Frondescer Seguir história

cecifrazier Cecília Frazão

Eu não sabia que você poderia ir embora tão cedo. Eu poderia ter tentado fazer você sorrir mais cedo. Porém, com certeza ainda não é tarde para ver um sorriso estampado no seu rosto.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#hanahaki #yaoi #bakutodo #bakuroki #todobaku #bnha
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Fervilhar

Os dias se tornaram mais frios. O vazio se tornou uma rotina. Enquanto via as pessoas passarem por ele, começava a pensar se realmente valia a pena continuar. Bakugou não era do tipo de demonstrar sentimentos abertamente, tudo sempre foi escondido por detrás de uma expressão raivosa, muitas das vezes, confusa. Porém, não mais confuso que seu estado emocional. O que ninguém sabia, era que Bakugou sentia demais, ao extremo. Coisas pequenas o deixavam extremamente feliz ou extremamente triste. Não havia um 'meio termo', mas, havia uma forma de esconder. Grande parte dos seus sentimentos eram traduzidos para a raiva. Isso quando estava na frente das pessoas.

Ninguém podia saber o quão Bakugou era fraco, o quão frágil era seu emocional e psicológico. Ele mesmo se deu conta apenas quando tossiu uma pétala de rosa. Uma rosa branca, com pequenas gotas de sangue.

Na hora pensara ser coisa de sua cabeça, simplesmente um delírio depois de todas as estórias que lera. Porém, aquele delírio repetiu-se no dia seguinte e estendeu-se por uma semana. Talvez esse tenha sido o limite de Bakugou. Ele estava aterrorizado, não conseguia se preocupar com ninguém além da pessoa na qual o deixara doente. Bakugou teve certeza quando quase desmaiou ao cuspir uma rosa completa, sem caule.

Estava doente, e não havia cura.

Era tão irônico o fato de seu sangue contrastar no branco, da mesma forma que as madeixas nas quais ansiava sentir entre seus dedos.

Não havia uma pessoa sequer sem notar o estado de Bakugou: extremamente quieto, simplesmente acabado. Apesar de tudo, ele continuava orgulhoso: não chegaria ao ponto de implorar pelo amor tão necessitado. Entretanto, a cada dia passado, Bakugou quase não aguentava sentir os espinhos rasgarem sua garganta. Não conseguia prestar atenção nas aulas, que dirá participar dos treinos. Toda vez que ficava pelo dele, o incômodo apenas aumentava. Queria nunca mais olhar para aquele duas-caras maldito, mas, isso significava fugir. Fugir nunca foi uma opção para Bakugou, mesmo que lá no fundo, quisesse.

— Bakugou. — O loiro, de cabeça baixa sobre seus livros, ouviu a voz forte lhe chamar, fazendo-o tremer de cima à baixo.

— Que foi, merda? — Ele respondeu um tanto esganiçado.

— O que está acontecendo? — Todoroki perguntou com um suspiro. — Nunca mais te vi nos treinos, você volta para casa mais cedo quase todos os dias e hora ou outra vai à enfermaria.

— E o que você tem a ver com isso?! — Bakugou exclamou, levantando a cabeça bruscamente. Seus olhos estavam marejados e inchados, denunciando o choro recente. — Você não tem nada a ver com isso!

— Tenho sim.

— De que porra você tá falando?!

— Eu vi, Bakugou. — Shouto abaixou o olhar, pesaroso. — E pesquisei sobre.

Bakugou abriu a boca, surpreso. Viu o bicolor pôr uma das mãos no bolso e retirar uma rosa branca manchada de sangue seco.

— São as preferidas da minha mãe também. Cultivá-las era sua única distração. Depois de um tempo, elas tiveram um significado triste para mim, e agora, ainda mais.

— O-onde achou isso?! — Bakugou tomou a flor da mão de Shouto.

— A questão não é essa. — Todoroki puxou uma cadeira para sentar-se ao lado dele. — Nada fazia sentido quando soube do que se tratava, até eu descobrir que minha mãe teve o mesmo.

— Você... não tinha o direito... — Bakugou só sentia as lágrimas escorrerem pelas bochechas. — Não tinha...

— Minha mãe quase morreu por não ser correspondida pelo meu pai. Ela fez a cirurgia para tirar a roseira dos pulmões, mas, em compensação, sua saúde ficou muito frágil. Ela não sente amor pelo meu pai, só que todos os outros sentimentos ficaram. Ela enlouqueceu...

— Por que tá me falando tudo isso? — Bakugou perguntou sem olhá-lo.

— Porque eu quero te ajudar.

— Você sabe que não pode. Só adianta se o sentimento for verdadeiro.

— Eu posso tentar. — Todoroki tocou a mão gélida de Bakugou.

— Não é justo, te prender desse jeito a alguém que você nem ama... — O loiro afastou a mão.

— Pode não ser o amor que você deseja ainda, mas, se me deixar tentar, o sentimento pode mudar.

— Por que tá fazendo isso? — Bakugou o encarou com um semblante sério. — Cara, não faz sentido! Você chega do nada, me fala todas essas coisas! Por que?! Nem somos tão próximos assim!

