Antares (KaiSoo) Seguir história

chentimental Amanda Kamiya

Kim Jongin gostava de memórias. Ele gostava de como eram semelhantes à fotografias; da forma intacta que histórias eram preservadas dentro delas. Suas lembranças mais cultivadas eram as de quando a mãe ainda estava viva; estas que constantemente lhe traziam agridoçura e um aperto no peito, apesar da genuinidade em qualquer sorriso anterior. Quando Kyungsoo, mesmo sem cautela, infiltrou-se em sua vida e obteve lugar para que também fosse amado, ambos entraram no acordo de que Jongin pararia de martirizar-se pela perda da mãe. E Jongin cumpriu sua promessa, sem imaginar que chegaria o dia em que perderia Kyungsoo, também.


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

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Devia ter sido você, Betelgeuse

ANTARES;

Devia ter sido você, Betelgeuse


Kyungsoo estava vestindo uma camiseta preta que sobrepunha a blusa vermelha de mangas longas. Tinham comprimento suficiente para possibilitá-lo esconder ambas as mãos do frio quando enrolava o tecido em volta dos dedos já rosados. Todavia, não o aqueciam realmente.

Jongin houvera dito que a combinação específica de roupas não era necessária; sabia que era capaz de reconhecê-lo mesmo de costas e em meio a uma multidão. Mas Do Kyungsoo não confiava na memória dele, embora já houvessem se encontrado tantas outras vezes. Do pensava ser dono de uma face deveras normal, sem características marcantes o bastante para destacá-lo em meio a outros rapazes de sua idade.

Por esse motivo, lá estava ele: inadequadamente vestido para o início torturante do que seria o inverno de Seoul. Sentado no banco de ferro do metrô às 10h02 da noite, enquanto balançava fervorosamente as pernas e uma nuvenzinha de vapor deixava suas narinas e seus lábios trêmulos.

Jongin, naturalmente, apertou o passo ao ver a cena. A cada centímetro mais próximo, sentia seu coração martelando contra o peito. Algo sobre Kyungsoo era singular e o deixava ansioso; transmitia-lhe uma nostalgia encantadoramente excêntrica. Talvez fosse a aura adolescente que ele emitia, vivendo o auge de seus 19 anos de idade. Esse tipo de essência tendia a despertar o jovem dentro de Jongin. Aquele Kim Jongin despreocupado e sonhador que sempre aproveitara o máximo possível de sua vida pré-contratado. Conversar com Kyungsoo assemelhava rejuvenescê-lo todos os anos entregues ao estresse.

Dez passos de distância e já desvencilhava-se do casaco, alternando a maleta entre a mão direita e esquerda quando precisava retirar os braços do interior da peça. Na medida em que alcançava o campo de visão do rapaz, afrouxava o nó da gravata que tanto o sufocava.

Os olhos castanhos amendoados ergueram-se ao notar a movimentação de Jongin, e Kyungsoo levantou-se do banco como se houvesse sido energizado completamente com apenas a presença do mais velho.

— Jongin, você veio! — Animou-se, o recebendo com o sorriso afável que Kim não via há certo tempo. — Como conseguiu convencer seu chefe?

— O gerente é um velho amigo meu, então pedi a ele para me ajudar.

— Isso é bom. Você não vai ter nenhum problema no trabalho por minha causa, vai? — Jongin já tentava responder sua primeira questão, mas Kyungsoo avançava para outro assunto. — Só temos duas horas antes que o parque feche. Precisamos nos apressar, vem. — Puxava Kim pela mão para iniciarem a caminhada, mas foi interrompido.

— Em primeiro lugar, tenha calma. — Jongin sorriu, doce, segurando Do pelas mãos após virá-lo para que estivessem frente a frente. Com Kyungsoo parado, entregou-lhe o casaco há pouco despido. — Vista isso antes de sairmos daqui.

— Tem certeza? Você não vai passar frio?

Jongin achava adorável Kyungsoo preocupar-se tanto ao ponto de se pôr em segundo lugar.

— Sim, tenho. — Ele riu, melodioso. — Estou vestindo um outro por baixo, de qualquer forma. E você devia ter perguntado isso para si mesmo hoje, na frente do espelho, antes de sair de casa assim. — Passou seu braço pelos ombros do mais baixo, que agora estava agasalhado pelo tecido grosso da peça. Puseram-se a andar, indiferentes aos olhares que algumas pessoas lançavam em suas direções.

Quando deixaram o metrô, Kyungsoo voltou a falar. A última frase de Jongin houvera perambulado por sua mente durante um bom tempo, até que finalmente pudesse expelir algo de suas ponderações.

