Dark on me Seguir história

polly_nyah Polly Paiva

Esse sou eu. O eu que ninguém vê. Um eu ferido e cheio de medos. Um eu que somente Taehyung pode conhecer. Jeon JungKook. Um escritor fracassado que busca sua luz. xxx Fanfic também postada no Wattpad e Social Spirit. Favor não plagiar nem repostar! Música tema: Dark on me - Starset


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#378 #god #229 #ficção #medo #terror #lemon #blog #horror #mistério #bts #vkook #taekook
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11 de Maio

Sombrio, era assim que os dias vinham sendo desde então. A chuva fria não parava nunca, as calçadas continuavam molhadas e cobertas pelas folhas amareladas que caiam das árvores, pouco se podia ver o sol nessa temporada úmida, apesar do céu estar cinza me encanta muito esse clima, é realmente inspirador.

Faz pouco mais de três meses que me mudei para essa pequena cidade no interior de Seoul, e de alguma forma aqui eu me sinto em paz, é como estar em casa.

Meus coturnos pretos já estavam bem sujos, devido o tempo em que caminhei sem rumo pela cidade, o dia estava frio e bastante úmido, contudo isso era algo que me agradava.

Yoongi, meu amigo de bar estava me esperando no local de sempre para que pudéssemos conversar, acabou se tornando um habito bebermos juntos enquanto a chuva caia do lado de fora. Devo ressaltar que o Min tem sido meu único amigo depois de tanto tempo, as coisas finalmente estavam se ajeitando.

Mudei-me para essa cidade a procura de histórias, sou escritor de um blog e busco sempre inspirações em locais como esse, já que meu forte sempre foi suspense e terror. Eu só não contava em encontrar uma cidade tão calma, tão serena, parecia que nada de ruim acontecia por aqui e isso estava me frustrando de algum modo.

- Achei que não viria hoje. – Comentou o ruivo sorrindo enquanto secava um copo. Sentei-me no balcão de frente a ele.

- Uísque, por favor. – Murmurei me debruçando sobre o balcão.

- Você está péssimo Jeon, passou a noite acordado não foi? – Perguntou me entregando o copo com a bebida que pedi, sorri agradecendo.

- Não consigo criar nada já faz algum tempo, não posso ficar tanto tempo sem publicar algo. Vou acabar perdendo meus seguidores. – Desabafei enquanto fitava o gelo dançar em meu copo.

- Que convenhamos não são muitos, não é Jeon? – Brincou se afastando para atender outro cliente.

- Não enche Yoongi. – Resmunguei fazendo bico. Era algo automático da minha parte.

Apesar de não admitir meu amigo tinha razão, eu não tinha muitos seguidores, eram poucas as pessoas que liam minhas histórias de terror. Eu era um fracasso, o pior é que escrever é a única coisa na qual eu faço direito. Estou realmente encrencado. Se eu tivesse abandonado aquele curso de enfermagem que minha mãe pagou, estaria morando na rua. Não é algo com o qual sonhei para mim, mas por hora era minha única fonte de sustento, apesar de que trabalhar como enfermeiro em um manicômio não é nada legal. Entro em contato com minha mãe uma vez por mês apenas, a mesma me enche de perguntas sobre minha vida e isso sempre me irrita, nunca gostei de dar satisfações a ninguém, fora que nossa relação não é muito boa, e já faz um bom tempo.

O trabalho no manicômio, a falta de criatividade e essa calmaria da cidade estavam me sufocando, a bebida era a única coisa que me trazia calma ultimamente. Estava estressado, estava esgotado, estava desanimado, eu era um fracasso. Quem sentiria orgulho de mim?

Passei algumas horas no bar tentando esquecer o quão insignificante eu era e quando já não mais me aguentava de pé decidi que deveria voltar para aquela velharia que eu chamava de lar até então. Yoongi se ofereceu para me deixar “em casa” quando o bar fechasse, mas eu neguei, queria me deitar logo e dormir.

