Two Years Gone Seguir história

angelizzie7 Annelies Winchester

(S/n) se sente perdida ao ter sonhos tão reais quanto lembranças nos quais um belo homem de olhos verdes e portador de um sorriso que a deixava zonza aparecia. Enquanto tudo que queria era aproveitar suas merecidas férias, o encontro com o homem de seus sonhos e um telefonema recebido acaba tirando sua paz e a relembra coisas que pareciam impossíveis de acontecer.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

#fanfic #Djinn #winchester #deanwinchester #supernatural
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Two Years Gone

Acordei confusa, na última semana eu tenho tido sonhos estranhos. Nesses sonhos eu costumo ver um homem, um belo homem de cabelos loiros, olhos verdes e dono de um lindo sorriso. No começo eu ignorei, achei que apenas tivesse visto a foto dele em alguma revista ou algo do tipo, mas isso tem se tornado mais frequente. Geralmente nós estamos rindo ou nos empanturrando com alguma comida gordurosa enquanto bebíamos umas cervejas, só que desta vez foi diferente. Nós estávamos em um local escuro e eu só me lembrava de flashes, ele parecia assustado e preocupado, ficava me repetindo que tudo ia acabar bem.
Me revirei na cama sem coragem para levantar, encarando o pequeno raio solar que a fresta da janela deixou entrar no quarto, ainda refletindo sobre aqueles sonhos.
Suspirei profundamente quando decidi me levantar e caminhei preguiçosamente até o banheiro onde fiz minha higiene matinal.

-Droga! –resmunguei ao abrir o armário da cozinha. Eu havia esquecido de comprar o pó de café e tinha dado a manhã de folga para a empregada. Fiz um bico de desânimo e subi novamente as escadas, me preparando psicologicamente para sair no frio que estava fazendo.
Coloquei uma roupa bem quentinha e sai de casa pedalando minha bicicleta na direção da cafeteria mais próxima. Sentei-me no balcão após pedir, afrouxando um pouco meu cachecol, o aquecedor do local estava ligado e estava bem quentinho.
Peguei meu pedido e resolvi que ficaria la por mais algum tempo aproveitando a hospitalidade do lugar. Tirei uma caneta do bolso do meu sobretudo e comecei a rabiscar em um guardanapo qualquer, geralmente a esta hora eu estaria pintando no meu ateliê se não tivesse sido lerda o suficiente para esquecer de comprar o café. Era meu primeiro dia de férias do trabalho e tudo que eu queria era descansar; descansar e pintar.
Comecei com os olhos, as sobrancelhas e aos poucos fui dando vida ao rosto do homem que assombrava meus sonhos. Quem sabe assim eu não tirava ele da cabeça?
Quando terminei de desenhar, sorri satisfeita com o resultado.
-Quem é você? –Eu perguntei como se o desenho pudesse me responder e então algo que nunca havia me acontecido antes ocorreu. Um flash de memória surgiu em minha mente:

"-Que Belo desenho! –ouvi sua voz falar. –Quem é o galã?
-Nossa você nem é convencido. –rolei os olhos deixando de olhar o desenho para encará-lo. Estávamos frente a frente naquela mesma cafeteria e nos beijamos?! "
Esfreguei os olhos assustada, ainda olhando pro desenho que havia feito. Será que esses sonhos não eram só sonhos?
Me levantei imediatamente para ir embora, estava atordoada e confusa. Saí tão apressada do meu banco que esbarrei em alguém pouco antes da porta de saída, me sujando de café e sujando também o meu desenho. Olhei preparada para pedir mil desculpas e foi como se eu tivesse visto um fantasma, era ele, o cara do meu desenho. Ele retribuiu meu olhar assustado com outro, seja lá quem ele fosse com certeza me conhecia, o pânico em seu olhar era notável.

-D-desculpa. –ele gaguejou e só então eu notei que ele estava acompanhado de um homem ainda mais alto que ele, e que também não me era estranho.
-Tudo bem. –sorri sem jeito, olhando-o nos olhos e só então tive a reação de esconder o guardanapo desenhado. O amassei imediatamente, disfarçando enquanto ele passava direto por mim, desviando o olhar como se estivesse escondendo algo.
Suspirei fundo e resolvi seguir meu caminho, quando fui pega de surpresa por outro flash.

"-Dean! –eu gargalhava enquanto recebia cócegas na barriga, numa tentativa inútil de escapar."

Congelei no meio da cafeteria e dei uma volta de 360 para olhar para ele, que já me olhava e tentou disfarçar. Andei até ele decidida a esclarecer minha mente.

-Dean? –perguntei um pouco confusa, fazendo com que ele e seu companheiro arregalassem os olhos.
-Desculpe Madame mas como sabe meu nome? –ele fingiu estar surpreso, e eu me dei conta que já conhecia sua voz.
-Eu não sei. –neguei com a cabeça. –Eu só sei... e algo me diz que você também sabe o meu.
-Desculpe, não faço ideia. –ele mentiu.
-Ok, eu não pretendo me manter na sua vida se falar a verdade... Eu só quero esclarecer isso. –suspirei. –Isso pode parecer estranho, mas eu tenho tido sonhos e ... Ai! –fui interrompida por uma dor de cabeça excruciante.
-Hey! –ouvi ele gritar assustado. –Tá tudo bem?
-Minha cabeça. –balbuciei, sentindo-me tonta e então tudo escureceu.

Acordei algum tempo depois, eu estava em um carro e conseguia ouvir duas pessoas discutindo.
-Eu disse que não era boa ideia virmos até aqui. –O mais alto disse.
-Você ouviu o que o pai dela disse, ela não se lembraria de nada.
-Assim como eu não me lembraria do inferno? –Ele retrucou, sentindo-se vitorioso.
-E o que nós deveríamos fazer? Deixar pessoas inocentes morrerem? Deixá-la correndo perigo?
-Claro que não, Dean. Podíamos ter mandado outro caçador.
-Não, Sam. Esse é nosso caso inacabado, nós temos que terminá-lo.
-Pelo menos seja honesto consigo mesmo Dean, você sentiu falta dela. –Ele encarou seriamente o irmão. –Não veio só pelo caso.
-É, senti. –Dean suspirou, dando uma breve olhada no retrovisor. –Eu queria poder vê-la mais uma vez, mesmo que fosse rápido. –ele completou e então o carro ficou em silêncio absoluto.

Esperei que passasse algum tempo e fingi acordar, eu havia recordado de mais coisas, só que eu não entendia muito bem o que estava acontecendo. Porque eles conheciam meu pai? Caçadores? Quanto mais eu ouvia a conversa mais confusa ficava. Afinal de contas, porque é que eu não me lembro deles?
Sentei me no banco do carro, tudo me parecia muito familiar, eu olhei cada detalhe e senti meu cérebro pulsar. Dean ao me ver pelo retrovisor, me abordou imediatamente:
-Tudo bem? –ele parecia preocupado.
-Sim, Dean. –respondi, fazendo ele desviar o olhar. –Mas vou me sentir melhor quando vocês me explicarem tudo.
-Primeiro nós vamos a um hospital.
-Não senhor, nós vamos para um bar! –respondi imediatamente. –Lá eu vou me sentir mais preparada. –dei um sorrisinho amarelo ao notar que o irmão mais novo me olhava.
-Ela não mudou nada. –Ele riu, recebendo um olhar mortal de Dean que fez seu sorriso murchar.
-Então vocês me conhecem! –Eu apontei empolgada por finalmente fazê-los confessarem.
-Meu nome é Dean Winchester, esse é...
-Seu irmão. –O interrompi.
-Sam. –o mais alto respondeu, afirmando com a cabeça.
-Porque vocês me conhecem?
-Bom... –Dean olhou para o irmão e então voltou a olhar pro retrovisor. –Conte-me o que você já sabe.
-E como eu vou saber que você não vai mentir pra mim? –Coloquei as mãos na cintura, observando ele estacionar o carro.
-Você está se lembrando das coisas. Porque eu mentiria pra você sabendo que você vai descobrir de qualquer jeito? –ele saiu do carro e eu fiz o mesmo.
-Não sei. –Respondi olhando o lugar em que paramos. –Onde estamos?
-Esse é o nosso hotel. –Sam respondeu, pegando alguma coisa no bolso. –Vou comprar mais bebidas, já volto! –ele saiu sem nem mesmo esperar uma resposta minha, deixando-me sozinha com o irmão mais velho.
-Eu disse um bar! –fechei a cara. –Eu nem conheço vocês, como é que eu vou entrar aí?
-Você nos conhece. –Dean me olhou com uma cara de "sério mesmo?" –Pelo menos foi isso que você deixou claro desde que nos vimos. E eu não quero correr o risco de chamar mais atenção se você tiver um ataque daqueles que teve na cafeteria.
-Certo. –Cedi, até porque ele não parecia má pessoa nem agora e muito menos nos meus "sonhos".

