Tempos Difíceis Seguir história

asheviere Jupiter L

Há muito tempo Igor não ouvia um violino, e, na última noite do ano, parecia um bom presságio que sua vizinha tivesse voltado a tocar. [Oneshot para o Ano Novo]


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Único - Tempos difíceis sempre chegam ao fim.

Há muito tempo Igor não ouvia um violino.

O som fraco e abafado pelas paredes realmente o surpreendeu naquela noite, a última do ano. Igor estava na varanda de seu apartamento, acabando com mais uma carteira de cigarros, em outra monótona cena capturada entre a infinidade que compunha sua existência. Não tinha família com a qual se reunir para a passagem de ano. Na verdade, se importava tão pouco com a passagem de ano que não saberia já ser a época, se não fosse a mensagem de “Feliz Ano Novo” no mural de avisos na entrada do prédio e no elevador, e a quietude anormal dos outros apartamentos, cujas famílias haviam viajado ou se reunido na casa de parentes distantes, em um lugar mais apropriado e alegre do que aquele.

Entediado, Igor permanecia sentado na cadeira de plástico desde o anoitecer, aproveitando a brisa e observando vez ou outra um grupo de amigos ou familiares descerem a rua rumo à praia, vestidos de branco. Não era sempre que Igor fumava do lado de fora. O cheiro da fumaça incomodava mesmo a ele, que escolhia aquilo, então não deveria ser nada agradável para seus vizinhos. Quando queria evitar que o cheiro se impregnasse no apartamento, Igor descia para a praça, onde, apesar da presença de outras pessoas, o vento logo dissipava a fumaça, e o incômodo deveria ser mais tolerável. Mas o prédio realmente estava quase vazio naquela noite de 31 de dezembro, e Igor pensou que não haveria problema. Na verdade, ele torcia para que não houvesse problema, pois não tinha a menor disposição para descer daquela vez.

Embora não fosse um dos emocionados com o réveillon, não conseguia evitar completamente os pensamentos sobre o ano de 2019, aquele ano estranho. Igor tinha para si a ideia de que a vida sempre caminha a pequenas mudanças, e que os inícios e fins dos anos eram sempre mais ou menos iguais. As mudanças que as pessoas enxergavam acabavam sendo apenas impressão causada pela esperança e empolgação da festividade. Mas aquela vez era diferente. Igor se sentia diferente. Apesar de se encontrar na mesma situação do início do ano, muito havia mudado em tão pouco tempo. Igor não sabia dizer qual era o problema. Às vezes a única dedução lógica era que não havia problema algum, e aquela sensação era apenas uma falsa tristeza que seu cérebro criava como se quisesse lhe pregar uma peça. Outras vezes, Igor afastava esses pensamentos. Não podia chamar de falso algo que ele realmente sentia, algo que realmente afetava sua vida em todos os aspectos, apenas porque não conseguia encontrar sua origem.

Igor sentia que há apenas 365 dias ele era uma pessoa completamente diferente da que era agora, e ele preferia o Igor de antes. 2019 trouxera aqueles tempos difíceis, e o antigo Igor não resistira a eles.

O antigo Igor era realmente vivo, o atual era apenas um ritualista; acordava de manhã, saía para o trabalho, fazia todas as suas obrigações sem saber o porquê, como um hábito. Tudo que precisava de um pouco mais de vontade fora deixado de lado: interesses, passatempos, amizades etc. Havia perdido de vista seus objetivos? Ele tinha algum objetivo antes, ou a vida sempre foi essa sequência automática e inconsciente de ações? Estava sempre cansado, e, ultimamente, nem mesmo o trabalho o convencia a sair de casa. Apesar de tudo, Igor somente começou a perceber essas mudanças de comportamento quando foi demitido, há pouco mais de um mês. Foi quando notou que algo estava errado. A postura que estava assumindo não lhe parecia saudável, assim, dominado por aquela espécie de letargia que o afastava de tudo que gostava de fazer.