Aos tropeços em passos lentos segui pela calçada molhada, mãos enfiadas nos bolsos da jaqueta e cabelo bagunçado cobrindo-me os olhos. Uma leve brisa acariciava-me a face, mesmo com o céu encoberto por nuvens era possível se ver uma parte da lua, ela parecia bonita, apesar de um tanto desfocada por conta do álcool. Minha moradia estava perto, mas alguns minutos e eu estaria deitado esparramado pela cama, isso se algo incomum não tivesse me feito parar na metade do caminho. Próximo a algumas latas de lixo havia um velho livro de capa preta jogado no chão, somente por ser um livro eu resolvi parar, gosto muito de ler e o lugar de um livro de forma alguma é no lixo. Agachei-me devagar sentindo a cabeça latejar e apanhei o livro, que estava um tanto quanto úmido por conta da chuva de mais cedo, nada havia escrito na sua capa grossa, contudo fiquei curioso para saber o que era então o levei comigo para minha casa. Assim que cheguei fechei a porta de qualquer jeito e segui para o quarto, estava cansado e só queria dormir, joguei o livro no canto da cama e adormeci rapidamente. Lembro-me vagamente de acordar algumas vezes no meio da noite, acho que até me levantei e fui à cozinha, mas não me recordo do que eu fiz.

No dia seguinte quando abri os olhos levei um susto tão grande que cai da cama, havia um rapaz loiro de olhos negros, vestido de preto deitado do meu lado me encarando com a cabeça apoiada na mão. O até então estranho sorriu e então se sentou me olhando divertido. Levantei rapidamente tomando distancia dele.

- Quem é você? O que faz aqui na minha casa, no meu quarto? – Coloquei-me em modo de defesa caso ele tentasse fazer algo.

- Você me chamou, aqui estou. – Cruzou os braços me olhando de cima a baixo.

- Eu não faço idéia de quem é você então, por favor, saia daqui ou eu vou chamar a polícia! – Tentei o intimidar, porém o mesmo não demonstrou se importar com nada do que eu falava.

O rapaz se levantou e veio caminhando em passos lentos em minha direção, o mesmo estava descalço, notei nossa diferença de altura quando o mesmo parou poucos centímetros de mim. Sua feição continuava a mesma, mantendo aquele pequeno sorriso indecifrável.

- Você não vai fazer isso porque precisa de mim, e eu vou te ajudar. Jeon Jungkook. – Seus lábios se moveram lentamente ao sussurrar meu nome, em outras circunstancias eu ficaria parado contemplando sua beleza, mas rapidamente me lembrei que ele era um estranho que havia invadido minha casa e me observava enquanto dormia.

- Qu-Quem é você? – Sussurrei de volta um tanto nervoso por ele saber meu nome.

- Pode me chamar de Taehyung, querido Jeon. Você tem algo forte pra eu beber? Estou com saudades do sabor forte de álcool em meus lábios.

O rapaz, que agora se apresentou como Taehyung passou por mim e deixou o quarto, o segui com medo do que o mesmo pudesse fazer, ainda que eu soubesse seu nome ele era um completo estranho para mim. Parei na cozinha acompanhando com os olhos ele tirar da geladeira minha única garrafa de vinho e levar até seus lábios, dando longos goles na bebida gelada, um pouco do líquido escorreu de seus lábios prendendo minha atenção na gotícula que descia por seu pescoço, sua pele acobreada deixava tudo mais hipnotizante ainda. Engoli seco desviando os olhos da cena, era tentador demais.

- O que você está fazendo? Como entrou na minha casa? – Franzi as sobrancelhas irritado por me prender aos pequenos detalhes desse cara, eu mal sei quem ele é.

- Hora Jungkook. Você me trouxe aqui, se não tivesse bebido tanto iria se lembrar. – Deu de ombros se sentando encima da bancada ao lado da pia. A garrafa continuava em suas mãos, porém o mesmo apenas balançava o liquido enquanto me olhava sorrindo da mesma forma de antes. – Obrigado. –Sussurrou baixinho, ou fui eu que entendi isso ao ler as palavras saindo de sua boca.

- Não me lembro de voltar acompanhado ontem, ou hoje, não importa. Eu não estava tão bêbado ao ponto de trazer um desconhecido para minha casa, muito menos deixar que dormisse em minha cama. – Suspirei passando a mão no cabelo. Eu tinha certeza de ter chegado em casa sozinho ontem à noite.

