eltonlucas495 Elton Lucas

Ao voltar para casa, Artur irá encontrar Clarice, uma vampira. Ela irá contar a ele sobre a verdade há muito tempo escondida: Artur possui sangue vampiro em suas veias, e existe um grupo secreto interessado em matá-lo.


Horror Literatura monstro Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#terror #monstro #vampiro
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20 horas e 41 minutos

Artur notou o quão bonito o céu estava ao caminhar. A brilhante lua sempre o fascinou, não só ela mas também o brilho das estrelas deixavam a noite muito bela. Quando era criança sempre ficava acordado até tarde, às vezes nem conseguia dormir. Ao olhar para o céu noturno lembrou-se de uma das poucas memórias de infância que ainda guardava consigo: o dia em que a sua mãe decidiu contar uma história pela primeira vez.

— Artur! — era sua mamãe, bonita como sempre, especialmente os olhos, tão verdes quanto esmeralda. — Filho, quantas vezes eu vou ter que te falar que ficar acordado a noite toda é prejudicial para você? — ela sempre falou com ele com uma voz doce e suave.

— Ah, mãe! É que é muito bonito, o céu. — Artur, quando menor, tivera o desejo de se tornar um astronauta para explorar o espaço e descobrir os mistérios do universo.

— Eu sei que é, mas você tem que entender que nós, pais, falamos isso querendo o melhor para você.

Ele a olhou entristecido e respondeu:

— Certo! Vou dormir.

Olhando-o ela teve uma ideia.

— Que tal uma história antes de dormir?

Já deitado, completamente coberto, virou-se confuso.

— Uma história? Por quê?

— Por que não? Você não gosta de histórias?

— Sim, porém é que a senhora nunca me contou nenhuma história. É o pai que conta as histórias. — Artur sempre ouvia as histórias do pai, sempre após o jantar eles, pai, mãe e filho, reuniam-se na sala de estar para ouvir o que ele tinha a dizer. Ora contava histórias de acontecimentos reais, ora contava histórias fictícias; Artur sempre preferiu escutar a ficção à realidade.

Ela se aproximou, sentou-se na cama, mostrou-o um belo sorriso e disse:

— Você está certo! Mas seu pai não está aqui e eu também sou capaz de contar histórias, boas histórias.

Artur pensou um pouco antes de responder.

— Eu acho que sim. — colocou um sorriso enorme na cara e falou: — Mãe, eu adoraria ouvir sua história.

E essa é a última coisa que se lembra daquele dia. Bons tempos, pensou.

Estava cada vez mais próximo de casa, ao olhar em volta achou estranho ver a rua tão deserta. Geralmente as crianças brincam até altas horas da noite, mas não hoje. E essa não era a única coisa anormal, também tem o fato de que não viu o senhor Paulo vendendo churros e nem a senhora Ana vendendo seus vasos caseiros. Eles sempre se demonstram como um casal bem amigável, sempre com um sorriso no rosto.

Artur ainda recorda da única vez que entrou na casa deles. Casinha pequena, amarela por fora e azul por dentro. Pelo que ele lembra ela estava bem conservada, andou nela por inteiro e não viu sujeira ou coisa do tipo. Ele ficou maravilhado com a estante deles, cheia de livros e quadrinhos. Paulo contou a Artur que era fascinado por ficção científica, sempre que podia comprava algo relacionado ao tema. Muito dos livros dele já haviam sido adaptados para o cinema. Ana, por outro lado, mostrou-se muito fã de livros biográficos e de livros de sociologia. Ela inclusive presenteou Artur com um livro que contava a história de uma autora de livros infantis, ele ainda o possui. Ao ser questionado a cerca dos quadrinhos, o senhor Paulo Ferreira dizia que eram das crianças. Artur ficou curioso a respeito delas.

— Bem. Eles se foram. — disse a senhora Ferreira.

— Como assim? — Artur ficou confuso e ainda mais curioso. Para ele era algo incompreensível ir embora e deixar algo tão valioso como quadrinhos para trás.

— Artur…. — o senhor Ferreira aproximou-se. — Como eu posso dizer isso. — colocou a mão esquerda no ombro do garoto. Ao mirar em Ana, notou Artur que ela apresentou tristeza em seu semblante.

— Eles partiram e não vão voltar mais. — ele falou aquilo com um pesar na voz.

Artur não tinha entendido aquilo na época, mas agora entende. Relembrar aquele dia só o fazia ficar triste. Alguns anos depois, Paulo o entregou alguns quadrinhos e livros, 12 no total, 6 de cada. Ele lia-os com um sorriso no rosto, especialmente os quadrinhos. Eram sobre monstros (vampiros, lobisomens, etc.) e os livros sobre assuntos relacionados à escola.

Enfim chegou, lar doce lar. Tudo do jeito que ele esperava. Algumas roupas sujas no chão, essas que ele prometeu a sua mãe que seriam lavadas, na semana passada. Livros que ele pegou emprestado e ainda não devolveu estavam na mesa da cozinha, assim como um caderno novo, com uma mancha de leite na capa, e uns biscoitos, carregados por umas formiguinhas aproveitadoras. Fora isso, a casa estava limpa, nem ele mesmo entendeu por que ainda não tinha lavado aquelas roupas e deixado de limpar a mesa.

Olhou no relógio, 20h33min. Ele normalmente leva mais tempo para chegar em casa. Sentou à mesa da cozinha e ligou para mãe, estava com saudades, dela e do pai. Joana e Carlos, seus respectivos nomes, tinham ido visitar os pais, os pais de ambos moravam próximos. Não conseguiu contatar a mãe, perguntou-se se algo aconteceu. Tentou o pai, o resultado foi o mesmo. Havia falado com os pais na manhã anterior, eles haviam saído, visitar uma floresta próxima. Será que estão bem? questionou-se, porém tentou tirar a preocupação da mente e foi tomar banho.

Subiu as escadas e em direção ao quarto foi; ao entrar a avistou: uma jovem sentada na sua cama. Ela olhou-o, olhou-o com seus olhos avermelhados. Quando os olhos de ambos se encontraram, Artur sentiu um friozinho na barriga, talvez pela primeira vez. Dentro de si ele queria desviar o olhar, mas não conseguiu, como se tivesse sido hipnotizado. No entanto, reparou que aqueles olhos avermelhados não eram só unicamente assustadores mas também deveras bonitos. Após o contato visual inicia-se o contato verbal.

— Olá, Artur. — falou, apresentando-o uma vez calma e bela.

Deveria responder, porém não conseguia. Artur dificilmente falava com as mulheres da idade dele, geralmente apenas para pedir algum tipo de informação; e na escola as meninas nunca se importaram com ele, sempre invisível para elas, por isso ele fez o favor de nunca incomodá-las.

— Precisamos conversar. É algo de extrema importância. — a mulher misteriosa sorriu, e então percebeu Artur aquelas presas.

19 de Junho de 2020 às 12:25 0 Denunciar Insira Seguir história
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