Nós entramos em um quarto de motel barato onde haviam duas camas de solteiro e várias informações espalhadas. Papéis, livros, fotos de pessoas que tinham ligações assim como naqueles quadros que a policia costuma usar pra desvendar crimes. Dean abriu o pequeno frigobar e jogou uma cerveja pra mim, que fiquei surpresa ao segurá-la. O olhei como se ele fosse um louco.
-Você costumava a pegar sempre. –Ele deu um sorriso fraco, enquanto negava com a cabeça.
-Parece que você sabe mais de mim que eu mesma. –Me senti desconfortável com aquela sensação.
-E então? Porque não começa a contar?
-Desde semana passada eu...
-Semana passada? –Dean sentiu-se mais aliviado, afinal não era tudo culpa dele.
-Aham. Eu tenho sonhado com você... No início eu achei que fosse só sonho, mas aparentemente você é um sonho que se tornou realidade. –Eu ri da minha piada péssima, e ele também.
-Ok! Tava demorando. –ele me olhou por um tempo, fazendo com que eu corasse.
-O que está fazendo?
-Algo que eu não faço há muito tempo. –ele deu um sorriso de lado.
-Quanto tempo? –perguntei curiosa, e ele olhou no relógio de pulso.
-2 anos, 2 semanas , 4 horas e 36 minutos.
-Ok... A questão é, eu vejo flashes, mas eu não sei se tudo que eu vejo foi real. –respondi incomodada. –Estou perdida!
-Bom, você lembra do meu nome, isso é real então todo resto também é.
-O que são vocês? Algum tipo de detetives? –apontei para o quadro de pistas.
-Ah, disso você não se lembra? –Dean suspirou impaciente. –Olha... O que eu vou te dizer aqui não é fácil.
-Prossiga... –Eu dei uma grande golada na minha cerveja, sentando-me na cama.
-Você era como eu e meu irmão, exceto pelo fato de que você era rica. Eu e Sammy, nós somos caçadores, nós caçamos monstros.
-Monstros? –Eu perguntei incrédula. –Você tá brincando...
-Não estou. É tudo real, fantasmas, demônios, lobisomens, anjos... –Ele rolou os olhos, odiava ter que explicar essa parte. –Acontece que seu pai não aceitava isso, ele queria que você fosse como ele, que trabalhasse na empresa dele, onde você trabalha hoje em dia.
-Bom, essa parte do meu pai querer que eu trabalhasse lá eu sei. –revirei os olhos, apesar de ser a chefe de todos eu odiava aquele emprego. –Mas eu trabalho lá desde sei lá... Desde antes de ser assaltada. –Mantive uma risada de incredulidade no rosto.
-Você tentou conciliar as coisas, você tentou trabalhar nos dois. –Dean explicou, olhando me nos olhos de forma séria. –Mas você não foi assaltada.
-Que? –deixei um sorriso de frustração escapar, tudo que saía da boca de Dean parecia loucura. –O que aconteceu então?
-Djinn. –Ele continuou me encarando seriamente para que eu não achasse que ele estava brincando. –Uma criatura que se alimenta do sangue das pessoas... ele capturou o Sam, nós fomos lutar contra ele e então você foi esfaqueada. –resumiu, me fazendo ficar séria recordando da imagem que eu me lembrara mais cedo.
-O homem do olho azul? –perguntei bem baixinho e percebi Dean balançando a cabeça positivamente. –Cheio de tatuagens?
-O próprio. –ele respondeu e eu levantei da cama, se aquelas imagens não estivessem claras na minha cabeça eu iria negar até a morte. Por um segundo eu até cheguei a questionar minha sanidade mental.
-E porque que eu não lembro de vocês? Bom, não lembrava né.
-Seu pai, depois de tudo o que aconteceu, ele disse que era pra que não procurássemos mais você, que você já não se lembrava de mais nada. –Dean encarou o chão quando eu voltei a olhá-lo. –Eu me certifiquei disso antes de deixar você viver sua vida, afinal eu também não queria que você se machucasse de novo. –passei a mão na cabeça um pouco transtornada com a situação.
-Meu pai ele...
-Morreu eu sei. –o Winchester mais velho completou. –Eu tenho ficado de olho em você sempre que posso.
-Eu era uma caçadora?
-Sim.
-E você sabe como eu entrei nessa vida?
-Sua mãe. –Ele suspirou novamente. –Você tinha 16 quando encontrou o diário dela e descobriu que ela foi morta por vampiros, não foi assassinada como seu pai havia dito. É por isso que ele não queria que você seguisse o caminho dela, e eu entendo, ele estava com medo de perder você também.
-Mas... –fiquei sem fala por alguns segundos, tentando processar tudo aquilo.
-Te conheci com 24 anos, você me contou isso alguns meses depois. Você começou a treinar depois que encontrou o diário e enganou seu pai por algum tempo, mas depois assumiu que estava caçando e largou o trabalho.
-Como nos conhecemos? –perguntei sentindo minha cabeça doer.
-Você estava caçando vampiros. –Dean me olhou e eu bebi mais da minha cerveja pra disfarçar que estava com dores. –Num bar na estrada, eu e Sam também estávamos atrás do ninho, vimos você saindo com um suspeito e resolvemos te seguir. Achamos que você era uma vítima e nos surpreendemos ao ver você arrebentando com o vampiro.
-Então... Dean... –a dúvida na minha voz era nítida. –Se tudo isso que você está dizendo for verdade, porque você não voltou antes? Meu pai morreu há um ano!
-Eu não voltei na cidade por acaso, (s/n). –O loiro disse, fazendo meu coração disparar. –O Djinn que te atacou ainda está vivo, ele escapou e sumiu do mapa. –arregalei os olhos. –Algumas pessoas tem desaparecido, e todas elas tem algo em comum, desapareceram no quarteirão do seu trabalho, próximo a um prédio abandonado.
-Então ele voltou? –engoli a seco.
-Talvez, não temos certeza ainda. –ele pegou a lata vazia da minha mão e então me deu outra cerveja. –Você matou o filho dele, você pode estar em perigo. Não sabemos se aquele prédio é um lugar estratégico para que fique mais fácil chegar até você.
-Então vocês vieram. –eu disse e ele assentiu com a cabeça.
-Mas não íamos interferir na sua vida, nós íamos matar aquela coisa e deixar a cidade.
-Agora já era. –encarei o chão, lembrando-me que achei que estava sendo seguida ontem depois que saí do trabalho. –Porque você aceitou isso? –perguntei chateada, se tudo que eu tinha lembrado havia mesmo acontecido eu e Dean tínhamos... algo.
-O que?
-Me deixar sem saber, sem lembrar de todas essas coisas! Você podia ter voltado, me tirado daquele trabalho, me contado a verdade.
-Você estava segura, estava acostumada com sua vida, não se lembrava de nada disso.
-E não passou pela sua cabeça que eu podia lembrar? –bufei.
-Se isso acontecesse eu saberia, como agora.
-Inacreditável! –neguei com a cabeça.
-O que você queria que eu fizesse? –ele se aproximou de mim aparentemente zangado. –Eu não podia surgir do nada dizendo que você era uma caçadora e que tinha que vir comigo! Você me tacharia como louco! Você quase não acreditou em mim mesmo com as lembranças. –o loiro completou, e eu tive que aceitar que ele tinha razão nesse ponto.
-Você podia provar que era real. –Insisti.
-Você tem uma carreira, uma casa grande, um futuro promissor... eu jamais iria estragar isso, seria egoísmo. –Ele completou e minha cabeça tornou a doer, dessa vez de forma mais forte, fazendo com que eu soltasse a lata. As imagens do dia que conheci os Winchesters voltaram com tudo.
-(s/n)! –Dean exclamou assustado.
-Eu estou bem... –respondi, ainda com a mão na cabeça. –Estou me lembrando.

"Eu estava em uma rua deserta caminhando ao lado de um cara que de repente tentou me atacar, mas eu fui mais rápida, desviei de seus braços, jogando-o contra a parede enquanto pressionava seu braço direito nas costas e injetava um líquido vermelho em seu pescoço utilizando uma seringa. Me assustei ao perceber que dois caras me olhavam de longe, até mesmo imaginei que pudessem ser vampiros também.

-Quem são vocês? –Perguntei, preparando pra atacar.
-Hey! –O mais baixo levantou as mãos alegando inocência. –Nós somos caçadores também, achamos que você era uma vítima.
-Já viram que não sou. –Retruquei, terminando de prender o vampiro. –Provem que são caçadores.
-Ok! –ele disse pegando uma faca de prata e fazendo um corte no braço, o mais alto do seu lado também fez o mesmo. –Isso é água benta. –ele mostrou um cantil, bebendo em seguida e passando pro lado. –Estamos atrás de um ninho de vampiros. –Ele levantou a camisa demonstrando que tinha sangue de homem morto numa seringa guardada estrategicamente.
-Eu também. –respondi um pouco mais tranquila. –E essa belezinha vai me levar até ele se não quiser ter uma morte lenta. –olhei para o vampiro.
-Você caça sozinha? –o mais alto perguntou.
-Sim.
-É um ninho grande que você está perseguindo, que tal se trabalhássemos juntos? –Dean perguntou.
-Eu trabalho sozinha.
-Nós também, mas uma ajuda de vez em quando é bem útil. –ele terminou de dizer e então eu vi alguém atrás deles.
-Cuidado! –alertei, fazendo com que eles se virassem e começassem a lutar com os vampiros que quase os atacaram. Observei que eles eram bons lutadores e então resolvi que não seria má ideia levá-los. Quando eles finalmente decapitaram os vampiros eu pigarreei, chamando atenção. –Ok! –disse, jogando o vampiro que eu segurava na direção do mais alto que o segurou. –Mas esse aqui é meu. –tirei uma foto feita por câmera de segurança do meu bolso e mostrei ao baixinho. –Ele matou minha mãe.
-Certo."

-Do que se lembrou? –o Winchester perguntou aflito, ele havia ficado em silêncio me observando .
-Do que você me contou, de quando nos conhecemos.
-Toda vez que você se lembra de algo sua cabeça dói? –perguntou preocupado.
-Na maioria das vezes.
-Ok, então chega de lembranças por hoje. –Ele disse virando-se de costas.
-O que? De jeito nenhum! Eu preciso saber o que está acontecendo. –Andei até ele , virando-o de volta pra mim. –Só saio daqui quando me lembrar.
-Você precisa descansar seu cérebro. –ele suspirou.
-Eu preciso me lembrar Dean! Eu tenho me sentido tão vazia ultimamente... agora eu entendo o porquê. Meu lugar não era naquela empresa!
-O que? Você pretende abandonar tudo e voltar a caçar? –Ele me olhou como se fosse uma louca.
-Se isso me fizer sentir melhor, sim. –respondi, fazendo ele negar com a cabeça.
-Ah claro, e o que vai fazer com a empresa do seu pai?
-Não sei, não me importa agora.
-Vai jogar toda sua estabilidade financeira fora?
-Eu tenho bastante dinheiro guardado, se acrescentar o da casa e da empresa... É só arrumar algo, um bico de vez em quando...
-Não faça isso. –ele disse enquanto eu analisava o quadro de vítimas.
-Essas pessoas foram sequestrada por minha culpa?
-Hey, nada disso é sua culpa. –ele se meteu entre mim e o grande quadro, a aproximação inapropriada fez com que um silêncio constrangedor tomasse conta do quarto.
-E-eu. –gaguejei, me xingando mentalmente. Meu coração havia acelerado e o que eu tinha recordado na cafeteria me veio a mente. –Eu preciso de ar. –balbuciei e saí correndo, deixando Dean parado com cara de paisagem.
-Droga! –praguejou Dean, socando o quadro enquanto eu me afastava do quarto.

