Gleipnir, Brisingamen e Outros Artefatos Nórdicos para Apaixonados Seguir história

boaswain uanine oliveira

Pelos nove reinos, Jinyoung e Yugyeom eram vistos como seres totalmente opostos, o mais velho era um Deus, o outro apenas uma besta amaldiçoada, e por isso os dois estavam destinados a serem inimigos mortais. O que ninguém sabia era do romance secreto que eles tinham e dos presentes que costumavam trocar para que pudessem lembrar do amor que sentiam quando tivessem que, dia após dia, fingir que se odiavam.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Um gole de Hidromel em troca de um beijo seu

Yugyeom sentia-se mais sozinho do que nunca no verão. Sabia que sempre teria a vida a qual estava destinado; a solidão era sua melhor amiga e perpétua companheira, mas o garoto nunca se contentara com o destino que nunca pôde contestar. Seu único dever era focar toda a sua força juvenil na tarefa, por vezes fácil demais, de manter Midgard unida. Agora a razão de se sentir sempre tão mais solitário nos verões, nem ele mesmo sabia. Talvez fosse o fato da correria entre Sol e Skoll ficar ainda mais intensa, rasgando o céu rapidamente em uma intensa repetição de dias e noites. Era engraçado porque os dois sempre se odiaram e viviam como arqui-inimigos, mas estavam sempre juntos. Dias e noites, não importava o quê. Ou talvez fosse todo aquele isolamento desnecessário que servia para “proteger os deuses dos monstros que Loki criou” mas acabava apenas protegendo o “monstro” dos Deuses. Yugyeom nem se sentia como um monstro, estava mais para um semideus franzino e medroso. Por fim, talvez fosse apenas o sentimento de estar preso em correntes macias que o apertavam toda vez que tentava escapar do arrocho delas.

Fenrir o odiaria por fazer essa comparação, o irmão mais velho sempre fora muito apegado às palavras. Yugyeom quase conseguia o imaginar rosnando e começando a mesma velha história de como se livrou das correntes. Mas não era de Gleipnir que Yugyeom estava se referindo. Suas metáforas sempre foram bem mais intensas do que as profecias das outras criaturas, mas, para ele, existia um artefato ainda mais poderoso, belo e torturante do que as correntes que prenderam o irmão mais velho por tanto tempo na gruta. E essa corrente se chamava amor.

No verão, a deusa do amor, Freyja, jogava uma chuva de romance em cima dos casados e fazia todos os belos casais dançarem no salão do Valaskjálf, próximos e exalando paixão, como era o certo. O verão era o momento para os apaixonados estarem juntos e celebrando, por isso Yugyeom se sentia sozinho. Dizer isso era até contraditório, pois assim que nascera fora tirado dos braços protetores da mãe e dos olhos carinhosos do pai, capturado por Odin e jogado numa maldição eterna de pura solidão. Todavia, estar sozinho nunca o pareceu tão ruim até ele saber o que significava estar com alguém.

Assim passava os verões — lembrando de toques quentes que só teria no inverno. Toques proibidos, inquilinos e que atiçavam sua pele ofídica da maneira como não deveriam.

Mergulhava fortemente em seus fluxos de pensamentos já que não havia nem possibilidade de outras coisas a se fazer naquela ilha deserta. Ser filho do Deus da Trapaça não era nenhum pouco fácil; a verdade era que a culpa de Yugyeom estar ali era de Loki, mas ele não havia sido quem o colocara lá. Complicado. Seu pai sempre deixou óbvio o quanto amava ele e seus irmãos, mas sua fama trapaceira fez com que Odin preferisse isolar seus filhos do que deixá-los à mercê da educação duvidosa que Loki os daria. Fenrir, ou simplesmente Jaebum, tinha a forma monstruosa de um lobo gigante, e tinha sido sentenciado a uma vida inteira amarrado por correntes que apertavam mais a cada tentativa deste de escapar. Hela, a irmã mais nova que ele gostava muito mais de chamar de Hwasa, ganhara o trono do Helheim e agora era uma Deusa forte e soberana.

Outra parte difícil, era ser filho de uma giganta. Não que não gostasse da sua mãe, amava a tom azul natural de sua pele e seus cabelos ruivos e longos, e, além disso, admirava muito a sabedoria dela. A única coisa negativa era seus encontros com a atual esposa de seu pai, Sigyn, a Deusa da Fidelidade; as duas não se gostavam nenhum pouco e quase sempre partiam para o uso de magia quando as palavras de baixo calão já não as satisfazia. Ainda era engraçado ver o pai apartando as duas, de camarote, junto aos irmãos.