— Não somos tão próximos assim, só que você me ama. — Todoroki voltou a tocar a mão do outro. — Meu pai poderia ter ajudado a mamãe, mas, ele não o fez. Preferiu deixá-la enlouquecer, ao ponto de ser necessário interná-la. Eu posso te ajudar e quero, basta você deixar.

Se a cabeça de Bakugou estava desnorteada, seus sentimentos agora estavam em frangalhos. Ironicamente, o incômodo na garganta havia amenizado, pois, ele se sentia amado por Todoroki, de alguma forma.

— Não sei... — Katsuki instintivamente apertou a mão do bicolor. — Não me parece justo... E se você não conseguir me amar? Eu vou ter que ficar sofrendo com tudo isso?

— Acalme-se, Bakugou.

— Não me manda ficar calmo! Sabe que eu não posso! — As lágrimas voltaram a escorrer, porém, logo ele precisou limpá-las, já que alguns alunos entraram na sala. — Merda...

— Eu vou à sua casa hoje. — Todoroki ditou, simplesmente.

— Quê?

— Ou prefere conversar aqui?

Bakugou odiava quando os outros tinham razão. Odiava concordar, se submeter. Naquele caso, entretanto, precisava mesmo admitir e concordar com a ideia de Shouto.

— Que seja. Some daqui. — Katsuki voltou a se debruçar sobre a mesa.

° ° ° ° ° °

Bakugou conseguiu acompanhar a aula até o final. O incômodo quase insuportável que sentia, fazendo-o passar mal e voltar mais cedo, foi substituído por outro tipo de incômodo. Seu peito queimava, como se uma chama houvesse sido acesa de repente. Ele sabia bem o motivo, e estava detestando se sentir tão manipulado daquela forma. Todoroki poderia até ter as melhores intenções, mas não tinha o direito de se intrometer do nada em sua vida! Se bem que... o próprio Bakugou tinha o deixado entrar.

Agora ali estava, caminhando de volta para casa igual a todos os outros dias. Desta vez, sendo acompanhado pelo motivo da doença.

— Bakugou. — Shouto o tirou dos devaneios tão frequentes.

— O que foi? — Ele murmurou, encarando-o de forma cansada.

— Vamos resolver isso, juntos. — O bicolor pegou a mão de Katsuki. Este, por outro lado, enrubesceu dos pés à cabeça, mas não recusou o contato.

— Não devia estar fazendo isso... — Bakugou sussurrou. Parecia ser mais para si mesmo e não para Shouto. — Você vai acabar se arrependendo, desistindo de mim e eu vou...

— Bakugou. — Todoroki parou de andar e encarou o amigo seriamente. O olhar assustado, o sentimento de medo, o pânico... aquelas coisas o faziam se lembrar de Rei, sua mãe. Sabia o quanto ela havia sofrido, e não, não o deixaria passar pelo mesmo. — Você vai continuar aqui onde está, vivendo... comigo...

— Não diga essas coisas! — Bakugou exclamou, com lágrimas nos olhos. — Dizer incertezas só mostra o quanto você é um babaca!

— Desde quando conversamos na sala, você tem sentido alguma dor? — Todoroki perguntou com calma. — Cuspiu uma pétala, uma rosa inteira?

Ao ver Katsuki negar hesitante, ele continuou.

— Isso só acontece quando os sentimentos são verdadeiros. Essa é a maior prova de que minhas intenções com você são as melhores possíveis, eu jamais te enganaria. A roseira continua em seu pulmão, porque ainda não é o amor que você deseja, porém tenho certeza de que aos poucos ela não vai mais crescer, e sim diminuir.

Katsuki não conseguia dizer uma palavra sequer. As pernas tremiam e as lágrimas escorriam pelo rosto — antes bronzeado, um tom vibrante — agora pálido. Fragilizado, ele abraçou seu amado, que retribuiu sem pensar duas vezes. Gestos assim não eram nada usuais, ainda mais no meio da rua, só que ambos se encontravam tão envolvidos no momento apenas deles, que nem ligaram. E se estivessem sóbrios de toda aquela emoção, ainda assim não ligariam.

Bakugou respirou fundo ao colocar os pés em casa. Retirou os sapatos, acompanhado por Shouto, que fez o mesmo. Seu pai provavelmente ainda estava no trabalho e sua mãe, já tinha chegado. Quando viu o carro na garagem, gelou. Ela sabia muito bem o que acontecia com o filho, e inconscientemente, nutriu uma certa raiva pelo Todoroki.

— Katsuki? — Mitsuki foi à sala ao ouvir o barulho da porta. — Finalmente chegou...

A loira se calou vendo quem o filho trazia consigo.

— Boa tarde, senhora Bakugou. — Todoroki se curvou, cumprimentando-a respeitosamente. — Eu sou...

— Eu sei quem você é. — Ela cruzou os braços. — Katsuki...

— Mãe... — Bakugou se segurou para não chorar na frente dos dois.

— Sentem-se, por favor. — Foi a única coisa que ela disse antes de ir para a cozinha.

