A Mentira Seguir história

makaalbarn1485 Lenne ♥

[MARKHYUCK/MARKCHAN] [COMÉDIA] [LOVE x HATE] [FAKE DATING] O que fazer quando a vida te dá uma rasteira? Você afoga as mágoas tentando esquecer tudo ou inventa uma mentira pra se sair por cima? Donghyuck podia escolher viver sua vida numa boa, mas quando decide se arriscar, precisa sustentar sua história até o fim.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #comedia #colegial #nct #mark #markhyuck #markchan #lovexhate #haechan #nct127 #nctdream #fakedating
0
741 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todos os Sábados
tempo de leitura
AA Compartilhar

Balé e Corações partidos

Capítulo 01 – Balé e Corações partidos



Após uma aula chata de matemática, corri com o Renjun, meu melhor amigo, para o refeitório no horário de almoço. As aulas haviam começado fazia poucos dias e eu já estava preocupado com os trabalhos, o balé e tudo mais. Inclusive com a apresentação que teria naquela sexta-feira. Seria a minha primeira apresentação grande de balé no teatro da escola e meus nervos estavam à flor da pele. Passei o dia anterior ensaiando com o pessoal e esperava que tudo fosse perfeito.

Meus pais não gostaram nada quando comecei o balé, tinham um pouco de preconceito de ver um garoto praticando danças mais delicadas. Eles queriam que eu fizesse parte de um grupo de estudos aplicados na escola, e brigamos muito por causa disso, até que com o tempo se acostumaram que eu gostava mesmo era de dançar e não deixaria a dança por causa de seus caprichos.

Ter 17 anos não é nada fácil pessoal.

O refeitório era enorme e como sempre, parecia uma selva. Alunos brigando por comida, pessoas correndo, outras gritando e os “antissociais” no fundão, apenas observando. Uma fila enorme se formava ao lado, onde os alunos levavam as bandejas para serem servidos e depois corriam para suas mesas. Um dos alunos derrubou sem querer a bandeja e eu me segurei pra não rir. Minha relação com aquela escola era de amor e ódio.

— O Jeno tá ali Hyuck! — Renjun apontou para uma mesa enorme que ficava mais para o canto do refeitório. Fechei a cara, ele estava com o pessoal do time de futebol e eu não ia com a cara de alguns dos garotos do time.

— Vamos pegar nossas bandejas — falei, me dirigindo para a fila.

— Nós vamos sentar com o Jeno ou vamos para outro lugar?

— Vamos para outro lugar, acha que vou sentar perto daqueles amigos chatos dele e que se acham a última coca-cola do deserto?

Renjun deu de ombros e terminamos de colocar nosso almoço na fila. Seguimos para uma mesa mais próxima. Avistei Yeri de longe acenando para que sentássemos em sua mesa. Ela estava ao lado de Jisung um garoto alto, mas muito fofinho, que fazia parte do clube de dança urbana.

Eu, Lee Donghyuck, 17 anos, queria paz sabe, e evitar esbarrar em pessoas odiosas, mas ao cruzar perto da mesa do time de futebol, escutei o berro:

— EI HEACHAN! — Era assim que algumas pessoas me chamavam pela escola, um apelido que pegou quando eu tinha sete anos.

Parei no meio do refeitório, o sangue subia pela cabeça só de ouvir aquela voz que tanto odiava. Renjun parou comigo e me olhou com uma expressão de dúvida.

— O quê…? — Ele indagou, encucado.

Não respondi e voltei a andar.

— EI HAECHAN! VEM AQUI!

A voz ecoou por todo o refeitório. Me virei bufando e vi ele: Mark Lee, o canadense mais chato da face da terra. Me olhava com seu sorriso de pateta e aqueles dentes enormes, que eu adoraria arrebentar se pudesse, (sonhar não custa nada né?). Nós definitivamente não nos dávamos bem e era uma tortura ter que esbarrar com ele por aí.

Jeno estava na mesma mesa que aquele mequetrefe, já que ele era o zagueiro do time de futebol, enquanto Mark era o lateral direito. Jeno estava ao lado de Jaemin, os dois viviam juntos pra cima e pra baixo e eu adorava a amizade deles, gostava do Jaemin, ele sabia ser fofo e gentil com todos. Fui até a mesa batendo os pés e Renjun me seguiu. Se tinha uma coisa que eu odiava era que gritassem por mim em algum lugar, não gostava de ser o centro das atenções. E o Mark fazia isso só pra me irritar, eu tinha certeza.