Seria bom se a briga entre a mãe a madrasta fosse a única coisa com que Yugyeom precisava se preocupar.

— Devaneios adolescentes.

Surpreendido, Yugyeom virou-se no sentindo da voz rouca que ouvira, largando os gravetos que antes usava para se distrair enquanto rabiscava na areia da praia. Encontrou o tio, Jinyoung, em suas vestes perfeitas e másculas de Deus do Trovão. Era alto e bonito, como sempre fora, e mantinha aquele sorriso debochado no rosto de quem sempre sai vencedor em todas as suas batalhas (o que era verdade).

A aparência estonteante do homem fazia Yugyeom bambear e borboletas voarem no seu estômago, mas ele tinha que sempre manter um teatro bobo com medo de estar sendo vigiado de cima, por Odin ou Heimdall, ou ainda pior, por seu pai, Loki.

Há um certo tempo, havia deixado a briga lendária que tinha com o tio para que pudessem virar amantes. Quando os dois tinham passado de arqui-inimigos para namorados secretos era uma das coisas que Jormungand não sabia responder, apenas reconhecia o sentimento que nutria por Jinyoung como amor e sofria por amar um homem tão impossível para si. Além de casado com uma deusa guerreira, ele era, ainda por cima, o Todo Poderoso, amado e impávido filho de Odin. Aquele a quem Yugyeom deveria um dia matar ou se deixar ser morto. O grande e digno Thor.

Por quem seu coração batia mais rápido, seus olhos brilhavam com mais intensidade, sua mente clamava em desespero.

— Deixe esse mundo ou se arrependerá, Deus do Trovão — rugiu, expressando raiva.

Jinyoung riu graciosamente, descansando o Mjolnir na areia e sentando-se despreocupadamente na mesma, apoiando o cotovelo no cabo do martelo. O olhar profundo grudado na aparência jovem do filho de seu irmão de criação. Quando mirava Yugyeom, não conseguia ver um monstro ou besta, como todos falavam entre os nove reinos, apenas enxergava um belo rapaz com um coração destemido.

— Ele não está nos vendo, bobinho — debochou, rindo da expressão aliviada do ruivo quando o ouviu dizer aquelas palavras. Antes que pudesse perceber, o mais novo já estava agarrado ao seu corpo, o apertando apaixonadamente. Embora não quisesse derramar a bebida de seu copo, Jinyoung fechou os olhos e apenas o abraçou de volta. Seus braços fortes apertavam o garoto como se o prendessem de forma macia, quase como o Gleipnir fazia, reforçando o arrocho se Yugyeom quisesse escapar de si. — Senti a sua falta.

— Eu também — sorriu Jormungand, extasiado e absorto na presença e calor do tio. Respirava seu perfume como se fosse oxigênio, sentia sua pele como se fosse a temperatura natural do seu corpo. — O que está fazendo aqui? É verão, não deveria estar com Sif?

Thor fez uma careta ao ouvir o nome da esposa sair daqueles lábios rosados e puros. Algumas vezes esquecia de quem Yugyeom realmente era, por debaixo da grande força e da aparência gigantesca, assim como horrendamente monstruosa, que ele poderia adquirir; existia um menino frágil, sensível e inseguro. Jinyoung amava tudo isso nele — a maneira sútil como ele oscilava entre suas duas personalidades bem distintas. Era um privilégio ter acesso às duas.

— Corrija-me se eu estiver errado, mas diz-se que amantes ficam com amantes no verão — disse, entrelaçando seus dedos com os dedos do ruivo de forma carinhosa. Yugyeom aproximou-se sorrateiramente do tio, disposto a beijá-lo, quando uma luminosidade exacerbada cortou o céu da manhã, fazendo-os rir. — Eles não se cansam.

— Nós também não — o mais novo salientou, aconchegando-se nos braços do seu querido amor proibido. Era o melhor lugar para se estar, mesmo que aquela ilha deserta, cercada apenas pelas águas midgardianas, lembrasse constantemente a solidão em que Yugyeom vivia, enquanto era segurado pelo Deus do Trovão, sentia-se menos só. Mais completo. — Como estão as coisas em Asgard?

— Quer mesmo falar sobre isso?

Yugyeom corou, sorrindo e levando o mais velho a perder-se no seu sorriso bonito. Negou rapidamente, mordendo os lábios.

— Quero um gole do seu hidromel.

