Fotometria Perfeira Seguir história

witalo Witalo Castro

Um acanhado homem é convidado para participar da cerimônia de casamento de um amigo. Deslocado na festa, encontra uma fotógrafa que lhe tira o fôlego. Será que ela vai aceitar sua carona, já que não está conseguindo pedir um Uber às quatro da manhã? Fonte da imagem: https://www.pexels.com/pt-br/foto/923355/


Erótico Para maiores de 18 apenas.

#salvador #fotografia #poesia #sexo
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Fotometria Perfeita

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

Chovia. Era tarde. Já passava das duas horas da manhã e eu estava lá, junto com uma dúzia de pessoas debaixo de uma sacada tentando me proteger da chuva que, para a sorte dos noivos e dos convidados, só deu o ar da graça quase no final da festa. Era o casamento de um amigo meu. Eu geralmente odeio ir a festas assim, não casuais, dada a necessidade de ir vestido muito formal – prefiro ser o cara de Humanas com camisas com estampas de poetas, filmes dos anos 80 e clássicos da música.


Entre umas sete meninas temendo perder a escova que fizeram no cabelo e alguns homens que adoravam a ideia de se espremerem ali, com elas, permaneci por uns minutos debaixo de um toldo. Risinhos, flertes, a continuação dos xavecos que já aconteciam antes da chuva, algumas fofocas sobre a festa e os doces e eu, inerte, como se estivesse sozinho, mantinha o olhar panorâmico, vendo a festa se esvaindo junto com a chuva, garçons perambulando, uma fotógrafa procurando abrigo e o DJ sem saber se segurava o som ou se dava uma pausa.


Pensei em ir me despedir dos noivos e curtir o resto da noite em casa, eu e o Netflix ou uma sessão de Battlefield online. Por não ter o hábito de fazer cortejos olho no olho – essa coragem ainda está em construção —, troquei poucos olhares com uma ruiva, mas ela valorizou o ímpeto de outro cara que chegou mais firmemente e ganhou-a. 1x0 de novo.


Os noivos aproveitaram o alvoroço da chuva e sumiram. Fui procurá-los para me despedir e tomar o rumo de casa quando, seguindo risinhos mesclados a gemidos a poucos metros de mim, reparei que os dois se pegavam num beco coberto e escuro no fundo da igreja. A noiva estava contra a parede de tijolos e meu amigo de frente para ela, levantando seu vestido e com o pau mais dentro dela do que o vazio que tenho está dentro de mim. Resolvi dar meia volta e sair sem ser percebido quando me esbarrei com uma mulher. Pedi desculpas baixinho, mas adorei ter sentido a maciez daqueles seios se espremendo contra mim. Ela me perguntou se eu havia visto o casal – era a fotógrafa – e eu disse que eles estavam “ocupados”, então ela entendeu e voltou comigo.


Paramos na beira da área coberta e ficamos esperando a chuva passar; os postes de luz eram os indicadores de que ainda chovia. Com uns centavos de coragem, aguardei ela olhar para o poste oposto ao que eu mirava e fiz uma varredura em sua pessoa: sapatilhas pretas, jeans e camisa de manga longa, tudo preto – acho que é o padrão para um fotógrafo trabalhar em eventos —, o que contrastava e valorizava muito os seus cabelos dourados. Percebi que suas pernas eram bem torneadas e seu quadril – que quadril! —, apesar de ela ser relativamente magra, era generoso, com um bumbum de dar inveja, como se tivesse sido feito com um pé na África e outro na Europa. Cintura fina como de bailarina, cabelos soltos, um strap vermelho e preto escrito Canon 5D que sustentava, entre seu ombro e cintura, uma câmera fotográfica com um flash acoplado. O amigo leitor deve se perguntar se deu tempo de eu reparar tudo isso detalhadamente sem que ela percebesse, e posso responder tranquilamente aqui: ela percebeu. Depois de tê-la olhado toda, estando ao seu lado, mas a alguns centímetros atrás dela, automaticamente redirecionei os olhos para aquele quadril – você pode não acreditar, mas é algo que merece ser empalhado para futuras gerações admirarem – e ali firmei-os irracionalmente, até que me dei conta que, olhando o seu rosto novamente, vi que ela havia notado o meu olhar, e o embaraço foi maior porque tive a sensação de que ela já me olhava a comê-la com os olhos há alguns segundos.