— O que você quer? — falei entredentes, olhando em seus olhos e batendo a bandeja com tudo na mesa. Todos começaram a rir do barulho.

— Iiiiiih eu não quero nada não. O Jeno que quer almoçar com você e pediu pra eu te chamar. — Ele falou, contendo aquele risinho ridículo dele e apontando pro amigo.

Jeno tocou em meu braço. — Nem te vi hoje e você já ia fugir de mim na hora do almoço. — fez um biquinho emburrado em seguida.

Olhei para meu namorado e tentei sorrir. Sentei ao seu lado e pedi para Renjun sentar na mesa comigo. Ele ficava todo acanhado, já que não conhecia direito os garotos do time e também porque eu sabia da sua crush no Jaemin que já durava um bom tempo.

— Desculpa amor, mas sabe, eu não gosto muito de ter que cruzar com… — olhei na direção do Mark, que engolia a comida como um ogro, me dando logo um embrulho no estômago. — certas pessoas por aqui… — Mark olhou em minha direção, ouvindo o que havia falado e me lançou uma careta, aquele ridículo! Mandei a careta de volta e quando percebi, estávamos em uma guerra de quem faz as piores caretas um pro outro.

— Já chega vocês dois! — Renjun reclamou, me dando um tapinha do outro lado da mesa. Jeno apenas ria. Eu o amava, mas sabia que ele adorava me ver discutindo com o idiota do Mark.

— Tá tá! — cruzei os braços, dando atenção à minha comida.

Mark sorriu e terminou de engolir sua comida. Só então percebi que Johnny e Jaehyun estavam ao seu lado, rindo bastante de algo que eu não sabia. Olhei para meu amigo e ele estava mais vermelho que um tomate e tudo era por causa dos garotos na mesa. Johnny e Jaehyun eram super famosos na escola e todos tinham uma crush neles, também, os dois pareciam modelos, eram os reis visuais da escola.

Taeil se encontrava na mesa ao lado de Johnny e Chenle chegou em seguida, ambos acenaram pra mim de longe. Eu adorava aqueles dois. Eles eram amigos do Jeno e acabaram virando meus amigos no meio do nosso namoro. Estavam bem vestidos com seus coletes do time de futebol e faziam sucesso com as garotas também, mas Chenle vivia na cola do Jisung e eu tinha certeza que aqueles dois tinham algo. Também estavam na mesa Yuta, o capitão do time, ele era bem divertido e estava ao lado de Sicheng, sua louca paixão. Todos os dias víamos um Yuta apaixonado correndo atrás de um Sicheng assustado, era muito engraçado.

O almoço terminou, cumprimentei a todos e saí na frente com meu amigo, mas senti alguém me puxando.

— Hyuck, você nem pra se despedir de mim. — Jeno fez outro biquinho, e eu sorri abobado.

— Eu preciso ir Jeno, minha apresentação é a noite esqueceu?

Ele colocou as mãos na nuca, encucado. — Desculpe! Pensava que era amanhã.

Balancei a cabeça, em negação. — Você não tem jeito.

— Vamos Nono! Teremos mais um treino antes da próxima aula! — Mark o chamou no meio da multidão de alunos que zanzavam pelo refeitório.

— Vou já! — Jeno disse, acenando animado.

— Eu odeio esse apelido que te chamam.

— Você sabe que os garotos sempre me chamaram assim. Eu gosto. — Ele sorriu.

Sorri para ele e me inclinei, o beijando. Não costumávamos demonstrar tanto afeto na frente das pessoas, mas de vez em quando não matava. O abracei apertado e me despedi de vez.

— Até mais tarde, não esquece da apresentação. — falei, apontando pra ele não esquecer. Jeno deu o seu característico sorriso com os olhos que eu tanto amava e seguiu o caminho contrário ao meu.

Namoramos já vai fazer um ano e tudo vai muito bem. Me sinto feliz com Lee Jeno. Nos conhecemos no primeiro ano, quando ele se transferiu pra escola e já de cara tentou entrar para o time de futebol. Com o tempo, viramos amigos e a gente se via sempre, e a partir daí nós começamos a namorar. Jeno é um amor de pessoa, meus pais o adoram e ele tem liberdade para ir na minha casa e dormir às vezes. Nós ainda não chegamos na fase sexual sabe, porque eu não me sinto preparado. Já tentamos coisas bem divertidas e isso por enquanto está perfeito pra mim. O que importa é que a gente se respeita e quer esperar mais um tempo pra decidir tudo, e eu quero que a nossa primeira vez seja perfeita.