— Um gole de hidromel em troca de um beijo seu.

A barganha de Thor animou o ruivo, fazendo com que se aproximasse mais ainda do asgardiano bonito ao seu lado e selasse seus lábios com calmaria e paixão. Yugyeom nunca conseguia não sorrir entre beijos com Jinyoung, sempre sentia-se extasiado de felicidade ao passar tempo do lado do Deus do Trovão, não conseguia se aguentar. Grudou as mãos na face do mais velho, curvando-se sobre ele e aprofundando o beijo. Não demorou muito e o cabelo de Jinyoung era uma mistura de nós, dedos e areia. A força que usava para tocar a pele tão singular de Yugyeom era na intensidade perfeita para roubar arfares leves do garoto ruivo; conhecia o corpo deste. Era a obra mais perfeita dos Deuses. Seus lábios continham um gosto salgado maravilhoso e sua língua sempre distraía o mais velho, deixando-o fora do ar por alguns instantes.

— Ainda quero minha bebida — murmurou, afastando-se enquanto levava o lábio inferior do Deus do Trovão consigo. Deixou escapar aquele sorriso sapeca, pegando o copo e bebendo, sedento, o hidromel que ali continha. Suspirou, satisfeito, sentindo a brisa alisar seus cabelos junto a mão de Jinyoung. — Sua esposa o odeia.

Yugyeom dizia esse tipo de coisa sem se dar conta do peso que suas palavras podiam causar, mas Thor preferia apenas ignorá-lo, já acostumado com a maneira direta do ruivo expor os pensamentos. No fundo, era apenas sua insegurança falando mais alto e bem mais agressiva, mas a verdade era que Sif realmente odiaria Jinyoung se descobrisse de seu caso extraconjugal com o monstro que diz ser seu inimigo. Ainda assim, Jinyoung não se importaria — poderia, talvez, ser o mais reservado naquela relação, mas estava caído de amores por Yugyeom e não sabia como ninguém ainda não tinha percebido pois sempre andava com o sorriso estampado enormemente no rosto ao lembrar do garoto.

— Sif está bem, ela anda ocupada com os treinamentos de Lorride e Thrud, e, é claro, caçando seu pai pelos nove reinos — começou, suavemente. — Desde que Hwasa deixou o Helheim, Loki tem estado bem agitado.

— Ela sempre foi a favorita dele — Yugyeom adicionou, sentando-se para dar mais atenção ao discurso do loiro.

— E ela não... Sif não me odeia, Yugy — disse, usando o apelido para não acabar soando da maneira errada. — Ela é uma boa mulher, uma boa mãe, só não é o amor da minha vida, porque este é você.

— Jinyoung... — relutou o mais novo, impedindo que o tio continuasse com as declarações.

Não gostava dos momentos em que começavam a falar demais e acabavam discutindo da maldade do destino. Nenhum dos dois sabia quanto tempo mais permaneceriam juntos — se ninguém os descobrisse, poderiam viver limitadamente felizes até o Ragnarök, a lendária batalha final entre os Deuses, onde matariam um ao outro. Este era o seu destino, afinal, não podiam fugir dele.

Acontece que Jinyoung era um teimoso que achava que por andar por aí com um martelo que voa podia fazer o que quisesse, e sempre tentava caçar um jeito de fugir do futuro certo. Yugyeom era mais realista, passara a vida toda tentando fugir de quem era para sempre encontrar a verdade dolorosa. Ele não queria outra realidade, apenas queria deixar esta melhor.

Outra coisa era quando o Deus do Trovão desatava a falar sobre a família, os filhos e esposa, mesmo que a intenção fosse apenas entreter o mais novo, Yugyeom começava a usar os traços paternos mais marcantes em si — o sarcasmo e o deboche, e logo estavam brigando outra vez.

Entre brigas reais e falsas, olhares de raiva e desprezo, palavras pesadas e ofensivas, mas sempre acompanhadas de toques gentis, beijos suaves e sorrisos verdadeiros.

Jinyoung segurou a mão do mais novo e se aproximou dele devagar.

— Trouxe uma coisa para você — murmurou contra o pescoço do ruivo.

— Uma coisa? Para mim? — perguntou, desconfiado. — Você é o pior em dar presentes.

— Você vai gostar deste.

O loiro virou-se rapidamente, tirando de um dos bolsos internos de seu casaco grosso, uma joia familiar para Yugyeom. Era um emaranhado lindo de correntes douradas e pedras preciosas minimalistas lapidadas perfeitamente, com uma grande peça de âmbar no meio. Era a coisa mais linda de todos os nove reinos, o Brisingamen, colar da deusa Freyja. Os olhos de Jormungand saltaram para fora e ele se deteve antes de tocar no artefato.