Ela riu de canto de boca e eu tentei traduzir isso como uma mistura de desdém, pitadas de “nem olhar você merece” e 100g de “eu sei que tenho tudo isso”. Tímido que sou e de pouca coragem, procurei no âmago do ser um assunto que ali coubesse e o que veio foi o “melhor” de todos: perguntei se sua câmera era à prova d´agua... queria ser uma avestruz para esconder a cabeça na hora. Ela olhou o poste, viu que estava apenas chuviscando e deu as costas. Ao acompanhá-la com os olhos, percebi que ela estava indo ao encontro do casal de noivos, que surgiu aos risinhos do escuro; estava avisando-os que seu trabalho ali havia sido finalizado quando eu também apareci, me despedi e abracei meu amigo. Como ela havia agido meio desdenhosamente comigo, olhei-a apenas e saí da cena.


Entrei no carro e me demorei um pouco até escolher uma coletânea no SD Card que costumo ouvir para saudar a solidão. Quando passava pela entrada do espaço, vi a fotógrafa procurando alguma coisa no telefone. Pensei em passar no modo Stealth, afinal temia outro olhar de desdém daqueles – tenho problemas com esse tipo de olhar —, mas como sou diplomado em ser altruísta, ou leia-se otário, parei perto dela, pausei a música, baixei o vidro e perguntei se estava tudo bem e se ela se sentia segura ali, sozinha, quase às três da manhã. Ela me disse que estava tentando chamar um táxi ou Uber pelo celular, mas a rede móvel tinha morrido. Perguntei aonde ela ia e, ao responder-me, disse que aquilo era uma coincidência, pois eu ia para um bairro uns três quilômetros depois do dela. A essa altura a noite corrente se fazia mais que inédita, porque eu já havia conseguido me aproximar demais de uma garota e, ao mesmo tempo, mentir como um bom filho da puta, pois ela ia para o Bonfim e eu, bem, eu ia para Barra do Jacuípe… pertinho, se considerarmos a dobra do espaço ou caso meu VW Up fosse um DeLorean.


Cara, ela entrou. Pôs a mochila no banco de trás, colocou o cinto e me sorriu militarmente, voltando seus olhos para o para-brisas. Coloquei a primeira marcha e saí. O som ainda pausado e ela percebeu; então, sem que eu esperasse, apertou o play. Seus olhos se abriram um pouco mais e aquele semblante chumbado se moldou e eu vi, surpreso, ela sorrir e começar a acompanhar a música. Tocava Paralelas, de Belchior, cantor que vim saber depois ser seu favorito.


Parece que aquele card achou um exploit em sua estrutura intransponível, pois depois da música ela deu muita abertura e eu lhe perguntei sobre seus gostos musicais, fotografia, hobbies e afins. Ela me disse que veio do oeste do estado estudar em Salvador e aqui ficou, formou-se, fez amigos e arrumou emprego como fotógrafa de eventos e professora de fotografia. Perguntou o que eu fazia e pareceu, de verdade, querer saber sobre os meus gostos também. Disse-lhe que gostava muito de música, cinema, passear de moto, escrever, comer besteira e jogar videogame. Graças a Odin, as três últimas coisas que citei, achando ter falado demais, despertaram nela um risinho solto e gostoso, suave como um miado. Perguntei se aquilo era bom ou ruim e ela só deu de ombros… a esfinge do “Decifra-me ou devoro-te” certamente perderia o emprego se essa mulher estivesse na mesma entrevista de emprego com ela.


Enfim, tínhamos chegado. Ela me agradeceu muito, a ponto de vir beijar meu rosto, momento no qual olhou para o meu celular pendurado no suporte do carro com o Google Maps ligado, marcando o imenso desvio de rota que eu fiz e sugerindo o melhor caminho de volta para… Barra do Jacuípe. Olhou-me surpresa, com aqueles olhos redondinhos bem abertos, mas, antes de falar alguma coisa, avaliou tudo por dois segundos – acho que foi isso que aconteceu – e voltou ao semblante que eu tinha adorado conhecer. “Menino, você é louco? Veio aqui só para me trazer?”. Eu disse que ajudar não dói e que não é todo dia que alguém ouve comigo minha coletânea da solidão e gosta dela. Como a noite era inédita e eu percebia que cada ato era um dominó que estimulava outro a se mover – ou a cair —, ainda lhe disse que “uma mulher como você, que parece ter sido o Lego de Deus, montadinha peça por peça e da melhor maneira possível, merecia uma carona da Austrália à Cajazeiras, o que devia dar tempo suficiente para conhecê-la e me deliciar com isso, peça por peça.” Ela ficou enrubescida e falou baixinho, franzindo as sobrancelhas, que soou meio ambígua a declaração, e eu tive a cara de pau de dizer que, àquela hora, qualquer declaração era uma licença poética.


