A Estória de Michael - Bralis 3030 Seguir história

bhpoiano B. H. Poiano

Michael vive no ano de 3030 em uma colônia lunar chamada Bralis, ali trabalha como segurança para Robert, um executivo dono da maior inteligência artificial do estado, que em seu tempo livre assiste lutas enquanto discute com seus amigos e parceiros de negócio.


Ficção científica Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Robert

– O mundo, Jonathan, é um lugar injusto. – Disse Robert pensativo.

– Não comece com suas teorias.

– Não são teorias e você sabe bem disso.

Atrás de uma parede grossa de vidro temperado, Jonathan e Robert assistem, de cima, as lutas. Robert traga seu charuto e reage a um homem quebrando a mandíbula de outro.

– Como chegamos a esse ponto? – Comenta Jonathan indignado.

– Quando o homem se tornou fraco. – Comenta Robert, ele bebe um gole de seu copo e se prepara para seu monologo, Jonathan não pode fazer nada além de escutar. – Olhe ali, aqueles são nossos generais, legisladores, empresários, banqueiros, juízes e intelectuais se digladiando como se fossem crianças. Nós vivemos em um mundo feminino, Jonathan, seguro demais, limpo demais, bonito demais; somos a filha mimada de um pai estado que nos mimou porque não se importa conosco. Nesse mundo não há lugar para homens. Não precisamos mais cuidar da segurança da nossa família, não somos mais os responsáveis de colocar comida na mesa, não precisamos construir, criar, plantar. Foi tirado de nós tudo aquilo que a evolução nos ensinou. Todos os nossos instintos mais básicos foram suprimidos até nos tornarmos inúteis, então nos tornamos fracos, preguiçosos e covardes. E o mínimo de instinto que nos sobrou é gasto dessa maneira, lutando uns contra os outros.

– Você é muito pessimista. Quem criou esse mundo fomos nós porque nós queríamos um mundo mais seguro.

– Você tem razão, a culpa é nossa e de mais ninguém.

– Você não devia criticar tanto, você mesmo desfruta de tudo, mais até que noventa e nove por cento da população, esse seu discurso não é nada menos que hipocrisia.

– Pode ser hipócrita, mas isso não o faz menos real. Você e eu, Jonathan, somos covardes, preguiçosos e fracos, se nossa sobrevivência dependesse de nós, não duraríamos duas horas, quiçá dias. A diferença é que eu reconheço e aceito isso, você ainda vive em negação. – Robert bebe enquanto recebe um olhar reprovador do amigo. – Foi por isso que criei esse ringue, para podermos extravasar e sentirmos corajosos por pelo menos um instante.

– Você criou esse ringue para ganhar dinheiro, nada mais. – Robert sorri e traga seu charuto.

No canto da sala, com seu uniforme e arma, Michael escuta seu chefe discursar enquanto observa o homem para quem deu seu voto trocar socos contra outro homem. Ele respira fundo, Jonathan enche seu copo e Michael vê a repulsa em seu rosto, querendo ou não ele concorda com seu chefe, Jonathan é um covarde.

A noite passou como todas as outras, não ouve problema algum no camarote de Robert, e mesmo se lá fora o mundo caísse em confusão e guerra, aqui não aconteceria nada. Por volta das duas horas da manhã, Jonathan se despediu e saiu a passos largos passando por Michael sem olhá-lo, Robert ficou ali vendo os últimos homens lutarem.

– Venha aqui, Michael. – Chamou o chefe. Por algum motivo que Michel não entendia, Robert gosta dele. – O que você vê?

– Governador Rogerio. – Respondeu Michael lentamente. – Lutando contra um homem bem mais velho que ele.

– Esse homem mais velho é o juiz da suprema corte. – Disse Robert sem tirar os olhos da luta. – Só sobrou esses dois, todos os outros já foram embora. O governador do distrito mais rico desse estado e o maior símbolo da justiça que temos. Isso não é fascinante? E o juiz é o que luta sujo.

– Eu votei naquele homem. – Disse Michael arrependido.

Robert escuta aquilo e faz o que raramente acontece, desvia o olhar da luta. Ele observa o guarda ao seu lado e sente pena, ver aquela criatura tola e ignorante perceber que não existe pureza na política e na elite do país era doloroso.

– Eu votei nele também. – Compartilha tragando seu charuto. – Sendo sincero contigo, Michael, não faria diferença, ele iria ganhar de um jeito ou de outro, ele é um populista, o povo gosta desse tipo de político. – O guarda nada responde. – Você é um homem de apostas, Michael?

– Não.

– Se fosse, apostaria em quem?

– No governador. – Disse sem hesitar.

– Colocaria sua confiança nele outra vez?

– Não é sobre confiança, ele é mais novo e possui o corpo mais forte. O juiz está mais machucado que ele.

O governador acerta a costela do juiz que cai no chão, sangue escorre da sua boca quando dois homens o tiram da arena. O governador, agora sozinho no ringue, sorri de orelha a orelha, ele encara o camarote e levanta o braço direito, Robert levanta seu copo, bebe e faz um sinal com a cabeça. Homens entram no ringue com toalhas e acompanham o governador para fora, as luzes permanecem acesas. Robert encara o chão sujo de suor e sangue.

– Devia ter apostado, ganharia muito dinheiro. – Disse levantando da cadeira. A porta se abriu e outros guardas escoltaram Robert para fora.

26 de Dezembro de 2019 às 15:06 0 Denunciar Insira 1
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