Antes da guerra Seguir história

renkyou renkyou

A batalha final se aproxima. A morte se torna uma possibilidade. Um caso de amor mal resolvido. Juntos se tornam fantasmas que assombram dois amantes. Camus e Milo detém em suas mãos um momento que pode vir a ser o último em que estarão juntos.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#guerra #CamuseMilo #camilo #milo #miro #camus #cdz
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Em uma madrugada fria

Dedicada a Lopa💜

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A típica calmaria antes da tempestade se instalou pelas paredes do castelo em um silêncio mórbido, alcançando Camus e seus pensamentos. Sozinho na sacada observando o céu, sua mente o levava ao dia de amanhã. A vitória que teria que ser conquistada de qualquer forma, independente de quantos sacrifícios teriam que ser feitos, pois uma guerra é isso, sacrificar-se em nome de alguma coisa. Essa guerra, era em nome da paz que a rainha Atena tanto desejava.

Para Camus, e provavelmente para muitos outros, essa paz que já desencadeava tantos sacrifícios era como um belo sonho, que ninguém sabia se tornaria-se realidade naquela época. Talvez a próxima geração viesse a desfrutar dela, então as crianças poderão brincar pelas ruas, as moças irão passear pelos campos e colher flores, os homens trabalharão e os idosos sentaram-se ao sol da manhã, todos sem medo de serem mortos ou levados em algum ataque inimigo. Tal coisa que não se via hoje pelas doze cidades, as ruas eram vazias, os cidadãos tinham medo de saírem de suas casas.

Como general do exército, Camus podia sentir o peso em suas costas, a responsabilidade de guiar todos os soldados a glória ou a morte. Aquele peso que sempre carregou desde que preencheu aquele cargo a vários anos nunca pareceu tão pesado como atualmente. Cogitava que os outros generais dispostos nos quartos ao lado, sentiam a mesma coisa. Estavam reunidos na cidade sede a ordem da rainha, preparados para a luta que viria até eles em seus portões.

— Camus?

Seu nome sendo chamado em meio aquele silêncio pareceu ecoar pelos cantos, a voz já lhe era bem familiar. Uma última olhada para o céu escuro daquela noite e Camus abandonou a sacada para ir ao quarto, encontrando em pé perto de sua cama quem esperava ver. Milo com seus olhos azuis o fitava quase sem piscar, e por seus cabelos bagunçados chutava que ele estava dormindo a pouco, ou tentando talvez. Esperava por essa conversa, obviamente, mas não durante uma madrugada fria como aquela.

— Os guardas deixaram que entrasse?

— Suponho que eles nem sonham que estou aqui.

Milo era excepcional em suas habilidades, então Camus não estava tão surpreso que ele houvesse conseguido entrar em seu quarto sem ser notado pelos guardas na porta. Na verdade, já fizera isso algumas vezes e nunca revelava como conseguia tal proeza.

— Deveria estar descansando para a batalha de amanhã, Milo e não entrando às escondidas em meus aposentos. — Disse, mesmo sabendo que não adiantaria em nada bronquear com o outro a aquela altura.

Ele já estava ali e não iria embora sem antes dizer o que queria. Por isso sentou-se na beira da cama, perto de onde Milo estava, pronto para ouvi-lo.

— Pensei muito e cheguei a conclusão de que esta pode ser a última vez que nós vemos, todos nós, talvez em breve novos generais assumiram nossos posto. — Milo se deu uma pausa, escolhia com cautela suas próximas palavras a serem ditas. — Eu queria te ver e não sei o que esperar disso.

Camus via a sinceridade em suas palavras, e também a situação atual em que estavam. Eram dois amantes tendo uma última chance de se acertarem, de ceder aquele orgulho ridículo enraizado. Era sua vez de falar, mas o que dizer? Havia tantas coisas que guardou por anos, presas em seu coração, que sentia-se perdido nelas.


— Já faz tanto tempo que não nós falamos de verdade, que nem sei o que te dizer agora. — Já faz tanto tempo que não nós falamos de verdade, que nem sei o que te dizer agora.

— Já faz tanto tempo que não nós falamos de verdade, que nem sei o que te dizer agora. — Levantou seu olhar encontrando o de Milo. — Mas, não sou o tipo de homem que mente tão descaradamente, então, acredite quando digo que estou feliz que tenha vindo aqui. — Levantou seu olhar encontrando o de Milo. — Mas, não sou o tipo de homem que mente tão descaradamente, então, acredite quando digo que estou feliz que tenha vindo aqui.

— Amanhã será o dia que definirá a vida de todos desse reino para sempre, não consigo tirar esse fato dos meus pensamentos. Assim como não consigo parar de pensar na última vez que estivemos sozinhos em um mesmo cômodo...

— Sei como é Milo, quando se está prestes a encarar a morte toda a sua vida passa diante de você, o lembrando de suas pendências.

Camus pode notar a mudança no clima entre eles, o passado doía não só em um dos generais. Um amor mal resolvido que os assombra, e que agora, devia de ter um rumo definido.

