AUTUMN LEAVES 承 vhope Seguir história

taeperv Tris H.

Eu nunca acreditei que algum dia encontraria a minha pessoa destinada. Mas acontece que todos no mundo tinham a sua pessoa amada - ainda que não fosse, ela passaria a ser - e comigo não foi diferente. Digo, ele era diferente, Taehyung, era a única pessoa que me fazia rir feito um bobo e como todos os clichês, o único que fazia o meu coração acelerar com um simples pensamento da sua imagem sendo projetada em minha mente. Se eu fosse um pouquinho mais esperto eu teria descoberto naquela manhã de outono que ele era a pessoa que o destino escolheu para mim.


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

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轉 : seesaw

Eu nunca tive esperanças de encontrar a minha pessoa destinada.

Todos possuíam uma alma gêmea, isto é fato, e em algum momento a sua vida iria se cruzar com a da sua pessoa "amada" — mesmo que ainda não fosse — e você iria se apaixonar por ela. Era algo natural e algo que nem mesmo eu poderia fugir.

Mas ter a vida entrelaçada com a de outra pessoa não significava dizer que eu teria que esperar ela durante a minha vida inteira, na realidade meus pais nunca foram almas gêmeas, eles se conheceram por acaso e ficaram juntos porque nunca encontraram as suas respectivas pessoas.

Hoje é o meu aniversário de vinte e quatro anos, e eu estou comemorando com os meus amigos em uma cafeteria perto da minha casa. É um lugar bonito e aconchegante, o atendente é um homem baixinho que incrivelmente possui o cabelo tingido em um tom de rosa — algo bastante peculiar ao meu ver.

Eu estava perdido em pensamentos, enquanto os meus amigos faziam brincadeiras sem graça de como eu estava ficando velho e sequer conseguia encontrar a minha alma gêmea — já que todos eles haviam encontrado as suas — eu apenas balançava a cabeça e ria fechado de forma quase mecânica.

Na realidade, meus olhos estavam presos em um ponto específico da cafeteria. Ou melhor, em alguém mais específico.

— Porque você não fala com ele? — Namjoon, tocou em meu ombro o que me fez despertar e corar com a pergunta.

— E se ele me ignorar? — Perguntei de forma baixa. Não queria que os outros ouvissem a nossa conversa.

— Não tem como saber o que ele irá fazer se você não for até lá. — sorriu pequeno, o que evidenciou de forma sutil as covinhas em suas bochechas.

Namjoon, era como um pai para mim. Ele e o seu marido, Seokjin, cuidavam de mim como se eu fosse realmente filho deles. Eu gostava disso, eles eram o melhor casal que eu conhecia e se algum dia eu encontrasse a minha alma gêmea eu gostaria de ter um relacionamento tão bonito quanto o deles.

Parece bobagem, mas o que eu posso fazer se eu sou um romântico incorrigível.

— Então eu vou lá falar com ele. — afirmei mais para mim mesmo do que para Namjoon, que me incentivou com um sorriso largo, sussurrando "boa sorte" logo em seguida.

Quando eu me levantei da cadeira, pude constatar que minhas pernas tremiam levemente. Era a primeira vez que eu chegaria em alguém.

Geralmente as pessoas vem até mim e isso não é uma forma prepotente de querer me gabar, muito pelo contrário, eu sou apenas tímido demais o que não é legal. A timidez, por vezes, me impede de fazer coisas simples como falar como falar com outras pessoas.

A minha vontade era de rodar os calcanhares, dar meia volta e fingir que eu nunca tinha saído do meu lugar naquela cadeira em que eu estava sentado perto dos meus amigos.

Mas eu me vi parado, em pé, de frente para o homem loiro que eu tanto admirava de longe. Ele era ainda mais lindo de perto.

Eu não sei o que se passou na minha cabeça quando eu fui até ali, eu não tinha nada para falar com ele, não sabia como puxar assunto e nem nada. Porém antes que eu pudesse sair correndo e chorando por ser um grande idiota, ele levantou cabeça que estava baixa — afinal eles estava mexendo em seu celular — e me olhou de forma confusa tombando a cabeça para o lado.

— Oi? — sua voz grave e profunda me fizeram tremer tanto por fora quanto por dentro.

As minhas mãos ligeiramente suaram e a minha barriga, ah, essa estava inquieta por demasia. Eu me sentia quase sufocado.

