Contos curtos, suspense e terror. Seguir história

tiathai Thaiane Costa

Nesse livro estarei reunindo o total de dez contos, sendo eles de suspense e terror. Cada conto terá uma história diferente, personagens diferentes e se passará em lugares diferentes.


Horror Para maiores de 18 apenas.

#terror #sangue #295 #378 #239 #serial-killer
1
581 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo A cada 30 dias
tempo de leitura
AA Compartilhar

LUGAR ERRADO, HORA ERRADA.

Pequena sinopse do conto.

Uma prostituta em um país estrangeiro, estava vagando entre um posto de gasolina com caminhões estacionado em busca de clientes quando vê algo inesperado... A cena era algo muito grotesco que fez seu cigarro recém aceso cair no chão. Ela tinha visto de tudo naquela vida, mas aquilo... Era algo que uma pessoa verdadeiramente ruim faria.

Primeira parte.
Dias atuais, 2015.

Avistei minha escrivaninha de madeira marrom polida, onde estava tudo de maneira impecavelmente organizada, lá tinha um caderno de capa preta, uma xícara com a figura de cachorro fofinho onde se encontrava canetas e lápis, um notebook branco no centro, a visão do meu notebook branco na minha mesinha me incomodava por achar que não combinava do jeito que estava arrumado, mordi imediatamente o lábio com uma sensação de nervosismo e pensei que tenho que superar isso. Por fim um fiel companheiro se encontrava ali, meu maço de cigarros e meu cinzeiro de cristal. Sentei na minha cadeira de escritório daquelas bem confortáveis, peguei meu maço de Marlboro, retirei um cigarro coloquei na boca, mas logo lembrei que tinha esquecido o isqueiro em meu quarto, levantei e atravessei o corredor escuro que abria caminho até meu quarto, as únicas luzes que iluminava o corredor era as dos postes da rua que adentrava timidamente no local. Cheguei até meu quarto, acendi as luzes que por um momento tive que apertar meus olhos por causa do incômodo, as luzes revelava um quarto amplo com uma TV na parede, carpete cinza no chão, uma cama King size que de cada lado possuía mesa de cabeceira na coloração branca onde se projetava gavetas a baixo com itens variados e acima abajures para auxiliar em uma leitura noturna, a porta do lado esquerdo que dava para o closet onde eu guardava minhas roupas e na parede havia alguns quadros geométricos preto e branco enfeitando acima da cama. Ainda com o cigarro na boca fui direto a uma das mesas da cabeceira, abri a gaveta e iniciei minha busca que por sorte foi um sucesso porque encontrei rapidamente meu querido isqueiro. Voltei até meu escritório, me sentei novamente na cadeira, acendi meu cigarro que se encontrava em meus lábios, traguei profundamente, deixando que meu corpo absorvesse e alguns segundos depois larguei a fumaça. Abri meu o meu notebook, esperei que ele ganhasse vida e então...

Segunda parte. Comecei a digitar tudo que tinha acontecido no ano de 1995.

Eu sai do meu país com o sonho de fazer minha vida fora, sempre fui uma garota sonhadora, facilmente iludida e inocente. Mas tudo isso foi tirado de mim, vim para os Estados Unidos com o intuito de ser modelo, aos 18 anos no ano de 1995 conheci um homem de aproximadamente 50 anos, ele falou que eu era muito bonita e que teria projetos para desfiles para mim. Isso tudo foi uma mentira deslavada, me sinto uma idiota por ter acreditado nisso. Rapidamente fui instruída para tirar meu passaporte e visto, o processo demorou alguns meses... Quando cheguei no local e dei conta do que era, entrei em estado de choque. Eles me explicaram que eu tinha uma divida, da passagem, passaporte, visto, moradia, roupas e outras coisas que eles adicionavam. Eu estava em uma rede de prostituição. Mas na época eu não tinho como sair de imediato, criei uma divida relativamente grande e que faziam de tudo para aumentar.
A alguns meses aqui eu e outras garotas fomos para outra cidade atender uma demanda que foi pedida ao nosso cafetão, inclusive essa palavra “cafetão” me dá um asco tão grande, uma repulsa que nem sei explicar e isso que estou falando da palavra, não do cafetão em si. O Billy era um homem muito asqueroso, ele era alto, usava sempre conjunto de roupa moletom, tinha os cabelos loiros raspado na máquina 2, olhos verdes e feições que claramente a gente vê que é de uma pessoa simpática. Mas tudo isso é uma máscara, ele não era muito paciente, principalmente com aquelas que são recém chegadas e que ficam desesperadas quando percebem que caíram em uma armadilha. Ele pode ser um homem muito agressivo ao ponto de bater muito em outras garotas. Logo quando cheguei foi horrível, eu apanhei muito de ter que ficar uma semana sem trabalhar, mas logo aprendi a lição, melhor obedecer do que apanhar até ficar muito machucada e de cama ou até mesmo realmente morrer.