Se foi sorte eu ter acertado tanto ponto numa noite ou se foi alguma divindade que enfiou o algoritmo para entender aquela mulher dentro do meu cerne eu não sei, só sei que depois de toda a prosa, ela me perguntou se eu não gostava de chá e se não era uma boa esperar amanhecer para então seguir viagem, em sua casa. Acho que até os prótons do meu cu vibraram de emoção naquele instante… fiquei com visão de túnel e só enxergava aquele busto fora do carro, curvado para dentro da janela do carona, com sua boca mexendo a 0.25x.


Eu disse “Sim.”


Entre olhos gregos e apanhadores de sonho do portão até a sala, entramos. Pediu que eu, se possível, retirasse os sapatos. “Sua casa, suas regras”, respondi. “Game of Thrones!?”, me perguntou e eu confirmei. Um dominó a mais parece ter se movido. Disse-me para me sentir à vontade enquanto ela ia fazer o chá e também me mostrou o lavabo. Lavei minhas mãos e rosto e sentei no sofá.


Quase 4 h, ela na cozinha, barulho de metais e acendedor elétrico de fogão; eu sentado, um pouco mais relaxado por ter me distraído a olhar sua prateleira de livros com alguns autores de minha estima, algumas fotografias emolduradas nas paredes, na sala uma decoração de quem faz Ciências Sociais na Federal e, previsivelmente, dois gatos, os quais sequer se incomodavam por haver ali um estranho a dividir espaço com eles.


A chuva voltou e veio com força cantar sobre o telhado e eu relaxei ainda mais. Ela veio com duas canecas de chá: a minha tinha o tema do Angry Birds e a dela era tipo uma lente fotográfica grande e oca. Sentou-se numa poltrona frente a mim e começou a tomar o chá. Olhei para a estampa da minha caneca e ela riu; vi os dois cantinhos de sua boca sorrirem, sua “lente” no meio escondendo o resto daqueles lábios que, posso afirmar, pareciam duas fatias bem cortadas de uma manga rosa ou um pêssego. Sem saber o que dizer, agradeci pela hospitalidade e recebi um “Magina!” como resposta.


Terminado o chá, ela recolheu as canecas e as levou para a cozinha. Quando voltou, passou direto pela sala, foi em algum cômodo e voltou com uma toalha e um sabonete. “Caso queira tomar um banho para dormir melhor, vou deixar lá no banheiro para você. Ele fica ali.” Depois disso ela sentou, perguntou se eu precisava de mais alguma coisa e se eu me importava de dormir no sofá. “Claro que não!”, respondi, e ela então disse que tomaria banho primeiro e depois dormiria. Eu só sabia concordar… mas quem não concordaria?


Aguardei-a sair do banho. Confesso que fiquei imaginando como se banhava aquela mulher, suas mãos correndo sem pressa sobre sua pele molhada, morna e com pelos dourados quase invisíveis, indo do tornozelo até a cintura, desbravando as panturrilhas, a parte interna das coxas, a virilha depilada, segundos depois entrando com dois ou três dedos entre seus lábios macios e divinos, movimentando-os uniformemente nas direções norte e sul, depois subindo para o seu fino decote de pelos no meio daquela vulva e… ela saiu do banho e eu tive que colocar um livro de Verger no colo para esconder a ereção. Saiu com um babydoll do Snoopy, enxugando os cabelos com uma toalha e a exalar um cheiro gostoso de canela. Sorriu e disse que o banheiro estava livre. Deu também boa noite e se recolheu em seu quarto. Não achei estranho ouvir o barulho da fechadura da porta do quarto fazer um barulho duplo, afinal eu ainda era um tipo de estranho, por mais que conhecesse o casal seu cliente e tivesse sido um gentleman ao lhe oferecer a carona.


