Manipuladora de chamas Seguir história

jace_beleren Lucas Vitoriano

Shizue está procurando uma forma de se livrar do demônio das chamas Ifrit que reside dentro dela. Ela ouviu falar de um artefato mágico que poderá ajudá-la nesse proposito e vai atrás do mesmo.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#aventura
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Capítulo único

NOTAS DO AUTOR: Esse conto é do "anime do slime", que tem um nome longo demais para eu lembrar rs. Uma observação, eu não havia assistido muito do mesmo quando escrevi esse conto, então, talvez tenha alguma incongruência, caso aconteça, por favor tentem relevar. Dito isso, boa leitura!


*****

Para Shizue o medo e a incerteza eram companheiros constantes, não podia ser diferente visto que ela era a hospedeira de um demônio do fogo, um espirito elemental de enorme poder. Por muitos anos viveu controlada pelo demônio que influenciava todas suas ações. A presença da criatura era como uma segunda consciência. Shizue sentia seu poder avassalador, mesmo assim a criatura era um total mistério para ela. Apesar de dividirem o mesmo corpo Shizue não sabia nada sobre o demônio além de seu nome, Ifrit, e de que ele deveria ser temido.

Ela conseguia ter o controle de seu corpo, mas a voz do demônio estava sempre a sussurrar para ela, ordenando-a a fazer coisas ruins. Obrigando-a a lutar e a matar inocentes. Ela tentava lutar contra a influência do monstro, mas não importava seus esforços, no final ele sempre vencia e, por bem ou por mal, Shizue acabava cedendo a sua vontade.

Felizmente sua dor fora abrandada quando uma estranha lhe dera uma mascara especial, uma relíquia mágica que, quando colada a seu rosto, suprimia seu poder mágico como também a influência de Ifrit sobre ela. Era quase como voltar a ser normal de novo.

Desde então ela começara a viajar pelo mundo ajudando pessoas, tentando recompensar todo o mal que havia feito por causa de Ifrit. Shizue era uma adolescente de dezessete anos, cabelos escuros longos, olhos de uma tonalidade cinza como o céu nublado. Vestia roupas brancas, carregando na cintura uma espada longa. Seu rosto estava sempre oculto pela mascara, um objeto branco com detalhes negros em alto relevo, além de uma joia vermelha cravada em seu centro. Apesar de não ter brechas para os olhos a mascara não a impedia de ver nem a dificultava a falar ou respirar. Por estar sempre usando o objeto Shizue já havia se acostumado a ele ao ponto de considera-lo quase como um segundo rosto.

A garota caminhava solitariamente em uma caverna escura. O local parecia inabitado a muito tempo, a caverna era extensa e se ramificava em diversos caminhos tornando-se um labirinto natural. Já fazia quase uma hora desde que a garota peregrinava por aquele local sem encontrar um sinal de vida sequer, não havia nada ali, mas ela ainda mantinha esperanças de que não sairia dali de mãos vazia. Segundo lendas um objeto mágico poderoso estava escondido naquela caverna e ela estava disposta a encontra-lo.

Os caminhos da caverna porem pareciam todos iguais e as vezes Shizue tinha a impressão de estar andando em círculos, se é que isso era possível. Não havia nada ali que indicasse sinal de vida, nenhum esqueleto espalhado pelo chão, nenhuma marca peculiar nas paredes. Era tudo muito, muito estranho

- Você está perdendo seu tempo aqui... não a nada nessa caverna. O que você procura nem sequer existe – era a voz de Ifrit em sua cabeça. O demônio poderia estar contido dentro dela, mas ele ainda conseguia arranhar sua prisão, sua voz ecoando em sua mente como um murmúrio distante.

- Cale-se, ninguém pediu sua opinião – respondeu friamente em voz alta. Ela sabia que não precisava dizer as palavras, apenas pensa-las, mesmo assim sentia mais prazer em expressar em alto e bom som seu desprezo pela criatura – fique quieto e não me perturbe.

Não houve resposta, mas ela sentiu como um resmungo de desprezo em sua mente, Shizue o ignorou e prosseguiu seu caminho. Ela sentia-se tentada a acreditar nas palavras do demônio, já estava caminhando na caverna a um bom tempo sem sucesso algum e era bem provável que a lenda sobre o objeto mágico, no final das contas, não passa-se apenas de uma lenda mesmo.

Mas havia algo que a fazia acreditar no contrário. Shizue conseguia sentir o medo de Ifrit, sua ansiedade. Se o demônio estava assustado então isso era um indicio de que o objeto estava realmente ali.

