Yakuza's Shadow Seguir história

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No inverno de 1984, em 03 de Fevereiro, Akemi Sumiyoshi-rengo dá à luz a gêmeos idênticos, Mikki e Kenichi. Durante uma confusão no hospital Mikki é sequestrada por engano e mandada para a Rússia onde se transforma em Mikki Timofeev, filha de Mikhail Timofeev, o “Anjo da Morte” e um dos líderes da máfia Vory v Zakone (Bandidos dentro da Lei). Lá ela é educada nos moldes da cultura mafiosa japonesa, aprendendo a lutar e usar armas, e cresce acreditando que seu pai Shigeo “Doc.” Sumiyoshi-rengo a renegou por ser mulher. Mikki quer vingança a qualquer custo e sem medir consequências ela irá se infiltrar na Yakuza, a máfia mais temida do mundo, fazendo inimigos, mas também, criando laços com pessoas que irão ajudá-la e guiá-la. Ela confia nas pessoas erradas e desconfia das pessoas certas. Mas só o tempo e a dor farão com que Mikki perceba o que realmente é importante em sua vida.


Crime Para maiores de 18 apenas.

#yakuza #tragedia #Rússia #policial #original #máfia #japao #italia #drama
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Separados ao nascer

- CONTÉM: violência explicita, morte, tortura, sexo, incesto (+18). Se isso te incomoda, ALERTA: NÃO LEIA.


Isso NÃO é um romance, é YAKUZA, baby!



“O Xintoísmo foi a primeira religião japonesa. Como a religião de um povo primitivo que tal como todos os outros povos eram sensíveis às forças da Natureza e cultivavam a mitologia. Esta religião considera os Humanos inferiores à Natureza e tem como propósito fundamental provocar um sentimento de unidade entre o mundo natural e o povo. Quanto à vida dos Humanos propriamente dita o Xintoísmo diz que nascemos com duas almas: a superior chamada Kon de natureza divina e a alma inferior Haku que vem da terra e representa a natureza humana. Quando o homem morre as almas tomam caminhos diferentes o Kon ascende ao Céu e é absorvido pelo Senhor dos Céus e o Haku descende à terra para ser julgado por um magistrado demoníaco, desse julgamento pode decorrer a prisão no inferno durante um período de tempo por falhas em vida e após o qual a alma renasce no Mundo, ou a alma ser recompensada e tornar-se um espírito ou mesmo um deus das cidades se tiver realizado feito extraordinários. Isso só se realiza se o morto tiver tido a veneração dos seus familiares com sacrifícios, oferendas de alimentos em sua honra e ritos funerários. Se isto não tiver ocorrido os xintoístas acreditam que o morto se transforma em fantasma ou vampiro e volta à terra para prejudicar os vivos.”

Trecho retirado do blog A Religião e o Homem https://areligiao.blogs.sapo.pt/1839.html



Japão, Tóquio – inverno de 1984



- Shigeo-san! – Akemi gritou da porta do escritório interrompendo a reunião do oyabun com seus conselheiros.

- Akemi! – o marido se levantou às pressas e foi ao encontro da mulher.

Ela segurava a enorme barriga com uma das mãos e sua calça estava completamente molhada. A bolsa havia estourado e Akemi entrara em trabalho de parto.

- Mexam-se! – o oyabun grita para os homens dentro da sala – Eu preciso do carro, agora!


Os gêmeos da família Sumiyoshi-rengo estavam para vir ao mundo. Uma menina e um menino. Mikki e Kenichi, respectivamente. Os nomes foram escolhidos pela mãe sem qualquer oportunidade da participação do pai.

Shigeo “Kagaku-sha” Sumiyoshi-rengo era o oyabun da segunda maior família Yakuza que se dividia em 177 clãs e contava com mais de dez mil membros, porém, quando o assunto era Akemi, a última palavra sempre era dela.

Se conheceram durante um Yubitsume onde o irmão de Akemi, Yudi jurava lealdade ao pai de Shigeo, o oyabun em exercício na família Sumiyoshi-rengo. Desde então tornaram-se amigos e depois amantes e se casaram quando Akemi engravidou dos gêmeos.

O pai de Shigeo morreu e ele herdou a posição de oyabun na família. Ganhara o apelido de “Doc.” ou “Doutor”, em homenage à um cientista norte americano auto intitulado “Science Doc.”. Era um estudioso excêntrico que costumava inventar coisas inúteis e tentar vende-las para grandes empresas.

