S05#29 - THE SUNRISE - PARTE II Seguir história

lara-one Lara One

Este ano Mulder e Scully tem muitas coisas para comemorarem com a gente... Recompensa para os bons, medo para os mentirosos... Mas é natal. Muitas coisas mudam... Inclusive os corações... Muitas surpresas nesse final de temporada.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

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S05#29 - THE SUNRISE - PARTE II

(War is over)


Especial de Natal


📷


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

24 de dezembro de 2001

Nova Iorque – 9:12 P.M.

Geral da rua, a neve caindo. Poucas pessoas nas calçadas. Lojas fechadas, enfeitadas com decorações natalinas e pequenas lâmpadas.

As duas mulheres, de luvas e casacos pesados com capuz, caminham pela calçada.

BETH: - Natal... Não parece pra você que no Natal a paz reina definitivamente? O mundo fica em paz, os seres humanos se dão as mãos... Deveria ser natal todos os dias.

RACHEL: - Parece sim. E parece que esse ano há alguma coisa diferente. Um sentimento comum entre as pessoas.

BETH: - As tragédias que acabaram com essa cidade... Eu ainda estou chocada com aquilo tudo no World Trade Center... Ao menos nunca vi tanto sentimento de humanidade entre as pessoas... Talvez seja esse clima que reina entre nós, um clima de perda recente, um sentimento de que não somos nada... Dizem que a humanidade caminha para uma evolução em termos de amor. Mas evoluções são genéticas. Pode o amor ser genético? Será que há em nós algum gene referente ao terceiro olho, para que pudéssemos olhar pra dentro de nós e para o nosso semelhante como um todo diante do universo? Será que podemos compreender a dimensão disso?

RACHEL: - Será que o mal nunca acaba? Meu marido diz que o mal tira férias nos natais... É muita energia positiva que ele sai correndo.

BETH: - (SORRI) Pode ser... Estranho. Fazia muito tempo que não nevava desse jeito! Vamos ter um ótimo natal em Nova Iorque. Mesmo com tanta dor...

RACHEL: - Realmente... Ei, é inverno e você já tomou a vacina da gripe?

BETH: - Não. Tem outra epidemia?

RACHEL: - Dizem que é das mais severas. Eu já tomei. Engraçado, só tenho me sentido estranha.

BETH: - Sabe que todas as vacinas contra gripe deixam a gente estranha. Eu fico amolada uns dois dias.

Elas param na calçada. Olham para a imensa pilha de escombros de concreto no lugar de um prédio. Beth põe as mãos sobre os lábios. Bombeiros, defesa civil e soldados (que vasculham os escombros). Militares ao redor, armados, fazendo guarda. A área isolada. As duas atravessam a rua e observam.

RACHEL: - Dizem que foi vazamento de gás. Beth, eu tremia dos pés à cabeça hoje à tarde. Estava na sala com meu marido quando ouvi a explosão. Juro, tudo o que aconteceu em setembro veio na minha cabeça na mesma hora e pensei: Meu Deus, outro avião, eles recomeçaram! E no natal! Pedaços de concreto voaram pela janela do meu apartamento. Meu Deus, eram bombeiros chegando, polícia, FBI e soldados do exército.

BETH: - Alguém morreu?

RACHEL: - Oficialmente não, era um prédio comercial e estava vazio e fechado. Mas meu marido se meteu no meio da confusão procurando vítimas e disse que viu os soldados levando o corpo de uma mulher loura.

BETH: - Minha nossa!

RACHEL: - Sinceramente, não achei esquisito ter tanta polícia e principalmente o exército. Ultimamente isso é cena comum. Mas se Bob viu essa mulher, eu fiquei mais desconfiada ainda porque nada sobre ela foi dito pela imprensa até agora. Sinal de que não sabem dessa informação. Você pode observar como os soldados vasculham esse concreto tentando encontrar alguma coisa. Bob duvida que tenham sido terroristas. Ele acredita que foi queima de provas. Talvez a máfia funcionasse aí.

BETH: - A máfia?

RACHEL: - Quem pode saber? Tudo acontece na Rua 46 Este...


VINHETA DE ABERTURA: THE WAR IS OVER



BLOCO 1:


Residência dos Mulder – Virgínia - 10:46 P.M.

Pela janela da sala vemos a neve caindo. A árvore de natal ao lado da janela, toda decorada. Pendurado na lareira, um par de sapatinhos de bebê cor de rosa.

A porta abre-se. Scully entra apoiada em Meg, segurando a bebê enroladinha numa manta. Meg a ajuda a sentar. Mulder, usando uma touca de Papai Noel entra, com Skinner o ajudando.

SKINNER: - Eu nem sei qual dos dois está pior. Melhor irem pra cama e repousarem.

MULDER: - Não me faz rir. Dói!

Mulder senta-se no sofá ao lado de Scully. Fica observando ela com a filha.

SKINNER: - Casa bonita Mulder. Gostei daqui, acho que vou ficar cliente.

MULDER: - Convidaria você pra dar um passeio por ela, mas não estou em condições.

MARGARET: - Estou preocupada com vocês dois sozinhos aqui. Não estou gostando disso.

SCULLY: - Mamãe, eu já falei...

MULDER: - Meg, a gente quer ficar sozinho. Não é nada pessoal, é que... É um momento só nosso. Lutamos pra vivê-lo... Só queremos ficar juntos e paparicando nossa filha.

MARGARET: - Mas sozinhos no natal? E a ceia?

SCULLY: - Que natal? Que ceia? Nem sentimos fome, estamos enjoados de tanto soro! Mãe, quem liga pra ceia de natal quando o presente mais doce que eu queria está aqui nos meus braços? Esse é o sentido do natal!

Meg olha pra Mulder e Scully.

MULDER: - Mãe, por favor... A gente se vira.

MARGARET: - De que jeito? Estão os dois remendados aí! Ela acaba de parir e você, 'Papai Noel' de primeira viagem, saiu de uma cirurgia e não ficou nem 12 horas no hospital. E se precisarem de algo pra criança? Bebês incomodam, choram a noite toda, tem que trocar fralda...

MULDER: - Eu cuido delas.

MARGARET: - Você cuida delas? Mas você está pior do que elas!!! Devia ter ficado no hospital...

SCULLY: - Mãe!

MARGARET: - E se sentirem fome?

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu chamo a 'tele-ceia'. Ou mato uma rena.

MARGARET: - É loucura deixar vocês dois sozinhos com a menina!

SCULLY: - Mãe... Por favor... O que combinamos? Você passa o natal em sua casa com Bill e Charles... E no ano novo todos vem pra cá. Mas no natal, eu quero ficar a sós com meu marido e minha filha.

Meg olha pra Skinner. Skinner sorri.

SKINNER: - Eu ligo de hora em hora pra saber se eles estão bem, senhora Scully. Quer dizer, pra saber se a minha afilhada está bem, porque esses dois eu já nem ligo mais.

SCULLY: - Mãe... (PIDONA) Por favor...

MARGARET: - Ok. (ERGUE AS MÃOS) Desisto! Se precisarem de mim, sabem onde estou.

Scully sorri.

SCULLY: - Mãe... Feliz natal!

MARGARET: - (CONTRARIADA) Feliz natal pra vocês dois, seus teimosos!

Meg aproxima-se de Scully. Beija-a na testa. Beija a testa do bebê.

MARGARET: - E pra você também, princesinha da vovó. E cuidem bem da minha neta!

Meg olha pra Mulder. Beija-o na testa.

MARGARET: - Feliz natal, meu filho.

MULDER: - (SORRI) Pra você também, mãe.

SKINNER: - Feliz natal pra vocês. Eu ligo depois.

MULDER: - Feliz natal pra você, Skinner. (DEBOCHADO) Eu te chamo pra trocar as fraldas...

SKINNER: - Vou fazer agora o que combinamos.

MULDER: - Ok.

SCULLY: - (CURIOSA)Fazer o quê?

MULDER: - Nada.

Skinner sorri. Sai com Margaret. Mulder fecha a porta. Olha pra Scully.

MULDER: - (EMPOLGADO)Enfim sós?

SCULLY: - (SORRI BOBA) Mulder... (FELIZ) Eu quero comemorar!

MULDER: - Ok... Vamos lá pra cima. Algum item emergencial pra se levar?

SCULLY: - Hum... Água? Leva alguns biscoitos por via das dúvidas. E seus remédios.

Mulder se levanta. Põe a mão na barriga.

MULDER: - Au! Isso dói...

SCULLY: - Como conseguiu perfurar o abdômen Mulder?

MULDER: - Eu já disse, por causa do bebê... Foi uma cesariana...

Mulder vai pra cozinha. Scully sorrindo, afasta a manta do rostinho da menina.

SCULLY: - Está dormindo...

MULDER: - Que inveja!

SCULLY: - (SORRI BOBA) Mulder, ela é linda!

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu sei, foi eu quem fiz. Puxou ao pai.

SCULLY: - (RINDO) Mulder... Estou virada numa boba completa. Se não fosse o meu estado físico eu juro que pularia nesse sofá aos gritos de felicidade e... ai... Dói só de pensar...

Mulder entra na sala, com uma garrafa de água mineral e um pacote de biscoitos.

MULDER: - Nossa ceia de natal... (SORRI) Pronta pra curtimos nosso presente? Eu tô doido pra fazer isso!

SCULLY: - (SORRI) Eu também! Doidinha pra desembrulhar meu presente dessa manta! Meu Papai Noel... Que presentão você me deu esse ano! E eu nem sei se fui tão boa menina...

Mulder sorri. A ajuda a se levantar.


11:44 P.M.

Scully sentada na cama, com a bebê enroladinha na manta, mantendo-a contra seu corpo. Mulder fecha a cortina da janela. Liga o CD player num volume bem baixinho. Os dois irradiam felicidade.

[Som: Eurythmics - There Must Be An Angel]

Scully o observa curiosa, segurando o riso. Mulder começa a dançar, mesmo com dor.

No-one on earth could feel like this. I'm thrown and overblown with bliss.

(Ninguém na terra poderia se sentir assim. Estou enlouquecido de felicidade).

Scully começa a rir dele.

There must be an angel... Playing with my heart...

(Deve haver um anjo. Brincando com meu coração)


Mulder gesticula um sinal de vitória com as mãos.

MULDER: - (GRITA BAIXINHO) Yes! Yes! Yes!!!!

Scully começa a rir.

MULDER: - Pelo menos uma vez na vida!!! E foi uma grande tacada do time Mulder-Scully, sem chances para o apanhador do Sindicato das Sombras, foi um home run de primeira, a bola voou pra fora do estádio, bateu num poste e acertou a cabeça do Mr. Fumaça. Ele está tonto até agora sem entender o que o atingiu...

Scully solta uma risada incontida. Mulder senta-se ao lado delas, sorrindo bobo.

MULDER: - Eu te amo, Scully. Deixa eu olhar para o nosso "home run".

SCULLY: - Eu amo você, Mulder.Então? Vamos desembrulhar o nosso presente?

Mulder ajeita os travesseiros pra Scully se recostar. Scully permanece com a filha nos braços. Mulder ao lado dela, com o braço ao redor de Scully e o queixo apoiado em seu ombro. Scully começa a desembrulhar a menina.

SCULLY: -Chega de tanta manta, aqui não está tão frio e eu quero vê-la todinha! Hummmm... Cheirinho de neném!

Os dois admiram a bebê feito dois babões. Scully ajeita a mão da filha sobre a sua. Analisa os dedinhos.

SCULLY: - (SORRI) Olha a mãozinha! Como é pequenina... (DENGOSA) O tamanho das unhas Mulder!

MULDER: - (SORRI) Tem as mãos delicadas da mãe dela... Vai ser médica...

SCULLY: - Ai, Mulder! Olha o pezinho! Olha o tamanho do pezinho da nossa Victoria!

MULDER: - (CURIOSO/ SORRINDO) Victoria?

Scully olha pra ele encabulada. Mulder sorri.

SCULLY: - Eu pensei no quanto ela significa pra nós dois, Mulder... No tudo que ela representa em nossa vida... A nossa Victoria... Ela é a única vitória que tivemos.

MULDER: - (SORRI) Victoria...

SCULLY: - Mas se você não quiser...

MULDER: - (SORRINDO BOBO) Victoria... A nossa Victoria... Eu gostei.

SCULLY: - (SORRI) Abriu os olhos! Ohm meu Deus...

MULDER: - (SORRI) Acho que ela gostou do nome...

Victoria simula um sorriso, virando o rostinho, se espreguiçando e bocejando. Alterna o olhar entre os dois, como quem descobre uma novidade.

SCULLY: - (OLHOS EM LÁGRIMAS) Oi filhinha! Oi, meu amor...

MULDER: - Oi Pinguinho... Eu sou o seu pai e essa é a chata da sua mãe.

SCULLY: - É. Eu sou a chata da sua mãe e ele é o louco do seu pai. Olha como ela olha pra gente... Como ela é esperta! Parece que sabe, Mulder... Reconhece...

MULDER: - Deve estar pensando: Nossa! Esses aí são os meus pais? Onde eu fui me meter!

SCULLY: - (SORRI OLHANDO PRA FILHA) Ela é perfeita, Mulder...

MULDER: - Claro que ela nos reconhece, Scully. A voz é familiar. A gente falava direto com ela... Linda como você.

SCULLY: - Tem os olhos verdes do pai...

MULDER: - (DEBOCHADO) Ah, importa é que tem saúde. E ainda bem que não tem meu nariz!

Scully olha pra ele e sorri.

SCULLY: - E o que tem o seu nariz? Hum?

Scully mordisca o nariz dele. Mulder sorri.

SCULLY: - Eu amo esse nariz.

MULDER: - Casou-se comigo por causa do nariz?

SCULLY: - Não. Casei com você por causa do todo. Mulder, eu te amo. (FRANZE O CENHO PRA CHORAR) Você nem imagina o quanto eu amo você.

Scully derruba lágrimas. Pega o xale e enrola a filha. Mulder a beija. Olha apaixonado pra ela.

MULDER: - Eu amo você, Scully. E eu faria tudo de novo. De todas as coisas loucas que eu já fiz, dessa eu não me arrependo mesmo!

Scully aproxima seus lábios dos de Mulder e o beija suavemente. Mulder arregala os olhos. Afasta os lábios dos dela.

MULDER: - (DEBOCHADO) Scully, tem alguém nos observando. Coisa feia, Pinguinho!

