Sorry Seguir história

notaqueenakhaleesi Writer Lay

Um conto sobre como Marley e Hunter passaram de um casal para dois pontos opostos de uma briga que envolve família, amor e manipulação. Sorry é a primeira parte da série Clarington Heirs.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Parte 1

Testes para o musical Hair. Roosevelt High School. Sophomore Year.


— O que você está fazendo com esse chá? — Perguntei, no backstage, para o garoto mais velho e de porte sério.

— Nada que seja realmente da sua conta, garota. — Ele me respondeu, me surpreendendo por seu temperamento ruim e até mesmo falta de educação.

Estufei o peito, olhando seriamente para ele.

— Se está planejando prejudicar a audição de qualquer um dos inscritos, eu vou denunciar você. E com certeza vão acreditar em mim. — Afirmei, com segurança, mesmo que para encarar o rapaz tivesse que olhar para cima.

Ele riu de meu desafio, estreitando o olhar na minha direção enquanto cruzava os braços.

— Quem diria que uma garota vestida como uma hippie dos anos 70 iria ter coragem de me peitar?

— Tenho ainda bem mais coragem do que aparento. — Rebati com firmeza, colocando as mãos na cintura e mantendo o ar sério. E ao contrário do meu objetivo, ele sorriu ao invés de recuar.

— Hunter Clarington. — Ele se apresentou, esticando a mão em minha direção.

— Marley Rose. — Apertei sua mão por educação, ainda bastante desconfiada do rapaz.

— Vai tentar o papel principal? — Ele me perguntou, como se me estudasse, ignorando completamente o fato de que o flagrei querendo trapacear.

— Não... E isso não isso seja realmente da sua conta. — Respondi, me sentindo bastante esperta e brava por usar a mesma expressão que ele e inverter o jogo.

— Deveria... Tem um rosto impactante para isso. — Hunter me disse, me fazendo gaguejar e me perder naquela espécie de elogio.

— Eu… Quer saber, eu vou dizer ao Mr. Tubbs que você esteve aqui querendo colocar não sei o quê no chá de uma das alunas. — Retomei a briga, cruzando os braços na frente do corpo.

Hunter Clarington deixou então o recipiente em cima da baqueta improvisada no camarim, colocando as mãos para o alto.

— Certo. Eu vou sair daqui, antes que me acuse de ter matado o Presidente Kennedy também. — Ele me disse, dando passos para trás, em direção a saída, com um ar totalmente debochado. Porém antes de sumir de meu campo de visão, arqueou a sobrancelha, provocativo. — Mas pense sobre o papel principal. Não tem um rosto que deveria ficar como secundária.

Queimei de vergonha enquanto o garoto do último ano se retirava dali.


Pátio interno. Roosevelt High School. Sophomore Year.

— Ainda acho que deveria pedir desculpas a Camille. Sabe, pelas palavras mais pesadas. — Indiquei, em forma de indireta, enquanto abria com cuidado o sanduíche natural que minha mãe tinha feito para mim, e pelo qual usualmente Hunter zoava dizendo que eu parecia uma garotinha do Middle School.

— Não peço desculpas, sabe disso. — Ele me respondeu, a tez franzida, e não sabia dizer se era pelas anotações em seu colo ou para aquela conversa.

— Então… — Coloquei o lanche em cima de um guardanapo de papel e me voltei em sua direção. — Não pedir desculpas para Camille, ou qualquer outra pessoa, faz você acumular mágoas. E muito possivelmente é por isso que vive estressado. Tem coisas demais o sobrecarregando.

— Sempre vivi sobrecarregado, Rose. Não é nenhuma novidade. — Clarington afirmou, dando de ombros.

Minha cabeça tombou ligeiramente para o lado, observando o seu perfil. Me perguntando o quanto de pressão e bagunça habitava por detrás daqueles olhos esverdeados. Respirei fundo, olhando de lado para ele, de um jeito que não agredisse seu espaço pessoal.

— Você não precisa ser o que fizeram de você. Você sabe. — Falei, mexendo desconfortável no pedaço de pão integral cortado em triângulo. — Você pode quebrar esse ciclo.

Hunter então parou de ler, ou fingir que lia, aquela papelada inteira e ergueu o olhar em minha direção, com um ar de divertimento neles. Era o mesmo ar incrédulo de quando o cumprimentei no corredor depois do incidente no camarim da peça. E o mesmo quando ele mesmo começou a vir falar comigo. Se ajeitando em meu lado na mesa que dividíamos, apoiou o queixo debaixo de seus dedos perfeitamente cruzados.

— Está tentando me salvar, Rose? — Sentia a surpresa e o riso em sua voz, me fazendo sentir a pele esquentar.

— Bem… Todo mundo pode ser salvo. Sem exceções. — Admiti, de maneira indireta, me dedicando a finalmente comer meu sanduíche enquanto ele soltava uma risada gostosa e balançava a cabeça em negativa.


Pátio externo. Roosevelt High School. Senior Year.

— Então... Você veio da Brown até aqui para me dizer que está indo para Paris. Noivo. Aos 20 anos. Uau. — Falei devagar, tentando absorver todas aquelas informações que um dos meus, agora, melhores amigos falava.