Apegada a esse fio de esperança a guerreira seguiu seu caminho. Ainda podia ouvir o demônio debochando-a, ridicularizando sua ingenuidade e persistência, mas quanto mais ele a ofendia e tentava desanima-la, mais certa Shizue estava de que conseguiria o objeto.

Mais vinte minutos se passaram e nada de Shizue encontrar alguma pista do tal objeto. Seu progresso era confuso, chegando algumas vezes a becos sem saída e precisando retornar e pegar um outro caminho. Aquela caverna parecia um grande labirinto sem nada no final, mas Shizue persistiu em sua busca até que se deparou com uma ampla galeria. O caminho estreito da caverna se abria em uma área enorme, havia um lago de águas cristalinas na caverna com algumas ilhas espalhadas, como se formando um pequeno arquipélago. No centro do lago havia uma pequena ilha de pedra e, sobre ela, uma lâmpada de bronze com detalhes em prata.

- Ela existe!!! – seu sorriso se abriu como o de uma criança tamanha sua felicidade embora a mascara ocultasse seu rosto.

- Não, não vá ate lá!!! – esbravejou Ifrit em fúria dentro dela. Todo seu medo e sua insegurança se tornando perceptíveis.

Shizue o ignorou e pulou na primeira ilha. O objeto de sua busca estava ali, bem na sua frente, quando ela o adquirisse sua vida finalmente voltaria ao normal. Era a lâmpada de Zahid, um objeto mágico com o poder de aprisionar espíritos. Aquela séria a nova morada de Ifrit, ela o expulsaria de seu corpo e o condenaria a uma prisão solitária dentro daquela lâmpada por toda a eternidade e assim se livraria de seu fardo.

Nem tudo porem seria tão fácil assim e tão rápido quando o sorriso surgiu no rosto de Shizue ele desapareceu no momento em que uma serpente marinha gigantesca emergiu das águas. Era uma criatura colossal em tamanho, suas escamas azul-esverdeadas pareciam brilhar sutilmente devido a umidade. Seus olhos eram brancos, sem pupilas, e sua boca se abriu em um rugido ameaçador exibindo uma fileira de presas tão afiadas quanto adagas.

Shizue ficou em posição de combate e repreendeu-se por seu descuido. Como poderia ter sido tão imprudente? Se a lenda da lâmpada era real então a parte dela que falava de um monstro a protege-la também deveria sê-lo. Com um movimento elegante a guerreira sacou sua espada. Shizue era excepcionalmente habilidosa com essa arma, sendo uma esgrimista de raro talento.

- Não tenho nenhum interesse de mata-lo, mas se tentar me impedir irei destruí-lo! – bradou em aviso.

Como resposta o monstro atacou, abriu a boca e cuspiu um forte jato de água a uma pressão poderosa. Shizue reagiu com rapidez e eficiência. O fato de ter Ifrit dentro de seu corpo lhe dava a habilidade de acessar os poderes do monstro. Shizue manipulava o fogo com uma facilidade fascinante e rapidamente sua espada ficou envolvida em chamas. Ela girou a espada com destreza e rapidez fazendo um escudo de chamas que evaporava toda a água. O ataque da criatura fora repelido, mas a mesma continuou a lança-lo, expelindo água com cada vez mais força.

Era uma batalha de cansaço, quem cedesse primeiro levaria a pior. Shizue conseguia conter o ataque de seu oponente sem grandes dificuldades e ela poderia manter-se assim durante um longo tempo. O mesmo não se podia dizer da serpente marinha e quando a mesma se cansou e seu ataque cessou Shizue pulou em sua direção. Foi um salto majestoso, com a garota se elevando a três metros do chão. Não era o suficiente para alcançar a cabeça do monstro, mas Shizue ficou na altura do dorso da criatura e cortou-o com sua espada flamejante. Banhada pelas chamas a lâmina transpassou com facilidade carne e ossos da serpente. A criatura soltou um urro de dor e afundando na água.

Shizue saboreou a sua vitória e, pela segunda vez desde que entrara naquela caverna, sorriu. Como da primeira vez essa atitude se mostrou um erro e ela não percebeu a cauda do monstro emergindo da água e atingindo-a em pleno ar.

Foi arremessada com violência na água, felizmente a mascara a impediu de se afogar. Shizue afundou tonta pelo impacto. Quando voltou a si viu a criatura afundando junto com ela. O olhar dos dois se encontrou por um mero instante e então a serpente avançou em sua direção.

