Sombras na guilda Azorius Seguir história

jace_beleren Lucas Vitoriano

Ravnica está um caos. As guildas passam por grandes mudanças em suas lideranças e Lavinia teme que a alguem por detrás dessa mudança, um ser que procura semear a destruição e discordia. Renegada do senado Azorius Lavinia ira tentar derrubar o atual lider de sua antiga guilda, Dovin Baan. Mas essa não será uma tarefa fácil. Antes de tudo era precisaria sobreviver e só isso já se mostrara um grande desafio.


Fanfiction Jogos Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#jace #Lavinia #Magic-the-gathering #Ravnica
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Capítulo 1

Lavinia se movia a passos apressados pelas ruelas de Ravnica, procurava passar desapercebida, mas sabia que era isso era quase impossível ali. Os Dimir tinham olhos por toda a parte e os soldados Boros patrulhavam as ruas sempre vigilantes.

As coisas não eram mais como antes e Lavinia temia pelo futuro de Ravnica. Jace havia ficado ausente por tempo demais e sem ele para tentar manter o equilíbrio entre as guildas era só questão de tempo para que esse tênue equilíbrio se rompesse. Os Grhuul estavam mais ferozes e destrutivos do que nunca e os burocratas Azorius impunham sua autoridade de forma mais rígida e tirânica do que Lavinia considerava necessário.

Três dos dez lideres de guildas haviam sido assassinados, isso era perigoso demais. O mundo estava um caos completo e Lavinia já não considerava a ruina de Ravnica como uma possibilidade e sim como uma certeza. Ela só não sabia quando ia acontecer, mas seria em breve.

Não fazia muito tempo atrás e as coisas estavam bem... bom pelo menos bem nos padrões de Ranvnica o que significava conspirações, assassinatos e guerras em um nível aceitável. Mas as mudanças vieram, e rápido. Lavinia era um dos membros mais importantes do senado Azorius, mas viu a própria líder da guilda ser assassinada e um completo estranho, surgido sabe-se lá de onde, assumir o seu lugar. Dovin Baan era seu nome, um valdekeano. Lavinia não confiava nele, tanto que abandonou a guilda Azorius por discordar das atitudes do valdekeano.

Já era madrugada e não era permitido mais civis nas ruas aquela hora. Lavinia movia-se nervosa, seu rosto virando-se sempre para os lados a procura de alguma ameaça, a mão direita nunca estava longe do cabo de sua espada. Os soldados Boros patrulhavam as ruas e, embora ela achasse que pudesse abater dois ou até três deles sozinha preferia evitar um combate.

Ela era um soldado mas, como muitos membros da guilda Azorius, não gostava de se envolver em combates diretos. Era uma burocrata, uma conhecedora tanto das leis quanto de suas brechas, na verdade principalmente de suas brechas. Porem desde que abandonara a guilda e se tornara uma foragida, uma sem-portão, tivera que aprender a se virar nas ruas. A lei não estava mais ao seu lado e, sem poder contar com ela, Lavinia tivera que ficar mais intima de sua espada. Sim, até mesmo uma ex-burocrata poderia aprender a sujar as mãos de sangue.

Na verdade sujeira era a palavra que mais a definia desde que se tornara uma foragida, tanto no sentido metafórico quanto no literal. Ela possuía cabelos pretos curtos e cobria-se com uma capa com manto azul escuro que, em algum momento do passado, havia sido azul anil. Usava peças de armaduras suficientes apenas para não reduzir sua mobilidade em combate, cobrindo-lhe apenas os antebraços e o tórax. Trazia sua espada presa a cintura e uma adaga oculta em sua capa que já havia salvado sua vida meia dúzia de vezes nos últimos dez dias.

Ela sentia que estava sendo seguida, mas não via ninguém ao redor e isso só lhe dava mais certeza que estava sendo realmente seguida. Estava com fome e cansada. Dormira apenas seis horas nos últimos dois dias e havia apenas comido um pão velho com uma maça aquela manhã. Ela nem se lembrava mais quando fora a ultima vez que tomara um banho decente.

Lavinia estava caminhando por uma rua escura que cheirava a mijo e vomito. Ela tinha certeza que poderia encontrar um casebre abandonado para descansar por mais duas horas antes de se mover de novo. Não tinha um lugar para ir nem um plano a seguir. Seu único plano era continuar viva e tentar se preparar para o que fosse acontecer. E, seja lá o que fosse, seria algo grande.

Um som assustadoramente familiar porem alertou-a do perigo, era o inconfundível zumbido dos topteros, pequenos robôs aéreos que patrulhavam a cidade em busca de criminosos e fugitivos, e ela se enquadrava nas duas coisas. Aquelas coisas haviam sido uma inovação trazida por Dovin Baan ao senado Azorius e, por mais que Lavinia repugnasse-o, tinha que admitir que os malditos robôs eram mesmo eficientes.

Rapidamente escondeu-se em um beco escuro, um segundo antes de quatro topteros surgirem patrulhando tudo ao redor. Os robôs eram do tamanho de pombos, com asas metálicas que se moviam freneticamente. Lavinia não sabia como aquelas coisas funcionavam, mas eles eram os olhos e ouvidos de Baan. Felizmente conseguira se manter escondida e as criaturas de metal passaram pela rua sem percebe-la sumindo ao dobrarem em uma rua alguns metros a frente.