Um dia ele conseguiu, havia criado um pequeno disco para armazenar grandes quantidade de arquivos usados em computador. Shigeo era fã do “Science Doc.” e costumava inventar diversas formas de burlar as máquinas de apostas para lucrar cada vez mais com os viciados em jogos que procuravam suas casas de diversão.

Sua família comandava toda organização de jogos legais e ilegais no Japão. Estavam por trás de cada cassino ou caça níquel existente no país e dificilmente um apostador conseguia levar a melhor e tirar dinheiro dos Sumiyoshi-rengo.

Mas o yakuza ou 8-9-4, um jogo de cartas parecido com blackjack, era o mais popular entre os apostadores e eram feitos em locais específicos, bem protegidos pelos homens de Shigeo e geralmente localizados nas partes periféricas da cidade.


- Calma meu amor! – Shigeo quase gritou junto com Akemi quando ela esmagou sua mão durante uma contração – Não dá pra ir mais rápido?! – ele gritou com o motorista que acelerou temendo a ira de seu oyabun.

Akemi apertou a mão dele novamente e contraiu o rosto em uma expressão de dor.

- Você me pede calma porque não é a sua vagina que está sendo rasgada ao meio! – ela não tinha muitas papas nas línguas, principalmente quando estava irritada.

Shigeo riu. Adorava quando sua amada desbocada saia da pose e era ela mesma. A mulher que ele conhecera há pouco mais de um ano e que estava prestes a lhe dar dois filhos em uma tacada só. Quando chegaram ao hospital os kobuns que estava nas proximidades já haviam mobilizado o corpo médico que estava à espera do casal.

Akemi foi colocada em uma cadeira de rodas e levada às pressas para a ala da maternidade. Coisa rara uma mulher grávida de gêmeos dar à luz naturalmente, mas Akemi “Doc.” Sumiyoshi-rengo não era uma mulher comum.

Embora tenha sido educada por sua família para ser uma mulher do lar, sua preferência sempre foi por bebidas caras e rapazes bonitos. Costumava frequentar os melhores bares e restaurantes de Tóquio e estava sempre acompanhada por algum rapaz membro de família rica e destacada na sociedade japonesa.



- Vamos lá, okāsan! – o médico obstetra encorajou Akemi – Empurre!

Ela gritou e empurrou e sentiu uma dor lancinante cortá-la ao meio. Mais um empurrão e a primeira criança estava no mundo.

- É uma menina! – uma das enfermeiras gritou.

Akemi mal teve tempo de comemorar e as contrações recomeçaram. O segundo bebê estava se preparando para sair também. Apesar do frio intenso do inverno japonês a sala estava quente e Akemi suava, seus cabelos loiros estavam grudados na testa.


Akemi era filha de uma aldeã japonesa e um general alemão que se refugiou no Japão após o fim da Segunda Guerra Mundial. O homem trocou de nome, conseguiu novos documentos e fez uma pequena fortuna como assassino de aluguel exclusivo da família Sumiyoshi-rengo.

Mas quando não estava exercendo sua atividade de prestígio, era um exímio pai de família e marido dedicado. Sua esposa era conhecida como a “Fera de Nagóia”, por ser extremamente ciumenta e por ter uma certa preferência por brigas com os vizinhos em público.

Claro que ninguém ousava enfrentar a mulher do alemão da Yakuza, temendo perder a vida nas mãos do homem que primeiro servira a Hitler e agora servia com lealdade à família Sumiyoshi-rengo. Mas quando Akemi tinha catorze anos sua mãe morreu de um ataque fulminante enquanto transava com o amante em uma pensão para homens solteiros.

Klaus, o marido, fingiu não se importar e deu à sua amada um funeral digno de rainha. Ao final, quando o corpo já estava completamente consumido pelas chamas, o assassino foi atrás do amante e ficou três dias trancado no quarto com ele.

Ninguém ouviu um único “ai”, mas quando Klaus saiu, coberto de sangue seco, pedaços de pele, cabelos e levando consigo o pênis pendurado em um anzol, disseram que a camareira da pensão, após uma semana, encontrou o que parecia um dos olhos embaixo da cama sendo devorado por formigas e baratas. Klaus jamais falou algo que depreciasse sua esposa.


- Muito bem senhora Sumiyoshi-rengo, - o obstetra comemorou – só mais um empurrãozinho!

O grito de Akemi foi ouvido no corredor e Shigeo invadiu a sala no exato momento em que o médico cortava o cordão umbilical.

