Can't Take Kid The From The Fight Seguir história

notaqueenakhaleesi Writer Lay

Enquanto Marley se preocupava com a filha no aeroporto de Londres, Hazel realizava sua festa em grande estilo nos Hamptons, como se não houvesse mais nada de importante do mundo. Mesmo que tudo fosse apenas mais uma parte do grande jogo de aparências que rege os Clarington. Can't Take The Kid From The Fight é a segunda parte da série Clarington Heirs.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Capítulo único

O som alto da música do momento eletrizava meu corpo, me impulsionando a não querer parar de dançar. Os meus cabelos começavam a grudar nas minhas costas e era certo que o champagne estava subindo e enevoando a minha cabeça. Eram quase 4 da manhã do domingo e não tinha qualquer sinal de que a festa iria se encerrar em algum momento próximo. Ter alguma consciência disso me fazia sorrir convencida; a minha festa de aniversário era de longe a mais épica do ano.

— Bom trabalho, Clarington. — Annika Thompson falou para mim, talvez um pouco mais embriagada do que deveria.

Ela era uma das garotas populares do meu círculo social. Se ela me deu a sua benção, então eu estava mesmo no topo.

Saí da pista de dança com a cabeça erguida e me movendo como se estivesse em câmera lenta. Cumprimentava com sorrisos e olhares provocativos todo mundo que encontrava no caminho, enquanto me dirigia ao capitão do time de basquete, aka o garoto que estava tendo algum envolvimento do momento. Jamie Frost era tão alto quanto era babaca, mas eu não dava a mínima. Era um bom namorado para exibir por aí e pelos corredores da EF Academy. Estava a menos de um palmo de distância dele quando escutei a música mudar.

E o ambiente ficou tomado por Marley Rose feat Diplo, o sucesso do momento.

— Quem fez isso? — Perguntei em voz alta, olhando ao redor e me sentindo prestes a socar o rosto de alguém. — De quem foi a porra da ideia?

— Qual é, gata, é só uma música. — Jamie me disse, pegando meu antebraço e tentando puxar-me para si.

Girei meu braço e me livrei de seu aperto. Eu não toleraria aquilo. Minha respiração estava descompassada e a cada nota alcançada pela cantora nos alto-falantes eu tinha mais vontade de gritar. Frost não entenderia. Nenhuma daquelas pessoas embriagadas ao meu redor entenderia. Ninguém ali poderia entender a sensação de ser abandonada por aquela mulher de voz doce e aparência angelical.

— ALGUÉM TROQUE ESSA MALDITA MÚSICA! — Esbravejei, sem realmente olhar para qualquer pessoa. Fui atendida quase que imediatamente, mas os murmúrios haviam começado. Me olhavam assustados, entre risadas, comentando os motivos para eu ter me irritado àquele ponto. A raiva se concentrou em mim, e eu entendi que não precisava mais de convidados saudando meu nome a cada dois passos. — Quer saber? Acabou. Acabou a festa. Fora. — Comecei a mover as mãos em frente ao meu corpo, como se estivesse enxotando-os. Na verdade, estava fazendo exatamente isso. — Deem o fora daqui agora mesmo! TODOS VOCÊS, FORA.

— Hazel, baby, qual é... — Jamie tentou me frear, mas bloqueei sua aproximação erguendo a palma da mão em frente ao meu corpo.

— Eu não quero ver mais ninguém. Nem mesmo você. — Afirmei, de maneira rude de tão sincera. O modo como Frost me olhou indicava que acataria meu pedido. Provavelmente em definitivo.

Tanto faz, quem perdia era ele.

Por fim, eu fiquei sozinha, em uma enorme casa de praia em Hamptons. Eu deveria subir para o meu quarto e dormir, mas parecia impossível. Sentia o peso da minha atitude repentina e me arrependia de chegar àquele extremo, mas uma verdadeira Clarington nunca pede desculpas públicas. Por isso, se alguém me perguntasse sobre em um futuro não muito distante, eu falaria que não dava a mínima pelo ataque. Afinal, tudo era um grande jogo de aparências e só venciam aqueles que sabiam disfarçar os piores momentos com doses de sarcasmo e arrogância. E toda a minha criação foi voltada para vencer esse maldito jogo.