XxX

Fizemos um último ensaio para captar tudo e focamos em arrumar o teatro da escola. Seria a apresentação de Lago dos Cisnes mais bonita de todas! A animação era geral e tudo seria perfeito. A escola receberia pessoas importantes e quem sabe o professor de alguma universidade de dança veria meu trabalho árduo e me concederia uma bolsa de estudos? Era o meu maior sonho e eu estava ansioso por isso. Já pensou? Poder treinar em alguma escola de dança renomada pelo país, ou até fora dele.

Quando terminamos de arrumar tudo, a professora nos reuniu em um círculo.

— Pessoal, estou muio orgulhosa de vocês e sei que farão uma bela apresentação.

Nos juntamos, para fazer nossa saudação e trazer sorte para a apresentação.

— VAMOS ARRASAR! — Renjun gritou.

Em seguida nós gritamos: — NÓS SEMPRE ARRASAMOS!

Chamei Renjun e andamos até a entrada do palco, ficamos escondidos, verificando as pessoas que chegavam e sentavam nas poltronas.

— Estou tão nervoso…

— Eu também estou Renjun, mas nós vamos arrasar, como dissemos antes.

— Sim, nós vamos.

Inclinei mais a cabeça, para observar melhor e ver se via o Jeno e minha família.

— Meus pais e minha irmã chegaram. Olha! — disse, apontando na direção deles.

— Meus pais também vieram.

— Mas… não estou vendo o Jeno.

Renjun pegou em meu braço e sorriu. — Não se preocupa, ele deve estar chegando com os garotos do time.

— Assim espero. — fechei a cortina e nos afastamos do palco.

Terminei de ajeitar minha maquiagem e ajudei meu amigo com a dele.

— Hyuck! Me ajuda com o penteado? — Yeri pediu.

— Ajudo sim, estou só terminando de retocar a maquiagem do Renjun. — verifiquei os detalhes e sorri, meu amigo estava bonito. Ele era muito fofo e maquiado ficava ainda mais com as bochechas rosadas.

Em seguida, fui até Yeri.

— Você já está toda linda Yeri, o que quer exatamente? — indaguei, vendo-a pelo espelho à nossa frente.

— Eu acho que o coque está torto, dá só um ajuste no meio pra mim.

— Tá bom.

Nossas vestimentas estavam lindas, nas cores azul, preto e branco. Eu seria o príncipe Siegfried, Yeri seria a princesa Odette, Seulgi faria o papel de Odille, filha do mago Rothbart, que seria o Renjun. Joy seria a Rainha, e o restante faria parte das donzelas e guardas do palácio. Seria uma apresentação e tanto e estávamos ansiosos.

Após terminar tudo nos posicionamos e ficamos ao lado dos outros, esperando o espetáculo começar. O nervosismo estava à mil e eu só queria que tudo fosse o mais perfeito possível.

O primeiro ato havia começado no castelo do príncipe e as garotas entraram e dançaram lindamente. Após isso eu entrei em seguida para fazer meu solo como príncipe e avistei logo o Jeno ao lado do Jaemin na platéia, ambos sorriam bastante e eu estava feliz por saber que meu namorado estava lá. Minha família também parecia eufórica e eu quase saio do personagem para rir da minha mãe que apontava uma câmera enorme em minha direção. Depois foi a vez da Yeri em sua cena sozinha. Geralmente a bailarina principal faz a Odette e a Odile, mas nossa professora achou melhor dividir os papéis para duas bailarinas.

Depois de quase duas horas de apresentação, o espetáculo havia terminado com muita ovação e palmas de todos na platéia. Havia sido um sucesso e o diretor da escola nos parabenizou pelo bom trabalho. Cumprimentamos a todos e nos despedimos, emocionados em saber que o resultado havia sido satisfatório.

Corri com meus amigos e fui até meus pais.

— Filho!! Você foi maravilhoso! — Minha mãe disse, me abraçando.

— Nós amamos! — Meu pai disse, me parabenizando com sua animação. O abracei e em seguida falei com minha irmã.

— Maninho já está crescido. — Ela me abraçou e me fez um cafuné no cabelo duro do gel. Fiz um biquinho emburrado, minha irmã era uma figura. Eu me dava bem com Irene, mas como ela estava na faculdade atualmente, não tínhamos mais tanto tempo pra fazer coisas juntos. O que era um saco.