- É um menino! – a enfermeira mostrou a criança para o oyabun, mas ele estava preocupado com sua mulher, sua jóia, como a chamava.

- Akemi?! – ele se aproximou e a beijou por todo o rosto enquanto tirava os cabelos grudados na testa suada – Você está bem?

- Tivemos dois bebês, Shigeo. – ela sorriu exausta e fechou os olhos – Eu estou cansada.

O médico pediu ao oyabun para sair, precisavam cuidar da mãe e das crianças. Shigeo “Doc.” obedeceu, recomendando que fizessem o trabalho bem feito e deixou a sala. Minutos depois o corredor ganhou uma movimentação estranha, a porta da sala de parto se abriu e duas enfermeiras saíram, cada uma com um bebê nos braços.

Um dos bebês chorava alto e chamou a atenção dos homens de Shigeo. Mal perceberam que e na direção oposta vinham mais enfermeiros. A porta se abriu novamente e Shigeo ouviu a palavra hemorragia. Tentou entrar, mas foi barrado e seus homens o seguraram.

Ele não soube quanto tempo durou a espera, mas horas depois sua preciosa Akemi estava morta e sua filha havia desaparecido. A enfermeira de cabelos pretos e olhos azuis que a carregava também.




Rússia - Moscou


- Ah, eu adoro esse jogo! - Mikahil Timofeev jogava uma partida de 8-9-4 com seus amigos e tomava saquê em um pequeno copo com adornos japoneses.

- Senhor? – um homem extremamente alto e de cara quadrada se aproximou – Nádia avisou que está tudo correndo como o planejado.

Mikhail sorriu. Apesar de seu 1m60 ele era um homem temido e dono de um verdadeiro império, herdado de seu pai, Andrey Timofeev. Também era temido por ser violento e dar à seus inimigos mortes lentas e dolorosas.

Mikhail Timofeev fazia parte da máfia russa e era um dos líderes da Vory v Zakone ou “Bandidos dentro da Lei”. Comandava a polícia e praticamente metade da Rússia, tendo aliados dentro do governo e das forças armadas.

O “anjo da morte”, como era conhecido, não costumava dar segunda chance à quem quer fosse. Qualquer erro cometido era punido com a morte. Dono dos cartéis de armas, tráfico humano, drogas e mais de mil centros de prostituição, sua fama era conhecida no mundo todo.

Era o principal inimigo da Yakuza, principalmente por suas investidas no mercado japonês, incluindo compra de ações de grandes empresas e investimentos no mercado de armas. As importações de algumas empresas eram comandadas diretamente por ele e todos os lucros repassados, também, diretamente para ele, sendo apenas uma parte devolvida às empresas japonesas.


- Ótimo! – ele virou o saquê que estava no copo – Eu não vejo a hora de ter o pequeno Sumiyoshi-rengo em meus braços.

Mikhail riu jogando a cabeça para trás e foi servido de mais saquê por uma prostituta russa vestida de gueixa. Shigeo havia desmontado um esquema de venda de armas que era mantido por Timofeev há anos, matara todos os russos infiltrados no Japão e mandara seus olhos, orelhas e línguas em uma caixa de ouro.

Junto com a caixa um bilhete que dizia: “Comunista maldito, fique fora do Japão ou será a próxima Pearl Harbor”. Timofeev guardou a caixa e o bilhete e esperou. Esperou por três anos até que encontrou o momento certo para sua vingança.

Queria tirar de Sumiyoshi-rengo seus bens mais preciosos e isso não incluía negócios. Ele queria tirar partes do corpo de Shigeo, incluindo seu coração e o fez. Matou Akemi “Doc.” Sumiyoshi-rengo e sequestrou o único filho de seu inimigo.


- Prepare a festa! – ele ordenou para a “gueixa” – Vamos comemorar no melhor estilo russo!

E isso significava beber muita vodka e transar com quantas mulheres fosse possível, pelo menos no estilo russo Mikhail Timofeev, o “anjo da morte”.





Shigeo chorava sozinho sobre o corpo pálido de Akemi. Ele não havia entendido muito bem a explicação dada pelo médico, mas algo se rompeu dentro dela e uma forte hemorragia começou. Não foi possível controlar e ela morreu.

Embora o médico tenha tentado explicar de forma simples, o “Doc.” não esperou e atirou na cabeça dele dentro da sala de parto. Todo o restante que compunha o corpo médico correu, mas foram pegos depois, um a um. Exceto a enfermeira que levara a menina.