Alguns meses antes, chegada no aeroporto.

Fiz uma viagem de quase 30 horas por conta das conexões que os aviões fizeram, foi bastante cansativo, ruídos para todos os lados, conversas alegres, crianças chorando, tinha bastante pessoas e as vezes isso me deixava incomodada. O avião não era muito confortável, as cadeiras da frente com a de trás eram bastante próximas ao ponto de se a pessoa querer reclinar isso causaria desconforto para o passageiro de trás, o avião era decorado em verde limão e branco, era bastante brega e ridículo. Felizmente eu tinha sentado na janela, que tinha uma espécie de “cortina de plástico” que podia ser puxada para baixo caso estivesse fazendo sol ou se a pessoa estivesse apavorada. Esse pensamento me fez rir porque nas estatísticas era bastante difícil um avião cair, mas hoje em dia entendo que o pânico e medo as vezes não precisa fazer sentido e um cara com um bigode bastante grosso e que fazia voltinhas no final me olhou estranho pelo simples fato de eu rir sozinha, o fitei por algum momento e peguei um livro que eu tinha levado para ler. Essa lembrança tinha acontecido a muito tempo, mas eu não conseguia recordar do rosto do homem que estava sentado ao meu lado, mas sim daquele estúpido bigode.

***

Tudo que escrevo nessa carta tento lembrar da melhor maneira possível, pois já faz muito tempo que isso aconteceu, pois já fazem 20 anos do ocorrido e que me jogou nessa situação atual. Então vou tentar detalhar tudo com riquezas de detalhes. Todas as vezes que escrevo de novo o ocorrido, parece que me lembro com mais detalhes do que aconteceu.

Voltando a minha história, eu tinha sido mudada de posto, iria trabalhar em posto de gasolina, onde tinha bastante demandadas de caminhoneiros, não irei entrar em detalhes do que eu fazia, esse não é o foco principal da história e são detalhes irrelevantes. Bom, esse posto de gasolina que eu estava nesse fatídico dia, era numa espécie de interior, era rodeado de árvores que se você ficasse olhando por muito tempo teria a impressão que estaria saindo algo assustador daquele local. O posto em si era bastante iluminado, tinha uma loja de conveniência onde trabalhava um cara bonitinho que estava lendo uma revista de forma entediada, o movimento a noite de carros e caminhões estava bem lento, essa noite eu só tinha atendido uns três clientes, uma colega minha tinha ido atender um cliente, o cara era um pouco estranho, mas era familiar de alguma maneira provavelmente tinha sido um cliente meu. Eu e a Isa tínhamos criado uma regra, se durante o programa demorasse 30 minutos ou mais era para ir da uma procurada na outra. Resolvi ver como ela estava, também iria dar uma volta para ver se achava algum cliente, pois precisava pagar as minhas dívidas, apesar do posto ser bem iluminado o estacionamento não era tanto assim, fui até o caminhão onde a Isa se encontrava com seu cliente e eles pareciam estar conversando e dando risada. Lembro de ter dado um sorriso aliviado com essa imagem.