— Eu sei! Estou tão feliz! — Hunter me disse, então me dando um de seus abraços de urso e me tirando do chão. Me sentia mesmo leve como uma boneca de pano quando ele fazia isso. Algumas vezes ria, algumas vezes batia em seu braço de leve para me soltar. — E eu agradeço tudo a você.

— Eu? Por que? — Respondi, sem jeito, quando finalmente fui colocada no chão.

— Você me fez mudar. Me fez... Me aceitar e ser livre e humano. Me fez me sentir bem. E assim finalmente fazer bem a outra pessoa. — O modo como Hunter dizia isso era tão sincero que senti a pele do meu rosto e pescoço esquentar e corar violentamente.

— Fico feliz por ter o ajudado a se encontrar. De verdade. — Lhe disse, balançando a cabeça positivamente, mesmo que ainda estivesse com vários ruídos devido àquela chuva de novidades. E uma espécie de apreensão na boca do estômago. Uma mistura de sexto sentido e... Algo novo. — Quando você vai?

— De Ohio?

— Dos Estados Unidos.

— Em dois dias.

— Oh... Bem... então essa é a hora em que dizemos adeus. — Afirmei, olhando para os meus pés e sentindo uma vontade de chorar imensa. Odiava despedidas.

— Hey, não. Sem tristeza. E ainda vou arrastar você para ser nossa madrinha do casamento. E talvez até morar conosco em Paris. — Ele afirmou, segurando em meus ombros e me sacolejando sutilmente, numa vã tentativa de me fazer rir e superar aquelas lágrimas.

— Ah, eu não sei se Sebastian ia me querer por perto… — Respondi a ele, balançando a cabeça em negativa. — Além do mais… Eu fui aceita. Pela Brown. Bolsa integral.

— Você está brincando? — Hunter me perguntou, animado pela notícia. Quando respondi que não com uma breve agitação da cabeça, mais uma vez ele me tirou do chão com um abraço, me fazendo soltar um gritinho agudo e depois gargalhar. — Isso é ótimo! Precisamos comemorar!

— Não… Quero dizer, não é como… — Tentei desvencilhar, mas seus olhos verdes se fixaram nos meus.

— Eu insisto. Hoje à noite, na minha casa. Avise sua mãe. — O mais velho afirmou, daquele seu jeito imperativo, sem margens para discordar.

— Estaremos lá. — Concordei, sorrindo delicadamente.


Cafeteria. 15 minutos depois da aula começar no primeiro dia letivo. Freshman Year na Brown University.

— Eu o odeio, Marlie. Com todas as minhas forças. — As mãos de Hunter ao redor do seu copo de café que esfriava aos poucos tremiam. Sutilmente, coloquei minhas mãos acima das dele e retirei o recipiente de seus dedos, antes que ele estraçalhasse o objeto. — Quero que ele apodreça no inferno.

— Okay... Primeiro, eu sei que está machucado... — Comecei a dizer em tom conciliador, com o rapaz bufando ao meu lado. — Mas não podemos desejar o mal a outra pessoa sem ferir a nós mesmos no processo. Então, que tal simplesmente não falar sobre ele se não tem nada de positivo a dizer?

— Você não entenderia, Rose. Você nunca amou alguém assim. — Clarington afirmou, amuado em sua cadeira, os olhos que eu sabia que estavam vermelhos de tanto chorar, escondidos por óculos muito escuros.

Infelizmente, não estava nem de longe protegida como ele para não demonstrar meus sentimentos e fiz o que pude para não demonstrar como aquelas palavras me atingiram.

— Posso não ter sido noiva e ido morar com outra pessoa em outro país, mas... — Então me calei, balançando a cabeça negativamente. — Quer saber, esquece. Estamos aqui para que consiga descansar a cabeça antes que ameace destruir alguma coisa ou alguém nos corredores.

— Obrigado por matar aula comigo... Eu não iria conseguir passar por isso sem você por perto. — Ele me disse, se referindo às várias crises que estava tendo desde quando pediu transferência de volta para a Brown e se separou de Sebastian. Senti a sinceridade por trás de suas palavras, mesmo que estivesse tentando fazer de conta que estava no controle.

— É isso o que melhores amigas fazem. — Respondi, abrindo o melhor de meus sorrisos, segurando suas mãos e tentando demonstrar todo meu apoio, lhe garantindo que não estava sozinho. Mesmo que vê-lo quebrado, e por sentimentos por outra pessoa, me quebrasse um tanto.


Festa na Marcy House. Brown University. Volta às aulas do Freshman Year.

— Deveria subir e cantar. — Ele me provocou, me empurrando sutilmente com o ombro e me fazendo rir baixo.

— Não, não deveria. Meus tempos de cantar acabaram há um longo tempo atrás. — Respondi, querendo escapar daquela proposta, mesmo que ainda amasse cantar e amasse música com cada célula do meu corpo.