— Você roubou?

Segurando um sorriso orgulhoso nos lábios, Thor afirmou com um aceno leve de cabeça e logo em seguida foi acertado no ombro com um tapa vindo do garoto maior que si. Ele forçou uma careta engraçada de dor, alisando o local em que fora atingido.

— Um “obrigado” seria melhor — brincou, caindo na gargalhada por observar a face ainda surpresa de Yugyeom. — Não quer experimentar?

— Você roubou o Brisingamen de Freyja? De verdade?

— Fica melhor em você — disse, apenas.

— Me apaixonei por um deus louco.

Jinyoung acabou por rir, mas atou o colar no pescoço de Yugyeom com uma delicadeza que não usava em outros momentos senão quando estava com ele. Quando finalmente conseguiu fechar o Brisingamen, esperou que o ruivo virasse para si, mostrando sua beleza e mais aquele brilhoso acessório realçando sua realeza.

Era puramente bonito. Não era monstro nenhum, como diziam nos outros reinos; Yugyeom era lindo — o que fez crescer um sorriso bobo nos lábios do Deus do Trovão.

— Como ficou? — questionou o ruivo, tocando delicadamente as pedras da joia.

— Eu poderia ficar olhando para você por toda uma eternidade — confessou, puxando-o pela cintura para mais uma rodada de beijos molhados, salgados, agressivos e apaixonados.

Quando estavam juntos era sempre uma explosão intensa de sentimentos guardados petrificados dentro de cada um por saudade e distância, e, mais do que tudo, precaução. Jinyoung tinha Sif, e anda tinha seus filhos e uma legião de admiradores para agradar, não podia largar tudo para se entregar a um amor que seria julgado pelos Deuses, e Yugyeom entendia porque mesmo que ele mesmo não fosse isso tudo que Thor era, também não podia simplesmente abandonar Midgard e fugir com o amado. Loki, seu pai, iria odiá-lo se o fizesse.

Fora do olhar de Odin, os dois se amavam mais do que necessário, apenas para prolongar a sensação boa que era amar e ser amado. Estava óbvio que era proibido, errado e fora dos padrões, mas isso pouco importava. Quanto mais brigassem e se ferissem, mais arduamente poderiam estar juntos.

— Você tem gosto de hidromel — o loiro sorriu, saboreando os lábios do outro.

— Me conta como eu estou conseguindo usar o Brisingamen e não destruir o verão — provocou, desafiando o Deus a parar de beijá-lo. Apesar de relutante, Jinyoung acabou rendendo-se.

— Talvez sua irmã tenha me ajudado. Eu disse a ela que era uma surpresa para Sif, ela criou uma ilusão e eu troquei as peças. Ela ainda me deu isso — concluiu, mostrando o anel que usava no dedo médio esquerdo.

— É o Evighet? — murmurou, surpreso encarando o artefato nas mãos de Jinyoung. O loiro afirmou com um meneio simples. — Como sabe que não é uma ilusão?

— Eu não sei.

Diz a lenda que Hela criou um anel capaz de guiá-la por Midgard para achar sua alma gêmea, quando o anel na mão de quem o usa se aproxima do amor verdadeiro, ele se duplica e se encaixa no dedo do outro. Hela nunca teve a sorte de achar alguém, por isso guardou o anel criado no fundo do Helheim. Surpreendentemente, quando Jinyoung pegou a mão de Yugyeom e a aproximou da sua, uma luz dourada intensa circundou seu dedo médio e um outro anel, idêntico, apareceu no lugar do lume.

Os olhos escuros do Deus do Trovão também se arregalaram um pouco, mas ele logo sorria, como sempre, confiante, para o ruivo na sua frente.

Para Jormungand, aquilo só podia significar uma coisa: sua irmã mais nova sabia de seu caso secreto com o tio. Aquilo fez com que Yugyeom sentisse um frio na espinha, com medo até da proximidade que Hwasa tinha com o pai. E se ela contasse? E se estivessem os assistindo agora? Apesar do anel dizer claramente que Jinyoung o pertencia verdadeiramente, não era como se ele já tivesse se acostumado a incerteza constante que era amar o Deus do Trovão.

— Ela sabe — Yugyeom sussurrou, tremendo perceptivelmente.

— Todos conseguem ver que fomos feitos um para o outro, Jormungand.