Me dirigi para o lado de fora, para o jardim em frente à mansão. O sol nascia ao longe, marcando oficialmente o novo dia. Por um impulso idiota, subi em um banco para apreciar o seu movimento no horizonte, crescendo cada vez mais. Comecei a andar de um lado para o outro, me equilibrando com dificuldade sobre o mesmo devido a sua estrutura estreita, passando o tempo enquanto a luz levemente alaranjada me alcançava. A paisagem era a minha única companhia, afinal, e eu precisava fazer algo ou seria consumida pelo gatilho que disparou toda a situação em que eu estava.

Uma mãe não deveria se esquecer do aniversário de uma filha.

Foi bobagem minha esperar até o último momento receber uma ligação, uma mensagem, qualquer coisa, de Marley. Ela deveria estar ocupada demais com sua vida de estrela do pop, viajando para cima e para baixo com o marido novo e aquela coisinha irritante que eu tinha como irmã mais nova. Marley era famosa por seus hits nas rádios, por lotar estádios em suas turnês e ganhar diversos prêmios. Mas eu acrescentaria mais um item a sua lista de conquistas: a incapacidade de agir como uma boa mãe para seus filhos mais velhos.

— Então aí está você. — A voz de meu irmão mais novo chegou até mim, me fazendo olhá-lo por cima do ombro.

— Você não deveria estar dormindo trancado no seu quarto, como a gente tinha concordado? — Perguntei, apenas para ser implicante, torcendo para que ele não notasse a melancolia em que me afundava.

— Primeiro, você não manda em mim. Segundo, tinha uma festa no primeiro andar. Você achava mesmo que eu ia dormir? — Franz me respondeu, com um sorriso convencido no rosto.

— Tanto faz... — Resmunguei, parando de girar feito louca no banco e saltando para o chão. Me sentei na superfície de madeira e o meu irmão fez o mesmo, a poucos centímetros de distância. Eu olhava para a frente, incapaz de encará-lo. Se o fizesse, seria flagrada e eu não queria dividir a frustração que ainda não havia superado. — Deveríamos nos preparar para ir embora. Sabe, acordar o motorista e tudo.

— É, deveríamos. — Franz concordou, sem mover um só dedo do lugar.

— Meu Deus, ao menos uma vez na vida facilita as coisas pra mim, garoto. — Falei, balançando a cabeça em negativa e sentindo-a começar a doer.

— Você se chateou quando tocaram aquela música. — Não era uma pergunta; o garoto sabia o que tinha de errado sem qualquer esforço, derrubando qualquer tentativa minha de esconder meus sentimentos. Maldito.

— Eu não deveria nem me abalar, na verdade. — Comentei, dando de ombros. — Já faz pelo menos 8 meses desde a última vez que realmente falamos com ela. Marley é uma completa estranha entre nós.

— Você não deveria falar assim...

— Não? Por que não? — Eu questionava o vento, uma vez que me recusava deixar Franz notar meus olhos cheios d’água. — Como você chamaria alguém que não sabe nada sobre você? Que não lembra direito qual a sua altura ou sua comida favorita? Ela cavou a própria tumba, Franz. A gente só está a enterrando ali.

Ficamos em silêncio por algum tempo. Eu fingindo que não estava fungando em um choro silencioso, meu irmão fingindo que não ouvia nada. Éramos bons em mentiras, usualmente. Mas não quanto a esse assunto.

— Alguma vez você já se perguntou se o papai... não sei. — Franz ficava nervoso só de mencionar nosso pai. Enquanto eu venerava Hunter, ele o temia. No final das contas, estávamos os dois do lado dele, a última pessoa em quem podíamos confiar, e era isso que importava no final do dia. — Você já se perguntou se tem algo que papai nos esconde?

— Sobre o quê? — Perguntei, sentindo minha testa se franzir enquanto virava o rosto de lado para observá-lo.

Meu irmão tinha a cara de quem é acordado 3 da manhã com o alarme do carro disparando do lado de fora.

— E se na verdade ela quis ficar com a gente? E se papai não foi 100% inocente nessa história toda? E se tudo o que a gente pensa dela seja distorcido pelo que ele disse pra nós dois por todo esse tempo? — O garoto despejou, como em um ato de desespero.

Respirei fundo, umedecendo meus lábios enquanto ria ironicamente.

— Se ela nos quisesse, ela tinha brigado pela nossa guarda. Como ela fez com a Madilyn. — Respondi, incisiva. Balancei a cabeça em uma negativa, lutando para parecer incrédula e não pesarosa. — Você não lembra de nada, porque era mais novo. Mas eu estava lá. Papai nos disse a verdade. Ela não nos quis na vida dela.