Nesse ponto, o violino interrompeu seus pensamentos, capturando completamente sua atenção.

Não ouvia o instrumento há tanto tempo que ficou em dúvida se era a mesma pessoa de antes que o estava tocando. Em um indelicado ato motivado por curiosidade, Igor inclinou-se um pouco pra fora da varanda, tentando olhar o apartamento ao lado, um nível abaixo do seu. As portas de vidro da varanda estavam fechadas, abafando o som, e a cortina cobria parcialmente a vista, mas Igor conseguiu ver muito bem uma figura de pé no meio da sala, tocando o violino.

Era ela. Sua vizinha, aquela que ele nunca soube o nome, mesmo que vivessem no mesmo prédio há anos. A cultura de isolamento era muito forte naquela região, e Igor nunca havia falado com qualquer um de seus vizinhos mais do que um indiferente cumprimento quando tomava o elevador junto de outra pessoa, e os outros pareciam até mesmo agradecidos quando percebiam que ele não iniciaria uma conversa.

As notas saíam hesitantes, inconstantes, o som às vezes fraquejava sem ritmo e ela parava no meio de uma tentativa de melodia. Então, Igor podia vê-la descer o violino e o arco, sentindo evidente frustração. Ela parava de tocar por alguns segundos, respirava fundo e recomeçava. Repetidamente. Ela havia desistido da melodia e tentava uma escala. Igor não entendia muito de música, muito menos de violino, mas, apoiando as costas no parapeito e observando disfarçadamente sobre o ombro vez ou outra, notava que ela tentava fazer exercícios básicos demais para o nível que Igor sabia que ela possuía.

Igor vivia naquele apartamento há dez anos. Ela, há oito. Chegou silenciosamente, sem chamar atenção, uma mudança bem discreta. Um dia, simplesmente, o silêncio das tardes foi quebrado pela rotina quase religiosa da violinista, que das 10 h às 11 h e das 16 h às 18 h emitia do instrumento melodias que inundavam não apenas o seu próprio apartamento, mas se espalhavam por todo o prédio. Às vezes ela tocava na varanda, aproveitando a brisa e os restos da luz natural, mas na maioria das vezes tocava escondida pelas paredes. Igor nunca havia trocado uma palavra com ela, mas sempre achou que, apesar dos concertos diários, ela parecia um pouco tímida. Ele gostava de ouvi-la tocar, mas para não deixá-la envergonhada, só ficava na varanda para ouvir melhor quando ela tocava de dentro de casa. Nesses dias, aquelas horas de músicas eram um tempo reservado para ele também, que não voltava para dentro do apartamento até que a música parasse.

Lembrava-se de um dia em que, por impulso e também por ser o momento de uma leve e simpática provocação, Igor aplaudiu da sua varanda quando ela terminou seu repertório. Ela se surpreendeu com a plateia de uma pessoa só, mas havia um sorriso tímido em seu rosto e, apesar de constrangida, ela se curvou teatralmente agradecendo as palmas, antes de desaparecer atrás da cortina, sem dizer palavra alguma. Naquela noite, Igor foi para a cama com a suave melodia ressurgindo insistentemente em seus pensamentos, e o tímido sorriso da violinista estava lá toda vez que ele fechava os olhos. Dormiu imaginando como iniciaria uma conversa com ela no dia seguinte, mas a conversa nunca aconteceu; tudo não passou de devaneios, unindo-se à coleção das histórias que Igor imaginava e nunca nem ao menos tentava concretizar.

Mas a vida tem suas vítimas, e houve um momento em que aquela rotina de melodias suaves e sofisticadas desapareceu. Não foi de repente. Começou com um dia sem música entre uma semana cheia de sinfonias, uma ou outra tarde sem seus belíssimos concertos. Logo as tardes de silêncio se tornaram mais e mais frequentes, até que a música do violino parou de vez. No começo, Igor não estranhou. Porém, meses se passaram, meses se tornaram um ano, e Igor pensou que, tão discretamente quanto havia chegado, a violinista devia ter ido embora para morar em algum outro lugar.

