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gabrielfidelis gabriel fidelis

O planeta Terra corre sério risco de ser extinto por uma raça que batalha a milhares de anos por nossos recursos. Mas felizmente o nosso mundo conta com a ajuda de outro planeta que até então conseguiu manter a paz entre as 3 civilizações.


Ficção científica Todo o público.
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Capítulo 1

ー Que desânimo é esse, Amara hoje é teu dia. Levanta dai, “vamo” dançar pô!

ー Ah Maya, você sabe que eu não gosto de aniversário e muito menos de festa.

ー Como tu é estraga prazer cara ー Ela puxa uma cadeira desajeitadamente com um copo de cerveja quente numa mão e um Gudang black na outra. ー Eu sei que tu não gosta, mas cara, eu acho que já tá na hora de…

ー Esquecer ele? ー Interrompe Amara com a cabeça apoiada sobre a mão esquerda, em uma mesa de ferro preta, dando uma tragada no cigarro que tirou dos dedos da sua amiga. Aquele som abafado estava deixando ela cada vez mais irritada, embora ela curtisse hip hop, mas só de lembrar que ele havia deixado ela e sua família toda esperando por horas com jantar servido, já embrulhava o seu estômago num misto de tristeza e raiva. Nem mesmo a lasanha de frango preferida dos dois, tem o mesmo gosto depois desse dia. ー Não tem como esquecer Maya, me desculpa. Eu sei que já fazem 5 anos, mas pra mim... foi ontem. ー Ela bate o cigarro com o dedão caindo algumas cinzas no chão, esfrega a mão na testa com um ar de insatisfação. Os lasers coloridos dançam no seu rosto formando figuras geométricas e a fumaça do cigarro se mistura com a nuvem de gás artificial que aos poucos toma conta da danceteria. ー Eu não posso e não quero esquecer dele Maya, eu sinto muito, mas não consigo.


ー Bom amiga, então se você está mal, vamos para outro lugar talvez comer alguma coisa, de qualquer jeito, é seu aniversário, poxa vida, vinte e cinco anos não se faz todo dia, vamos comemorar de algum jeito. Não tem o que fazer, 14/06 sempre vai ser o teu dia. ー Diz Maya pegando ela pelo braço com um sorriso de orelha a orelha, ela deixa o copo de plástico em cima da mesa, apaga o cigarro no cinzeiro, Amara então cede e também sorrindo, sai balançando o corpo no ritmo da música. Ela bruscamente para e olha para um dos refletores de led coloridos e percebe que ele balança suavemente, e não é apenas um, mas aparentemente todos estavam trepidando, como se um terremoto estivesse se iniciando. Ela dá de ombros, e segue o fluxo sendo guiada por Maya.


No segundo andar da danceteria, elas sentam próximo ao balcão engordurado cheia de cicatrizes escurecidas com iniciais de casais que um dia estiveram ali. Amara está vestida com um vestido amarelo um pouco acima dos joelhos, uma tiara com o mesmo tom destacando seu black power e um All Star branco clássico. Ela cruza as pernas ainda com a cabeça apoiada em uma das mãos diz:

ー Sabia que o meu aniversário é amaldiçoado Maya?

ー Já falei pra ti parar com isso Amara, são só coincidências. Eu e a tua mãe já cansamos de te falar isso. ー Amara suspira fechando os olhos enquanto Maya pede duas cervejas e uma porção de fritas.

ー Desculpa estar assim tão depressiva, mas tu é a minha melhor amiga, então já deve estar acostumada com isso. Mas na tua opinião, seria menos um ano ou mais um? ー Maya toma um gole na cerveja e mostra um leve sorriso balançando a cabeça em negativa.

ー Pra mim… é mais um. Depende do ponto de vista.

ー É que eu acho estranho as pessoas comemorarem o fato de ficarem mais velhas. Já percebeu que… os mais felizes nos aniversários são sempre os convidados? ー Ela pega o copo ameça dar um gole. ー Sabe eu estive pensando nisso a dias, o processo de morte começa exatamente no dia do nosso nascimento. E nessa viajem de cara com a morte nós tentamos nos realizar como pessoa, como profissional e pra quê? E por isso é estranho pra mim, as pessoas te desejarem, saúde, felicidade, alegria e blá, blá, blá, apenas um dia do ano.

