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Memórias

O mundo começou a clarear, abro os olhos e já vejo a fresta de luz que minha janela entreaberta faz, então já percebo que é hora de levantar. Em plena manhã de Sábado, mas não uma manhã qualquer e sim uma manhã silenciosa, quieta e até um pouco deprimente. Abro a janela e vejo um céu cinza trazendo a brisa do vento até meu quarto, um clima bom para um dia de Sábado. E só depois de cinco minutos acordado que percebo que estou só, e este é o segundo dia em que moro sozinho, porém já estava na hora, precisava trilhar o meu caminho.

O primeiro dia foi emocionante e o sentimento de liberdade tomava conta do meu ser, só de pensar que minha vida agora estava no meu controle, era um tanto quanto excitante e eu já imaginava como iria ser minha casa daqui a alguns anos, não no apartamento em que estou e sim na minha futura casa, nem muito grande e nem muito pequena(uma casa confortavelmente confortável), e talvez até construindo uma família com alguém. Contudo, quando me vi no espelho do meu quarto percebi que a solidão ali pairava e foi como uns sete copos quebrando ao mesmo tempo na minha cabeça.

Depois de ter viajado por uns sete segundos fui andando(meio anestesiado por causa do sono) até a cozinha preparar meu café, um bem forte... não, um extra forte para começar meu dia bem, e bem mais acordado. Às vezes acho que sou doente por café, mas eu não sei o por quê, eu apenas gosto mesmo. Aquele gosto amargo que você não gosta no começo porém depois de um tempo você começa a gostar mais e mais, aquele gosto de "tudo bem, pode acordar" não tem preço.

Enquanto esquentava a água para a criação do meu delicioso café, algumas memórias passeavam pela minha mente, eu recordava do tempo em que eu acordava cedo para ir à escola e sempre quando chegava na cozinha o café já estava preparado pela minha incrível mãe, que faz um café igualmente incrível... bom, um dia eu chego lá. Me lembrava também das conversas que eu tinha com meus amigos na escola e das várias idiotices que nós fazíamos durante as aulas e intervalos... é, parando pra pensar agora, cada momento daquele tempo era simplesmente legendário. E até dos momentos ruins me lembrei, pois se não fossem eles eu não seria quem sou hoje, é como se fosse uma tatuagem, tem uma dor momentânea mas depois aquilo te molda e querendo ou não, faz parte de você.

Já com o café em minhas mãos, me preparo para dar o primeiro gole de café no meu primeiro dia morando sozinho(eu paro um instante para guardar esse momento, e sim... eu quero me lembrar disso). No mesmo instante em que dou o primeiro gole eu acabo percebendo que aquelas memórias em que havia me recordado eram como se fosse um café, mas diferente do meu café em que eu posso pegar um copo e tomar todo dia, aquelas tantas memórias que haviam voltado para mim naquela manhã não poderiam mais ser vividas novamente, nem toca-las eu poderia se quisesse... a Física não permite. Por um momento fiquei deprimido diante do café, parado diante do tempo, me senti como se todas as moléculas do espaço estivessem em eterna lentidão, porém depois de lembrar e relembrar dos velhos tempos, agradeci à Deus por poder ver aquelas memórias mais uma vez. O tempo finalmente voltou a fluir, e dali por diante eu pude começar a prosseguir.


...de Victor J. Lemon.

21 de Setembro de 2019 às 16:31 0 Denunciar Insira 2
Fim

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Eduardo Kendy Apenas uma pessoa que gosta de criar histórias

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