Pensamentos Adélidos Seguir história

carolinysturmer Caroliny Stürmer

Apenas esvaziando minha mente, com esse vício que não posso sobrestar. Nesses curtos capítulos, eu escrevo através de metáforas e enigmas o que sonda meus pensamentos. Você seria capaz de entender? Disponível também no Wattpad e Spirit


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Fidere

Naquela manhã, decidi regar minha flor.

Ela crescia no jardim, onde brincava com borboletas e formigas. Seu nome era Fidere e era a que mais se destacava em meio às outras. Se pudesse falar, certamente me contaria, em meio a sorrisos, sobre como suas semelhantes ganhavam vida quando te viam passar. Talvez me implorasse para ser entregue a você, para ser colocada na janela de seu quarto, em um pequeno copo com água, virada em direção ao leste. Ficava em cores em sua presença.

O regador se encheu em instantes, o que me fez derramar um pouco do líquido em meus pés enquanto desligava a torneira. Água demais. O par de chinelos velhos sugou o possível, mas passou a fazer barulhos cada passo. Balancei a cabeça, em concordância à voz que me dizia sobre águias. Às vezes, elas mudavam o foco para metáforas.

No lado de fora, percebi que todas se viraram para você. O vento fez parecer que dançavam aos ruídos, os vindos das sandálias encharcadas. Então a água só deixou-as mais enfeitiçadas. E acho que esperançosas, se é que uma planta consegue se sentir assim.

Fidere desejava mais da fonte, queria que a água fosse como você. Como se tivesse olhos, observara até o entardecer a movimentação do jardim da frente. Foi ela quem viu quando você foi para as ruas, rindo, em meio a estampa de seis cores, com a maior decepção que um pólen poderia ter. Ela quem assistiu cada ação, cada respiração, cada apagar de vista. Foi ela quem mais sentiu.

As raizes começaram a despertar com o sofrimento da flor e, assim que todas as pétalas do quintal se informaram do ocorrido, começaram a despencar. Uma após uma, pétala por pétala, formaram um gramado coberto de cores mortas, das mesmas que foram regadas por água. Somente Fidere continuava intacta, sem nem ao menos ter se desfeito de uma folha.

Durante a noite, tentei ajudá-las. Reguei, reguei e reguei. Apenas piorei o caos, já que as plantas em decomposição só ficaram ilhadas por pensamentos. Eu poderia jurar que vi Fidere chorando no arquipélago. Ou seria apenas o orvalho?

Fidere tentava se manter forte enquanto nada mais era bom, quando tudo era um eterno sábado. Acredito que teria conseguido, mas eu mesma presenciei o que se seguiu. Você, com seu sorriso sem mostrar os dentes, atravessou o gramado e arrancou a mais bela das minhas flores, a única que se mantinha e a que mais tentara viver.

7 de Setembro de 2019 às 00:00 1 Denunciar Insira 1
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Fernando Avendanha Fernando Avendanha
É difícil encontrar textos de real qualidade neste meio de plataformas, mas olha só! Não posso dizer que desvendei tudo, pois sua poesia é ótima, mas desta obra posso tirar uma conclusão: Em nosso mar de pensamentos, em nossas loucuras e crises, para nos mantermos de pé, firmes em nossa estância, é a confiança que nos manterá Neste mundo perturbado, para nos mantermos em nossa estância, é a confiança que nos manterá Num mar de pensamentos selvagens, que cortam a mente e o coração, é a confiança em si mesmo que prevalece E é a confiança em si mesmo e nos outros que nos levará ao que queremos Adorei a escolha de um título em latim, também usei isto em dois poemas na minha Poetrime. Ambos, claro, com um significado que complementa o texto poético; este, de fato, um poema
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