ー Não é verdade amiga, tem o natal também. ー Interrompe Maya com um ar irônico, rindo e tomando mais um gole, ela deixa escapar um pouco do líquido fazendo escorrer pelo seu pescoço. A gola da sua blusa branca levemente decotada está úmida de suor. Ela pega um guardanapo e esfrega suavemente. Ela puxa a carteira de Gudang Black do bolso da sua jaqueta jeans propositalmente desbotada combinando com a sua calça jeans folgada com alguns rasgos nos joelhos e coloca em cima da mesa pronta para fumar mais um. Amara puxa a carteira da mão dela e acende um cigarro para cada uma. Ela olha fixamente apertando os olhos por causa da fumaça do cigarro e diz:


ー De uns anos para cá eu tenho odiado meus aniversários porque as pessoas estão sempre querendo me bajular entende, Maya. O inferno são os outros, diria Sartre, eu coloco a culpa no meu irmão por tudo de ruim que aconteceu de lá pra cá. Não consigo aceitar o fato de que ele desapareceu bem no meu dia… me sinto agoniada, fico com aquela sensação de que ele vai aparecer a qualquer momento, mas essa merda nunca acontece e isso me deixa irritada, triste e sem motivos para comemorar e automaticamente… não consigo esquecer ele. ー Ela dá uma tragada forte e bate o cigarro com o dedo caindo farelos de cinzas em cima do tênis branco de Maya, nenhuma das duas se dão conta disso. Maya ainda está pensando numa resposta a altura da frustração de Amara, mas parece que está difícil, porque só agora Maya está entendendo de fato o que acontece na cabeça dela para ficar sempre apática no seu dia especial.


ー Olha amiga ー ela come uma batata frita ー só agora eu te entendo, nunca acreditei que seu dia fosse amaldiçoado. Coisas acontecem por um propósito, eu creio nisso de verdade. O tio Marlus passou mal e morreu, não foi porque você estava de aniversário, é por que era a hora dele, e a mesma coisa aconteceu com o teu gato antes do tio e depois com teu irmão. O dia em si não tem nada a ver, mas sim… com… com destino. Então por isso Amara, eu acho que é mais um ano. Mais um ano pra fazer aquilo tudo que não conseguiu fazer, mais um ano pra ti ser feliz cara, e tentar coisas novas. Mais um ano pra ti alcançar todo aquele blá, blá, blá. Se tu morresse, aí sim Amara, seria menos um ano. ー Ela pega na mão de Amara com os olhos cheio de lágrimas, pela epifania que teve quando ela finalmente contou o porque da tristeza ou pela fumaça do cigarro preso no cinzeiro de metal… ou pelas duas coisas.


Nesse momento lembranças de suas brincadeiras nas escola, segredos que elas duas sabem uma da outra, brigas, e aquelas longas seis horas de mal uma com a outra, foi o máximo que conseguiram ficar longe. Elas sempre estiveram juntas desde a quarta série quando Maya espantou a pedradas duas garotas no pátio da escola que estavam colocando apelidos racistas por causa da sua cor. Maya ajudou a se defender desde então. A escola como todos sabem é um lugar sem lei para todo o tipo bullying. Aquele dia foi como um encontro de almas, que de qualquer forma aconteceria, não importava quantas vidas fossem necessárias. E assim por alguns longos segundos sem falar nada elas se abraçam, fazendo aquele contraste lindo de peles. O preto, o branco, almas gêmeas, uma amizade eterna.


O barman incrivelmente emocionado diz: ー Essa é por conta da casa! ー Ele coloca mais dois copos de cerveja perto de cada uma. As amigas enxugando as lágrimas se soltam rindo e agradecendo ao gentil barman, Amara sente seu celular vibrar na bolsa, ela olha lentamente esfregando os olhos e ainda sorrindo um pouco do momento inusitado. Seis chamadas não atendida da minha mãe, lê ela baixinho.


ー Que estranho, a mãe me ligou seis vezes, mas eu avisei que ia sair com você e depois iria pra sua casa. Será que aconteceu alguma coisa? ーEla liga de volta, o celular chama até cair na caixa postal. Ela liga novamente, ela atende.

ー Mãe, alô? O que aconteceu?

Filha? Tá me ouvindo?

ー Sim, pode falar mãe, eu tô aqui na festa com a Maya, eu lhe avisei que vou dormir na casa dela. O que houve?

Filha ー chiados de estática, parece que ela estava entrando em túnel ー eu… casa… Amara! ー um barulho de carro batendo pode ser escutado ao fundo.

ー Mãe? Mãe? ー A ligação cai.

ー O que houve? ー Pergunta Maya comendo algumas batatas.

ー Eu não sei, a ligação tava cortando, não consegui entender praticamente nada. Muito estranho, eu acho que eu tenho que ir lá ver o que está acontecendo.

ー Você acha que é necessário? De repente ela só queria saber mesmo se você vai ficar lá em casa.

