Uma História Atemporal Seguir história

felipe-lima1576502342 Felipe Lima

Ainda não sei o que colocar aqui, pois escrevi pouco. Leia o que está disponível e veja se gosta. Pode ser que o título mude com o tempo, também.


Fantasia Para maiores de 18 apenas.

#aventura #ação #fantasia
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I - O Circulo Luminoso Na Escuridão

Não havia nada naquele lugar.

Tic, tac.

Bom, pelo menos não havia nada que eu conseguia ver.

Tic, tac.

Meu corpo doía, quando abri meus olhos, a primeira sensação que veio a minha cabeça, foi tentar lembrar do que aconteceu até ali, mas tudo que vinha a minha mente era um grande vazio, assim como onde eu estava. Uma luz branca e incrivelmente forte pairava de algum lugar sobre a minha cabeça e eu estava sentado. A cadeira era de madeira e possuía um tom escuro, me lembrou algo como ébano, mas não sei se esse era o material certo.

Tic, tac.

Meus olhos se acostumaram com a luminosidade do local. Não pude ver nada além do circulo luminoso, mas pude ver melhor onde meu corpo se encontrava. A cadeira de madeira era fixada ao chão por grossos parafusos, e suas estrutura era lisa e polida, de aparência bem cuidada para uma cadeira no que julguei ser o centro de uma sala vazia. Junto ao encosto de braços, longas tiras de couro, trançados e costurados prendiam meus punhos e meu antebraço rentes a madeira. As mesmas tiras estavam roçando em minhas axilas, de modo que meus ombros também estivessem fixos à cadeira. Vi as mesmas tiras sobre minha cintura e coxas, e então presumi que deviam estar prendendo minhas pernas também, já que a unica coisa que eu conseguia gesticular, eram meus pés, mãos e cabeça.

Tic, tac.

Eu estava sujo de terra, na verdade, eu estava imundo. Havia sujeira em todos os lugares do meu corpo em que eu conseguia ver, além de terra embaixo das minhas unhas. Também havia cicatrizes, por toda extensão dos meus braços, cortes e perfurações feitos por algo afiado, mesclando a terra com sangue. Sangue este que senti o gosto alguns segundos depois que me dei conta de como eu estava exausto, faminto e com sede.

Tic, tac.

O chão parecia ser de metal e estava impecável, refletindo a luz sobre minha cabeça. Aquele ambiente era próprio para isso, mas, onde eu estava? Em verdade, a pergunta que eu procurava estava mais para "Quem sou eu?". O local tinha um aroma peculiar, que parecia ter recém se instalado, como acontece depois de passar pano no chão, cheirava citronela mas também reconheci o cheiro de limão.

Tic, tac.

Quanto tempo eu estava ali? Por qual motivo?

Tic, tac.

Não havia resquícios disso na minha memória, por mais que eu tentasse, tudo era uma grande inconsistência, uma pagina em branco.

Tic, tac.

Tempo, relógio, ponteiros. Esse era o incessante som. Tic, tac. De repente o cheiro mudou, não havia mais citronela, mas um cheiro de lavanda, meus olhos se tornaram pesados, lutei para mante-los abertos, mas caí no sono logo depois de ver um sapato marrom, lustroso.

Tic, tac.


Meus pés tocaram a relva úmida do orvalho, um amontoado de grama e ervas daninhas, típicas de uma floresta tropical, alguém estava puxando minha mão, estávamos com pressa. Fui arrastada para dentro da floresta, por uma mulher, cabelos cacheados, de tonalidade escura, se prendiam em um rabo de cavalo. ela trajava uma calça militar, e um coturno que outrora fora tão escuro e brilhoso quanto seu cabelo, mas agora estava sujo com o barro. Na parte de cima vestia uma camiseta camuflada com as escritas "SGT Morales". Sua aparência era típica do norte Brasileiro, a pele mulata combinava com seus tufos de cabelos cacheados da raiz até as pontas. Embaixo dos seus olhos haviam olheiras profundas, como se não houvesse dormido por pelo menos uns três dias, e por falar em olhos, eles eram os únicos que não eram típicos daqui.

Os olhos possuíam uma cor dourada e pareciam iluminar a escuridão na floresta sombria, não eu estava enganada, na verdade, ela parecia iluminar tudo aquilo. Ela emitia uma luz fraca, que iluminava poucos metros a frente e eu podia sentir o calor daquela luz percorrendo meu corpo. Estávamos correndo e sem folego.

Paramos alguns segundos, para recuperar o folego. Foi tempo suficiente.

Por trás de nós ouvi um barulho de lâminas e quando fitei o caminho percorrido por nós, vi o aço cortando a vegetação, como um facão que rasgava os galhos das árvores num único golpe vertical em sua base, uma maestria impecável.

Ele ria.

Por de trás do emaranhado de galhos e folhas, surgiu um homem de cabelos grisalhos, que parecia não ter mais do que quarenta anos, vestia uma farda completa. O coturno e farda impecáveis, pareciam não ter sofrido com a corrida até aqui. Além da farda, o homem robusto, vestia também um cinto com suspensórios, algo típico da farda combatente e em sua cintura, podia-se ver um facão, cujo a empunhadura parecia ter a cabeça de uma onça adornada. Em seu peito uma insígnia prateada de um paraquedas e uma asa de cada lado. Não consegui ver a companhia, não consegui ver o nome mas as duas estrelas na gola de sua gandola o denunciava. Eu já o conhecia.

-Não se pode fugir da onça no seu habitat natural, Morales.

-Não, precisávamos ir muito longe, Tenente Alves.

-Então é isto? Escolheu nos trair e salvar... isso? - Ele disse "isso" me olhando de cima a baixo como se eu fosse uma aberração.