Agora ela tocava novamente, como se a musicista dentro de si houvesse retornado dos mortos. Não tinha nada da destreza de antes. Ela tropeçava com seus próprios movimentos, as notas desafinavam, e sua postura não estava muito boa também. Talvez por isso que tocasse com as portas e janelas fechadas, tentando diminuir o incômodo para os vizinhos, como se sua música pudesse ser tão intragável para os outros quanto era a fumaça dos cigarros de Igor. Que lamentável engano. A única coisa que impedia Igor de observá-la a tocar com olhar ávido e atento era o receio de que, ainda tão tímida quanto antes, ela parasse a música. Porque ainda que outros ouvissem apenas barulho, os erros de uma inábil violinista iniciante, Igor ouvia música. A mais bela música que já ouvira, na simples execução de uma escala de Lá.

Ela não aguentou tocar tanto quanto antes, visto que seus dedos ainda não haviam recuperado os calos, e as cordas os feriam. Então, quarenta minutos depois, Igor a viu encerrar a música e guardar o instrumento, não muito orgulhosa de seu solitário concerto. Igor ergueu as mãos de modo hesitante, porém, sentindo um antigo impulso retornar, aplaudiu decididamente, como havia feito anos antes, segurando entredentes o cigarro ainda aceso. Alguns segundos depois, a violinista abriu a porta de vidro e afastou um pouco mais a cortina branca, com um olhar desconfiado. Diferente de antes, quando ela pareceu lisonjeada com as palmas, agora parecia injuriada. Ela saiu para a varanda esperando receber uma zombaria, imaginando que as palmas eram nada mais que irônicas, mas, em vez disso, encontrou Igor aplaudindo com sincera admiração no olhar, e aquilo a surpreendeu.

— Senti falta disso. – Igor confessou, por fim. A noite ainda estava calma, e o silêncio era perturbado apenas pelos pequenos grupos que se dirigiam para a praia a fim de ver a queima de fogos de mais tarde. A violinista cruzou os braços, desviando o olhar um tanto abatido.

— Bom… Então me desculpe pelo que acabou de ouvir.

— Como? Aquilo foi a coisa mais bonita que já ouvi.

— Até parece… – Ela bufou, revirando os olhos. Mas em vez de voltar para dentro, aproximou-se de Igor e se sentou no largo parapeito da sua varanda. Por ser do nível abaixo, Igor permaneceu debruçado no peitoril, enquanto ela precisava olhar para cima para encará-lo, mas não fazia isso. Ela não olhava para Igor enquanto falava. – Então você não ouviu muito, ou não entende nada de música.

— Um pouco dos dois. – Igor reconheceu, com um leve dar de ombros.

Ela não disse nada, apenas encolheu as pernas e as envolveu com os braços, apoiando a cabeça nos joelhos. Igor apoiou-se de costas novamente, despretensioso, deixando o silêncio retornar aos poucos. Muitas vezes o silêncio pode ser confortável, até mesmo útil. E enquanto ele apagava o cigarro no topo de mármore do parapeito, com um suspiro que mais parecia um lamento, ela ergueu o rosto para ele, observando-o bem pela primeira vez.

— Você parece estar num dia ruim.

— Eu estou num ano ruim. Você?

— A década tem sido ruim… – Ela murmurou.

— Eu imagino… – Parecia da boca para fora, mas Igor realmente sentia que ela também encarava seus próprios tempos difíceis, e que eles vinham sendo bem mais duradouros que os dele. Lembranças de um distante devaneio de madrugada retornaram, e, como se tivesse lembrado de um detalhe importante e urgente, Igor apoiou as mãos no peitoril, perguntando: – Ei, qual é o seu nome mesmo?

— É Camila.

— Igor. Me desculpe, eu deveria ter perguntado isso muito tempo atrás.