° ° ° ° ° °

— Então, Shouto... — Mitsuki deixou a bandeja com um bule de chá e três xícaras sobre a pequena mesa na frente do sofá. — O que veio fazer aqui?

— Eu sei sobre a hanahaki do Bakugou. — Todoroki foi direto, o que deixou a mulher minimamente surpresa. — E eu também sei que sou o motivo dele ter isso. Vim assumir a responsabilidade, porque não posso deixá-lo sofrer ou... perecer.

— Não trate os sentimentos do meu filho como uma responsabilidade, garoto. — Mitsuki cruzou as pernas na poltrona em que estava sentada. — Katsuki não pode depender da sua pena, isso é muito humilhante para ele. Já é humilhante passar por isso, mas saber que você quer “assumi-lo” apenas por pena, é mais ainda.

Ela tomou um gole de chá.

— Eu já marquei a cirurgia. — Disse, calma.

— O QUE?! — Bakugou arregalou os olhos, gritando com raiva e espanto. — COMO VOCÊ FAZ ISSO SEM NEM FALAR COMIGO?!

— Você nunca quis conversar sobre uma solução para esse problema, pirralho! — Ela exclamou de volta. — Queria que eu te visse definhar cada vez mais?! Seu pai e eu conversamos muito, e vimos que a cirurgia é o melhor a se fazer.

— EU NÃO ACREDITO NESSA MERDA! CARALHO! — Ele chutou a mesa de centro, derrubando a louça no chão. Esta, se espatifando em vários pedaços. — POR QUE VOCÊS TÊM QUE SE METER NA MINHA VIDA DESSE JEITO?!

— Bakugou. — Todoroki segurou na mão do loiro, que arfava. — Calma.

— Vai se foder, a culpa é sua! — Bakugou puxou a mão e correu até as escadas, porém antes que pisasse no primeiro degrau, ele pôs a mão na garganta. Precisou se segurar no corrimão para que não caísse.

— Katsuki! — A mãe se levantou e também correu. Segurou o filho e este acabou desmaiando em seus braços.

° ° ° ° ° °

Bakugou abriu os olhos devagar, imerso no efeito do soro. Por um instante, enquanto olhava o céu tão azul com nuvens branquinhas pela janela, conseguia apenas pensar em Shouto. Um calor gostoso envolveu seu corpo e sorriu. O primeiro sorriso de verdade que deu em muito tempo. Entretanto, no instante seguinte, tudo o que aconteceu voltou à tona na memória e ele sentiu a cabeça latejar. Fechou os olhos e finalmente as lágrimas desceram, fazendo os orbes arderem.

— Katsuki. — Ouvir seu primeiro nome ser chamado daquela forma, por alguém que não era Mitsuki ou Masaru... o acalmou. — Como você está?

Era Shouto. Quanto tempo havia passado naquele estado? Um, dois dias? Não sabia, mas admitia que o bicolor esboçava uma expressão de plenitude, deixando-o completamente relaxado.

— O que aconteceu...? — Bakugou sussurrou, sentindo a palma quente do Todoroki sobre sua testa.

— Convenci a senhora Bakugou a desmarcar a cirurgia. — Shouto sorriu. — A hanahaki ainda é considerada uma lenda por muitas pessoas, porque não são todos que têm. Nem eu mesmo sabia que era possível tratar.

— Um tratamento? A mamãe disse que só existia cirurgia...

— Existia, mas pelo o que entendi, eles estão no processo de cura. Ainda não está completo, por isso não vai remover o que você tem.

— Ah, então eu ainda tenho essa coisa. — Bakugou franziu as sobrancelhas, tocando no próprio peito.

— Por enquanto. — Todoroki se inclinou parar beijar a têmpora do loiro. — Não lhe disse que vamos resolver isso do jeito tradicional?

— Você é maluco... — Ele soltou uma risada agradável. — Então tá apaixonando por mim?

— E se eu estiver? — Shouto sorriu de lado. — Isso seria um problema?

— Seria. Vou ter que aturar essa sua cara inexpressiva todo dia, já que eu nunca sei o que você tá sentindo.

— Há várias formas de demonstrar o que se sente, Katsuki. — Conforme o bicolor se aproximava de seu rosto, Bakugou enrubescia. — Não é?

Foi então quando trocaram um beijo. Seu primeiro beijo. Os lábios tão mornos de Shouto encostando nos gelados de Bakugou geravam uma sensação agradável. Um contraste incrível. A cena não poderia ter se tornado mais divina quando eles ouviram o cantar dos pássaros lá fora, como se fizessem a trilha sonora do momento.

Bakugou, pela primeira vez em muito tempo, estava feliz.

19 de Setembro de 2019 às 21:28 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Cecília Frazão Hey, eu sou a cecifrazier, mas, pode me chamar de Ceci/Zezi, já que praticamente todo mundo me chama assim. Eu escrevo fanfics e de vez em quando uma história original, poema, conto, etc. Já me viu por aí? Pois é, eu estou em vários lugares da internet mesmo. Fui do Nyah, depois fui do Social Spirit e agora estou testando novas plataformas, como o Inkspired, Wattpad e Sweek. Relaxa aí e vem ler as coisas que eu escrevo.

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