Jeno apareceu com flores e eu corri para abraçá-lo.

— Você veio mesmo!

— Eu disse que viria. — Ele me entregou as flores, sorrindo e me dando um beijo no rosto em seguida.

Jaemin também me abraçou sorridente, e eu retribuí. Fomos até minha família e conversamos por uns minutos. Até que Jeno e Jaemin se despediram.

— Vou te encontrar na entrada do teatro ta bom? — Ele disse, correndo em seguida, junto de Jaemin e eu apenas assenti, sorridente observando aqueles dois correrem para a saída. Se não fosse tão tarde ainda planejava sair com o Jeno para um jantar.

Terminei de falar com minha família e logo depois encontrei Renjun no vestiário, queria me trocar rapidamente.

— Nós fomos muito bem!! — gritou Renjun, saltitando pelo vestiário masculino.

— Sim! — Outros garotos gritaram, saltitando junto do meu amigo. Dei uma gargalhada, aqueles garotos eram muito engraçados.

— Eu estava bem nervoso, mas agora que passou, estou feliz! — disse enquanto me trocava.

— Fomos muito bem garotos! Conto com vocês nos próximos ensaios! Vamos comemorar! — disse a professora, que chegava para nos abraçar.

— Obrigado professora! — Todos agradeceram em uníssono.

Logo depois de me trocar fiquei com vontade de ir ao banheiro.

— Pessoal, eu vou ao banheiro agora, vocês vão comigo? — perguntei.

— Desculpa Hyuck, já vou indo, meus pais estão lá fora me esperando. — Renjun falou, correndo para a saída..

— Me espera lá fora então, encontro você daqui a cinco minutos. — disse, pegando minha mochila e segui para o banheiro, já que ninguém ia comigo.

Andei pelo corredor e entrei no primeiro banheiro que vi. Lá fora podia ouvir o barulho de algumas pessoas e esperava encontrar com Renjun e Jeno dentro de alguns minutos.

Entrei no banheiro e achei esquisito, pois a luz estava fraca, piscando direto. Fiquei com medo de ter algum fantasma por ali. Não que eu acreditasse em fantasmas, mas nunca se sabe né. Fui devagar até a cabine e quando estava lavando a mão, ouvi um barulho esquisito. Uma voz gemendo. Tremi dos pés à cabeça e fiquei travado onde estava, se fosse a loira do banheiro eu juro que deixaria ela levar minha alma, porque não teria nem forças pra dizer não.

O som continuou e eu já tava branco, rezando o pai-nosso e o ave-maria mentalmente. Enxuguei minhas mãos com o papel e já pensando em correr dali. Mas ao dar um passo até a porta, ouvi alguém falar baixinho:

— Acho que tem alguém no banheiro.

— Fala baixo! Podem nos ouvir.

Congelei onde estava. A voz! Era a voz dele! Eu não podia acreditar no que estava ouvindo! Meu coração batia muito forte e minhas pernas tremiam, pensei que teria um ataque ali mesmo. Dei meia-volta e andei bem devagar até a última cabine, onde desconfiei que saíram as vozes. Em minha mente algo me dizia para não abrir aquela porta, que eu estava entrando em um ambiente proibido e me arrependeria depois, mas eu não podia ignorar aquela voz.

Peguei de leve na maçaneta da porta e empurrei, mas claro, estava trancada. Então fiz algo ridículo. Subi no vaso da outra cabine, para me apoiar e tentar escalar a parede para ver quem estava naquela cabine. Eu sabia que tinha escutado a voz do Jeno, precisava confirmar se era ele mesmo. Peguei impulso e subi de uma vez. Ficando branco, vermelho, roxo, enfim; com a cena que vi.

Jeno estava beijando Jaemin no banheiro!

LEE JENO

DESGRAÇADO

ESTAVA COM O JAEMIN

NO BANHEIRO!

Os dois se agarravam com pressa e se eu continuasse mais tempo ali, poderia ficar mais traumatizado do que já estava! Quando eles pararam de se beijar por um momento, ambos levantaram a vista e me viram. Pulei com tudo no chão, fazendo barulho e os assustando. Meus olhos encheram de lágrimas imediatamante, eu estava com muita raiva daquele filho da puta!

— ABRE ESSA PORTA! AGORA! — berrei, batendo com toda a força.