Outro médico foi chamado para cuidar do outro gêmeo que iria precisar ficar na incubadora por algumas semanas. Shigeo destacou seus melhores homens para varrerem o país em busca de sua filha, mas antes que eles pudessem dar um passo, ele recebeu a notícia de que ela havia morrido.

Parada cárdio respiratória. Comum em prematuros, principalmente gêmeos. O pediatra que dera a notícia tremia diante do “Doc.”, mas o oyabun da família Sumiyoshi-rengo estava triste demais para querer matá-lo. Pegou a criança que estava enrolada em uma manta branca, beijou e levou para junto de Akemi.

No dia seguinte as duas foram cremadas juntas em um funeral fechado apenas para a família. Ayko, a filha do primeiro casamento de Shigeo fez as honras, já que não tinha conhecido sua mãe biológica. Amava Akemi como se fosse sua verdadeira mãe, pois sempre fora muito bem tratada por ela.

Shigeo ficou orgulhoso da filha e até achou que se pareciam pois Ayko era loira natural como Akemi. Os dois ficaram até que a cremação terminou e levaram as cinzas em uma urna de ouro para o santuário que havia na casa da família.


- Mikki? – Timofeev estava de ressaca e de mau humor – Que nome horrível!

Ele se referia ao nome dado à filha do “Doc.”.

- Sim. – Nádia respondeu com dificuldade já que estava com os lábios inchados e machucados.

- Minha querida, - ele acariciou os cabelos negros dela – o que foi que eu pedi para você?

Videl desatou em um choro estridente.

- Me perdoe senhor, eu imploro! – ela cuspia sangue enquanto falava – Eu faço qualquer coisa que mandar!

Mikhail deu-lhe um tapa no rosto.

- Você não sabe a diferença entre um menino e uma menina?! – ele gritou perto do ouvido dela.

Nádia havia sequestrado a gêmea no lugar do menino. Durante a confusão com a hemorragia da mãe ela pegou a primeira criança que estava próxima e saiu. Como medo de ser descoberta pelos homens de Shigeo saiu às pressas do hospital e só se deu conta do erro quando o avião já estava à caminho da Rússia. Agora estavam com a recém nascida na mansão de Timofeev.

- Você tem filhos, Nádia? – ele segurou o queixo dela.

- Não senhor. – os olhos azuis tremeram.

- Então ela será sua filha. – Mikhail sorriu – E do “Doc.”, é claro.

Nádia sentiu um alívio percorrer seu corpo e relaxou por alguns segundos.

- Você irá treiná-la. – Timofeev tinha um sorriso sádico nos lábios – Irá fazer com que ela odeie o pai e o irmão. Irá fazer com que ela se sinta no direito de tomar a cadeira do futuro oyabun da família Sumiyoshi-rengo, afinal, ela é cinco minutos mais velha.

- Sim senhor! – Videl considerou a tarefa fácil.

- Mas, - Mikhail ergueu o indicador direito – se você falhar Nádia querida, eu cuidarei para que sua existência jamais seja lembrada na Terra.

A espiã da máfia russa não teve tempo de responder. Um soco a fez perder os sentidos e ela acordou três dias depois. O “anjo da morte” havia, pela primeira vez, poupado a vida de alguém, mas Nádia pagou um preço caro.

Ela não seria somente a mãe de Mikki, ela seria a mãe de Mikki e a mulher que foi espancada até perder parte dos movimentos do lado esquerdo incluindo a visão, o útero e todo seu sistema reprodutor e teve o rosto marcado com uma cicatriz em forma da letra Y.

Mais tarde, segundo ela mesma, foi Shigeo “Doc.” Sumiyoshi-rengo quem fizera isso. Foi uma vingança pela falta de cuidado da prostituta russa em ter engravidado. Ele ficara com o menino, mas dispensara feito lixo as duas mulheres.

Mikki não perdoaria. E ela prometeu no túmulo de Nádia, quando tinha dezesseis anos. Sua mãe morrera de complicações cardíacas geradas por envenenamento e Mikki ficou sob a guarda de Mikhail Timofeev.

A partir daquele momento nasceria outra Mikki, ou melhor, afloraria sua outra parte. A parte russa, a parte Timofeev. Ela seria o próximo anjo da morte na sucessão de assassinos da família mais violenta da Rússia.



Para Supla, meu amado Japa-boy.

29 de Outubro de 2019 às 19:52 0 Denunciar Insira 1
Continua…

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_pat ‘zero_zero "o homem planeja e Deus ri." - ditado lídiche

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