Pensativo sentei-me em uma das cadeiras da mesa ficando de frente a ele. Tentei me recordar das coisas que fiz ao sair do bar ontem, mas poucas coisas me vinham à mente, eu havia passado da conta ontem, vou me lembrar de não beber tanto novamente, por sorte hoje é domingo, dia de folga.

Procurei com os olhos o relógio perto do armário me dando conta de que dormi demais, e ainda dormi com um estranho ao meu lado. Ele havia dormido comigo, certo?

Arregalei os olhos ao pensar na possibilidade de termos transado, eu não me lembrava disso, mas se eu realmente o trouxe comigo para cá, era bem possível que algo tenha rolado.

- Não se preocupe, não fomos tão longe ainda. Você dormiu como uma pedra, não rolaria algo mesmo se você quisesse.

Olhei rapidamente na direção de Taehyung assustado, como ele podia saber o que eu estava pensando, eu ainda devo estar sonhando, o que está acontecendo aqui é muito estranho.

- Como você... – Me parou erguendo a mão direita.

- É apenas uma das coisas que eu sei fazer, nada demais, agora vamos ao que interessa. – Bateu palmas se levantando após abandonar a garrafa vazia no local em que sentava. O rapaz se sentou na outra extremidade da mesa ficando assim de frente a mim.

- O-o que você quer? – Murmurei pasmado por ele confirmar realmente ter lido minha mente.

- Te compensar. Você me permitiu voltar e agora estou em dívida com você. Eu devo lhe perguntar o que vai querer de mim, mas acho que fazer isso seria algo desnecessário já que em seu íntimo eu vejo a resposta. Seu interior grita pelo que mais almeja, e eu posso realizar. É só me dizer o que você quer, e eu farei por você. – Falou tudo de forma lenta para que eu pudesse entender, sua face estava séria demais para eu considerar tudo isso uma grande pegadinha. Estava bizarro demais.

- Certo. – Murmurei lentamente me levantando, a intenção era ir procurar por um telefone e pedir socorro, mas sua voz grossa me mandando parar fez com que eu congelasse. Ele só podia ser louco.

- Não torne as coisas mais difíceis Jungkook. Apenas me diga com clareza qual é seu desejo e eu irei fazer. – Entrelaçou os dedos encima da mesma com a mesma postura séria de antes.

- Isso é o que? Algum tipo de piada? Eu lido com gente louca todos os dias, mas isso que você está me dizendo supera qualquer outra loucura que eu já tenho ouvido em toda minha vida. Você deve ter fugido do manicômio e me seguido até em casa, só pode ser isso. – Falei com desdém puxando um fio solto do foro da mesa. Tentei parecer despreocupado, mas na verdade eu estava nervoso, se ele fosse mesmo algum louco que fugiu e me segui até em casa eu deveria ter cuidado.

- Você é o tipo de pessoa que precisa ver, para crer, então não se assuste quando eu lhe provar a veracidade de minhas palavras, Jungkook.

Franzi o cenho confuso, do que ele estava falando? Antes mesmo que eu pudesse abrir a boca para lhe questionar o mesmo já estava do meu lado com a mão direita apoiada em meu ombro, Taehyung sorriu para mim e então apertou minha carne, eu estava em chamas, toda minha pele parecia queimar, eu apaguei por alguns minutos, quando abri os olhos estava caído encima de várias folhas secas, havia muitas árvores ao redor, e nenhum sinal de vida além de mim. Levantei-me rapidamente assustado, avistei Taehyung sentado encima de um tronco caído ali perto.

- O que você fez? Onde estamos? – Gritei sentindo meu coração se atropelar em cada batida desenfreada que dava.

- Vem comigo Jungkook, quero te mostrar uma coisa. – Se levantou caminhando por entre as árvores, ainda incerto do que estava acontecendo o segui, não podia o perder de vista, ele me trouxe aqui, ele me levaria de volta.

Caminhamos alguns minutos em silêncio, ele a frente e eu a alguns passos de distância. O rapaz misterioso parecia conhecer bem o local já que seguia por dentre a floresta parecendo saber exatamente onde estava.