Victoria vira o rosto num sorriso se escondendo no xale. Mulder toma a mãozinha dela na sua.

MULDER: - É a criança mais linda que já vi.

SCULLY: - Somos suspeitos pra dizer isso, Mulder.

MULDER: - Mas ela é linda... Perfeita... Esquecemos só de um detalhe.

SCULLY: - Qual?

MULDER: - Do cabelo.

SCULLY: - (SORRI) Ela vai ter cabelos castanhos lindos, como os do pai dela...

MULDER: - Hum, acho que os cabelos dela vão clarear...

SCULLY: - Não, vão ser castanhos. Sempre sonhei em ter uma filha com lindos e longos cabelos castanhos escuros... Ela é linda. Cabelos castanhos, olhos verdes...

MULDER: - É... Já vi que vou ter trabalho. Haja bala pra expurgar os safados que se aproximarem dela...

SCULLY: - Mulder! Deixa de ser ciumento!

MULDER: - Ciumento? Não sou ciumento.

SCULLY: - Mentiroso!

MULDER: - Eu sou homem, tá legal? Eu sei das safadezas masculinas. Com a minha filha não!

SCULLY: - Ahá! Criou juízo! Nada como ser pai de menina pra criar juízo.

MULDER: - ... Scully... (ENCHE OS OLHOS DE LÁGRIMAS) Isso é sonho ou estamos aqui com nossa filha?

SCULLY: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS) Acho que é real, Mulder.

MULDER: - Eu... Eu não acredito nisso... É tanta emoção que eu não consigo assimilar nada.

SCULLY: - Nem eu... E-eu olho pra ela e não acredito que isso seja verdade...

MULDER: - ... Eu sou pai?

SCULLY: - (AFIRMA COM A CABEÇA)

MULDER: - Você é mãe?

SCULLY: - (OLHA APAIXONADA PRA FILHA)

MULDER: - (SORRI/ SEGURANDO AS LÁGRIMAS) Como a gente pôde fazer algo tão bonito?

SCULLY: - (SORRI)

MULDER: - (OLHA NOS OLHOS DELA) Obrigado.

Scully olha pra ele. Mulder derruba lágrimas, olhando pra ela num sorriso.

MULDER: - Obrigado... Feliz natal pra você Scully. E feliz natal pra você, Victoria.

Scully envolve o braço nele. Ficam de testas coladas, derrubando lágrimas, em silêncio.


Apartamento de Mulder – Alexandria – 12:14 A.M.

Skinner entra sem acender as luzes, carregando uma maleta. Retira a lanterna do bolso. Donald vem atrás dele. Fecha a porta. Retira uma lanterna do bolso também. Os dois iluminam o local.

DONALD: - O que procuramos?

SKINNER: - Câmeras e escutas. Mulder disse que tem uma no aquário e outra no duto de ventilação do quarto.

DONALD: - Ok, diretor assistente.

Donald veste as luvas de borracha. Retira um saco plástico do bolso. Skinner veste luvas também e abre a maleta. Retira um pincel grosso.

SKINNER: - Vou procurar digitais. Vamos levar tudo que prove o envolvimento deles com Mulder. Existem alguns arquivos no computador também.

Donald coloca água do aquário no saco plástico.

SKINNER: - Eu não tenho nada melhor pra fazer no natal do que uma boa ação. E você?

DONALD: - Tenho meus pais na Inglaterra... Não é muito perto pra visita rápida. Vou nas férias.

Donald coloca o peixinho dentro do saco plástico.

SKINNER: - O que está fazendo? O peixe virou prova?

DONALD: - (SORRI) Não. Você o entrega pra Mulder depois. Ou gosta de peixe dourado assado?

Skinner sorri.

SKINNER: - Não é a minha ideia de ceia de natal...

DONALD: - Não sei, mas caso vocês estejam certos do que vai acontecer aqui... Posso ganhar um prêmio do Greenpeace por salvar o peixe...

Skinner sorri. Aproxima-se da janela. Observa desconfiado.

SKINNER: - Tem alguém lá fora nos observando.

DONALD: - Mas como sabem que estamos aqui?

SKINNER: - Talvez tenha nos seguido. Vou descer e verificar.

Corta para a calçada. O homem usando jeans, uma jaqueta pesada com um capuz que lhe esconde o rosto, debaixo da neve, mãos nos bolsos, observa o apartamento.

Corte.


Skinner sai do prédio de Mulder. Procura com os olhos. O sujeito sumiu.

Corte.


Residência dos Mulder – Virgínia – 1:23 A.M.

No quarto, Mulder dorme sem camisa, com a mão sobre a atadura na barriga.

Scully sentada na poltrona perto da janela, amamentando Victoria, olhando com amor pra ela.

Mulder se acorda. Olha em lágrimas pra Scully. Scully percebe e olha pra ele.

MULDER: - Eu... Eu nem sei quantas vezes achei que meus olhos jamais veriam tal cena. É a coisa mais linda que eu já vi.

Scully olha pra ele, ternamente.

MULDER: - Eu quero mais é sair dessa cama, correr por aí e fumar um charuto com meus amigos gritando que eu sou pai.

SCULLY: - Nada de fumar, Mulder. Nem de sair correndo por aí. Ordens médicas.

Mulder levanta-se. Aproxima-se delas. Ajoelha-se ao lado de Scully.

MULDER: - Puxa, que fome, hein Pinguinho?... Pobrezinha, eu não sei como resistiu àquilo tudo.

SCULLY: - Quando vocês estavam... na nave... Ela chorou muito?

MULDER: - Não, ela não chorou. Ficou quietinha como uma cúmplice.

SCULLY: - (SUSPIRA)

MULDER: - Quem chorou fui eu. Ela se comportou.

Scully sorri. Mulder olha pra filha.

MULDER: - Sabe... Pode parecer bobagem minha, mas... Ela parecia entender o que estava acontecendo... Eu sentia que ela confiava em mim...

Scully olha pra Mulder ternamente. Ajeita Victoria contra seu corpo.

MULDER: - E-eu... Eu tive medo de não conseguir tirá-la de lá... Scully, eu já senti medo muitas vezes. Mas foi um medo muito maior do que qualquer outro medo que eu já tenha sentido.

SCULLY: - Eu imagino, Mulder...

MULDER: - Eu não sei bem o que aconteceu... De repente ficamos suspensos, lembro de ter olhado pra cima e visto uma nave triangular dourada, de um brilho que parecia fogo, uma coisa surreal e linda, sabe? Mantinha Victoria e eu em uma luz... Mas era diferente...

SCULLY: -(CURIOSA) Diferente como, Mulder?

MULDER: - Não era ameaçadora. Não era pra machucar, eu podia sentir isso... Era uma luz, não digo quente, mas... Algo confortável... Era como estar aquecido e feliz por estar em casa. Lembro de não sentir mais medo, de sentir paz... E depois disso só lembro que estava em pé, parado na estrada com a Victoria em meus braços... E vi uma nave redonda explodir. Essa deveria ser a nave dos cinzas que estavam com a raça do Caçador de Recompensas... Certamente quem nos salvou foi outra raça. E pelo jeito eles não gostam de cinzas, caçadores e lagartinhos do óleo negro. Isso já me faz gostar deles. E o fato de terem salvo minha filha e eu... (SORRI) Deixa pra lá, Scully. Você tem suas crenças e eu tenho as minhas.

SCULLY: - ... Não viu nada dentro dessa nave pra onde levaram vocês?

MULDER: - Eu ouvi vozes que não distinguia ou entendia... Na verdade, acho que descobri a verdade e estou mais confuso do que antes.

SCULLY: - (SORRI) Eu sei. Foi um milagre. Deus prometeu, Deus nos deu... Como prometeu ao seu avô a eterna descendência dos Mulder.

MULDER: - É, Scully. Você tem razão. Acho que "Deus" nos salvou usando "anjos" pra isso. Mas aconteceu alguma coisa... Eu não consigo mais ler mentes. Eles tiraram isso de mim, o que aqueles outros colocaram... Eu não posso lembrar... Pelo menos sinto meu cérebro mais leve e a cabeça não dói mais...

SCULLY: - Eu te amo, Mulder. De todas as coisas que você me deu, esta foi a maior delas e será sempre.

MULDER: - Ah, você me deu ela também.

SCULLY: - (OLHA PRA VICTORIA) Dormiu.

MULDER: - Pudera! Acho que pro primeiro dia de vida, ela teve um dia bem agitado.

Scully embala a filha, olhando pra ela com uma ternura nunca vista em seu olhar. Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Eu amo você.

Mulder a beija. Quase cai, sentindo-se fraco.

SCULLY: - Mulder, precisa se deitar.

MULDER: - Não quero me deitar. Quero olhar pra minha filha.

SCULLY: - Mulder, se prometer não sair daquela cama, eu a coloco do seu lado.

Ele vai pra cama num sorriso empolgado.

SCULLY: - Faça sua parte e tome conta dela.

MULDER: - Sim senhora.

Scully levanta-se. Coloca Victoria sobre Mulder. Os cobre com o edredom.

SCULLY: - Deixa ela erguida porque mamou agora.

MULDER: - Tá.

SCULLY: - Me acorda daqui duas horas pra amamentá-la de novo.

MULDER: - Sério?

SCULLY: - Sim. Bebês são assim, Mulder.

MULDER: - Nossa, filha! Que apetite! Por isso sua mãe se entupia de doces...

SCULLY: - (SORRI) Puxou ao esfomeado do pai dela... Mulder, me acorde. Mesmo que ela esteja dormindo, ela precisa mamar.

Mulder envolve as mãos sobre a filha.

SCULLY: - E não vá dormir e deixá-la cair!

MULDER: - Acha que sou doido, é?

SCULLY: - Preciso dormir um pouco, Mulder.

MULDER: - Tá doendo?

SCULLY: - Um pouquinho.

MULDER: - (PREOCUPADO) Eu não fiz nada de errado né?

SCULLY: - (SORRI) Claro que não Mulder... O médico disse que parecia um parto feito por um profissional.

MULDER: - (SORRI) Bom, seriam lembranças de outra vida?

SCULLY: -Por que não, Dr. Mulder? Vai saber...

Scully deita-se. Mulder estende o braço e lhe faz carinhos.

SCULLY: -Eu faço o segundo turno, parceiro.

Mulder sorri. Olha pra Scully, olha pra Victoria.

MULDER: - A gente venceu. Por Deus, a gente venceu!

Scully olha pra ele. Suspira de felicidade.

MULDER: - E eis aqui a vitória, Scully. A maior de todas as vitórias. A nossa Victoria.

SCULLY: - Mulder, ver você tão bobo até me alivia a dor.

MULDER: - Bobo? Eu não estou bobo. Eu estou num estado tão completo de plenitude que nem acho palavras pra definir.

SCULLY: - ...

MULDER: - Sou um cara feliz, Scully. Tenho as minhas duas mulheres. E a arma debaixo do travesseiro, por via das dúvidas.

SCULLY: - Mulder, não vai ficar o resto da vida acordado, vai?

MULDER: - Aposte que daqui pra frente vou dormir com um olho aberto.

SCULLY: - Vai colocar algemas nela também?

MULDER: - Não. Mas vou colocar mais alarmes por toda a casa. Se uma brisa passar pela fresta da janela eu atiro.

Scully fecha os olhos, sorrindo. Mulder acaricia Victoria.

MULDER: - E papai tá falando sério, garotinha. Muito sério.

SCULLY: - E quando ela começar a caminhar, Mulder?

MULDER: - Compro uma coleira pra ela.

Scully abre os olhos.

MULDER: - Piada, Scully. A coleira é pra você.

Scully sorri. Fecha os olhos. Mulder pega o controle e liga a TV, num sorriso.


Nova Iorque – 2:34 A.M.

O apartamento na penumbra. Câmera de aproximação até o sofá.

Krycek sentado no escuro, cabisbaixo, com as mãos no rosto. Roupas chamuscadas, rasgadas. A garrafa de vodca sobre a mesa de centro. Ao lado a foto de Marita. Krycek ergue o rosto sujo e esfolado. Os olhos vermelhos, lágrimas que caem e a expressão de ódio estampada no rosto.


Residência dos Mulder - Virgínia - 3:21 A.M.

A TV ligada. Mas Mulder não olha pra TV. Observa num sorriso bobo, a filha deitada de bruços sobre seu peito. Olha pra Scully que dorme. Olha pra Victoria dormindo.

MULDER: - Tá com fome Pinguinho?

Mulder a coloca deitada na cama, entre ele e Scully. Vira-se pra Victoria. A menina abre os olhos e o observa curiosa. Mulder olha nos olhos dela, conversando com o olhar.

MULDER (PENSANDO): - Temos algumas coisas pra falar e eu sei que você quer se comunicar de alguma maneira... Não sei se pode ler o que eu penso, porque eu não posso mais fazer isso. Mas espero que me entenda...

Mulder verifica se Scully está dormindo. Scully dorme profundamente. Então Mulder olha pra filha.

MULDER (PENSANDO): - Eu sei que você me entende. Sei que você é esperta demais. Você tem qualidades que nenhuma outra criança tem... Não sei o que posso esperar de você. Mas algo dentro de mim diz que você é mais do que suponho. Ou não estariam interessados nos seus genes... Se a ameaça alienígena acabou, por que ainda a querem? Pra criarem uma super raça?

Victoria o observa. Mulder olha pra ela com ternura.

MULDER (PENSANDO): - Pinguinho, tem muitas coisas que eu não entendo ainda... E tenho medo da verdade chegar aos olhos da sua mãe. Eu não sei até que ponto ela acredita realmente que você voltou pra nós. Bem, se é que você voltou, porque muita coisa não bate. E não tenho ideia de como ela reagirá ao saber que tem uma filha paranormal... (SORRI) Eu nem sei se você entende o que eu penso, eu nem sei se você é o que penso... Acho que estou ficando doido... Paranormal... Você nem sabe o que estou pensando!

Victoria leva a mãozinha aberta até o crucifixo que Mulder tem no pescoço. Mulder a olha, enchendo os olhos de lágrimas. Dá um beijo demorado na testa dela. Olha pra Victoria em emoções confusas. Retira a correntinha e coloca no pescoço dela.

MULDER (PENSANDO): - Bem vinda ao mundo, Victoria. Eu vou tentar fazer dele um lugar melhor pra você. Agora nós somos três. Eu quero que saiba que eu amo você e estarei do seu lado pra sempre.