Tinha alguns caminhões que estavam estacionados para que os motoristas passassem a noite no local, mas algo me chamou atenção, em meio das árvores afastadas vi uma luz e me bateu uma onda de curiosidade. Mas também um desconforto, por que alguém se afastaria tanto e ligaria os faróis no meio da madrugada perto do estacionamento? Apesar de estar um pouco afastado, dava para ver a luz do farol brilhando fantasmagoricamente em meio as árvores. Senti um nervosismo se instalando em meu peito e resolvi acender um cigarro. A noite estava um pouco fria, eu usava uma saia preta por de baixo eu usava meia calças preta, uma blusa rosa escura colada em meu corpo, um sobretudo preto que ia até minhas pernas que resolvi abotoar já que não tinha clientes por ali e um salto preto. Quanto mais eu escrevo sobre essa noite, mais detalhes vem, acho um pouco sobrenatural eu lembrar tudo com tanto detalhe. Que deus me ajude!

Comecei a andar em direção a luz, atravessei o estacionamento inteiro. Quando chegou a hora de adentrar na floresta, resolvi retirar meu salto e os abracei com ambos os braços. Resolvi seguir a luz, pisando cuidadosamente no chão de terra coberto de folhas, pedaços de raízes e grama falha. Eu ia com cuidado para não fazer barulho e não chamar atenção do desconhecido. Comecei a segurar meus saltos com o braço só e outro usava para tragar meu cigarro nervosamente, andei por uns 20 minutos até avistar uma clareira com uma estrada de terra onde se encontrava um carro quadrado que não lembro a marca, me aproximei com cuidado e me escondi atrás da árvore que dava para ver a cena toda de lado. O carro estava parado virado em direção do local que eu vim, que não era tão afastado, mas demorei para percorrer o percurso porque queria andar com cuidado e não queria chamar atenção do desconhecido que se encontrava ali. Observei a cena, com a iluminação do farol eu vi um homem mais alto que eu com cabelos castanhos claros e ondulados. Com roupas esportivas pretas, botas de trilha e luvas pretas. Achei um tanto curioso, até eu olhar para o chão, era uma cena completamente chocante, tinha uma garota de aproximadamente 15/16 anos estirada no chão sem partes das roupas, ela era loira e tinha um machucado no alto da cabeça e várias marcas de cortes de onde saia sangue. O que me chamou atenção..

O sangue que estava espalhado pelo chão de terra formando uma poça escura e lamacenta, o cheiro de sangue e terra começou a invadir minhas narinas me fazendo revirar o estômago e fazendo derrubar meu cigarro recém aceso que pisei rapidamente quando tocou o chão fazendo queimar minha meia calça e um pouco do meu pé, mas a dor não me incomodou, o que me incomodou de verdade era a cena grotesca que eu estava vendo. Levei as duas mãos a boca para segurar o vômito e deixei meus saltos caírem que fez um barulho que chamou atenção do homem desconhecido para o local que eu estava. Engoli o vômito amargo imediatamente, consigo senti o gosto e o cheiro grotesco até os dias de hoje, mas nesse meio tempo me abaixei, ainda segurando as mãos na boca, apertei os olhos com força e tentei respirar com calma. Consegui ouvir o barulho dos passos se aproximando até a mim, a cada passo ele esmagava folhas e eu podia sentir ele se aproximando de mim. Meus extintos dizia para eu correr dessa situação, mas eu estava completamente congelada no local. Senti alguém do meu lado, sabe aquela sensação que você tem que alguém está te observando? Foi exatamente essa sensação que eu senti. Quando olhei para o lado ele me observava com um semblante tranquilo e intrigado. Lembro que ele falou.

- Você não deveria está aqui... – Ele se abaixou e tocou em meu cabelo. – O que uma garota bonita com você faz aqui uma hora dessas?

- Eu... Me p-perdi moço... – Falei cuspindo o inglês que aprendi no curso quando era mais nova.

- Hum... Entendo. – Ele virou para a cena grotesca para observar, depois se virou para mim de volta e com uma forma calma e serena falou. – É realmente uma pena você ter visto isso, você não deveria estar aqui.

Senti lágrimas escorrer dos meus olhos e deixando meu rosto molhado.

- Por...favor... Eu não falo nada para ninguém. – Falei suplicando e olhando para baixo. Eu não tinha coragem de olhar para o rosto dele, me lembro muito bem disso.

- Não chore criança. – Ele falou enquanto limpava minhas lágrimas. – Isso vai ser rápido.