Eu corri até ficar esbaforida e então resolvi chamar um taxi, voltando pra casa onde tomei algumas doses de uísque enquanto pesquisava sobre a tal criatura que Dean havia falado.
Algumas horas depois, minhas pesquisas foram interrompidas pelo toque do telefone, minha empregada atendeu.
-Srta (s/ s), é do trabalho, tão dizendo que é urgente! –ela gritou da porta do escritório.
-Vou atender! –respondi desanimada, revirando os olhos. Provavelmente era uma daquelas "emergências" que podiam ser resolvidas com um pouco mais de pensamento coletivo, mas que preferiram empurrar pra mim.
-Qual a emergência? –Minha voz soou um pouco indiferente.
-A senhorita Margareth não apareceu pra trabalhar hoje, a família dela está aqui desesperada dizendo que não consegue se comunicar com ela!
-Que? –A notícia me afetou como um soco no estômago. –Como assim?
-O apartamento dela estava vazio, ela não está em canto nenhum! -Peguei meu celular imediatamente e disquei o número de Margareth, não era de estranhar que eles tivessem me ligado, ela era a única pessoa naquele trabalho que me entendia e me encorajava a seguir meus sonhos. Éramos praticamente melhores amigas. –Senhorita? –A voz do outro lado da linha chamou minha atenção, eu estava muda.
-Mantenha-me informada, eu farei qualquer coisa pra ajudar a encontrá-la. –Respondi e desliguei.
O celular de Margareth estava fora de área e eu não sabia mais o que fazer se não sair correndo até onde Sam e Dean estavam e rezar para que eles ainda estivessem lá.
Quando cheguei no hotel bati na porta do quarto dos meninos, sendo atendida pelo Winchester mais novo depois de poucos segundos.
-Eu preciso de ajuda! –falei sem nem deixar Sam abrir a boca e ele simplesmente saiu da frente da porta para que eu entrasse.
-O que houve? –Dean perguntou assustado.
-Minha melhor amiga sumiu, ninguém sabe onde ela está. –disse, tentando não deixar que o nervosismo se espalhasse ainda mais pelo meu corpo e acabasse com qualquer pouca razão que ainda havia me sobrado. –Vocês acham que ela pode ter sido uma vítima do Djinn?
-Talvez. –Dean coçou a cabeça, sentindo-se desconfortável e então olhou para o irmão que pegou o laptop imediatamente.
-Você tem que contar tudo o que sabe. –O mais novo disse digitando algo rapidamente no navegador recentemente aberto.
-Ela trabalha no mesmo lugar que eu, pelo que dizem parece que ela não voltou do trabalho.
-E qual rua ela geralmente pegava pra ir pra casa? Você saberia me dizer?
-Aham. –afirmei com a cabeça e me sentei de seu lado para que ficasse mais fácil de analisar a tela do computador. –Se for necessário eu te passo as senhas das câmeras de segurança da minha empresa.
-Não vai ser necessário. –Sam me olhou um tanto sem jeito. –Nós tomamos a liberdade de analisá-las de vez em quando pra saber se tudo estava certo.
-Ótimo, eu estava no Big Brother e não sabia. –resmunguei e por um segundo meu olhar cruzou com o de Dean, que estava do outro lado do quarto com uma garrafa de cerveja na mão.
-De nada! –O Winchester mais velho ironizou, fazendo um suspiro de insatisfação ficar evidente.
-Olha meninos, eu entendo que vocês estavam preocupados comigo e eu agradeço o fato de vocês não terem me esquecido mesmo que eu não lembre muito de vocês. Só que não é nada confortável sentir que outras pessoas sabem mais sobre você que você mesmo. –desabafei.
-Vamos focar, ok? –Sam me olhou e eu afirmei com a cabeça.
-Nós temos que achar pistas ou algo que liguem as outras duas vítimas à Maggie.
-Bom, todas as pessoas passaram pela rua de sua empresa antes de serem capturadas. –Dean disse, dando uma golada em sua cerveja e se aproximando de nós. –Temos que ver se Maggie também foi capturada por lá.
-Eu e Dean estávamos nos preparando para checar o prédio abandonado, se quiser você pode ir com a gente. –Sam disse, recebendo um olhar feio do irmão.
-Eu vou. –afirmei sem nem pensar duas vezes. –Vocês chegaram na cidade hoje?
-Sim. –o mais velho respondeu de má vontade.
-Vamos assistir isso primeiro. –Sam chamou nossa atenção ao apertar uma tecla do notebook, ele já havia voltado o suficiente.
-Esse é o horário que ela geralmente sai. –disse impaciente ao ver vários funcionários saindo, menos ela.
-Quem é esse? –Dean apontou para um homem de boné que estava adentrando a empresa na hora da saída.
-Matt, é nosso vigia noturno. –mordi os lábios inferiores de tanta agonia. –Ele é novo.
-Parece que temos nosso primeiro suspeito. –O loiro anotou o nome de Matt em um papel.
-Não é ele. –Eu balancei a cabeça negativamente com veracidade.
-E como você pode ter tanta certeza? –O Winchester mais velho perguntou, fazendo com que eu o olhasse.
-Eu acho que eu reconheceria o cara que tentou me matar.
-Sério? –Dean me olhou incrédulo.
-Djins nem sempre andam sozinhos. –Sam explicou.
-É, eu li sobre isso mais cedo. –cocei a cabeça. –Mas não acho que Matt seja o culpado.
-Bom, até agora a sua amiga não saiu. –Dean apontou para a tela a nossa frente, ele parecia um pouco mais irritado que antes. –A menos que claro, você saiba de algo sobre esse cara que nós não sabemos.
-Matt é um amigo de infância. –respondi imediatamente. –Fizemos o ensino médio juntos, não tem como ele ser um Djinn.
-E voltou do nada pra te pedir um emprego? –Dean soltou uma risada de deboche. –Ou vocês são amigos inseparáveis desde então?
-Fiquei alguns anos sem vê-lo, mas isso não significa nada. –Eu cruzei os braços, a atitude de Dean estava começando a me irritar.
-Qual horário que você disse que a empresa fechava totalmente? –Sam interrompeu nossa briga, no momento ele parecia o único prestando atenção suficiente nas gravações.
-Às 19 horas.
-Bom, Maggie não saiu. –Sam fez uma cara de preocupação.
-Mas... –Eu tentei refutar, mas ele estava certo, não tinha nada comprovando que Maggie havia deixado a empresa.
-E lá está Matt fechando a empresa. –Dean parecia satisfeito com sua acusação.
-Eu vou conversar com ele. –me levantei.
-De forma alguma nós vamos deixar que você faça isso sozinha. –Dean segurou meu braço.
-Ah é, e por acaso você é meu pai agora? –retruquei furiosa, sentindo a mão de Sam no meu ombro.
-Eu sei que o Dean é um cabeça dura insuportável. –ele disse, me arracando uma risada. –Mas talvez ele esteja certo.
-E o que você tem em mente? –ignorei totalmente a presença de Dean, ficando de costas pra ele.
-Nós podemos nos passar por agentes federais, ou detetives contratados pela família já que não fez 48 horas ainda.
-É, acho que detetives fica melhor. –Dean tentou opinar atrás de mim, fazendo com que eu rolasse os olhos.
-Perguntaremos o que precisamos e você vai ter a chance de conversar com ele a sós também, se precisar...
-O que? Não! –o loiro negou com a cabeça, se enfiando no meio da conversa.
-Nós estaremos perto caso precise de segurança. –Sam completou, ignorando o irmão também.
-Ok, então acho que está na hora de irmos. –eu sorri para o mais novo. –Vejo vocês lá! –Disse antes de sair do quarto.

Quando cheguei na empresa eu contatei uma das secretárias e então pedi que ela chamasse Matt até lá, expliquei toda história falsa sobre os detetives e tudo saiu como planejado.
Ele chegou e eu conversei com ele, sozinha. Expliquei o que as câmeras mostraram e ele alegou não ter visto ninguém no prédio na noite passada, apenas havia ouvido um barulho estranho no térreo, mas que não viu nada nem nas câmeras, nem pessoalmente.
Sam e Dean apareceram algum tempo depois, ambos vestiam um terno preto bem elegante e todos nós seguimos para a sala de câmeras com Matt, ele mostrou tudo que havia feito desde que tinha chego na noite passada e passou por cima das piadinhas de Dean com classe.
-Como eu disse antes senhores... Eu conheço ele desde a adolescência e jamais confiaria esse cargo a qualquer um. –fiz meu papel no fim da entrevista.
Dean não satisfeito encheu a boca de ar para soltar alguma outra piadinha, mas foi cortado pelo irmão.
-Acho que terminamos com o senhor. –Sam disse, olhando para Matt. –Está dispensado por hora.
-Obrigado, se precisarem de mim novamente é só chamar. –Matt disse e saiu pela porta.

Nós continuamos na sala da vigilância vasculhando cada um um andar diferente. Sam voltou a câmera do andar em que Maggie trabalhava e conseguimos notar que ela saiu de sua sala exatamente no horário que eu havia dito que ela sempre fazia, mas ao passar por um ponto cego no térreo, desapareceu magicamente.
-Isso não é possível! –resmunguei, sentindo-me uma completa inútil.
-Talvez haja algum tipo de parede falsa no térreo. –Sam coçou a cabeça, confuso. –Seu pai já comentou algo sobre isso?
-Não! O que você acha que isso é? Scooby doo? –neguei com a cabeça. –Se quiserem checar fiquem a vontade.
-Vamos lá! –o Winchester mais velho disse, estalando o pescoço.

Nós estávamos agora no famoso ponto cego, Sam e Dean batiam nas paredes como dois malucos. Eu tive que dar o dia de folga para todos, não podia correr o risco de que acontecesse o mesmo que aconteceu com Maggie com mais ninguém.
-Talvez o que pegou Maggie não seja um Djinn –Dean suspirou, não haviam encontrado nada, nem sequer uma ventilação.
-O que mais poderia ser? –Engoli a seco novamente, talvez o Djinn fosse apenas mais uma das criaturas que eu já havia irritado quando era caçadora.
-Talvez algo com poder de teletransporte, como um anjo... –Sam mordeu o canto da bochecha, checando atrás do extintor de incendio.
-Não é um demônio, não há sinal de enxofre e aqueles desgraçados sempre deixam enxofre pra trás. –Dean disse passando o dedo no grande piso de mármore branco. –Impecável!
-Talvez porque a faxineira passou por aqui. –o olhei como se ele fosse a pessoa mais lerda do mundo.
-Talvez nós devemos checar o prédio abandonado. –Sam sugeriu, tirando suas luvas.
-Não acredito que estamos trabalhando em dois casos ao mesmo tempo. –Dean resmungou.
-Não sabemos se são dois casos diferentes. –eu o olhei. –Aquele prédio costumava ser da empresa, mas nós o vendemos quando papai teve um pequeno problema financeiro.
-Interessante. –o Winchester mais novo disse. –Há quanto tempo atrás?
-Eu era uma criança, meu pai conseguiu recuperar o dinheiro e aumentou este prédio aqui.

Nós fomos até o impala pegar algumas lanternas e armas das quais poderíamos precisar e então eu ri ao ver um chapéu de caubói enfiado no porta malas junto com as demais armas e outras coisas que os Winchesters guardavam ali.
-Vocês vieram de alguma festa a fantasia ou algo do tipo? –eu ri, colocando o chapéu na minha cabeça.
-Não! –Dean respondeu completamente sem jeito, pegando o chapéu imediatamente e agindo de forma estranha.
-Ok... –o olhei como se ele fosse uma aberração e em seguida voltei meu foco a segurar as coisas que Sam me dava.
Entramos no prédio abandonado e eu senti um arrepio na espinha. Eu lembrava mais ou menos como costumava ser, ele mantinha a mesma cor de antes, só que sua pintura estava prejudicada e havia mofo por todas as paredes, junto com marcas de infiltrações e algumas partes da tinta descascada no teto que pareciam que iam cair a qualquer momento.
-Bom, parece que o comprador abandonou mesmo esse lugar. –sussurrei, tive medo de o que quer que estivesse escondido alí pudesse nos ouvir. –Eu lembro um pouco daqui. –Ainda haviam alguns móveis no local, um velho sofá de espera e a bancada da recepção, junto com um amontoado de caixas de madeira que pareciam vazias.
-Pois é. –Sam disse tirando cuidadosamente um amontoado de caixas que estavam na frente da escada.
Enquanto aguardava que ele terminasse, eu respirei fundo me preparando psicologicamente para subir, quanto mais andavámos para dentro daquele prédio, mais escuro ficava. Eu passei minha lanterna ao redor, na tentativa inútil de enxergar todo o caminho que percorremos até alí.
Subimos a escada cuidadosamente. Sam era o primeiro e ele apontava uma arma com balas de prata para o vazio a sua frente, todos nós tínhamos facas de pratas mergulhadas em sangue de cordeiro guardadas estratégicamente. Eu estava no meio e Dean logo atrás de mim também com uma arma, a dele estava carregada com sal já que não sabíamos exatamente com o que estávamos lidando. Ele carregava uma mochila com sal e outros tipos de objetos de proteção.