Mulder sorri pra filha.

MULDER: - Ops... Acho que está na hora de acordar a mamãe... (CUTUCA SCULLY) Scully... Acorda, Scully... Tem um problema aqui que só você pode resolver.

Scully se acorda. Olha pra Mulder num sorriso. Pega a filha e recosta seu rosto contra ela, fazendo carinho.

MULDER: - Scully, vai espremer a menina!

SCULLY: - Me deixe espremê-la, né filha? Carinho não mata.

Scully ajeita-se e começa a amamentar a filha num sorriso. Mulder as observa, num sorriso, com a mão sobre a menina.

MULDER: - Estou apaixonado em ver isso.

SCULLY: - (INTRIGADA) Por que colocou sua corrente nela?

MULDER: - ... Pra ela ter fé como você tem. Aprendi que "fé" nunca é demais. A "fé" nos salvou ontem.

SCULLY: - (SORRI) Essa era a minha correntinha. Estou usando a de Melissa... Era do nosso filho...

MULDER: - Adoro ver você fazendo isso.

SCULLY: - Por quê?

MULDER: - Eu acho lindo ver uma mãe amamentar o filho. É uma coisa de integração total... Algo entre vocês duas... Sei lá. Mais uma coisa que a natureza privou aos homens.

SCULLY: - Mulder, pode dormir. Eu fico acordada agora.

MULDER: - Eu não tenho sono. Ainda estou sofrendo da síndrome do pai bobo.

SCULLY: - (SORRI) E está gostando do seu novo cargo?

MULDER: - Estou. Pena que comece e termine em Victoria.

SCULLY: - ...

MULDER: - Sério. Vamos ser expulsos do FBI. Não resta dúvidas. Então podemos nos casar e adotar mais uns seis?

SCULLY: - (ARREGALA OS OLHOS) Seis?

MULDER: - É, pelo menos uns seis... Acha pouco?

SCULLY: - (RINDO) Vamos ter que aumentar a casa.

MULDER: - Ah tudo bem...

SCULLY: - Mulder, eu estou estranhando você. Sério! Nunca imaginei que fosse ficar tão bobo, tão feliz... Ver você desse jeito me deixa animada.

MULDER: - (SORRI) Eu tive minha lição, Scully. Aprendi que as coisas normais são uma fonte de inspiração pra vida. Há algum tempo atrás eu nunca imaginaria essa cena. Nunca pensei em ter o que tenho hoje com você. As coisas foram acontecendo dentro de mim de uma maneira que não consigo explicar.

SCULLY: - Muita coisa muda agora. Preparado para a choradeira no meio da noite?

MULDER: - De quem? Minha ou dela?

SCULLY: - (SORRI) Dela, Mulder.

MULDER: - (SORRI) Preparado.

SCULLY: - E pra dividir minha atenção com ela?

MULDER: - Por que diz isso?

SCULLY: - Mulder, eu me preocupo com isso. Agora eu tenho que dar atenção pra mais alguém aqui. E tenho medo de que nossa relação entre em crise. Muitos casais começam a ter crises após o nascimento do primeiro filho. Sempre ficou evidenciado de que os homens ficam em segundo plano pela esposa e acabam se descontentando com o casamento e...

MULDER: - Lá vem Dana Scully com suas teorias científicas nada aplicáveis a um casal que foge às regras...

SCULLY: - Mas é sério, Mulder. Eu quero que me diga quando você se sentir em segundo plano...

MULDER: - Scully... Vamos combinar aqui: ela vem primeiro sempre. Eu não sou tão neandertal a ponto de disputar atenção com a minha filha. Eu quero mais é que ela tenha toda a atenção do mundo. Gostar dela significa gostar de mim. Quem fizer algo contra ela fará contra mim.

SCULLY: - Mulder... O que você acordou com Skinner? Quando chegamos você e ele combinaram algo. O que estão tramando?

MULDER: - Eu pedi que Skinner retirasse todas as provas possíveis que me ligassem ao sindicato. Caso aconteça alguma retaliação dentro do Bureau, eu vou usar isso contra eles. Krycek me avisou no hospital que o Fumacinha vai destruir provas porque o que eu fiz vai dar retaliação para todos eles. Eu, você, os rapazes, Modesky... Nós praticamente desarticulamos as operações.

SCULLY: - Como assim retaliação?

MULDER: - Scully, eles são uma pirâmide de um esquema de conspiração global. O Sindicato das Sombras, que eu e você conhecemos, é apenas um sindicato mesmo, que defende os interesses americanos. Os russos tem o sindicato deles, os chineses, árabes... Todos tem seus sindicatos. Cooperam entre si, mas nem estão no topo da pirâmide. Pra dizer a verdade, Krycek me disse que nem eles sabem quem está no topo!

Scully arregala os olhos.

SCULLY: - Mulder, pelo amor de Deus, você tem muita coisa pra dividir comigo, coisas que eu sei que você não me contou. Só pra me poupar por causa da gravidez. Mas eu quero saber de tudo o que você descobriu. E eu não confio em Krycek.

MULDER: - Scully... Dê uma segunda chance as pessoas. Ele não mentiu pra mim. Se não fosse Krycek, eu teria morrido naquele hospital. O pouco tempo em que fiquei junto trabalhando com o rato, me fez perceber algumas coisas.

SCULLY: - Mulder, eu estou seriamente preocupada.

MULDER: - Guarde as preocupações pra depois. Vamos curtir nossa filha, esperamos tanto por isso. O resto permanece lá e ficará por um bom tempo. Mas ela, ela cresce e eu não quero perder um segundo disso. Por falar nisso, vou pegar aquela câmera e começar a fazer uns vídeos...

SCULLY: - (SORRI) Nossa... Esse é o lado paterno do Mulder?

MULDER: - Vai ficar surpresa quando conhecer meu lado paterno. Aflorou totalmente!

Os dois riem.


BLOCO 2:

Apartamento de Skinner - 4:56 A.M.

Skinner sai do elevador. Retira as chaves do bolso. Abre a porta. Observa o apartamento no escuro. Skinner suspira.

SKINNER: - (TRISTE) Mais um natal... Sozinho.

Skinner pressente alguma coisa. Vira-se rapidamente. Não vê nada. Puxa a arma. Observa o corredor. Vê a porta de acesso às escadas entreaberta. Skinner aproxima-se rapidamente. Abre a porta. Puxa o homem do capuz pro corredor, apontando a arma na cabeça dele.

SKINNER: - Por que está me seguindo? Quem mandou você aqui? O que estava fazendo na frente do prédio do Mulder?

MAX: - (ERGUE OS BRAÇOS) Não atire!

Skinner olha pra ele, intrigado. Max retira o capuz, revelando seu rosto de traços asiáticos.

MAX: - Eu... Não sei se você se lembra de mim, mas eu sou o filho da Yasmin, sua amiga...

SKINNER: - Claro que lembro. Max, não é? O que está fazendo?

Skinner guarda a arma. Max, nervoso, retira os óculos do bolso e os coloca.

MAX: - Eu... Eu...

SKINNER: - Rapaz, você me assustou! Pensei que fosse... Deixa pra lá.

Max fica mais nervoso e tira os óculos. Olha pra Skinner.

MAX: - Me desculpe... Eu... Eu vou embora. Foi uma péssima ideia...

SKINNER: - Por que estava me seguindo?

Max olha pra ele, angustiado. Skinner percebe algo errado.

SKINNER: - Você está metido em alguma encrenca, é isso?

MAX: - ...

SKINNER: - Max, eu amei sua mãe. Eu jurei que faria tudo para ajudar você, porque você é filho dela. Sua mãe era uma pessoa tão justa, tão meiga...

Max morde os lábios, tentando segurar as lágrimas nos olhos.

MAX: - Eu... Eu tento criar coragem todos os dias do ano, pra dizer isso a você, mas o tempo vai passando, e eu tenho medo da sua reação... Mas... É natal... Eu não podia ficar sozinho no meu apartamento, lembrando de você...

SKINNER: - ???

MAX: - Eu... Eu só queria te abraçar... Meu pai.

Skinner olha pra ele surpreso. Max se abraça nele. Skinner está tão surpreso que não consegue abraçá-lo. Max chora. Skinner abre um sorriso, derrubando lágrimas e o abraça com força.

SKINNER: - Eu... Eu tenho um filho?

Max olha pra ele.

MAX: - Se não quiser aceitar, eu posso entender... Sou um homem crescido pra entender isso...

Skinner o abraça com força. Os dois ficam abraçados no corredor, entre lágrimas e sorrisos. Skinner olha pra ele.

SKINNER: - ... Vem, Max. Entre.

Os dois entram no apartamento.

SKINNER: - (SORRI) Se soubesse que tinha um filho, mesmo tão crescido, eu teria feito uma árvore e preparado uma ceia, comprado presente... Gosta de cerveja e comida congelada?

MAX: - (SORRI) É o que eu tenho em casa.

SKINNER: - Max... Você foi uma surpresa de natal que eu nunca imaginei... Boa demais! Ganhei um filho e uma afilhada de natal...

Skinner vai pra cozinha e traz duas cervejas. Entrega uma para Max.

MAX: -Dizer isso pro senhor era tudo o que eu queria... Tinha medo da sua reação. Não sabia se ia acreditar em mim... Não estou aqui para reivindicar nada, não se preocupe, senhor, eu não vou pedir nada e...

SKINNER: - Filho, sente-se. Relaxe, beba sua cerveja. Temos muita coisa pra falar um ao outro. Eu não conheço você, você não me conhece. Não sabemos nada do outro. Fez a coisa certa em me procurar e revelar isso. Eu nem podia imaginar que tinha um filho.

Max senta-se. Skinner senta-se de frente pra ele.

MAX: - Senhor, se quiser prova de DNA, eu...

SKINNER: -Eu acredito que você é meu filho. Lamento que sua mãe tenha morrido. Lamento que a vida tenha nos separado. Mas agora estamos aqui.E esqueça o senhor... Me chame de você.Me chamam de senhor o dia todo... Estou ficando careca por causa isso. E me sentindo velho.

MAX: - (SORRI) Você está em forma.

SKINNER: - (SORRI) Quer dizer que herdou minha miopia? Espero que não herde minha calvície... Gosta de boxe?

MAX: - Claro!

SKINNER: - Sua mãe me salvou na guerra. Bem, acho que temos muito assunto pra falar...

Os dois brindam.


Residência dos Mulder - 5:41 A.M.

Scully recostada na cama segurando Victoria. Mulder sentado ao lado dela. Ele pega a água e os remédios.

SCULLY: - Está sentindo dor?

MULDER: - Um pouco... Na verdade até agora não entendo como não perfurei nenhum órgão... Acho que foi "milagre".

SCULLY: - Eu disse que não deveria ter tido alta. Por que fui concordar com isso?

MULDER: - E eu ia passar o natal num hospital e você aqui com a Victoria?

SCULLY: - E desde quando você se preocupa com natais? Não era você que odiava o natal?

MULDER: - (SORRI) Até ganhar o melhor presente que eu já ganhei na vida. Agora eu tenho natais. Você me deu um lado humano e Victoria consegue polir minhas arestas de ignorância.

SCULLY: - (SORRI)

MULDER: - Engraçado a vida da gente... Tudo aconteceu tão rápido sob meu ponto de vista. Eu não tive tempo de assimilar algumas coisas quando você estava dando a luz... Estava nervoso, sentindo alguma coisa estranha que agora eu sei o que era... Nós pensamos, criamos tecnologias, dominamos o mundo, nos destacamos dos animais... Mas no fundo, somos animais como qualquer outro.

SCULLY: - Por que diz isso?

Mulder toma um comprimido. Levanta-se. Observa pela janela. Scully continua amamentando a menina. Mulder sorri.

MULDER: - Quando eu era pequeno, acho que tinha uns 8 anos, num dia de primavera, estava observando pela janela um casal de passarinhos.

Scully olha pra ele.

MULDER: - (SORRI) Eu não sei que espécie era, mas eu lembro bem daqueles passarinhos. Era um leva e traz de capim seco, galhinhos secos... Faziam um ninho na árvore que ficava ao lado da janela do meu quarto. Eu observava todo o dia... Um dia aconteceu algo diferente. Um passarinho ficou no ninho. O outro, que era o macho, ficava à distância. Quando alguém se aproximava da árvore, o macho vinha rapidamente pra perto do ninho e ficava alvoroçado. Ele não descansava, estava ali perto sempre, cuidando da fêmea e da futura cria.

Scully sorri.

MULDER: - Então um dia nasceu um passarinho. A mãe tentava ensiná-lo a voar. O pai ficava a volta, atento. De noite eu podia ouvir alguns piadinhos deles vindo do ninho. Dormiam os três ali... Quando o filhote aprendeu a voar, deixou o ninho. E os pais foram embora. Mas toda a primavera, eles voltavam pra repetir o que a natureza prega: a procriação da espécie. Mas tem uma lição maior nisso tudo.

SCULLY: - Que lição?

MULDER: - A família. Se o macho fosse embora, a fêmea ficava sozinha, correndo o risco de perder a cria pra algum gato faminto. Se a fêmea fosse embora, o pai não conseguiria criar o filhote, porque não tem o instinto pra isso. A união real e verdadeira deles possibilitou o surgimento de uma nova vida. A responsabilidade deles se encerrou quando o filhote tomou seu rumo. Mas na natureza humana, apesar de nossos filhotes tomarem seu rumo, eles sempre sabem o caminho de casa.

SCULLY: - Mulder, que lindo isso!

MULDER: - Olhando então pro que passamos nesses nove meses eu vejo o quanto fomos como aqueles passarinhos. Você aqui gestando nossa filha e eu voando ao redor, protegendo nosso ninho. É instintivo, Scully. Você não pode lutar contra seus instintos primordiais. Eles estão dentro de você. Algumas vezes você nega ou desconhece. Até que chega o momento em que eles vem pra fora, implorando que a natureza tome seu curso... Mas acho que se formos nos comparar com passarinhos, seríamos araras.

SCULLY: - (RINDO) Por que araras, Mulder?

Mulder vira-se e olha pra ela num sorriso.

MULDER: - Porque as araras são monogâmicas. Elas escolhem um parceiro e vivem com ele pro resto de suas vidas...

SCULLY: - (EMOCIONADA)

Mulder senta-se ao lado dela. Passa a mão sobre a cabeça de Victoria. Olha sorrindo pra Scully.