— A sua voz continua sendo linda demais para cantarolar só quando vamos ao café. — Hunter soltava esse tipo de coisa de vez em quando, elogios perdidos no meio de frases sobre outros assuntos. Não sabia o que pensar sobre isso.

— Só canto se você for comigo. — Impliquei, acreditando mesmo que Hunter Clarington não iria subir e cantar em um karaokê junto comigo.

— Quer saber? Aceito o desafio. — Ele tomou um longo gole de sua long neck e deixou a garrafa pela metade em cima da mesa de bebidas, pegando minha mão em seguida e me levando em direção ao palco improvisado, me fazendo rir de seu entusiasmo. — Hey. Quem é o responsável pelo som? Vamos dar um pequeno show aqui.

— Hunter! — Fingi brigar, mas estava presa a espontaneidade que não via desde o término com Sebastian. Ele estava voltando aos trilhos, voltando a ser aquela pessoa leve que sabia que ele podia ser.

— Somos veteranos de Glee Club. É claro que vai ser um show. — Ele me disse, sorrindo e lançando uma piscadinha para mim, que fingi que não me causou diversas reações. E então se voltou pelo responsável pelo karaokê. — Ah, olá. A gente gostaria de cantar...? — E então ele olhou para mim, me perguntando o que eu iria arriscar a duetar com ele.

— Ahn... Maroon 5! — Chutei, lembrando que ouvíamos algumas músicas da banda quando estávamos no seu carro.

— Vamos cantar Love Somebody, do Maroon 5. — Ele afirmou, ainda segurando minha mão, como não conseguia parar de notar. Clarington se virou em minha direção, com aquele maldito sorriso faiscante. — Sabe a letra, não sabe?

Confirmei com um aceno de cabeça um tanto tímido. Sabia tão bem a letra que era impossível não fazer associações.


Jardins. Brown University. Tarde de quinta depois das aulas. Sophomore Year.

— Não devia estar descansando? Acabou de sair de uma prova... — Comentei, enquanto observava Hunter devorar páginas e mais páginas do livro de Administração, a cabeça apoiada em meu colo.

— Estou conferindo se gabaritei a prova, amor, já deixo isso de lado. — Me respondeu, quase que em automático, os olhos esquadrinhando as páginas atrás dos tópicos que queria. Suspirei, sentindo que não valia a pena discutir e me recostei contra o tronco da árvore, brincando com os fios de seus cabelos distraidamente. O ouvi fazer um som com a garganta, como se fosse o Mr. Puss em sua almofada perto da lareira na casa de Hunter. — Ou posso deixar isso de lado agora.

Nossos olhares se encontraram e então rimos baixo um para o outro, entrando em uma espécie de bolha só nossa. Os lábios de Hunter estavam entreabertos e ele parecia tão relaxado que nem parecia o mesmo sênior que conheci nos bastidores de uma audição do teatro do colégio. Sem as amarras colocadas por outras pessoas. Sem a dor de um coração partido. Sem as memórias que o aterrorizavam rondando sua mente quando menos esperava. Sem aquela raiva e veneno que pareciam estar entranhados tão fundo em sua alma. Clarington era como uma plantinha que precisava de luz, água e amor para se recuperar e desenvolver.

Quando nos beijamos pelo que parecia ser a bilionésima vez depois daquela maravilhosa noite do karaokê, sentia que estava amando a pessoa pela qual esperei a vida toda para encontrar. Foi preciso vencer um longo e espinhoso caminho, mas ele estava reabilitado e era a pessoa maravilhosa que sabia que poderia ser se quisesse. E ele queria. Suas mãos seguraram em minha cintura e me senti inundada por sua nova luz.


Área cedida para o evento no Slater Memorial Park. Sophomore Year.

— Você é a noiva mais linda que já existiu, Senhora Clarington. — Hunter murmurou, antes de beijar o espaço entre meu ombro e pescoço exposta pelo vestido tomara que caia.

— Hm... Você fala isso porque ainda não viu como meus pés estão inchados dentro desse salto. — Reclamei, fazendo um pouco de manha enquanto meu agora marido me girava devagar na pista amadeirada, em nossa primeira dança.

— Então deveria se livrar dos sapatos, Marlie. — Ele me disse, usando do apelido que me deu na época de High School, envolvendo minha cintura, em um passo mais lento, finalizando a música. Seu dedão acariciava a protuberância em minha barriga, visível a essa altura. Nosso bebê, inesperado e amado. — Mal vejo a hora que ele nascer.

— Pode ser ela... — O lembrei, me virando para ficar de frente para Hunter, apoiando minhas mãos em seus ombros.

— Tenho a plena certeza de que vai ser um garotão. — Ele me respondeu, com um sorriso gigantesco e provocativo.

— Bem... Descobriremos em breve. — Comentei, rindo de como meu marido estava convicto de que teria um herdeiro.

— Eu te amo, Marley Rose-Clarington. — Ele me disse, naquele seu tom de voz que era quase um murmúrio.

— Eu te amo, Hunter Clarington. — Respondi, sentindo uma paz dentro de mim que não cabia nesse mundo.

30 de Agosto de 2019 às 16:24 0 Denunciar Insira 2
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