhecê-la. -ele aperta a mão de Linda, cumprimentando-a. -E qual o seu nome, minha pequena?

-Eu sou a Linda.

-Que nome bonito, o seu. Posso afirmar, que com certeza faz jus a você, uma menininha muito bela.

-Mas como você está me vendo? -Linda pergunta, curiosa -Está tudo escuro.

-Entre as várias coisas que eu posso fazer, uma delas é enxergar no escuro.

-E como você pode fazer isso?

-Ah, eu até posso te contar. -Frank faz uma pausa. -Mas, primeiro você vai ter que me apresentar a essa boneca que está carregando.

-Essa aqui é a Senhora Jenkins, ela é minha melhor amiga. -ela levanta a boneca e mostra para Frank, que pega a boneca em suas mãos.

-Prazer, eu sou Frank. -ele a olha de cima a baixo. -Realmente, é uma boneca muito bonita, foi você que fez?

-Na verdade, foi minha mãe, ela fez para mim.

-Interessante. -ele diz. -Só não entendi uma coisa, por que ela é sua melhor amiga, garotinha? Geralmente, a melhor amiga de uma criança é outra criança.

-Eu não tenho amigos além dela, meus pais nunca deixaram brincar muito com outras crianças. -Linda fala, com um ar de tristeza.

-Que triste, mas há um erro nessa sua afirmação.

-E qual é? -ela pergunta.

-Acabou de fazer um novo amigo agora.

Frank pode ver ela sorrindo e se aproximando dele, com os braços abertos, Linda gostava muito de abraçar os outros. Ela o abraça e o aperta com toda a força do mundo, e ele retribui a garota, dando um abraço reconfortante nela.

-Você está gelado. -ela diz.

-Faz parte do meu segredo. -Frank responde. -Que, como o prometido, irei revelar agora para você, minha nova amiga.

Ela pula de alegria, também curiosa para saber qual era o seu segredo. Um silêncio contínuo toma todo o sótão, Frank não fala nada. Linda pode sentir apenas ele levantando-a do chão.

-Frank? Qual é o seu segredo? -ela pergunta, e sente Frank beijando suavemente a sua testa, e após isso, sente ele mordendo o seu pescoço, com dentes extremamente afiados e que penetram profundamente a sua carne. A garota não consegue gritar, não tem forças para tal ato.

Frank se alimenta dela durante a noite inteira, pedaço por pedaço, gota por gota.

Ao amanhecer, os pais de Linda entram no sótão, que ainda estava escuro porque tinham cobertores para tapar a janela. Mas eles conseguiam enxergar Frank, sentado no canto, todo ensanguentada, e uma pilha de ossos no chão. Aquele lugar fedia, e muito.

-Muito bem. -Frank fala, aplaudindo-os. -Novamente conseguiram trazer a minha comida, e espero que já estejam planejando ter outra.

Com um suspiro, o pai responde:

-Sim, ontem à noite mesmo já começamos a tentar.

-É bom mesmo, porque vocês sabem do nosso acordo. -Frank diz, ainda limpando os restos de Linda de seus dentes. -Daqui há 9 anos, quero novamente outra criança aqui, para poder me alimentar dela e assim conseguir minha juventude eterna.

-E daqui 9 anos você terá, pode deixar. -a mãe diz.

Frank ri.

-Eu me pergunto, como será que vai ser quando você não puder mais gerar crianças para alimentar?

Os pais não respondem, ficam incomodados com a pergunta e saem do sótão.


28 de Janeiro de 2020 às 20:31 0 Denunciar Insira 1
Fim

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