MULDER: - Eu amava você. Nunca pensei que pudesse me amar. Mas você pôde, você já me amava. Escolhemos um ao outro pra fazer nosso ninho. Eu quero que sempre tenha a certeza dentro de você de que meu ninho é aqui. De que você é quem eu amo. Do quanto eu sou grato por ter me dado uma vida. Eu não quero voar pra longe. Eu me sinto bem aqui, mesmo quando temos problemas. Se um dia eu voar daqui será pro céu ou pro inferno. E não foi por vontade própria.

SCULLY: - (EMOCIONADA) ...

MULDER: - Quero fazer pela minha filha o que meus pais nunca fizeram por mim. Quero ser verdadeiro, cúmplice, atento às necessidades dela, rígido quando for preciso, mas compreensivo quando ela precisar. Eu quero estar presente e comemorar cada momento importante da vida dela. Seu primeiro passo, sua primeira palavra, seu primeiro namorado... Eu não quero que ela me veja como pai. Mas como 'O Pai'. Não aquele cara chato dos sermões ou aquele cara atolado no trabalho que chega em casa e vai dormir. Não. Aquele amigo mais velho que sabe que tem tanto a aprender com ela quanto a ensinar.

SCULLY: - Mulder, eu sei que você não vai errar com ela.

MULDER: - Preciso disso Scully. Victoria é a minha chance de provar pra mim mesmo que provas duras e cruéis na vida podem resultar em coisas boas. Você talvez não entenda o significado disso, mas pra mim que nunca tive uma família de verdade, esta é a minha chance. De ser o pai que eu não tive. Mas não o pai que eu queria e sim o pai que ela precisa. Eu perdi essa chance da vida, agora eu não sou mais filho. Agora eu sou pai. E isso pra mim tem um significado imenso, envolve toda uma complexidade psicológica, medos e expectativas. É minha afirmação como homem. E eu não vou negar pra você que ter uma filha é uma benção. Porque eu desejava desde o início que fosse uma menina. Por quê? Porque mulheres são mais sensíveis do que a maioria dos homens. E me alegra saber que o tanto de sentimento que tenho acumulado será entendido por ela, como talvez não fosse entendido por um menino.

SCULLY: - (SORRI) Mulder... Há um brilho de vida indefinido em você que eu nunca vi antes.

MULDER: - (SORRI) Não é apenas em mim, Scully. Nunca vi você radiante dessa maneira. Realizada. Acho que agora acabaram todos os seus anseios. Seus medos. Você carrega em seus braços aquilo que desejou por tantos anos... (SUSPIRA) Fala. Eu quero saber como você se sente agora que conseguiu ser mãe, coisa que você sempre mereceu ser.

SCULLY: - ... É... É uma confusão de sentimentos dentro de mim... Ainda não consigo acreditar que estou acordada... Eu sinto o calor dela contra meu corpo, eu olho pra ela, eu tenho vontade de rir, de chorar de alegria... Mulder, eu... Eu amo você. Você me deu o que eu queria.

MULDER: - ... (SORRI/ TÍMIDO)

SCULLY: - Você nunca desistiu. Ainda bem Mulder, que você sempre foi obstinado por alguma coisa. E sempre as impossíveis. Se fosse outro homem teria desistido de mim. Quantas vezes você suportou meu choro nas madrugadas? Quantas vezes você me disse que mesmo sendo impossível a gente ia conseguir esse milagre? Mulder, você fez isso tudo por mim, eu sei que fez. E no caminho você foi vendo que o que fazia por mim era por você também.

MULDER: - ...

SCULLY: - Então eu posso olhar pra você e dizer: sim, eu tenho o melhor homem desse mundo. Porque ele nunca me abandonou, nem nas piores horas da nossa vida. Ele sempre acreditou em mim, mesmo quando eu não acreditava. Ele nunca desistiu de realizar os meus sonhos. Se virou em mil, suportou mentiras, ameaças, se dividia entre o emprego e a família, e mesmo cansado, ele achava tempo pra cuidar de mim. Fez coisas que eu duvido que outro faria pra poder me dar essa criança. Inclusive, jogou fora o que mais gostava, sua carreira no FBI, os Arquivos X, tudo pra me dar um filho.

MULDER: - ...

SCULLY: - Tenho sido ingrata e egoísta com você, Mulder.

MULDER: - Não...

SCULLY: - Tenho sim. Você sabe disso. E foi bem antes da gravidez. Coloquei minhas prioridades sobre as suas. Eu olho pra Victoria agora e vejo que você fez muito mais por mim.

MULDER: - Não é verdade, Scully. Você me deu uma filha saudável, apoio nos momentos em que eu me sentia fraco. Esse trabalho foi todo seu.

SCULLY: - Não sei, Mulder... Olho pra ela e penso que isso só foi possível por você... Se eu não tivesse acreditado em você, ela não estaria aqui conosco hoje.

MULDER: - Foi por nós, Scully. Eu caí, tentei me suicidar, eu perdi a minha vida... Você me ergueu das cinzas, me deu uma fé, você impulsionou minha coragem. Tudo bem, até posso ser corajoso quando quero. Mas a força é sua. Sem sua força, eu não tenho coragem.

SCULLY: - E sem sua coragem, Mulder, eu não tenho força...

Scully coloca Victoria na cama, entre eles. Olha pra Mulder.

SCULLY: - Acho que uma vez eu disse a você, que a gente se cria lendo romances e depois constata que a vida não é assim. Eu já sabia que não era, vivi preparada pra não ser. Mas o que eu não sabia era que poderia ser, e eu teria a sorte de viver um romance verdadeiro. Por isso, me perdoa se às vezes sou tão seca com você. É que tudo parece sonho na minha vida quando estou do seu lado. Você me surpreende sempre, Mulder. Você parecia ser uma coisa, mas no fundo você é outra. Eu achava que você era distante, que coisas comuns nunca fariam parte de você, que teríamos problemas para conviver como um casal... Mas eu estava errada. Você precisava de uma chance pra dizer quem você era realmente.

MULDER: - (SORRI/ TÍMIDO) ...

SCULLY: - Quando temos nossas brigas, os nossos problemas... Que não são probleminhas nunca, sempre são uma avalanche de coisas, todas de uma vez... Então nós ficamos juntos, lutamos juntos, batalhamos pra viver um com o outro. São nessas horas que eu penso no quanto isso é o verdadeiro amor. Porque ele sobrevive às intemperanças da vida. Ele não está presente apenas nos momentos de alegria. Esse amor está presente nas tristezas, nos infortúnios e ele vem cada vez mais forte como se teimasse em existir.

MULDER: - (SORRI) Uma vez eu li em algum lugar que as histórias de amor deveriam terminar em: eles namoraram e viveram felizes para sempre. Concorda?

SCULLY: - Eu concordo, Mulder. A ideia de casamento sufoca, as pessoas transformaram o casamento em acomodação sentimental, em rotina, se esqueceram de conquistar, porque acham que o parceiro já foi conquistado.

Mulder deita-se de lado. Apoia a cabeça na mão, prestando atenção em Scully, enquanto ajeita o edredom sobre Victoria.

SCULLY: - Mas não é verdade. O casamento é um namoro, uma eterna conquista, você investe todos os dias naquele que você ama. Eu nunca quero deixar de ser a sua eterna namorada, bem como quero que você seja meu eterno namorado. Quero olhar pra você e poder dizer que vou te conquistar. Quero tomar sua mão, comer pipoca, namorar no sofá... Dizer besteiras... Ficar de beiço, enciumada, fazer charminho... Mas saiba que meu ciúme é tolice. Porque eu tenho a certeza dentro de mim de que você me ama. E sei que você sabe que eu te amo. Isso é só pra apimentar. É um ciúme bobo, sem fundamento. Não é algo prejudicial. É ciúme de namorada...

MULDER: - (SORRI) Por que estamos aqui reavaliando nossa relação?

SCULLY: - Hum... Porque agora somos três, Mulder. E esse pedacinho de gente precisa saber que é amada, que veio do amor, por amor e que seus pais se amam. Eu quero criar minha filha num ambiente de amor, como eu fui criada. Eu cresci vendo meu pai dizer 'eu te amo' pra minha mãe e isso me dava certa segurança até comigo mesmo. Eu cresci vendo eles se beijarem, trocarem carinhos... Eles eram eternos namorados. Havia crises na família Scully algumas vezes, mas eles sentavam os dois na cozinha e conversavam até resolverem os problemas. Por isso consigo entender porque Meg não quer mais se envolver com alguém. Ela amou, ama e amará sempre o meu pai até o dia em que for ao encontro dele. E eu acho isso lindo, porque eu faria o mesmo caso você se fosse. Araras, Mulder... Alguns seres humanos são araras. Outros não. Se isso é genético ou casualidade da vida, eu não sei. (SORRI) Mas Mulder, eu quero ser a sua arara pro resto da minha vida.

Mulder troca um beijo com ela.

MULDER: - Já viu as araras namorarem?

SCULLY: - (RINDO) Não. Como elas namoram?

MULDER: - Hum... Assim... (ROÇA OS LÁBIOS NO PESCOÇO DELA) Elas ficam fazendo carinhos com o bico, catando os piolhos uma da outra...

SCULLY: - (RINDO) Eu não tenho piolhos!

Mulder se afasta e continua rindo. Victoria olha pra eles curiosa.

MULDER: - Vamos catar os piolhos da ararazinha?

SCULLY: - (SORRI) Vamos!

Mulder roça o nariz no rosto de Victoria. Scully faz o mesmo. Victoria dá um sorriso, mexendo os bracinhos. Os dois cantam pra ela.

SCULLY: - You are my sunshine, my only sunshine...

MULDER: - You make me happy when skies are gray...

SCULLY E MULDER: - You'll never know, dear, how much I love you, please don't take my sunshine away...


Inglaterra – 8:58 A.M.

As crianças correm pela sala, abrindo presentes. Risos infantis ecoam pelo local.

Corta para o Homem das Unhas Bem Feitas que observa as crianças num olhar parado e triste. A filha aproxima-se dele.

FILHA: - Pai, por que está tão triste?

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - (SORRISO FORÇADO) Não estou triste. Estou pensando.

FILHA: - Então não pense. A família toda está tomando café. Por que não vai pra lá conosco?

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Me deixe aqui vendo meus netos... Eles me dão uma esperança no coração de que nem tudo que é feito significa maldade.

O telefone toca. A filha atende. Vira-se pra ele.

FILHA: - Pai, é pra você, dos Estados Unidos.

Ele levanta-se apressado. Pega o telefone. A filha sai da sala.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Fale... (ASSUSTADO) Você? (FECHA OS OLHOS) Quando?

Corte.


Local indefinido – 9:13 A.M.

O Canceroso, sentado na cama, olha desconfiado para o telefone que toca. Atende.

CANCEROSO: - Quem é?

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): - Sou eu. Strughold me ligou.

CANCEROSO: - Não foi para desejar feliz natal...

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Aquele demônio voltou. E não veio para fazer uma visita rápida.

O Canceroso acende um cigarro.

CANCEROSO: - (NERVOSO) Como sabe disso?

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Eu disse que o topo da pirâmide ficaria maluco com toda essa coisa que está acontecendo, essas brigas entre nós, que alguém desceria e viria tomar satisfação. Mandaram ele, o desocupado. É ele sim porque contatou com Strughold deixando uma moeda de ouro na caixa do correio.

CANCEROSO: - O que ele quer?

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Ora o que ele quer? Cabeças vão rolar!

CANCEROSO: - (FECHA OS OLHOS) Droga!

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Não recebi nenhuma moeda. Vou desaparecer antes que receba.

CANCEROSO: - Não tem como desaparecer. E eu preciso de você agora.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Você tem Garganta Profunda.

CANCEROSO: - Ele me traiu. Ajudou Mulder nisso. Vai pagar o preço da traição e eu não posso fazer nada. Ainda mais se o topo da pirâmide está descontente conosco.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Tem notícias de Nova Iorque?

CANCEROSO: - Ainda não encontraram o corpo de Alex Krycek.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Eu sinto por Marita. Eu não queria que nada acontecesse a ela, mas não poderia protegê-la como fiz das outras vezes... Acabou. Você entende que acabou e precisávamos sumir com todas as provas...

CANCEROSO: - Não acabou. Não acabará nunca. Foram-se os malditos alienígenas invasores, mas o maldito óleo negro permanece enterrado, espero que fique enterrado onde está... As experiências genéticas devem continuar. As guerras precisam continuar. Se o inimigo não está lá fora como alienígena, está aqui dentro como ser humano... Precisamos da menina. Ela é a chance da evolução forçada.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): - Eu não voltarei. Ficarei aqui e suportarei as consequências.

CANCEROSO: - Vai esperar o tiro de misericórdia pela janela? Sabe que não tem pra onde fugir. Você só foge quando eles querem.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Não. Desta vez será diferente. Não tente me proteger. Você está com sua cabeça a prêmio e eles agora sabem que você tem duas caras. Me mantenha informado sobre Nova Iorque. Tem certeza de que o russo estava lá?

CANCEROSO: - Absoluta. Se tivesse o endereço dele verificaria sua toca. Mas ele estava lá. Ela havia dito que se encontrariam para comemorar o natal juntos, que ele tinha uma surpresa pra ela sobre casamento... (TRAGA O CIGARRO) Acho que ela abriu o presente errado... (SORRI) Não era o pacote que continha a aliança...

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS (OFF): -Se o russo ficou vivo estamos numa situação perigosa. Nunca menospreze um homem. Ele pode ser um exército. Viu isso acontecer com Mulder.

CANCEROSO: - Não se preocupe. Se sobreviveu, o governo dele o pegará por nós. O serviço secreto russo o declarou traidor. Não tem mais pra onde voltar. Vai habitar pelos esgotos como um rato sujo.

O Canceroso desliga o telefone. Vai para a sala. Dirige seu olhar diretamente para a porta. Suspira nervoso, segurando o cigarro com a mão trêmula.

CANCEROSO: - Mulder, Mulder... Você nos matou.

Close da moeda de ouro no chão, perto da porta.


Residência dos Mulder - Virgínia - 10:14 A.M.

Victoria dormindo em seu berço. Scully sentada no quarto de Victoria, abrindo presentes. Mulder entra, com cara de sono.

MULDER: - (SORRI) Não deveria estar na cama?

SCULLY: - Quero ver os presentes que nossa filha recebeu. Mulder, chegou tanta coisa pra ela... Dos rapazes, da Suzanne, do Skinner... Nem vai acreditar! Até a Dharma mandou um presente.