— Eu estava com medo de que não me reconhecesse pessoalmente. Você falava tanto daquela foto, que pensei que vestir-me com as mesmas roupas que usava nela seria a única maneira de me destacar.

— Kyungsoo…

— Eu sei, eu sei. Me desculpe. Mas funcionou, não é?

— Eu reconheceria você até se estivesse disfarçado. Não faça mais isso. Se eu me atrasasse mais, você poderia ter pegado um resfriado.

— Você é realmente um anjo, Kim Jongin.

— Ah! E isso me lembra…

— Isso o quê? Você ser um anjo? — Jongin riu nasalmente, procurando algo pelos bolsos do casaco que vestia.

— Eu trouxe aquele livro que mencionei. Devo ter deixado no casaco que você está vestindo. Um momento…

Os dois pararam de caminhar. Jongin tateou os locais onde cada um dos bolsos largos se encontravam, recebendo um sorriso malicioso de Kyungsoo.

— Se queria me tocar, era só pedir. — Brincou. Jongin segurou o riso, o entregando apenas um balançar de cabeça negativo.

Finalmente encontrando o livro em um bolso interno, mostrou-o para Kyungsoo, que vislumbrou, atônito, um dos objetos mais preciosos que já havia visto.

— Ele é lindo, não é? Na época, pedi para que minha mãe o autografasse, porque queria presentear uma menina que eu gostava. — Kyungsoo prestava atenção no rosto de Jongin, e como seus lábios se moviam em uma sintonia majestosa com as palavras. O olhar, focado no livro seguro em suas mãos, não era capaz de notar o carinho que Do exalava ao ouví-lo mergulhar no nostálgico. — Quando mamãe adoeceu, acabei nunca me declarando, mas mantive as duas edições que eu tinha guardadas. Uma delas, essa aqui, quero dar a você hoje, Kyungsoo.

Jongin sorrindo… Aquela visão era suficiente para aquecer o coração de Kyungsoo por três invernos inteiros.

Do não tinha certeza se deveria, mas arriscou uma questão que matutava por meses em sua mente.

— A sua mãe, Jongin, como ela era?

Jongin o olhou, estupefato. Ao movimentar a cabeça, seus cabelos negros, postos para cima no que deveria ser um topete, deixaram alguns fios avulsos caírem por sobre seus olhos. Não era uma pergunta que ouvia com frequência. Suas companhias para sexo casual não costumavam demonstrar interesse por essa parte de sua vida. Não que Jongin as abrisse as mesmas brechas que abria para Kyungsoo, mas era uma diferença quase palpável. Kyungsoo, de fato, era diferente das outras pessoas que o cercavam.

— Minha mãe… Foi a melhor pessoa que alguém como eu poderia ter sido criado por. Ela era muito generosa, positiva e… Extremamente apaixonada por livros, como você e eu.

Kyungsoo sorriu, o puxando para um banco bem próximo na calçada. Era uma conversa que não conseguiria apreciar totalmente se estivesse andando. Queria estar parado, observando os gestos simplórios de Jongin, sem precisar prestar atenção por onde pisava. Ele possuía um sorriso diferente sempre que falava da mãe. Nesses momentos, Kyungsoo percebia que jamais seria a razão por trás de um sorriso daqueles, mas que presenciá-lo o deixava muito satisfeito.

— Eu queria ter a conhecido. — Confessou, tomando a liberdade de segurar a mão de Jongin. Seus dedos estavam gélidos.

— Também queria que você tivesse a conhecido.

Encarava seus dedos entrelaçados com os do mais novo. As mãos de Kyungsoo eram menores que as suas e mais macias, e os dedos curtos e delicados.

— Você acha que ela gostaria de mim?

— Eu tenho certeza! — Jongin alegrou-se, eliminando a apreensão de Do. — Ela te chamaria de filho, e viveria te mimando. Escreveria os romances e pediria sua opinião. Eu provavelmente ficaria com ciúmes.

O som da risada de Kyungsoo era tudo no que seus tímpanos focavam-se.

— Com ciúmes por quê?

— Teria que dividir meu lugar como fã número um dela. — Brincou.

— Não se preocupe. Eu não sou muito espaçoso. Teríamos um bom equilíbrio.

Jongin não podia evitar os sorrisos bobos que Kyungsoo arrancava de si.

Fitou o livro em sua mão por mais alguns segundos. A capa ainda carregava o pigmento branco de sempre; resultado do ótimo cuidado que Jongin teve com o objeto durante os anos que se passaram. O título em itálico, Antares, havia sido caligrafado por sua própria mãe, e trazia o seu tom de azul favorito nas letras: azul prussiano. Finalmente, entregou-o a Kyungsoo, que igualmente o deslumbrava.