O banheiro ainda estava meio morno e com aquele mesmo cheiro de canela no ar. Tirei a roupa, entrei no box e fechei-o. O chuveiro já estava em “inverno”; era maio, chovia, fazia frio, mas meu corpo estava quente. Deixei a água correr sobre minha cabeça enquanto olhava a prateleira do box com os produtos de banho dela; senti inveja de cada um deles, pois cada um deles tinha a honra de tocar algumas partes daquele corpo que deliciosamente preenchia seus jeans e blusa pretos.


Shampoo na cabeça, olhos fechados, tentava adivinhar como era ela nua, ali, onde eu estava. Ao enxaguar a cabeça e abrir um dos olhos, vi um pequeno volume branco e desforme em um dos vidros do box. Ao abrir os dois olhos já lavados, notei que era uma calcinha, provavelmente a calcinha que ela havia usado durante a noite e que tinha acabado de ser lavada e esquecida ali. Peguei-a, abrindo-a com as duas mãos, namorando cada centímetro daquelas costuras e rendas, tocando-a por dentro e, por fim, cheirando-a na esperança de encontrar, mesmo depois de lavada, um resquício do seu cheiro naquele pedaço pequeno de tecido. Com receio de ela me achar um tarado por perceber que eu demorava demais no banho, me vesti e fui para o sofá… o coração acelerado, mas de tanto imaginar coisas e com o ninar da chuva sobre o telhado, acabei adormecendo.



Acordei. Acordei com aquela sensação estranha que a gente tem quando dorme na casa de alguém pela primeira vez. Estava tudo escuro e eu buscava me situar. Logo, lembrei da noite. E a hora, que hora era? Dias cinzentos tendem a ofuscar nossa percepção do tempo. Procurei meu relógio na mesinha e ele marcava 13h40. Levantei subitamente, cara amassada, olhei para os lados e o silêncio era total. Gatos, livros, fotos, o sofá e eu. Ela, onde ela estava? No quarto? Não havia som na cozinha. Senti um cheiro gostoso de erva doce e fui seguindo-o em modo furtivo. O cheiro deu em uma porta semiaberta de um quarto, cuja luz amarelada alumiava e parecia aquecer o recinto com aquele tom. Aproximei-me mais e parei à porta.


Pensei alguns segundos para depois enfiar meu rosto nos quase 13 cm que haviam de abertura e sondei o quarto cuidadosamente. Da direita para a esquerda, no limite da visão, vi uma cômoda com alguns itens coloridos e artesanais em cima; mais para o centro, uma sapateira cheia de sandálias rasteiras e sapatos sem salto e, finalmente, a lateral da cama, uma cama antiga, madeira de lei, daquelas que tem detalhes entalhados na cabeceira e pequenas torres nas bordas, uma delas com um terço branco católico e um cordão de oração budista pendurados. Esforcei-me para chegar com os olhos até o centro da cama até que avistei, ainda de babydoll, ela, de bruços, lendo alguma coisa, o chá de erva doce no criado-mudo ainda evaporando. Que imagem! Refiz a olhada e fui reparando naquele corpo branco douradinho: os pés pequenos, juntos, as panturrilhas torneadas se tocando também, o corpo ereto, e – nessa hora senti que o coração parecia um motor de Caterpillar -, subi os olhos, sem pressa, para as coxas, as coxas brancas, gostosas, que avisavam, como fumaça avisa que tem fogo, haver logo após um quadril e um bumbum perfeitos: via as coxas ficando mais grossas ao passo em que os olhos continuavam subindo, engrossando porque iam encontrando com aquele bumbum, aquela obra de arte que o babydoll, acidentalmente e para a minha alegria, não cobria totalmente nessa hora; ele estava levantado uns bons centímetros, me permitindo ver, desde o volume da buceta no desencontro das coxas até metade daquela anca que a calcinha preta rendada vagamente cobria. Acho as coisas mais deliciosas de se ver, ao menos de primeira, desse jeito, pois não vi melhor tempero para a mente do que o mistério que há nas coisas – a gente começa a imaginar a outra parte, a encoberta, e isso dá uma masturbada brutal na mente -.