Depois de algumas horas perdidas tivemos certeza de que não havia nada além de poeira, caixas vazias e insetos naquele lugar, nossa frustração era notável. Quando a noite chegou, nós estávamos cansados, sujos e famintos.
-Este caso está começando a me irritar. –Dean resmungou, tirando a poeira de sua roupa antes de entrar no impala.
-Nem me fala. –Sam suspirou. –O que vamos fazer agora?
-Não sei vocês, mas eu com certeza vou tomar um banho. –fiz uma careta.
-E comer. –o Winchester mais velho passou a mão pela sua barriga que roncava. –Nem sei o que fazer primeiro.
-Se vocês quiserem podem jantar lá em casa, provavelmente Berta deve ter feito algo delicioso.
-Eu topo! –Dean respondeu sem pensar duas vezes.
-Vocês tem troca de roupa no carro? Se quiserem podem tomar banho lá também.
-Ótimo! –Sam sorriu satisfeito.

Quando adentramos minha casa chamei Berta, que lançou um olhar assustado para nós, algo me diz que não era por causa do nosso estado de sujeira, mas sim por ela já conhecer os meninos.
-Notícias da dona Maggie? –ela perguntou disfarçando.
-Hey Berttie! –Dean sorriu. –Quanto tempo!
-Ainda não. –bufei, olhando para Dean estranhamente. –Vocês se conhecem? -perguntei e um silêncio constrangedor pairou no ar por segundos. –Enfim, não me importa! Estou morta, vou tomar um banho. –neguei com a cabeça, tirando meus sapatos. –Prepare a mesa, nós vamos jantar quando estivermos limpos.
-Sim senhora! –ela disse e desapareceu casa a dentro.
-Berttie? –Eu perguntei para Dean.
-Que foi? Ciúmes? –ele lançou um sorriso convencido.
-Claro que não, eu só gostaria de entender o que está acontecendo aqui.
-A gente meio que frequentava sua casa. –Sam respondeu.
-Até seu pai descobrir que éramos caçadores, claro. –Dean continuou.
-Ótimo, éramos bffs! –dei um sorriso falso enquanto parava na frente da escada. –Tem um banheiro aqui em baixo e outro no quarto de hóspedes lá em cima, fiquem a vontade. E aproveitem a intimidade para pedir a Berta toalhas limpas, fui!

-É, ela não mudou nada. –Dean ironizou, negando com a cabeça e se dirigindo na direção da cozinha para falar com Berta.
-O que vocês estão fazendo aqui?! –Ela sussurou. –A dona não se lembra de nada!
-Ela meio que está se lembrando. –Sam disse.
-Sério? Mas o sr...
-Ele estava errado. –o Winchester mais velho a interrompeu.
-Não se preocupe, nós não tivemos nada haver com isso, ela lembrou sozinha e reconheceu ele na rua. –Sam acalmou a empregada. –Você sabe mais que ninguém que nós nos preocupamos com ela.
-Sim. –Ela assentiu com a cabeça.
Berta havia sido minha cúmplice quando o assunto era esconder as caçadas do meu pai, e também me ajudava a se comunicar com os meninos sem que ele percebesse quando me proibiu de vê-los.
-E então, pode nos arranjar toalhas limpas? –Dean perguntou.
-Claro! Num instante.

Depois de um maravilhoso banho quente eu saí revitalizada, mas a preocupação com Maggie ainda me assombrava. Minha vida havia virado de cabeça pra baixo em menos de 24 horas, e isso era loucura! Se eu voltasse um dia no tempo e contasse a mim mesma tudo o que estava acontecendo eu provavelmente não acreditaria.
Na hora de escolher alguma coisa para vestir eu senti um aperto no peito, lembrando de como eu costumava me vestir antes de virar a "dona dos negócios da família". Me deu certa saudade, e então eu abri minha gaveta de camisetas e escolhi minha favorita, uma do Led Zeppelin que já estava um pouco surrada. Hoje parecia um bom dia para resgatar velhos hábitos.
Coloquei ela e uma calça jeans preta, penteei meus cabelos que ainda estavam molhados e então passei um pouco de perfume, eu não conseguia parar de me perguntar se Dean reconheceria aquela camisa que eu estava vestindo. Ele parecia me conhecer até mesmo mais que eu mesma.

Saí do meu quarto perdida em meus pensamentos, encarando o chão e me perguntando porque estava me importando tanto com o que Dean diria. Várias perguntas estavam surgindo na minha mente e elas pareciam estar cada vez mais longe de serem respondidas. Será que eu e Dean tivemos algo sério? Se sim porque ele não me contou? O que ele está esperando afinal de contas?
Meus pensamentos foram interrompidos por um barulho na porta atrás de mim, eu olhei rapidamente e paralisei ao vê-lo. Ele estava sem camiseta e secava o cabelo com a toalha, parecia não ter notado que eu o observava, ele parecia estar tão distraído quanto eu estava antes. Pigarreei, chamando sua atenção e a forma com que ele me olhou foi tão estranha como da primeira vez que nos vimos hoje mais cedo.
-Oi... é... esqueci a camisa no carro, desculpe.
-Tudo bem... –eu ri sem jeito. –Como eu disse antes... Fique a vontade. –Obviamente eu não iria reclamar da cena maravilhosa que eu estava vendo. Seu cabelo estava bagunçado, uma gota sortuda, digo solitária, pingava pelo seu pescoço e ele tinha uma tatuagem familiar. Olhei para meu braço direito, lá estava ela, a mesma tatuagem.
Berta havia me convencido de que eu havia feito ela enquanto estavava bêbada em um bar qualquer quando era adolescente e por isso eu não me lembrava.
Enquanto Dean se aproximava de mim eu estava perdida o olhando, fiquei completamente sem jeito quando ele me deu um sorriso convencido ao notar que eu o analisava.
-Aconteceu alguma coisa? –ele perguntou debochadamente.
-Não... eu... –levantei meu braço imediatamente, na tentativa exagerada de mostrá-lo a tatuagem e também de tentar disfarçar o verdadeiro motivo pelo qual eu o olhava.
-Relaxa, não é simbolo de nenhuma seita ou algo do tipo. –Ele riu, se aproximando ainda mais e tocando a tatuagem no meu braço. O toque leve que ele deu fez com que eu me arrepiasse imediatamente. –Ela ajuda a evitar que você seja possuída por demônios.
-Entendi. –Encolhi meu braço de volta rapidamente, para que ele não notasse. –Vocês precisam me ajudar a lembrar dessas coisas. –Desconversei, olhando para o chão.
-Eu meio que tenho algo seu no carro, vou pedir que o Sammy pegue pra mim quando ele for trazer a camisa.
-O que? –perguntei curiosa.
-Você vai ver. –ele sorriu, contente por conseguir me deixar curiosa. –Agora vamos descer que eu estou faminto.
-Ok. –Afirmei com a cabeça começando a descer a escada, ele fez o mesmo do meu lado.
-Você costumava usar muito essa blusa. –ele disse fazendo um fraco sorriso involuntário sair de meus lábios.
-Sério? –perguntei um pouco abobalhada. –Eu lembro que eu usava ela, mas eu não tinha certeza se vocês já me viram com ela.
-Agora tem. –ele sorriu de volta, nós chegamos ao final da escada e paramos frente a frente.

Um silêncio tomou conta de nós dois, Dean parecia analisar meu rosto assim como ele havia feito antes no hotel, só que agora eu fazia o mesmo que ele. Meu coração havia acelerado e o ar parecia rarefeito, sentia como se estivéssemos conversando sem dizer nenhuma palavra. Foi aí que as malditas perguntas que rodeavam minha cabeça segundos antes de vê-lo voltaram com tudo.
-Dean... –tomei coragem para falar alguma coisa, estava disposta a perguntá-lo sobre o beijo que eu havia lembrado na cafeteria.
-Sim? –ele perguntou com uma serenidade no olhar.
-Nós... é... –emperrei, nenhuma palavra saía e Dean pareceu começar a se preocupar com a pergunta que eu faria.
-Nós...? –ele perguntou, confuso.
-Dean, eu... –Sam apareceu, nos assustando e em seguida ficou um pouco sem jeito. –Desculpe, interrompo algo?
-Não, claro que não! –respondi imediatamente.
-Eu peguei sua blusa sem querer. –o Winchester mais novo jogou a blusa na direção do irmão que a colocou imediatamente.

Depois daquele momento constrangedor na sala, todos nos sentamos para comer, inclusive Berta, ela sempre me acompanhava nas refeições, era a única pessoa parecida com um familiar que eu tinha na minha vida.
Os Winchesters devoraram tudo rapidamente, elogiando Berta e deixando claro o quanto tinham sentido falta de sua comida, depois, Dean me entregou uma espécie de diário, o diário da minha mãe e eles partiram de volta para o hotel. Senti um vazio enorme ao vê-los ir, aquela casa sempre me deixava com a sensação de que era grande demais pra mim.

Deitei na minha cama tentando dormir, mas Dean não saía de minha cabeça. A forma como ele me olhava, o jeito que ele debochou de mim ao perceber que eu estava visivelmente atraída por ele, foi como se ele soubesse de algo a mais. Ainda sim, eu tinha medo de estar misturando as coisas, já pensou se aquilo que me lembrei fosse apenas a memória de algum sonho? Memória de sonho? Será que isso existe? O pior é que a única forma que eu tinha de descobrir se isso era real ou não era perguntando a ele.
Depois de tantas paranóias na minha cabeça eu finalmente apaguei.

"Eu estava parada na porta da minha casa de frente para Dean, parecia tarde da noite, estávamos um pouco animados demais, provavelmente por causa de alguma bebida. Eu estava arrumada, vestia um sobretudo preto por cima de um vestido decotado que era colado no corpo e um pouco aberto na perna direita.
-Eu não acredito que você tem esse filme! É um clássico! –Dean dizia empolgado, jogando-se no sofá e ligando a TV, enquanto eu procurava por um dvd na grande estante da sala. Ao encontrá-lo eu sacudi a capa e arranquei o disco, jogando-a na direção de Dean que agarrou precisamente e a olhou como se fosse a coisa mais legal do mundo. Coloquei o disco no aparelho e então me sentei do seu lado depois de buscar duas cervejas na cozinha.