— Oi. — sorri ao passo em que ele sorriu para mim — Eu posso me sentar aqui com você? — perguntei e comemorei internamente por não ter gaguejado em nenhum momento.

— Claro. — Sorriu mais abertamente, o que me fez ter uma visão do seu sorriso peculiarmente quadrado. Tão lindo. — Companhias são sempre bem vindas.

Me sentei na cadeira em frente à sua, acanhado, eu esperava que ele risse de mim e perguntasse se eu era louco de chegar assim em alguém completamente estranho e pedir para fazer companhia à esse alguém.

Ele não fez nada disso.

Pelo contrário, ele apoiou os cotovelos na mesa e apoiou a cabeça nas próprias mãos, que sustentaram o seu peso e reclinou a cabeça praticamente a deitando sobre uma das mãos.

— Confesso que essa é a primeira vez que alguém pede para se sentar comigo, assim do nada. — Riu, o que de certa forma me fez rir junto. — Sou Taehyung, quem é você? — Se apresentou, tão espontâneo que me fez relaxar sobre a cadeira.

— Me desculpe se isso pareceu estranho. — Respondi e o vi dar de ombros. Aparentemente ele não ligava para isso — Sou Hoseok.

— Seu nome combina com você. — apontou — Tão fofo quanto o dono.

Senti minhas bochechas ficarem mais quentes o que com certeza era um sinal de que elas estavam avermelhadas por conta da súbita vergonha que tomou conta de mim. Me afundei na cadeira tentando me esconder e Taehyung, riu de mim dizendo que eu era a coisa mais fofa que ele já tinha visto durante o dia.

Era estranho e bom ao mesmo tempo. Digo, ele mal me conhecia porém agia como se nós fôssemos colegas de anos até arriscaria a dizer "bons amigos".

Quando enfim, eu parei de tentar me esconder, ele parou de rir e me olhou com um ar de curiosidade.

— Me diga, Hoseok, o que te trouxe até aqui na minha mesa? — Perguntou e eu travei.

O que eu responderia? Que a súbita vontade de conversar com ele e o meu ímpeto de coragem de cinco minutos — que eu também chamo de surto —, além do apoio de Namjoon haviam me levado até ali? Me parecia tão idiota falar algo do tipo para alguém como Taehyung, mas essa era a verdade, afinal.

— Digamos que eu estava te observando e em um surto de coragem eu só... vim. — Respondi brincando com os dedos de minhas mãos, que pareciam bastante interessantes naquele momento.

Ouvi a risada baixinha de Taehyung, entrar em meu campo auditivo.

— Uh, um garoto impulsivo, você. — Brincou e eu o encarei.

— É, digamos que sim. — Retirei a mecha do meu cabelo que caía sobre o meu olho esquerdo.

— Sabe, desde que você chegou aqui, aquelas pessoas não param de olhar. — Apontou discretamente e eu me virei para trás.

Namjoon, e os garotos pareciam assistir à um espetáculo enquanto me observavam conversando com Taehyung, mas assim que perceberam que eu estava olhando pararam de olhar e voltaram a conversar se nada tivesse acontecido.

Me virei novamente para Taehyung, e cocei a nuca.

— Você conhece eles? — Perguntou e eu não pude deixar de achar adorável a forma curiosa sobre como ele me perguntava aquilo.

Suspirei.

— Sim. — Falei baixo. — Eles são meus amigos.

— Sério? — Fiz que sim com a cabeça. — Por quê você está aqui comigo ao invés de estar com eles?

— Eu não sei. — Respondi de forma sincera. — Tem algo em você que me atrai e de certa forma me faz querer ficar cada vez mais perto.

— Entendo. — Alcançou minha mão por cima da mesa. À essa altura eu já havia a deixado descansando ao lado dos guardanapos, mas quando Taehyung, a tocou eu senti como se uma corrente elétrica tivesse atravessado todo o meu corpo, e pode parecer piegas mas eu acho que no mesmo instante eu pude sentir as famosas "borboletas no estômago". — Eu me sinto igual.

Seu polegar fez um carinho em minha mão, de um jeito tão delicado que me derreter por dentro, eu não queria cortar aquele contato nunca mais. Eu me senti diferente apenas com aquilo e o meu coração ficava quentinho cada vez que nós nos olhávamos e desviávamos o olhar um do outro de forma rápida.

Era como se eu estivesse experimentando os sintomas da paixão pela primeira vez.