MULDER: - (SORRI) ... Tô lembrando que não demos nada de natal ao nosso afilhado.

SCULLY: - Eu mandei pra ele antecipadamente.

MULDER: - Mulheres... Ainda bem que existem as mulheres!

SCULLY: - Maria... Lembra-se de Maria? A menina em Roswell.

MULDER: - Claro.

SCULLY: - Miss Bloop... (SORRI) Deus! Como as pessoas lembram! Até Donald mandou...

MULDER: - (SORRI) Miss Bloop... Que figurinha!

Scully pega um embrulho médio. Mulder olha pra Victoria.

SCULLY: - Esse chegou hoje cedo.

MULDER: - Hoje? Correios funcionam no natal?

SCULLY: - Hum, talvez entrega rápida. Estava na porta... Engraçado... Não tem remetente.

Mulder olha sério pra Scully. Scully arregala os olhos.

SCULLY: - (ASSUSTADA)Mulder...

MULDER: - (PÂNICO)Me dá isso aqui!

Mulder pega a caixa. Sai desesperado, mancando, subindo as escadas para o sótão. Scully aproxima-se do berço, olhando assustada. Toma a filha nos braços, apertando-a contra o peito.

Fade in.

[Som de explosão]


11:12 A.M.

Fade out.

Skinner, vestido num sobretudo, mãos nos bolsos, olha pra piscina. O pátio cheio de neve e destroços. Mulder se aproxima de pijamas com um sobretudo por cima.

MULDER: - (INDIGNADO) Não tive tempo de pensar e atirei pela janela do sótão... Perdi minha piscina! Sabe quanto cobraram a mais na casa por causa dessa maldita piscina? E eu nunca a usei! ... Olha o que virou o jardim da Scully! Meu Deus, as plantas devem ter chegado até a lua!

SKINNER: - ... Eles não tiram folga nem no natal?

MULDER: - Esqueceram de avisar a eles que a tradição dos fogos é no réveillon... Skinner, uma bomba com meu endereço. O que mais farão agora? Hein? Deveria me mudar pra Marte?

SKINNER: - Vou colocar agentes por aqui...

MULDER: - E vai alegar o quê?

SKINNER: - Vou dizer que Papai Noel anda muito espirituoso este ano.

Scully sai da casa.

SCULLY: - Coloquei Molly num refratário até comprarmos um aquário pra ela... Estou com medo.

Corta para a cerca que divide os quintais. Nancy observa tudo, curiosa. Mulder percebe e vira-se.

NANCY: - Feliz Natal, vizinhos!

SCULLY: - Feliz Natal, vizinha!

NANCY: - Estão dando uma festa?

MULDER: - (IRRITADO) Estamos. O pessoal do Talibã acaba de chegar. Pode me emprestar algumas cadeiras?

Skinner segura o riso. Nancy sai da cerca, irritada.

SCULLY: - Mulder, por favor... Trate bem os vizinhos.

MULDER: - Sabe o que penso dessa anaconda aí do lado!

SCULLY: - O marido dessa 'anaconda' foi quem me salvou.

MULDER: - O marido. Não a anaconda. O coitado não tem culpa se a princesa virou cobra.

SKINNER: - Quero que vão descansar. Vou colocar homens a paisana. Me liguem se precisarem de qualquer coisa.

MULDER: - Você está estranho hoje, Girafão... O que há de novo? Alguma garota?

SKINNER: - (SORRI) Não, um homem. Tem um homem muito importante na minha vida agora.

MULDER: - (DEBOCHADO) Skinner, você? Está convivendo demais com Carter, começou a pegar os hábitos dele...

SKINNER: - Se me oferecerem uma xícara de café eu conto.

Os três entram na casa.


BLOCO 3:


31 de Dezembro de 2001

Residência dos Mulder – 11:46 P.M.

A casa cheia. Meg e Tara servem a enorme mesa na sala de jantar. Suzanne as ajuda.

MARGARET: - Eu acho que está linda... Nunca vi uma mesa tão bonita. Minha netinha merece isso.

TARA: - (SORRI) Senhora Scully, pare com isso. Bill já está enciumado o suficiente por sua única neta ter vindo do Mulder...

MARGARET: - Não temos culpa. Essa família só sabe gerar machos! Chega de machos! Só tem macho por aqui! Estou com alergia de cuecas!

TARA: - (SORRI) Agora descobri quem deu aquelas calcinhas rendadinhas pra Victoria... Dana está radiante... Deus não podia ter dado melhor presente pra ela. Uma menina...

SUZANNE: - Meninas são tão companheiras da mãe...

MARGARET: - Não acredite. Dana era mais do pai dela do que de mim.

TARA: - É, mas aposto que ficava com você, ajudando na cozinha, conversando coisas que só as mulheres entendem...

SUZANNE: - Mãe é mãe, senhora Scully. Mesmo que os filhos fiquem ao lado do pai, é na hora do sufoco que correm pra mãe.

TARA: - Vejo pelo Matthew. Ele é muito agarrado com Bill. Mas quando se machuca corre pra mim. Quando está com fome é comigo. Só fica na cama se eu esperar ele dormir.

MARGARET: - Ai meu Deus, eu ainda não acredito! Minha família reunida, pessoas boas conosco, Fox e Dana com uma filha... Acho que vou morrer de tanta felicidade! Achei essa toalha perfeita para o réveillon.

TARA: - É linda! Onde comprou?

MARGARET: - Não é minha. Foi presente da Suzanne para a Dana.

SUZANNE: - Comprei de uma senhora. Ela tem um talento nato para bordados.

MARGARET: - Minha mãe fazia cada bordado de dar inveja. Infelizmente não herdei o dom. Minha filha Melissa é que fazia bordados como a avó... Pena que em calças jeans hippies...

Will brinca com Matthew no tapete da sala. Matthew pega as bolinhas de natal da árvore. Bill passa por ele e o toma no colo.

BILL: - Não senhor. Já vai estragar a decoração da tia Dana?

Frohike abre o champanhe. Começa a servir as taças. Charles o ajuda. Scully sentada no sofá, com Victoria nos braços. Langly ao lado dela, paparica a menina.

FROHIKE: - Isso aí, é pra beber hoje! Temos muita coisa pra comemorar! Mas eu não vou levar ninguém pra casa!

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu já estou em casa, portanto posso beber mais que vocês...

SCULLY: - Está tomando anti-inflamatórios, Mulder, portanto nada de bebida.

MULDER: - Mas que mulher chata! Não posso comemorar o ano novo?

Langly debochado imita uma sirene de polícia. Skinner começa a rir.

FROHIKE: - Scully, abra uma exceção. Não vai matá-lo, não se preocupe. Essa coisa ruim aí nunca morre. Depois se ele morrer, eu assumo você e a Victoria.

MULDER: - (ENCIUMADO) Tira os olhos das minhas mulheres! Se eu não estivesse cheio de pontos na barriga eu ia acertar isso lá fora com bolas de neve!

WILL: - Oba, tio Mulder, vamos mesmo? Vamos brincar de lutar na neve?

SCULLY: - Seu tio está remendado aí. Portanto está de castigo.

LANGLY: - Depois de tanta coisa se o Mulder morrer por causa de uma infecção na cirurgia isso ia ser uma piada do destino...

SCULLY: - O problema de vocês é que nem chegou a meia noite e já esvaziaram minha adega!

MULDER: - E você não devia ficar falando essas coisas na frente das visitas. Isso é falta de educação.

SCULLY: - E desde quando você sabe tratar visitas, Mulder 'o estranho'?

MULDER: - Você não pode beber também!

SCULLY: - Eu posso, um pouquinho de champanhe eu posso.

SKINNER: - Estava demorando... Começou o primeiro round.

MULDER: - Por que Donald não veio?

SKINNER: - Pediu desculpas, mas... Você entende.

MULDER: - É... Ele ainda está sofrendo... Se o vir, agradeça por ter salvo a Molly do incêndio. Eu havia me esquecido dela.

FROHIKE: - Que incêndio?

MULDER: - Alguém colocou fogo no meu apartamento. Eu já havia sido avisado disso por um rato russo. Mas dizem que uma girafa e um pato foram vistos pelos arredores de Alexandria na noite de natal, salvando provas incontestáveis que podem me defender futuramente.

LANGLY: - Um brinde a esse rato, essa girafa e esse pato... 'Fox', sua vida virou um zoo!

Byers sai da cozinha com um avental, trazendo salgadinhos. Coloca sobre a mesa de centro.

SCULLY: - Gente, temos uma mesa enorme na sala de jantar...

LANGLY: - Não, aqui é mais aconchegante... Lareira acesa...

MULDER: - Eu vou dizer minha ideia de aconchegante.

FROHIKE: - Lá vem besteira...

Mulder senta-se ao lado de Scully e recosta a cabeça no ombro dela.

MULDER: - (SORRI/ OLHOS FECHADOS/ SE ANINHANDO NELA) Essa é minha ideia de aconchegante.

Scully sorri boba, ficando ruborizada.

FROHIKE: - Isso merece um brinde. Esses dois agarrados publicamente sempre é novidade.

SKINNER: - É, eles sempre estão agarrados publicamente numa briga... Mas eu contei pra vocês que encontrei Mulder algemado numa cama de motel em...

SCULLY: - (FURIOSA) Skinner!

CHARLES: - Uau!

Todos riem. Margaret olha incrédula pra Scully. Ela disfarça.

FROHIKE: - Atenção pessoal, todo mundo aqui. Faltam poucos minutos pra meia noite.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tem certeza de que as portas e janelas não vão se fechar sozinhas dessa vez?

WILL: - Isso não é justo! Pai, você prometeu estourar os fogos comigo!

CHARLES: - Tá bom... Nós vamos lá pra fora dar o aviso da meia noite...

Charles sai de mãos dadas com Will. Mulder olha pra Scully. Cochicha com ela.

MULDER: - Onde está a mulher do Charles? Não deveria estar aqui com o marido e o filho?

SCULLY: - Um dia te conto. Não comente nada com Bill, ok? Mas nunca espere Marlene pra uma festa de família.

MULDER: - Marlene?

SCULLY: - A mãe de Will.

Todos ficam na sala. Skinner ergue a taça.

SKINNER: - Como padrinho, eu quero brindar a Victoria. Pra que ela tenha uma vida muito feliz.

LANGLY: - E onde está a madrinha?

SCULLY: - Ela pediu desculpas, mandou um cartão, mas não pôde vir. Muito trabalho, não teve folga.

FROHIKE: - Ele ficou tão besta porque ganhou título de padrinho...

SKINNER: - Isso não é pra qualquer um... Tentem tirar isso de mim pra ver se não coloco todo o FBI atrás de vocês.

LANGLY: - Mas eu me considero padrinho também.

FROHIKE: - Então eu também sou!

SCULLY: - Ai meu Deus, vão começar a brigar de novo?

MULDER: - (DEBOCHADO) Tudo bem, Scully, a gente arranja mais alguns afilhados pra eles.

SCULLY: - Acho que você, meu caro 'Espírito Santo' não faz mais milagres aqui não...

LANGLY: - Dizem que a Scully gritava durante o parto: Mulder, seu desgraçado, nunca mais chegue perto de mim!

Eles riem.

BYERS: - Eu quero brindar ao Mulder e a Scully, pela família que eles se tornaram.

SCULLY: - (OLHA PRA BYERS E SUZANNE) Ok, e eu quero brindar a duas pessoas que eu tenho certeza que ainda formarão uma família...

LANGLY: - Ela é discreta como um elefante rosa choque deitado num gramado verde...

MULDER: - Bom... Eu quero brindar aos meus amigos, sem os quais este momento aqui seria impossível.

FROHIKE: - Vai começar a choradeira... Traz um balde, o Mulder vai se empolgar.

MULDER: - Quando virar o ano, eu já aviso: a tradição de beijinho não existe aqui dentro. Portanto, esqueçam! Vão amolar a Suzanne!

BYERS: - A Suzanne não!

Suzanne olha pra ele, incrédula. Byers fica vermelho.

LANGLY: - Esse é outro, discreto como a Scully...

O relógio anuncia meia noite. Os fogos começam a estourar. Scully olha pra Mulder. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Apenas amigos, tá?

SCULLY: - (SORRI) Como sempre foi, Mulder. Nunca existiu nada entre nós dois...

MULDER: - E o que significa esse bebê nos seus braços?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Nasceu de uma abóbora.

Os dois trocam um beijo. Byers suspira. Suzanne olha pra ele.

SUZANNE: - Feliz ano novo.

Suzanne aproxima os lábios dos de Byers e lhe dá um beijo. Byers fica estático, assustado.


DIAS DEPOIS...

Residência dos Mulder - Noite

[Som: Eurythmics - There Must Be An Angel]

Scully sentada na cama, ao telefone. Escuta-se o choro de Victoria ao longe.

SCULLY: - Mãe? ... Não, não se preocupe, está tudo bem... Eu só liguei pra você pra perguntar uma coisa. Victoria está chorando com cólicas, que chá eu faço pra ela? Eu não quero dar medicação... Sim... Certo. E que chá eu faço pro Mulder? ... Não, ele não está com cólicas. Está chorando desesperado numa crise de nervos porque a menina está sentindo dor...

Scully desliga o telefone. Olha pra Mulder, que embala Victoria pelo quarto chorando.

SCULLY: - Mulder é só uma cólica. Crianças pequenas sentem cólicas.

MULDER: - Mas pobrezinha, é tão pequenininha pra sentir dor! Scully dá um jeito, minha filha tá sofrendo e eu não posso ver ela chorando desse jeito!

SCULLY: - Mulder se acalme. Eu vou fazer um chá. Esquenta a barriguinha dela.

Scully sai do quarto. Mulder derruba lágrimas, embalando Victoria.

MULDER: - Não chora, Pinguinho... Não chora... Mamãe vai dar um jeito nisso...

Corte.


Scully na cozinha, ao telefone.

SCULLY: - Sim, Ellen. Mas não é certo ainda... É que estamos numa confusão por aqui, o FBI abriu inquérito, estão investigando até nossas contas bancárias! Teremos que depor... Sim, está tudo tumultuado em nossas vidas... Não, eu não sei o que vai acontecer, mas provavelmente essa vai ser a data do batismo de Victoria. Caso aconteça alguma coisa, vamos adiar e...