— Não tem problema. E eu sinto muito pelo barulho, sei que é muito tarde para tocar, mas… – Realmente, em um dia normal aquilo teria provocado algumas reclamações da senhora que morava abaixo de ambos. Qualquer barulho após as 22 h a fazia gritar com todo mundo sobre o absurdo que era a falta de respeito com os vizinhos. Mas Camila sentia uma crescente necessidade, sabia que não poderia deixar passar mais aquele dia sem rever seu violino. – Aposto que amanhã receberei um puxão de orelha do síndico. – Ela brincou, sorrindo de leve.

— Que nada. Aposto que todos os outros viajaram. E você não precisa se desculpar. Não foi apenas “barulho”. Eu gostei muito de ouvir você tocar.

— É tão frustrante, sabe? Voltar à estaca zero de ago que eu já dominava antes. – Ela desviou o olhar novamente, incomodada.

— Você não voltou à estaca zero. Apenas está enferrujada, mas tenho certeza que logo pegará o jeito novamente. Quanto tempo você não toca? Três anos?

— Cinco…

— Então! Ninguém esperaria voltar a tocar com a mesma habilidade, mas o que você sabia antes não foi perdido. Acho que você vai recuperar o jeito muito mais rápido do que quando estava aprendendo.

— Você… realmente gostou de me ouvir tocar?

— É claro.

— Por quê?

Igor não respondeu de imediato. Não esperava que ela perguntasse algo assim, e sua demora em responder a fez desviar o rosto, como se seu silêncio confirmasse as desconfianças de Camila de que os elogios de Igor eram vazios, apenas por educação. Mas a hesitação de Igor se devia ao fato de não ser uma resposta fácil. Era um sentimento, apenas; muito íntimo e pessoal até mesmo para ser convertido em pensamentos.

Mesmo Igor não sabia com exatidão o que tinha feito com que gostasse tanto de ouvi-la tocar daquela vez. Ele gostava da música, mas não era como anos antes, em que ele apenas apreciava o talento de Camila e sua dedicação. Havia algo mais, algo que tornava uma simples execução mediana de uma violinista sem prática em uma obra de arte. Dessa vez, Camila o atingira profundamente. Igor ficara realmente sensibilizado, e a razão disso era sua própria situação.

— Eu gostei de ouvi-la tocar porque achei a música muito reconfortante… – Ele começou a explicar, atraindo novamente o olhar de Camila. – Eu não lhe conhecia, mas, antes, qualquer um perceberia que o violino era sua paixão. Parecia ser mais que um hábito, era uma… veneração. – Igor se esforçava para organizar seus sentimentos em palavras.

Quando o silêncio voltou a dominar suas tardes, por que Igor pensou que Camila havia se mudado daquele prédio? Igor tinha suas próprias paixões, e não julgava ser possível apenas parar com elas, como Camila fizera com o violino. Era mais provável que ela continuasse tocando diariamente, em outros lugares, numa outra vizinhança, do que ter propositalmente deixado de lado o instrumento ao qual era tão devota.

Mas ali estava Igor agora. Camila o escutava, com um sorriso um tanto melancólico. Igor sabia que ele mostrava aquele mesmo sorriso enquanto falava. Eram duas vítimas daquela estranha apatia, que os envolvia como raízes de uma árvore, raízes invisíveis, das quais escapar parecia excessivamente trabalhoso e cansativo, então apenas cediam e se entregavam àquilo. Assim como Camila, Igor também sacrificara suas paixões. Aquelas raízes dominavam seus braços, imobilizava-os de tal modo que parecia um esforço imenso erguer um lápis para escrever suas poesias; dominavam suas pernas, e ele simplesmente não conseguia deixar a cama e fazer uma daquelas trilhas na mata que tanto apreciava na companhia de seus amigos; por vezes, pareciam mesmo que as raízes se fechavam ao redor de sua garganta, que cobriam-lhe os olhos, e Igor não conseguia nem mesmo dizer uma palavra para as pessoas com quem se importava, deixando de conversar por semanas com seus amigos mais íntimos.