Olhei para o rosto dele e logo percebi que sua expressão havia mudando. Ele tinha um olhar alucinado, parecia que estava gostando de me ver implorar pela minha vida como uma criatura patética. Senti sua mão agarrar meus cabelos pretos e me puxar em direção ao corpo da garota morta. Mas algo despertou dentro de mim, hoje não era meu dia de morrer, senti um calor percorrer meu corpo e meu coração acelerar como se fosse sair do peito. Por um momento agora enquanto escrevo senti meu coração acelerar da mesma forma que acelerou naquela noite. Nesse momento que ele estava me arrastando, com certa facilidade, pois ele era maior que eu e mais forte. Cravei minhas unhas no chão com força, senti sangue escorrer de algumas unhas perdidas naquele momento, mas funcionou, ele parou de me puxar e afrouxou a mão que segurava meus cabelos e nisso eu me desvencilhei de sua mão, com isso perdi um tufo de cabelo. Minha respiração ficou pesada e o encarei. Ele ainda incrédulo segurando meu cabelo que estava em sua mão me encarou.

- Sua vagabunda. – Ele tinha o olhar carregado de fúria.

Eu olhei ao redor para encontrar algo que eu pudesse usar para me defender. Mas enquanto eu olhava ele se aproximou de mim e me empurrou, cai e me sujei de terra. Mas avistei uma pedra que dava para segura-la em duas mãos. Me arrastei até ela e a peguei, mas ele foi mais rápido, ele se sentou em cima da minha barriga e começou a apertar meu pescoço. Senti meus pulmões queimarem, minha visão começou a ficar turva, senti gosto de sangue em minha boca e então comecei a tatear o chão ao meu redor. Senti um pedaço da pedra com minha mão esquerda, reunindo minhas ultimas forças consegui agarrar ela e desferi um golpe no rosto do homem, ele soltou meu pescoço e então dei uma golfada de ar, tossi, agarrei a pedra com mais força e desferi outro golpe. Fazendo ele cair para o lado cambaleando de cima de mim, o rosto dele sangrava e ele tentava limpar com as mãos. Meu coração pulsava tão forte que parecia que ia explodir, me levantei e juro por Deus não sei como tive forças para me manter de pé nesse momento. Soltei um grito do fundo da minha garganta, que saiu mais como um rugido animalesco, segurei a pedra com as duas mãos e desferir vários golpes na cabeça dele, eu podia ouvir o barulho da pedra batendo em seu crânio, podia sentir seu sangue atingindo meu rosto como pinceladas de um artista que toca um quadro branco e eu ainda continuava gritando. Até que voltei a mim e larguei a pedra coberta de sangue respirando com dificuldade falei.

- Hoje não...

Depois de escrever tudo isso, percebi que meu coração batia forte e escorria lágrimas de meu rosto. Metade do meu maço de cigarro já tinha ido embora. Resolvi salvar a história em uma pasta onde ela já foi escrita inúmeras vezes por mim e levantei com dificuldade da cadeira. Me dirigi ao meu quarto, deitei em minha cama. Eu não sei o motivo de eu lembrar dessa noite com tantos detalhes, mas depois desse ocorrido parece que minha vida passou e aconteceu várias coisas que não consigo lembrar de riqueza de detalhes como me lembro dessa noite.

O homem que eu tinha matado de maneira brutal, era procurado pela polícia por matar várias outras garotas, eu estava no lugar errado e na hora errada. Depois daquela noite eu fui encaminhada para uma delegacia, fui interrogada, examinada e fiquei protegida pela polícia. Consegui sair da vida da prostituição, mas não prenderam quem comandava a rede de prostituição e me deram o direito de ficar no país legalmente. Tentei seguir minha vida, faço terapia, mas essa noite me persegue todos os dias da minha vida. É como se eu tivesse que reviver ela todas as noites...

17 de Outubro de 2019 às 22:48 0 Denunciar Insira 0
Continua… Novo capítulo A cada 30 dias.

Conheça o autor

Thaiane Costa 21 anos, estudante de letras, gosto de ler, ver filmes, séries e jogar no meu Xbox.

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~