Para a minha infelicidade, o nosso contato foi cortado quando o atendente chegou com o pedido de Taehyung, e foi só então que eu me toquei de que estávamos na cafeteria e que eu deveria estar comemorando o meu aniversário com os meus amigos.

Observei Taehyung, tomar um gole da bebida que eu conhecia muito bem porque eu sempre a pedia quando vinha aqui. Macchiato de Caramelo.

— Não me olhe tanto assim, eu fico envergonhado. — Pediu e eu me liguei de que o encarava a tempo suficiente de deixar as suas bochechas coradas. De repente eu não me sentia mais tímido perto de Taehyung, mas sim... confortável.

— Yah, o que eu posso fazer se você fica bonitinho com esse bigodinho de chantilly. — Falei, e ri ao vê-lo se desesperar um pouco e limpar rapidamente a boca, depois de apanhar um guardanapo em cima da mesa.

— Meu Deus, eu não acredito que fiquei com um bigodinho na frente de outra pessoa. — Fez um bico — E bonitinho? Sabia que bonitinho é feio arrumado? — Perguntou com uma expressão brava no rosto mas eu podia ver que ele se esforçava para não deixar um sorriso escapar de sua boca, caso contrário aquilo estragaria o fingimento dele.

— Ah, é? Então eu sinto que devo me corrigir. — Comentei risonho — Eu quis dizer que você fica lindo com um bigodinho de chantilly. — reformulei a minha fala e o vi corar e sorrir enquanto olhava para o próprio colo.

— Aish, assim você me deixa envergonhado.

Eu ri.

O tímido ali era eu, e de repente Taehyung, se tornou o que eu era há algum tempo atrás. Claro que eu ainda continuava sendo o Jung Hoseok retraído de sempre, só que com Taehyung, eu conseguia ser apenas eu o que me assustava e me acalmava ao mesmo tempo.

Eu me perguntava internamente o que ele tinha de tão diferente das outras pessoas que me prendia a atenção.

— Quantos anos você tem? — Uma pergunta boba, mas que foi feita intencionalmente por mim apenas para que não caíssemos em um silêncio, mesmo que eu soubesse que caso isso acontecesse nem de longe seria um silêncio considerado desconfortável. Muito pelo contrário.

— Vinte e três. — Respondeu alegre — E você?

— Vinte e quatro. — Sorri pela cara de indignação que ele fez ao ouvir a resposta — Sou seu hyung.

— Mas como? — Cruzou os braços fingindo estar bravo — Você tem cara de um nenê de três anos. — Falou e eu ri descrente.

— Ei! — Exclamei — Nada a ver.

— Tudo a ver. — Apontou um dedo em minha direção — Quando você faz aniversário?

Cocei a nuca.

— Bom... Hoje? — Eu não queria, mas a minha resposta saiu em um tom de pergunta.

— Sério? — Arregalou os olhos antes de sorrir animado — Tipo, sério mesmo? — O seu rostinho era tão lindo e iluminado com aquele sorriso que eu me permiti sorrir junto dele, só para ele não tira aquele riso quadrado da face.

— Sério mesmo.

— E porquê você 'tá aqui comigo e não com os seus amigos? — Me perguntou novamente, dessa vez agarrando novamente a minha mão que estava livre por cima da mesa.

Ele já não tomava mais o seu Macchiato.

Ri ladino: — Foi aquilo que eu te disse. — relembrei — E bem, eles estão se divertindo sem mim, na verdade eu preferia mil vezes ficar em casa deitado na minha cama ou até mesmo dormindo.

— E então você não teria me conhecido. — Analisou.

— Exatamente.

E a partir daí eu perdi a noção do tempo, digo, eu mal percebi quando os meus amigos foram embora e muito menos quando todos os clientes que estavam ali já haviam partido também, porque eu estava preso em meu novo mundinho, que só existia eu e Taehyung.

Era impossível não me distrair olhando todos os seus traços delicados, ele era tão diferente de mim, gostava de arte, de música clássica e até mesmo cursava Arquitetura bem diferente de mim que sempre preferi dançar — qualquer estilo e gênero de música — E estava no último período do curso de Direito.

— ... E eu também tenho um cachorro chamado Yeontan. — Os olhos dele brilharam ao mencionar o cachorrinho — Ele é o meu filho, muito lindo, muito fofo, um denguinho só.

— Tenho certeza que sim. — Assenti, com certeza eu parecia um bobo — Afinal, dizem que os animais se parecem com os donos.