ー É talvez, ela é meio esquecida mesmo. ー Amara olha para o celular novamente e percebe que está sem rede. ー Ah, droga, eu queria ligar mais uma vez mas fiquei sem sinal.

ー Pega o meu.

ー Tá sem sinal também May. Que droga. Ei moço, pode emprestar seu celular pra eu fazer uma ligação rápida?

ー Claro. ー Ele joga o celular para ela sobre o balcão que consegue pegar no ar.

ー Cara, mas que porra é essa, tá sem sinal também!

ー Impossível. ー Diz ele com estranheza.

ー Tá, tudo bem, vamos ir então May. Fiquei preocupada. ー Amara joga uma nota de cem reais em cima do balcão ー Pode ficar com o troco moço, obrigada.


Conforme elas descem as escadas a música vai ficando mais alta, o cheiro de gelo seco e cigarros tomam conta. Chegando na pista elas percebem que está mais vazio que antes. Quando elas chegam perto da porta de saída, subitamente um mar de pessoas entram gritando desesperadas se espremendo para entrarem. As duas amigas sem saber o que fazer voltam por onde vieram, subindo as escadas um estrondo muito alto vem de cima, elas então desistiram de subir, apavoradas ela voltam a descer as escadas em espiral, no final da escada de repente uma fumaça de poeira com entulhos desce junto com elas como uma onda engolindo todos que ali estavam.

As duas são arremessadas contra a mesa do dj, Maya bate com a cabeça e desmaia Amara também, mas ela fica apenas zonza enquanto ouve gritos abafados, algumas pessoas tropeçam caindo uma em cima das outras. Seu peito dói, um bloco de concreto está esmagando uma de suas pernas, com a visão embaçada devido à poeira. Ela sente um liquido tépido e grudento molhar seu braço esquerdo, quando olha para o lado, percebe que Maya está perdendo sangue. O sangue se mistura com a fuligem que cai lentamente como neve, sem força para gritar, ela lentamente fecha os olhos e com o seu corpo coberto de poeira e ainda segurando a mão de Maya, ela desmaia.

5 de Novembro de 2019 às 20:41 3 Denunciar Insira 0
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Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Olá! Escrevo-lhe por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Caso ainda não conheça, o Sistema de Verificação existe para ajudar os leitores a encontrarem boas histórias no quesito ortografia e gramática; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores com relação a isso. A verificação não é necessária caso não tenha interesse em obtê-la, então, se você não quiser verificar sua história, pode ignorar esta mensagem. E se tiver interesse em verificar outra história sua, pode contratar o serviço através de Serviços de Autopublicação. Sua história foi colocada "Em revisão" pelos seguintes apontamentos retirados dela: 1)Verbo: "a milhares de anos" em vez de "há milhares de anos". Uso de dois tempos verbais na narração, como "embrulhava" — no pretérito — e "puxa" — no presente. É importante escolher apenas um tempo verbal para a narração. 2)Pontuação: "Que desânimo é esse Amara, hoje é teu dia." em vez de "Que desânimo é esse, Amara? Hoje é teu dia."; "'vamo' dançar pô" em vez de "'vamo' dançar, pô". Falta de pontuação para separar vocativo da frase. Frases iniciadas com letras minúsculas após ponto, como na fala "eu sei que tu não gosta" — só poderia ser iniciada minúscula caso fosse uma continuação da primeira fala do parágrafo, porém a pontuação interna do inciso não mostra essa possibilidade. "Nem mesmo a lasanha de frango preferida dos dois, tem o mesmo gosto" em vez de "Nem mesmo a lasanha de frango preferida dos dois tem o mesmo gosto"; "em cima da mesa pronta para fumar" em vez de "em cima da mesa, pronta para fumar". 3)Acentuação: "Levanta dai" em vez de "Levanta daí". Observação: os apontamentos acima são exemplos, há mais o que ser revisado na história além deles. Aconselho que procure um beta reader; é sempre bom ter alguém para ler nosso trabalho e apontar o que acertamos e o que podemos melhorar, e os betas do Inkspired, quando contratados, fazem uma análise detalhada da sua história e a enviam através de um comentário. Caso se interesse, esse recurso também é disponibilizado pelo Inkspired através do Serviços de Autopublicação. Além disso, também temos o blog Tecendo Histórias, que dá dicas sobre construção narrativa e poética, e o blog Esquadrão da Revisão, que dá dicas de português. Confira! Bom... Basta responder esta mensagem quando tiver revisado a história, então farei uma nova verificação.
6 de Novembro de 2019 às 10:15

  • gabriel fidelis gabriel fidelis
    Sim, gostaria muito de suas revisões, seria de muita importância para mim. 6 de Novembro de 2019 às 11:16
~