Quando finalmente a porta abriu, vi ambos com cara de tacho, me olhando como se não tivessem feito nada!

— Haechan… Amor… Eu posso explicar… — Ele disse, andando em minha direção e querendo segurar minha mão. Jaemin tentava esconder seu rosto o tempo inteiro, a vergonha era grande demais.

— EU NÃO QUERO SABER MAIS NADA!

— Hyuck, você sabe que eu te amo… Vamos conversar.

— CONVERSAR? MEU PAU QUE VAMOS CONVERSAR!

Jaemin aregalou os olhos, quando me ouviu xingar.

— VÃO SE FODER VOCÊS DOIS! SEU FILHO DA PUTA! NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO! JOGOU O NOSSO RELACIONAMENTO FORA. — Eu estava chorando muito, não queria saber mais de nada. — E VOCÊ! — apontei para Jaemin. — SEU TRAÍRA DESGRAÇADO! EU GOSTAVA DE VOCÊ E TE ACHAVA UM AMOR DE PESSOA! AGORA VÊ SE MORRE E ME ESQUECE! — Cuspi no chão em direção a eles, pois era isso que escória merecia. Depois corri, queria distância daqueles dois.

Jeno apareceu atrás de mim, me puxando.

— Sai daqui! Não quero conversa com você! Eu já disse que está tudo acabado!

— Mas…

Corri, o deixando só.

Encontrei Renjun se despedindo do pessoal na entrada do teatro e me encolhi no chão, perto dali. Renjun virou e ao me ver, correu em minha direção com preocupação.

— Meu Deus Hyuck! O que houve com você? — Ele chegou perto de mim, assustado.

— Jeno e Jaemin são dois traíras! Era tudo mentira!

Ele me abraçou e eu me aninhei em seu peito confortável. Estava abalado e precisava do meu melhor amigo.

— Vamos pra minha casa Hyuck, você dorme lá hoje.

— Obrigado.

Seguimos para a saída e ele me ajudou a limpar o rosto todo inchado. Alguns alunos que ainda estavam lá fora perceberam meu estado e vi que alguns queriam se aproximar, mas evitaram o contato. Achei melhor assim, não queria alarde em cima da minha vida.

Segui para a casa do Renjun e passamos a noite na cama, conversando. Eu chorava de um lado e ele do outro, pois gostava do Jeno como meu namorado e também do Jaemin, principalmente dele. Estávamos decepcionados. Eu só queria esquecer tudo, esquecer que um dia namorei com um cara como Lee Jeno.

XxX

Na manhã seguinte levantei com uma dor de cabeça enorme. Eu e Renjun desistimos de sair para qualquer lugar naquele dia e passamos o dia inteiro na cama. Era o sábado mais triste da minha vida e eu não conseguia acreditar que tudo havia terminado. Eu não namorava mais Lee Jeno e isso me machucava muito.

— Aqui, — Jun disse, estendendo uma bandeja com um delicioso café da manhã, que parecia mais um café da tarde, já que era hora do almoço. — vê se você come alguma coisa garoto.

Fiz um biquinho emburrado. — Aff… você é muito mandão. — recebi a bandeja e arrumei meus cabelos que pareciam um ninho de tão assanhados. — Precisa cuidar melhor de mim…

— Mas eu cuido muito bem, você tá me saindo muito do ingrato, isso sim!

Puxei Renjun pelo braço e o fiz sentar-se ao meu lado. Abracei-o e ele começou a rir.

— Eu te amo Jun! Me desculpa! De verdade!

— Hmm… Vou pensar no seu caso. — Me olhou desconfiado e eu ri um pouco.

Peguei uma fatia do bolo de chocolate que a Senhora Huang fazia e me deliciei naquele sabor.

— Os bolos da sua mãe são os melhores…

— Isso é verdade. — Ele concordou, ainda sorrindo e pegou um pedaço para comer também.

— Ei! Pensei que esse lanche seria só meu!

Renjun franziu a testa, — Vai sonhando Alice! — e roubou outro pedaço de bolo da bandeja.

Depois de comermos decidimos ver algum filme de terror na Netflix, mas estávamos tão concentrados em conversar que nem ligamos pro tal filme.

— Jun, você acha que o Jeno se arrepende do que fez?

— Que se arrependeu o quê? Se ele gostasse realmente de você como diz que gosta, não teria te traído.

Abaixei a cabeça e me cobri com um dos lençóis. Eu queria morrer e ser esquecido por todo mundo, como se nunca tivesse existido.

