O leviatã soberano a todo meu caos. Seguir história

band_aid dragwn aid

os momentos de silêncio sempre foram os mais honestos, onde eu chegava mais perto de ver a alma dele. a lágrima não saiu sequer de suas pálpebras; ela nasceu e morreu em instantes, e era caótico como os sentimentos pareciam incrustados na falta de expressão. | asheiji.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drabble #angst # #drawgn #asheiji
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Capítulo Único

os momentos de silêncio sempre foram os que mais amei, foram os mais honestos, onde eu chegava mais perto de ver a alma dele. até porque raras vezes eu o vi chorar, só me lembro de uma, e a lágrima não saiu sequer de suas pálpebras; ela nasceu e morreu em instantes, e era caótico como os sentimentos pareciam incrustados na falta de expressão.
quando o irmão dele morreu, acho que aquele deve ter sido o maior silêncio que tivemos, onde ele se sentou do lado da banheira, ainda molhado do banho e fumou ao menos três cigarros.
simplesmente ele, a fumaça e o silêncio.
seu maxilar tremeu uma vez, e eu acho que aquilo foi o mais perto de desabar fisicamente que eu já o vi fazer.
várias vezes ele se apoiava na janela ou sentava no chão da sacada olhando a cidade, — ele nem sequer gostava da cidade —, acho que as luzes o sufocavam por nunca notar onde viveu. de alguma maneira o sufocava, eu só não sabia o que, contudo, acho que nem ele sabia: só sufocava.
ele tinha taquicardia toda noite, e eu queria abraçá-lo tempo suficiente para passar, só que tempo é relativo e nunca era suficiente. nunca passava.
a biblioteca também era um lugar que ele costumava frequentar, e ele nunca terminou um livro, devia o acalmar, o cheiro do papel, o silêncio obrigatório, a paz imersa em turbilhões.
na verdade, ele era quase um leviatã; a diferença é que os monstros nadavam dentro dele, no sangue, corriam as veias, mesmo depois que os físicos já tivessem sumido. ele era soberano de todo o caos que corria livre.
essa vida de Bonnie & Clyde foi o mais perto que eu tive de correr nas artérias dele.
acho que faz falta, mas eu quero que faça. o mais incrível que já aconteceu comigo foi a sua existência passar pela minha, e eu me recusava a deixar isso cair ao esquecimento.
o seu maço de cigarros ficou comigo, no lugar onde sempre esteve: em cima do armário. eu nunca mexi nele, e nem queria. acho que uma parte dele ficava junto, a mais honesta ou o mais perto disso.
a árvore da sacada ainda se move igual, e eu não queria que fosse assim, porque as coisas não são iguais e os olhos não são os seus, nem as mãos passando pelo cabelo, nem as noites.
coisas assim não mudam o mundo, só que mudam o mundo de quem as vive; você também deixou para trás insônia, talvez não insônia porque eu conseguia dormir, eu só não queria. perder os detalhes de onde você esteve parecia insano, e toda vez que eu fechava os olhos eu queria falar que você chegou tarde de novo ou só ouvir você abrir a porta irritado, atrapalhando meu sono. eu queria querer dormir sem pensar que eu estou perdendo você.
imagino se sua taquicardia era essa coisa ruim no peito que alastra pelas costelas, entretanto, acho que nada é tão insano quanto você, eu prefiro acreditar assim.
nada nunca vai ser tão insano quanto você.
nenhum sentimento vai ser tão insano quanto o seu.
e eu não suporto a idéia de que eu nunca vou realmente saber como você se sentia.
acho que eu sempre vou te ver nas taquicardias e nas dobras do edredom.
todas as vezes.
eu já te perdi, e de alguma maneira eu queria não te perder nas reminiscências também.
é tudo
que
me
resta.
os momentos de silêncio sempre foram os que mais amei, foram os mais honestos, onde eu chegava mais perto de ver a alma dele. até porque raras vezes eu o vi chorar, só me lembro de uma, e

ele deve ter sido o maior silêncio que tivemos, onde ele se sentou do lado da banheira, ainda molhado do banho e fumou ao menos três cigarros.
simplesmente ele, a fumaça e o silêncio.
seu maxilar tremeu uma vez, e eu acho que aquilo foi o mais perto de desabar fisicamente que eu já o vi fazer.
várias vezes ele se apoiava na janela ou sentava no chão da sacada olhando a cidade, — ele nem sequer gostava da cidade —, acho que as luzes o sufocavam por nunca notar onde viveu. de alguma maneira o sufocava, eu só não sabia o que, contudo, acho que nem ele sabia: só sufocava.
ele ttaquicartoda noite, e eu queria abraçá-lo tempo suficiente para passar, só que tempo é relativo e nunca era suficiente. nunca passava.
a biblioteca também era um lugar que ele costumava frequentar, e ele nunca terminou um livro, devia o acalmar, o cheiro do papel, o silêncio obrigatório, a paz imersa em turbilhões.
na verdade, ele era quase um leviatã; a diferença é que os monstros nadavam dentro dele, no sangue, corriam as veias, mesmo depois que os físicos já tivessem sumido. ele era soberano de todo o caos que corria livre.
essa vida de Bonnie & Clyde foi o mais perto que eu tive de correr nas artérias dele.
acho que faz falta, mas eu quero que faça. o mais incrível que já aconteceu comigo foi a sua existência passar pela minha, e eu me recusava a deixar isso cair ao esquecimento.
o seu maço de cigarros ficou comigo, no lugar onde sempre esteve: em cima do armário. eu nunca mexi nele, e nem queria. acho que uma parte dele ficava junto, a mais honesta ou o mais perto disso.
a árvore da sacada ainda se move igual, e eu não queria que fosse assim, porque as coisas não são iguais e os olhos não são os seus, nem as mãos passando pelo cabelo, nem as noites.
coisas assim não mudam o mundo, só que mudam o mundo de quem as vive; você também deixou para trás insônia, talvez não insônia porque eu conseguia dormir, eu só não queria. perder os detalhes de onde você esteve parecia insano, e toda vez que eu fechava os olhos eu queria falar que você chegou tarde de novo ou só ouvir você abrir a porta irritado, atrapalhando meu sono. eu queria querer dormir sem pensar que eu estou perdendo você.
imagino se sua taquicardia era essa coisa ruim no peito que alastra pelas costelas, entretanto, acho que nada é tão insano quanto você, eu prefiro acreditar assim.
nada nunca vai ser tão insano quanto você.
nenhum sentimento vai ser tão insano quanto o seu.
e eu não suporto a idéia de que eu nunca vou realmente saber como você se sentia.
acho que eu sempre vou te ver nas taquicardias e nas dobras do edredom.
todas as vezes.
eu já te perdi, e de alguma maneira eu queria não te perder nas reminiscências também.
é tudo
que
me
resta.

15 de Outubro de 2019 às 04:23 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

dragwn aid — [₊˚.༄] stupid trying to pin significance onto everything. #⃞'ROCK 'N' ROLL !不条理! instável & absurdista. › soukoku & oikage & asheiji.

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