MULDER: - Sculyyyyyyyyyyyy!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Scully ergue as sobrancelhas.

SCULLY: - Eu aviso se houver alterações... Não, fora isso está tudo bem por aqui... (SORRI) Não, ele é um amor... Está se esforçando muito pra me ajudar... Sério? Eu ia perguntar isso a você porque estou preocupada... Não, ela não chora. Estou nervosa com isso. Nunca. Hoje de madrugada ela chorou mesmo, porque estava com cólicas, mas fora isso é uma criança tão tranquila... Não, nem com fome e nem suja ela chora... Bom, resmunga um pouquinho, mas chorar nunca... É, eu sei, isso é estranho, afinal o choro é a comunicação deles com a gente... (SORRI) Não, não tomei calmante nenhum na gravidez... É, talvez seja a filha perfeita mesmo. Nem pra nascer ela deu muito trabalho... Não, foi uma gravidez tranquila quanto a isso também...

MULDER: - (DESESPERADO) Sculyyyyyyyyyyyyyyyy!!!!!!!!!!!!

SCULLY: - (SORRI) Sim, demais! Estou com os peitos maiores que os da Pamela Anderson... Na hora do parto eu achei que sim, mas conversando com minha cunhada, eu acho que nem tive dores não... Um pouco, mas eu ainda estou com medo... Não já tirei os pontos e...

MULDER: - Sculyyyyyyyyyyy!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Scully suspira.

SCULLY: - Ellen, ligo pra você outra hora. Preciso desligar. Acho que "papai sabe tudo" está em dificuldades extremas lá em cima... Certo, manda um beijinho no Jimmy.

Scully desliga. Sobe as escadas. Entra no quarto.

SCULLY: - O que foi Mulder?

Mulder segura Victoria nos braços.

MULDER: - Scully, eu acho que aconteceu um sério acidente por aqui...

SCULLY: - Fraldas na segunda gaveta da cômoda no quarto dela.

MULDER: - Eu nunca troquei fraldas!

SCULLY: - Tá, vou te ensinar, porque meninas requerem mais cuidados. Mas não ensino de novo.

MULDER: - Tá.

SCULLY: - Presta atenção.

MULDER: - Ok, eu presto.

SCULLY: - (RINDO) Mulder, nunca vi você tão dedicado a alguma coisa! Estou me assustando! Quando tentei ensinar você a fazer comida, não aprendeu.

MULDER: - Mas isso eu vou aprender.

SCULLY: - Ok, vamos ver. Pegue as fraldas.

Corte.


[Som: Eurythmics - There Must Be An Angel]

Mulder põe as mãos na cintura. Olha pra Victoria deitada na cama deles.

MULDER: - Ok... Sua mãe já me ensinou. Eu posso fazer isso sozinho. Eu já enfrentei alienígenas, assombrações e mutantes assassinos... Isso vai ser fichinha!

Mulder se inclina e retira as fraldas dela. Victoria o observa.

MULDER: - Tá certo... Meu Deus Pinguinho, como você tão pequenina pode fazer tanta sujeira?

Mulder segura o nariz. Victoria sorri pra ele mexendo os bracinhos.

MULDER: - Não sai daí. Vou buscar as fraldas...

Mulder vai até a porta. Volta. Pega travesseiros e cerca a menina que olha pra janela atraída pela luz do sol. Mulder sai do quarto. Volta com as fraldas, perdendo duas do pacote pelo caminho.

MULDER: - Ok... Puxa vida, esqueci dos lenços umedecidos... Não sai daí, eu já volto!

Victoria solta um sorriso, dirige a atenção para o travesseiro. Mulder sai do quarto. Volta com o pote de lenços.

MULDER: - Certo... Operação Limpeza em andamento... Por que as mulheres fazem isso de maneira mais fácil? Mas que sujeira você fez aqui, garotinha!

Victoria vira o rosto sorrindo pra Mulder.

MULDER: - (DEBOCHADO/ RINDO) Ah e ainda ri da minha cara né? Você vai ver uma coisa, sua sujona...

Ela continua sorrindo pra ele. Mulder fica compenetrado na "difícil" tarefa.

MULDER: - Ok, limpando essa bagunça toda, papai gosta de neném limpinha e cheirosinha... Assim não dá... Operação limpeza quase terminada...

Mulder pega a fralda suja e vai pro banheiro. Volta. Pega a fralda limpa. Ergue a menina e coloca a fralda. Prende um lado e prende o outro.

MULDER: - Prontinha! Bebê limpinho! Serviço de primeira!

Mulder ergue a menina. A fralda cai. Mulder olha pra ela frustrado. Victoria dá um sorriso.

MULDER: - (PÂNICO) Sculyyyyyyyy!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Corte.


Scully sentada no quarto de Victoria, amamentando-a. Mulder entra no quarto, com um papel e uma caneta. Olha apavorado pra Scully.

MULDER: - (PÂNICO) 240 fraldas??? Num mês?

SCULLY: - É a média pra um bebê da idade dela.

MULDER: - Eu vou falir!

SCULLY: - Ora Mulder, deixa de fazer drama. Ou prefere que eu deixe a pobrezinha suja?

MULDER: - Nunca! Se é 240 acho que vou acrescentar mais 10 por precaução...

Mulder sai do quarto. Scully sorri.

SCULLY: - Hum... Você faz milagres meu docinho. Seu pai ficou generoso repentinamente...

Mulder entra no quarto.

MULDER: - Vou à farmácia. Quer alguma coisa?

SCULLY: - Hum... Acho que não.

MULDER: - Tá certo... Precisa de alguma coisa pra fazer o jantar?

SCULLY: - Não, tem tudo aí... Por quê?

MULDER: - Skinner vai vir jantar conosco. Scully, ele tem um monte de coisas pra nos falar a respeito da nossa situação no FBI. Não sei se você quer falar sobre isso...

SCULLY: - Mulder, eu quero sim.

MULDER: - Tá certo... Mas não fique nervosa com nada, você tá amamentando e pode passar seu estresse pra menina... Eu vou trazer frutas.

SCULLY: - Mas Mulder tem frutas estragando!

MULDER: - Mas você precisa comer bastante! Você tem que ficar forte pra alimentar a Pinguinho.

SCULLY: - Mas eu estou forte!

MULDER: - Tá bom... Sem frutas. Vou trazer umas vitaminas pra você.

SCULLY: - Mas Mulder, eu não preciso de vitaminas! Traga um calmante pra você, isso sim!

MULDER: - (NERVOSO) Eu vou demorar um pouco, tá? Mas eu volto logo. Se precisar me chame no celular...

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - (NERVOSO) Me chame mesmo...

SCULLY: - Mulder, o que vou precisar? Ahn?

MULDER: - Não sei, mas...

SCULLY: - (IRRITADA) Mulder! Para!

Mulder sai do quarto. Scully suspira.

SCULLY: - Não se preocupe, Victoria. É excesso de empolgação... A última vez que vi seu pai empolgado desse jeito era por causa de um disco voador... As coisas mudam... Acho...

Scully levanta-se, levando a menina pra seu quarto. Coloca-a na cama, entre os travesseiros. Vai para o banheiro. Abre o chuveiro. Volta pro quarto tirando a roupa. Cobre a menina com uma manta.

SCULLY: - Ok, meu docinho. Mamãe vai tomar um banho rápido, aproveitar que tudo está calmo por aqui, tá bem? Comporte-se.

Scully vai para o banheiro.


FBI – Gabinete do Diretor-Assistente – 5:47 P.M.

Skinner entrega uma caneca de café pra Mulder, que está sentado de frente para a escrivaninha. Skinner senta-se.

SKINNER: - Nenhuma pista sobre a bomba e o incêndio em seu apartamento. Nada sobre a explosão do prédio em Nova Iorque... (SEGURA O RISO) Mulder, tem um adesivo de fralda colado no seu braço.

Mulder procura e tira o adesivo preso no terno.

MULDER: - Ossos do novo ofício... Pelo menos você ganhou um filho criado e não precisa trocar as fraldas dele.

Skinner sorri.

MULDER: - Bom, não me surpreende que não acharam nada... Eles nunca deixam nada para trás.

SKINNER: - Todos eles sumiram repentinamente como se nunca tivessem existido. Nenhuma pista sobre Garganta Profunda. Acho que o apagaram... Mulder, estão trancados lá em cima decidindo o destino de vocês no FBI. E eu receio que...

MULDER: - Bom... Não se pode ter tudo na vida, não é mesmo? Eles ficam com a sala, eu com a a agente ruiva deles.

SKINNER: - Mulder... Você estava sentado como agora, na minha frente, há um tempo atrás... E me disse que a prioridade da sua vida não eram mais os Arquivos X. Contudo, eu não acredito que você saiba viver sem eles. E vocês precisam do trabalho agora mais do que nunca. A família cresceu...

MULDER: - Sabe quantas fraldas um bebê recém nascido precisa? 240 num mês! Acredita?

SKINNER: - (INCRÉDULO) Tanto assim?

MULDER: - E estou falando apenas das fraldas. É lógico que precisamos trabalhar. Mas quer saber? Esquece isso. Não quero me preocupar com o que vai acontecer. Nem o que estão tramando naquela sala lá em cima. Se me trocarem de departamento, se me demitirem de novo... Eu me viro. Tenho muitas habilidades.

SKINNER: - (SUSPIRA) Só espero que não seja na cozinha de um restaurante... Ele fecharia as portas.

MULDER: - Eu só vou dizer uma coisa pra você: Abra seus olhos, porque o Carter pode parecer um bobo alegre, um idiota completo, mas ele sabe onde pisa. Preste atenção no esquema. O FBI é encabeçado por um diretor que é apoiado por um diretor delegado. E ambos sabemos que para ser diretor do FBI tem que haver uma nomeação do presidente do país com o conselho e o consentimento do senado. Acho que Matheson é amiguinho do Carter... Bom, agora eu começo a entender porque o Carter é tão bobo alegre e gosta de um uísque...

SKINNER: - Mulder, evite comentários sobre Bush e a Casa Branca...

MULDER: - Tudo bem, ele tem apenas dez anos pra ficar naquela cadeira sem fazer nada... Vantagens do emprego público.

A secretária entra na sala.

SECRETÁRIA: - Senhor... Acabam de sair da sala de reuniões. O diretor Carter está irritado e quer falar com o senhor pessoalmente.

Skinner troca um olhar com Mulder.

SKINNER: - Sobre?

SECRETÁRIA: - (OLHA PRA MULDER/ CHATEADA) A demissão imediata... dos agentes Mulder e Scully. Lamento, agente Mulder...

Mulder olha pra Skinner, erguendo as sobrancelhas.

MULDER: - O que eu falei? Ahn?

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - Espero você pra jantar... Leve algumas piadas de policiais fracassados.

Mulder levanta-se e sai, disfarçando a tristeza.


Residência dos Mulder – 6:11 P.M.

Scully na cozinha. Coloca a filha no carrinho. Abotoa a blusa. Passa a mão no rosto de Victoria, sorrindo.

SCULLY: - Sonha com os anjinhos, meu docinho...

Scully ajeita o cobertor sobre Victoria. A admira. Afasta-se. Veste um casaco de lã. Abre a geladeira. Retira alguns legumes. Leva-os para a pia. Enquanto os descasca observa a neve que cai pela janela.

SCULLY: - Melissa... Papai... Eu queria tanto que estivessem aqui pra conhecer a minha filha... Mas de alguma forma eu sinto que vocês estavam cuidando de mim no hospital... Tenho certeza de que papai ficaria tão feliz ao ver sua netinha...

Cookie entra correndo pela porta dos fundos, ganindo apavorado, se escondendo debaixo do carrinho de Victoria. Scully olha pra ele.

SCULLY: - O que foi, 'Coragem'? Estava escavando novamente o meu jardim e encontrou uma toupeira assustadora debaixo da neve?

Batidas na porta dos fundos. Scully olha pra Cookie. Olha pra porta.

SCULLY: - Mulder?

Nenhuma resposta. Scully abre a gaveta. Retira uma faca. Aproxima-se nervosa da porta.

SCULLY: - Mulder?

Nenhuma resposta.

Scully abre a porta. Olha assustada para Alex Krycek quase congelado, tremendo de frio.

KRYCEK: - Preciso falar com Mulder.

Scully aponta a faca.

SCULLY: - Se afaste de mim e da minha filha! Dê o fora daqui!

KRYCEK: - ... Por favor.

Scully olha para o carrinho. Olha pra ele.

KRYCEK: - Estou desarmado. Não enfrentaria você desarmado.

SCULLY: - Levante as mãos.

Krycek levanta as mãos. Scully desconfiada o revista enquanto aponta a faca.

SCULLY: - O que quer?

KRYCEK: - Falar com Mulder. Olha, está frio, posso entrar?

SCULLY: - ... Não. Mulder não está. Mas eu estou e armada!

KRYCEK: - ... Vocês três correm perigo.

SCULLY: - Acha que não sei? Olha, eu não tenho nada para negociar com você! Não quero saber de mais nada! Acabou, receberemos hoje com certeza a nossa demissão do FBI. Espero que esteja contente por perdermos os Arquivos X e o nosso emprego por culpa de vocês! Não temos mais nada a ver com isso! Deixe Mulder em paz! Nos deixe em paz!

KRYCEK: - Aprenda a discernir os culpados, Scully. Me deixa entrar. Por favor.

Scully percebe que ele está congelando. Mas o medo é maior.

KRYCEK: - Abaixa essa faca, Scully... Preciso... (CONGELANDO) Preciso falar com você.

SCULLY: - Está sozinho?

KRYCEK: - Como sempre. Eu trabalho sozinho.

SCULLY: - Olha, se veio até aqui cobrar minha filha pelo favor que fez ao Mulder no hospital...

KRYCEK: - Aquilo foi apenas um favor que eu devia. Não pense que sou bonzinho. Eu só fiz aquilo porque Mulder vivo é melhor do que Mulder morto. Tenho interesse na segurança dele.

Krycek olha pra todos os lados.

KRYCEK: - Podemos falar aí dentro? Estão vigiando a casa. Vi um carro suspeito do outro lado da rua, por isso entrei pelos fundos.

Scully olha pra ele.

KRYCEK: - (MEDO) Não posso me expor. Sou um homem morto.

SCULLY: - ???

KRYCEK: - Scully, por favor!

SCULLY: - Entra.

Krycek entra. Fecha a porta. Scully continua com a faca apontada pra ele.