— Nunca resolvemos a nossa pendência, aquela discussão que nós afastou nunca teve uma palavra final. Ah, Camus, eu quis achar um culpado para tudo o que aconteceu por vários meses, mas no final, não consegui te culpar e nem a mim, nem a nossa posição.

— Nós nos envolvemos, caímos várias vezes até que não se deu mais para se levantar.

Eram palavras duras, mas que precisavam ser ditas, a verdade não era doce, amargava a garganta e deixava Camus com a boca seca. A mão de Milo pendia ao lado de seu corpo, queria segurá-la, mostrar algum apoio que seria mútuo, mas isso parecia de uma realidade não atual, e sim de uma onde ambos teriam se mantido juntos apesar de todos os desafios que ser um comandante exigia.

— Será que ainda temos a chance de nos levantarmos uma vez mais?

A pergunta de Milo pairou no ar, pela primeira vez desde que chegou ali, demonstrou um sentimento de tristeza visível em seus olhos, o mesmo que Camus tentava esconder. Foram, por tanto tempo, dois homens fingindo sentirem qualquer outra coisa um pelo apenas para esconderem seus reais sentimentos. Não se odiavam, sempre esteve explícito. Ambos esperavam que o outro tomasse uma decisão, e por isso, sempre esperando que o outro fizesse algo acabaram por se afastarem ainda mais. Camus se sentia o maior dos imbecis, tiveram inúmeras chances de ter feito alguma coisa e simplesmente as ignorou por orgulho.

E agora lá estava Milo dando o passo, tomando a decisão. O amava tanto que chegava a apertar o peito, e não importava que o dia de amanhã viesse a ser o seu fim, Camus só queria um último momento, como uma redenção, Milo parecia procurar e pensar da mesma maneira.

— Nós merecemos nos levantarmos mais uma vez, mesmo que seja por essas meras horas que possa vir a ser nossas últimas. — Se pôs de pé frente a Milo, gravando em sua memória cada detalhe de seu rosto. Suspirou, anestesiado pelo momento.

— Da forma que me olha me recordo de antes, quando nos conhecemos, Camus. Mas agora é diferente, muito diferente.

— Milo, se viermos a sobreviver tudo será ainda mais diferente, de uma forma boa, prometo. E você sabe que sempre cumpro minhas promessas a qualquer custo.

— Espero que possamos nos guiar a vitória, e desfrutar da paz, juntos. Seja aqui ou em outro mundo.

Camus levou uma de suas mãos até o rosto de Milo, sentindo a maciez de sua pele. Seus olhares estavam conectados, podiam sentir a essência, a alma, um do outro.

— Nós ficaremos, independente de onde. — Sussurrou, firme em levar aquela promessa consigo até os confins.

Sua mão deslizou até o pescoço de Milo, e inconscientemente se aproximaram um pouco mais, as respirações se mesclando e suas bocas perigosamente perto. Camus teve a sensação repentina de que seu corpo se esquentava a cada minuto, como se chamas o engolissem. Muito perto. O desejo queria lhe tomar os sentidos e lutar contra isso não estava sendo fácil.

Mas nunca faria nada sem o consentimento de Milo, e o fato do mesmo não demonstrar nada o deixava agoniado. Porém, esse dilema não durou muito, pois pegando Camus totalmente de surpresa, Milo se inclinou e selou seus lábios, as mãos dele agarraram sua cintura chocando seus corpos. Pode ouvir as batidas aceleradas do coração de seu amante, e tinha a certeza de que ele também pode ouvir a do seu. As vestes finais de dormir que usavam permitiam que sentissem um ao outro sobre o tecido, o calor que emanava de cada parte, a excitação.

A outra mão de Camus segurou-se no braço de Milo, uma de suas pernas se encaixou entre as do outro homem, e com uma certa pressa empurrou-o sobre a cama, em seguida deitando-se sobre ele tomando seus lábios em um novo beijo, dessa vez mais feroz. Suas costas foram agarradas pelas mãos dele, o puxando para mais junto de si. A fricção entre seus corpo se tornou intensa, soltavam gemidos e suspiros, as mentes tornavam-se nubladas pelo desejo que aumentava a cada toque. Mas antes que se entregassem um ao outro pelo que poderia ser a última vez, interromperam o ósculo e colaram suas testas.

Tanto Camus quanto Milo sabiam que palavras já não eram necessárias a aquela altura do momento, se entendiam perfeitamente de uma forma que não sabiam explicar. As promessas feitas naquele madrugada seriam lembradas pela manhã quando lutariam lado a lado não só por Atena ou pela paz, mas também para que pudessem voltar vivos e concretizar seu amor para o mundo.



N/A

Um agradecimento mais que especial a MarcellaJacksoon que me revisou essa oneshot❤️ Obrigada amore por sempre me ajudar!

8 de Dezembro de 2019 às 11:45 0 Denunciar Insira 1
Fim

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