— Aff! Pior que é verdade, mas sei lá… Eu gosto tanto dele…

Renjun puxou o lençol da minha cabeça e me olhou sério. — Eu também gosto do Jaemin… Quer dizer, gostava e agora a gente já sabe o que aqueles dois andavam fazendo esse tempo todo, devemos ser fortes.

— Eu sei… mas é tão difícil...

— Você não está pensando em voltar pra aquele traste está?

— Não! Claro que não…!

— Lee Donghyuck…

Mordi o lábio inferior, estava com o rosto quente e vermelho de vergonha.

— Não vou voltar, pode confiar, mas… Eu fico pensando se alguém ainda vai querer ter algo comigo, aposto que vou virar atração de circo…

Renjun fechou a cara e cruzou os braços, indignado. — Como assim? Você acha que vai ficar sozinho? — assenti, com uma expressão triste. Ele me olhou com mais raiva ainda e eu não posso mentir que o medo me consumiu, não se podia desafiar aquele garoto, quando Huang Renjun queria conseguia ser pior que o cão. — Para com isso! Logo logo você arranja alguém que goste de você.

Dei de ombros, desanimado. — Ai não acho não… Eu vou viver o resto da minha vida solteiro mesmo…

— Que solteiro o que? Você é lindo, inteligente, dança divinamente bem e é um cara legal, se alguém não te quiser está perdendo feio.

Meus olhos brilharam e uma lágrima desceu. Eu estava muito na bad, mas era importante estar ao lado de um amigo, meu melhor amigo. Renjun podia ser assustador às vezes, mas estava lá para me ajudar em tudo o que eu precisasse.

Nós éramos amigos desde a escola elementar, o conheci com meus sete anos e até hoje não nos desgrudamos. Ele sempre esteve ao meu lado e me defendia quando alguém brigava comigo. Eu tinha sorte de ter um amigo como o Jun. E eu devia muito a ele.

Imeditamente tive uma ideia louca. — Renjun! E se a gente fizer um trato de se casar caso fiquemos velhos e solteirões? Tipo em How I Met Your Mother?

Renjun gargalhou alto, tão alto que eu fiquei bravo com aquilo.

— Você está louco né? E eu serei Yellow Umbrella pra sempre! — ele botou a mão no peito, como se aquilo fosse importante.

O ignorei totalmente e ri de sua reação.

— Louco porque? Você é lindo, eu sou lindo e podemos ser um casal maravilhoso. — dei uma leve piscadela em sua direção, lançando meu charme natural e ele gargalhou mais ainda.

— Você é louco cara.

— Ah tá! — falei, já ficando emburrado. — Obrigado por todo o apoio seu tratante!

— Hahaha! Eu só não fico com você porque ainda não me senti atraído cara! Mas sei lá, se no futuro isso acontecer pode ser que a gente acabe se casando mesmo…

— Oxi! Mas eu posso te fazer ficar atraído em dois minutos.

— Como?

Cruzei os braços e me inclinei para perto dele fazendo um biquinho. — Ora, te dando um dos meus beijos irresistíveis.

Renjun arregalou os olhos e quando viu que eu estava falando sério, deu um baita pulo da cama e correu desembestado pelo quarto.

— Volta aqui que você não escapa de mim!

— Isso é assédio! Me deixa em paz seu maluco!

Corremos e brincamos o resto do dia inteiro no sábado e eu ainda dormi lá de novo naquela noite. De tarde podia estar bem, mas durante a noite a bad batia novamente e lá ia mais litros e litros de choro desconsolado por causa de um cuzão que devia estar se atracando com alguém pelas ruas. Eu merecia mesmo.

Domingo levantei cedo e corri pra minha casa. Passei o dia arrumando meu quarto e me certificando de destruir qualquer lembrança daquele idiota do Jeno que havia ficado pelo caminho. Rasguei fotos, separei presentes e roupas dele que estavam em meu guarda-roupa e joguei tudo no lixo, eu não queria ter que ver mais nada dele na minha frente. Meus pais perceberam o quão determinado eu estava, mas não vieram perguntar nada pra mim. E eu nem achei ruim né? Não queria ninguém me importunando. Se eu estava determinado a jogar tudo dele fora, teria que estar determinado a tirá-lo de vez da minha vida e partir para outra.

2 de Outubro de 2019 às 03:17 0 Denunciar Insira 0
Leia o próximo capítulo Convites e ligações indesejadas

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 2 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!