As bochechas ganharam um tom mais avermelhado por ser chamado pelo seu nome nórdico, mas não reduzia o nervosismo do garoto, encarando a joia em seu dedo.

— Feitos para odiarmos um ao outro, você quis dizer — emburrou, fungando. — Nós não vamos dar certo, Jinyoung.

Contrariado, o mais velho sorriu e mirou as águas que os cercavam, uma ondulação bonita e brilhante pela manhã. Sabia como o ruivo se sentia, era bem perceptível e dedutível como alguém inseguro deveria se sentir ao viver um amor proibido. Mas Jinyoung amava. Não amava, ele simplesmente amava Yugyeom, verdadeiramente. Faria tudo pelo mais novo, até mesmo se mudar para o Svartalfheim. Estava apaixonado, como mostrava o anel mágico.

Outras coisas denunciavam o quanto Thor fazia pela sua serpente midgardiana — fugia do Pai de Todos, enganava os amigos, traía a esposa, mentia aos filhos, escapava, dava um jeito. Não aguentava ficar muito tempo sem ter Yugyeom em seus braços; era sempre cuidadoso, mas sempre desesperado pela boca do mais novo. Estava naquele jogo para se machucar, e adorava se machucar por conta do que sentia por Yugyeom. Era ainda mais heroico do que lutar em batalhas.

Segurou os dedos finos do ruivo entre os deus, apertando-os carinhosamente e virou-se para olhá-lo profundamente. Amava a face deste, ainda mais assim — emburrado, lindo.

— Hela só descobriu o que você ainda insiste em se negar, Yugyeom. Nós somos como almas gêmeas e ficaremos juntos, não importa a circunstância.

— Mas o Ragnarök-

Foi interrompido pelo gesto repentino do Deus do Trovão que puxou sua mão para um beijo casto, mas cheio de significados. Os olhos de Thor eram profundos e desconcertantes, faziam com que as borboletas no estômago do ruivo aumentassem, mesmo que já tivesse sido enxergado de todas as formas possíveis através daqueles orbes negras. O que dizia não era nenhuma mentira, não sabiam quanto tempo teriam até a batalha final, mas Yugyeom já adiantava que não teria forças para matar Jinyoung.

O mais novo era um romântico incurável, descartava todas as inúmeras variáveis daquela relação apenas para ter momentos de carinho ao lado do Deus do Trovão. Mesmo que devessem ser inimigos, mesmo que Odin e Loki fossem odiar aquele relacionamento, mesmo que estivessem destinados a se matarem e mesmo que Hela, a Rainha da Morte, agora soubesse do segredo dos dois, Yugyeom apenas queria aproveitar a sensação libertadora de pertencer a Jinyoung.

— Se Hela contar...

— Bem, já está na hora de alguém ter coragem o suficiente para assumir, não é?

Yugyeom revirou os olhos, puxando sua mão e bufando.

— Não brinque com isso, Thor! Ora, quer começar o Ragnarök mais cedo? — resmungou.

— Quer me ver batalhando pelo teu amor? — replicou o Deus, aproximando-se outra vez do ruivo. — Jor, olhe para mim.

Contrariado, Yugyeom virou-se na direção do tio, postando seus olhos atentos na face deste, centímetros perto de si. Os lábios tremiam para beijá-lo e as mãos suavam para tocá-lo. Era divinamente bonito e parcialmente seu. Lentamente, a boca de Jinyoung se encostou na sua, obrigando-o a fechar os olhos e o impulsionando a pousar a mão no rosto do loiro, entregando-se ao beijo apaixonado dos dois.

Amava muito, amava demais, ama ardentemente a Jinyoung.

— Eu o amo — sussurrou após uma mordida singela.

Sorrindo, satisfeito, o Deus do Trovão passou a mão pelas coxas do mais novo, agarrando com força a mão deste e encostando as joias prateadas envolta de seus dedos e observando as faíscas roseadas que essas soltavam. Não precisavam mais ter que provar algo para si mesmo, estava mais claro do que nunca agora, com Yugyeom usando o Brisingamen, preso por seu amor por Thor pelo Gleipnir e abençoado com a verdade pelo Evighet: eles dois eram almas gêmeas e se amariam até o fim dos tempos.

— Até que a morte nos separe — disse Jinyoung, suavemente. — E, pelo visto, ela não quer nos separar.

15 de Dezembro de 2019 às 19:27 0 Denunciar Insira 0
Fim

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uanine oliveira i was a little bit lost, but i'm not anymore

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