Dean parecia saber todas as falas do filme e ele as falava enquanto imitava o personagem principal, nós estávamos assistindo um filme de velho oeste. Eu ria quase tão empolgada quanto ele, achando a empolgação dele algo único.
-Espera um minuto, já volto! –eu disse me afastando dele e subindo as escadas na direção do meu quarto. Peguei uma espécie de chapéu de cowboy que eu tinha guardado no meu closet e desci as escadas quase que correndo.
-O que tem aí? –Dean deixou de olhar a televisão para me olhar, eu estava escondendo o chapéu nas minhas costas.
-Fecha os olhos cowboy!
-Ok... –ele cerrou os olhos desconfiado e me obedeceu. Assim que me certifiquei de que ele não estava mesmo enxergando coloquei o chapéu em sua cabeça.
-O que é... –ele perguntou abrindo os olhos e tirando o chapéu de sua cabeça.
-Não é que combinou com você mesmo? –brinquei, gargalhando e voltando a me sentar.
-Pera esse é o... –ele disse examinando o chapéu que agora estavam em suas mãos.
-Aham. –afirmei com a cabeça. –O chapéu que foi usado no filme.
-Mas... como você...?
-Essa é uma das vantagens de ser rica. –mostrei a língua pra ele, tirando de sua mão e colocando em sua cabeça novamente. –E agora ele é seu.
-Que? Não! Eu não posso aceitar...
-É feio fazer desfeita. –cerrei os olhos pra ele, me aproximando um pouco mais. –E você ficou sexy com ele. –mordi meu lábio inferior e sorri, vendo um sorriso safado surgir no rosto de Dean. Eu selei seus lábios com um pouco de dificuldade por causa da posição que eu estava e por causa do chapéu. Eu estava de joelhos no sofá, totalmente curvada na direção dele.
O selinho se transformou em um beijo curto e eu me afastei um pouco olhando naqueles olhos verdes.
-Você sabe que se seu pai vê a gente assim ele nos mata. –Nossos rostos estavam tão próximos que eu pude sentir seus lábios encostarem levemente nos meus enquanto ele falava.
-O que houve? Dean Winchester está com medo de fazer algo perigoso? –sorri ainda mais provocando-o com uma leve mordida em seu lábio inferior, mas quando ele ia voltar a me beijar eu desviei na direção de um de seus ouvidos. –Meu pai está numa viagem de negócios. –Sussurrei voltando a olhá-lo e em seguida, fui na direção da outra orelha. –E eu dei dois dias de folga a Berta. –sussurrei novamente.
No momento que voltei a olhá-lo fui atacada por seus lábios, que pressionaram-se contra os meus com tanto desejo que quase me deixaram sem ar. Me deixei levar por Dean, jogando meu corpo contra o dele no sofá e sentindo suas mãos ultrapassarem o limite do meu vestido, seu toque era quente e me fazia sentir louca."

Acordei assustada com o celular tocando e amaldiçoei quem fosse que estivesse me ligando, olhei e notei que já estava sol e atendi sem olhar a tela pois podia ser alguma notícia de Maggie.

-Alô bela adormecida. –Era Dean, ouvir sua voz depois daquele sonho foi algo embaraçoso.
-Dean! –Quase gritei, sentindo-me corar, sorte que ele não estava lá pra ver minha cara.
-É... –ele riu do outro lado. –Então, é... Eu e Sammy estamos indo almoçar no seu restaurante preferido, achei que talvez quisesse ir com a gente pra depois... sabe nós vamos voltar no prédio abandonado.
-Porque vão voltar lá? Não vimos nada demais lá. –Eu disse checando o horário no relógio ao lado da minha cama, já eram 12:10.
-É, mas nós não olhamos ao redor do local, na rua. –ele explicou. –Quem sabe deixamos alguma coisa escapar?
-Eu vou me arrumar. –espreguicei, bocejando. –Vejo vocês lá.
-Até.

Tirar aquele sonho da minha cabeça foi algo impossível, principalmente quando me lembrei do chapéu que eu encontrei no porta malas do impala ontem, isso queria dizer que...
-Ai meu Deus... –falei ao me olhar no espelho. –Aquilo não foi só um sonho. –corri na direção do meu closet e revirei todas as minhas roupas até que o eu encontrei, o vestido vermelho que eu usei no dia em que me lembrei enquanto dormia.

Quando cheguei ao restaurante não sabia como reagir, cumprimentei os Winchesters com um tímido aceno de mão e sentei-me na mesa.

-Tudo bem? –Dean perguntou ao me ver sentar.
-Sim, claro! –dei um sorriso falso. –E então já pediram?
-Não, estávamos te esperando. –Sam respondeu com um sorriso fraco.
-Ok. –afirmei com a cabeça enquanto Dean acenava para uma das garçonetes, que veio toda cheia de sorrisos.
-O que deseja? –ela perguntou como se só houvesse ele na mesa e eu arqueei as sobrancelhas.
-Bem, eu vou querer uma costela com batatas. –ele deu seu melhor sorriso e então me olhou. –Ela eu acho que vai querer...
-Uma salada. –Respondi friamente, fazendo os dois me olharem de forma estranha.
-O que? Resolveu ser fitness agora? –Dean me olhou como se não acreditasse.
-Não estou com muita fome.
-Ok... Eu vou querer o mesmo que ela. –Sam disse fechando o cardápio.
-Sério? Você não cansa de comida de coelho não? –Dean riu, sendo ignorado pelo irmão mais novo que parecia acostumado com esse tipo de comentário. Já a garçonete forçou uma risada para chamar atenção.
-E o que querem beber? –ela perguntou.
-Cerveja. –respondi imediatamente.
-Agora sim falou minha lingua! –O winchester mais velho sorriu. –Eu também quero uma.
-Eu vou no suco de laranja mesmo. –Sam respondeu um tanto sem jeito, ele percebeu que eu estava irritada.
-Já volto! –ela piscou para Dean e saiu.
-E então qual é o plano de hoje? –tentei focar no que era importante.
-Nós vamos olhar nos arredores do prédio que entramos ontem, aquele beco do lado e talvez a rua de trás. Tem que haver algo que nos ajude. –O moreno explicou.
-OK. –suspirei, focando na mesa a minha frente, estava lutando contra minhas próprias memórias agora. Flashes de tudo que eu havia me recordado passavam pela minha cabeça, me deixando ainda mais confusa sobre Dean, entre elas, a que mais me fazia sentir confusa era a conversa que escutei no impala enquanto eu estava "apagada". Isso tudo me fazia ficar presa em uma expectativa estúpida de que talvez ele ainda sentisse algo por mim.

Porque eu estou preocupada com isso? Dean é bonito, engraçado e faz sim meu tipo, mas eu não sabia como tudo havia acabado e ele sequer se esforçou para me contar sobre nós. O que talvez indique que seja só passado, talvez nós terminamos amigos no final antes de que eu me esquecesse de tudo e quando ele tinha se referido que sentiu minha falta no impala ele estava dizendo isso porque ainda éramos amigos.
-Nossa como você está comunicativa. –Dean brincou, fazendo com que eu desse um sorriso bem falso que durou cerca de um segundo.
-Não estou com humor pras suas brincadeiras Dean. –deixei bem claro. Ele ia dizer algo, mas foi interrompido pelo toque de meu celular. –Alô. –atendi sem olhar.
-Porque não vamos trabalhar hoje, aconteceu alguma coisa? –Era Matt, ele parecia preocupado.
-Não Matt. –menti, observando as feições de Dean mudarem. –Relaxa é só um procedimento, os detetives que estão trabalhando no caso da Maggie pediram para que eu esvaziasse o prédio para que eles pudessem trabalhar.
-Vocês são bem próximas né?
-Sim, espero que a encontrem logo.
-Mas não se preocupe, eles vão achar. –Ele disse, fazendo um sorriso fraco e triste escapar de meus lábios. A verdade era que eu queria poder contar pra alguém toda essa loucura que estava acontecendo comigo.
-Tomara. –Eu pressionei meus lábios e então observei que nossa comida estava chegando. –Eu preciso desligar agora. –A garçonete atirada colocava os pratos sobre a mesa.
-Ok, se precisar de algo é só me chamar.
-Obrigada pelo apoio Matt. –desliguei e olhei para Dean que parou de me olhar apenas no momento em que desliguei o telefone.
-O atendimento aqui é maravilhoso. –Ele sorriu para a garçonete que retribuiu. –Você não estava trabalhando aqui há uns dois anos atrás, estava?
-Não, sou nova.
-Eu sabia! Porque eu definitivamente me lembraria de você. –ele piscou para ela, fazendo com que Sam o olhasse surpreso. Já eu o olhei como se fosse um palhaço qualquer, fingindo que aquilo não tinha me feito sentir ciúmes. Uma parte de mim me dizia que ele estava querendo me testar, e outra me dizia que o mundo não gira ao meu redor, de qualquer forma, fingir que não me importava era uma coisa que as duas partes concordavam.
-Então Sam, você foi capturado pelo Djinn certo? –O olhei por alguns instantes. –Você consegue se lembrar do que ele fez você imaginar?
-Sim, vagamente.
-Tem alguma possibilidade de eu ter sido envenenada por ele também?
-Talvez, eu não posso afirmar passei a maior parte do tempo inconsciente.
-Eu vi tudo. –Dean disse. –Estava soltando o Sammy quando ele voltou para o local em que estávamos e então você acabou sendo esfaqueada após matar o filho dele e bateu fortemente a cabeça no chão.
-Foi isso que me fez esquecer tudo?
-Bom, quase tudo. –Dean havia ficado sério. –Seu pai acabou percebendo que essa amnésia era a forma mais prática de fazer esquecer todas essas coisas ruins, então ele arrumou uma espécie de feitiço.
-E vocês concordaram com isso? –Minha indignação era evidente.
-Nós estávamos de mãos atadas. –Dean explicou.
-Era um recomeço pra você, algo que nós queríamos poder fazer mas que não podemos. –o mais novo continuou.
-É, alguém tinha que tomar conta dessa bagunça. –Dean terminou e tudo ficou em silêncio até terminarmos de comer.
Dean foi até o caixa pagar a conta e eu fiquei na mesa com Sam, não deixava de prestar atenção em tudo que o Winchester mais velho fazia, a forma com que ele andava, o sorriso convencido que ele costumava dar quando era elogiado pela garçonete que colocou um pedaço de papel em suas mãos. Eu não podia estar sentindo ciumes de alguém que mal conheço. Isso não existe!