SCULLY: - Por que queimaram o apartamento de Mulder?

KRYCEK: - Eu não fiz isso. Eu sabia que destruiriam o apartamento do Mulder como queima de arquivo. Eu avisei Mulder sobre isso. Mas você tem razão, quero algo em troca.

SCULLY: - (ASSUSTADA)

KRYCEK: - Um café quente, porque estou congelando. Será que pode me oferecer um café?

SCULLY: - (DESCONFIADA) Por que deveria oferecer café para o assassino da minha irmã e do pai do Mulder dentro da minha casa?

KRYCEK: - Porque você já serviu café pro assassino do Spender e ele é mais assassino e canalha do que eu. Ele foi o mandante. Tão culpado quanto eu em apertar aquele gatilho contra Bill Mulder. Mas saiba que eu não matei a sua irmã. O cara que estava comigo foi quem atirou precipitadamente achando que era você.


BLOCO 4:

Residência dos Mulder - 6:17 P.M.

Krycek retira as luvas e as coloca no bolso. Scully olha pra mão dele. Percebe duas alianças no mesmo dedo. Disfarça. Krycek olha para o carrinho. Scully o observa.

SCULLY: - Não se aproxime dela!

Krycek olha pra dentro do carrinho. Sorri.

KRYCEK: - Ela é um bebezinho bonito... Como se chama?

SCULLY: - (DESCONFIADA) Victoria.

KRYCEK: - (SORRI) Tem um bonito nome... (ENCHE OS OLHOS DE LÁGRIMAS) ...

Scully o observa. Krycek fica atordoado. Ergue as mãos pra cima e não contém o choro. Morde os lábios. Aproxima-se da porta. Scully sem desgrudar os olhos dele pega uma caneca. Serve café.

SCULLY: - O que está acontecendo com você? Por que está estranho desse jeito?

KRYCEK: - ... (MORDE OS LÁBIOS)

SCULLY: - Não queria café? Já vai embora?

KRYCEK: - (TIRANDO UM PESO DA ALMA) Eles mataram a Marita Covarrubias.

Scully olha pra ele. Krycek vira-se pra ela, lutando pra não derrubar lágrimas.

KRYCEK: - É...Eles a mataram...

Scully olha pras alianças no dedo dele. Então olha pra ele com piedade. Krycek senta-se. Apoia os cotovelos na mesa, colocando as mãos no rosto. Scully se aproxima com o café, tentando ser fria.

SCULLY: - Beba isso. Vai se sentir melhor.

KRYCEK: - Nada no mundo vai fazer eu me sentir melhor...

SCULLY: - Ouvimos o que aconteceu com o prédio do sindicato. Mas não sabia que...

KRYCEK: - Podem ter ouvido o que queriam que ouvissem. Mas não ouviram a verdade.

SCULLY: - Por que destruíram o prédio do sindicato? Querem sumir de vez com qualquer coisa que prove a existência do grupo?

KRYCEK: - (CHORANDO) Eu não fiz nada disso. Foram eles!

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Eu estou pagando pela maldade que fiz. Eu mereço isso sim! (ESMURRA A MESA) Eu mereço passar por tudo isso, mas ela não merecia!

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Preciso da ajuda de vocês... A vingança de vocês agora é minha!

SCULLY: - Não há nenhuma vingança...

KRYCEK: - Acha que eles explodiram tudo e tudo acabou? É isso? Isso é ilusão Scully!

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Eles trocaram de endereço, mas o rosto da conspiração você nunca verá! Existem mais por trás deles, existem vários interesses! Eles não tardarão a tentar pegar sua filha e matar vocês dois! Isso apenas começou!

SCULLY: - E está preocupado com isso?

KRYCEK: - É claro que estou! Scully, eu preciso de vocês dois. Sei que não tenho crédito algum aqui, mas eu preciso de vocês dois.

SCULLY: - Esqueça o que aconteceu. Não pode levar a cabo uma vingança por causa de uma mulher.

KRYCEK: - Disse isso a Mulder quando eles pegaram você?

Scully abaixa a cabeça.

KRYCEK: - (SORRI/ PERTURBADO) Eu... Eu voltei pro meu país! Tomei um voo que fazia escala em São Petersburgo. Mas desci correndo, atravessando a fronteira de carro! Sabe o que aconteceu?

SCULLY: - (OLHA PRA ELE) ...

KRYCEK: - A aeromoça começou a distribuir jornais russos dentro do avião e a minha cara estava estampada na primeira página como inimigo público número um! Quer mais?

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Eu fui acusado de ser financiador de armas para terroristas do islã! Quando cheguei aqui, tive de entrar disfarçado no país, num ônibus de ilegais chicanos, pagando uma taxa para os atravessadores! Estou sendo procurado pela CIA, pelo FBI e pela polícia do mundo todo! Eles desconfiam que eu não esteja morto!

SCULLY: - E por que estaria morto?

KRYCEK: - Porque aquela bomba no sindicato era pra mim! Não foi apenas ocultamento de provas, Scully. Queriam me calar, não há mais interesse em mim e eu sou um homem que sabe demais. Assim como o seu marido. Nós somos homens mortos pra eles!

Scully serve um café pra ela. Senta-se à mesa. Põe as mãos na testa.

SCULLY: - Meu Deus, pensei que o pesadelo tivesse acabado...

KRYCEK: - Não, ele apenas começou.

SCULLY: - Mas eles também queriam que os alienígenas fossem expulsos daqui! Eles não queriam a invasão com exceção de Strughold!

KRYCEK: - Tudo bem, eles estão comemorando isso. Mas não o fato de Mulder ter sido o responsável! Se Mulder chegou tão longe, eles o temem agora. Tudo bem, o FBI não quebrou protocolos aos expulsar vocês porque vocês mentiram lá dentro. Mas se realmente quisessem, teriam passado uma borracha em cima disso e negado tudo! Já fizeram isso com o relacionamento de vocês, e mais outras tantas vezes. Vocês sempre voltavam. Não era piedade. Era necessidade de ficar de olho em vocês.

SCULLY: - ... Você tem razão.

KRYCEK: - Raciocina comigo: Se fizeram isso significa que Mulder e você não tem mais importância no jogo! E o que acha que fazem com peças que não são mais importantes?

SCULLY: - ... Oh meu Deus!

Scully bebe o café nervosamente. Krycek olha pra Victoria.

KRYCEK: - Eu entendo... Nada justifica o que estou dizendo pra você agora, mas eu senti isso na minha pele. Foi o pagamento das desgraças que causei.

SCULLY: - Ela... Morreu na explosão?

KRYCEK: - (ATORDOADO) Eu... Eu havia combinado com ela de passarmos o natal ali. Estava chegando no prédio, havia me atrasado por causa dos malditos táxis de Nova Iorque... Quando tudo explodiu e eu voei longe.

Krycek põe as mãos no rosto.

KRYCEK: - Deus... Soube por fontes que o corpo dela havia sido levado pra uma base aérea. Limpeza de provas.

SCULLY: - Dreamland?

KRYCEK: - Scully, esqueça a Área 51! As maiores merdas eles fazem em Ohio, em Wright-Patterson! É lá o foco, Dreamland agora é despiste! Consegui entrar disfarçado. Eu precisava ver o que havia acontecido com ela... (CHORANDO) Lá estava o corpo dela, sem vida, mas mesmo assim eu podia reconhecê-la... Eles chegaram antes de mim. Colocaram a bomba para explodir quando estivéssemos os dois lá dentro. Não sei se a bomba estava escondida... Ela teria visto... Ela saberia... Foi um golpe de surpresa... Malditos desgraçados!

SCULLY: - ...

Krycek começa a derrubar lágrimas, nervoso, enquanto treme a caneca nas mãos.

KRYCEK: - Não sei se aqueles homens sabiam... Mas... Eu estava indo pra lá pra dizer que eu a amava e que ficaria com ela. Eu assumiria o meu filho que ela estava esperando.

Scully fecha os olhos. Krycek olha chorando pra ela.

KRYCEK: - Portanto, eu entendi da pior maneira, na minha própria carne o que eu fiz pra vocês... Eu mereci. Marita mereceu. Mas o nosso bebê não. Ele não era culpado de nada.

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Não vim aqui pedir piedade alguma pra vocês. Vim aqui apenas dizer que sou um homem morto. E que homens mortos estão livres para agirem. Também não tenho como pedir que creiam em mim depois de tudo. Eu não estou em posição de exigir nada de vocês.

Krycek se levanta.

KRYCEK: - Vou sumir por uns tempos. Preciso repensar minha vida. Preciso adquirir forças, porque... (RESPIRA FUNDO, SE CONTENDO) Mas eu voltarei. E se precisarem de qualquer informação, eu sou fonte inesgotável. Posso estar 'morto', mas eu quero vingança. E continuarei nas sombras, sempre ao lado deles como algo invisível. Você e Mulder são minha vingança. Enquanto alguém estiver lutando oficialmente contra eles, eu estarei vingado.

SCULLY: - Krycek...

KRYCEK: - Não tenho força e nem coragem de enfrentar como vocês dois. Mas eu farei minha parte. E o tempo mostrará o quanto eu estou sendo sincero com vocês.

SCULLY: - Por que veio até aqui me dizer que está morto? Isso não é seu segredo?

KRYCEK: - Aprendi a confiar em algumas pessoas. As que buscam a verdade e são justas.

SCULLY: - Não vá... Eu... Eu acho que deveria esperar Mulder. Ele não vai demorar, já deve estar chegando.


6:53 P.M.

Mulder estaciona o carro na frente da garagem. Desce. Disfarçadamente observa o carro do outro lado da rua. Entra pela porta dos fundos.

MULDER: - Scully, estamos fora oficialmente... O que faz dentro da minha casa?

Krycek olha pra Mulder.

KRYCEK: -Todos eles estão escondidos como ratos num esgoto, fugindo da retaliação. Todas as operações cessaram.Preciso falar com você, se quisermos sobreviver ao que está por vir...


Edifícios Watergate – Washington D.C. – 7:29 P.M.

Na frente do espelho no banheiro, Diana termina de retocar o batom. Vai para a sala. Olha para as malas sobre o sofá. Dá um último olhar para o apartamento. Veste seu sobretudo e as luvas. Caminha até a mesa de jantar.

Close da passagem de avião sobre a mesa. Diana a pega nas mãos e a observa, como quem reluta. Mas coloca a passagem dentro da bolsa. Pega a bolsa. Caminha até a porta.

Corta para o envelope no chão: To Mrs. Fowley.

Diana pega o envelope. Abre a porta. Espia para todos os lados, mas o corredor está vazio. Fecha a porta e caminha até o sofá, sentando-se. Abre o envelope. Retira um bilhete. Observa curiosa sem entender. Coloca a mão dentro do envelope e retira algo.

Close na mão dela que se abre revelando uma moeda de ouro.


Residência dos Mulder - 7:47 P.M.

Skinner observa pela janela. Mulder anda de um lado pra outro. Krycek sentado no sofá.

SKINNER: - Cabelos.

MULDER: - Como?

SKINNER: - Cabelos são provas. Quando não há um corpo identificável, podemos identificar pelos cabelos.

MULDER: - É um tiro no escuro.

SKINNER: - Mulder, somos federais. Sabemos muito bem como funciona para pegar um suspeito. Portanto, sabemos como ocultar um crime. Meu Deus, eu estou dizendo isso? Impressão minha ou estamos virando os bandidos?

MULDER: - Estamos jogando alto com as armas deles. Ficamos espertos, Skinner. De tanto levar bordoada na cara. Krycek pode estar certo. Acho que morto, o rato será uma fonte de informação inesgotável.

SCULLY: - Vocês estão pensando em roubar um cadáver?

SKINNER: - Tenho acesso, posso conseguir um.

SCULLY: - Mas só se for um cadáver irreconhecível!

MULDER: - Podemos implantar o cadáver nos escombros, se ainda restam escombros.

SCULLY: - Eu tenho uma ideia melhor e mais fácil.

Eles olham pra ela.

SCULLY: - Pela gravidade do caso, todas as provas devem estar sendo enviadas de Nova Iorque para Washington, pois o FBI tem o melhor laboratório de criminalística do mundo. Quem é o responsável pelas análises químicas?

SKINNER: - Chuck.

SCULLY: - Não poderia implantar provas alegando que elas vieram de Nova Iorque e entregar para Chuck analisar e dar o relatório final?

SKINNER: - Cabelos?

SCULLY: - E um pedaço de roupa com sangue de Krycek.

Skinner olha pra Mulder.

SKINNER: - (DEBOCHADO) Tome cuidado com ela. Prometo que se você aparecer morto de repente, já sei quem é a primeira suspeita.

SCULLY: - Isso é fácil. Posso retirar sangue dele e colocamos em um pedaço de camisa limpa, sem digitais alguma.

MULDER: - Faça isso. E Scully...

Scully olha pra Mulder.

MULDER: - Dê uma dose de vacina a ele. Não quero que corra o risco.

Scully sobe as escadas. Mulder olha para Krycek.

MULDER: - Eu acredito em você, rato. E vamos ajudá-lo, embora não mereça. Não quero nenhum favor, contanto que fique longe da minha família.

KRYCEK: - Tem minha palavra, Mulder. Eu vou sumir por uns tempos. Mas quando voltar, deixarei um contato, caso precisem.

MULDER: - Isso... Isso é apenas de um pai... para outro pai. Agora eu sei que me entende.


11:29 P.M.

No quarto de Victoria, Mulder observa pela janela. Pensamento longe. Olha para a menina no berço. Volta a olhar pela janela.

MULDER: - Como vou dizer isso pra sua mãe, Pinguinho? Estamos ferrados! Não bastou perdermos nossos cargos públicos, eles tinham que sujar nossa ficha também. Nunca mais vamos conseguir um emprego decente. O pior de tudo é dizer pra ela que como você precisa de proteção integral, ela deveria virar dona de casa enquanto eu trabalho pra nos sustentar... Vou levar um tiro. Pode apostar suas fraldas nisso...

Mulder olha pra Victoria. Ela está com os braços erguidos, olhando pra alguma coisa e sorrindo. Mulder olha pra cima, desconfiado. Olha pra menina. Balança a cabeça.

MULDER: - Ah, estou ficando doido!

Mulder volta a olhar pela janela, preocupado. Scully entra. Abraça-se nele, por trás.

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - Nada.

SCULLY: - Chateado pelos Arquivos X?

MULDER: - Não.