— É que... às vezes eu fico pensando... — Franz disse, em voz baixa, tombando a cabeça para que eu não visse sua expressão sentida.

— Ela não me ligou, Franz. — Falei, voltando a encarar o horizonte brilhante mais uma vez. — Ela se esqueceu completamente que era meu aniversário.

— Não esqueceu. — O garoto negou, minha visão periférica capturando o momento em que ele balançava a cabeça de um lado para o outro.

— Você agora virou porta-voz da Marley ou algo do tipo? — Perguntei, ligeiramente azeda só por ter que tocar no nome de minha mãe.

— Ela ligou direto para o escritório do papai. Eu ouvi. — Franz me contou, olhando para mim com o que eu reconheci como pesar assim que me virei para encará-lo. — Eu estava indo lá perguntar se eu tinha mesmo que vir com você pra cá e acabei flagrando a coisa toda. Você estava no seu quarto com o pessoal da maquiagem ou sei lá o que aquele pessoal fez com você antes de virmos para cá. Ele disse que te avisaria que ela havia ligado.

— Papai não me disse nada... — Falei, passando os dedos nos cabelos, me sentindo levemente atordoada.

Você não precisa de sua mãe na sua vida, meu amor. Estamos bem sem ela, você sabe”. Era o que eu sempre escutava de papai quando Marley tinha que sair mais cedo de sua visita, ou remarcar porque de última hora havia acontecido algum imprevisto e não conseguiria chegar a New York naquele dia. Era um mantra que eu havia recitado para mim a noite inteira, o dia inteiro. E ela havia me ligado. Ela não havia se esquecido.

— Ele deve ter se esquecido de me avisar. — Afirmei, resoluta, as lágrimas descendo por insistência de alguma falha biológica que me fazia vulnerável a esse tipo de coisa. — Ele anda tão ocupado, a reforma do restaurante em Tribeca está acabando com ele. E... ele nunca faria isso por maldade. Ou pra nos afastar da Marley. Quero dizer, ele não faria... Ele não poderia...

Franz passou os seus finos braços de garoto de 15 anos ao meu redor, me deixando apoiar a minha testa em seu ombro. E por alguns segundos eu considerei sua dúvida. Me lembrei dos comentários mordazes feitos a cada vez que nossa mãe tentava nos levar para sair. De como papai não perdia a oportunidade de insinuar que mamãe não estava levando uma vida digna em Los Angeles. De todos os rolares de olhos e palavras hostis quando Marley passava pelas portas de nossa casa. De todas as trocas de farpas que acompanhamos ao longe, mas não longe o suficiente. E me perguntei se toda essa animosidade entre os dois havia respingado sobre mim e Franz mais vezes que eu pude perceber. Pensar nesse tipo de coisa me fazia ter vontade de correr dali, sem nunca mais olhar para trás. Ou gritar, até a garganta doer de tão machucada. Mas o que eu fiz de verdade foi chorar. Como se minha vida dependesse de colocar toda aquela confusão para fora ali e naquele momento.

— Acho que... — Comecei a falar, com a voz embargada, desfazendo do abraço fraternal que estava presa. Limpei a garganta, passando a mão no rosto e recobrando a postura. — Acho que deveríamos ir para casa. Agora.

— Hazie, você... está bem? — Meu irmão me perguntou, uma ruga de preocupação formada em seu rosto juvenil.

Apesar de saber que deveria ser honesta com o garoto, fui incapaz de dizer-lhe que estava me sentindo destroçada por dentro. No lugar disso, lhe abri um sorriso enigmático, enquanto afastava os cabelos do rosto ainda molhado.

— Eu sou uma Clarington, irmãozinho. Eu devo estar bem o tempo todo.

Enquanto Franz me encarava com uma expressão confusa, me coloquei de pé, marchando de volta para a casa. Jogos de aparência. Vencer ou ser terrivelmente derrotada. Eu poderia sucumbir e admitir que minha fé estava abalada. Mas eu não era uma desistente. Então iria sentar, relaxar, e exibir minha melhor máscara de pessoa inabalável. Porque era exatamente isso que esperavam de mim. E era isso que teriam.

30 de Agosto de 2019 às 16:25 0 Denunciar Insira 1
Fim

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Writer Lay Perfil para postagens de fanfics apenas. Para publicações de material original, siga @the9intheafternoon.

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