-De certa forma, ela é mais humanizada que alguns de nós. Ela não merece o que fazemos.

-Então, escolheu sua posição, Morales. Você não passa desse ponto e ela, volta para dentro.

Tão rápido quanto as falas perduraram, ele correu em nossa direção, já cansada, Morales me empurrou para trás. "Corra!", disse ela e foi o que fiz, dei as costas e corri. Quando olhei pra trás de relance, não ouvi o som de lâmina, apenas parte da extremidade da mesma, suja de sangue, perfurando o tórax da mulher, que me ajudara. O brilho ia deixando seu corpo, seus olhos perdendo sua tonalidade para um castanho escuro. Uma risada.


Tic, tac.

Quando acordei novamente estava escuro, não havia luz sobre a minha cabeça, não havia luminosidade em lugar algum. Um breu total. Ouvi uma estrondo e vozes do lado de fora.

Tic, tac.

Uma porta abriu-se com um ranger metálico e a luz iluminou a silhueta de um homem, mas não conseguia identificar suas feições. Ele carregava consigo alguma coisa comprida, estendendo-se de sua mão até o chão. A extremidade que tocava o chão produzia um ruído de metal contra metal e quando a porta se fechou sobre suas costas, a luz acima de mim, acendeu.

Tic, tac.

-Não consigo entender. Falaram para ter cuidado, mas, por quê?

A voz não possuía um timbre grave, mas consegui reconhecer que era uma voz masculina. A mesma voz que ouvi antes de Morales morrer. Ao adentrar o círculo luminoso, pude ver suas feições. O cabelo grisalho, os olhos verdes claros, a boca pequena e o nariz grande e comprido. Sulista. Ainda vestia sua farda, porém, sem a gandola. Em sua camisa havia a escrita "CAP Alves".

Tic, tac.

Por quanto tempo eu estou aqui? Ele rompeu o silêncio.

Tic, tac.

-Não pode fazer muita coisa nessas condições, não é mesmo? Me pergunto o motivo da Entidade querer que você deixe este mundo. Não estou aqui para julgar, claro. Só vim fazer meu serviço como executor, então me desculpe, nada pessoal certo?

Tic, tac.

Quando ele ergueu o punho, pude notar a lâmina, ele não a segurava, não era preciso. Seu punho estava fechado com força e curvado, inclinado para baixo, a lâmina saía de seu pulso, como se fosse uma extensão de seu próprio braço. Não havia gume nos primeiros centímetros próximo a sua pelo, o que o impedia de cortar a si mesmo, porém o restante era tão afiado quanto o facão que carregava consigo.

Tic, tac.

Ele aproximou a extremidade pontiaguda de sua arma cortante contra meu braço e riu, da mesma forma que riu em meu sonho.

Tic, tac.

-Não se preocupe, você não irá sofrer... Muito. - Quando terminou a fala, ele moveu o braço tão rápido que não consegui pensar em nada.

Tic, tac, tic, tac.

A lâmina tocou os dedos da minha mão com seu gume e como se não houvesse ossos ali, separou minhas falanges de meu punho. Eu gritei. Não consigo descrever a dor, mas ardia, sentia o sangue sair do meu corpo. Não demorou muito até o gume encontrar meu antebraço, logo depois meu ombro, o meu outro punho. Eu apenas uivava de dor, sentindo a agonia de perder meus membros um por um, parte por parte, pedaço por pedaço.

Tic, tac, tic, tac, tic, tac.

O relógio pareceu acelerar. Alves estava coberto com meu sangue, eu olhei fixamente para seus olhos, que agora irradiavam um tom verde-musgo. Eu estava em fúria. Alves estava parado na minha frente, com a ponta de sua arma sobre minha barriga, pronto para perfura-la, quando senti uma queimação na boca do meu estomago.

Tic,tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac.

Uma luz. Verde-ciano, que parecia surgir do sangue que eu havia derramado, por um minuto eu senti a sua lamina no meu estomago, mas em seguida, não havia lâmina. Quando ela rasgou minhas roupas, e tocou minha pele, não havia mais o que tocar. A extensão de seu braço estava se oxidando e degradando, até não restar absolutamente nada, quanto mais ele tentava penetrar minha epiderme, mais rápido aquilo se alastrava.

O relógio acelerou a um ritmo frenético que não conseguia mais acompanhar com os meus ouvidos. Mas meu sangue parou de jorrar como se essa parte estivesse congelada.

Olhei para Alves, sua face de soberbia havia desaparecido, dando lugar ao desespero. Foi quando eu percebi que o aço produzido pelo corpo dele não era a única coisa em degradação, mas sim, ele inteiro. Primeiro suas roupas, que depois de alguns segundos não passaram de uma pilha de poeira no chão, deixando o homem ali, completamente nu.

Depois seu corpo que começou a envelhecer, como se ele fosse uma esponja que absorvia anos de vida, milésimo após milésimo. Olhei em seus olhos, e enxerguei o exato momento em que a vida os deixou, então não havia mais nada, exceto uma pilha de poeira e ossos metálicos completamente enferrujados.

O sangue parecia estar pulando do chão de volta para meu corpo, gota à gota, litro por litro, assim como os membros que estavam no chão, a dor era tão intensa ao religar cada terminação nervosa quanto fora para separa-las. Eu não respirava.

Cada parte em seu devido lugar.

Tic, tac.

O relógio parecia ter voltado ao normal.

Tic, tac.

Eu desmaiei.

16 de Dezembro de 2019 às 19:57 0 Denunciar Insira 2
Leia o próximo capítulo II - O passado, o presente e o futuro

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