SCULLY: - Tem certeza de que não está assim por causa da nossa demissão?

MULDER: - Claro que não.

SCULLY: - Krycek?

MULDER: - Não... Deixa pra lá, acho que estou cansado. Vou ver TV na sala.

Mulder sai do quarto. Scully abaixa a cabeça.


12:13 A.M.

Scully desce as escadas com um edredom. Mulder, sentado no tapete, olha pras chamas na lareira e nem percebe Scully. Scully vai pra cozinha. Mulder parece distante, preocupado. Scully volta pra sala, segurando o edredom, duas taças e uma garrafa de vinho com o abridor. Olha pra Mulder sentado no tapete, olhar perdido para o fogo.

SCULLY: - Mulder?

Mulder olha pra ela, disfarçando um sorriso.

SCULLY: - Trouxe... Algo pra nós dois.

Scully entrega-lhe a garrafa e os copos. Solta o edredom no tapete. Acende uma pequena vela sobre a lareira.

MULDER: - Senta aqui.

Scully senta-se ao lado dele. Olha para a lareira.

SCULLY: - O que está assistindo na 'televisão', meu louquinho?

MULDER: - (SORRI) "Um drink no inferno"... Mas posso mudar de canal.

SCULLY: - (SORRI) Não, deixa aí. Gosto dessa programação.

MULDER: - Eu já posso beber, mas você...

SCULLY: - Hum... Eu faço de conta, molhando os lábios.

MULDER: - (FECHA OS OLHOS) Hum, vela perfumada...

SCULLY: - (SORRI)

MULDER: - Ela dormiu?

SCULLY: - Dormiu. Como se fizesse diferença... Nem se percebe que tem uma criança em casa.

MULDER: - (SORRI) Ela não puxou a nós dois em matéria de nervosismo.

SCULLY: - (SORRI) Puxou ao tio Charles... Calma, tranquila, tudo está bem...

Mulder abre o vinho. Serve as taças.

SCULLY: - Mulder... Está abatido por causa do FBI. Não está?

MULDER: - É que foi algo recente, Scully... Me dê um tempo, eu me recupero.

SCULLY: - Você me disse que não se importava mais com os Arquivos X.

MULDER: - Fique tranquila. Eu não me importo mais mesmo... Só preciso arrumar algum emprego...

SCULLY: - É, nós precisamos mesmo arrumar empregos.

Mulder morde os lábios. Scully suspira. Olha para o fogo. Mulder entrega uma taça pra ela.

MULDER: - Um brinde a nossa nova vida.

SCULLY: - (SORRI) Não... Um brinde ao melhor homem do mundo.

MULDER: - (DEBOCHADO) Quem é o filho da mãe? Ahn? Está me traindo, Scully?

Os dois riem. Mulder levanta-se. Ajeita o edredom no chão. Os dois sentam-se sobre o edredom. Mulder a abraça.

MULDER: - Frio?

SCULLY: - Bastante. Mas é gostoso ficar aqui sentadinha olhando pra lareira.

Scully fecha os olhos num sorriso. Mulder olha pra ela apaixonado.

MULDER: - Amor da minha vida.

Scully olha pra ele surpresa.

SCULLY: - Ahn?

MULDER: - (TÍMIDO) Nada.

SCULLY: - (SORRI) Não, você falou uma coisa que eu não sei se entendi direito...

MULDER: - (SORRI/ CONSTRANGIDO)

SCULLY: - (SORRI) Repete!

MULDER: - Ah, Scully, não faz isso comigo...

SCULLY: - Ai, repete Mulder...

MULDER: - (SEM JEITO) ... Amor da minha vida.

Scully sorri. Olha pra ele. Passa a mão em seu rosto.

SCULLY: - Mulder... Você não é o amor da minha vida... É o amor de todas as minhas vidas...

Mulder abaixa a cabeça. Olha pra taça de vinho. Solta a taça no chão e se abraça nela, derrubando lágrimas.

MULDER: - Eu preciso chorar...

SCULLY: - Vamos superar isso juntos. Eu e você. Como sempre foi. Acabou Mulder. Acabou.

Mulder encosta a cabeça entre o rosto e o ombro de Scully. Ela afaga seus cabelos. Mulder desliza os lábios pelo pescoço dela. Scully fecha os olhos. Mulder se afasta.

MULDER: - Desculpe... Foi uma... Péssima ideia.

SCULLY: - Por quê?

MULDER: - É que... Você sabe... Acho que você não deve estar se sentindo bem ainda pra esse tipo de coisa e o cretino aqui fica insistindo...

Scully olha pra ele sorrindo. Segura o rosto dele em suas mãos.

SCULLY: - O que sei é que... Algumas coisas não mudam, Mulder...

MULDER: - ...

SCULLY: - Eu quero você.

Scully fecha os olhos, sorrindo.

SCULLY: - Eu quero você...

Scully olha pra Mulder. Toma as mãos dele nas suas. Os dois ficam sentados de frente um para o outro. Scully tira o blusão dele. Mulder sorri. Então tira a blusa dela. Scully deita-se no edredom. Mulder deita-se sobre ela, envolvendo as mãos em seus cabelos. Trocam um beijo demorado, que vai aumentando de intensidade. Scully envolve os braços nele. Os dois sorriem, recostando suas testas.


3:11 A.M.

Close da janela. A neve cai lentamente.

Corta para perto da lareira. Scully deitada de costas pra Mulder. Ele a abraça por trás, dando beijos em seu pescoço, acariciando o braço dela.

Victoria começa a chorar. Mulder e Scully se entreolham rindo.

SCULLY: - Par ou ímpar?

MULDER: - Eu vou. Isso é muito estranho.

SCULLY: - Não, eu vou. Essa safadinha nunca chora. Resolveu chorar justo agora...

Mulder sorri. Scully se levanta. Veste o blusão de Mulder e sobe as escadas.

SCULLY: - Já vai anjinho, já vai! Mamãe está chegando...

Scully entra no quarto. Victoria chora desesperada. Scully a pega nos braços.

SCULLY: - O que foi, ahn? Cólicas novamente?... Tá com fominha???

Corta pra Mulder, que observa pela janela da sala. Scully desce as escadas, nervosa.

SCULLY: - Mulder, tem algo errado com ela.

MULDER: - Como assim?

SCULLY: - Não é fome, não está molhada... Deus, ela não chora nunca, o que está havendo?

Victoria chora desesperada.

SCULLY: - (NERVOSA) Segura ela, Mulder. Eu vou fazer um chá. Se não resolver, vamos pro hospital...

Scully vai pra cozinha. A menina não para de chorar. Mulder a embala.

MULDER: - O que foi Pinguinho? (NERVOSO) Scully, ela está ficando vermelha de tanto chorar!

SCULLY: - Tente acalmá-la Mulder.

Mulder pega as chaves do carro e as balança.

MULDER: - Olha aqui... Viu? Faz barulho.

Victoria continua chorando. Olha pra Mulder e chora. Mulder entra na cozinha.

MULDER: - (ANGUSTIADO) O que será que ela tem?

Victoria para. Os dois olham pra ela. Victoria sorri. Scully põe as mãos na cintura.

SCULLY: - Eu não acredito! Uma coisinha desse tamanho fazendo manha?

Mulder começa a rir.

MULDER: - Ela tá ficando esperta, né Pinguinho?

SCULLY: - Que coisa feia, Victoria. Já está na hora de dormir. Não pense você que vai virar vampiro feito o seu pai não.

Scully pega a menina. Vai pra sala e começa a subir as escadas. Victoria começa a chorar desesperada. Scully para no terceiro degrau.

MULDER: - Scully, ela não quer ir pro quarto. Deixa ela com a gente, pobrezinha. Ela quer nossa companhia. Quer a companhia dos dois, né Pinguinho?

SCULLY: - Mulder, temos que educá-la, senão vai ser isso a vida toda! Vai querer ficar dormindo na nossa cama, passar as noites em claro...

MULDER: - (PIDÃO) Só hoje... É o nosso Pinguinho, Scully...

Scully suspira. Desce as escadas. Victoria para de chorar.

SCULLY: - Impressionante! Mulder, estamos mimando essa menina.

MULDER: - Ah, Scully, vamos mimá-la... Ela merece.

Scully sorri. Beija Victoria.

SCULLY: - Sua pilantrinha...


9:19 A.M.

Mulder está deitado na cama, com Victoria sobre ele. Ergue a menina sobre si, brincando com ela. Victoria sorri.

MULDER: - Então precisava ver a cara que o xerife fez: Tem certeza? O FBI acredita em lobisomens?

Scully sai do banheiro.

SCULLY: - Aterrorizando minha filha de novo?

MULDER: - Não, estava contando pra ela do Lobisomem de Oklahoma.

SCULLY: - Por que não fala sobre a Branca de Neve?

MULDER: - Quem vai acreditar numa estória com sete anões juntos e uma virgem onde nada acontece?

SCULLY: - Ai, Deus! Mulder, você tem uma filha agora. Veja se passa a ser menos ofensivo.

MULDER: - Aonde vai?

SCULLY: - Ao médico. Marquei consulta e...

MULDER: - (PÂNICO) Eu machuquei você? Eu disse que era pra dar mais um tempo, mas você não pode esperar, sua ninfomaníaca!

SCULLY: - (RINDO) Não Mulder. Não é pra mim. Vou levar Victoria ao médico. Não devemos nos descuidar.

MULDER: - Vou com você. Não confio em médicos.

SCULLY: - Não, você fica e prepara o almoço.

MULDER: - Não vou perder a primeira consulta da minha filha. E além do mais, vamos os três. E se alguém sequestrar vocês duas? Hein? Não. De agora em diante somos nós três, Scully. Aonde um vai, os outros dois vão.

SCULLY: - Mulder, vamos sacrificar a menina. Imagina quando conseguirmos outro emprego?

Mulder fala como se "pisasse em ovos".

MULDER: - ... Bem... Você poderia... Err... Ficar com ela em casa e... Eu posso arrumar um emprego e... Sustentar vocês?

SCULLY: - Bem, eu não havia pensado nisso...

Mulder solta o ar que prendia nos pulmões.

SCULLY: - A gente faz assim. O que conseguir emprego primeiro, vai trabalhar e o outro fica com ela até...

MULDER: - Até ela crescer. Entendeu?

SCULLY: - Ai, Mulder... Dois trabalhando fora não vai dar. Não podemos colocar nossa filha numa creche. Eles podem pegá-la...

MULDER: -Estava morrendo de medo de tocar nesse assunto com você. Por isso estava nervoso. Porque acho que eu deveria trabalhar e você ficar com ela. E você ia me chamar de machista. Mas não me ocorreu o inverso. Talvez seja mais fácil você com sua formação conseguir algo melhor...

SCULLY: - Mulder, por favor! Machismo é uma coisa, e não se aplica a situação aqui. Victoria precisa de proteção mesmo. Ela é a prioridade agora. Nós é que temos de nos adaptar. Mulder, ainda temos dinheiro, ok? Vamos relaxar e pensar nisso depois.

Mulder levanta-se, com a menina nos braços.

SCULLY: - Tá. Eu a levo, você dirige.

MULDER: - Não quer dirigir?

SCULLY: - Não, eu seguro ela.

MULDER: - Eu sou o pai! Eu seguro ela! Eu tenho mais força.

SCULLY: - Não, você dirige. Meus pés não alcançam os pedais, lembra?

Os dois discutem. Victoria alterna o olhar pra eles, curiosa, sorrindo.

MULDER: - Isso não é justo, você dirige.

SCULLY: - E se ela quiser mamar?

MULDER: - Engano ela com o meu dedo mindinho.

SCULLY: - Ah, quero ver se vai enganar essa raposinha.

MULDER: - Ela é linda, né, Scully?

SCULLY: - Para de babar em cima da minha filha, Mulder! Anda, me dá ela aqui e vá se arrumar. Já estou atrasada.

Mulder fica parado, pensativo, olhando admirado pra filha.

SCULLY: - Mulder, acorda, por favor!

MULDER: - É que eu tô feliz.

SCULLY: - Tá, fique feliz enquanto troca de roupa. Vem, filha, vamos colocar uma roupinha pra ir ao médico ou seu pai vai colocar a camisa pelo avesso porque não desgruda os olhos de você. (RINDO) Mulder, seu babão!


10:23 P.M.

Mulder sentado na cama. Scully, sentada ao lado dele, amamentando Victoria. Mulder sorri.

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - Nada... Tô pensando que mesmo com o caos que estamos passando, eu olho pra ela e consigo sorrir.

SCULLY: - Mulder... Nós não precisamos mais daquilo. Nem do FBI, muito menos dos Arquivos X. Valia a pena quando você tinha sua busca por Samantha. Quando você queria justiça e evitar a invasão. Tudo isso acabou, vencemos a guerra. Ficou no passado. Agora não temos mais nada a aprender com os Arquivos X. E eles não vão nos ajudar em nada. O que mais poderemos querer de respostas naquele porão?

Mulder olha pra Victoria. Sorri.

SCULLY: - Mulder... Eu... Eu sei que é belo acreditar em reencarnação, mas algumas vezes eu... Eu acho que ainda temos outro bebê. Que ele está por aí, em algum lugar...

Mulder recosta-se contra o ombro de Scully.

MULDER: - Não temos, Scully. Essa é a única. Ela voltou pra nós.

SCULLY: - Mulder... Se faz você se sentir melhor, acredite no que quiser.

MULDER: - ...

SCULLY: - Não entendo... O médico disse que não há nada de errado com ela. Por que teve aquela crise ontem?

MULDER: - ... Acho que ela sentiu a nossa falta.

SCULLY: - Manha. Só pode.

Mulder sorri.

MULDER: - Dormiu... Por que bebês dormem tanto?

SCULLY: - Por que bebês precisam dormir.

MULDER: - Será que ela sonha?

SCULLY: - Talvez...

MULDER: - E se sonha... Com o quê ela sonha?

Foco em Victoria dormindo.

Câmera subjetiva – visão de Victoria

Escuro. Som de pulsação e água.

Voz de Mulder e Scully cantando "You are my sunshine".

Corte.

[Som: Eurythmics - There Must Be An Angel]

Victoria abre os olhos. Observa o teto do quarto. Vira o rosto pra Mulder que dorme. Vira o rosto pra Scully que dorme também. Dá um sorriso, fechando os olhos novamente.

X

26/11/2001


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29 de Agosto de 2019 às 01:49 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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