Dessa vez era diferente, agora estavam dentro da água e Shizue não tinha a vantagem. Tentou criar suas chamas, mas a água ao redor a impedia. O monstro avançou com toda sua fúria e Shizue percebeu que não poderia contar com seu poder de Ifrit naquele momento.

Tudo aconteceu tão rápido que ela nem sequer pensou, seu corpo simplesmente se moveu respondendo aos seus reflexos adquiridos em anos de combate. Ela girou para o lado evitando o ataque do monstro e, aproveitando o movimento, desferiu um corte com sua espada que atingiu a criatura um pouco abaixo da cabeça. A serpente marinha se contorceu de dor e seu sangue vermelho se espalhou pela água como uma nuvem escarlate.

Shizue quase pode ouvir o lamento de dor do monstro enquanto o via afundar nas águas negras do lago. Sentia pena dele, não era uma criatura maligna, mas sim um guardião. Ela assistiu em silêncio a criatura colossal afundar em um momento de luto e então nadou de volta para a superfície.

A lâmpada ainda estava lá, tão bela e intocável quanto antes. Assistira a morte de seu guardião em seu silêncio majestoso. Shizue admirou aquele lindo objeto que, no passado, servira de prisão para o gênio Zahid, um espirito semelhante a Ifrit. A garota nadou até a pequena ilha e subiu em sua superfície. Admirou a lâmpada que repousava em cima de uma rocha. Dessa vez não se permitiu sorrir, havia aprendido com seus erros. E talvez tenha sido isso que salvou sua vida.

Com uma explosão de fúria a criatura irrompeu das águas. Sangue escorria dos ferimentos abertos em seu corpo, mas a serpente avançou mesmo assim, disposta a dar tudo de si naquele ataque suicida. Dessa vez Shizue estava preparada, mesmo assim foi apenas por um milésimo de segundo que conseguiu se desviar do monstro logo após perfurar com sua espada o olho direito da criatura. Foi um movimento perfeito.

A não ser por um detalhe.

Sua esquiva não fora completa e a serpente atingira seu rosto com um impacto forte. Não doera muito, mas fora o suficiente para derrubar sua mascara. O objeto caiu no chão com um baque surdo e ela ouviu um grito de triunfo de Ifrit rasgando sua mente. Livre do poder da mascara que o continha o demônio canalizou toda sua vontade e determinação assolando Shizue com a força de um turbilhão. Seu corpo fora controlado por meros segundos, mas esse era todo o tempo que Ifrit precisava. Sob o controle dele Shizue sentiu suas mãos se apertarem no cabo da espada e a mesma ser envolta por chamas incomparavelmente mais poderosas das que ela havia criado instantes atrás. Seus braços se moveram em um movimento certeiro, a espada atingiu a lâmpada de Zahid e uma explosão de fogo e energia azulada se fez. Shizue foi empurrada para trás com o impacto.

Caiu com violência no chão e precisou de alguns instantes para se recuperar da dor e se levantar. Aterrorizada a guerreira olhou para a lâmpada e então sua expressão foi consumida pela desolação.

Não havia mais uma lâmpada, apenas fragmentos do que havia sido uma, espalhados pelo chão. Shizue sentiu-se perder o chão, sua boca tremeu e ela sentiu uma lagrima escorrer de seu olho direito. Estivera tão perto, tão perto! Por pouco não conseguira sua vida de volta, mas suas esperanças foram despedaçadas, assim como a lâmpada.

- Não vai se livrar de mim tão fácil Shizue! – ecoou a voz do demônio em uma gargalhada cruel – você é meu receptáculo e eu não abrirei mão de você. Um dia, nós dois sabemos, o poder da mascara não será o bastante para me conter e quando esse dia chegar eu ressurgirei. Quando isso acontecer trarei de volta o caos.

O corpo de Shizue fraquejou e ela se deixou deitar no chão, cansada demais para reagir as palavras do demônio. Ela sabia que ele tinha razão e não havia nada que temesse mais do que a chegada desse dia.

19 de Novembro de 2019 às 13:46 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lucas Vitoriano Ola, me chamo Lucas, adoro escrever, ver animes, jogar Magic the gathering, ler entre outras coisas mais rs. Sou particulamente fissurado em mitologia grega, meus autores favoritos são Neil Gaiman e Kazuo Ishiguro e, meu livro favorito, é As brumas de Avalon.

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