Aos poucos o local foi ficando mais claro, alguns raios de sol atravessavam as folhas deixando o lugar menos sombrio, e então chegamos a um local aberto, havia uma pequena construção ali, parecia uma espécie de altar todo feito de pedras, nessas pedras haviam algumas letras cravadas em si, não posso dizer com clareza qual era o idioma, aparentava algo bem antigo. Muitas flores de espécies variadas enfeitavam o local, havia também recipientes com bebidas e frutas, alguns objetos estranhos, colares, pulseiras, não sei dizer. Ao redor tinham algumas árvores, em toda sua extensão continha fitas com mais escritas estranhas, fitas vermelhas e finas. Avistei também uma estátua, ou algo parecido de uma pessoa, eu acho, ajoelhado com as mãos unidas encima desse altar, aparentava ser algum Deus, ou coisa do tipo, pessoas costumam crer em coisas estranhas. Apesar de não acreditar em nada disso entendo que essas mesmas pessoas precisem de algo em que acreditar, caso contrário suas vidas se tornam algo sem sentido, algo vazio demais. Crer em algo torna suas existências necessárias, pelo menos é o que eu acho que elas pensam.

Virei-me para Taehyung querendo entender o porquê de estarmos ali, o rapaz apenas se aproximou do local e sentou ao seu lado, parecia esperar por algo. Então uma garota apareceu, seus trajes eram diferentes, parecia um quimono, não sei dizer o que era. Ela trazia consigo flores brancas, sua feição era triste, seus longos fios negros flutuavam com a brisa do vento que lhe tocava como um beijo cálido, ela não nos via ou ouvia, estava inerte perante aquele “altar”. A garota se ajoelhou, deixou as flores diante as pedras e então pegou uma pequena adaga que trazia consigo escondido em uma das mangas de sua vestimenta, ela a ergueu, agradeceu ao ”Deus”, chamando-lhe de Vante e em seguida afundou o objeto pontudo em sua barriga caindo alguns segundos depois já sem vida.

- O-o que...o que ela... – Eu fiquei pasmado, sem saber o que falar ao observar tudo aquilo diante a mim, como se eu nem estivesse ali. O que significava tudo isso?

- Foi um sacrifício. Será que você ainda não percebeu Jungkook? – Indagou se levantando, ele caminhou até a garota e se ajoelhou sorrindo para ela. – Ela estava em dívida comigo, e então pagou.

- Co-como assim? – Sussurrei espantado.

- Eu sou um Deus, Jungkook, sou um Deus para eles. Eu concedo desejos, e eles me pagam de alguma forma, seja com oferendas, ou com sacrifícios. – Se levantou vindo até mim. – É assim desde o começo dos tempos, e sempre vai ser enquanto alguém acreditar em mim. Bom, algumas pessoas acabaram perdendo sua fé nesta bela divindade que vos fala, por não terem mais suas vontades idealizadas, e não podem me culpar, eu estive aprisionado por muito tempo, mas graças a você agora estou livre. É essa minha dívida contigo Jeon. E eu quero pagar.

Enquanto eu tentava assimilar tudo ele já estava do meu lado me segurando pelo ombro, mais uma vez o senti apertar minha pele e então já estávamos novamente em minha cozinha. Afastei-me de seu corpo ficando contra a parede, eu estava assustado com tudo que sucedeu desde que abri os olhos. Não faz sentido nada disso, mas eu tenho certeza de que não é um sonho meu. Qual explicação para tudo isso? Estou enlouquecendo? Estou me perdendo no mundo ilusório que costumo criar para minhas postagens? Minha imaginação esta engolindo toda sanidade que habita em mim? É isso?

- Isso tudo é real? – Sussurrei com os olhos fixos em Taehyung, o mesmo me encarava calado a alguns passos de mim. – Você é mesmo uma divindade que concede desejos?

- Sei que não acredita nessas coisas, mas sim, eu sou. – Sorriu passando a mão pelos cabelos, ato hipnotizante, no qual prendeu meu olhar por alguns segundos. - E então Jeon, vai me dizer qual é seu desejo?

5 de Dezembro de 2019 às 04:12 0 Denunciar Insira 1
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