Imperceptibilidade de uma Grande Alma Seguir história

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Ele nada disso entendia. Apenas sentia-se rejeitado pelo mundo. Porém...


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Imperceptibilidade de uma Grande Alma

Em uma dessas manhãs de Yom Sheni (segunda-feira), em que se encontrava solitário sentado em um dos bancos no Parque de Kfar Saba, com a cabeça cabisbaixa apoiada em seus punhos. Sentia-se ignorado pelo mundo, já não era tão apreciado como antes. Algo lhe escapou ou foi-lhe roubado. As pessoas já não mais lhe presentearam com olhares de admiração e espanto.

_ O que aconteceu comigo? _ perguntou a si mesmo.

Se viu metamorfoseado como Gregor Samsa. Não em um besouro monstruoso. Mais em algo muito pior que ele não sabia muito bem o que era, mas que o tornara invisível, como se fora engolido por um grande peixe. Não fazendo muita diferença, pois também o tornava peçonhento.

Apenas era diferente e fazia a diferença. E por isso se tornou uma alienígena para os demais. Como um vagão que se desprende da locomotiva, decidira há tempos atrás pular dos trilhos e escalar a grande montanha. E assim era visto como esquisito, complexo e fora da lei.

Entretanto, não entendia o porquê de não ser compreendido. E o porquê do mundo não o querer como amigo.

As pessoas o temiam, pois ele se tornara o reflexo do correto. As pessoas o rejeitavam, pois ele se transformara no que elas mais temiam em um ser-humano, o espelho da sinceridade e honestidade.

Nele a verdade se externou. Abrindo a tampa do esgoto das personalidades. E, por isso, diziam umas para as outras:

_ Ele não é divertido.

Por ter uma personalidade diferente, não era cínico. Por vezes, era muito inocente perante as maldades alheias, o que lhe protegia das armadilhas das más intenções da alma.

Mesmo sendo ignorado, era notado em todos os lugares. O ignoravam por inveja, medo, receio, ou para não lhe darem a devida primazia e poder merecido.

Ele nada disso entendia. Apenas sentia-se rejeitado pelo mundo. Porém, o Sagrado o acompanhava, protegendo o seu doce coração da maldade das diversas aspirações do ego humano.

O Espírito nele fez morada, com o tempo a sabedoria o despia de suas dúvidas e inferioridades. Até que alcançou a Maestria que o tornara distante dos demais, e deles alcançou a veneração, suplantando a admiração mundana. Erguendo-se como uma branca flor de lótus, além de suas folhas deitadas nas águas da ilusão, da grande piscina ecológica do parque da região da Rosa de Sharon.

30 de Agosto de 2019 às 19:46 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Jp Santsil Nasceu em Salvador, capital do Estado da Bahia, tendo se dedicado mais da metade de sua vida a projetos de ativismo social, educacional, cultural e ecológico com crianças e jovens em estado de risco e extrema pobreza nas favelas e comunidades carentes do Brasil e Ecuador. Atualmente vive e é cidadão do Estado de Israel, oriente médio asiático, onde se dedica a projetos ecologicamente sustentáveis. ​

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