— Receber de você o primeiro presente, check. — Disse a Jongin, traçando no ar um visto imaginário com o polegar e indicador unidos.

— Você tem uma lista de desejos comigo, é?

— Eu tenho. Isso é muito assustador?

— Não. — Ele sorriu. — É adorável. Quando eu era adolescente, também tinha uma lista de coisas para realizar.

— Você fala como se tivesse oitenta anos.

— São dez anos a mais que você.

— Não é grande coisa. — O tranquilizou. — Sua lista, você a completou?

— Ah. Não lembro ao certo, mas acho que faltaram algumas coisas. Eu amadureci em poucos anos, então parte dessa lista tornou-se dispensável.

— Entendo.

— E você, Kyungsoo? O que mais gostaria de realizar?

Do refletiu por alguns instantes, mas não obteve uma resposta.

— Quando estou sozinho, tenho certeza que desejo várias coisas. Mas misteriosamente não consigo pensar em mais nada, agora.

Os dois riram com gosto.

— Quando algo vier em mente, apenas me diga.

— Por que? Você saiu de uma lâmpada?

— Ah, sim. E dela, fui diretamente para o seu ICQ. — Gracejou. Os olhinhos de Kyungsoo fechavam-se quase por completo quando ele ria.

— Eu ainda lembro daquele dia. Não demoramos muitas semanas para trocarmos cartas, não é?

— Duas ou três, no máximo. Oh. — Jongin parou de falar, avistando um pinguinho que caíra na bochecha de Do. Secou-o com o polegar, olhando para cima em seguida. — Talvez devêssemos ter prestado mais atenção nos trovões. Está começando a chover.

— Droga. Não tinha chuva marcada para hoje. — Reclamou, formando um biquinho com os lábios. Jongin riu nasalmente, apertando a bochecha de Do como se ele fosse uma criança. — Jongin, você pode guardar o livro na maleta? Me entregue depois. Eu realmente não quero que ele molhe.

— Você pode guardá-lo em um dos bolsos internos do casaco. — Kyungsoo fez como lhe era informado. — Eles são impermeáveis, é só fechar o zíper. O casaco, você me entrega num outro dia.

— Que dia? — Jongin sorriu. Perto de Do, sua alegria tornava-se natural.

— Você está livre na semana que vem?

— Completamente!

— Ótimo! Eu terei dois dias de folga. — Os pingos se intensificavam gradativamente. Kim foi rápido em levantar-se, trazendo Kyungsoo para baixo de uma pequena área coberta. Protegiam-se da chuva em frente à uma loja fechada, onde algumas lâmpadas iluminavam os manequins na vitrine. Kyungsoo parecia acessível, reluzindo as cores quentes das luzes amareladas.

— Podemos nos encontrar nos dois! — Era para ser apenas uma sugestão, mas Do sempre fora incapaz de emudecer suas ideias e animação. Arrependeu-se pela dedução quando viu Jongin crispar os lábios, e prontificou um pedido de desculpas. — Eu não pensei direito. Desculpe.

— Não, não. Está tudo bem. Quinta é aniversário da minha mãe. Estarei ocupado a visitando, e ficaria inconveniente para você ter que me acompanhar naquele tipo de local.

— Não ficaria, Jongin. Está tudo bem. Se você se sentir confortável, eu posso lhe fazer companhia.

Jongin, uma segunda vez, ficou surpreso.

— Eu gostaria muito, Kyungsoo.

— Está marcado, então. — Sorriu, alcançando o ombro de Jongin com a mão e massageando-o com a palma. Esperava uma expressão mais contente de Kim, mas ele permaneceu um tanto sério. — O que foi?

— Só estava pensando… Será a primeira vez que alguém me acompanha até lá.

— E o seu pai?

— Ele é complicado. Depois que mamãe morreu, nossa relação piorou muito. Segue assim até hoje. — Suspirou. — De qualquer maneira, eu não pude ajudá-la, então considero minha punição enfrentar sozinho a perda dela.

Kyungsoo estava boquiaberto. Sua mão parara de massagear o braço de Jongin.

— O que quer dizer com isso? Não foi sua culpa!

— Não diretamente. Mas eu poderia ter feito algo, entende?

Ficaram em silêncio por alguns instantes. O vento desarrumava o cabelo de Jongin, e somente o barulho da chuva preenchia o ambiente.

— Vamos fazer um acordo, sim? — Do pôs-se a falar.

— Um acordo? — O mais novo assentiu.

— Você vai parar de se culpar pelo o que houve com a sua mãe, está bem?

— Não é tão simples.

— Trabalharemos nisso.

— Você vai me ajudar?