-(s/n)? –Uma voz me tirou do transe em que me encontrava.
-Sim.
-Tem certeza de que está tudo bem? –Sam perguntou, preocupado.
-Sim... Eu só estou tendo problemas em digerir todas essas informações em tão pouco tempo. –respondi, vendo Dean voltar.
-Então vamos? –Dean perguntou ajeitando sua gravata, ele parecia saber o quão atraente ficava quando fazia aquilo.
-Vamos. –Eu levantei me adiantando, enquanto Sam e Dean ficaram para trás alguns segundos.
-O que deu em você Dean? –Sam sussurrou, fazendo o irmão dar de ombros e deixá-lo sozinho para trás. –Hey! –ele resmungou, alcançando Dean. –Isso tudo porque tá com medo de assumir que está com ciúmes da (S/n)?
-Que? –Dean finalmente parou, forçando uma risada falsa. –De onde você tirou essa maluquice?
-Toda vez que ela fala do Matt ou com o Matt você muda totalmente, vira um completo idiota.
-Isso é coisa da sua cabeça.
-Ah, sério? Você queria incriminar o cara de qualquer jeito, Dean. –ele deixou um sorriso de deboche escapar. –Está tentando fazer ela ficar com ciúmes?
-Cala a boca Sammy! –Dean socou levemente o braço do irmão, olhando disfarçadamente pra mim que havia parado na porta do estabelecimento e os olhava com uma cara de "desistiram de ir ou o que?". –Ela nem se lembra de nada que rolou entre nós e claramente não está interessada em mim, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
-Não sei não... Ela parece meio irritada demais pra quem não liga. –Sam terminou a frase e saiu andando como se nada tivesse acontecido, deixando o irmão parado com cara de tacho.
Dean me olhou e brevemente nossos olhares cruzaram, fazendo com que uma espécie de frio na barriga me fizesse travar. Tentei focar em qualquer outra coisa naquele restaurante que não fosse ele imediatamente, então encarei meus pés e me assustei quando Sam se aproximou de mim.
-Seu irmão desistiu de ir? –perguntei, deixando transparecer mais raiva e indignação do que devia. Dean conseguia me tirar do sério rapidamente, mesmo não fazendo nada. –Tem certeza que nós éramos amigos no passado?
-Absoluta. –Sam deixou um sorriso misterioso escapar e isso me pegou de surpresa, fiquei sem jeito e graças a Deus Dean nos alcançou para que pudéssemos sair dali.

Os minutos pareciam passar lentamente naquela tarde fria, estávamos a pouco mais de 10 minutos observando a movimentação da rua antes de começar a procurar por algo, mas parecia que estávamos ali desde ontem.
Quando finalmente começamos a explorar as ruas nos separamos, seria óbvio demais 3 idiotas passeando com cautela pelo mesmo lugar, Sam foi olhar a rua de trás, Dean ficou com o lado direito e eu com o lado esquerdo da rua. Depois de vários momentos de puro nada, cada um se posicionou em um canto como se não quisesse nada, trocávamos sms e observávamos pontos diferentes da rua procurando por suspeitos.
Umas meia hora depois um cara estranho, com um moletom todo preto e capuz apareceu, ele parecia preocupado com algo, andava com cautela, checava os arredores disfarçadamente, quando passou por mim eu fingi focar no meu celular, mas pude perceber que me olhou por algum tempo, tempo o suficiente para que eu ficasse assustada. Dei um pulo quando um sms fez meu celular vibrar.
"Esse pode ser nosso cara." –Era Dean, eu o vi de longe e ele parecia estar vindo na minha direção. Ele andava um pouco mais apressado que o normal e então, um sorriso surgiu em seus lábios, eu sorri de volta quase que espontaneamente. –Desculpe pela demora baby! –Ele falou um pouco alto já que ainda estávamos em uma distância considerável. Fiz uma cara de confusão e o sorriso dele pareceu aumentar por conta disso. –Sammy me avisou que já está esperando por nós. –Ele continuou, me puxando pela cintura e me abraçando como se tivesse acabado de me encontrar e então pude sentir sua respiração quente no meu pescoço. Entrei em seu jogo e o abracei de volta. –Ele ainda está te olhando. –sussurrou no meu ouvido, fazendo com que eu me arrepiasse.
-E agora? –Eu disse entredentes, tão baixo quanto ele, que interrompeu o abraço e me olhou de perto, minhas mãos agora estavam em sua nuca.
-É melhor irmos andando. –Ele continuou sorrindo, seu olhar estava indeciso entre mim e o cara que estava atrás de mim. Aproximei meu rosto do dele lentamente e quando ele percebeu, pude notar uma mudança em seu comportamento, ele não olhava mais pro cara, apenas para mim. Ficamos próximos assim por alguns poucos segundos que pareceram séculos, eu estava tentando tomar coragem de terminar o que eu tinha começado.
Meu olhar revezava entre sua boca e seus olhos, eu me aproximei ainda mais me controlando ao máximo e então fui de propósito para o canto da sua boca apenas para ver como ele reagiria. Depositei lentamente um beijo no canto de sua boca e fechei os olhos, permanecendo ali por um segundo apenas, quando voltei a olhá-lo notei que ele estava de olhos fechados, isso me fez rir.
-Sério? –Ele me olhou visivelmente decepcionado.
-Tu achou que eu realmente ia te beijar? –Coloquei as mãos na minha cintura, me segurando para não gargalhar.
-Claro! Quem resistiria ao meu charme? –ele respondeu, levando um tapa meu no braço e olhando para o local em que o cara estava antes. –Ele sumiu.
-O que? –me virei rapidamente. –Não acredito que você perdeu ele de vista! –fechei a cara.
-Isso foi sua culpa. –ele revidou. –Vamos para o beco, ele só pode estar lá! –completou, enviando um sms para Sam.

Nós andamos até lá e demos de cara com nada além de uma escada enferrujada, uma lata de lixo grande e paredes de tijolos já desgastados.
-Será que ele subiu? –Dean perguntou, olhando para cima.
-Talvez se ele for a Jessica Jones. –Ironizei, observando que para puxar aquela escada alguém precisaria ser bem maior que o Sam. –Nada faz sentido, essas escadas dão para o prédio abandonado que realmente está abandonado. Se ele realmente estivesse ali iriamos encontrar pistas ontem.
-Vim mais rápido que pude. –Sam disse esbaforido.
-E não adiantou de nada. –Dean resmungou. –Perdemos ele.
-Droga! –chutei a lata de lixo, que pareceu mais fixa que o normal. –Espera! –me aproximei dela lentamente, fazendo toda força possível para virá-la. Nada aconteceu, então nós abrimos a tampa. A lixeira aparentemente estava vazia, tinha apenas algumas latas no fundo, observei Sam se aproximar da lixeira colocando a mão em uma das latas que estavam lá, retirando um fundo falso, havia uma espécie de escada subterrânea escura e nada agradável.
-Por essa eu não esperava. –Dean disse e eu engoli seco.
-Vamos ter que descer né? –perguntei, observando Sam afirmar com a cabeça.
-É a única pista que temos. –ele disse, tirando uma lanterna de seu bolso e tentando iluminar o buraco.
Nós pegamos tudo que era necessário no impala enquanto Dean ficava de olho no buraco, e então nós descemos pelo buraco escuro de cheiro nada agradável.
-O que poderia ser isso? Esgoto? –Perguntei ao chegarmos no fim das escadas.
-Talvez um bueiro de gás. –Sam disse apontando a lanterna para todos os lados. –Não tenho certeza.
-Para que lado nós vamos? –Dean perguntou, estávamos na frente de uma bifurcação.
-Uni duni tê? –Fiz uma careta. –Nós não podemos nos separar, nos filmes isso não dá nunca certo.
-Eu concordo. –Sam falou.
-Que lado você escolhe? –O Winchester mais velho me olhou.
-Eu? -Engoli a seco, não queria ter que escolher nada.
-É, você sempre teve uma boa... intuição. –ele respondeu e eu travei olhando cautelosamente para os dois lados, enquanto respirava fundo tentando me concentrar em escolher.
-O esquerdo. –eu disse e eles me seguiram.

Os corredores mau iluminados daquela bifurcação, que não cheiravam nada bem, estavam me fazendo lembrar de um cenário de filme de terror. Me arrepiava a todo instante. Ontem de ontem neste horário eu estava sonhando com um mês de férias tranquilo e pacato, mas já vi que vai ser diferente.
Meu coração batia tão forte que eu conseguia senti-lo tremer no meu peito, era quase como estar jogando um jogo de terror na realidade virtual, só que pior. Dean tomou minha frente ao ouvir um barulho estranho vindo de uma porta emperrada e enferrujada que havia em um dos lados da parede. Ele tentou abrir cautelosamente sem fazer barulho, mas fracassou, acabou fazendo um barulho estridente de metal enferrujado arrastando no chão, então ele pausou a abertura da porta por alguns minutos para checar se podia fazer de forma melhor.
Eu e Sam olhamos para os lados totalmente assustados, verificando se não tínhamos chamado a atenção de algo para nós, mas nada aconteceu, toda aquela calmaria estava me deixando ainda mais nervosa.
O irmão caçula se ofereceu para terminar o trabalho de Dean, que já estava cansado, conforme Sam ia abrindo a porta, um cheiro forte de carne podre invadiu nossos narizes. Eu não queria ver o que estava atrás daquela porta, então me aproximei de Dean e segurei seu braço, encostando meu rosto nele numa tentativa inútil de esconder e não olhar diretamente para a porta. Quando ela finalmente se abriu ratos saíram correndo para todos os lados me fazendo voltar a prestar atenção naquele cenário de horror, eu saltitei algumas vezes com medo de ser atacada e apertei ainda mais o braço de Dean, que deixou uma risada frouxa escapar.
-Não sabia que tinha medo de ratos (s/n). –ele brincou, voltando a ficar sério ao perceber que a porta dava pra uma espécie de depósito pequeno. Ele ia se aproximando da porta quando eu percebi que não havia o soltado e ainda estava mumificada no mesmo lugar, isso fez com que ele parasse e se virasse pra mim. –Hey, tudo bem. Não precisa entrar se não quiser. –ele disse me olhando nos olhos.
-Eu preciso. –Afirmei com a cabeça, respirando fundo e diminuindo a intensidade com que eu segurava o braço de dele. De alguma forma aquele olhar me fazia sentir coragem.
-Ok, mas seja lá o que esteja lá dentro, tente não gritar. –ele sussurrou e eu afirmei novamente com a cabeça.