- Me da um prazer estranho te ver tão nervosa Lavinia – disse uma voz atrás dela. Lavinia se virou já sacando a espada, mas parou seu movimento ao reconhecer Jace.

O telepata continuava o mesmo de sempre, vestindo seus trajes azuis com um manto cobrindo-lhe o rosto. Ele sorriu de leve para ela. Lavinia não sabia se ficava aliviada ou irritada com ele. Por um lado estava feliz por tê-lo ali, Jace era um aliado poderoso. Por outro lado porem queria descarregar umas boas verdades em sua cara metida. Ele era o pacto vivo das guildas e tudo que havia acontecido em Ravnica era sua culpa.

Ela o olhava ainda hesitante, a mão estendida para frente ainda segurava a espada. Ela arfava, sua mão tremia. Por precaução ou neurose não conseguia se sentir segura. Algo lhe dizia que aquele não era Jace, bem, mesmo que fosse, ela tinha a vontade de dar-lhe um soco só para descarregar sua ira.

- O que está acontecendo em Ravnica? – perguntou ele fingindo ignorar a espada, mas Lavinia sabia que a atenção do telepata nunca se distanciava da arma – tenho uma ideia de quem está por trás disso tudo, mas eu preciso dos detalhes, preciso que me conte o que está acontecendo. Preciso de cada informação...

- Aonde estava esse tempo todo?! – disse ela em tom ríspido cortando-o. Não era apenas raiva que sentia, era desconfiança. Aquele poderia ser um espião Dimir, haviam muitos metamorfos na guilda. O próprio líder dos Dimir, Lazav, era um metamorfo.

Jace a fitou demoradamente o que a deixou desconfortável. Lavinia avançou com a espada, aproximando-a ainda mais de Jace, e ele, cauteloso, recuou dois passos.

- Calma, sou eu Jace...

- Se fosse o verdadeiro não teria medo de mim – disse ela em desafio. Seu instinto dizia para enfiar a espada na garganta dele, mas ela era uma azorius, ou fora... primava primeiro pela razão e só depois pela emoção – responda a pergunta!

Jace levantou as mãos em um sinal de paz e sorriu de leve o que a irritou ainda mais. Lavinia, por muito pouco, não cortou-lhe com a espada.

- Isso não é verdade Lavinia, nada me da mais medo do que você chegando com uma pilha interminável de relatórios para eu ler – disse em um tom divertido. Por mais tensa que a situação fosse Lavinia teve que se segurar para não rir. Aquela era uma resposta típica de Jace. Ele então continuou – tive uns problemas em outro plano. Perdi a memória, virei um pirata, ah e encontrei Azor – ele riu – vocês iam se dar bem, embora ele estivesse meio louco devido a solidão e ao confinamento. É uma longa história prometo te contar tudo com calma – então uma breve pausa, ele parecia estar pensando em algo e então perguntou, com tom de quem já sabe a resposta – Vraska se tornou a líder dos Golgari?

Lavinia ainda hesitava. Aquele parecia mesmo o Jace, além do mais nenhum espião Dimir diria algo tão absurdo quanto Jace se tornando pirata. Ela não acreditava nessa história maluca de piratas, mas acreditava que ele era quem dizia ser. E isso bastava. Ela confirmou com um aceno positivo com a cabeça. Ele não pareceu preocupado com o fato o que era bem estranho visto que Vraska era sua inimiga mortal.

- Bem, fico feliz que esteja de volta pacto das guildas vivo – disse recolhendo a espada. Jace ficou aliviada e então Lavinia pode ter o prazer de soca-lo na cara.

Foi um soco bem forte. O telepata caiu no chão soltando um gemido de dor. Ainda no chão ele a encarou mais surpreso do que irritado. Sangue escorria de seu nariz.

- Pensei que acreditava em mim... – disse em tom irónico.

- E é só por isso que te dei um soco e não o degolei com a espada – respondeu ela seca para, em seguida, dar-lhe a mão e ajuda-lo a se levantar.

Jace limpou o sangue do nariz com as costas da mão. Os dois se encararam, por mais divergências que tivessem e por mais raiva que Lavinia sentisse dele por sua ausência, era impossível para eles negarem a felicidade e o alivio de verem um ao outro. Jace pensou em sorrir para mostrar que estava tudo bem, mas sentindo a tensão vinda do olhar de sua companheira achou melhor permanecer sério. Uma sâbia decisão pois se tivesse sorrido ela o teria batido de novo e seria em um lugar bem pior que no rosto.

- Precisamos sair daqui e encontrar um lugar seguro para descansar – disse ela, o cansaço voltava a abate-la. Ela precisava dormir nem que fosse um pouco.

- Eu vi nas memórias de um sem-portão um lugar que pode servir, mas não é muito agradável...

Essa foi a vez de Lavinia rir. No estado em que estava procurar locais agradáveis era um luxo que não mais possuía.

- Nem vai acreditar nos locais que dormi ultimamente – respondeu sarcástica – vamos a esse lugar, preciso estar descansada para lhe dar um sermão que você nunca vai esquecer.

Jace preferia outro soco na cara, mas não achou que Lavinia fosse trocar o sermão por um misero soco. Ele caminhou para longe dali e a amiga o seguiu.

26 de Agosto de 2019 às 02:45 0 Denunciar Insira 0
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