Mas naquela noite, ao ouvir o violino, Igor compreendeu que Camila vinha passando pelo mesmo que ele. Por anos. Ela enfrentava aquela situação bem antes dela se acometer também sobre Igor, e por mais tempo que ele. Ela passava por tudo sozinha, bem ao seu lado, e ele nunca soube disso. Camila era uma violinista na alma, nunca passaria pela sua cabeça que aquelas raízes também a dominavam, a ponto de manter o violino bem fechado em sua caixa por anos, sem qualquer disposição para tirar um som dele. Que dupla melancólica formavam, uma violinista que não tocava, um poeta que não escrevia.

— Achei reconfortante, pois há anos não a ouvia. As pessoas não param com suas paixões por qualquer coisa. – Camila ainda não o encarava, mas não escondia o rosto. Igor pensou ver seu sorriso atenuar-se, até se tornar um gesto discreto, quase imperceptível, mas muito mais sincero do que o que tinha antes. – Seja lá o que tenha feito você parar de tocar por tanto tempo, isso passou. Ou, ao menos, está passando. Significa que, seja lá o que esteja fazendo eu me sentir assim, também passará. Então obrigado, Camila, por tocar hoje a mais bela música que já ouvi. Só achei uma pena que as portas estavam fechadas, não pude ouvir tão bem…

Isso a fez rir, e Igor reconheceu aquele doce som que um tempo atrás não saía da sua mente, reconheceu o sorriso que via sempre que fechava os olhos. Por que nunca havia se apresentado? Por que nunca perguntara o nome dela? Por que não mostrou mais vezes que alguém ouvia seus concertos, e que gostava de ouvi-los? As bobagens de uma mente jovem o fizeram imaginar mil maneiras de iniciar uma conversa com Camila, cujos medos de um coração adolescente o impediram de pôr em prática. A única coisa que precisava fazer era falar; sem planos, sem devaneios, apenas a realidade.

— Obrigada, Igor. De verdade. – Ela disse. Camila desviou sua atenção de Igor para as luzes que se acendiam no céu, a queima de fogos havia começado. Igor, ao contrário, em nenhum momento olhou para o céu. Via relances do dourado e vermelho dos fogos refletidos nos olhos de Camila, e o céu iluminado pelos fogos não se comparava com a vista a qual Igor dedicava sua atenção. – Feliz Ano Novo. – Camila murmurou.

— Feliz Ano Novo – respondeu.

Era meia-noite. Dia primeiro de janeiro de 2020. Nada estava diferente; Igor e Camila eram as mesmas pessoas, pois não havia nenhuma mudança mágica nos ares trazidos pelo novo ano. Isso era melhor. Qualquer mudança seria obra unicamente deles.

Mas havia algo que Igor esperava que 2020 trouxesse, como se a mudança de ares realmente fosse capaz de renovar as forças de ambos. Música. Muita música. Camila estava se reerguendo do que quer que a tivesse derrubado, e, eventualmente, Igor também iria. A música seria um lembrete diário disso. Mesmo que demorasse um pouco. Agora que sabia de seu problema, iria se cuidar, buscar ajuda. Mas nunca desistiria. Tempos difíceis sempre chegam ao fim, e a música era sempre bela demais para deixar de ouvir.

FIM

1 de Janeiro de 2020 às 01:45 2 Denunciar Insira 1
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Sandy Lane Sandy Lane
Adorei. Também sinto essa apatia e esse texto falou muito comigo. Voce escreve muito bem. Parabéns.
January 03, 2020, 23:26

  • Jupiter L Jupiter L
    Que bom que gostou! Assim como para Igor e Camila, espero que você supere o que quer que provoque essa apatia. Muito obrigada por ler e deixar um comentário, significa muito para mim <3 January 04, 2020, 00:09
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