O quarto era pequeno e fechado, mas havia outra porta que era visível do lado de fora. Nós teríamos que atravessar o que quer que tivesse naquele lugar para chegar do outro lado.
Eu ainda segurava o braço de Dean receosa, passamos pela abertura da porta juntos e Sam foi logo atrás com uma arma apontada, quando olhamos para a parte não visível do lado de dentro, vimos um corpo em decomposição avançada, os ossos estavam a mostra em muitas partes e ainda haviam ratos em cima dele. Estava irreconhecível, provavelmente estava lá em baixo por algum tempo.
Me segurei para não gritar, senti meu estômago revirar e a vontade de vomitar foi imensa, eu cobri o meu nariz e virei a cara para o outro lado tentando me recompor.
Dean pegou sua arma e fez sinal para Sam abrir a porta a nossa frente, esta estava em melhor condições então não demorou muito nem fez barulho. O Winchester mais velho me colocou pra trás dele e nós corremos na direção das vítimas que estavam penduradas pelos braços, entre elas, minha amiga.
-Maggie! –Eu tentei falar o mais baixo possível, batendo levemente em seu rosto. –Ela não acorda. –Me virei para os Winchesters.
-Ela deve estar sobre os efeitos do Djinn. –Dean lembrou-me e eu afirmei com a cabeça, começando a cortar a corda que a prendia e deitando-a no chão.
-São três pessoas, uma pra cada, só com muita sorte vamos sair daqui sem que o Djinn nos alcance. –Sam falou ao deitar uma das vítimas no chão.
-Uma pena que vocês não tem isso, certo? –Uma voz masculina soou do outro lado da sala. Era o cara que vimos mais cedo antes de encontrar o túnel, só que ele agora tinha uma espécie de marca azul pelo corpo inteiro. –Achei que vocês eram mais espertos, eu tive que trazer vocês aqui praticamente. –Ele disse, adentrando a sala e deixando-nos perceber que havia mais alguém com ele. –Essa é minha esposa, e talvez a última coisa que vocês vão ver antes de morrer.
-Heather? –Era uma das minhas funcionárias. Eu olhei para os meninos, sentindo que meu coração ia parar a qualquer momento, tudo isso não passava de uma armadilha.
-Se você fosse um pouquinho esperto deixaria a gente em paz. –Dean avisou, colocando a mão em sua faca de prata que estava escondida atrás de seu corpo. –Acho que vamos ter que matar outros da sua família. –O djinn o ignorou, se aproximando de mim.
-Você demorou pra entender meus sinais princesa. –ele me olhava de forma doentia. –Se divertiu brincando de ser normal?
-Eu tive que ajudá-la a relembrar umas coisinhas. –Heather disse, também se aproximando.
-Foi você... –Dean fechou a cara imediatamente.
-De nada. –ela sorriu. –Eu percebi que ela havia perdido a memória ao tentar manipulá-la. –ela completou e eu fiquei me perguntando se tudo que eu havia me lembrado realmente tinha acontecido, ou se alguma parte foi invenção, apenas o veneno de Heather agindo em meu corpo.
-Mas assim foi melhor meu amor, agora temos os 3 juntos. –O cara disse.
-Como você fez isso? –Perguntei olhando para minha mais nova ex-funcionária.
-Eu só tive que dar um empurrãozinho e então sua memória voltou lentamente, por conta própria.
-Eu quero que você morra me olhando nos olhos, sabendo quem eu sou. –O djinn me segurou pela blusa e no momento que ele tocou a minha cabeça as lembranças exatas da noite em que eu perdi a memória apareceram em minha mente. Enquanto isso Sam e Dean começaram a lutar com Heather que jogou o mais novo contra parede deixando-o inconsciente e se colocou na frente de seu amado para defendê-lo com unhas e dentes.
Eu entrei num estado de hipnoze e Dean se distraiu, sendo jogado contra a parede também.
-Pare! –O djinn gritou para Heather que estava se aproximando de Dean. –Ela mesmo vai matá-lo. –ele sorriu. –E depois vai se lembrar de tudinho, bem antes de morrer.
-Hey, (s/n)! –Dean gritou ao ver eu me aproximar dele lentamente, com um olhar vazio. –Você tem que lutar contra isso! –ele continuou, levantando-se e segurando minha mão no momento em que a faca de prata ia acertá-lo.
Sam recobrou sua consciência e sem fazer muito barulho conseguiu acertar Heather por trás, deixando seu corpo sem vida cair ao chão.
-Não! –O djinn gritou, segurando Sam pelo pescoço. –Você vai ser o próximo!
Sam conseguiu se desvencilhar das mãos do Djinn que desviou de um de seus socos, acertando-o bem no queixo. O Winchester mais novo tentou socá-lo novamente, obtendo sucesso dessa vez, aproveitando a chance para apelar com chutes e encurralá-lo na frente de uma parede.
Já Dean, fazia de tudo para não me machucar, ele corria e desviava dos meus golpes, até que eu consegui segurá-lo pela blusa, ele estava ficando sem saída, teria que reagir.
-(S/n)! –Ele gritava, começando a entrar em desespero, ao ver que eu o acertaria em poucos segundos.
Sam olhou para o irmão e foi empurrado pelo djinn, caindo de costas no chão e urrando de dor. O djinn por sua vez, jogou-se em cima dele, com sua mão flamejando um azul fluorescente. O caçula segurou a mão da criatura antes que ela pudesse tocá-la e então jogou seu corpo para o lado, conseguindo manter-se em cima do djinn, onde finalmente com muita dificuldade conseguiu apunhalá-lo pela barriga.

Minha mão estava a milímetros do pescoço de Dean quando retomei a minha consciência, me afastei sentindo minhas mãos trêmulas e larguei a faca, sentindo as lágrimas alcançarem meus olhos. Dean quase deu a vida para não me machucar.
-Hey! –Ele me abraçou fortemente, colocando sua mão na minha cabeça e afagando meus cabelos enquanto eu soluçava de chorar em seu peito. –Já passou, já acabou. –ele me deu um beijo na testa.

Maggie acordou sem entender absolutamente nada, ela levantou atordoada e fraca e Sam a segurou antes que voltasse a cair.
-O que aconteceu? Onde estou? –ela perguntou, aturdida.
-Vamos sair daqui, depois a gente explica tudo. –Sam disse. –Consegue andar?
-Aham. –Ela afirmou com a cabeça e eu corri para abraçá-la.
-Eu te ajudo. –Disse, colocando seus braços em torno dos meus ombros e carregando-na. Sam e Dean pegaram as demais vítimas. Ao sair da sala e passar onde o corpo apodrecido estava, pude notar que havia uma escada parecida com a que descemos para chegar ali e ela dava para um local fechado. –Espera um pouco! –larguei Maggie por um tempo e subi as escadas empurrando o teto que para minha surpresa se mexeu. Continuei empurrando com mais força, até que Sammy tomou meu lugar, era uma pedra de mármore pesada.
Olhei para saber onde chegaríamos e dei de cara com o ponto cego do térreo da minha empresa, agora tudo fazia sentido. Subimos por ali mesmo e depois chamamos a ambulância para atender os que estavam fracos demais até mesmo para se manterem acordados. O sol estava se pondo quando a ambulância chegou.

Eu e os meninos fomos para minha casa, onde tomamos um banho maravilhoso e depois jantamos. Antes de que eles fossem embora, marcamos de nos encontrar as 22:00 num bar próximo para comemorar o fim do caso, então eu estava no meu quarto me arrumando.
Coloquei de propósito o vestido que eu estava usando na noite em que eu e Dean estávamos na minha casa, apenas para ver a reação dele, nos encontraríamos na frente do bar em 15 minutos.
Pouco antes de chegar no bar recebi um sms dizendo que eles tinham entrado pra guardar uma mesa já que o bar estava ficando cheio, então eu entrei direto, os meninos já estavam bebendo. Ao me ver, Dean se engasgou imediatamente, fazendo seu irmão o ajudar, dando tapas em suas costas.
-Algum problema? –Arqueei a sobrancelha, fingindo não entender o que aquilo significava.
-N-não! Nenhum. –Ele disse com dificuldade.
-Você está muito bonita (s/n). –Sam deu um sorriso sincero e eu retribui.
-É! –Dean afirmou com a cabeça.
-Obrigada. –sorri completamente sem jeito, me sentando na cadeira de frente para Dean, ao lado de Sam. –Uma cerveja, por favor! –Pedi ao garçom que afirmou com a cabeça. Eu sentia o olhar de Dean em mim a todo instante, mas eu tentava fingir que não estava percebendo isso, então peguei meu celular e mexi em algumas coisas aleatórias, esperando alguém puxar um assunto.
O garçom colocou minha garrafa na mesa e então eu sorri, olhando para Dean que tentou disfarçar.
-Eu acho que nós deveríamos brindar! –Eu disse, levantando minha garrafa.
-Ao nosso caso. –Dean disse.
-Às vidas que salvamos hoje! –Sam também levantou sua garrafa.
-À tudo isso, e pelas minhas memórias! Agora eu sei que estava no lugar errado todo esse tempo. –Completei e então nós brindamos e bebemos.
-Então, pretende voltar a caçar? –Sam perguntou.
-Ainda estou pensando no caso. –respondi, brincando com minha garrafa.
-Faça o que te fizer feliz. –Dean disse, levando sua garrafa até a boca novamente.
-Eu vou. –sorri.

Algumas horas depois, eu estava gargalhando com as histórias que os Winchesters tinham pra contar, algumas até mesmo sobre mim.
-Se isso não fosse a minha cara, eu não acreditaria! –Eu ri, negando com a cabeça.
-Bons tempos... –Dean sorriu de uma forma triste.
-É, parecia mesmo. –Eu fiz o mesmo.
-Bom, licença, eu vou ao banheiro. –Sam disse, levantando e saindo.
-E então, o que vocês vão fazer agora? –perguntei, olhando para Dean.
-Não sabemos ainda, estamos procurando outro caso. E você?
-Eu vou continuar na empresa, porém só por enquanto, até achar alguém de confiança pra tomar conta pra mim.
-E quando encontrar?
-Bom, talvez eu saia de férias pelo caribe, ou então gaste alguma quantidade absurda de dinheiro em Las Vegas. –Eu ri. –Ou... quem sabe eu faça uma visita a vocês, talvez até ajude num caso.
-Nos visitar? –Dean pareceu não acreditar no que ouviu.
-É ué, não somos amigos?
-Sim, claro... mas é que eu... alguns dias atrás eu não imaginava que fôssemos voltar a interagir. –ele deixou um sorriso bobo escapar, enquanto deixava de olhar sua garrafa para me olhar. –E quando voltamos a nos falar eu não imaginei que as coisas fossem voltar a ser iguais, a gente mudou... você sabe.
-Bom, parece que velhos hábitos são difíceis de quebrar. –Me controlei para que ele não percebesse o quão fofo ficava quando se enrolava. –E nunca é tarde pra recomeçar, certo?
-Certo. –ele disse e então uma música conhecida começou a tocar, era Tem years gone do led zeppelin. –Essa música! –Dean fechou os olhos por alguns instantes sentindo a música.
-Eu também amo, mas você já deve saber disso né? Sou eu que estou te conhecendo de novo aqui.
-Os flashes pararam? –Ele voltou a me olhar.
-Sim, talvez porque aquela loucura toda de perder a Maggie tenha deixado minha mente bem ocupada.
-Do que se lembra sobre mim exatamente? –ele engoliu seco, me analisando e eu paralisei tentando encontrar a resposta certa.
-Bem, eu... Acho que já te contei. –dei um sorriso falso e aproveitei a chance para chegar onde queria. –Você tem alguma memória nossa que queira compartilhar?
-Eu? É... não. –pigarreou. –Digo,você ouviu algumas aqui.
-Sim, mas algo que tenha acontecido apenas com a gente.
-Algumas mas...
-E ai o que eu perdi? –Sam voltou, sentando-se do meu lado novamente, recebendo um olhar de agradecimento do irmão.
-Parece que vamos ter visita. –Dean disse rápido, antes que eu pudesse abrir a boca para falar do assunto que estávamos falando e Sam franziu a testa.
-Visita? –perguntou o caçula confuso.
-É . –ele deixou um sorriso de lado escapar. –(S/N) disse que vai nos visitar quando der.
-Ótimo!