— Omo! Está me deixando sem jeito. — Me olhou com as bochechas levemente coradas. Lindo.

— Desculpa.— Ri sem jeito— Eu também tenho um cachorro, o Mickey.

— Ah, nossos filhos bem que poderiam se conhecer.— Comentou sorrindo de forma divertida e eu percebi que o seu nariz franzia um pouquinho cada vez que ele fazia isso.

Ele é tão adorável.

— Sim, eles realmente poderi-— Me detive ao meio, quando o meu celular começou a vibrar dentro do bolso da minha jaqueta— Só um segundinho.— Avisei e ele apenas deu de ombros enquanto olhava para os lados.

Assim que tive o meu celular em mãos, eu vi o nome que brilhava na tela "Namjoon-hyung", franzi o cenho curioso, pois Namjoon não era um cara que simplesmente ligava para outro cara mesmo que fosse seu amigo há anos— a não ser que esse cara fosse Seokjin.

— Oi, hyung.— Falei assim que atendi a ligação.

— Como assim "Oi hyung"?— Ele ao menos me disse "oi" parecia bastante exaltado— Por acaso você já olhou as horas, Jung Hoseok?— Indagou e eu rapidamente olhei o meu relógio de pulso que finalmente estava servindo para alguma coisa.

— Uh... sete e meia?— O que deveria ter sido uma afirmação soou como uma pergunta.

— Sim Hoseok, sete e meia da noite.— Ele parecia bastante irritado— Onde você tá, hein?

— Na cafeteria.

— Ainda?!— Praticamente gritou— Jung Hoseok, eu e os garotos fomos embora eram cinco horas da tarde e você ainda está aí, aish seu moleque, saia já daí e vem pra casa agora!— Mandou e eu ri.

— Mas eu moro sozinho Namjoon.— ri mais um pouco quando ouvi a voz de Jin, me xingando ao fundo.

— Hoseok, você tá estragando a surpresa.— Dessa vez foi a voz de Jin, que se fez presente e ele parecia bastante chateado— Sai Namjoon, deixa que eu resolvo as coisas com o Hoseok.— Continuou falando mas obviamente não era comigo.

— Vocês fizeram uma festa de aniversário pra mim?— Perguntei realmente surpreso, desta vez fixando meu olhar em Taehyung que me encarava de forma curiosa.

Sim.— Ouvi um coral de vozes gritando ao fundo antes de Jin, mandar todos calarem a boca— Não, claro que não fizemos, você está se achando muito importante garoto petulante.

— Então pra quê tudo isso?

— Aish, não faça perguntas seu idiota.— Resmungou do outro lado da linha— Só venha pra cá.— Completou e desligou a ligação. Na minha cara.

Completamente indignado, bloqueei o celular e voltei completamente a minha atenção para Taehyung.

— Desculpa, eram os meus amigos.— Expliquei e ele assentiu.

— Se você quiser ir não tem problemas.— me ofereceu um sorriso no qual eu me perdi completamente por alguns segundos— Eu sempre vou embora quando fecha.

O olhei confuso.

— Porquê?— Confuso, eu perguntei.

Taehyung, se aproximou de mim e fez um gesto para que eu fizesse o mesmo, como se quisesse me segredar algo.

— Meus pais são dono deste local.— Sussurrou antes de voltar a se sentar normalmente e eu fiz mesmo.

— Eu nunca poderia imaginar.— Suspirei— Eu realmente preciso ir.

— Tudo bem.— Riu fraco— Foi muito bom te conhecer Hoseok.

— Digo o mesmo, Taehyung.— Acenei— Tchau.— Foi a última coisa que eu falei antes de passar pela porta da cafeteria, sentindo um enorme vazio dentro de mim.

Porque de repente era como se faltasse algo em mim, até cogitei a ideia de voltar e ficar ali com Taehyung, mas eu sabia que os meus hyungs estavam me esperando, e no meio do caminho eu me dei conta de que eu ao menos pedi o número do celular de Taehyung, ou algo assim.

Bati na minha própria testa.

— Como eu sou burro!

Eu poderia dar meia volta e ir até Taehyung novamente, mas ele talvez me acharia um cara bastante desesperado e longe de mim passar essa impressão minha à ele. Vinte minutos de caminhada e eu me vi parado na frente da minha casa.

Abri a porta calmamente para entrar e a fechei antes de ligar o interruptor da sala.