Einstein afirmou que o tempo é relativo; talvez se ele tivesse conhecido essa mulher, diria que o tempo é re-relativo. Acho que passei minutos olhando aquela delícia deitada, sem tirar os olhos de sua bunda. Digo isto porque quando decidi subir os olhos para a cintura e acima, não havia sinal nem de vapor e nem de chá na caneca… além do mais, seu queixo já tinha dado uma oitava à direita e seus olhos me olhavam como olha a coruja um viajante noturno na floresta. Sem ação, comecei a refazer os passos inversamente para sentar no sofá, mas ela não deixou.


“Hey!”, exclamou, tenra. “Dormiu bem?”, perguntou. Disse que sim, mas que perdi a hora. Tentei dar a desculpa de que a procurava para me despedir e que acabei, por isso, à sua porta, entãp me desculpei pela indelicadeza e pedi que não me pintasse um mau homem. O que eu ainda não havia entendido é que ela não tinha se importado nem um tanto em ter sido observada, uma vez que não fez questão alguma de ajeitar o babydoll e seu bumbum, delicioso e generoso, continuava semicoberto.


“Pode entrar. Senta aqui.”, disse, indicando o canto inferior direito da cama. Entrei, sentei, e olhava até para o calendário com o Salmo 91 na parede, mas não tinha coragem de encará-la. “Não fique envergonhado. Já foi. Ao menos gosta do que vê? Olha para mim!”. Olhei de novo, primeiramente fitando seus olhos redondos, mandões, depois voltando às espáduas, costas, cintura e ele, aquele astro celeste de luz própria, moldado pelo próprio Dionísio, talvez, o qual ela fez questão de empinar mais um pouquinho, fazendo o babydoll subir ainda mais… se há uma combinação de preto com branco mais deliciosa que uma calcinha rendada e aquela anca, estou para conhecer.


“Você disse para mim que gosta de escrever. O que escreve?”, perguntou. “Alguns versos.”, respondi. Ela abriu mais os olhos, pensou por alguns segundos e disse: “Se és poeta, diz alguma coisa bonita sobre o que vês.” Nesse momento, amigos, me senti em xeque. Não sou de criar poemas a pedido, ainda mais porque minha alma ali, naquele instante, parecia tão fraca e a sede do corpo tão forte. Sorri acanhado, olhei de novo para o seu quadril ainda arrebitado voluntariamente para mim, a bunda redonda, farta, a calcinha diminuindo ao passo em que ia na direção da buceta, da qual as coxas faziam questão de ficar separadas para seu volume se mostrar perfeitamente. Com o coração por volta dos 120bpm, lhe disse:


“Me perdi a te olhar,

São fatais os teus laços!

Pois pareces a Vênus

De Milo – com braços.”


Não sabia, naquele instante, se seu olhar era de surpresa pelo esforço que fiz ou se de compaixão – ela realmente é uma pessoa de difícil tradução —, sei somente que ela, terminado o poema, levantou ainda mais o quadril, ainda de bruços, puxou devagar o babydoll para cima, deixando todo o quadril à mostra, como o troféu do 1º Concurso Poético-Dionísico do Bonfim, à mostra e só de calcinha, pretinha, rendada, transparecendo sua pele dourada debaixo dela. Agora eu via as costas se afinando e encontrando a cintura, que duas mãos másculas certamente rodeariam quase que totalmente, e via suas mãos voltando do babydoll para as laterais da calcinha, enfiando os polegares por debaixo dela e puxando-a, milimetricamente, na direção das coxas, sem pressa, com muita pirraça, e eu me beliscando mentalmente e procurando, num rápido flashback, onde na minha vida inútil havia feito algo tão bom para que o universo me devolvesse isso.


Ela me olhava e em seguida fitava as próprias mãos, ainda despindo suas delícias. Continuou separando a calcinha do quadril, pouco a pouco, e já não mais escondia sua bunda, dourada, farta, lisíssima, cremosa, gostosa, com os poros ouriçados e com finos pelinhos. Agora a calcinha estava no começo das coxas, escondendo apenas sua buceta que, sem demora, saiu do meu imaginário e surgiu perante os meus olhos: fechadinha, lisa e rosa como a bochecha de uma criança alemã, o grelo como um chiclete tutti-fruti nunca mascado, perfeito.