Nós conversamos um pouco mais antes que Sam se retirasse. Ele disse que estava cansado e que havia passado a madrugada passada pesquisando coisas sobre o caso de Maggie, mas pra mim, foi só uma desculpa para que Dean e eu ficássemos a sós.
Nós bebemos um pouco mais e então o Winchester mais velho resolveu me levar em casa. Após estacionar o impala na minha garagem, eu consegui convencê-lo a entrar pra provar um uísque importado que eu havia comprado, então nós subimos até o meu escritório, onde as algumas bebidas ficavam guardadas.
-É um uísque muito bom! –Eu disse, entregando um copo pra ele e aproveitando pra tirar o sobretudo que eu usava por cima do vestido, o aquecedor estava fazendo seu trabalho. O joguei em cima da mesa do meu escritório de qualquer jeito e voltei a olhar para Dean que falhou miseravelmente em desviar seu olhar do meu corpo, então, propositalmente me encostei na mesa cruzando as pernas como quem não quisesse nada e joguei meu cabelo pra trás.
-É, realmente muito bom. –ele respondeu e quase senti um duplo sentido em sua frase.
-Então, o que você estava falando antes de Sam voltar do banheiro?
-Eu não me lembro muito bem. –mentiu.
-Se não me engano era sobre as lembranças que deveríamos ter em comum. –bebi para disfarçar a risada que queria sair, eu não saberia disfarçar por muito mais tempo. –Não insisti no assunto perto dele porque não sabia se havia algum segredo... –me aproximei mais de Dean.
-Sammy e eu quase não guardamos segredo. –ele respondeu um pouco desnorteado. Se antes eu tinha dúvidas de que ele sentia algo por mim agora eu não tinha mais. Estava claramente rolando um clima alí, era quase como se os olhos de Dean me dissessem toda a verdade sem dizer nem uma palavra. Toda aquela atração que eu estava sentindo, aquilo não podia ser só coisa da minha cabeça ou da bebida, então eu resolvi apelar um pouco pra parte psicológica.
-Sei lá, eu sinto que nós temos uma ligação estranha... –Nossos olhares se encontraram, e eu senti um frio na barriga. –Tipo, eu adoro o Sam e tudo mais, só que nós dois parecemos mais próximos nas minhas memórias. –coloquei alguns cabelos atrás da orelha, o observando.
Ele se manteve olhando pra mim e então, pude perceber o momento exato em que seus olhos pararam nos meus lábios, pouco antes de ele olhar para o chão um tanto sem jeito por eu ter percebido e deixado um sorriso fraco escapar.
-É, você tem razão nós éramos mais próximos. –ele finalmente disse as palavras que eu queria ouvir.
-O quanto mais próximos? –perguntei fazendo ele ficar sério por um tempo.
-Não sei é uma boa hora pra falar sobre isso. –Dean coçou a cabeça, se afastando e ficando de costas para mim.
-E quando vai ser uma boa hora Dean? –Eu entrei em sua frente de novo, queria que ele me contasse a verdade, mas pelo visto não ia rolar. –Quando você sair da cidade?
-Estou começando a achar que você já sabe mais do que parece. –Ele retrucou, colocando seu copo em cima da mesa, ao lado do meu.
-E se eu te disser que eu não sei o que é verdade e o que foi invenção daquele djinn maluco? –suspirei indignada. –Estava esperando que você me esclarecesse isso.
-Então porque simplesmente não me perguntou?
-Não sei. Eu...
-Do que você se lembra? –ele me interrompeu, olhando nos meus olhos. –Diga agora e eu prometo que te direi a verdade.

Estávamos frente a frente, olhos nos olhos, a feição séria de Dean havia desaparecido, meu coração batia forte e eu não sabia outro jeito de reagir se não beijá-lo de uma vez. Me aproximei dele rapidamente, selando seus lábios e só relaxei ao sentir sua mão segurar minha cintura, apertando seu corpo contra o meu enquanto aprofundávamos o beijo.
Passei minhas mãos pelos cabelos de Dean e em seguida pousei uma delas em sua nuca. Eu podia sentir todas as borboletas no meu estômago em festa, principalmente quando o Winchester colocou-me entre ele e a parede.
Paramos alguns minutos por causa da falta de ar, mas não descolamos nossos corpos, nossos narizes se tocavam e podíamos sentir a respiração ofegante que demonstrava o desejo de ambas as partes. Selamos os nossos lábios lentamente enquanto ainda recuperávamos o ar e eu abri os olhos por alguns instantes, notando que ele também havia feito o mesmo. Ver aqueles olhos verdes tão de perto também me deixava sem fôlego, minhas pernas estavam fracas igual gelatina, o mundo parecia em câmera lenta, era como se eu estivesse sonhando novamente. Deixei um sorriso idiota escapar, pouco antes de sentir seus lábios quentes retornando para os meus.

Uma das mãos de Dean se entrelaçou em meus cabelos enquanto a outra descia lentamente da cintura até minha perna direita que foi levantada por ele, numa tentativa de colar ainda mais nossos corpos. Ele então desceu seus beijos pelo meu pescoço e eu coloquei minha outra perna em torno dele, deixando que ele me erguesse do chão, ficamos ali por alguns minutos a mais, quando paramos para pegar fôlego outra vez.
-Isso esclarece as coisas? –Ele perguntou, me olhando com um sorriso atrevido no rosto.
-Eu acho que essa é a resposta perfeita. –afirmei, fazendo Dean selar meus lábios mais uma vez e em seguida levei minha boca até seus ouvidos. –Se quiser podemos terminar isso em outro lugar... –mordi sua orelha após o sussurro.
-Hum... –ele fingiu estar pensativo. –Definitivamente sim. –sorriu após me ver mordendo o lábio inferior, me soltando lentamente.
-Por aqui Sr Winchester. –pisquei ao pegar sua mão e levá-lo silenciosamente até meu quarto, onde eu tranquei a porta e sorri para ele que retribuiu.
Voltei a beijá-lo intensamente enquanto desabotoava sua blusa, arrancando-a e parando o beijo para tirar a que estava em baixo. Toquei levemente seu peitoral fazendo com que ele se arrepiasse e me puxasse novamente para um beijo, só que desta vez, ele me jogou na cama posicionando-se em cima de mim, deixando um sorriso malicioso evidente, ele tornou a beijar meu pescoço e desceu até meu decote enquanto suas mãos indecisas passeavam pelo meu corpo. Ele não pensou duas vezes e se livrou do meu vestido rapidamente parando para observar o meu corpo, mas tinha algo lá que ele não tinha visto ainda: A marca da facada do Djinn. Ele parou por alguns instantes lembrando-se do que não devia e ficou sério.
-O que houve? –Sentei-me na cama, visivelmente decepcionada.
-Isso foi minha culpa.
-Nada disso foi sua culpa Dean. –Eu o olhei aproximando seu rosto do meu. –Deixa isso pra lá, já passou! –Encarei a cama por um segundo quando uma paranoia surgiu em minha mente. –Ou você...
-Não! Você continua linda. –Ele me interrompeu no momento em que percebeu que eu havia achado que minha cicatriz era o problema. –Nunca esteve mais linda. –ele passou a mão pelo meu rosto fazendo com que eu fechasse os olhos por alguns instantes. Ele selou meus lábios novamente, um selinho que se transformou num beijo lento, tornando a deixar seu corpo cair por cima do meu.
-Então vamos aproveitar o agora, depois a gente lida com o resto. –Eu sussurrei, fazendo ele sorrir e voltar a me beijar arduamente.
-Tem certeza que quer isso? –Ele me olhou novamente tentando recuperar o fôlego.
-Absoluta. –Respondi, mordendo seu lábio inferior e em seguida, sentindo seus lábios descendo pelo meu pescoço. Nós nos livramos do pouco de roupa que nos restava e sucumbimos ao prazer. Nós nos tocávamos e nos sentíamos com tanta vontade que parecíamos dois adolescentes que estavam descobrindo as sensações do sexo.
Sentir o calor do corpo de Dean sobre o meu, sentir ele descer seu beijos pela minha barriga com todo aquele desejo me fez arquear o meu corpo, arranhando suas costas e deixando um gemido de satisfação escapar. Isso serviu como combustível para que ele continuasse ainda com mais avidez.
Eu queria retribuir tudo aquilo que estava sentindo, então joguei meu corpo sobre o dele, ficando de joelhos na cama, com uma perna de cada lado de seu corpo, sentindo seu membro encostar no meu e o calor aumentar ainda mais. Beijei o peitoral de Dean, descendo cada vez mais e aumentando o meu desejo por ele em cada suspiro de prazer, principalmente quando ele entrelaçou seus dedos nos meus cabelos dando uma leve puxada, pedindo para que eu não parasse. Estávamos em êxtase, um calor enorme tomava conta do meu corpo e tudo que mais queríamos era aprofundar ainda mais essa sensação.

Ele colocou seu corpo sobre o meu novamente, fazendo com que finalmente eu o sentisse dentro de mim, eu passava minhas mãos por toda suas costas, apertando-na e arranhando-na, deixando-me levar por aquela sensação maravilhosa, sentindo e aproveitando cada segundo.

No dia seguinte, acordei ao lado dele depois de ter outro sonho com os Winchesters, parecia que eu havia me lembrado de mais coisas. Deixei um sorriso fraco escapar e olhei a hora, eram 10 da manhã. Tentei me levantar sem acordá-lo, mas foi em vão, senti sua mão agarrar meu braço e antes que eu pudesse sair da cama, fui puxada por ele, que me olhou por alguns segundos.
-O que está fazendo? –Perguntei, tentando não rir.
-Tendo a certeza que noite passada aconteceu mesmo. –Ele respondeu, ainda me encarando com aqueles olhos verdes.
-Não tem como fugir de mim agora. –brinquei.
-E quem disse que eu quero? –Dean disse imediatamente, ouvindo seu celular tocar. –Alô.
-Noite produtiva? –Era Sam, e havia um certo deboche em sua voz.
-Demais.
-Bom, e o que faremos hoje? Ficaremos na cidade por mais tempo?
-Sim, acho que podemos tirar alguns dias de folga enquanto não encontramos nada.
-Na verdade, eu encontrei algo, mas eu consigo lidar com isso sozinho. –ele disse, estava guardando algumas coisas na mochila. –Liguei pra avisar.
-Quê? O que encontrou? –Dean sentou-se na cama, preocupado.
-Nada demais é só um metamorfo. –Sam tranquilizou o irmão. –Eu consigo lidar com isso, só preciso do carro.
-Ah claro! Vou deixá-lo aí. –Dean sentou-se na cama. –E qualquer coisa me liga, eu vou focar em ajudar (s/n) com sua memória. –ele me olhou por um tempo. –Principalmente com as coisas da caçada, não queremos ela indefesa por aí.
-Entendo, estou esperando! Manda beijos pra (s/n).
-Ok! –Dean disse desligando.

Depois daquele dia eu tive uma bela semana com Dean Winchester e ele conseguiu me lembrar de basicamente tudo que pôde. De vez em quando ele me liga pra conversar. Nós dois concordamos em manter uma amizade colorida, sem obrigações, apenas nos livrávamos da saudade quando nos encontrávamos. E eu? Bom, eu fiquei na empresa do meu pai por algum tempo, passei aquelas férias me concentrando nas caçadas e agora trabalho nela, só que a distância.

30 de Novembro de 2019 às 17:21 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Annelies Winchester Amo ler e escrever. Amo supernatural, homem aranha, Sons of Anarchy, Scorpions, Harry Potter, Senhor dos anéis,

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