— Surpresa!— A gritaria me tirou de meus pensamentos e eu levei a mão ao meu coração que batia de forma desesperado gritando com o susto.

Eu realmente não levei a sério a ligação de Namjoon.

— Mas o que...?— Sorri quando fui envolvido em um abraço grupal por meus hyungs.

Me senti especial, mas faltava algo.

Quando o abraço se desfez, eu fui felicitado de forma individual por cada um deles, recebi presentes e até mesmo um bolo— o meu favorito de baunilha— com direito a velas referente a minha idade.

Depois disso, os garotos se dispersaram e entraram em conversas paralelas entre si, enquanto eu, escorado no balcão da minha cozinha americana me encontrava pensativo.

— Não está feliz?— Uma mão tocou o meu ombro e eu me virei para olhar quem tinha me chamado.

Era Jin.

— É claro que sim!— praticamente gritei— Porquê eu não estaria?

— Você parece distante.

— Só estou pensativo.

— Hm.— Pareceu refletir— No que tanto pensa?— Perguntou e eu fiquei sem jeito.

Eu não queria dizer que estava pensando em um cara que eu conheci há apenas algumas horas, além de ser estranho na minha concepção me fazia parecer um pouco patético.

— Coisas aleatórias.— Menti— Nada demais.

— Sei...

Desconfiado ele apertou os olhos em minha direção e eu desviei o olhar.

— Fala sério, Hoseok.— Suspirou— Me conta.

— Tudo bem eu conto.— Derrotado, levantei minhas mãos para cima— Eu conheci o Taehyung, hoje, aquele cara da cafeteria.— Expliquei.

— O Taehyung, uh?!

— E eu não consigo parar de pensar nele.— Suspirei— Sei lá, depois que eu saí daquela cafeteria foi como se parte de mim tivesse ficado para trás, eu me sinto vazio.

Eu não vi, mas Jin se aproximou até ficar perto o suficiente para me abraçar de lado. Esperei ele falar algo sobre Taehyung, porém ele não falou nada.

— Eu já te contei a minha história com o Namjoon?— Perguntou de repente e eu o encarei confuso— Como a gente se conheceu?— Continuou, ignorando a minha confusão.

— Não...

— Sabe, a gente nem sempre se amou.— Riu como se tivesse lembrado de algo engraçado— Na verdade, a gente se odiava. O Namjoon, era um otário, um verdadeiro babaca. Quando eu conheci o Namjoon, eu já estava no segundo ano do ensino médio e ele mesmo sendo mais novo já era um ano à frente de mim, maldito Namjoon e o seu QI elevado.— Reclamou, e eu soltei uma risadinha— Eu morria de inveja dele, não me orgulho disso mas é a verdade, eu sempre tirei as melhores notas da escola só que nunca era o suficiente porque eu sempre ficava à margem da sombra dele. Os professores só falavam dele, era Namjoon pra lá, Namjoon cá.— Revirou os olhos.

— Parece um clichê de livros.— Comentei e em troca recebi um "não me interrompe" como resposta.

— Eu juro que até tentei fazer amizade com ele porque eu queria ser tão inteligente quanto ele, mas ele me destratou, Hoseok, você não tem noção da vergonha que ele me fez passar, todos riram de mim enquanto eu chorava.— Pela cara dele, ele ainda era chateado com esse fato— E se você quer saber, eu tenho certa raivinha do Namjoon, por isso sim. Ele me chamou de burro e outros adjetivos da palavra me diminuindo na frente de uma platéia de adolescentes idiotas e pra mim isso foi o fim do mundo.

— E o que mudou?— Perguntei.

— Cala a boca Hoseok, eu tô narrando a minha história com o Nam.

— A história de vocês é chata.

— Então construa com o seu soulmate uma mais legal.— Torceu o nariz— Continuando, depois desse dia eu comecei a alimentar um ódio pelo Namjoon e comecei a infernizar a vida dele de todas as maneiras possíveis, e foi incrível como em algumas poucas semanas de aluno exemplar eu passei a ser aquele aluno baderneiro que os professores odeiam e que os certinhos querem distância mas não pense que o Namjoon não revidou, ele sempre me devolvia tudo na mesma moeda, éramos como gato e rato.— O olhar de Jin, era quase nostálgico— Uma vez ele até conseguiu comprar um pó de mico e colocar na minha roupa de educação física e eu fiz um verdadeiro strip-tease na quadra por puro desespero e também porque aquela porra coça pra caralho.— Resmungou.