Imaginando ter sido um convite, me coloquei de joelhos diante das palmas dos seus pés. Segurei seus tornozelos e me curvei até encostar meus lábios em seus calcanhares. Fui cheirando cada centímetro daquela pele, cheirando e beijando e beijando. Comecei a passar a ponta da língua em suas panturrilhas e isso pareceu excitá-la, pois ela deixou o rosto de lado e colado à cama, fazendo com que o quadril alcançasse a altura máxima daquela posição. Beijava suas panturrilhas e subia pelas suas coxas, as quais ela fez questão de separar generosamente e, quando eu já estava no final delas, eis aquela buceta, rósea, tamanho perfeito, agora mais à mostra, o clitóris brilhando de molhado. Seguindo sua tendência de pirraça, pulei essa etapa e subi para a sua bunda, cheirando-a, apertando-a com as mãos, roçando meus dentes nela, beijando, lambendo com a ponta da língua, até que resolvi segurar a anca e centralizar minha língua naquela fenda rósea, descendo lentamente, até chegar em seu cuzinho, o que a fez puxar o ar entre os dentes e rebolar o quadril um pouco.

Continuei com a língua a me deliciar naquele cu mais um pouco e depois voltei à parte que havia pulado, aquela xoxota digna de horas de oral. Cheguei nela lambendo a virilha, lentamente, e mais sons de ar entre os dentes ela fazia - “sssssh” -. Quando, por fim, passeei com a boca entre seus lábios, ela soltou um ai tremido e todo o seu quadril pareceu ter levado um choque. Ela gostou, pois segurou a buda com as mãos e a abriu por inteiro, o que eu honrei com minha língua, entrando o máximo que pude em sua buceta, de um gosto tão bom que eu havia olvidado possuir um pau e me demorei, sabe-se lá quanto tempo, a me deliciar nela desse jeito.


Ela já não aguentava mais. Tirou as mãos da anca e puxou o babydoll do Snoopy para fora do corpo. Cara, eu pude ver aqueles seios brancos, de auréolas cor de salmão, e já me sentia grato aos Céus por ter tido a visão saudável até esse dia. Eles não eram imensos, mas eram volumosos o suficiente para eu pô-los na boca e ainda sobrar para segurar com a mão. Assim que ela se despiu totalmente, deitou-se de frente para mim. Nessa hora eu tirei a minha roupa também e me deitei sobre ela, com a cabeça entre suas pernas e as mãos em sua cintura. De frente, aquela buceta continuava linda e eu continuei a chupá-la. Enquanto a chupava, enfiei um dedo dentro dela, o que a fez soltar outro “sssssh” e começar a rebolar contra a minha boca. Enfiei mais um dedo e ela gemeu, soltando um ai gostoso de ouvir. Subi com os lábios para a sua barriga – lisa, como de uma bailarina –, a língua ia na direção do umbigo enquanto os dedos continuavam dentro dela. Alcancei a região entre seus seios e então comecei a rodeá-los com beijos, mordidinhas e com a ponta da língua, com movimentos em espiral, que faziam a língua, no final, alcançar os bicos cor de salmão. Quando os alcancei, ela gemeu de novo e se contorceu. “Ai… vai… deixa eu ser teu soneto perfeito.” Se eu já estava a 220 km/h, ela acabara de ligar meu NOs.


Separando mais as suas coxas com as mãos, pedi para que ela abrisse com dois dedos a buceta e ela acatou. Fui entrando devagar, e cada centímetro que entrava era como um degrau a menos para o paraíso; um calor gostoso e a contração da sua buceta eram fatores para enlouquecer qualquer amante. Eu entrava e enquanto entrava olhava o seu rosto. Ela ora olhava o meu, ora tentava me ver a penetrá-la. Enfiei tudo.


Com movimentos vagarosos e firmes, abraçando seu corpo, entrava até seu clitóris se apertar contra o meu corpo, o que a fazia jogar a cabeça para trás e correr a língua ao redor dos lábios. Os seus bicos dos seios estavam rígidos e eu fui mordendo suas costelas até encontrá-los novamente com a boca. Quando vi que segurar o gozo estava para fugir do meu domínio, pedi para ela ficar de quatro para mim, como estava no início. Ela fez tudo igual, deixando aquele rabo para cima e o rosto de lado, colado no lençol de fuxico. Diante daquele monumento, tentei manter a espinha ereta e o pensamento balanceado, evitando ser precoce - duvido você não ser diante do que vi -; metendo naquela buceta novamente e vendo aquele rabo reverberar a cada estocada, tive que pensar em contas a pagar, revisão do carro, cenário musical brasileiro atual, daí voltava a me concentrar no movimento.

