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O texto se passa em algum momento da infância do Edo e do Saiou (Sartorius), não recomendo a leitura caso não tenha assistido o arco da Sociedade da Luz (GX)


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Saiou não dormia no escuro. Nunca. Havia sempre a luz acesa de outro cômodo, uma lanterna ou as pequenas borboletas de luzes coloridas nas tomadas. Ele não dormia no escuro, apesar de cobrir o rosto com o lençol e virar para o outro lado quando a luz incomodava. Havia sempre o mínimo foco de luz, menos quando Edo estava lá.

Os adultos achavam estranho, essa repentina escuridão em um quarto onde uma criança dorme com um rapaz mais velho. Os adultos sempre tendem a levar as coisas por esse lado, e medem o mundo através de suas próprias réguas. Saiou já conhecia muito desse mundo, e sentia medo. Os adultos davam as mesmas recomendações a Edo, e olhavam do mesmo modo acusatório para ele. Nojo e ressentimento perduravam até a hora que Phoenix, como se fosse um gesto sagrado, segurasse as mãos por debaixo das cobertas e as levasse até o peito. Se soubessem que juntavam as camas, estariam acabados, se descobrissem aquele pequeno ritual, talvez nunca mais voltassem a se ver. Tudo tinha um risco, uma chance de dar errado, até as previsões, de vez em quando.

O corpo de Saiou sempre tremia. Com um frio na espinha, seguido do calor no coração. O nojo de antes ia embora, e ele até deixava de lado toda essa coisa de futuro.

- é hoje que eu tenho que te salvar? – Edo perguntava, com voz preocupada e olhos azuis quase brilhantes.

Saiou ria, abraçava, falava para não se preocupar.

Aquele menino o salvava todo dia.

25 de Janeiro de 2020 às 20:22 0 Denunciar Insira 0
Fim

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Bar-t-t-tender keep love alive// uma mistura estranha de passado e presente.

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