Dessa vez eu ri alto, imaginando como seria um Kim Seokjin, completamente desesperado na frente de vários alunos tentando se livrar das próprias roupas enquanto se coçava.

— E o que aconteceu depois?— Perguntei curioso.

— O diretor chegou e acabou com toda a algazarra, me mandou ir tomar banho no vestiário e eu fui lógico, mas não sem antes fuzilar aquele mala do Namjoon, que ficava me olhando de longe com um sorrisinho irônico no rosto, ele sempre foi um debochado mesmo.— Bufou— Na hora da saída eu soquei a cara e é... A gente saiu na porrada.

— Poxa Jin.— Fiquei surpreso— E eu que pensava que a história de vocês era toda fofa. Quem apanhou mais?

— Eu.— Percebi que ele admitiu com certa vergonha.

— E o que aconteceu depois?— Eu sei, sou muito curioso.

— Eu fui embora pra casa, de pé e chorando só pra variar. No dia seguinte só se falavam nos Kim's e na briga deles, eu me lembro que o Namjoon até tentou falar comigo no mesmo dia mas eu não dava espaço para ele e depois de um tempo ele parou e se afastou de vez.

— E...?

— E eu caí na real e voltei a ser o mesmo Jin exemplar de sempre, até porque eu nunca levei marra pra ser um garoto mau.— Soprou a mecha de cabelo que caiu em seus olhos— Só que aí vem o interessante, eu descobri que gostava daquela implicância nossa, digo, minha e do Namjoon. Era difícil olhar para ele do outro lado do pátio na hora dos intervalos e não atormentar ele e era ainda mais agoniante o fato de que eu sentia que ele estava tão perto de mim e tão longe ao mesmo tempo. Os meus sentimentos ficaram confusos e eu sabia que sentia algo forte por ele e sabia ainda mais que não era raiva e nem ódio.

— E o que você fez?— O abracei continuando o nosso contato assim que ele me soltou.

— Eu fiquei um dia inteiro trancado em casa chorando, eu estava passando pela famosa fase da negação, foi uma merda.— Me olhou de soslaio, uma vez que nós olhávamos para qualquer ponto da cozinha que não fosse nossos rostos— Mas um dia eu decidi, que iria acabar com toda a minha angústia e eu já tinha aceitado a merda toda dos meus sentimentos porque eu sabia que precisava do Namjoon, na minha vida.

— Então você foi falar com ele.— Mais afirmei do que perguntei.

— Sim e não.— O olhei confuso e ele tratou de responder a minha pergunta implícita— Digo, quando eu abri a porta disposto a ir até a casa dele eu me deparei com o próprio Namjoon, prestes a tocar a campainha da minha casa. Acredita que o tonto ainda deu uma desculpa esfarrapada de que tinha errado o endereço e que confundiu a minha casa com a de um amigo dele?— Bateu na própria testa— Ele tentou ir embora mas eu não deixei. Na verdade eu literalmente joguei ele contra a parede e despejei tudo o que eu queria falar e quando eu me dei conta eu já estava me declarando pra ele da forma mais besta possível só que o pateta adorou e advinha o que ele fez? Me beijou.

— Você retribuiu o beijo?

— Que nada.— Fez um gesto de descaso com a mão— Eu empurrei ele e perguntei "perdeu o juízo, seu louco?"

— Tenho certeza de que você perguntou isso gritando.— Acusei— Eu te conheço seu escandaloso.

— Aish, claro que não!— Protestou— O bocó me beijou de novo e dessa vez eu me deixei levar, porque porra, eu estava tão caído por ele.

— E como você descobriu que ele era a sua alma gêmea?— Perguntei de forma afobada e Jin sorriu, como se estivesse esperando o tempo inteiro que eu fizesse essa pergunta.

— Fácil.— respondeu— O vazio que eu sentia foi embora, porque de alguma forma eu estava completo. — E saiu dali me deixando para trás cheio de dúvidas na cabeça.

Quando todos foram embora, deixando a casa suja para trás eu limpei tudo antes de ir dormir, e com a cabeça descansada em cima do travesseiro eu finalmente me permiti fechar os olhos para cair em um sono profundo, lembrando-me pela a última vez do sorriso quadrado que no fundo eu queria ver de novo.

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essa história é originalmente publicada no wattpad.

19 de Setembro de 2019 às 17:51 0 Denunciar Insira 0
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