Se ouvir uma mulher gozar no seu pau é um troféu de honra ao mérito, ver aquela Vênus de Milo – com braços – gozando a rebolar o rabo com meu pau dentro é receber mais ouro do que recebeu o Rei Salomão. Ao ouvi-la gemer a gozar, gozei junto. A sensação que tive foi a de ter transferido todas as minhas forças, alma, chakra, cosmo energia, ki e todo elétron presente no meu corpo para dentro daquele rabo. Gozei como se não houvesse amanhã e aquele quadril pareceu caber tudo que havia em mim.


Extasiados, corpos em transe, ficamos olhando para o teto e para a lâmpada amarelada. O cheiro de sexo tomou conta do ar inteiro e parecia uma queima de fogos em comemoração ao prazer. Aí adormecemos.


19 h, Jesus Cristo! Levantei assustado. Do meu lado, apenas os dois gatos me olhando como se eu não devesse estar ali. Vesti a calça e procurei por ela. Ninguém em casa. Assim que terminei de me vestir e colocar o relógio no pulso, vi um bilhete em cima do sofá na sala que dizia: “Precisei sair. Você precisa ir. Obrigado pela carona.” Fiquei sem entender, até porque… enfim. Peguei as minhas coisas, bati o portão e fui embora.


Na Avenida Paralela, ouvindo meu top solidão, ia fazendo uma retrospectiva do final de semana. Que sábado! Que domingo! Rezava para chegar logo em casa e procurá-la nas redes sociais, mas lembrei de uma coisa: não nos apresentamos. Puta que pariu! “Já sei!”, pensei, ia falar com os noivos que a contrataram, mas eles viajaram depois do casamento para a Tailândia e estavam incomunicáveis. Resolvi, então, passar lá no Bonfim assim que a rotina permitisse.


Era quinta-feira e eu consegui um tempo para ir na Cidade Baixa. Às 20h, toquei a campainha. Nada. Bati duas vezes no portão. Ninguém. Na terceira batida, ele se abriu. Ao empurrá-lo, vi que havia um cartaz que devia estar pendurado nele, mas jazia no chão. O cartaz dizia “ALUGO”. Ela se mudou…


Um mês depois, meu amigo voltou da Tailândia com a esposa. Fui visitá-lo e pegar meu short de Muay Thai que ele havia trazido – o interesse maior não era o short -. Aproveitando o ensejo, perguntei-lhe sobre a fotógrafa e ele riu sonsamente, me dizendo o seu nome: Ani, Ani Ilíaca, por quem eu procurei nas redes sociais algumas vezes, até encontrá-la como residente do Mato Grosso, onde, segundo o Facebook, ela estava “de volta ao primeiro aconchego.” Pensei em deixar uma mensagem, mas considerei toda a odisseia até ali e segurei os dedos.


Passados uns nove meses, eu sentado na poltrona num dia de domingo, com a boca escancarada e cheia de dentes, entre um gole de Martini e um headshot de sniper no BF4, recebo um e-mail. Nele, a redação que dizia: “Poeta sem nome, vou aí te ver. Posso? Ani.” O torpor do álcool sumiu. De pronto lhe respondi: “Entre te entender e te poetizar, já sabes bem o que prefiro escolher. Ariza.”

4 de Dezembro de 2019 às 09:59 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Witalo Castro "...A passagem dos séculos me assombra./ Para onde irá, correndo, minha sombra/ Neste cavalo de eletricidade?/ Caminho, e a mim pergunto na vertigem:/ Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?/ E parece-me um sonho a realidade..."/ Poema Negro - Augusto dos Anjos Tenho trinta e alguns anos, sou baiano, gosto de Poesia e me aventuro a escrever contos. O mundo é para mim um moinho, mas sei que ainda há beleza nele, nem que seja a que é dada a ele através da Literatura.

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