Contos Vampirescos e Outras Histórias Seguir história

sydney-dias1574513143 Sydney Dias

Contos Vampirescos e Outras Histórias é uma série de contos de terror com pano de fundo sobrenatural que narra o cotidiano de vampiros e outras criaturas sobrenaturais. As histórias de terror podem ser mais realistas do que você imagina e mais chocantes do que você esperava.


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Conto 1 - O vampiro do Meio-Oeste

O balcão do bar abrigava Sylar todas as noites. Essa era particularmente especial, era aniversário de casamento, tocava Sinatra, os dois dedos de Cowboy e o cigarro de cheiro inebriante lhe traziam boas lembranças.

Havia pouca gente numa terça à noite, nada mais que o anfitrião de barba falhada, no auge da sua meia idade, atrás do balcão dando brilho pela terceira vez ao mesmo copo, um grupo de belas jovens, que não pareciam ser daquele lugar, numa divertida partida de sinuca onde a bola mais alta valia duas cervejas e um cigarro mentolado barato, desses que os jovens gostam.

Sylar observava aquele jogo inábil, procurando os rostos das jovens que estavam cheios de álcool e gargalhadas, pedira mais um Cowboy, homens do seu porte não maculavam um bom whisky com gelo. Em pouco tempo a atenção do divertido jogo das jovens bêbadas se voltara a ele. Não era um homem bonito, era magro com rosto marcado pelos ossos abaixo dos olhos castanhos, tinha um cabelo negro penteado para trás digno de fazer inveja a James Dean, e uma roupa apropriada para uma festa fina numa sexta à noite.


Dava sua última tragada, examinando os olhares que revezavam com o seu. Pronto, era só escolher.Estava convencido de si, como talvez fosse todo quarentão perto de jovens bêbadas jogando sinuca, e quanto à pouca afeição facial, não era importante.Vampiros só precisam ser vampiros.

O vampiro de aparente meia-idade terminou seu drink e dirigiu-se até a mesa verde que ainda tinha a maioria das bolas dispersas esperando serem encaçapadas. O curto caminhar de Sylar até as jovens teria feito todo o bar pairar os olhares sobre ele, se estivesse cheio, oque não era o caso.

Ele pegou o taco de uma das pouco talentosas jogadoras, uma moça que aparentava ter acabado de sair escondida de casa com as chaves do carro do pai,postou-se sobre a mesa, separou as pernas, firmou os braços compridos, parecia um jogador profissional,mas era apenas um vampiro siberiano de três séculos que passava tempos demais em bares com mesas de sinuca.

As bolas foram caindo uma a uma, as jovens olhavam admiradas para aquele homem de pouca beleza, mas incompreensivelmente atraente, as mãos firmes emagras que faziam o taco deslizar sobre a mesa guiaram a atenção das futuras presas até o anel dourado com inscrições incompreensíveis que brilhava no dedo pálido do vampiro.

— Então quer dizer que nosso jogador é casado? — disse uma das jovens.
— É uma pena, achávamos que teríamos uma grande festa depois dessa partida — complementou outra.
— Já fui casado faz muito tempo, eu o mantenho de recordação, foram belos momentos, e belos momentos devem ser sempre lembrados — disse Sylar, enquanto terminava de encaçapar a última bola do jogo.

Olhou uma a uma, sentiu a mistura nauseante de perfumes de gosto duvidoso preencherem o olfato. Os pescoços longilíneos com veias tão pulsantes que era possível para ele ouvir o sangue as atravessando como um rio feroz, deu-lhe apetite. Fez um sinal para o bar, o fabuloso anel dourado com letras difíceis, provavelmente russo, iluminava no alto a indicação de que era preciso mais cinco garrafas de cervejas americanas baratas. O homem do bar instantes depois trouxe em sua bandeja redonda cinco garrafas pequenas, já abertas e com o vapor característico que saía de garrafas de cerveja geladas recém abertas.

— O senhor gostaria de mais um drink? — perguntou o homem do bar.

— Não será preciso, nós já estamos saindo —respondeu Sylar, colocando a mão no bolso e
atirando uma grande moeda dourada na direção do homem.

O homem consentiu com a cabeça, virou os calcanhares examinando a moeda contra a luz que pouco iluminava e voltou ao seu posto atrás do balcão.

— Que horas são agora? — perguntou Sylar a uma das moças que tinha um relógio cor de rosa no pulso.
— São 23:30 — ela respondeu.

Sylar aconchegou seus braços longos nos ombros de duas das moças e as outras três terminavam de formar a linha que se retirava do bar. Do lado de fora havia um Porshe prata com lugares o bastante apenas para o vampiro e uma acompanhante. As moças terminaram suas cervejas e atiraram as garrafas no estacionamento, mas elas não se partiram.
— Uau, esse é seu carro? — disse uma das jovens.
— É sim, vocês gostam?
— É um carro de homem — disse outra.
— Mas não cabem todas nós nele — completou a terceira.
— É verdade, não cabem — respondeu o vampiro — A propósito, que horas são?
— 23:38 — respondeu a de relógio cor de rosa.

Sylar soltou o ombro de uma das moças, procurou as chaves no bolso de sua calça de linho preta, a encontrou, deu o sinal para destravar o carro e então uma estaca de madeira penetrou suas costelas do lado esquerdo. Deu um urro de dor, apoiou as mãos no capô do Porshe prata que ganhava manchas vermelhas, e então como um animal acuado pôs as presas para fora.

As jovens vinham em sua direção portando estacas e a de relógio cor de rosa um soco inglês de prata com marcas de sangue seco, provavelmente de outros vampiros, ou talvez só alguns engraçadinhos.

Sylar puxou a estaca do corpo e a deixou cair no chão, segurando o ferimento com uma das mãos e se apoiando no joelho com a outra.
— Eu não deveria ter abaixado minha guarda,caçadores são criaturas da pior espécie, não se pode dar chance — disse o vampiro já com o ferimento se curando.
— Eu vou àquele bar já faz 50 anos, e nunca um grupo de jovens beirando a adolescência apareceu lá às terças, muito menos para jogar sinuca, vocês não tem respeito, que tipo de idiota acham que eu sou? — disse Sylar completamente indignado.

As jovens pararam em frente ao vampiro, com sorrisos de vitória no rosto e então sentiram que não eram tão vitoriosas assim. Começaram a vomitar, se contorcendo com dores insuportáveis no ventre, até irem caindo uma a uma, assim como foram a amarela,a azul, a vermelha, a verde, a preta, uma a uma nas caçapas.

Sylar foi andando com uma cautela que já não era necessária até a jovem do relógio cor de rosa, pegou seu pulso, conferiu as horas, era 23:40. Dez minutos, foi o tempo que levou para que o veneno que o homem do bar colocara nas cervejas fizesse efeito. Foi muito tempo, Sylar pensou.

Pegou a jovem do relógio cor de rosa no colo e pôs no carro, ainda tinha uma hora antes dela morrer e o sangue esfriar.
É seu aniversário de casamento, ele está satisfeito por comemorar com sangue de caçador.
E ele odeia rosa.

23 de Novembro de 2019 às 12:57 2 Denunciar Insira 1
Leia o próximo capítulo Conto 2 - Ser ou não ser

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Taynã Silva Taynã Silva
Um conto cheio de reviravoltas. Gostei.
December 14, 2019, 21:11

~

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