— Claro. Te darei todo o apoio que precisar.

Sem mostrar os dentes, um sorriso mínimo formou-se nos lábios de Kim. Não era o sorriso mais vívido que Do já o vira entregar, mas era honesto. Como um agradecimento.

Kyungsoo abraçou-o sem delongas, envolvendo-o em seus braços quentes. Jongin devolveu o aperto. Não conseguia agradecer com palavras, mas tinha a certeza de que Kyungsoo o houvera compreendido. Tinha sido visto em um momento vulnerável; desprovido da confiança que costumava ter e, por mais incrível que fosse, sentiu-se bem posteriormente.

— Ainda quer ir ao parque? — Perguntou baixo, próximo ao ouvido de Do.

— Não. Podemos ter um encontro lá em um outro dia. — Afastaram-se um pouco. Jongin posicionou sua maleta rente a parede do estabelecimento, livre de acabar sendo molhada. Sentia menos dor no pulso, uma vez que largara o objeto pesado.

— Fazia parte de sua lista, não é?

— Você está levando isso a sério demais.

Jongin riu fraco, recobrando seu entusiasmo e dando continuidade ao assunto.

— O que mais tem na sua lista? — Estavam de volta ao tópico, com uma mesma questão. Mas Kyungsoo tinha uma resposta na ponta da língua, dessa vez.

— Hmm. Jongin-shi. — Fez questão de frisar o honorífico.

— Hm?

— Você já beijou na chuva?

Sorriu abertamente.

— Você já? — Kyungsoo negou com a cabeça.

— Adoraria tentar.

— Acho que viraríamos cubos de gelo nessa chuva, mas podemos tentar algo. Vem aqui.

Do obedeceu, gargalhando. Jongin segurou-o pela mão e o puxou, até que estivessem completamente expostos à chuva. Molharam-se brevemente, voltando com rapidez para a área coberta. Antes que Kyungsoo pudesse reclamar do frio, Jongin inclinou-se, segurando seu rosto com ambas as mãos. Seus lábios tocavam-se em uma energia calorosa. Os poucos pingos deslizavam por suas faces de maneira delicada, diferente da violência pluvial que os estava cercando.

Findaram o beijo. A melanina na pele de Kyungsoo não era suficiente para esconder a cor rubra em suas bochechas. Jongiu riu com leveza, apertando carinhosamente a pontinha do nariz do mais novo.

— Você ficou vermelho.

— Queria que tivesse me deixado sem ar, também.

— Para isso, precisaríamos de mais segundos.

— Pois bem.

Jongiu gargalhou, divertido, voltando a o abraçar.

— Quer ir a um café?

— Quero, sim.

— Tem um aqui perto. Podemos ficar lá por uns minutos e depois vamos pro meu apartamento.

— Parece bom.

— Por falar nisso, onde você está ficando?

— Na casa da minha tia. São só trinta minutos de trem até Seoul, mas ainda é um pouco puxado, logo pela manhã. Ela me deixou ficar ali por um mês. Verei o que fazer depois.

— Você podia simplesmente morar comigo. Resolveria todos os seus problemas.

— Morar com você?! Nós nem nos conhecemos! — Brincou.

— Ah, então quer dizer que agora você não me conhece. — A melodia gostosa da risada de Kyungsoo preencheu o ar. — Pense nisso, sim? Considere vir morar aqui. Vou te ajudar no máximo que puder.

Os planos para a noite foram alterados devido à imprevisibilidade da chuva. Correndo de mãos dadas em meio à hostilidade dos pingos, os dois atravessaram algumas ruas até chegar em seu destino. Por ali, ficaram os prometidos minutos, tomando chocolate quente e conversando sobre suas rotinas. Kyungsoo passara a noite no apartamento de Jongin, despedindo-se logo pela manhã e pegando o primeiro trem para a casa de sua tia.

Naquela manhã, em sua cama, antes de pegar no sono uma segunda vez, retirou do bolso do casaco o livro presenteado por Kim Jongin. O agasalho ainda possuía o aroma do perfume que o mais velho usava, e aquilo o aconchegou um pouco mais.

Fitou a capa da edição de Antares por um certo período, até tomar a coragem para abrí-la.

Ele sabia que, originalmente, não era o destinatário da obra. Mas, de alguma forma, a leitura daquelas palavras escritas à mão — pela mesma letra detalhada do título — o fez sentir como se o livro fosse seu desde o dia em que fora publicado.

“Para você,

de um amor que não se contentou

em ser expressado

apenas com as próprias

palavras.”

— Morar com Kim Jongin...

24 de Agosto de 2019 às 23:36 0 Denunciar Insira 0
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