Deixe-se molhar Seguir história

alicealamo Alice Alamo

Deixe que a chuva leve embora os medos e as inseguranças, deixe a água escorrer pelo corpo como as palavras pela boca ao admitir aquilo que mais deseja e teme.


Fanfiction Livros Todo o público. © Imagem de capa de Fraddit (https://fraddit.tumblr.com/post/188073516906/pluvias-parmularum-made-via-photo)

#harry-potter #romance #yaoi #drarry #harrypotter
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Capítulo Único

Fanfic feita para o aniversário da Camy <3


Há algo errado com eles, e eles sabem. O erro, entretanto, não reside no que fazem, mas sim no que deixam de fazer. E isso para Harry é inadmissível. Enquanto olha para os olhos cinzentos de Draco, ele tenta imaginar o que se passa na mente do sonserino. Ele sempre foi um mistério, continua sendo, mas um mais maleável agora, um que Harry pode manter nas mãos e se aproximar olhando de perto, buscando uma resposta mais clara.

A chuva cai, forte, é tanta água que Harry sabe que, se estivessem usando um guarda-chuva trouxa, seria inútil. Mas Draco nunca usaria algo assim. A varinha na mão conjura um feitiço simples, e nem mesmo uma simples gota os atinge. O gelado da chuva ainda os rodeia, mas Harry é incapaz de sentir qualquer coisa que não o calor do corpo de Draco perto do seu.

Ele está lindo. Quer dizer, ele é lindo, Draco Malfoy é quase a definição de beleza em seu curto vocabulário. Mas… naquele dia, ele está ainda mais belo. E é por estar assim e ainda manter a insegurança nos olhos que Harry sabe que há algo errado.

Dizer os sentimentos que possuem em voz alta é bobagem, os dois sabem. Não há o que ser dito quando a verdade reside em tantos outros ato além da fala. Ainda assim, querem. Ainda assim, temem o silêncio que os abraça e impede que saiam daquele lugar.

Não é ruim no fim das contas. Harry sabe que nenhum dos dois se sente mal com aquilo a ponto de perder o chão, mas é um incômodo que sempre vem com a insônia, com as horas perdidas pela madrugada pensando em como será quando finalmente admitirem em voz alta.

Draco não dará o primeiro passo, eles sabem. Amor é um conceito abstrato para ele, pelo menos aquele tipo de amor, e Harry entende bem a tensão sobre os ombros do outro. Apesar de tudo, ele tem mais experiência que o sonserino naquele campo, o que Draco com certeza acha um motivo de vergonha, mas prefere manter para si.

A chuva engrossa, o frio faz o vapor que sai de sua boca ficar visível, os dedos gelados tocam os de Draco, e Harry sorri. Ama Draco, com uma certeza tão absurda que sente cócegas no peito, uma vontade absurda de rir pela felicidade de tal constatação. O sonserino pisca, confuso, e Harry lhe toma a varinha da mão ao dar um passo para frente. O feitiço se desfaz ao mesmo tempo em que outro ganha vida, uma magia diferente que Draco só experimenta quando Harry o beija, como naquele momento.

Os pingos da chuva castigam os corpos, as roupas, com a mesma força que o beijo de Harry esquenta seu corpo e faz as borboletas em seu estômago voaram. Suas mãos o puxam mais para perto, trêmulas, e ele sente Harry rir contra sua boca. Os trovões e a chuva tão próxima não permitem que se ouçam direito, mas Draco vê os lábios de Harry formando palavras, as três palavras que ele já tem decorado em sua mente como dizer de tantas vezes que praticou na frente do espelho.

A voz perdida na chuva lhe dá coragem, a roupa encharcada lhe dá a certeza de que aquilo só pode ser uma loucura e por isso ele também não sente medo ao responder em voz alta que ama Harry.

Os sorrisos bobos tomam as faces, as bocas se encontram enquanto as mãos exigem que não se afastem. As vozes vem sempre cortadas, trechos audíveis se somando pelas inúmeras vezes que repetem aquilo que os sufocou durante o ano.

“Eu te amo”, Draco é o primeiro a ter a frase completa. O rosto vermelho ao se dar conta do que fazem, o coração batendo como louco enquanto Harry ri sem constrangimento algum. “Eu te amo” é o que diz de volta ao puxá-lo para perto, a boca sobre o ouvido do grifinório, a alegria impedindo-o de congelar pelo frio do dia. Não há pressa para sair daquela chuva, não há motivo para se protegerem. Às vezes, durante uma tempestade, a melhor decisão é simplesmente se deixar molhar… afinal, não há nada de errado em baixar as defesas para a felicidade.

21 de Novembro de 2019 às 14:28 2 Denunciar Insira 5
Fim

Conheça o autor

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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Amanda Santos Amanda Santos
Perfeito! Sei nem o que dizer, tá muito lindo, fofo, meigo, eu sorri junto deles.
Camy <3 Camy <3
Own, meu anjinho, amor da minha vida... Obrigada! Isso aqui ficou tão fofo, tão suave, tão gostoso de ler e de sentir... sério, tu sabe direitinho o que eu preciso em cada momento. Já disse que tu é uma das minhas amigas mais próximas. Já não consigo mais imaginar minha vida sem tua presença, Alice. Valeu mesmo pela história, eu tô apaixonada e toda boba. Te amo muito 💗
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